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sexta-feira, 10 de agosto de 2012 Minhas aventuras, Porque o Tênis. | 12:00

Cheeseburguer

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Alguns dos queridos pangas que aqui escrevem, gostam de se confraternizar nas mídias sociais onde mostram uma forte queda pelo lado gourmet da vida, falando de comida em um espaço que nasceu pelo amor ao tênis. Considerando isso, pesquei um singelo texto publicado no O Estadão alguns poucos anos atrás que tem a culinária como pano de fundo para a nossa paixão comum. Por conta do tema, que não é a culinária, esta é só o fio condutor, fica como inspiração para comentários, espero que inspirados e de quaidade, para o fim de semana. Divirtam-se.

Geralmente eu vou àquele restaurante para comer o cheeseburguer, o melhor que já experimentei. Conseguiram melhorar uma fórmula tradicional que parecia imbatível pelos componentes e a simplicidade – carne, queijo e o pão. No caso, um pão diferenciado, feito com a massa de pizza, elevando o sanduíche a outra categoria.

Sempre odiei cheeseburguers cheios de coisas dentro! Basta uma mordida para que tudo esparrame para os lados causando uma porcaria sem fim. Como os pratos de massa de cantinas baratas, que mais parecem o Monte Everest alagado por um molho ralo e sem sabor. Ignorei os talheres, já que se é para comer com garfo e faca não é cheeseburguer. Mas este é um senão menor, reflexo do pedantismo do local, devidamente perdoado pelo carinho e a arte envolvida.

Escrevo isso para confessar que pela primeira vez deixei um pouco no prato. Quando pequeno ouvia do meu pai que não se deixa comida no prato. E o tal do cheeseburguer sempre me pareceu de bom tamanho. Ontem sobrou.

Quando o garçom o retirou – como são apressadinhos os garçons nesses lugares chiques, suspeito que tenha a ver com a fila na porta – fiquei surpreso com aquele pedaço deixado no prato. Por um instante, a memória dos sermões paternos quase estragou o meu prazer da mesa. Mas, pensei melhor e logo encontrei a razão para o lamentável ato.

Não foi, como a princípio me pareceu, porque tenho tentado comer mais como um mendigo e, quando muito, como um príncipe, mas nunca como um rei. A verdade é que estivera a conversar com dois novos amigos sobre uma paixão mútua – o tênis. Um deles, o mais apaixonado, é artista por vocação e tenista por paixão. O cativante é que essas pessoas trazem para a conversa um olhar diferente do meu. Geralmente a base desse olhar é a formação de cada um, mas, quanto mais se conversa, mais descobrimos a convergência de ideias.

Quanto mais mergulhamos em nossos pontos de vistas sobre as pessoas, o trabalho, dificuldades, conquistas e as texturas que formam nosso dia a dia, mais descobrimos que o tênis é um ótimo espelho para as mais simples e as mais complexas analogias. E foi caminhando por esses possíveis e interessantes labirintos de ideias que acabei desafiando mais um dos ensinamentos paternos.


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