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terça-feira, 7 de agosto de 2012 Olimpíadas, Tênis Feminino | 11:48

Crip Walk

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Não seria Serena Williams se não houvesse uma controvérsia envolvida. Logo após conquistar o título olímpico, Williams foi para o seu canto da quadra, deixou a raquete, olhou para seu camarote, onde estava sua irmã e mãe, e saiu dando alguns passos de dança que chegaram a empolgar os que desconhecem o histórico da esperta dancinha.

Por conta de sua escolha de coreografia uma grande controversa invadiu a imprensa eletrônica americana. A acusação é de a americana ter, mais uma vez, um comportamento impróprio dentro de uma quadra de tênis, especialmente em uma Olimpíada, onde está defendendo seu país.

E por que tamanha confusão por conta de uma dancinha? Aqueles passos fazem parte de uma dança chamada Crip Walk, que tem grande reverberação negativa na cultura americana, por estar associada a uma das piores gangs de Los Angeles e dos EUA – o crips – e seus atos de bandidismo.

A dança, existente desde os anos 70, é a assinatura dessa gangue de bandidos do bairro de Compton, Los Angeles, vizinhança onde cresceram as irmãs Williams. É usada para desafiar seus rivais, em especial os Bloods, a outra grande gangue de LA, e para marcar seus crimes, inclusive assassinatos. Ela é usada, em algumas raras vezes, pelos rappers gangsters em shows ao vivo, sendo que a MTV proibe qualquer vídeo com seus passos, o que dá a medida de seu simbolismo.

Quando perguntada sobre a dança e se esta teria um nome – wimbledon ou serena, arriscou o repórter – a americana respondeu que “a dança tem um nome mas é inapropriado”. O nome sim, a dança não.

Quando assisti a dança de Serena, fiquei impressionado pela ginga e o trabalho de pés da moça, sendo que eu desconhecia a coreografia e sua tradição. Porém, em tempos onde certas ações podem ter o peso de uma “declaração política”, talvez o Tênis pudesse ter ficado sem a crip dance. Mas, ao que parece, foi mais fácil tirar Serena de Compton do que Compton da Serena.

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