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quarta-feira, 1 de agosto de 2012 O leitor escreve, Olimpíadas, Tênis Masculino | 00:23

O leitor nas Olimpíadas

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Mais uma vez um leitor tem a cortesia de nos enviar notícias e fotos de um evento – desta vez as Olimpíadas. O nome dele é João Paulo Couy, com um bom texto é ótimas fotos. Aliás, que é a tenista executando o backhand na última foto?

Cleto, apesar de nunca ter me manifestado nos comentários — por pura ausência de tempo –, acompanho o blog há vários anos. É disparado a melhor fonte sobre o esporte na internet. Desde o início achei interessante os relatos que os fãs fazem “in loco” nas quadras do mundo, e julguei que valeria tentar enviar um relato desse torneio olímpico, particular por ser em Wimbledon.

Dia 01

Já não é de hoje que tento evitar o pessimismo, mas o esquema de transporte público armado pela organização destes Jogos Olímpicos já me deixa o sabor da vergonha por 2016. Para começar, junto com o ingresso, já se recebe o “Travel Card” — que basicamente te dá o direito utilizar qualquer modal necessário por toda a região metropolitana de Londres com validade por todo o dia do ingresso. Das estações de metrô mais próximas, há um muito bem organizado esquema de ônibus que nos deixa à porta do All England Club. Ao entrar no lugar onde ocorre o evento esportivo mais antigo do planeta, julguei que era improdutivo tentar comparações com as próximas olimpíadas, cujos organizadores mal sabem onde irão construir as quadras de tênis.

O primeiro dia do evento é um deleite para quem ama o tênis. Ver as moças e rapazes no tete-a-tete, batendo bola daquele jeito que você nunca vai fazer (pelo menos eu que comecei há apenas quatro anos) é de dar água na boca. Aliás, é de acabar com toda saliva disponível quando além da ver os efeitos, velocidades, movimentação e “spins”, nos é possível ver as curvas, o sorriso e, porque não?, até o cheiro da Kirilenko e suas amigas do time russo.

Deixando os devaneios de lado, fui circular pelos jogos das quadras secundárias, que se iniciam 30 minutos antes dos da Quadra Central e Quadra 01. Tempo suficiente para ver “Aninha”, mama Clijsters dentre outras. Nesse passeio cruzo com os resultados e vejo que o Berdych já tinha um set abaixo na Central. Corri a tempo de ver todo o segundo set, e entender que não era zebra o que ocorria: o tal de Darcis tem um slice tão rasante, profundo e multidirecionado, que não havia pernas que bastassem ao grandalhão. Que coisa linda ver o jeito se impor à força!

Terminado o primeiro da Central, resolvi dispensar a Serena — que dispensou a Jankovic com o mesmo pouco caso — para voltar às secundárias que estavam lotadas de feras treinando. Aliás é de fato uma disputa intensa pelas quadras de treino. Nego já vai se aquecendo dentro de quadra, “empurrando” quem está treinando para fora. Dessa vez deu para ver o Bellucci sentando a mão com o Sá e a toda a vez deu para ver o Bellucci sentando a mão com o Sá e a toda a transpiração da Maria — cujos gemidos não são tão escandalosos quando treina. Ali do lado me chama atenção aquele bronzeado e o rabo-de-cavalo em total harmonia com o vestidinho justo. Bonitinha mas ordinária essa Cornet: brigou com o juiz de cadeira, chutou raquete, fez cera, cara feia pra platéia e ainda deu um jeito de ganhar o jogo. No final, a gota d’água, beijinho para um metido a gentlement blazé. E depois ainda fica de chamego com o cara! Sou muito mais eu, “mano”.

Corre-corre que o mestre tá entrando na Quadra Central. E a confusão é generalizada, a quadra fica lotada, todo mundo quer ver enquanto-ele-ainda-baila-nas-gramas-por-aí. “Aproveitem enquanto puder” — sábio conselho das antigas transmissões dos canais Espn no Brasil.

E se no primeiro jogo já deu para perceber que os ingleses adoram um “underdog”, agora as coisas se escancaram. Desde o início do segundo set, o Falla era o tenista “da casa”. O Federer perdendo aqueles match-points foi um auê de alegria. E vivas, terceiro set! Tá bom, gostam de zebra mas nesse caso é só para curtir o mestre passear na grama, sei como é! Finalizado o jogo sem eu ter a mínima noção de como ele dá aquelas esquerdas de bate-pronto só com a munheca que vão na profundidade certa, é correr para ver nossa dupla contra os gêmeos-sobrinhos do Tio Sam.

Chego no início do segundo, tendo notícia que no tie break do primeiro perdemos chegando a estar 5-2 Brasil. Acontece. O jogo foi muito bom e divertido: quadra 14, miúda, fica-se do lado dos caras. O Bellucci até uma hora virou pra gente e perguntou: “essa bola foi boa?!” Foi sim, Sid. Vamobora, não viaja, que tamo jogando bem. E os brazucas jogavam muito bem, de fato. Tiveram várias chances de quebra, mas não aproveitam. Também salvaram alguns breaks e partimos por segundo tie break. Brasil 5-2. Acontece que dessa vez foi pro nosso lado. No terceiro a torcida entrou no jogo. Tudo na santa paz, mas disputando o grito mais alto. E assim, num detalhe aqui outro acolá, nossa dupla que jogava melhor foi quebrada. E por detalhes que esses caras já ganharam tanto nas duplas.

Fim do banquete. Ainda com sol às 20:30h, hora de tentar acabar com o jetlag. Amanhã tem mais — mas não para mim, que cai na besteira de comprar de última hora um ingresso para o futebol do Brasil. Em Manchester.

Dia 2

O futebol foi pior que imaginava, não merece nem detalhes. Pelo menos choveu em Londres, e praticamente não teve rodada.

Dia 3

Tempo maravilhoso, ótimos jogos e grandes curiosidades sobre as mudanças polêmicas no “schedule”. Mas só amanhã, porque acabei de chegar e essas 6 horas ainda fazem diferença no meu sono.

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