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sexta-feira, 27 de julho de 2012 Olimpíadas, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 14:17

Porta-Bandeiras

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Aqui no Brasil até que não causou muita celeuma. Mas a decisão de quem é o atleta coroado com a honra de adentrar o Estádio Olímpico carregando a bandeira de seu país é “o assunto” na Vila Olímpica, em todas as delegações, assim como na imprensa de muitos países, o tema é de uma importância que nosso país e sua monocultura esportiva desconhecem. Aqui o negócio é discutir quem é o técnico da equipe de futebol, cargo que todo macho brasileiro tende a ter certeza de que deveria ser o titular.

Não existe um padrão universal para a escolha de tal honra, nem sou a pessoa mais “expert” sobre o assunto. Só tenho cá minhas informações que divido como vocês.

A minha primeira lembrança sobre o assunto é do russo/ucraniano Leonid Zhabotynsky, um halterofilista campeão olímpico, que na Cidade do México, em 1968, causou furor ao desfilar, do começo ao fim, e olha que a tal volta olímpica demora um bocado, segurando a bandeira com um só braço esticado (não achei uma foto do feito). Nem meu pai pensou em tal castigo. Experimentem, em casa, ficar segurando uma garrafa de cerveja, pode ser vazia, 10 minutos que sejam, com o braço esticado. Nunca mais ninguém tentou o feito, pelo contrário, quase todos desfilam segurando a bandeira em um apoio, colocado contra a cintura, onde é colocado o peso da bandeira, já as mãos são só para equilibrar a bandeira. Recentemente estão usando um metal ultr leva e uma bandeira menor para facilitar.

Tal gesto, do russo, tinha tudo a ver com a cultura comunista de usar os Jogos como base de marketing para seu falido regime. “Bota lá o fortão para impressionar e alertar os gringos que qualquer coisa nós vamos enviar um bando de Leonid para cuidar dos Rambos deles”.

Não sei bem, até porque não é totalmente transparente, qual o critério de escolha do nosso porta-bandeira. Pelas escolhas, pelo menos em tempos atuais, tem a ver com as conquistas passadas, algo com as possíveis conquistas da presente Olimpíada e uma personalidade que espelhe os valores olimpicos. Roberto Scheidt, Torben Grael, Sandra Pires, a primeira brasileira a ter tal honra, e uma que causou polêmica maior, Joaquim Cruz, Aurélio Miguel, Walter Carmona, Eduardo Souza Ramos, João do Pulo e Adhemar F. da Silva, ambos do salto triplo e ambos levaram a bandeira em duas ocasiões, o Menon e o Wlamir Marques do basquete, João Gonçalves, um dos maiores atletas do Brasil, que era do Clube Pinheiros e foi olímpico como nadador (duas vezes), jogador de polo aquático (três vezes) e técnico de judô nem sei quantas, o militar Silvio Padilha, que era do atletismo, não ganhou nadinha, e mais tarde foi presidente do COB, em duas oportunidades quando era praxe, não me perguntem porque, colocar uma bando de militares uniformizados com a equipe e alguns outros mais no passado, sendo que o primeiro de todos foi outro militar, Afrânio da Costa, que venceu as duas primeiras medalhas do Brasil, em 1920.

Desta vez escolheram o Rodrigo Pessoa que tem três medalhas olímpicas (1 ouro e 2 bronzes, o ouro veio tardiamente após a desclassificação dos irlandeses), e boas chances de repetir o feito. Acho que aqui mesmo no IG o publico votou mais em Cesar Cielo e na Maureen. Ambos têm, atualmente, muito mais mídia do que Rodrigo, mas ainda não tem o mesmo histórico, além de que a escolha de Cielo só colocaria mais lenha na fogueira de atletas estrangeiros que questionam o julgamento de Cesar na questão do doping.

Nesta edição a escolha que está mais dando o que falar é a dos chineses, que, mais uma vez, escolher fazer uma “declaração política” com a escolha do porta bandeira. Os dirigentes deixaram bem claro, logo eles que não gostam de divulgar nada, que os critérios são; alto, bonito e influente. Com isso, mantiveram a tradição, desde 1984, de escolher um jogador de basquete, que se tem uma beleza discutível, são altos barbaridades, o que transparece que os chineses têm sérias questões com seu tamanho padrão. Desta vez vai um tal de Yi Jianlin, de 2.13m. Na ultima, foi o Yao Ming, que fez sucesso na NBA com basquete estiloso e sua altura. Dizem que uma das considerações foi Na Li, que foi mais votada online do que o Yi, mas os chineses ainda devem ter suas questões não resolvidas com o feminismo e Jian Quing.

Que eu me lembre, a maior polêmica entre porta-bandeira e tênis foi com o mala-mor Marcelo Rios que, horas antes do desfile, teve um fanitico e causou um escândalo imenso no país, se recusou a desfilar e carregar a bandeira do Chile. Já ouvi muitas bobagem em esportes, mas essa está em qualquer lista de top 10.

Este ano, Federer abriu mão de repetir a dose pela 3ª vez e o porta-bandeira suíço será o Wawrinka. Sharapova (que deve ser o maior sucesso das porta-bandeiras), Radwanska, Djokovic, Mirnyi (Bielorussia), Baghdatis, Tecau (Romenia), Vogt (Linchenstein) são outros tenistas que terão tal honra.

João Gonsalves no México. Mais tarde coloco a Maria e quem mais fizer sucesso no desfile de hoje.

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