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segunda-feira, 9 de julho de 2012 O leitor escreve, Tênis Masculino | 15:36

Comentando a final

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Grandes finais inspiram os leitores. Abaixo três comentário que tocaram os outros leitores. Divirtam-se. 

Tenho 16 anos, acompanho tênis desde do Us Open de 2009, e de verdade, uma das minhas maiores lamentações é não ter acompanhado o auge desse gênio chamado Roger Federer. Coisas que só algumas emoções podem explicar me fazem torcer para outro monstro, Novak Djokovic. No entanto, sempre considerei o suíço como meu segundo tenista favorito. Lamentei um pouco ter visto a conquista de apenas um dos 16 majors que ele tinha até então, e hoje, enfim, assisti a coroação deste tenista que não tem como definir, está muito acima da nossa compreensão.

Mas, hoje, quero falar sobre o outro. O outro, mas não só porque perdeu hoje. No contexto do grande top 4 que os amantes do tênis têm a honra de acompanhar, ele muitas vezes é esquecido, o que é compreensível. Roger e Rafa alcançaram status de lendas do esporte, Nole caminha para isso. E Murray, onde fica nisso? Como foi bem destacado aqui anteriormente, esse é o melhor dos humanos. E isso ficou evidente hoje. Contrariando a visão que por muito tempo foi sustentada sobre ele, e acredito, deve ter durado até hoje, Andy, além de ter evoluido dentro de quadra, foi extremamente intenso fora. Visceralmente humano, cheio de curvas e reviravoltas. Mas não só hoje… sua comentada “bipolaridade”, exemplificada através de atitudes que talvez não estejam de acordo com a postura de um campeão, como em momentos de autoflagelação e as tais milongas, tudo isso, sim, mostra o quanto esse ser, dotado de um talento incrível, é humano. Em duas de suas quatro derrotas em finais de GS ele não se conteve, nas cerimônias de premiação. A tristeza que transbordou no AO 2010 e dessa vez, evidenciaram o quanto ele ainda é emocional, e humano. Os outros três, muitas vezes, se transformam em hérois, exemplos, merecidamente é claro, pela grandeza de suas conquistas. Mas o escocês não é herói. Não no sentido que estamos acostumados. Não é uma fortaleza mental como Nadal, frio como Federer ou lutador como Nole. Ele falha em momentos decisivos, e é difícil afirmar que vai deixar de falhar, talvez esse seja um traço da própria personalidade dele. Daqueles que estão destinados a sentir a glória de chorar. Apesar dessa ao mesmo tempo triste e fascinante característica, o escocês certamente terá ainda várias chances ainda de realizar o objetivo de vencer um Slam, se continuar evoluindo, e o principal, se deixar seu talento e recursos falarem mais alto. Viva ao tênis. Viva ao mito, Roger Federer. E viva ao humano, Andy Murray.

Rodrigo Figueiredo

Estava por aqui lendo os coments do post anterior, esperando chegar a hora de virar abóbora após as doze badaladas, contando que o post do Patrão chegaria antes. Palpite certo, felizmente.

Do jogo, nada mais a declarar, a análise do Patrão já veio com couvert, tempero e sobremesa. Talvez, resumiria isso tudo que foi muito bem escrito aí acima por uma frase: Murray joga muito tênis, mas Federer joga um pouco mais que muito …

Aos amigos que cobraram minha presença nos coments, agradeço a lembrança. Assisti o jogo todo, a maior parte ao lado da Frau. Tava difícil saber para quem torcer, sendo ao mesmo tempo um federista de carteirinha, mas também sócio fundador da galharda Torcida Raça Escocesa.

Como bom engenheiro, tentei ser prático: aquele que me parecesse estar jogando melhor teria minha torcida pela sua vitória, em reconhecimento a sua atuação. Assim, desejei a vitória de Murray até aquele 5×6 do segundo set. Depois daquela quebra, não pela quebra em si, mas pelos pontos jogados pelo suíço, fiquei na dúvida.

Com o desenrolar do terceiro e quarto sets, me pareceu que Roger fazia por merecer o triunfo, o que não deixava de ser uma sensação estranha por não poder ter os dois vencendo a mesma partida. É que aqueles que um dia entram na Romi, jamais saem dela.

Creio que não precisa se falar mais nada sobre o suíço, mas acho que hoje grande parte dos narizes torcidos para Andy Murray, seu jeito Hardy de ser, o estilo cozinheiro de jogar, acho que a partir desse domingo novos olhares surgirão.

Hoje, mais do que nunca, na hora do seu discurso, vi estampada na tevê a realidade de uma frase que uso há tempos: o primeiro ser humano do ranking é o Murray, pois os outros três são de outro planeta!

Como já havia adiantado antes, eu ia terminar de assistir esse jogo feliz e triste ao mesmo tempo. A Frau, ao ver a cena dele tentando balbuciar algumas palavras ao microfone, foi mais feliz na descrição: ele é um meninão! Depois, olhou pra mim e perguntou: Você está triste que o Murray perdeu, né?

Acho que ela acertou muito bem no termo meninão … rsss. O resto … bem, deixa pra lá, um dos dois ia ter que perder, mesmo.

Ao suíço, eternos aplausos, acho que esses últimos recordes batidos são argumentos mais fortes que a maioria dos contra-argumentos que vierem a surgir. E, em caso de dúvida, que se revejam alguns lances mágicos que ele fez na partida, como aquele drop shot cruzado de fundo da quadra, de colherada, andando para trás. Só aquilo ali já valeu o ingresso!

Ao escocês, muitos aplausos também, por tudo o que conseguiu fazer na quadra hoje contra alguém que parece ter nascido para jogar na grama sagrada. Algumas jogadas sensacionais e a certeza que, dessa vez, ainda que com alguns poucos baixos, os altos foram muito maiores.

A Romi vai seguir, como sempre segue. A minha torcida para o suíço sempre existirá, mas nas Olimpíadas e nos próximos GS, ela virá em segundo lugar. Se antes eu já tinha dado pitaco que torceria para um ganhar o GS e o outro os Jogos Olímpicos, depois da cerimônia de hoje, mais do que nunca o grito será um só:

Scooooooooooooooooooooootchland !!!

Bet@

Reação triste, mas bonita na espontaneidade. Esse choro falou muito ao mundo e a mim.

Lágrimas em geral me comovem, sobretudo se forem de homens barbados, marmanjões, e em competições esportivas de alto nível. O desmontar de um marmanjo desses bota fora os estereótipos de que “homem não chora” e atletas são seres especiais.

Somos iguais a eles. Estão sujeitos às mesmas paixões e anseios que eu e você.

O pranto denota a esfera humana, sempre. No caso de Murray, representa a vontade de ganhar, sobretudo diante de sua mãe-técnica, do seu público, do seu novo treinador, que disse, certa vez, que trocaria seus Roland Garros por um simples Wimbledon, enfim, pela dimensão do que seria ganhar lá. Dentro daquele louco existe um ser humano.

O choro me mostrou também um conformismo e uma atitude de dignidade. Perder para quem perdeu, mesmo que não, consola o peito. Roger não é o que é á toa. Seu encantador talento juntou-se a melhor preparação física já feita em um tenista, aliada a uma mudança de um garoto quebra-raquetes para uma estátua sem feições. Ingredientes que formam um mito. Sim, ele é um mito.

O placar em si foi incontestável. Roger, esteve mais sólido e resolveu subir à rede. E dos dois foi o que atacou.

Murray levou para casa um troféu inestimável: lágrimas de dignidade. Esse troféu supera todos os títulos de Roger. Torço para que alcance o visível e o palpável. O choro e a presença na final mostraram que ele está no caminho. Murray merece chegar lá.

A Roger, palmas ao mito.

Beijo no coração de todos.

Vou pegar meu 14-bis e dar um voo, e se cair chuva em vossas cabeças, serão minhas lágrimas

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