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quinta-feira, 5 de julho de 2012 Tênis Masculino | 11:22

11.22h

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Desde os tempos de Martina Hingis eu não vejo em quadra uma tenista com a inteligência intuitiva da polonesa Agnieszka Radwanska, que hoje passou à final de Wimbledon batendo a alemã Angelike Kerber.

Agni é uma tenista fora do padrão. Não faz força para jogar, em uma época que as moças estão cada dia mais forte. Não geme para bater na bola, enquanto parte de suas oponentes parecem ter orgasmos siderais a cada forehand. Tem uma ótima antecipação ao mesmo tempo em que a maioria das tenistas espera o óbvio para fazer o óbvio. É uma moça que usa a cabeça em quadra, e aqui eu não digo mais nada, para executar golpes que fogem daquele total engessamento que os técnicos colocam suas tenistas e seus golpes.

Só pelo acima já dá para torcer pela moça, já que se é para gostar de tudo igual eu prefiro minhas balas de goma amarelas. Mas ela traz para as quadras também uma personalidade distinta do que se vê em profusão por aí. Personalidades que vivem nos extremos – arrogantes ou idiotas. Aquelas que acreditam que tem que sempre dizer e fazer algo “inteligente”, lembrando que o padrão das moças no quesito é triste de baixo. Ou então nem isso – com respostas padrões treinadas por agentes que tentam evitar o pior.

Não conheço muito a polonesa e não sei realmente o quanto é interessante ou inteligente pessoalmente. Talvez o nosso leitor californiano, que usava credencial dada por ela em Indian Wells, possa nos iluminar sobre a questão. Mas o que ela passa em suas entrevistas, e especialmente em quadra, sugere mais o que escrevi acima do que a padrão já manjado na WTA.

Sua quieta vibração, acompanhada de singelos pulinhos no mesmo lugar, após vencer Kerber, mostrou contenção e respeito pela amiga derrotada. Sua ausência de gritos para bater na bola mostra respeito pelo público, adversárias e pelo jogo em si. Hoje, ao se classificar para sua primeira final de GS, onde não será a favorita, independente da adversária, é uma tenista que comendo pelas bordas, sem posar de bikinis pelas revistas de modas, sem tentar tolas declarações bombásticas, muito menos tentando ser engraçadinha na quadra ou fora dela, mostrando que inteligência é um fator para se ganhar jogos, Radwanska é um alento no circuito.

Enquanto isso, vamos ao jogo Serena x Azarenka, em tantas maneiras o contraponto de tudo acima.

Agnieszka e seus pulinhos da vitória.

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