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sábado, 9 de junho de 2012 Tênis Feminino, Tênis Masculino | 14:44

Ocasiões

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Será uma quinzena que a italiana Sara Errani jamais esquecerá. Depois de tantos anos investindo em sua carreira, a moça chegou até morar nos EUA como adolescente, aos 25 anos ela consegue fazer todas as variáveis se afinarem e ter as duas melhores semanas de sua vida, ao chegar a duas finais de Roland Garros; nas simples e duplas. É um momento especial, o que ela deixou transparecer ao responder ao horrível entrevistador, o tenista Cedric Pioline, que lhe perguntou se ele tinha noção que sua vida mudaria a partir de hoje, ao que ela retrucou– espero que não. Na primeira final ela foi derrotada pela Maria Sharapova, na segunda ela venceu, em parceria com sua melhor amiga, Roberta da Vinci.

Se Sara não teve a quinzena perfeita foi porque a adversária também vinha se preparando há tempos para a ocasião e, por conta da maior experiência nas grandes ocasiões, e mais ainda por ter muito mais arsenal do que a oponente.

A russa mostrou ser uma profissional de primeirissima linha ao fazer de uma situação adversa e sofrida – uma contusão séria no ombro – uma ocasião para se reinventar como tenista. Investiu no preparo físico, melhorou bastante a movimentação – era uma patachoca de 1.88m de altura e muita dificuldade para se movimentar -, aprendeu a ser paciente e mexer a bola, fugindo do óbvio e do risco desnecessário, e a levar o jogo em si mais nas pontas dos dedos, como um bom cavaleiro leva uma égua de raça. Maria é hoje muito mais tenista do que quando venceu seus GS anteriores, onde o ímpeto falava mais alto do que a categoria. Hoje as qualidades se inverteram.

Até por fugir de suas características, gostei muito de Sharapova no final da partida e na premiação. Ela botar os pernões para escalar o Camarote Presidencial, sem a menor cerimônia ou vergonha, foi uma visão inesquecível. Ir às arquibancadas abraçar seu time foi sem preço e mostrou categoria e nobreza por parte da moça. Mais ainda quando, na cerimônia, além de agradecer individualmente ao seu time, em especial ao novo técnico, Hogstead, que tem de ser creditado pelas mudanças, e fazer sua declaração de amor aos pais, ausentes há anos dos torneios, Maria teve a lembrança de agradecer seu antigo técnico, Michael Joyce, com quem já não trabalha desde o fim de 2010, o que tem que ser uma das raras ou a única vez que vi isso.

Uma campeã é feita de inúmeros detalhes, alguns importantes, outros ainda mais importantes, e alguns que transparecem certas características de caráter, que o melhor dos marqueteiros não traz à tona, que só acrescentam ao título de campeã. Agora uma das poucas campeãs que pode dizer que venceu cada um dos Grand Slams e que ao mesmo tempo chega a termos a termos com algumas de suas antigas carências.

Sara e Maria – as finalistas em Roland Garros.

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