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sexta-feira, 4 de maio de 2012 História, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 14:09

Saibro Smurf

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Receio que a quadra azul do Aberto de Madrid, que começa este fim de semana, está se tornando mais importante do que o evento em si. Não duvido que isso seja bem vindo pelo dono do torneio, o romeno Ion “o Ogro” Tiriac, que, entre outras novidades, trouxe modelos para pegarem bolas, algo que muitos também reclamaram no início e para o que alguns ainda fazem cara feia. A única duvida que tenho a respeito é se algum tenista já perdeu a concentração durante o jogo com aqueles excessos femininos lhes dando bola. Mas, lembro que a maioria também achou um absurdo quando começaram a usar camisas coloridas em quadra e mais ainda quando Andre Agassi começou a usar as camisas espalhafatosas com desenhos horríveis que a Nike fazia para encaixar a sua personalidade.

Não deixa de ser interessante o fato de que a cor azul, em um tom bem semelhante, é a cor do principal patrocinador do evento, o que fica difícil de ignorar na questão. Os organizadores lembram que vários torneios usam cores diferentes durante a temporada e Slams como o U.S. Open o fez no passado e recentemente o Aberto da Austrália, também mudaram a cor do piso. Quanto à questão do contraste do amarelo da bola com o azul da quadra, a razão alegada para a mudança, nós vamos ver o quanto Tiriac tem razão assim que o televisionamento começar.

Rafa Nadal lidera o bloco dos que odeiam mesmo sem experimentar, algo que crianças fazem quando se veem à frente de um prato de miúdos. Em um malabarismo lógico, Nadal diz que entende e não culpa os organizadores e sim a ATP por permitir – algo na linha de não culpar o bandido que o assalta e recriminar a polícia que permitiu. Com isso, ele quer, como se fosse possível, preservar o evento espanhol e ao mesmo tempo seguir na sua cruzada de criticar a ATP por tudo e mais um pouco por não fazer as coisas exatamente como ele quer. A postura não é de hoje, piorou quando não conseguiu que as coisas fossem como queria, quando vice-presidente do Conselho da ATP, e a única coisa que mudou de anos atrás é que antes seu tio era o porta-voz de todas as reclamações. Em suas declarações Nadal diz que não há vantagens para os tenistas e para mais ninguém – só para o dono do torneio, se referindo a Tiriac, sem mencionar seu nome.

Deve ser um pouco constrangedor para ambos que um dos que defende a quadra azul é seu amigo, vizinho e mentor Carlos Moya. Este diz que não há nada errado com a quadra e que acha tudo muito bom com ela. Não sei se seria exatamente essa sua posição se ainda competisse no circuito profissional, mas não acredito que dissesse se não acreditasse. Além dele, o ex-número 1 do mundo e maior ícone do tênis espanhol, Manuel Santana, é o diretor do torneio, avalista do piso e tem recebido os principais tenistas na Quadra Central.

Novak Djokovic não gostou que mudassem a quadra sem o aval dos tenistas, uma questão atualmente nos vestiários. Ele diz que uma decisão como essa não pode ficar nas mãos de um executivo, no caso o presidente da ATP, e não passar pelos tenistas. Após seu primeiro bate bola, disse o quique da bola é um pouco diferente, especialmente no slice.

Andy Murray, antes de abandonar o torneio por conta de uma contusão nas costas, afirmou não ter maiores restrições à quadra azul, antes de jogar nela, do que o fato de o evento ser tão próximo a Roland Garros. Ele concorda que às vezes é difícil assistir jogos no saibro na TV e que entende a mudança.

A posição do diplomata Federer é expressa em poucas palavras. “É uma história bem longa, mas acho triste que o evento seja disputado em uma quadra que os tenistas não aceitam e que Nadal seja obrigado a jogar em uma quadra que não aceita em seu próprio país.”

Fernando Verdasco disse que gostou da quadra, o “deslizar” e que permite ótima movimentação. As marcas deixadas pelas bolas são bem claras Ele salienta que Madrid é sempre complicada pela altitude.

Milos Raonic deixou a coisa mais simples e cômica ao chamar a quadra de “saibro smurf”, lembrando os personagens azuis das histórias em quadrinhos e filmes.

O atual presidente da ATP, no cargo desde Novembro último, não foi o que aprovou o piso, mas decidiu manter a decisão, pelo menos para este evento. Após o torneio a ATP fará uma revisão do assunto e decidirá se a quadra continua azul ou voltará à cor laranja/vermelho, o que deixará a questão em aberto mesmo após o torneio.

Lembrando que o evento reúne homens e mulheres na mesma semana e estas tiveram ainda menos input sobre o assunto do que os homens. No entanto as moças tem mantido um “low profile” sobre o assunto.

Serena segiu na sua linha rebeldo declarando ser ridiculo o saibro azul e que o seu veto à cor foi simplesmente ignorado. Maria Sharapova treinou, achou interessante e “diferente”, sem passar qualquer julgamento negativo. Cirstea, romena como Tiriac, adorou a novidade, que diz ser boa para o tênis. Venus Williams diz que a quadra é uma declaração fashionista, o que faz bem o seu gênero e com o que Maria concorda, ao dizer que “é bem legal para o espetáculo e o entretenimento, dois fatores importantes no esporte”. Pelo menos por enquanto as mulheres parecem ter um olhar mais feminino e de menos conflito sobre o assunto. Mas acredito que muita água ainda vai rolar debaixo dessa ponte nos próximos dias.

Quadra azul e bola amerela – visual melhor?

Saibro Smurf ?



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