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Arquivo de maio, 2012

quinta-feira, 31 de maio de 2012 Copa Davis, História, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 16:51

Redenção

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Devem existir poucos sentimentos humanos tão poderosos e satisfatórios como a redenção. Não a religiosa ou espiritual, mas a emocional. A primeira Freud escreveu que era para aliviar a culpa de viver na civilização. A segunda, por algum erro cometido, mesmo sem querer, e que algumas pessoas têm a sorte de expiar, o que deve ser uma bela expressão de alívio, algo como retirar um espinho da carne. Um espinho que dilacera o coração por algum erro cometido no passado, causando angustia recorrente.

A vitória de Paul-Henri Mathieu sobre John Isner, por 18/16 no 5º set, após mais de 5h de sofrimentos, deve ser o bálsamo que o francês perseguia. Isso desde que ele perdeu jogo similar em final de Copa Davis, contra a Rússia, na quinta partida e no quinto set, após liderar por 2×0 em sets, sendo que tinha sido um dos responsáveis da chagada dos franceses à final. Sua carreira ficou marcada por essa derrota. Tinha menos de 20 anos, era a grande esperança francesa e aquela seria a vitória que lhe daria combustível para uma carreira promissora que se iniciava. Não ajudou muito o fato de que naque mesmo ano, 2002, perdeu nas quartas de final de RG para Agassi, também após liderar a partida por 2×0. Um ano que era para ser o seu grande início foi o seu inferno.

Sua carreira foi de altos e baixos, menos altos do que se esperava, sempre sofrendo com as tremidas nos momentos importantes que se tornaram célebres e características. Aos 30 anos deve ter flertado com a aposentadoria mais de uma vez, especialmente após a temporada de 2011, quando sofreu com uma contusão que não sarava.

Tudo isso e muito mais deve ter atravessado sua cabeça enquanto o jogo caminhava para um fim que não chegava e que mais uma vez poderia terminar com o gosto amargo da derrota. Até porque o adversário é um que tem alto know-how no assunto. Mas, Matthieu soube administrar a cabeça e o coração, mesmo depois de ter um 0x40 e um 15/40 para fechar e não conseguir. Não porque jogasse mal, mas o outro não largava o osso.

Finalmente os deuses decidiram que Paul estava pronto para encontrar sua Redenção e que ela fosse no cenário condizente. Na Quadra Central de Roland Garros, onde todo tenista francês tem que, na frente se 15 mil representantes de seu povo, provar se é galo ou galinha. Uma simbologia que os que conhecem a cultura francesa entenderão.

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E para completar o dia:

A Na Li continua passeando enquanto defende o título. Hoje foi 6/0 6/2 pra cima da francesa Gacon.

A Schiavone, que já foi campeã em Paris, em 2010 suou para bater a Pironkova. A italiana nunca mais conseguiu fazer nada a altura. A não ser a final no ano passado também em Paris. Mas vai dormir sossegada o resto da vida.

E a Razzano não teve a força emocional para ganhar a próxima partida após bater Serena. Isso pesa mais do que o físico. Eliminada por Arantxa Rus por 2×0.

O Almagro bateu o Baghdatis, e quem não o bate, mas não sem arrumar confusão com o público. Essa birra entre espanhóis e franceses ainda vai dar xabú.

A alemã Kerber, que é uma que pode correr por fora, passou para a 3ª rodada batendo a Govortsova.

A Jankovic só vai aproveitar Paris para as compras. Está fora na 2ª rodada. Fim de linha para a paparrona.

A Sesil Karatantscheva está fora, derrotada pela Navarro.

O argentino Leonardo Mayer teve uma belíssima vitória ao bater o Kohlschereiber, que era o favorito.

O Marcelo Melo e o bom parceiro Dodig bateram o Tomic/Stebe. Infelizmente a noticia que chega é que o Andre Sá teve que abandonar a partida de duplas por contusão.

Fica faltando a menção da Maria Sharapova, que deve ter ido embora para o hotel com um bico maior do que a torre Eiffel. A partida entre o Isner e o Matthieu às 21.10h e a moça ficou chupando o dedo no vestiário até alguém a liberar da espera.

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Tênis Masculino | 12:17

12.16h

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Esse Andy Murray é mais milongueiro do que argentino em fim de carreira. Hoje ganhou, em quatro sets, do Nieminem. Mas teve horas que se podia jurar ele sairia da quadra de tanta cara feia e encenações de dores que fazia. Se está doendo o tanto que ele demonstra, como é que ele vai jogar um GS no saibro. Sei não.

Carol Wozniacki passou, fácil, por uma das musas da imprensa brasileira, a Jarmila Gajdisova, que posso garantir não tem o QI da Marion e so uma coisa que me chame a atenção – o fato de ser ambidestra para tudo, o que, como dizem o americanos, pode vir a ser handy.

Aos poucos a Kvitova vai entrando no torneio. Na próxima rodada enfrenta a russa Bratchikova.

O Tsonga passou pelo Stebe, mas vai ser difícil ela ir longe, como ele mesmo confessou, e se arrependeu, o que por si já faz ainda mais difícil. A próxima é com o Fognini, o rei dos paparras, que bateu o Troicki 8/6 no 5º set. Mas a próxima é com o Federer.

O Nadal passou como um trator pelo Istomin. E ainda acha que não sacou bem. Se sacar….

Chorem! A Kirilenko saiu na 2ª rodada. Perdeu para a Zakapalova.

O Raonic está na 3ª rodada e contra o Monaco. A 3ª rodada sempre tem bons confrontos. Querem um interessante? Murray x Giraldo, que deu uma aula no Tomic.

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Olimpíadas, Tênis Feminino | 10:43

Marion e a FFT

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Apesar de ser a federação mais rica, mais organizada e que mais investe em seus tenistas, os franceses ainda tem muito mais problemas do que se imagina com os jogadores. Já escrevi sobre o assunto em outras ocasiões. O assunto do momento reflete a derrota, de certa forma prematura, da Marion Bartoli, a tenista francesa melhor rankeada.

Bartoli sempre foi o patinho feio dos franceses. A federação não gosta muito dela, a imprensa acha que ela não é exatamente o que eles gostariam que uma tenista francesa fosse e quase que a ignoram e o público francês provavelmente preferiria que ela fosse belga.

Os franceses gostam, apreciam e respeitam os tenistas com uma boa dose de graça, carisma, um estilo vistoso e um bocado de firula. Dos que acompanham o tênis recente, que já não viu o Monfils e o Tsonga fazerem coisas totalmente desnecessárias para vencer, mas que fazem a galera vibrar. Noah era assim, Leconte então, e o veterano Barhami, que nunca jogou lhufas e é mais badalado até mesmo do que um Clement, outro “quadradinho”.

Bem, a Bartoli é o oposto de tudo isso que os franceses apreciam. Por isso, é esnobada “na úrtima” por todos eles. Sem mencionar que a moça é, para dizer pouco, estranhíssima em quadra, o que é imperdoável para os amantes da arte como os franceses. Para completar, a moça sempre esteve fora do radar da FFT, por quem nunca foi ajudada, não construindo um relacionamento com a cultura tenistica local. Ela sempre foi uma “filhinha do papai”, que foi quem apostou nela, abandonando sua própria carreira de médico para acompanhar e treinar a filha da maneira mais heterodoxa possível.

Mas o problema a que me referia no início. Marion, apesar de ser a mais bem classificada das francesas não jogará as Olimpíadas. Por quê? Por conta de uma regra da FIT e uma postura da FFT.

A regra diz que todos os tenistas para serem elegíveis para as Olimpíadas devem se colocar à disposição de sua federação para jogar a Fed Cup (ou Copa Davis) em duas oportunidades, se existentes, nos dois últimos anos (agora são quatro oportunidades o que fez aumentar a chiadeira)

A postura da FFT é de que nenhum técnico particular deve fazer parte dos times, restrito aos técnicos da FFT. Isso não é algo exclusivo da FFT – os americanos, e outras federações, também o fazem. Eu também tive problema com isso quando técnico da Davis.

Marion e seu pai nunca aceitaram essa regra. Ela diz que jogaria desde que o pai estivesse presente. A federação não cedeu – a regra é para todos e todos obedecem.

Marion não vai às Olimpíadas, mas prometeu colocar a boca no trombone após Roland Garros. Ela declarou que a FFT nunca fez nada por ela a não ser atrapalhar, culminando com o seu impedimento de ir às Olimpíadas, algo que traz prejuízos a todos, lembrando que a moça já foi vice na grama de Wimbledon, local dos próximos Jogos Olímpicos.

Já ciente do que vem pela frente, o presidente da FFT fez questão de estar presente nas duas partidas da moça em Paris e torcer ostensivamente pela moça, o que, ela confessou, a sensibilizou.

Marion pode ser uma esquisitona, mas é um doce de pessoa, coerente, bem falante e de bom raciocínio. Ela vazou alguns anos atrás que seu QI medido é de 170, o que, se verdade, faz dela um gênio. Após o jogo ela disse que não queria falar sobre suas demandas e encrencas com a FFT, até porque havia perdido o jogo e o melhor que tinha a fazer era ir treinar e melhorar seu jogo. Não sei se ela tem 170 de QI, mas me pareceu mais inteligente do que a maioria, que só sabe desfilar desculpas e reclamações após uma derrota, especialmente uma dolorosa como a de Marion.

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quarta-feira, 30 de maio de 2012 Tênis Masculino | 16:27

15h-Choveu

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Como a Federação Francesa ainda não ganhou a queda de braço com prefeitura, vizinhos e orgãos ambientais para construir sua quadra coberta…

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Tênis Masculino | 11:24

11.23h

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Ainda estou sob a influência do drama oferecido pela partida de ontem entre Razzano e Serena. Por conta disso não é muito animador escrever sobre partidas que não ofereceram nadinha dessa qualidade que mais e mais faz a minha cabeça quando assisto a uma partida. Como já escrevi, prefiro uma partida parelha e emocionante entre dois pangas do que uma partida sem maiores emoções e com a dominância de um tenista. Estas tem mais o sabor vanilla de uma exibição do que o condimentado confronto que um fã do tênis procura.

Sendo assim, regozijem fãs do Djokovic pelo passeio na 2ª rodada contra o esloveno Kavcic – 0-4-4. Também durmam em pz os fãs de Azarenka, que deixou para trás os arrepios da 1ª rodada e eliminou a alemã Pfeizemeyer 1-1.

Federer já é outra história, mas seus fãs podem ficar tranquilos que ele pouco mudou. Depois de abrir 2×0 voltou a prestar mais atenção ao topete, perdeu o 3º set e venceu no 4º. Mas o romeno Unger mostrou golpes que lembram o do suíço e chegou a judiar do melhor do mundo em algumas trocas de esquerdas cruzadas.

Não sei o quanto o joelho enfaixado de Del Potro o está atrapalhando. Ele corre atrás de todas as bolas e continua pegando pesado. O francês Vasselin jogou bem, deu trabalho, venceu o 1º set no TB, perdeu o 2º no TB e até esse momento o jogo estava uma incógnita. A partir do 3º o argentino ficou mais à vontade e venceu em 4 sets.

Berdich não teve nenhuma dificuldades com o maluquete Llodra, assim como Aninha, com vitória sobre a israelense Peer e Stosur sobre Falconi só passearam em quadra.

Vocês se lembram da americana Melanie Oudin. Se não lembram não perdem grande coisa. Mas em 2009, aos 17 anos, deitou e rolou no US Open (4as) e Wimbledon (8as) e os americanos acharam que tinham encontrado o novo cachorro quente. De lá para cá, rien, e despencou, e se encaixou, como #266.

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terça-feira, 29 de maio de 2012 Tênis Masculino | 16:19

16.30h

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Fácil de escolher a partida mais emocionante do tênis. O duro era prever que seria esta. Virginie Razzano venceu Serena Williams em uma partida de 3.03h que teve um game inesquecível – o último. Sei que é impossível para sofasista entender, mas acreditem. O game foi o apogeu de uma partida que teve uma série de incidentes e emoções e que vai dar muito que falar.

Primeiro, pelo passado de Razzano, que eu mencionei no Post anterior. Segundo porque Serena tinha 1×0 em sets e 5×2 no tie-breaker. E aí começou o drama. Ela perdeu cinco pontos seguidos, e o set, após discutir com a juíza sobre marcações nos três primeiros.

A americana perdeu o juízo e os cinco primeiros games do set decisivo. A francesa, que jogava bem desde o inicio da partida, aproveitou, usando a direitaça. Aí a Serena decidiu brigar pelo jogo, e nisso ela é incomparável no tênis feminino.

Fez 1, 2, 3 e aí tivemos O Game no saque da francesa, que deve ter demorado mais de 20 minutos. Em duas oportunidades, em game muito para lá de tenso e disputado, a juíza, a mesma que tirou um ponto crucial Serena no Aberto dos EUA por gritar durante o ponto, tirou o ponto da francesa porque ela estaria gritando (enquanto batia e por conta das cãibras) e atrapalhando a Serena. O público vaiou, urrou e só faltou invadir a quadra.

No total foram cinco break points que Serena não conseguiu cacifar e sete match-points que a francesa não conseguiu fechar. Aconteceu de tudo e mais um pouco. No oitavo MP, a Serena, que enfiou a mão na bola todas vezes, jogou uma bola longa, que ninguém cantou, a Razzano parou, vibrando, chamou a juíza que desceu, olhou e lhe deu o ponto e a vitória.

Agora, a juíza, a tal de Eva, adora aparecer e causar celeuma. E fica com aquela carinha de paisagem como se estivesse tudo normal. Eu vi pela cara do presidente da federação francesa, que aparecia a toda hora, que isso não vai ficar bem assim. Mais uma vez ela, juíza, conseguiu aparecer tanto quanto as tenistas e ainda vamos ouvir falar muito desse jogo. A  Razzano não grita nem a metade do que a Azarenka e a Sharapova gemem em quadra. Como é que vai ficar essa história? Próximos capítulos nos próximos dias.

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Virginie e Serena – partidaça que nem Eva conseguiu estragar.

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Tênis Masculino | 14:52

14.52h

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O Tommy Haas voltou a quadra para terminar sua partida contra o Volandri, interrompida ontem à noite. Não demorou em fechar em 4 sets.

Rafa Nadal passou pelo italiano Bolelli com a facilidade esperada (2, 2, 1), apesar de ser ainda uma 1ª rodada. Na próxima rodada enfrenta o uzbeque Denis Istomin, um dos raros tenistas treinado pela própria mãe. O outro que lembro, de bate pronto, era o mala americano Jeff Tarango.

Andy Murray passeou em quadra na vitória sobre Tatsuma Ito.

Juan Monaco é outro que vacilou no início, deixou o adversário gostar da partida, perdeu o set inicial, virou e fechou em 4 sets. Vai enfrentar o Lukas Rosol que despachou o hermano Berlocq.

Roger Federer diz que não sabia, antes de entrar em quadra, que estaria igualando o recorde de Jimmy Connors de vitórias em GS. É tanto recorde que o bonitão nem sabe. Sei… Ele devia estar contente em saber que o Nalbandian, contra quem sempre teve dificuldades, perdeu para um tal de Ungur, seu próximo oponente.

A Virginie Razanno, adversária da Serena Williams é uma tenista que a gente só vê quando chega Roland Garros. No ano passado ela esteve em grande destaque por conta de uma tragédia. Seu marido/técnico faleceu dias antes de RG por conta de um câncer. Assim mesmo a moça entrou em quadra, até porque o maridão havia insistido que o fizesse.

A Caroline Wozniacki venceu o 1º set sobre a grega Eleni Danilidou uma grega cortadora de salame. A moça veio ao Brasil jogar o Aberto na Bahia alguns anos atrás. Era mais gordinha, com aquela gordurinha adolescente. Mas não mudou muito. A esquerda é só slice, apesar de no aquecimento bater de top spin – me engana que eu gosto. Além disso, pelos trejeitos e jeito, entrega suas preferências sexuais, que nunca fez questão nenhuma de esconder. Nos gramados baianos, ao lado das quadras e do público, ficava no maior chamego e beijinhos com outra tenista e ainda levantava os olhos para ver se estavam todos olhando. Por enquanto, o público não a viu fazer uma game. Wozniacki 6/0.

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Tênis Feminino, Tênis Masculino | 10:39

10.38h

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Talvez tenha passado desapercebido por alguns, mas o confronto entre Petra Kvitova e Ashleigh Barty tinha uma caracteristica interessante. Kvitova venceu a simples feminina em Wimbledon 2011 enquanto a jovem australiana de 16 anos, #322, venceu o torneio juvenil do mesmo evento. Barty entrou na chave de RG através do convite que australianos e franceses trocam em seus GSs. A checa faturou em 6/1 6/2.

É bem o tipo de coisa que Maria Sharapova gosta. Humilhar uma adversária que lhe de a oportunidade. Ele derrotou a romena Cadantu por 6/0 6/0. Em 48″ não deu nem para esquentar.

Tipsarevic derrapou no início, até porque o adversário Querrey jogou bem no 1o set, mas virou e venceu em 4 sets. Não pareceu sentir cansaço por ter jogado a final em Dusseldorf na semana passada.

O mala Donald Young perde até do Dimitrov, em 3 sets.

Vocês pensam que é mole? Não é não. O Dolgopolov, #16, perdeu para Stakhovsky em 5 sets. Eu sempre digo, em classicos do mesmo país o bola sempre desanda.

O argentino Schwank deu uma coça no gigantão Karlovic – 4-0-3.

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segunda-feira, 28 de maio de 2012 O leitor escreve, Porque o Tênis. | 22:06

Eterno Retorno

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Como vários leitores e amigos tiveram a cortesia de postar e enviar seu suporte sobre o término de minha parceria com a ESPN, tomo a liberdade de postar abaixo, com a devida autorização,  o email enviado pelo leitor Martin H, já conhecido e admirado nestas paragens, sobre o assunto. Achei que com sua sempre afinada escrita traduz bem o que tanto eu como meus leitores vem colocando sobre assunto.

Cleto,

das poucas coisas que ouso dizer, sem ter minha boca azedada em falsa modéstia ou presunção (dois males capiciosos de mesma raiz), é que sou um bom leitor. Já li bem e bastante. Dentre as coisas que li, lembro de ter fulgorado um pouco mais minha puberdade – por definição, já cheia de suas próprias agitações – com o romance “A Insustentável Leveza do Ser”, especialmente nas suas primerias páginas, nas quais Kundera fala do mito do eterno retorno. Já li coisas melhores, inclusive sobre o tal mito. Mas não lembro de nada que tenha lido cujas primeiras páginas tenham prendido tanto minha atenção como aquelas primeiras páginas desse romance, motivo pelo qual as digitei e guardei comigo.

Há tempo não lembrava daquelas palavras. Teu post “Círculos”, que li há pouco, me fez retornar, com velocidade, a elas, o que foi retornar um pouco àquela minha puberdade também.

De fato, há qualquer coisa de incomum nesse mito, que é a encruzilhada a que eles nos leva: tomamos partido do passado e do futuro – pois o círculo, nunca a linha!, do ontem e do amanhã irá sempre nos deter em seu raio –, ou tomarmos partido do agora – o que não deixa de ser um grito clamando por liberdade?

Hoje, nessa tal encruzilhada, fico com o agora. A certa tristeza do agora. A tristeza do agora de um Roland Garros calado da voz com que lhe costumei ouvir. Um Roland Garros triste porque dimensionado em quatro linhas. É que eu, naquela voz de Roland Garros, o ouvia sem dimensões.

E é por isso, na esperança de encontrar a voz que não ouvirei, tal como num protesto gandhiano, farei uma greve. Em satisfação que sequer lhe conviria, Cleto, digo-te que, nesta minha casa, Roland Garros será transmitido, a partir deste triste agora, mudo.

Um grande abraço,

Mártin

P.S.: deixo-te com aquelas primeiras páginas que digitei daquele romance, às quais fui remetido, de imediato, pelo teu post:

Kundera, Milan. A insustentável leveza do ser. Tradução de Tereza Bulhões Carvalho da Fonseca. 68ª Impressão. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1983, p. 09-12:

1

O eterno retorno é uma idéia misteriosa, e Nietzsche, com essa idéia, colocou muitos filósofos em dificuldade: pensar que um dia tudo vai se repetir tal com foi vivido e que essa repetição ainda vai se repetir indefinidamente! O que significa esse mito insensato?

O mito do eterno retorno nos diz, por negação, que a vida que vai desaparecer, de uma vez por todas, e que não mais voltará, é semelhante a uma sombra, que ela é sem peso, que está morta desde hoje, e que, por mais atroz, mais bela, mais esplêndida que seja, essa beleza, esse horror, esse esplendor, não têm o menor sentido. Essa vida não deve ser considerada mais importante do que uma guerra entre dois reinos africanos do século XIV, que não alterou em nada a face do mundo, embora trezentos mil negros tenham encontrado nela a morte através de indescritíveis suplícios.

Será que essa guerra entre dois reinos africanos do século XIV se modifica pelo fato de se repetir um número incalculável de vezes no eterno retorno?

Sim, certamente: ela se tornará um bloco que se forma e perdura, e sua tolice será sem remissão.

Se a Revolução Francesa devesse repetir-se eternamente, a historiografia francesa se mostraria menos orgulhosa de Robespierre. Mas, como ela trata de uma coisa que não mais voltará, os anos sangrentos não são mais que palavras, teorias, discussões – são mais leves que uma pluma, já não provocam medo. Existe uma enorme diferença entre um Robespierre que não aparece senão uma vez na história e um Robespierre que voltasse eternamente cortando a cabeça dos franceses.

Digamos, portanto, que a idéia do eterno retorno designa uma perspectiva na qual as coisas não parecem ser como nós as conhecemos: elas nos aparecem sem a circunstância atenuante de sua fugacidade.

Essa circunstância atenuante nos impede, com efeito, de pronunciar qualquer veredicto. Como condenar o que é efêmero? As nuvens alaranjadas do crepúsculo douram todas as coisas com o encanto da nostalgia, inclusive a guilhotina.

Não há muito tempo, eu mesmo fui dominado por este fato: parecia-me incrível, mas, folheando um livro sobre Hitler, fiquei emocionado diante de algumas de suas fotos; elas me lembravam o tempo de minha infância; eu a vivi durante a guerra; diversos membros de minha família foram mortos nos campos de concentração nazistas; mas o que era a morte deles diante dessa fotografia de Hitler que me lembrava um tempo passado da minha vida, um tempo que não voltaria mais?

Essa reconciliação com Hitler trai a perversão moral inerente a um mundo fundado essencialmente sobre a inexistência do retorno, pois nesse mundo tudo é perdoado por antecipação e tudo é, portanto, cinicamente perdido.

2

Se cada segundo de nossa vida deve se repetir um número infinito de vezes, estamos pregados na eternidade como Cristo na cruz. Que idéia atroz! No mundo do eterno retorno, cada gesto carrega o peso de uma insustentável leveza. Isso é o que faria com que Nietzsche dissesse que a idéia do eterno retorno é o mais pesado dos fardos (das schwerste Gewicht).

Se o eterno retorno é o mais pesado dos fardos, nossas vidas, sobre esse pano de fundo, podem aparecer em toda a sua esplêndida leveza.

Mas, na verdade, será atroz o peso e bela a leveza?

O mais pesado fardo nos esmaga, nos faz dobrar sob ele, nos esmaga contra o chão. Na poesia amorosa de todos os séculos, porém, a mulher deseja receber o peso do corpo masculino. O fardo mais pesado é, portanto, ao mesmo tempo a imagem da mais intensa realização vital. Quanto mais pesado o fardo, mais próxima da terra está nossa vida, e mais ela é real e verdadeira.

Por outro lado, a ausência total de fardo faz com que o ser humano se torne mais leve do que o ar, com que ele voe, se distancie da terra, do ser terrestre, faz com que ele se torne semi-real, que seus movimentos sejam tão livres quanto insignificantes.

Então, o que escolher? O peso ou a leveza?

Foi a pergunta que Parmênides fez a si mesmo no século VI antes de Cristo. Segundo ele, o universo está dividido em duplas de contrários: a luz e a obscuridade, o grosso e o fino, o quente e o frio, o ser e o não-ser. Ele considerava que um dos pólos da contradição é positivo (o claro, o quente, o fino, o ser), o outro, negativo. Essa divisão em pólos positivo e negativo pode nos parecer de uma facilidade pueril. Menos em um dos casos: o que é positivo, o peso ou a leveza?

Parmênides respondia: o leve é positivo, o pesado negativo. Teria ou não razão? Essa é a questão. Uma coisa é certa. A contradição pesado-leve é a mais misteriosa e a mais ambígua de todas as contradições.

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Curtinhas, Light, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 14:51

14.50h

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O mais curioso da derrota de Thomaz Bellucci para Victor Troicki foi a última bola após 3.50hs. Uma devolução do sérvio que iria para o corredor, bate no pau de rede, sobe, bate na fita e chora para o lado do brasileiro. É verdade que se não fosse ali o sérvio iria ganhar mais à frente, já que o placar mostrava 5×1.

Não vou escrever sobre a derrota do Bellucci porque eu vou bater uma bolinha, o que será mais producente. Mas o rapaz jogou bem o 3º, abriu 2×1 em sets, e aí deu aquela viajada Padrão Belo. Foi se aborrecer com a juíza, no que pode ter sido um erro dela, em Paris não há Desafios, e arrumou uma razão para perder o jogo por 4/6 6/3 5/7 6/3 6/2.

Rogerinho teve menos chances com o gigante Isner. Não conseguiu quebrar o serviço do adversário e perdeu por 6/3 6/4 6/4.

Giraldo bateu Falla no clássico colombiano em 4 sets.

O Gulbis perdeu para o Kukushkin. Pensei em contar uma novidade.

Tomic bateu Davydenko em 3 sets. O novo e o velho.

A Cibulkova é ótima de assistir. Deste tamanhozinho, um coração de leoa e jatos nos pés.

A Sloane Stephens, negra americana, surpreendeu a Makarova e a Penetta passou para a segunda rodada.

O Haas entra em quadra para enfrentar o Volandri, mas eu, já disse, vou bater umas bolinhas. O Harrisson sacou para abrir 2×0 em sets e agora está 1×2 abaixo.

E para quem eu tiro o chapéu?! Para o Arnaud Clement, 34 anos!, que venceu a partida mais longa de RG, em 2004 sobre o Santoro, bateu o mala Bogomolov também na bacia das almas. O russo abandonou quando perdia o 5º set por 4×5 em um momento raro no tênis. Sentia cãibras, errou o 1º saque, sentiu mais cãibras, se alongou, mas acabou desistindo – nocaute! Clement, um exemplo para muita gente que não tem pernas para jogar 5 sets!

A reação do Bellucci após o match point.

A carinha do Troicki após o match point.

Abaixo o russo/americano sofrendo na rede antes abandonar. Acima, Clement festeja a vitória.

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