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terça-feira, 3 de abril de 2012 Light, Minhas aventuras, Porque o Tênis., Tênis Feminino, Tênis Masculino | 16:46

O torneio em Miami

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Ir a Miami, ou outra cidade, e acompanhar o torneio é uma experiência bem mais ampla do que acompanhar jogos pela TV. E não estou falando só sobre tênis. Existe mais em uma viagem dessas do que apreciar partidas de tênis. Houve uma época em que eu passava mais horas à beira de uma quadra, hoje prefiro um equilíbrio que pende para outras áreas.

Com a experiência adquirida, tenho alguma ideia do que pode se apresentar em quadra como interessante, marcante, surpreendente e imperdível, sendo que a maioria das vezes me dou por satisfeito com a primeira qualidade.

Acompanhar um evento pela TV pode ser um ótimo programa, especialmente se a cobertura for encorpada e correta, como é o caso aqui no Brasil na maioria das vezes. A SporTV costuma fazer boas coberturas nos Masters 1000, a Band vem nos brindando com os torneios femininos e a ESPN faz ótimas coberturas nos Grand Slams, que são os grandes palcos dos tênis. Em todoss os casos, me refiro ao numero de horas mostradas, à produção, narração e comentários. No que se refere ao meu trabalho, deixo a avaliação a seu critério.

Não sou pago para ir a Miami. Fui porque acho um bom programa dentro dos conceitos acima e uma boa maneira de manter contato com o circuito. É diferente de quando eu o frequentava como técnico ou mesmo como um cronista mais assíduo. Serve para matar as saudades, de pessoas e situações. Além de curtir o evento e a cidade.

Algumas pessoas preferem acompanhar as finais e as partidas da Quadra Central – tenho uns amigos que a mulher e o filho chegaram no sábado de manhã, deixaram a mala no hotel, correram para o clube só para descobrir o WO do Nadal. O marido chegou só no Domingo, o bastante para ver o Djoko vencer em dois sets – voltaram todos no Domingo à noite. Estes são fanáticos e cheios de disposição.

A minha primeira opção em Miami era sempre pela Quadra 1 e 2. Em ambas o pessoal da imprensa tem assentos que ficam imediatamente atrás de onde descansam os tenistas nos intervalos – mesmo local dos técnicos, árbitros e supervisores. É um cenário semelhante na Grandstand, sendo que nesta ficam todos juntos em canto do fundo da quadra. Prefiro a 1 e 2.

Dalí podemos ver a gota de suor do tenista descendo pela sua face nos momentos mais dramáticos. Acompanhamos cada detalhe de suas tensões e reações, o escorregar e o brecar de seus sapatos, sem contar com as vantagens da proximidade para acompanhar os golpes e o jogo em si. Ouvimos ele bufar, reclamar, vibrar, falar, sozinho ou com alguém. Fazemos parte do jogo. Acompanhamos o movimento e a vibração das viradas de lado, hora em que a TV sai para os comerciais – e lhes digo, ali acontece muita coisa.

O local da imprensa na Quadra Central é confortável, espaçoso e com uma boa vista. Abrindo a porta do camarote, estamos na sala onde se escreve e onde são disponibilizadas as informações – refrescada por ar condicionado, algo crucial em Miami. Tenho um conhecido que passou mal durante a final feminina, disputada com o sol a pino. Foi atendido no próprio local, viu muitas estrelinhas, mas ficou sem ver a partida.

Um programa imperdível em um evento desses é acompanhar treinos, aquecimentos e jogos de duplas. Presenciamos coisas que não se vê nas simples nem na TV – fora a casualidade de acompanhar um ídolo a poucos metros, dentro de uma informalidade ímpar, sem perder o fascínio que eles e o esporte apresentam.

A maioria das pessoas reclama das refeições disponíveis na área de alimentação. É aquela típica americana para locais de muito público – trash food. Existem locais mais caros e restritos, um pouco melhores, mas na mesma linha.

Não existem restrições à venda de álcool e as bebidas são servidas em vários locais. Mas não vi nenhum problema por conta disso, o que talvez nos faça pensar que o problema não é o álcool e sim as pessoas. Mas, é claro, indispensável não dar a elas a oportunidade de fazer merda e por isso sou totalmente a favor de restrições tipo em beiras de estrada. Mas essa polêmica da Copa me parece bobagem – o que se tem que fazer é aplicar a lei e hoje existe uma condescendência sem fim com os fora da lei uniformizados que se passam por torcedores em estádios. Sem eles a presença de famílias seria muito maior e o ambiente sem comparação.

Centenas de brasileiros estiveram no Torneio de Miami que, como eu já disse, muda de nome oficial no ano que vem. O evento é interessante e acontece na cidade favorita dos brasileiros nos EUA. Não é a minha, mas nem por isso deixo de aproveitar cada dia que por lá passo, especialmente acompanhando tênis.

Na Quadra Central de Miami. Não é o meu assento favorito, mas está de bom tamanho.

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