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Arquivo de abril, 2012

segunda-feira, 30 de abril de 2012 História, Tênis Masculino | 21:38

Administrador

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Vejo que alguns leitores gostam de levar a discussão sobre o tênis de Rafael Nadal para a altura de seus golpes, o incomodo de seus ganchos, a estética de seus golpes etc.

A cada vez que acompanho as partidas do Nadal a mesma percepção se evidencia. O diferencial do espanhol é o seu lado emocional, independente da consideração de seu arsenal técnico. Como eu já escrevi, e ele e seu técnico são os primeiros a admitir, esse arsenal é inferior ao de alguns tenistas do circuito; só que ganhar dele continua sendo o inferno na terra para os adversários.

O adversário da final de Barcelona foi o compadre David Ferrer, a quem Nadal, em declaração antes do jogo, disse que o cara mais do que merecia a vitória no confronto. Sim, merecia, mas isso não quer dizer que o Animal iria doá-la. Se quiser que a arranque. Ferrer jogou para ganhar, acreditando na possibilidade, talvez até mais do que em outras oportunidades, mas fracassou como sempre, batendo de frente na impressionante determinação do oponente.

Ferrer, que é um tenista que consegue tirar leite de pedra, considerando seu arsenal, traz para a quadra o fator luta como poucos. Só que ele sabe, porque descobriu há algum tempo, que do outro lado da quadra o adversário é mais, se é que isso é possível, casca de ferida do que ele. Dessa maneira, o que lhe resta?

Não é o caso de analisar o aspecto técnico da partida e de um ou do outro tenista, até porque já o fiz em outras ocasiões. O confronto teve alguns detalhes técnicos interessantes, mas foi o fator emocional, mais uma vez, que definiu o resultado final, claramente demonstrado pelo placar de 7/6 7/5. Nadal teve 5 sets points contra no 1º set, além de alguns break-points contra. Encontrou uma maneira de escapar e levar, pela sétima vez – mais um recorde em sua carreira.

Rafa é o melhor administrado de crises que já vi em quadra. Como já escrevi antes, no mesmo patamar só mesmo Borg. Uma partida entre os dois, em uma final de Roland Garros, seria a apoteose do tênis sobre o saibro. Mas isso só é possível no imaginário, onde, pelo menos no meu, não há um vencedor. Para quem não sabe, os dois tenistas têm 6 títulos no saibro de Paris, um recorde que pode ser desempatado esta temporada.

Rafa e o tradicional Trofeo Conde de Godó – ele sempre dá um jeito.

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sexta-feira, 27 de abril de 2012 Tênis Masculino | 14:49

Cego não

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A vitória do canadense Milos Raonic sobre o escocês MalaMurray em Barcelona tem que ser considerada tanto uma surpresa, como mais um passo importante na carreira desse tenista que, aos poucos, mostra ser um candidato a grandes feitos no circuito.

Não é nenhuma novidade que Murray planejava fazer um impacto na temporada sobre o saibro. A expectativa que ele carrega é enorme, especialmente após a contratação de Ivan Lendl, que até agora não agregou muito. Por enquanto, são mais expectativas do que resultados e a derrota prematura um passo atrás.

Já o canadense, veio para o saibro sem essas mesmas expectativas, após uma contusão que o tirou de Miami, e por se acreditar que seu estilo “sacador” é mais apropriado para as quadras rápidas, o que segue sendo um fato. Mas, Raonic entende o jogo, tem boa postura em quadra, sabe tirar proveito de sua bomba-sacadora e sabe como pressionar o adversário em seu próprio serviço, arriscando e oprimindo. Ele já havia batido Almagro na 3ª rodada em Barcelona, o que também não é fácil, e, não se esqueçam, chegou à final do Estoril no ano passado, o que prova que não é nenhum cego na terra.

É interessante que tanto Murray, que só havia perdido oito games nas duas primeiras partidas, como Raonic têm uma história com Barcelona. Andy morou e treinou lá quase dois anos quando juvenil e Milos tem na cidade uma base para treinar com seu técnico Galo Branco, esta a parceria mais inesperada do circuito. Galo Branco só jogava no saibro, nunca foi à rede, sacava “american twist”, corria como um coelho e só batia de direita, esta a única característica que tem com o pupilo.

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Raonic – atenção para o dedinho do “sacador”.

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quinta-feira, 26 de abril de 2012 Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 10:39

Aumento nos prêmios

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Todos lembram que no fim da temporada passada surgiram rumores sobre uma greve dos tenistas profissionais. As razões alegadas eram uma falta de comunicação dos torneios, especialmente os Grand Slams, com os tenistas, em assuntos que estes achavam que deveriam ser consultados, e sobre uma melhor distribuição de valores através dos prêmios, que os tenistas afirmavam não refletir os lucros que os eventos arrecadavam. Andy Murray chegou a falar sobre reuniões dos tenistas sobre o assunto do boicote, enquanto Roger Federer colocava panos quentes no assunto. Com o tempo os rumores sumiram.

O fato é que houve muita conversa nos bastidores, tanto sobre uma como a outra questão. A última delas em Indian Wells, entre os Fab4 e os senhores Philp Brock e Mick Desdmond, o diretor e o homem da grana de Wimbledon.

Da conversa saiu a decisão que os GS aumentariam em cerca de 20% o total dos prêmios, focando em aumentar o ganho dos tenistas que perdem na 1ª rodada, sem esquecer um carinho àqueles que atingem o paraíso financeiro nos GS.

Este semana, Wimbledon e Roland Garros divulgaram essas mudanças que, pelo o que se sabe, foram bem recebidas pelos envolvidos. É mais uma vitória dos tenistas, conseguida pela pressão daqueles que estão no topo do ranking, o que deve transformar o Torneio de Madrid em um interessante cabo de guerra por conta do piso azul.

O total de prêmios em Wimbledon ficará este ano em aproximadamente U$26 milhões, dependendo do cambio US/Libra, sendo U$1.863m para os campeões, um aumento de 4.5%. Os perdedores de 1ª rodada, metade dos tenistas envolvidos, receberão U$23.500, um aumento de 26%. Um aumento de 21% para todas s rodadas dos qualy (sim, eles também ganham), assim como um aumento de 17% na diária dos tenistas, que passam a receber U$324 por dia para cobrir as despesas de hospedagem enquanto estiverem nas chaves, sendo que a organização já consegue descontos de mais de 50% nas tarifas de hotéis parceiros e subsidia as refeições no local do evento.

Os franceses divulgaram um aumento de 7% no total, que passa a ser de U$24.6m. Os vencedores ficam com U$1.64m, um aumento de 5%, enquanto os perdedores de 1ª rodada tem uma majoração de 20%, para um total de U$23.670,00.

Mesmo com esses valores, que devem, suponho, acalmar os ânimos por algum tempo, os GS lucram valores bem encorpados, valores que são repassados para as federações locais. Só em Wimbledon o lucro é dividido entre a federação e o clube. Nos outros é tudo da federação, o que faz com que esses países vivam em uma realidade sem paralelo em termos de valores que são – teoricamente, há divergências – na formação de novos valores. Mesmo com os espanhóis provando que isso não é a solução de todos os problemas, pode-se ter uma ideia de quanto atrás saem os tenistas brasileiros para enfrentar as agruras do circuito, e por isso é bem vinda a participação da CBT na realização de um evento, como deve ser o caso do torneio da WTA no próximo ano.

Os dirigentes de Wimbledon fazem o anuncio do aumentos dos prêmios. Cade o sorriso?

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quarta-feira, 25 de abril de 2012 Porque o Tênis., Tênis Masculino | 13:12

Tudo azul

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Conforme chegamos perto do Aberto de Madrid aumenta a polêmica sobre o novo piso de terra azul que será usado pela primeira vez no circuito profissional.

A ideia é do dono do evento, o ex-tenista Ion Tiriac, que afirma que os torneios dependem das TV e melhorar as condições de televisionamento é fundamental.

Os tenistas desaprovam. Na verdade, eles desaprovam qualquer coisa que seja diferente. Sempre. Nadal já tinha reclamado publicamente e, provável, não se alongou porque é o torneio de casa. Agora é Djokovic quem reclama. Na verdade, reclama porque os principais tenistas não foram consultados. O que é a real polêmica. Tenistas têm que ser consultados a cada mudança? O esporte é maior do que o indivíduo?

Djoko afirma que é a favor de mudanças, entende a direção do torneio, mas que ele e os outros três mosqueteiros do tênis atual deveriam ser consultados. No ano passado, Tiriac deixou uma quadra de terra azul coberta na área do torneio para os tenistas testarem. Alguns poucos testaram e disseram que a bola quica diferente da outra. É possível. Na verdade, a bola quica diferente toda semana. É só comparar Madrid do piso vermelho com o vermelho de Monte Carlo – até parece outro piso.

Outra coisa que os tenistas ressaltam é que Madrid acontece 3 semanas antes de Roland Garros e eles não gostam da ideia de jogar em algo diferente, o que nos leva ao parágrafo anterior. Para acabar, ou começar, a discussão, o sérvio, #1 do mundo, diz que há uma regra no circuito da ATP, onde o presidente executivo desta pode fazer uma decisão, como a do piso de Madrid, sem consultar os tenistas e que isso é algo que deveria mudar.

Mais uma vez a questão de sempre – os tenistas da atualidade influenciando e mandando no circuito, sempre, óbvio, tendo como prioridade a sua própria agenda. Só que, geralmente, a outra agenda é a dos organizadores e ainda a dos dirigentes, agendas que muitas vezes não batem.

Mas, conflito de interesses – um conceito ético que deveria existir em cada área da sociedade, dos esportes à política – é algo há tempos passa longe das quadras, bastando lembrar que, também esta semana, Djokovic avisou que não vai defender o título do torneio que sua própria família organiza em Belgrado.

A quadra azul de teste em Madrid.

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terça-feira, 24 de abril de 2012 Masters, Porque o Tênis., Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 13:59

Torneios no Brasil

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O Brasil começa aos poucos voltar ao circuito internacional de eventos tenisticos, como esteve tão bem nos anos 80 e 90. Naquela época, impulsionado por alguns poucos empreendedores que, com a cara e a coragem, realizaram eventos que estavam fora das possibilidades da realidade do país então. Desta vez, na crista da onda dos dois grandes eventos esportivos mundiais: Copa do Mundo e Jogos Olímpicos.

A Confederação Brasileira de Tênis já havia anunciado em Março a realização de um evento da WTA para o ano que vêm. Depois de décadas de marasmo da entidade oficial, esta consegue um evento de porte, o primeiro na história da entidade, algo que é bem comum na Europa e América do Norte – a entidade máxima do país assumir e realizar eventos. A CBT é dona da data, mas pode até negociar uma parceria.

Ainda não há maiores detalhes se a CBT vai de fato ficar com o ônus e o bônus do evento que ainda não tem data definida. Fala-se no início do ano, próximo aos eventos que acontecem no circuito masculino em nosso continente.

Esta semana confirmou-se aquilo que eu já havia escrito, de que o Brasil ficaria com o Torneio de Memphis, um ATP 500. O evento será no Rio de Janeiro em local ainda não definido e só a partir de 2014. O evento é da parceria IMG e Eike Batista, a tal de IMX, que aos poucos vem se estruturando para fazer acontecer.

O ATP 500 não era exatamente o sonho de consumo de Eike, que gosta de números bem mais altos, mas é o que ele vai ter que se contentar por agora. O futuro a Deus pertence, e nos mundos dos negócios muita grana e contatos ajudam ainda mais.

O sonho dos brasileiros no alto escalão do tênis e das finanças é o Masters da ATP que acontece atualmente em Londres. Mas esse é um evento extremamente caro. São cerca de U$60 milhões de garantia para a ATP, que usa esse valor para equilibrar suas contas. Por enquanto não apareceu ninguém com o checão para segurar essa onda. Mas as conversas e negociações estão vivas e ainda existe a pequena possibilidade do evento ser realizado aqui mais próximo das Olimpíadas.

Infelizmente aquilo que era possível, de o ATP500 acontecer junto com um evento feminino, como é a tendência internacional, não aconteceu, por enquanto. O evento da CBT segue acontecendo, mas nada a ver com o evento masculino. Pelo menos por enquanto.

Correndo por fora, e com força, a possibilidade de que o Masters feminino, atualmente realizado em Istambul, venha para o Brasil. Tal evento seria extremamente interessante, pelo momento que o tênis feminino atravessa, mais competitivo e aberto que o masculino.

A empresa XYZ, talvez a mais encorpada empresa de eventos do país, está negociações com a WTA, em parceria com a CBT, e o assunto está vivo e andando. Eles estiveram em Istambul e as conversas foram bem proveitosas. O Masters feminino não é tão caro quanto o masculino, mas pode-se falar em cerca de U$30 milhões de custos fixos.

Mas, tanto nessa negociação, como na do masculino, muita água irá correr por baixo da ponte, até pelas dificuldades existentes e as realidades que mudam com velocidade. As entidades gostam de ficar com os bônus e repassar os ônus, algo que os chineses, que realizavam os Masters recentemente e estavam ansiosos por entrar no cenário mundial, acostumaram bem mal as entidades. Do jeito que estas colocam números e obrigações, é inviável correr atrás desses valores só com bilheteria, como fazem os ingleses, que tem uma tremenda tradição em torneios de tênis. Os direitos de TV e publicidade são da entidade. Todos os custos dos organizadores locais. Um desequilíbrio difícil de administrar. Mas agora o Brasil tem cacife, financeiro, político e de momento, e as negociações vão continuar.

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segunda-feira, 23 de abril de 2012 Juvenis, Porque o Tênis., Tênis Brasileiro | 13:35

Tapetão

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No dia seguinte à conquista em Monte Carlo, Rafael Nadal já estava em quadra no Real Club de Barcelona para a disputa do tradicional Trofeo Conde Godó.

Não é simples jogar dois eventos seguidos em locais distintos, mesmo ambos sendo à altura do mar. O piso é um tanto distinto, assim como as condições em geral. O tenista tem que imediatamente apagar a alegria da vitória de sua mente e focar na nova meta e nas novas dificuldades.

Rafa chegou ao RCB, fez uma conferência de imprensa com os organizadores, imaginem um torneio em Barcelona sem Nadal, e foi para a quadra treinar.

Abaixo publico uma foto para a qual chamo a atenção de todos. Os que praticam nosso esporte vivem no Brasil uma realidade resquício de nossa cultura. Nos clubes e academias do país existe a figura do arrumador de quadra, aquele funcionário que passa o tapete ou escovão e varre as linhas. E quando não os há é mais por conta da falta de verba ou pessoal para tal. Só para cobrir possíveis exceções, que confirmam a regra, digo que talvez existam locais que os próprios tenistas, por opção própria, arrumem as quadras quando jogam.

Na Europa a praxe é o tenista arrumar a quadra após o seu treino, deixando ela pronta para o próximo usuário. Não importa se seja amador ou profissional criança ou velho, todos o fazem, sendo considerado falta de educação não fazer.

Também por lá, assim como nos EUA, a figura do pegador de bola só existe em torneios. Nos clubes e academias os tenistas recolhem suas próprias bolas. No Brasil, se o pegador não aparece os tenistas começam com seus xiliques e reclamações.

Aqui a garotada, infelizmente, não é instruída a arrumar quadra, um símbolo de civilidade e coletividade, perpetuando essa “falta de educação”, muito mais pelo desábito e ausência de informação do que por acomodação. Assim como aprendem, com os adultos, que um pegador deve estar presente quando treinam.

Na Escolinha do Clube Pinheiros as crianças recolhem suas próprias bolas e são incentivadas a arrumar a quadra após os treinos. Quando instituí isso no Clube, no início de minha gestão na Seção de Tênis, uma garota me procurou, demonstrando certa revolta, querendo saber por que ele teria que arrumar a quadra. Após explicar a ela o porque, ela concordou e disse que o faria de bom grado. Como sempre, muitas vezes maus hábitos são corrigidos com muito mais facilidade e bom grado do que se imagina.

Rafael Nadal passando o tapetão após seu treino de hoje.

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domingo, 22 de abril de 2012 Tênis Masculino | 14:37

Um touro para Netuno

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Parece que Netuno acordou tarde por conta da visita da noite anterior do colega Bacus, já que estamos com a etimologia romana, afinal quem o conhece por Poseidon? Dando uma leve garfada no derrière da sereia que se espreguiçava ao seu lado, perguntou à Salácia como é que estava o jogo lá pelo saibro do MCCC.

Jogo, que jogo, respondeu a ninfa e esposa, responsável pelas águas mais plácidas que hoje contemplavam aquele obsceno mar azul que nos ficava tentando durante a transmissão, bem diferente daquele repleto de “carneirinhos” que vinha batendo na costa managuesca durante a semana.

O do tridente ligou a Sky para ver que se passava lá pelas terras da Grace, e fez uma careta quando lembrou que quem deita e rola por lá hoje em dia é o Albert. Lembrou da princesa nadadora do dito cujo e soltou um sorriso maroto que importunou ainda mais a sereia e mereceu um olhar de resignação de Salácia.

Jogo, que jogo, insistiu a Salásia – que andara lá por cima aplainando as ondas, após domar o mau humor anterior, consequência da invasão daquele rabo de saia na sua praia – foi logo avisando que o primeiro set fora decidido em 6/3, rapidinho e sem maiores emoções para o espanhol, e já estava 3×0 no 2º set.

Como Netuno é um dos poucos deuses olimpicos a quem se pode oferecer um touro como oferenda, imagino que ele tenha certa simpatia pelo miúra de Majorca. Afinal, segundo D. Luci, minha professora de geografia, que, confesso dá suas bolas fora, a Sérvia sequer tem uma costa banhada pelo mar. “Não vai ser por lá que vou parar meu barco”, pensou o do tridente.

Jogo mesmo não aconteceu. Já disse muitas vezes que uma grande partida de tênis se vence na noite anterior e a noite do sérvio não deve ter sido nem de longe como a do adversário ou mesmo do nosso amigo marítimo. Ontem foi o dia que enterraram seu avô, de quem, ouço, era bem ligado. Não tem jeito de se acreditar que sua total atenção e foco estavam no confronto com “aquele mala espanhol”. Imagino conversas telefônicas noturnas com mãe, pai, tios e por ai afora todos lamentando a partida do ente querido.

Preponderou a tese de que hoje não era o dia para a batalha do saibro que tanto se espera para a temporada europeia, que deve culminar em Paris. Como excelente estrategista, por tradição e coração, Djokovic viu que o mar não estava para peixe, guardou seu melhor arsenal, aceitou, ainda no primeiro set a derrota momentânea, e jogou o bastante para levar a partida até o fim e não fazer nenhum papelão.

Nadal percebeu que o dia era seu, ficou ainda mais confiante, soltou mais o braço, sua bola esteve mais longa do que vi em muito tempo, e não abriu uma janela para o sérvio respirar. Netuno abandonou seu plano original de invadir a orla dos Grimaldis e voltou seu olhar às ninfas aquáticas.

Cade o meu tridente?

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sábado, 21 de abril de 2012 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 19:43

O jogo dos sete

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Estou imaginando quanto tempo devo reservar para a final de amanhã, às 9h, entre Djoko e Nadal. Pelos prognósticos do homem do tempo amanhã faz sol e não chove, o que ajuda mais o Djoko do que o Animal. Se estivesse um barrão eu não saberia dizer nem a hora do almoço.

Mas não sei se as condições mais rápidas, não tão rápidas assim, farão a diferença. Acho que o emocional falará mais alto.

Se de um lado Nadal está em um momento mais propício, Djoko tem lá suas razões para querer ganhar.

O espanhol está descansado e babando. Sem mencionar que deve estar pensando – ou ganho desse cara agora, na altura do mar e na semana que ele perdeu o avô, ou vou ter que começar a chamá-lo de doutor”.

Djoko deve estar com um turbilhão dentro de si. Hoje enterraram seu avo – parece que na Sérvia eles não têm a mesma pressa daqui para enterrar os mortos. Mas também deve pensar – espera ai, chorei em quadra na frente de todos, não fui no enterro do meu “deda” e ainda vou perder para esse freguesaço sem revés?”.

Imagino que dependerá muito de como a cabeça do sérvio estiver. Ele tem começado devagar os jogos, para engrenar depois que o foco do jogo toma conta de seu coração e cabeça. Mas com o Nadal não é bom se dar a esse luxo.

Depois, para ganhar do espanhol, que está jogando bem, correndo como sempre e com mais tiques do que nunca, o que mostra como está sua cabeça, o sérvio vai ter que estar com a concentração toda por que ali o buraco é mais embaixo. Ai está a grande questão para a final.

Nadal tem sete títulos consecutivos no MCCC, o que o bastante para colocar minhoca na cabeça de qualquer oponente. No entanto, esse mesmo oponente o venceu nas ultimas sete vezes que se enfrentaram.

Rafa Nadal – 7 títulos consecutivos em Monte Carlo e sete derrotas consecutivas para o adversário.

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Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 19:00

Embalo santista

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Não tenho muitas notícias a respeito, mas achei interessante Ricardo Hocevar sair do qualy no Torneio de Santos e chegar à final. A decisão acontece amanhã, a partir das 11h na quadra do tradicional Tenis Clube de Santos, onde já joguei tantas partidas e realizei tantos torneios.

Ricardo, #310 do ranking, não atravessava uma boa fase na sua carreira – aja visto que tem que jogar qualy de um torneio, e viu seu ranking despencar. Ele pode melhorar consideravelmente o seu ranking se bater o tcheco Ivo Minar. Vencer em Santos, vindo do qualy, é um feito, já que exige oito vitórias em nove dias. Tomara que aproveite o embalo. No mesmo evento Julio Silca e Rogério Dutra foram derrotados na final de duplas.

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sexta-feira, 20 de abril de 2012 Tênis Masculino | 15:13

Trocando bolas

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Semifinais definidas e praticamente sem surpresas em Monte Carlo.

Rafael Nadal derrotou pela oitava vez consecutiva o suíço Wawrinka, que vinha batendo espanhóis em escala – que inferno na terra deve ser enfrentar o Animal no barrão.

Djoko deve ter gostado de ver o holandês Haase derrotar o Bellucci. Afinal o brasileiro lhe deu um certo trabalho no saibro. Mas como é que o holandês vai incomodar o sérvio – ele não tem golpes para isso e se é para trocar bolas…

Assisti o MagroSimon derrotar o Jo-Tsonga em uma partida definida mesmo antes de começar. Como o Tsonga vai bater o Cara de Blefe nessa quadra? Tsonga nasceu para decidir os pontos em 4 bolas, máximo. O Simon começa aquecer depois da quinta.

Não vi o Berdich derrotar o Murray. Pelo placar, 6/7 6/2 6/3, deve ter sido mais uma derrotamurray. Sei lá, esses dois se enfrentando não dá para colocar um real suado no resultado. Pelas circunstâncias, deveria dar o escocês, mais regular e corredor, mas o cara é mesmo imprevisível e o affair dele com o Lendl, que, atentem, nunca treinou ninguém, me parece que vai dar no mesmo mar que o do Belo e o Larri.

Nas semifinais, Djoko enfrenta Berdich e Nadal encara Simon. Da mesma maneira que o Tsonga não tem um jogo para derrotar o compatriota, este não tem bola para enfrentar Nadal. Vamos ver longas trocas de bola, mas no fim delas o espanhol deve levar vantagem porque tem mais força nos golpes. “Quer trocar 589999 bolas, mon ami?”. “Bamos lá, mas, no fim das contas, tenho o ganchão e você não!”

Djoko e Berdich parece algo definido por conta do placar entre os dois – 8×1 para o sérvio. Novak tem os golpes de contra ataque para aguentar os mísseis tchecos, assim como a velocidade para fazer a transição da defesa para o ataque quando surge a oportunidade. Sem contar a confiança atual. Mas jogo é jogo, e, detalhe – nunca se enfrentaram no saibro! E a única vitória de Berdich foi na grama de Londres.

Agora, se Nadal e Djoko passarem para a final até Netuno deve sair de seu sofá no Mediterrâneo para acompanhar o conflito. Imaginem esses dois trocando bolas no barrão monegasco! E pensar – ai meus sais – que até outro dia a final de Monte Carlo era decidida em cinco sets.

Djoko, mesmo de luto é duro na queda.

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