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Arquivo de fevereiro, 2012

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 18:17

Coréia

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Pouco tempo atrás li um artigo extenso sobre a Coréia do Sul. Duas coisas, entre várias interessantes, me chamaram a atenção no calhamaço.

A determinação e a importância dos estudos no país. Aquela velha história. Enquanto em muitos países o pessoal se dedica às baladas, eles se dedicam aos estudos de uma maneira quase inimaginável para nossos jovens.

A segunda tem mais a ver com o assunto do Post.

A maioria dos coreanos não tem ambições empreendedoras, o que me pareceu surpreendente pela primeira. Eles querem mesmo é arrumar um bom emprego, com salário decente, e deixar a vida passar. Isso se nenhum maluco mais ao norte não decidir acabar com seus planos. O que talvez explique a segunda – lembrando, 50 anos atrás, após a Guerra da Coréia, o país era um dos mais miseráveis do planeta.

E o que isso tem a ver com o que? Essa discussão, que já encheu os tamancos, sobre o calendário do Sr. Bellucci em 2011.

Quem critica o calendário ou não entende patavina do assunto, o que nem sempre é o caso, mas tem certeza que entende, o que não é nenhuma novidade, ou tem um pezinho na Coréia.

Para acabar com o assunto, pelo menos da minha parte:

O Bello fez as escolhas corretas para quem traçou os objetivos que traçou.

Poderia sim, como querem os coreanos, e pelo jeito alguns leitores, manter seu “empreguinho”, garantir seu “salário”, jogar no vermelho ou no preto.

No entanto, ele tentou “empreender”, “crescer”, talvez até fazer um IPO, quebrar a banca jogando seco no 32; só que não deu certo. Talvez ele não tenha o cacife para isso, o que é totalmente outro assunto. Eu pessoalmente até acho que tem. Mas que lhe falta algo, tremendamente importante, e parece que ele ainda não descobriu, isso falta.

Então, agora, como se vocês fossem todos ginasiais > uma coisa é fazer a estratégia correta ou não, que no caso foi apostar no seu próprio taco e tentar “arrebentar” no grandes torneios, com a ajuda de um técnico de um ex #1 do mundo, dando seus pitacos nos menores.

Outra coisa é fracassar na hora de realizar a estratégia, pelas inúmeras variáveis possíveis que não são o assunto aqui.

Sim, o Bellucci fracassou em sua tentativa de sair de top 20 para top 10 e acabou como top 50. Espero, para o bem dele, e nossa torcida, que tenha apreendido algumas lições, a principal delas que o problema é interno e não externo, e que no futuro consiga realizar seus planos e ambições, no que faz muito bem em ter. Senão, mais triste ainda, que aceite “Coréia” tenistica, como vários antes dele. Alias, pessoalmente, acho mais digno, mil vezes, ainda mais para um jovem atleta, fracassar tentando explorar limites do que “vencer” jogando no seguro, no que tem que se tirar o chapéu para o rapaz.

O resto é sofá!

Jovens coreanos. Estudar muito para a ambição de ter um bom emprego – nada errado também.

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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012 Tênis Masculino | 12:41

Aproveitadores e Petrodólares

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Não foi só os espanhóis que se aproveitaram da ausência dos cachorrões. O canadense Raonic volta a jogar bem exatamente na mesma época que começou a colocar as manguinhas de fora na temporada passada. Venceu  Não por acaso a temporada de quadras cobertas, cenário ideal para seu estilo sacador. Cenário ideal para seu estilo sacador. Nas 5 finais que jogou, ele disputou 12 sets, 11 desses foram longos e 9 no tie-break, o que dá uma dimensão exata do estilo que compartilha com Isner e Karlovic.

Mas seu saque não foi o bastante para derrotar o MalaMelzer, um dos meus tenistas favoritos de se assistir. Ele é totalmente “out of the box”, um alívio nos dias de hoje. O austríaco, que já havia se metido entre os Top10 teve um ano conturbado e horrível em 2011, mesmo aos 30 anos encontrou forças, já que o talento e habilidade não o abandonaram, para ir dentro da casa dos gringos – o Torneio de Memphis é um típico evento americano – e levar a taça.

Del Potro fez a lição de casa. Colocou 73% de seus 1ºs serviços em quadra, e se você não sabe a importância disso contra um tenista como Michael Llodra é melhor levantar do sofá, e venceu o evento realizado na sempre densa Marseille. É o primeiro título indoors do argentino, algo que me remete àquela final da Davis na Argentina. Mesmo assim, os franceses fizeram bom uso da semana. Llodra, que só joga com empenho quando lhe dá na telha, fez um belo torneio, sendo derrotado na final. Até lá nos lembrou do quanto emocionante e plástico é o estilo saque/voleio. Tsonga, mesmo derrotado por Delpo na semifinal, melhorou seu ranking para colocá-lo como o 5º do mundo, o seu melhor, nada mal em tempos de Fab4.

Uma semaninha bem democrática, que ajudou muita gente. Só não ajudou quem não quis ou não precisa. Mas esta semana, os petrodólares tiram todos os cachorrões, menos Nadal, da toca e os colocam no Dubai.

Delpo – levou a taça em Marselha.

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Tênis Masculino | 12:00

A hora santa e os pecados

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Enquanto os torneios maiores não começam e os Fab4 não dão as caras, outros cachorrões aproveitam para fazer a festa e melhorar seus rankings. É uma estratégia bem batida e usada e nem por isso desatualizada – e assim sempre será.

Os espanhóis adoram o circuito latino americano exatamente por conta disso. Os sul-americanos também, mas com menos unanimidade. Delpo não quer saber da terra vermelha e foi vencer esta semana na costa do Mediterrâneo. Os colombianos tão pouco. Os outros argentinos não são mais os mesmos – a geração que deu tanto o que falar vai se dissipando e não se renovando na mesma escala. Sobram os espanhóis, que mesmo não enviando a totalidade de seu arsenal continuam, como fizeram durante séculos, levando o ouro dos locais. Esta semana foi a vez do operário Ferrer, com Almagro como coadjuvante.

Almagro aprendeu que esta é uma hora santa dentro de sua temporada e que uma boa parte de seu ranking é por aqui adquirida; o talentoso rapaz é hoje Top10. Essa é uma estratégia que eu gostaria que Thomaz Bellucci compreendesse, adquirisse, incorporasse ao mesmo tempo em que agradecesse aos céus por existir.

Semifinais como São Paulo, onde poderia ter-se dado a oportunidade de jogar uma final com 10 mil pessoas torcendo despudoradamente por ele, o que não vai acontecer com muita frequência em sua vida, deveriam ser padrão para o brasileiro quando jogasse em seu continente. A derrota para Volandri, independente de qualquer razão, é mais um dos pecados de sua carreira, em um evento que onde poderia ter se consagrado. Na hora da onça beber água os campeões encontram uma maneira, os outros encontram desculpas. E os pecados, dizem, uma hora batem à sua porta para recolher suas dívidas.

Almagro – faz bonito na América Latina

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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012 Copa Davis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 17:51

A próxima Copa Davis

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A CBT divulgou hoje que irá sediar a próxima etapa da Copa Davis, contra a Colômbia, no Harmonia Tênis Clube em São José do Rio Preto, cidade de 500 mil habitantes a 450km de São Paulo.

O clube é um ótimo local, tendo sediado eventos no passado. Tem 11 quadras, sendo 10 de saibro, obedecendo à cultura tenistica brasileira. É um daqueles clubes do interior paulista muito bem cuidado que se torna o orgulho dos locais. O interessante é que esses clubes são invariavelmente clubes de tênis. O Harmonia tem suas piscinas, seu salão social, seu restaurante, seu salão de jogos, mas deixa claro que sua origem é o tênis.

A CBT fala que influenciaram na escolha a infra do local e a altitude da cidade – 500m. É mais ou menos igual a São Paulo. Não vejo isso sendo uma questão, já que, apesar de Thomaz adorar uma altitude, os colombianos são os tenistas mais habituados a esse cenário no mundo junto com os mexicanos – faz tempo que o pessoal de La Paz não produz tenistas. Mas 500m não chega a ser “altitude”, mas é melhor do que o nível do mar. Melhor ainda que a CBT mostre essa preocupação. Eles não mencionam, mas a infra da cidade também deve ter ajudado.

O evento acontece de 6 a 8 de Abril e o capitão segue sendo João Zwetsch. Será interessante ver se Bellucci e Ricardo Mello seguirão titulares ou se Feijão já terá um lugar nas simples, assim como se a dupla seguirá sendo Soares e Melo, apesar da separação, ou se Sá, o mais experiente, volta ao time. Sinuquinha para o Joãosinho. Mas o problema de excesso é sempre mais agradável do que o da falta.

Não custa lembrar que a Colômbia tem um time encardido no papel – Falla e Giraldo e Farah e Cabal, estes dois bons duplistas – que não consegue resultados esperados.

Um assunto à parte. Interessante o fato dos franceses escolherem Monte Carlo para enfrentarem os americanos pela próxima rodada. Seria interessante entender, de uma vez, se aquilo é um principado, se é autônomo ou se faz parte da França como muitas vezes parece. Oficialmente o nome do local é Monte Carlo Country Club – onde é jogado um dos mais tradicionais torneios de tênis do mundo – o Aberto de Monte Carlo. Só que, e não me perguntem detalhes, o local, que fica a poucos metros do mar, é só ver as fotos da encosta, é dentro do território da França. Ou seja, o Aberto de Monte Carlo é na França, e a Copa Davis é na França, apesar do clube ser Monte Carlo C. C.

As quadras do Harmonia em São José do Rio Preto, local de Brasil x Colômbia.

A quadras do MCCC, local de França x EUA.

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História, Light, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 12:57

O Foot-Fault

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Não tinha como deixar passar. Um dos meus leitores deixou sua participação/comentário no ultimo Post. Não só tinha a ver com o assunto, como adorei a história e a maneira como foi contada. Repleta de informações relevantes e de um personalismo ímpar sem receio de se expor. O melhor, passa muito do que vivem esses apaixonados do tênis nas mãos dos tenistas.
Por isso, abaixo reproduzo o comentário do Walter:
Muito bom seu post, Cleto!
Pouco valor se dá aos juízes de linha ou árbitros de cadeira. Talvez confundidos com o mal hábito de execrarmos juízes de futebol, os juízes de linha tem missão ímpar, importante, de imensa responsabilidade. Nos tempos de juvenil, há vinte anos atrás, trabalhei como juíz de linha. Havia um forte treinamento, pressão para não errar nos jogos. Quadras de saibro são um “terror” para os juízes de linha, pois a marca fica lá, para execrar sua marcação ou não.
Talvez muitos não notem, mas nas primeiras rodadas, pelo grande número de jogos, muitas vezes o juíz de linha acaba tendo que “cobrir” uma área maior. Juíz da linha lateral, por vezes, tem que cobrir a linha do outro lado da rede, o que é bastante complicado. Talvez hoje não seja mais assim, mas era uma realidade naquela época… qualifing então, era regra!
Tenho marcado na minha “testa” até hoje por parentes e amigos uma marcação de foot-fault, que tomarei a liberdade de contar aqui. Era primeira rodada, brasileiro (não vou colocar o nome aqui por motivos que levariam a xingá-lo, como o xinguei internamente naquele momento, mas que hoje me fazem refletir melhor… explicarei) contra um argentino, em torneio em Campinas. O Cleto estava lá com o Mattar, Oncins, Júlio Goes, Ivan Kley, e vários outros brasileiros (não foi nenhum deles, ok!?). Eu era juiz de base, e o brasileiro teimava em fazer foot-fault para sacar. Marcação de foot-fault é uma coisa que deixa os jogadores loucos da vida (Serena Williams que o diga!).

O cara ia sacando e invariavelmente fazia foot-fault. A consciência me dizia: ‘putz, não dá para deixar de marcar, o cara pisa meio pé para sacar o segundo saque, pô!”. A torcida ia pegar no pé, mas não tinha jeito, havia sido treinado para ser imparcial…. “A próxima vou marcar, não pisa na linha por favor!”, pensava.
O brasileiro errou o primeiro, já fiquei atento para a invasão, e não deu outra, sacou e fui lá gritar com todo ar nos pulmões: “FOOT FAULT!!!”… Aquele silêncio na quadra, todo mundo da arquibancada olha para você, e o brazuca te fuzila: “Foot fault? Tá louco? Qual pé?”, esbravejava… Mostrei a perna esquerda, seu pé de apoio na hora de sacar… aquele burburinho… o arbitro de cadeira olhou para mim, deu um sinal de positivo, e marcação aceita (não tem como voltar atrás)… Pois bem… seguiu o jogo, e o cara não aprendeu!… “Não acredito! Pára de pisar na linha, caralh*, que a próxima vou ter que marcar de novo!” Foot fault é a marcação que nenhum juiz de linha gosta de dar… segundo saque, pisou na linha, vamos lá: “FOOT FAULT”… o cara veio na minha direção, falou um moooonte, e, como instruído, tem que fazer cara de paisagem, manter-se petrificado, estátua, impassível… Dois foot fault num jogo é muito, eu sei, mas se o cara não ajuda…


Vamos para a melhor parte (ou pior parte, depende do ponto de vista) e desfecho da história… coisa de adolescente, empolgação pelo sinal de “jóinha” do árbitro de cadeira, vou pegar no seu pé (literalmente) brazuca filho da mãe que me xingou até a última geração… segundo saque… pinga a bolinha muito mais vezes do que estava acostumado, antes mesmo de levantar e soltar a bolinha o cara agora invade quase que o pé inteiro, câmera lenta, faz o toss, arma o saque, e aí meu erro: o cara quase batendo a raquete na bolinha para sacar, aquele pé esquerdo quase que inteiro dentro da quadra, não exitei, e gritei “FOOT FAULT”!!!… e o cara furou o saque de propósito… caixão, abriu-se um buraco direto para o inferno embaixo dos meus pés, o cara olha pra mim e diz: “te peguei!”… não existe foot fault se a bola não está em jogo, por questão de milionésimos de segundo me adiantei, um dos maiores erros da minha vida tenho que admitir. Na arquibancada, como era primeira rodada, um jogo não muito interessante, quase vazia, só tinha gente do clube e amigos meus, por isso, não fui vaiado… as pessoas não acreditavam que havia sido vítima de uma pegadinha, e que também havia me precipitado… difícil manter a concentração para o resto da partida… fui apoiado, pelo menos da boca para fora, “apitei” a linha em mais algumas rodadas, mas fui cortado da final (que é a cereja do bolo para os juízes de linha, pois depois de quase 10 dias, você não quer assistir da arquibancada se tem a chance de ver a final in loco, de dentro da cancha…”)… a casa caiu, fiquei triste, p* da vida com o brazuca, jurei que não apitava mais, fui convidado no ano seguinte para apitar novamente o mesmo torneio, mas estava já morando fora, início de faculdade, boa desculpa para não voltar mais para a quadra… hoje, bem mais velho e maduro, reconheço e aprendi a lição com essa história, a não me precipitar mesmo com as condições mais “favoráveis” possíveis. Isso é um exemplo que carrego para o resto da minha vida. Aprendi a lição… por isso, obrigado tenista brazuca, seu fd*! Hehehe… não agüentei, mas valeu a lição!
Abraços!

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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012 História, Tênis Brasileiro | 13:17

Os juizes de linha

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Uma dos assuntos que eu queria salientar do Aberto de São Paulo é algo que reflete não só a organização do trabalho de arbitragem do evento, mas o trabalho de arbitragem no Brasil como um todo.

Pode parecer patriotada, mas, se trata de fato facilmente identificado por aqueles que têm um mínimo de contato com o tênis do país. Pode haver um grupo de juízes de linha tão bom em outros lugares quanto o que existe no Brasil – não melhor. A melhor maneira de se verificar isso é lembrar quantas vezes os juízes de linha foram desafiados pelos tenistas e quantas vezes foram “overuled” pelos juízes de cadeira após a verificação, ou mesmo quantas vezes estes foram requisitados a descer da cadeira (um sinal de confiança dos tenistas nos juízes de linha). Comparem com a realidade, por exemplo, com o Aberto da Austrália, um dos maiores torneios do mundo, onde esse quesito foi uma vergonha constante e bem abaixo do esperado.

Essa é uma realidade brasileira que não é de hoje, porém nem sempre foi assim. Quando, em 1982, eu e meu sócio, Paulo Ferreira, conseguimos uma data para realizar um “Internacional Series”, um evento do porte do atual “Masters Series”, enfrentamos sérios problemas em conseguir juízes de cadeira de padrão internacional, ou mesmo nacional.

Após os testes, tínhamos somente quatro deles e mesmo assim com muita boa vontade. Um deles era Paulo Pereira, então um engenheiro do METRO e apaixonado pelo tênis que veio a tornar um ícone da arbitragem brasileira – foi o primeiro brasileiro juiz de cadeira a nível internacional, árbitro de torneios e supervisor – e direto responsável, após 25 anos de trabalho junto a ATP, pelo crescimento e solidificação da arbitragem brasileira e seu padrão internacional. Hoje é o responsável por escalar os juízes de cadeira para toda a temporada da ATP e foi o árbitro-geral do Aberto do Brasil.

Paulo não foi o único responsável por essa qualidade, um trabalho desses exige um comprometimento de muitos, tanto na organização como no trabalho em si. O trabalho de Pereira na ATP é espelhado no Brasil por figuras como, entre outros, atualmente, Ricardo Reis, que organizou a arbitragem na CBT e no Aberto do Brasil. O resultado de anos desse esforço, por parte de promotores e organizadores, federações, especialmente a paulista, e agora na CBT, e um bando de abnegados e apaixonados é um dos mais confiáveis corpo de árbitros e juízes de linha do mundo.

Esse trabalho é reconhecido internacionalmente, inclusive em competições como Copa Davis, onde, por vezes, certas patriotadas imperdoáveis aconteciam mundo afora (hoje é mais difícil), mas não por aqui. Na verdade, o único roubo que vi aqui no Brasil em Copa Davis foi, por incrível que pareça, contra o Brasil, que enfrentava a Alemanha, nas quadras secundárias do Ibirapuera, em 1981, quando, a mando de um dos responsáveis locais pelo evento, um juiz de linha cobrou um foot-fault inexistente de segundo saque contra Carlos Kirmayr, em ponto crucial nas duplas, que acabou por decretar a nossa derrota por 2×3. Desde então muita coisa mudou e a arbitragem deixou de ser influenciada por cartolas e depender do amadorismo inconsequente, passando a ser independente e responsável.

No Brasil, o pessoal que atende as linhas passa por inúmeros testes através de suas carreiras, onde provam sua capacidade e idoneidade para fazer um trabalho louvável como o realizado no Aberto do Brasil – naquela quadra central tínhamos juízes que há mais de 25 anos trabalham nas linhas. Ao contrário dos EUA, por exemplo, onde boa parte das vezes são escolhidos por amizades e lobbys regionais causando absurdos berrantes, por aqui o sistema de meritocracia reina. Uma realidade que poderia imperar em outras áreas de nossa sociedade, o que nos tornaria mais produtivos, confiáveis e ricos como povo.

Paulo Pereira ao lado de Marcos Daniel.

Juiz de linha – na jogada.

Carlos Bernardes no Aberto de São Paulo.

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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012 Porque o Tênis., Tênis Brasileiro | 12:13

O ginásio

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Com a presença de um ATP Tour em São Paulo, a maior cidade do país, e o sucesso que ele acabou por se tornar, algumas considerações podem ser feitas nos próximos dias por mim e os leitores.

Existem mais fãs do tênis do que se dá o crédito por aí. O que talvez exija um mea-culpa geral, inclusive dos organizadores do evento, que demoraram em trazer o torneio para aonde ele sempre deveria ter estado.

Na mesma linha, poucos dão crédito ao esforço, o arrojo e o sucesso da organização do Aberto do Brasil. O evento foi de competência ímpar e mostrou que a cidade está pronta para eventos ainda maiores. Isso não quer dizer que não possa melhorar. Pelo contrário. Os organizadores sabem disso e já tem em seu radar várias mudanças para 2013.

Espero que o governo, responsável pelo Ibirapuera, também entenda a sua responsabilidade. Não é possível que uma cidade como São Paulo viva no tempo do onça em termos de hospedar esporte e entretenimento, por conta de uma infraestrutura do quarto mundo há muito defasado, em uma época onde a nossa principal cidade rival em eventos no país recebe bilhões para colocá-la no patamar do que existe lá fora.

Em termos crus e realistas, o Ibirapuera, mesmo após a maquiagem que recebeu, se compara, por exemplo, com uma Arena O2, local do Masters em Londres e inúmeros outros eventos, como uma birosca de beira de estrada se compara com um hotel 5 estrelas de Londres ou mesmo São Paulo.

Se o governo, tanto do Estado como da Prefeitura, não tiver a sensibilidade e a perspicácia de entender a situação, a cidade de São Paulo pode ser relevada a coadjuvante nos próximos muitos anos, em um cenário que atrasará tanto nosso Esporte como a Cultura e, principalmente, a economia, já que, como vimos, se um esporte dito de elite consegue lotar três dias seguidos um local para 10.000 pessoas, imagine um local digno, com instalações adequadas, restaurantes e lanchonetes condizentes, ar condicionado central, estacionamento para todos sem ser um roubo e sem bandidos “tomando” conta dos carros nas ruas próximas enquanto a polícia fecha os olhos, bilheterias em numero correto e com pessoas preparadas para atender pagantes, infraestrutura para receber eventos paralelos durante os eventos principais, acústica para os mais distintos eventos, assentos condizentes com preços que podem ser cobrados e todo o resto que se espera do principal ginásio de uma das maiores cidades do mundo.

E para quem acha que isso é impossível, é só lembrar o que aconteceu com os restaurantes da cidade nos últimos anos e, principalmente, com os cinemas, que hoje recebem um ticket médio mais de 10 vezes do que recebiam quando insistiam em oferecer pocilgas ao invés de cinemas.

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sábado, 18 de fevereiro de 2012 Tênis Masculino | 14:31

Ontem

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Enquanto não escrevo, dois comentarios sobre o jogo do Bellucci. O primeiro do Marcos que teve a sensibilidade de pegar o momento de mudança de postura da torcida. Vi que muitos que acompanharam somente pela TV, ou mesmo presentes, não viram ou perceberam como o argentino, ingenuamente, quis confrontar a torcida. Quando a coisa desandou se desesperou e dançou.

O segundo do Bruxo, que não é nenhum sofasista e já mostrou que entende do riscado. Por ultimo, a unica coisa que a torcida fez que eu não concordo e não deve ser feito, e não acontece lá fora ,e se manifestar entre o primeiro e o segundo serviço. O resto está dentro da normalidade e é só frequentar torneios lá fora onde a torcida se empolga com seus tenistas. Um dos leitores comentou o jogo do Guga x Sampras em Miami, onde o clima estva igual, com a grande diferença que nossos juizes não garfam. O resto é o um pesssoal querendo ser mais real do que a realeza. Não vi, porque estava nas arquibancadas, mas pelo que contam o que o pessoal da Sportv fez eu não vejo nada de errado. Inclusive o comentário de que o argentino tentou medir forças com o publico. Ele não soube administra a situacao e na primeira hora que o MArvos menciona eu virei para minha mulher e o Dalcim en avisei que ele iria pagar caro por aquilo.

Divirtam-se:

Mr. Marcos: Aí teve um momento chave – um cara da platéia começou a gritar “tempo” na hora de um serviço do mayer. PQue ele estava extrapolando o tempo e o Bellu reclamou. Não sei se a sporttv mostrou . A partir dali teve umas milongas dele e ele desconcentrou um pouco. E o BEllu conseguiu entrar no jogo mais ainda. Aí, noutro serviço, teve um engraçado atrás do argentino que realmente falou umas m para ele do camarote, bem baixinho e aí ele foi reclamar com o juiz. Depois de um tempo deu para ver duas pessoas da organização falar com os rapazes no camarote e colocou 2 guardas perto deles. Enfim, o desfecho todo mundo viu e foi legal a vitória do bellu para dar um up na tempoarada dele, com pelo menos mais uma semi no currículo. O Mayer não tava dando chance não… ao vivo é mais fácil de ver. A gente pode achar que o Bellu desperdiçava devoluções de 2 saque mas é porque tavam vindo com muito efeito…

Bruxo:

Grande vitória do Bellucci. Sim, do Bellucci. E explico porque:

A idéia obvia para o Bellucci era sentar a mão na peluda para o Mayer não ter tempo de armar a manivela (trocadilho um tanto quanto propício a esses tempos da festa profana que chamamos de carnaval). Porém o Mayer começou o jogo com um peso de bola absurdo e batendo todas as portas na cara do Bellucci, que não aguentava o rojão.

Nesses jogos onde o cara bota ele na parede, o Bellucci de outrora colocaria o queixo em contato com seu osso esterno (esse bem no meio do peito) e aguardaria a inevitável eliminação.

Mas não. Em vários momentos que ele estava atrás ele vibrou, correu e chamou a torcida, que tacou um caldeirão de óleo quente na cabeça do Mayer, fritando os miolos do argentino (no melhor estilo Hannibal Lecter) até perder o jogo.

A pachequice que TODO brasileiro tem (em maior ou menor grau), serviu para que o Bellucci continuasse persistindo e sobrevivesse num jogo que poderia terminar feio pro lado dele.

Sem a torcida o Bellucci perderia o jogo? Provavelmente. Mas o melhor da situação dessa madrugada é que um jogador tido como calado, frio e introspectivo, soube envolver uma torcida e virar a mesa. A torcida só abraçou a causa porque lá havia uma causa. E o Bellucci soube muito bem ser essa causa

Tomara mesmo que o Thomaz tenha entendido o fato de que há um caminho certo para achar as forças que fazem um tenista buscar jogos desfavoráveis a ele. Hoje, a fagulha de guerreiro dele incendiou um ginásio, e daí vieram as forças. Ele só terá esse tipo de força quando jogar por aqui, então agora cabe a ele descobrir dentro dele um reservatório de forças que faça o serviço que a torcida prestou a ele. O caminho certo pra isso é o mesmo que ele trilhou hoje: sobreviver, acreditar, não deixar seu adversário desgarrar no placar e dar um jeito de botar uma bomba de efeito retardado dentro da cabeça de seu oponente (bomba essa que explode na hora de definição do jogo, como foi o caso hoje).

Tática envolve sentir uma situação e intuir uma solução para um conflito. O uso perfeito das condições externas determinou a vitória do Thomaz. E esse mérito é 100% dele.

Esses jogos podem transformar carreiras, para ambos os lados:

Do lado nosso, o Thomaz teve uma prova cabal de que ele tem como ser muito intenso em quadra. E a imensa maioria desses jogos duros é vencido pelo cara mais intenso. E são esses jogos que podem fazer um tenista empacado em um certo limite de ranking ir além.

Depois de desembarcar em Ezeiza, provavelmente o Mayer precisará de terapia por conta desse jogo. O tênis do argentino é bastante eficiente para o saibro e ele pode incomodar gente bem mais ranqueada que ele na terra batida. Mas faltou a ele frieza pra continuar com o pé no acelerador, resolver o jogo e sair logo da entrada do inferno para onde ele foi sendo tragado no decorrer da contenda. Se ele aprender a se desligar do mundo exterior nessas horas, ele progredirá na carreira. Caso ele não aprenda, sempre existe a saída “Musteriana” para essas situações: sair correndo da quadra, durante ou imediatamente após o jogo acabar.

Para finalizar, duas considerações:

1. Os cérebros de Volandri e principalmente do Almagro são muito bons para fritura…
2. O diabo vai dormir orgulhoso com suas criações: o tênis e o carnaval. Como Bruxos tem um pezinho no submundo, vou aproveitar os dois!

Abraços!

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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012 O Leitor no Torneio, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 11:57

Pipocas

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Cheguei mais cedo ontem no Ibirapuera. Aproveitei que o dia foi interrompido por um almoço com o amigo Carlos Kirmayr para enforcar o resto da tarde. Em São Paulo o público diurno ainda é menor do que o noturno. Sempre me questionei em como os franceses enchiam as arquibancadas de Roland Garros às 3h da tarde. Os meus primeiros pensamentos eram que é um povo rico, e pode se dar ao luxo, acrescentado ao fato que sabem colocar suas prioridades em ordem. É incrível como as pessoas permitem que o trabalho atrapalhe o seu tênis.

Aproveitei para dar uma volta nos stands externos, onde vi o pessoal deixando o braço para ver quem saca mais rápido – parece que cada um dos patrocinadores colocou uma dessas gaiolas com um radar para o pessoal se comparar ao Karlovic. A falta de imaginação continua assolando o planeta. Vários deles uniformizados, o que me faz pensar que são tenistas fanáticos, algo que o Ibira está cheio, o que é ótimo para o evento – “more power to tennis players end less to sofasistas!”

Orientado pelo inconfundível cheiro de pipoca entrei no stand do Banco do Brasil, onde, dentro de uma gaiola de vidro, vi uma moça, uma mesa e as pipocas. Enquanto marchava para lá, outra moça, atrás de um balcão, se desesperava me perguntando “posso ajudar, posso ajudar?” Eu sabia o que ela queria e ela não tinha nada do que eu precisava. Perguntei para a de dentro se podia pegar um saquinho, enquanto esticava a mão cheia de dedos e desejo, ao que ela me respondeu que a pipoca era para quem se habilitava para um cartão de crédito. Enquanto saboreava as primeiras, que nem tão quentinhas estavam, instiguei a nissei que me questionava a falar sobre a oferta. Ela começou a me dar aquele malho treinado, enquanto eu fazia comentários interesados e divagava o meu olhar para fora em busca de novos interesses. Com toda a simpatia, perguntei se poderia ir lá fora dar uns saques, enquanto engolia mais alguns milhos explodidos e deixava a claustrofóbica salinha. Já desarmada e provavelmente contemplando a iminente possibilidade de se encontrar mais uma vez a sós na gaiola, ainda tentou me lançar com o pedido de uma doação ao Instituto Kuerten, o que achei generoso da parte dela, para com ele, mas a minha atenção já fora desviada pela curiosidade do preço de um saquinho de pipoca e os esforços necessários por consegui-lo.

Logo depois encontrei o leitor Flávio “Barão”, acompanhando de sua fraunlein, que me avisa que no sábado será o proprietário de um camarote junto com a musa Maysa. Conversamos um pouco enquanto eu aguardava o Pedra, pai de Andre Sá para rápida conversa, que me contou sobre as vantagens e desvantagens de morar em uma fazendo sem internet. Em seguida fiz rápida visita à área reservada da organização e dos tenistas. A conversa mais longa foi com Dani Orsanic, treinador argentino de Thomaz Bellucci. Conversamos sobre o jogo maluco do dia anterior e sobre o que vem pela frente no seu trabalho. Na devida hora falarei mais sobre o assunto.

Ainda eram quase 5 da tarde e David Nalbandian estava sentado, uniformizado, comendo uma manga, conversando com amigos argentinos – mal sabia ele que ainda teria que esperar mais de 6h para entrar em quadra. Não foi à toa que poucas vezes vi o ex-pança – ele me pareceu bem mais magro, inclusive no rosto, o que ressalta a sua riqueza nasal – tão focado em partida. Ele acabou com o francês Simon, cujo técnico, o ex-top 10 Tulasne foi um dos meus interlocutores no local, antes que entrássemos irremediavelmente pela madrugada, que era o que se temia. Mesmo assim, um bom público ficou acordado para ver o talentoso Hermano eliminar o cabeça #2 por 6/2 6/3 fora o baile.

Fui questionado pela ordem dos jogos por algumas pessoas, que assumem que o Diretor do Torneio é algum idiota. Conversei com ele, Luiz Felipe Tavares, e lembramos que 40 anos atrás realizamos os primeiros grandes torneios de tênis no Brasil, o WCT, naquele mesmo ginásio, onde estiveram, entre muitos outros, Laver, Emerson, Borg, Ashe.

O organizador me contou que a feitura da ordem dos jogos é um cabo de guerra diário. Desde sempre, a ATP cede para alguns diretores de torneios que tem força e influencia nas Américas e Europa e desconta para cima dos outros. Para cá a força da lei, para lá o olhar condescendente dos pares geográficos. Só para se ter uma ideia, a realização da ordem de hoje exigiu toda a habilidade de negociação por parte do diretor do torneio, para podermos ter Bellucci no horário nobre, o segundo jogo da noite. Mesmo assim, corre-se o risco de termos o cenário de ontem, quando o horário nobre foi dominado pelo sonolento confronto entre Chardi e Mayer após o Verdasco alongar seu jogo ao extremo. Mas, pelo menos, amanhã é sabadão e o publico não tem que acordar cedo.

Tavares também me contou que para ontem alugou containers para amenizar o problema das bilheterias, algo que os leitores aqui no Blog alertaram e que foi levado a ele. A infraestrutura do Ibirapuera é extremamente carente e precária em vários pontos, a maioria longe dos olhos do público. Mas um deles, o das bilheterias, atinge o publico pagante em cheio. É mesmo desagradável, e desrespeitoso, ficar um tempão para se comprar o direito de se acompanhar um espetáculo. Ele me assegurou que isso já foi amenizado. É algo também que o governo do Estado, dono do complexo e parceiro do evento, deve ser priorizar em eventos que buscam acolher um público numeroso e bem pagante.

Nalba – correndo para não entrar na madrugada.

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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012 Light, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 16:38

Era Lipton

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Uma curiosidade. A Sony anunciou hoje que comprou hoje a participação da empresa sueca na sua parceria com a Ericsson. Com isso, acaba a Sony Ericsson, que passa a ser  Sony Mobile Communications.

Imagino que meus leitores devem estar perguntando – e o tênis com isso? O nome oficial do Aberto de Miami é Sony Ericsson Open – como é que isso vai ficar? Eles vão mudar o nome a um mês do início do evento? Vão deixar e promover um nome que não existe mais?

Vale lembrar, pelo menos para auqeles que acompanham o tênis “AG” (antes do Guga) que esse torneio já teve a marca mais valiosa do tênis, quando o torneio era conhecido simplesmente por “Lipton”, marca de um chá que fez a enorme bobagem de abrir mão do nome e. lógico, nunca mais fez nada daquele porte.

Vamos ver como os gênios do marketing resolvem a questão.

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