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Arquivo de dezembro, 2011

sábado, 31 de dezembro de 2011 Tênis Masculino | 19:52

Aforismos sem juízo

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Não sou muito chegado a assistir exibições – prefiro acompanhar uma boa e disputada partida de pangas lá no clube. Exibições são mais para se ter a oportunidade – muitas vezes raras, dependendo do local onde se vive – de se assistir um tenista ao vivo. Já na TV é forçar a minha paciência.

Por que? Porque o tênis é um dos jogos mais competitivos que existem, e aí seu maior interesse, e em partidas de exibição esse componente é praticamente inexistente. Os caras estão ali mais para um treininho bem do sem vergonha, já que em treinos os caras até que se aplicam para ganhar, levar uma grana legal e, após umas férias, testar o corpo.

Isso ficou claro nas declarações Federer após esse evento caça níquel sei lá onde: ele disse algo na linha do que estava ali mais para testar algumas coisas no seu jogo do que para ganhar.

Sei que o suíço é chegadinho em umas desculpas quando perde – alias, tirando o Roddick, essa geração é bem dada ao quesito – mas dá para entender o que ele estava dizendo. Não vai ser em uma exibição que a gente vai ver o melhor do tênis. Mas, não se preocupem, logo logo a cobra vai voltar a fumar.

——–        ——–          ——

Tristeza e surpresa pela morte do jornalista Daniel Piza do Estadão. Morrer aos 41 anos de AVC me parece uma estupidez sem nexo. Gostava de ler o Daniel, mesmo, talvez inclusive, quando ele se passava no rococó das opiniões sobre tudo. Não deixava de ler sua coluna genérica, sempre plena de informações, ao mesmo tempo em que passava longe de seus pitacos futebilisticos. Tinhamos em comum uma paixão por Machado e Francis, o que, para mim, já o fazia especial.

Respeitava Piza pela erudição, a dedicação e entrega ao seu trabalho que, de alguma maneira, tinha uma leve tangencia com o meu. Sendo ele 22 anos mais jovem do que eu, era a minha expectativa acompanhar sua carreira e o desenvolver de seu pensamento. É estranho que ele tenha ido antes, tão antes. É a vida, não diria ele, como podemos ver na sua ultima coluna, publicada no dia 25/12, onde ele, como sempre, entre muitas outras coisas, escreve sobre ausências e que, como homenagem deixo o link abaixo:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,de-presentes-e-ausencias-,815145,0.htm

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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011 Tênis Masculino | 17:31

Tudo azul

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Nada como uma velha rivalidade para manter as mentes espertas e criativas. Para não dizer zelosas. Madrilenos e catalães mantêm a sua rivalidade em todas as áreas, incluindo, e aí ninguém vai dizer que desconhecia, na do esporte.

A mais recente pitada de veneno entre as duas principais cidades da Espanha tem a cor azul. O dono do torneio de Madrid, o romeno Ion Tiriac, vem, há anos, comendo pelas beiradas com sua intenção de criar o primeiro saibro azul da natureza. As más línguas dizem que por conta de seu patrocinador principal, outros, talvez mais realistas, pelo know-how do romeno, que sabe que um dos principais problemas dos televisionamentos dos torneios, especialmente no saibro alaranjado, é que a visibilidade da bolinha tem seus graves senões.

E, assim sendo, este ano, o Torneio de Madrid será jogado sobre um saibro azul, que saibro não é, mas que algo bem semelhante será.

Os catalães devem ter perdido alguns dias de sono por conta da decisão e o anuncio. Será que os camaradas lá de cima vão nos passar a perna? Um mês depois do anuncio de Madrid os catalães fazem seu anuncio.

Vale lembrar que, por uma razão e outra, o Torneio de Barcelona tem muito mais tradição do que o de Madrid, que, por sua vez, é bem recente ao mesmo tempo em que é um Master 1000, uma categoria bem acima do rival – a data pertence a Tiriac, que a leva para onde quiser, e a ATP deixar; mas nesse universo tudo se arranja.

Provando que a criatividade é e sempre será um diferencial em nossas vidas, os catalães pressionados pela invenção adversária deram um passo adiante – só resta ver se na direção certa. O Torneio de Barcelona será jogado sobre o mesmo saibro vermelho, só que com bolas azuis.

Sim, as bolinhas já foram brancas, por quase 100 anos, e agora são amarelas – isso se vocês não forem ao Clube Pinheiros, onde a Escolinhas usas laranjas, vermelhas e verdes (elas são com diferentes graduações de pressão para facilitar a vida dos petits) – não temos azuis, mas vou olhar o assunto.

Barcelona também tem um patrocinador com cores azuis, o que, de alguma maneira, facilitou. O site do torneio fala em cores do Mediterrâneo, estudos feitos por organizações que eles contrataram, conversas com tenistas (sem mencionar quem) mas as reais razões são as que menciono acima.

Barcelona será jogado no fim de Abril, duas semanas antes de Madrid. Será interessante – eu particularmente estou curioso – ver como os tenistas reagirão com as mudanças – assim como a reverberação do publico, in loco e pela TV, e da mídia internacional. Porque a local eu já sei como será. A de Madrid será fã incondicional da terra azul, enquanto a catalã será bolinhas azuis desde ninas. E, para democratizar, Rafael Nadal deverá descer a lenha em ambos, já que há algum tempo adiantou que é totalmente contra esse tipo de mudanças. E tenista top algum dia já foi a favor de mudanças?

Bolas amarelas no saibro vermelho.

Bolas azuis no saibro vermelho.

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sábado, 24 de dezembro de 2011 Light, Minhas aventuras | 20:23

Feliz Natal

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O dia de Natal está associado, há séculos com a celebração do nascimento. O do Sol, em uma época que a nossa estrela-mãe tinha status de deus, e há muitos séculos com o nascimento do Cristo.

Como por aqui vivemos sob a influência total da data, que recebe uma relevância ainda maior pela proximidade com o fim do ano, torna-se uma data de celebração familiar, ao mesmo tempo em que induz, ou deveria, à consciência e temas ligados à religiosidade, que é a origem real de toda essa comoção.

Aproveito a oportunidade para agradecer a todos que por este Blog passam e prestigiam com a leitura e, por vezes, os comentários. É deveras interessante e prazeroso ter um rol de amigos dos quais pouquíssimos tive o prazer de conhecer.

Assim sendo, aproveito o local e a leitura para desejar a todos sinceros e fervorosos desejos de um Feliz Natal e tudo que essa data possa representar para cada um de vocês. Tenham uma ótima, feliz e farta ceia com seus queridos e amados, esta uma das melhores e mais felizes maneiras de se passar uma noite, de Natal ou outra qualquer.

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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011 Masters, Tênis Masculino | 15:07

Novo presidente da ATP

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Após muita negociação nos bastidores, inclusive nos vestiários, a ATP, sindicato dos tenistas e administradora do circuito masculino, chega a um consenso e elege o seu novo presidente.

Desta vez, ao contrário do que vinha acontecendo a muitos anos, o Conselho ficou com um tenista que conhece bem as entranhas do negócio todo, deixando de lado os executivos que, se de uma lado, teoricamente, tem o know-how executivo, carecem de um maior conhecimento da alma do tênis alem de carecerem de total comprometimento com o esporte branco.

Brad Drewett é um australiano que jogou um tênis decente nos anos oitenta e após a carreira sempre esteve envolvido com o tênis, em especial com a ATP. Além dos dois pés na ATP, Drewitt foi organizador de eventos (foi o cara que liderou a ida do Masters à China e Londres – é o Diretor do evento desde 2001) e dono de academias. Nos últimos anos tomava conta da ATP na Ásia.

Canhoto, como todo canguru gostava de uma saque/voleio e uma duplinha, mas se virava do fundo com um revés de slice bem do sem vergonha. Esteve no Brasil jogando um evento que eu organizava em Santos – mas não me lembro de seus resultados. Era melhor duplista do que singlista, em uma época que não havis os “especialistas” de duplas – todos jogavam tudo.

Apesar de no fim a ATP ter divulgado que houve unanimidade na escolha, é óbvio que houve algum empurra-empurra, inclusive entre Federer e Nadal – Drewitt é um “Federer Man”, Nadal tinha outras preferencias. Lembrando que além dos tenistas tem a outra metade dos Conselho, que são os promotores dos torneios. E nunca é fácil haver uma unanimidade entre esses dois campos às vezes com prioridades bem distintas.

Drewett que vive, ou vivia, em Sidney vai despachar do escritório da ATP de Londres, o que deve dar uma certa esvaziada no escritório da Flórida. Por ter a experiência que tem, de ambos os lados da mesa, eu diria que foi uma boa escolha para a ATP. Agora é ver como isso se resolve na prática.

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terça-feira, 20 de dezembro de 2011 Light, Minhas aventuras, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 00:54

Karma tenístico

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Outro dia, aproveitando uma dessas tardes maravilhosas que vem se repetindo, nestes tempos em que o verão ameaça, ainda sem sucesso, se instalar, me alojei em uma cadeira, à mesa, debaixo da jaqueira que orna e sombreia a seção de tênis do melhor clube do país – E.C. Pinheiros.

Estava a ter uma conversa um pouco mais séria do que o cenário exigia quando fui interrompido por um amigo, ansioso por me contar uma história. História que é a alma deste Post, história que o meu leitor que não seja um sofasista de almofada cheia conhece várias e que, com a mais absoluta certeza, viveu e sentiu na pele. De um jeito e do outro.

Estava o amigo a enfrentar um de seus maiores rivais – e atentem, são tenistas de categoria, 2ª classes, na pior das hipóteses, dos mais encardidos. O adversário abriu, no set decisivo, um 5×1 que, para quase todos os efeitos, davam as favas como contadas. Como todos, incluindo os amigos do sofá, sabem, o jogo só acaba quando termina. Mas 5×1 é 5×1, pelo amor dos meus filhinhos, como diria o endiabrado Silvio.

A essa altura, o amigo – deixarei os nomes de fora, até porque, como já disse, a história é universal – começou a desviar o assunto pelas mudanças táticas que executou, lembrando; nada acontece de graça. Mas as suas táticas não são o ponto da história, por conta disso privarei os leitores de uma aulinha tática. Só vale lembrar que a não mudança de uma tática claramente perdedora só é uma alternativa para os mais teimosos, burros, ou se preferirem sem imaginação; ou se seu nome for Roger Federer, que não cai em nenhuma das alternativas anteriores, seria o que me faltava, mas tem uma só sua.

Pois é. O amigo foi lá, mudou o jogo e começou a cacifar. Esqueci de dizer; era 5×1 40×0, o que não é mole não. E, no game seguinte, 2×5, 15×40. Pois é. O amigo escapou de ambas sinucas. E aos poucos, que nem a galinha enche o papo, foi vencendos os pontos, adquirindo a água benta dos tenistas, a santa confiança, e virou o jogo. Sim, 7×5.

O amigo babava enquanto nos contava seu feito nos mínimos detalhes. Dava para ver o prazer saltando de seus olhos, sorvido como saliva pré churrasco em reunião de peão. Como é linda a vitória, especialmente uma tão arduamente conquistada, uma tão improvável.

O amigo se despediu, sem muita vontade, é fato, já que a conversa lhe era prazerosa nas últimas, com um sorriso nos lábios evidenciando que o karma tenistico o acompanharia por mais alguns dias, pelo menos até que um novo infortúnio o atropelasse em quadra, como sempre, mesmo para os Djokovics, acontece.

E não é que não deu 5 minutos, nem dando tempo para eu embalar a conversa interrompida, chega o amigo protagonista, ou seria coadjuvante, da história acima.

O rapaz chegou com aquela cara de quem não sabe ao certo se cumprimenta e passa reto ou se arrisca uma estadia mais prolongada. Pois é, Kurosawa já nos mostrava que os dois lados de uma história quase sempre nos apresenta uma terceira tão ou mais interessante.

Sem nenhuma intenção masoquista, não pude deixar de mencionar o fatídico. E aí, como foi? Ele me contou o seu lado da história, onde ele era muito mais o vilão do que o amigo mútuo o herói. Não importa, até porque não é essa a questão também. Naquele dia, com o céu azul, o conforto do calor aliado às delicias da sombra de uma frondosa árvore, complementados pelo prazer de uma bebida refrescante, a minha mente tinha uma única curiosidade, que não vi porque não a satisfazer.

De sopetão, sem o menor perdão ou cerimônia, perguntei. Quando você pirou?

Sem pestanejar, até porque não se trata de safasista ou mesmo panga, ele voleou de volta – “no 5×3!!”. Alí já comecei pensar muita merda.

Pensei com meus botões – “um pouco cedo, talvez”. Mas lembrei de 40×0, do 15×40 e aquiesci com a cabeça sabendo que nesses affairs melhor se passa sem o julgamento alheio. São cruéis esses percalços mentais. Como lidar com eles? Como os cachorrões conseguem escapar delas – se é que escapam?

Já no fim de sua história, o segundo amigo menciona que um terceiro – adversário de ambos – estava sentado na cadeira do juiz, por conta de uma daquelas recorrentes e danosas contusões, nada mais podendo fazer em uma quadra. Os três saíram da quadra ao mesmo tempo e caminharam para aquela mesma jaqueira que eu então aproveitava. Chegando à mesa, já pedindo e pensando nos prazeres de uma Norteña gelada, o terceiro vira para o segundo e diz: “agora que você nunca mais meta o pau no Bellucci quando ele fizer das dele”. Quanta verdade dita em frase tão curta. E não somente por conta do nosso melhor tenista.

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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011 Copa Davis, Minhas aventuras, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 13:36

Métodos, estilos e personalidades

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O leitor Edu, ele não oferece mais informação do que isso, me pergunta como um técnico de Copa Davis consegue implementar uma metodologia ou estilo para um jogador que já possui um técnico, onde muitas vezes este possui um estilo distinto do seu? Uma pergunta interessante, cuja resposta daria um livro. Sendo assim, vamos a uma mais breve.

Antes, uma informação. Esta semana os dois capitães dos times finalistas da Davis saíram de seus times. Por razões distintas. Tito Vasquez saiu porque a federação argentina quer um rodízio e, principalmente, porque seu relacionamento com os tenistas não é totalmente harmonioso. Vamos deixar algo claro: dificilmente é totalmente harmonioso esse relacionamento. Ele sobrevive se uma série de variáveis funcionarem.

Se o relacionamento entre as partes for de respeito mutuo e, principalmente, de respeito à hierarquia, se os tenistas forem comprometidos com o evento acima de seus interesses pessoais, as chances são maiores. No caso dos argentinos, eles têm uma situação entre os dois principais tenistas e não é de hoje. Além disso, Nalbandian é um personagem de personalidade muito forte e não necessariamente um agregador. Tito Vasquez declarou que ele é um líder negativo, o que é um problemaço.

No entanto, Nalbandian tem o espírito da competição, enquanto que Del Potro ainda está devendo mostrá-lo, para o time e para ele mesmo. Alguém aqui no Blog disse que Delpo foi o protagonista do confronto. Acho que foi mais no de coadjuvante de luxo. Na Davis, ou no tênis, a diferença está em vencer e não em jogar bem. Uma coisa é lutar, jogar bem, fazer um bom papel, perder no quarto ou quinto set e voltar para o vestiário, que fica pior do que velório nessa hora, com cara de bunda. O pessoal pensa – “é fo.., a coisa vai mal e vai ficar pior porque sobrou pra mim”.

Outra coisa é o cara que encontra um jeito de vencer em quadra, contra adversários melhores ou piores, o que nunca é fácil, volta para o vestiário, olha todo mundo na cara e diz – “pessoal, eu fiz o meu ponto, bola pra frente!”  Os carinhas olham pra ele e pensam – “ele é o cara, a nossa inspiração, vamos atrás!” O Delpo já é um jogadorzasso e ainda vai aprender a lidar com a pressão sobre o cachorrão, que é diferente da sobre o tenista mediano que não tem a responsa de decidir. O duro mesmo é o cara que não ganha um jogo que faça a diferença, só dá menos desculpas do que entrevistas se auto-elogiando, quando não está jogando a culpa de seus fracassos em outros.

A saída de Carlos Costa tem outro perfil. Uma dica foi a imediata recusa de Carlos Moya sobre a possibilidade de aceitar um convite. A razão fica escancarada com a notícia de que Nadal, Ferrer, Verdasco e Feliciano não jogarão a Davis em 2012 – a razão alegada é o desgaste e por ser um ano de Olimpíadas. Esse time é um dos mais fortes da história porque tem liderança. E essa liderança chama-se Rafael Nadal, esteja em quadra ou não. O cara é uma inspiração e não tem o menor receio de abraçar a responsabilidade de ser o líder. Ele foi o primeiro a avisar que estaria fora. Os outros seguiram.

O que me lembra uma história pessoal na Davis. Em um momento pontual de transição o time estava sem um #1 contundente e, consequentemente, sem um líder. Como o próximo confronto seria em casa contra um grande time e estávamos a uma década sem perder em casa, tive uma conversa com o então #1 brasileiro no ranking sobre a necessidade de termos um líder que pudesse inspirar. O cara quase morreu. Pirou! Começou a falar pelos cotovelos, balançando os braços e arrumando os cabelos e a dar todo tipo de desculpa, culminando com a que estava ali para ser mais um e não para ser responsável por nada. Foi a primeira e única vez que vi um tenista agindo daquela maneira, até porque das outras vezes não tive a urgência de fazer uma escolha vergonhosa como aquela. Foi um dos maiores banhos de água fria que tomei na carreira. O tenista, óbvio, fixou-se no papel de coadjuvante, mas sempre tentando se vender como protagonista.

Quanto aos espanhóis, o cargo de capitão/técnico torna-se agora a maior batata quente do país. Quem vai querer herdar um cargo que do time campeão ninguém vai aparecer para jogar? Costa pediu para sair; óbvio que não oferecendo estas razões.

Um técnico de Copa Davis não traz, ou não deveria trazer, uma metodologia de estilo para cada tenista para a Davis. Não há tempo para isso e nem é a exigência. O que é necessário é o técnico trazer uma filosofia de trabalho, responsabilidades e comprometimentos com o esforço coletivo que deve ser abraçada por todos. Vale lembrar que tenista é um ser extremamente individualista e, às vezes, com certa dificuldade para se adaptar ao coletivismo.

Talvez uma das melhores coisas que deixei no time brasileiro foi a cultura do time acima do individuo, algo que sempre foi regra enquanto estive lá e que, mesmo depois de minha saída, continuaram mantendo a tradição, segundo tenistas que permaneceram no time se apressaram em me dizer. A coisa foi sendo passada de geração para geração e, pelo menos até onde sei, segue sendo uma verdade, talvez diluída pelo tempo.

No entanto, o cargo exige uma personalidade que lidere os tenistas fora das quadras – que é bem distinta da liderança dentro da quadra, que é sempre exercida por um ou mais dos atletas – e que, por vezes, demanda também bater de frente com atletas que atentam mais para seus interesses pessoais do que para os do time.

O trabalho final do técnico é saber, e conseguir, inspirar os atletas a apresentarem um desempenho acima de seu padrão, por conta de tudo que está envolvido – a oportunidade, única no tênis, de competir por um grupo e o país. Essa responsabilidade é a verdadeira diferença entre a Copa Davis e as outras competições do tênis, a razão da emoção e da pressão que toca os atletas. Sob essa luz, uns crescem, outros encolhem. C’est la vie.

O ESPÍRITO DA COPA DAVIS


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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011 Light, Tênis Masculino | 11:43

Um a menos

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Uma notícia, que não sei bem se boa ou ruim, é que o holandês Richard Krijicek, ex top 10 e campeão de Wimbledon e atual diretor do Torneio de Rotterdam, parece ter abandonado suas intenções de ser escolhido como o próximo presidente da ATP – o atual sai no fim deste ano. Richard era o favorito ao cargo que é o principal do tênis masculino.

Nos últimos muitos anos a ATP vem sendo gerida por executivos pescados em diversas áreas do esporte e mesmo fora delas. O ultimo que realmente fez uma diferença foi Mark Miles – de lá para cá nenhuma unanimidade.

A razão da desistência de Krajicek, que não é oficial, seria a falta de suporte dos membros do Conselho da ATP, que arregimenta representantes de tenistas e dos donos de torneios, sendo que estes são funcionários de empresas com vários interesses no bussiness/tennis.

Pelo jeito alguém, ou um dos setores, não quer o holandês encabeçando a ATP. A escolha é quase similar a de um presidente eleito por donos de empresas e sindicatos de empregados. Que tipo de personalidade vocês acham que é escolhida?

Krajicek – ele não.

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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011 História, Tênis Masculino | 01:28

Saque e devolução

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Uma das pautas que me pediram – o Andre – foi sobre a evolução na técnica do saque e da devolução. Já vi que neste tipo de pergunta/resposta não vou conseguir ser definitivo. Primeiro, porque quero responder de bate-pronto, sem ter que pesquisar, anotar ou pensar muito. Com isso, suponho que as respostas não serão “definitivas”, mas vão espelhar o que penso e, talvez, abrir espaço para discussão.

Sempre existiram grandes sacadores e grandes devolvedores. Desde a época das raquetes de madeira, inclusive o grip – isso muito antes de inventarem os grips de couro. Dos que vi, Pancho Gonzalez já fazia uma enorme diferença por conta de seu serviço já nos anos 50. Muitos afirmam que foi “O Sacador”. Assim como Pancho Segura Cano fazia a diferença por conta de suas devoluções com as duas mãos de ambos os lados. Segura, ainda vivo aos 90 anos, seria o predecessor das grandes mudanças que o tênis sofreria 60 anos mais tarde. Gonzales morreu em 1995.

Sacadores e recebedores sempre nos propiciaram grandes rivalidades. Segura x Kramer, Laver x Rosewall, McEnroe x Connors, Sampras x Agassi etc. Estilos distintos que sempre nos proporcionou interessantes conflitos.

Até o fim dos anos oitenta os grandes sacadores imperaram, com algumas brilhantes exceções. Ninguém fez festa para cima de Borg, Vilas, Connors e Agassi, por exemplo. Mas o império era dos sacadores, de Gonzalez, Newcombe, Smith, Mc Enroe, Ivanisevic, Sampras, Becker e muitos outros, inclusive cabeças de bagre que só sabiam fazer isso.

Junto com as sacadores, imperava também o estilo saque/voleio, um estilo sedimentado e aprimorado por americanos e australianos. Por uma razão muito simples: em três dos quatro Grand Slams o piso era grama, piso que clamava pelo e facilitava o estilo saque/voleio. A grama era rápida e as bolas também. O estilo era mais velho do que andar para frente: sacar na esquerda do adversário e ir à rede – se desse, matar o voleio no lado oposto da quadra, se não desse, volear de volta no revés até sobrar para o voleio final.

Para facilitar o estilo, além da grama dos GS, quando não se jogava no cimento rápido, piso original da Califórnia, celeiro # 1 do tênis americano, os torneios aconteciam nos rapidíssimos carpetes de borracha em todos os torneios indoors, o que cobria prticamente todo o outono e inverno do hemisfério norte. Era 80-85% nesses pisos e o resto era o mesmo circuito do saibro europeu que ainda existe – onde americanos e australianos sequer apareciam. Assim mesmo se mantinham no top 10 só com os pontos do resto da temporada.

Alguns poucos e determinantes eventos mudaram a história, perfil e o futuro do tênis.

O mais importante foi a reação dos técnicos/professores com o fato dos grandes sacadores se imporem com tanta ferocidade. Devem ter se perguntado: quem foram os grandes devolvedores? Talvez tenham respondido: Segura Cano, Connors, Borg, Agassi. E o que eles tinham em comum? A esquerda com as duas mãos! Então vamos nessa!

Outro evento foi a reação dos donos dos torneios. Eles também ficaram porraqui com aquela chateza de saque-ace-ponto. Não saia jogo! As pessoas dormiam em jogos entre Sampras x Ivanisevic.

Paralelo a isso, houve a reação dos tenistas europeus ao quase eterno imperialismo dos americanos no comando da ATP. A rebelião colocou Alex Corretja no comando da ATP. Ele liderou as inúmeras mudança que bateram de frente com os gringos e acabaria com os eventos nos carpetes, passando para os pisos pintados com areia nos torneios indoors, unificando e democratizando o circuito também com os pisos de quadras duras. Além de salvar o circuito de saibro (por isso não deixam os torneios latinos-americanos mudarem o piso).

Os donos dos torneios aceitaram e apressaram as mudanças indoors, assim como o circuito de duras democratizou, sempre diminuindo a velocidade do jogo.

As mudanças acima deixaram o tênis mais lento, equilibrando a força que as novas gerações de tenistas trouxeram – por conta da altura, cordas e raquetes . Sem esquecer as bolinhas, que ficaram mais rápidas também.

O que houve, no fim das contas, foi uma uniformidade. Acabaram com os extremos. Nem as quadras e bolas lentas de Roma existem mais, nem as quadras de grama e os carpetes/gelo estão por aí para cortar o físico de boa parte do mundo. Hoje o tenista joga quase que com o mesmo estilo a temporada inteira. Uma diferença de velocidade é rara, mínima e todos notam.

Volto à esquerda com as duas mãos. Ela foi a grande mudança técnica, que é a pergunta do meu leitor. Ela acabou com a festa do sacador e, mais ainda, com a festa do sacador/voleador. Hoje ninguém mais ganha a vida sacando na esquerda de alguém e indo à rede volear. Muito menos contra alguém com o revés de duas mãos.

O saque melhorou na medida em que os tenistas ficaram mais altos e as raquetes “soltam” mais as bolinhas. Mas o grande salto técnico do tenista foi a devolução com as duas mãos – e seus sutis e determinantes aprimoramentos, os quais não vou entrar hoje. Hoje, nove dos onze primeiros do ranking batem com duas mãos. Esse golpe segurou os sacadores no fundo da quadra e os pregou por lá para o resto do ponto. Resta esperar qual será a reação a tudo isso. Porque não pensem que o atual será para sempre. Afinal, as teorias Darwianas se aplica a muita coisa neste mundo.

Os Panchos – Gonzalez, sacador e Segura, devolvedor.

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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011 Light, Minhas aventuras, O leitor escreve, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 15:35

ATPanga

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Para quem está pensando em assumir menos e menos compromissos eu devo estar fazendo algo errado. Na sexta-feira, estava fora de São Paulo, tentando acertar os compromissos do fim de semana. No Domingo eu tinha um em São Paulo e outro fora. No sábado em tinha o ATPanga em São Paulo, mas estava fora da cidade. Sim, confuso, e é isso que aqui menciono.

No fim, como sempre, uma decisão se toma. No Sábado parti em direção a São Paulo. O céu estava desencorajador, a viagem é mais do que curta, mas os Ipods resolvem a questão – som de estrada nas caixas e lá vamos nós. Só uma coisa me incomodava. Para alguém do meu status e responsabilidade eu estava a ponto de dar uma bela pisada na bola. Eu ia encontrar meus caros leitores em um evento tenistico e estava sem um sequer dos meus tacos (raquetes) na mala. Sim, eu os esquecera ao sair de São Paulo e o caminho para o YCP é totalmente fora de mão. Iria, literalmente, chegar de mãos abanando.

Apesar da garoa fina e forte que caia sobre a cidade, descobri que o pessoal, todos tenistas e nenhum sofasista, se adapta. Chove? É hora do almoço! Parou, é hora de jogar.

Quando cheguei o pessoal estava terminando de pedir seus pratos. Logo inseri meu linguado na história e sentei no local indicado pela eterna e irreparável anfitriã Maysa e seu assessor O Barão.

Antes cumprimentei a todos; os que conhecia pessoalmente e os que conhecia virtualmente. Sentado no meio da longa mesa me senti, mesmo que por um átimo de segundo, como o Senhor cercado por seus apóstolos. Por favor, não há comparação e nem me atrevo a me alongar, mas, confesso, senti, em um flash, uma aureola sobre a cabeça enquanto já pensava na sobremesa – um bolo de chocolate, verdadeiro manjar dos deuses.

A Maysa foi gentil e prestativa o bastante para agendar um rodízio de assentos durante e após o almoço. As pessoas vinham e conversavam, trocávamos ideias, debatíamos de tudo e mais um pouco que fosse relevante à nossa paixão – de Federer e Nadal a leitores mais controversos. Não vou aqui reproduzir as conversas, que, confesso, foram do maior interesse tenistico, quando não filosófico – até porque se a curiosidade é grande, o Barão me garante que o próximo ATPanda não tardará.

Mesmo sem que a conversa caísse um tantinho sequer, algum tenista impaciente olhou pela janela, viu que há algum tempo a chuva não caia e logo soltou o verbo; “nós viemos aqui para jogar ou conversar?” Não me pareceu haver alguma resistência em contrariá-lo. O Giulianno, dono da direita sinistra, logo me emprestou um de seus tacos. Em breve estavam todos com suas raquetes em punho marchando em direção às quadras, que, por conta das insistentes garoas, estavam com aquela cor berrante de saibro vermelho, o que sempre é um convite – pelo menos para o tenistas – para o pecado mais contundente que o mais reduzido dos bem preenchidos biquínis.

As duplas logo se emparceiraram, sem maiores delongas com categorias ou sexos. Não se preocupem os de tênis mais ou menos modesto que análises individuais não serão feitas. O importante, como sempre o é em quadra, é que a paixão pelo tênis derruba qualquer preconceito.

Ainda fomos interrompidos, mais uma vez, pela garoa. Nos refugiamos e, até com certa pressa, voltamos à quadra, aí já com os holofotes acesos. As quadras, apesar de pesadas pelo excesso d’águas, como adoram os espanhóis, estavam ótimas. Todos aguentaram até o fim, mesmo aqueles que tinham compromissos com voos, como o elegante casal Martin H, que não só nos honrou com sua presença – eles vieram dos arredores de Porto Alegre – como nos brindaram com bonés vermelhos celebrando a suíça, ofertados pelo Consul helvético que, por acaso, é pai do rapaz. Ontem mesmo já inaugurei o tal.

Saí do YPC já noite e carregando um outro presente; um exemplar do livro de contos “Mar de Hitórias” gentilmente ofertado e dedicado pelo caro Marcos Pessoa. De lá pegamos a estrada e voltamos para o interior. No caminho eu a esposa repassamos detalhes do encontro. Entre as várias lembranças, um detalhe foi ficando claro. Não posso abrir mão de tais encontros e, prometo, da próxima vez tirar um pouco do ônus da anfitriã e do organizador e tratarei de incrementar ainda mais o nosso ATPanga.

Para completar, peço que os presentes nos brindem com suas histórias e fotos do ATPanga.

Os pangas.

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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011 Light, Tênis Masculino | 21:06

Mc, Caetano, Marat etc

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Alguem aí comentou sobre as declarações do John McEnroe sobre Novak Djokovic. Isso ao mesmo tempo que aparecem reverberações na imprensa inglesa sobre suas declarações sobre Andy Murray. Isso logo após suas declarações sobre…

Pois é – o McEnroe é o Caetano Veloso do tênis, posto que ele disputa ferrenhamente com Boris Becker, assim como Caetano disputa espaço com Gilberto Gil. Bem, pelo menos os tenistas falam sobre tênis e tenistas, já outros cagam regras sobre tudo e qualquer assunto, devidamente publicados por jornalistas fanzocas que devem levar gravadores e babadores. Sei…

BigMac, que nunca foi flor que se cheire, alias muuuuito pelo contrário, hoje virou Pietá do tênis. Sei. Na época em que jogava era de uma personalidade no mínimo duvidosa, em uma época que tenista americano achava que tinha que ser FDP para ser jogador de tênis. O contraponto eram os australianos, mas isso é uma outra história.

Mac disse que Djoko é o favorito para o AO, mas não ficaria surpreso se ele abandonar nas quartas de final, perdendo por 2×1. Bela previsão! Eu arriscaria nas oitavas no quinto – se é para falar qualquer coisa…

Disse que imagina que o sérvio ficou contente com os resultados obtidos antes da hora, e por isso o fraco fim de temporada. Bem, pode ser, como pode não ser. Então vamos ser subjetivos.

Disse que o cara não foi bem no fim da temporada, mas, pode voltar a jogar bem. O meu neto, que não tenho e tão pouco fala, disse que isso ele também fala.

Termina discursando sobre seu grande ano, quando no ano seguinte achou que não precisava melhorar e cometeu o erro de não trabalhar como deveria. Conseguiu, no fim, falar sobre ele, que é o que devia querer desde o começo. Mc é hoje comentarista de TV e o tenista, incluindo os que ainda jogam, que mais ganha com patrocínios. Suas constantes declarações ajudam a mantê-lo na mídia, assim como seu sucesso nos eventos de Masters.

Sobre Murray ele nos iluminou como ninguém. Diz que o escocês tem que ficar “positivo”, especialmente nos pontos importantes, se quiser ser melhor. Aí pessoal, vocês todos podem pedir emprego lá na NBC americana, até porque escreveram isso bem antes. Fora o Becker, que falou a mesma coisa algumas semanas atrás.

Fora isso, a D. Judy Murray será a capitã do Fed Cup britânico. Vale lembrar que ela era a principal técnica da Escócia durante quase 10 anos e foi ela que ensinou seu baby boy. Judy deve voltar a trabalhar com o tênis nacional feminino para a LTA.

E por ultimo, Marat Safin foi eleito para o Parlamento russo. Marat foi eleito pelo partido do Sr. Putin, partido que está sendo investigado por fraude eleitoral. Hoje os americanos, através de Hilary Clinton, ministra de estado, acusou Putin e seu partido de fraudes e mais um pouco. Bem, os russos são os russos e o Putin era da KGB.

Recentemente Marat jogou uma exibição com Pete Sampras, que agora profetiza que em 20 anos Marat será presidente da Russia. Quem viver, verá.

A partir do fim de semana ataco as pautas sugeridas.

Marat, um bricalhão, agora deputado.

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