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Arquivo de setembro, 2011

sexta-feira, 30 de setembro de 2011 Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 23:38

O meu primeiro Pan

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O meu primeiro Pan Americano foi o de São Paulo em 1963, onde o tênis foi disputado nas quadras do Clube Pinheiros. Com 15 anos, fui convidado para ser juiz de linha, o que me assegurava os melhores lugares do torneio. Além disso, pude conviver durante quase uma quinzena com os melhores tenistas das Américas – e obviamente do Brasil. Foi uma experiência inesquecível da qual tenho uma série de boas lembranças.

Era uma época onde o esporte branco atraia ótimos tenistas, para não dizer os melhores de cada país. Época também do tênis “amador”, pelo menos cinco anos antes da chamada Era do Tenis Aberto. Até por isso o Brasil conseguiu reunir os seus melhores jogadores, algo que nunca mais aconteceu, por mais de uma razão – a maior sendo que a competição, com o “Tênis Aberto”, foi perdendo o prestígio necessário para reunir a elite do tênis. E assim é até os dias de hoje.

Em São Paulo reinaram no tênis os melhores de nosso país. Maria Ester Bueno, já com três títulos de simples nos Grand Slams e a quatro meses de vencer o seu próximo em Nova York, venceu as simples, batendo a mexicana Yolanda Ramirez na final. Vocês podem imaginar a emoção de estar na linha de um jogo de uma bicampeã de Wimbledon, em uma época onde não existia tênis em TV?

O site da CBT, erroneamente, afirma que os melhores brasileiros nesse Pan foram Maria Esther e Thomaz Koch. Nos homens o vencedor foi o talvez mais talentoso dos tenistas brasileiros – Ronald Barnes. Pensem no estilo Roger Federer e imaginem Barnes. O carioca venceu as simples batendo o mexicano Mario Llamas. Nas duplas masculinas o carioca emparceirou com o paulista Carlos Fernandes para ficar com o segundo ouro. Com o bronze ficaram os gaúchos Thomaz Koch e Yarte Adams.

Maria Ester ficou com a prata, jogando com a cearense Maureen Schwartz. Nas duplas mistas Esther ficou com a prata ao lado de Koch. Foi o Pan com os melhores resultados do Brasil conquistados pelo melhor time que o país já reuniu. Simples.

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Tênis Feminino | 13:46

Parlamentar

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A russa Anna Chakvetadze foi um dos maiores talentos surgidos no tênis na ultima década. Aos 16 anos já estava aprontando no circuito e aos 20 era #5 do mundo. Dona de um tênis limpo, elegante e eficiente, ainda tinha a seu favor um espírito combativo e intenso sem as macaquices vista por aí. Mas que não a desafiassem, pois a gatinha virava uma onça. Lembro de um vídeo que postei aqui de uma partida dela na Fed Cup contra Israel, como visitante. A certa altura o publico começou a provocá-la e a moça virou bicho, sem perder a competitividade, pelo contrário, vibrando a cada ponto, desafiando o publico que tentava hostilizá-la.

No final de 2007, Anna enfrentou um problema pessoal tenebroso. A casa de seus pais, onde ela estava, foi invadida por bandidos que barbarizaram e roubaram. Detalhes nunca foram divulgados, mas a moça acusou o golpe, espelhado nos maus resultados.

Em 2008 seu tênis começou a sofrer, as derrotas vieram e em 2009, aos 22 anos, fechou com o pior ranking em 5 temporadas. Este ano Anna enfrentou uma série de problemas nunca bem explicados. Teve que abandonar cinco partidas durante a temporada por conta de tonturas e desmaios em quadra. Não jogou Roland Garros, perdeu na estréia de Wimbledon para Sharapova, não jogou o U.S Open e viu seu ranking despencar para #150.

Talvez por conta dessa doença – dizem que viral – Anna se afastou das quadras sem divulgar detalhes e o retorno. O que divulgou é que vai concorrer ao Parlamento russo, como candidata de um pequeno partido – Partido da Causa Justa – que a pouco tempo expulsou o seu presidente, o bilionário Mikhail Prokhorov. A moça será a terceira na lista do partido.

À distância é sempre difícil saber a realidade das coisas. Sua companheira de Fed Cup, Maria Sharapova, que diz com a boca cheia que não têm amigas no circuito, avisou que acha difícil alguém fazer duas coisas bem feitas ao mesmo tempo. O que eu concordo e pergunto: e essa “segunda” carreira que várias das moças têm, achando que são também modeletes?

Contusões e doenças além de dificultarem a parte física mexem muito com o emocional. É uma dificuldade indescritível um atleta não poder fazer o que gosta e sabe poder fazer. Mas, suspeito, que o problema da Anninha é outro e a doença, talvez, só uma maneira perversa de o corpo externar o que a mente quer. Pelo perfil da moça, os parlamentares que se cuidem se ela for eleita.

Anninha despenca no Dubai

Anninha em Israel para o delírio da companheira Maria Sharapova

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quinta-feira, 29 de setembro de 2011 Light, Porque o Tênis., Tênis Masculino | 11:56

Reflexo

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O video abaixo é de um daqueles golpes mágicos que acontecem nas partidas de duplas. Na verdade uma dupla de golpes. A dupla é um jogo de reflexos, com uma dinâmica diferente das simples. Uma coletânea de ângulos buscados em uma avenida de alta velocidade. Um mistério a falta de interesse das pessoas quando comparado com o fascínio pelas simples. Uma arte em extinção mantida por especialistas e, com menor frequência do que eu gostaria, curtida pelos singlistas. O vídeo ressalta o que a destreza de reflexos conquistados por treinos direcionados pode oferecer ao espectador (des)interessado.

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Light, Tênis Masculino | 01:32

A evolução de um perto de mãos

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Um dos meus leitores publicou o vídeo abaixo. Deixo para vocês curtirem e tirar suas conclusões.

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quarta-feira, 28 de setembro de 2011 História, Juvenis, Tênis Feminino | 14:09

Acerto de contas

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A esta altura todos conhecem a história de Jelena Dokic e seu pai – eu mesmo já escrevi mais de uma vez sobre esse drama. Ambos caracterizaram a reincidente história do muitas vezes doentio relacionamento pai/filha no tênis que tantas vítimas já produziu. E isso porque ficamos sabendo somente dos casos quando a filha conseguiu algum sucesso, apesar do infernal relacionamento; imaginem quantos nunca vingaram tenisticamente e tiveram o lado perverso martirizando a família.

Lembrando – o “daddy from hell”, como os jornais ingleses o chamavam, além de espancar frequentemente a garota, roubou todo o seu dinheiro enquanto esteve por perto. Uma ex-tenista chegou a chamar a segurança do hotel por conta dos gritos da menina apanhando. O maluco teve ataques no US Open, quando atirou comida no chão protestando contra a qualidade e os preços do servido aos atletas – no que tinha certa razão, mas não era para tanto. Atualmente os tenistas recebem um valor para as refeições, que continuam sendo no estilo bandejão americano. Em Wimbledon fez uma cena com uma jornalista exatamente na frente, atirando o celular dela no chão e a ameaçando de pancada. Foi carregado para fora do Clube e proibido de voltar. No Aberto da Austrália acusou os organizadores de manipular o sorteio. E isso é só uma amostra do que o doido aprontou mundo afora, terminando por ser proibido de frequentar os eventos.

Esta semana Jelena divulgou que conversou com o pai pela primeira vez em oito anos – ela tem 28. Ela, residente da Austrália, pegou um avião, foi a Belgrado vê-lo e “colocar um fim ao desentendimento”, conforme suas palavras. Jelena foi acompanhada do namorado Tin Bikic, irmão de seu ex-técnico, que não era até então aceito pelo pai – assim como todos os namorados e técnicos anteriores.  Ela assegura que foi bem recebida pelo pai, que tinha passado uma temporada na cadeia após ameaçar colocar uma bomba na embaixada australiana e por ter armas ilegais em casa.

Ela diz estar em uma boa fase da vida e acredita que reatar relações será o melhor para ela e a família. O pai proibia a mãe e o irmão caçula de falar com Jelena. O pai foi receptivo à visita e, diz a moça, mudou sua atitude frente à filha, que hoje é uma mulher de 28 anos. Apesar de garantir que continuará a trabalhar com sua técnica atual, Louise Pleming, bancada pela federação australiana, as fotos que chegam de Belgrado mostra ela em quadra com seu pai.

Os relacionamentos pais/filhos é um mosaico de emoções e podem ser repleto de dramas, assim como catalisador de conquistas e/ou perdas. O ser humano, atletas incluídos, depende de motivações – e existem poucas tão fortes como aquelas exercidas pelos pais, conscientes ou não. Quando as cobranças e exigências produzem um saldo muito maior do que o afeto, só Deus sabe no que pode dar. Na maior parte das vezes boa coisa não é. Mas, em muitas, produzem aberrações que se tornam excelências em seus campos de atividade, até porque a força interior é fortemente alimentada permanentemente por uma demanda e contenda interior não resolvida e mal equacionada com o afeto esperado.

Ao que parece, e assim espero, Jelena foi à Belgrado acertar as contas, tentar reequilibrar aquilo que lhe foi dado com o que lhe foi tirado, aquilo que é seu por direito e lhe tem sido negado. Reencontrar o que nunca foi substituído pela carreira de tenista – o que pode ser confirmado pelo insucesso pós-período de menina-prodígio. Algo que lhe foi usurpado pelo delírio de um fracassado que achou que os talentos e esforços de sua filha poderiam lhe assegurar o gozo e o sucesso financeiro que ele foi incapaz de criar para si. É uma tarefa da qual não se foge, e, quanto mais cedo a enfrentamos, melhor para abrir nossos novos e incontornáveis caminhos. O fato é que às vezes a conta tem bom fim, às vezes não. Nenhuma novidade para uma tenista – ou qualquer outro.

Jelena e Damir em Belgrado.

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segunda-feira, 26 de setembro de 2011 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 14:21

Final mineira

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Não sei os detalhes do porque os mineiros Andre Sá e Marcelo Melo deixaram de jogar duplas juntos. Mas não é nada raro uma dupla se desfazer. As razões podem ser múltiplas, tanto amenas como bravas. Pelo o que sei a dos mineirinhos foi numa boa, fazendo jus à fama do estado, mais um ajuste de carreiras do que qualquer outra coisa.

Como qualquer relacionamento, o de duplistas pode se esvaziar com o tempo. Boa parte das vezes o que dá liga é o relacionamento fora das quadras. O que segura é a continuação desse relacionamento e os bons resultados. Já vi dupla ser desfeita porque os resultados minguaram, assim como já vi dupla no auge do sucesso terminar por conta de desavenças fora das quadras. Sá e Melo vinham tendo razoável sucesso – foram às semis de Wimbledon em 2007 e venceram 5 ATP Tour – e continuam amigos fora das quadras. Mas às vezes as ambições e planos não casam. Apertam-se as mãos e bola pra frente.

Hoje em dia as duplas tendem a ser mais perenes – pelo menos é a idéia. Antigamente, quando os singlistas eram também os duplistas, as de maior sucesso eram perenes, mas existiam também as de ocasião, conforme a disponibilidade dos tenistas nos eventos. Hoje, a maioria das duplas é de “duplistas” que sequer jogam simples; esse pessoal tende a buscar um parceiro fixo e desenhar seus calendários juntos. Alguns ajustes são feitos na bacia das almas para melhor acomodar rankings – essa é sempre uma hora punk para o pessoal que está no limbo.

É óbvio que a maioria é de tenistas do mesmo país, com uma história comum. Faz mais sentido no quesito relacionamento pessoal – dupla hindu-paquistanesa está aí para ser a boa exceção.

Não tenho a certeza que foi a primeira vez que os dois mineiros se enfrentaram após a separação. Quase tenho a certeza que foi a primeira em uma final – especialmente no ATP Tour. Quando vi que se enfrentariam fiquei imaginando o clima e a disputa que haveria. Por mais que sejam bons amigos, deve ter havido uma vontadinha a mais de vencer esta partida. Se há uma rivalidade saudável até em partidas de pangas, porque não haveria entre os cachorrões?

Na final de Metz, André Sá se emparceirou com Jamie Murray, irmão de Andy, e Marcelo, que vem jogando com outro mineiro Bruno Soares, jogou com o checo Dlouhi. Sá e parceiro venceram em dois sets. Mas aposto que os amigos de belohorizonte foram jantar juntos para comemorar os resultados.

Andre Sá e Marcelo Melo do mesmo lado da quadra.

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Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 11:01

De Belém a Campinas

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Aproveito para parabenizar o Caio Zampieri pelo resultado conquistado em Campinas neste fim de semana. Não deu para levar o título, mas a rapaz deve ter saído da cidade contente. Ele vem aproveitando a injeção de confiança adquirida com seu primeiro título do ano, conquistado um mês atrás em Santos – e que faça melhor proveito ainda daqui para frente, começando no Recife, onde acontece esta semana um Challenger, após receber a cidade um Future na semana passada.

Como a cidade é hospitaleira, Thiago Alves resolveu passar duas semanas por lá. Ontem venceu o primeiro torneio batendo o jovem Bruno Santanna na final. Lembro que nos anos 90 Luiz Mattar venceu uma final homérica contra Jaime Oncins, debaixo de um sol de 45º, três horas de jogo e as arquibancadas colocadas na Praia de Boa Viagem lotadas do começo ao fim, mesmo local do evento desta semana.

Vale lembrar também que outro jovem, Augusto Laranja, foi à final em La Paz e, na semana passada, e que Leonardo Kirche venceu simples e duplas no Future de Belém.

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sexta-feira, 23 de setembro de 2011 Copa Davis, Tênis Masculino | 14:08

Greve?

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De vez em quando as conversas de revolta invadem os vestiários. Vale lembrar que tenistas são pessoas extremamente individualistas, muitas vezes ignorando os conceitos de coletividade. Isso tanto ajuda como atrapalha suas reivindicações como grupo. Esta semana, após declarações de Andy Murray, inesperado porta-voz dos tenistas, veio a publico a possibilidade dos tenistas chamarem uma greve por conta de reivindicações ignoradas. Algo que duvido, já que eles não têm salarios garantidos.

A história do tênis profissional é repleta de revoltas e revoluções – sempre colocando jogadores de um lado e dirigentes e organizadores de eventos do outro.

Desde 1990 o circuito da ATP é administrado por tenistas e organizadores de eventos. Eles vivem às turras, mas é um relacionamento melhor, mais parceiro, do que o entre jogadores e os cartolas da FIT, que organizam o Grand Slams e a Copa Davis, que são o ganha-pão das federações. Aí o bicho sempre pegou. Mas vamos deixar o passado longínquo de lado e concentrar no recente.

Em 2006 os tenistas forçaram a barra e pediram/exigiram que as datas da Copa Davis fossem colocadas na semana seguinte aos Grand Slams, uma semana meia boca por razões óbvias. A FIT não gostou, mas concordou. Tem dado seus problemas e ninguém está contente.

Além disso, existe o eterno pleito de que a temporada é muito longa e os torneios, compromissos e obrigações muitas. Por um lado, a FIT não quer abrir mão da Copa Davis, o maior evento da organização, já que abrange mais de 130 confederações. Os GS são intocáveis, de quase todas as maneiras.

Por outro lado, existe o encorpado calendário da ATP que, no fim das contas, é o circuito da associação dos tenistas, algo que eles tendem a esquecer.

Para apimentar, os GS não tratam os tenistas exatamente como esses acham que deveriam ser tratados, no que algumas vezes têm razão. Porém nada como era poucas décadas atrás, quando eram tratados como reles funcionários por maus patrões – a pau. Os tenistas acham que deveriam ser ouvidos em algumas questões onde não são. Em alguns dos GS mais do que em outros. Na Davis é bom nem falar. Os recentes conflitos, por conta dos problemas causados pelas chuvas no U.S. Open, agravados por simples falta de dialogo e comunicação, abriram novamente as feridas. Os tenistas ficaram irritados e alguns não hesitaram em trazer seus descontentamentos a publico. Alguem leu alguma declaração do Presidente Federer?

Após o U. S. Open, quem abriu a tampa do caldeirão foi Andy Murray. O britânico admitiu a possibilidade de os jogadores fazerem uma greve se suas demandas não forem aceitas. Quais demandas – não sei. Que se saiba ninguém sentou e as escreveu. Essa coletividade da classe é difícil de acontecer. Tavez os cachorrões boicotem algo, a maioria eu duvido muito.

Murray reclama que qualquer demanda é respondida com o argumento que no futuro elas podem vir a ser realizadas. Como ele diz, pelo andar da carruagem, aconteceriam após todos eles já terem abandonado o circuito. As principais demandas, quando surgirem oficialmente, devem ser novamente em torno das datas da Copa Davis e a diminuição dos torneios da ATP Tour, o que razoavelmente está nas mãos dos tenistas, que ainda tem que convencer seus parceiros organizadores dos torneios, e as exigências feitas ao top guns.

A ATP já anunciou, desde 2010, que em 2012 duas semanas de torneios sairão do calendário, dando 7 semanas de férias aos tenistas. O que parece ainda não satisfazer a alguns.

Hoje os tenistas são obrigados a jogar os quatro GS, oito Masters Series e quatro ATP 500 e, se classificarem, o Tour Final, atualmente em Londres e, dizem, que o Rio quer trazer para a cidade, algo que aconteceu com Xangai e Londres, sedes olímpicas. No entanto, acabam jogando também mais alguns ATP 500 e, às vezes, ATP 250. Fora as exibições. Os últimos são sempre uma boa maneira de ganhar uma grana a mais, especialmente os tenistas que não ganham tanto com contratos. Que fique claro, a realidade dos quatro top é bem distinta dos outros mil e tanto tenistas.

Os jogadores reclamam que jogam muito, mas escolhem jogar mais do que são obrigados. Tipo, o Nadal jogou Barcelona, Monte Carlo e Queen´s. No entanto, todos eles compreensíveis do por que. Djoko joga Belgrado, seu próprio torneio – um caso de conflito de interesse que ninguém comenta, Hopman´s Cup, exibição em Bogotá e Boodles e o que mais vier por aí.

Os tenistas não recebem mais multas por não jogar as semanas “obrigatórias”, só “punição” no ranking, mais uma vitória conseguida nos bastidores que os organizadores engoliram de algum tempo para cá. É bom lembrar que os principais descontentes são os top, que querem mais tempo para suas coisas. A esmagadora maioria dos tenistas não quer necessariamente ver a oferta de eventos diminuir, mas sempre acham que cartolas são uns picaretas e deve haver mudanças, sem entender que muitas, no fim do dia, os prejudicam. Esse conflito de interesses sempre existiu, só que as mudanças sempre vieram pela musculatura dos top.

Existem algumas questões a serem tratadas. As obrigações dos top ten, que duram e jogam mais partidas ano afora devem ser diferenciadas? O calendário aceita algumas acomodações que, com certeza, contrariarão alguns interesses? O sistema do ranking é justo? Os tenistas conseguirão, algum dia, mudar o formato da Copa Davis? Os tenistas conseguirão uma voz mais alta nas decisões realizadas durante os GS?

Com a aprovação publica de eternos rebeldes, como John McEnroe e Marina Navratilova, e a recriminação do eterno conservador Michael Stich, vencedor em Wimbledon e atualmente diretor do Torneio de Hamburgo, que meteu a boca nos tenistas e criticou a possibilidade de uma greve, os tenistas devem estar conversando pelo Skype, trocando emails e acertando conversas para Paris e Londres, já que Federer, que é presidente, e tem se mantido, como bom suíço, calado, não vai à China. Ou seja, as semanas vão passar e nada acontecerá tão cedo, a não ser que alguém, tipo Nadal, decida carregar o piano. Até porque, escolherem, ou deixarem, Andy Murray de porta-voz não é a mais brilhante decisão estratégica.

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quinta-feira, 22 de setembro de 2011 Copa Davis, Tênis Masculino | 12:53

Federer 2012

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Estava aqui pensando se Roger Federer errou suas contas mais uma vez, se é uma questão de acomodar novas prioridades ou é um mero caso de ajuste à realidade.

O suíço deixou no ar, após a recente e apertada vitória sobre a Austrália para não caírem para fora do Grupo Mundial, onde eles estiveram com um pé na cova e escaparam, que em 2012 vai participar da competição Copa Davis. E se vai jogar, vai ser para ganhar, sua ultima chance de conquistar a saladeira para seu país.

Relembrando alguns pontos; nos últimos anos a Davis deixou de ser uma prioridade para o rapaz, que no começo da carreira adorava jogá-la, no ano que vem tem Olimpíadas, e os tenistas estão armando algo (devo escrever a respeito neste fim de semana) sobre o calendário, por acharem que este tem eventos demais.

Em algumas contas Federer poderia/deveria ter dado uma priorizada na Davis nos últimos dois anos, especialmente após ele e Wawrinka conquistarem o ouro nas Olimpíadas e criarem um clima propício.

Em anos de Olimpíadas – o ano que vem é nas quadras de grama de Wimbledon, algo que me deixa com uma pulga atrás de cada orelha – o calendário fica ainda mais congestionado. Sei que ele vai priorizar os Jogos Olímpicos. Então ele prioriza Copa Davis e Olimpíadas e o que vai para o sacrifício? Eu pensaria que em sua participação nas quadras de saibro européia e Roland Garros. Até porque se Federer quer contrariar as declarações de Safin, de que não ganhará um outro GS, Wimbledon será uma de suas ultimas oportunidades.

Os suíços vão abrir a temporada da Davis recebendo os americanos em casa. Roddick, Fish e Isner, mais os brobryans. Não é tão simples, até porque os suíços são um time de dois e o Wawrinka é sempre uma incógnita, e os gringos de quatro, um cenário que uma hora o bicho pega.

O adversário seguinte seria a França, que jogaria em casa, provavelmente a maior dificuldade rumo ao título. Os franceses têm time, tem valores individuais, escolheriam o piso e o local, que seria escolhido a dedo e adorariam bater a Suíça de Federer. Esse seria “o confronto”.

A semifinal seria contra a Espanha, em casa, o que seria muuuuuito melhor, para os suíços, do que se fosse o inverso. Aí até as vaquinhas suíças vão brigar por um ingresso. Vocês podem imaginar uma final de uma Davis com Federer e Nadal se enfrentando no terceiro dia em um dos últimos eventos que o suíço jogará? Com um agravante: o evento seria, imagino, imediatamente após o U.S Open, talvez a ultima grande oportunidade de Federer faturar um GS e onde vai, de uma maneira ou outra, se desgastar!

A final, já em Novembro, a esta altura co campeonato ainda estaria totalmente aberta. Pode ter a Sérvia com seu motivado time, como os argentinos, se o Delpo estiver na ponta dos cascos e o Nalbandian não tiver virado piloto de stock car.

Contra a Argentina a Suíça jogaria em casa. Contra a Sérvia, preciso descobrir um detalhe. Se a Sérvia herdou os confrontos de Sérvia-Montenegro o jogo é na Sérvia. Se não herdou é na Suíça. As vaquinhas que entrem em fila

Até as vaquinhas suíças vão entrar na fila para ver o Federer.

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quarta-feira, 21 de setembro de 2011 Porque o Tênis., Tênis Masculino | 13:00

Reputação

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Na biografia de Roger Federer, interessante para conhecer detalhes da carreira do tenista, mas nada que se compare à verdadeiramente interessante autobiografia de Andre Agassi, há um trecho em que Federer percebe, pela primeira vez, que olhavam diferente para ele após vencer Wimbledon pela primeira vez e, na semana seguinte, jogar em Gstaad, aldeia suíça onde as pessoas se cruzam na quase única rua da cidade. De lá para cá o rapaz, pelos seus feitos e postura, dentro e fora das quadras, tornou-se um nome mundial no tênis, no esporte e, pelo o que fica claro, em geral.

A notícia que corre o mundo agora é que o suíço é a 2º colocado em termos de reputação no mundo. A pesquisa foi feita pelo Reputation Institute – http://www.reputationinstitute.com/index -, a maior empresa mundial de avaliação de reputações, com presença em 30 países, inclusive no Brasil, para determinar a reputação dos mais visíveis líderes e figuras publicas mundiais em negócios, show-bussiness, esportes cultura.

A pesquisa realizada pela SSI, a maior empresa do gênero no mundo, entrevistou 55.055 pessoas em 25 países entre Abril e Maio deste ano; ou seja, nenhuma brincadeira. Quatro atributos foram considerados: o grau que a pessoa é gostada, respeitada, admirada e confiada.

Ser segundo colocado em 2º lugar, logo após Nelson Mandela, uma figura carismática e inquestionável, agrega ainda mais à colocação de Federer e a confiabilidade da pesquisa.

Outras figuras na lista incluem Bill Gates e Warren Buffet, Branson, Jobs, Ratan Tata, Bono, Oprha. Como curiosidade, no fim da lista, já na “shit list”, estão, nesta ordem, Tiger Woods, Mugabe, Hugo Chavez, George W. Bush, Fidel Castro, Berlusconi, Ahmadinejad e Kim Jong-il (Korea do Norte), o que mostra que as pessoas não estão tão loucas.

A colocação de Federer dá ao esporte, em muito especial ao tênis, uma dimensão totalmente diferenciada e tem uma importância majestosa para nosso esporte. O que o suíço dá e empresta ao tênis extrapola suas inúmeras conquistas dentro das quadras e coloca o tênis em uma patamar diferenciado no mundo do esporte. Como venho dizendo, aproveitem enquanto ele está por aí.

Federer – categoria e reputação.

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