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Arquivo de agosto, 2011

quarta-feira, 31 de agosto de 2011 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 14:51

Brilhou

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De vez em quando o mundo faz um pouco mais de sentido, por conta de coisas que parecem trazer um pouco mais de justiça à cena.

O desabrochar tardio na carreira e a vitória de hoje de Rogério Silva faz parte desse cenário e eu tenho cá minhas razões para ficar um tanto a mais com seu sucesso. Aos 27 anos Rogerio é o que pode se chamar de late bloomer. Nos últimos meses deu um upgrade em sua carreira e agora começar a jogar com os cachorrões, após anos em torneios menores.

A junção de dois componentes possibilitou esse sucesso. A sua personalidade – lutador, perseverante, determinado, insistente mesmo que com limites técnicos. Nos últimos meses esse cenário teve a participação de Larri Passos que abraçou o rapaz e lhe deu algumas ferramentas, técnicas e mentais, para um salto de qualidade e auto estima. Nesta temporada, Rogério conseguiu jogar e ganhar sua primeira partida de Copa Davis, algo do que poderá se orgulhar pelo resto da vida, e jogar e vencer sua primeira partida de Grand Slam, algo que deve lhe abrir novas perspectivas na carreira.

Certamente após a frustração da derrota de Bellucci, a vitória de Rogério faz bem para os fãs brasileiros e, por que não, para o técnico, que ambos dividem, e deve ter um carinho especial pelo atleta, já que, como ele diz, o relacionamento é de amor pelo esporte e não profissional. Na verdade, Rogério está em New York na companhia de Marcos Daniel, sob a orientação de Passos.

O adversário de Rogério, o irlandês Louk Sorensen, veio do qualy e me pareceu um peixe fora d’água nessa primeira rodada. O dia começou lindo para o brasileiro, que havia perdido na ultima rodada do qualy, quando teve a confirmação da desistência de Robin Soderling, ainda padecendo de uma contusão no pulso, o que lhe possibilitou a entrada na chave como lucky loser. Ficou melhor quando aplicou um 6/0 no adversário, que não jogou nada, ficou um pouco pior com a derrota no 2º set,  e brilhou de vez quando o atarracado Sorensen desistiu da partida no quarto set.

Rogério joga a próxima rodada contra o vencedor de Alex Bogomolov e Steve Johanson, ambos americanos e ambos ganháveis. O sorriso pode aumentar.

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terça-feira, 30 de agosto de 2011 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 14:19

Padrões

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Boa parte dos comentários dos meus leitores diz que o problema de Thomaz Bellucci é um caso mental e que a solução deveria ser a procura de um psicólogo. Simplista.

O mental é o grande diferencial de um tenista, mais do que em qualquer outro esporte, só o golfe na mesma linha. Um tenista com bons golpes, excelente físico e sem a parte mental no mesmo padrão do resto do arsenal está tão perdido quanto cego em dia de procissão.

Na semana passada, estive em uma palestra com Gustavo Kuerten, da qual oportunamente darei mais detalhes, onde isso ficou ainda mais evidente. Gustavo não seria, nem de longe, o tenista que foi, se não fosse pelo seu brilhante e diferenciado mental. A diferença entre um numero 1 do mundo, com um determinado arsenal técnico, e o mesmo arsenal sem o mental, é que este será #200 do mundo, com sorte.

Bellucci é, entre outras coisas, uma personalidade introvertida, para o bem e o mal. Essa personalidade, que o mantêm focado e determinado em seu trabalho, ao contrário de tantos outros, o possibilitou ser o melhor tenista brasileiro desde o fim da era Kuerten e a estar entre os 20 melhores do mundo. O que não é pouco.

Essa mesma personalidade tem também outros aspectos. Dificuldade de comunicação e de ser expansivo, por exemplo, e uma determinada miopia para certas coisas. Tem também o fato de guardar suas emoções, mais do que um ser mais expansivo, por exemplo. No fim das contas, as variáveis são tão infinitas quanto as impressões digitais.

Os torcedores brasileiros, herdeiros, também para o bem e para o mal, da cultura futebolística, tendem analizar atletas pelo prisma emocional, o que sabemos bem qual é o resultado.

O fato é que estamos no tênis, como não poderia deixar de ser, focados na carreira do brasileiro e de um ou outro ídolo. Esses ídolos, até para serem campeões, oscilam bem menos. Mas o fato é que tenistas oscilam muito, porque, como já disse antes, é o “jogo do diabo”, exigindo demais do aspecto mental. Quem joga, sabe, que não joga…. Mas não se pode esperar que todos sejam fortes mentalmente como Nadal.

Que Thomaz não está no mesmo padrão de Gustavo Kuerten, e de outros tenistas atuais melhores classificados, é um fato óbvio. Não precisa nenhum gênio ficar se descabelando tentando nos convencer disso. O tenista é um ser em constante transformação e tem que se provar a cada jogo. Não tem esse negócio de ganhar um evento a cada tantos anos e colocar a medalha no peito. São vários leões por semana, a cada semana.

Bellucci tem muito que aprender. Tanto em quadra como fora. Sei que tem a ambição de fazê-lo dentro, desconheço seus planos fora. No entanto, mesmo que isso não seja totalmente claro a princípio, uma coisa caminha com a outra. Especialmente no aspecto emocional.

O rapaz parece ter alguns padrões negativos que o levam à derrota com uma constância terrível. Não sei dizer, à distância, se é um caso de psicólogo ou se o técnico resolverá. Nunca é tão simples como parece ser de longe. Não custa lembrar que, nesse quesito, o pupilo original de Passos foi um “pacote” que veio pronto. A realidade agora é bem outra – uma outra galáxia emocional – e olhe que galáxias são grandes.

O que tenho percebido, novamente à distância, é que as instruções técnicas de Larri Passos são colocadas em prática por Thomaz Bellucci, e surtem seus efeitos, até enquanto este tem o controle de seu emocional. A partir do momento que o tenista o perde, por uma razão ou outra, quase sempre em consequência de um pequeno tropeço que seja do jogo, algo totalmente previsível e normal dentro de uma partida, as instruções e o plano tático vai para a cucuia. Ontem o estopim veio por conta de um pequeno incidente com o juiz de cadeira. Quase que insignificante.

Thomas foi um tenista até os 2×0 em sets e o break acima. Ele sacou em 3×2 e foi quebrado. Um fato normal. O que ele fez disso é que não é normal. Após perder essa vantagem, começou o derretimento emocional que culminou com o ridículo quinto set e seus acontecimentos, algo que deve estar latejando na cabeça do brasileiro até agora e por mais algum tempo. Esse tipo de derrota dói muito. E dói mais para ele do que para qualquer um de nós.

O que Thomaz fará para sanar esses desvios, que aparecem com uma freqüência maior do que ele, ou seus fãs gostariam, determinará o tamanho de seu sucesso em quadra, com mais certeza do que os acertos estratégicos e técnicos que está buscando, no que também está certo em tentar.

Como, e onde, ele buscará esse acerto, e se conseguirá reverter o quadro atual, é algo que ele nos apresentará e nós, fãs do tênis, acompanharemos, torcendo e comentando. Espero que sem muitas pedras na mão, porque senão pouco acrescenta e, como eu já escrevi, diz mais sobre o crítico do que sobre o criticado.

Thomaz e Larri – uma parceria em busca de melhores resultados.

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domingo, 28 de agosto de 2011 Tênis Feminino | 15:46

Como você fez?

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Às portas do ultimo Grand Slam da temporada, com a inconveniência do clima hostil que abate a região de N. York, leio a notícia que Caroline Wozniacki venceu o Torneio de New Haven neste sábado, pelo quarto ano consecutivo.

Bem, parabéns!

A moça nunca ganhou um Grand Slam e, ao contrário de alguns reconhecidos pontos do bom senso, se prepara para o difícil evento jogando um torneio menor, ao invés de guardar suas energias e o foco para o prato principal. Não pensem que a moça estava sozinha na tradicional Yale, cujas quadras recebem o evento. Lá estavam Na Li, Schiavone, Bartoli, Radwanska, Kuznetsova e Jankovic, entre outras. É lógico que as irmãs Williams e Sharapova não apareceram. Eu fico me perguntando se alguma dessas que jogaram esse torneio pensa seriamente em vencer o U. S. Open.

Não custa lembrar que para ganhar um GS é preciso ganhar sete partidas ao longo de uma quinzena, algo que não fica mais fácil se o tenista tiver jogado cinco jogos na semana anterior. E que, no tênis atual, existe uma galáxia de diferença de importância entre ganhar, por exemplo, o Torneio de New Haven e o U. S. Open.

Cada um tem sua estratégia de como administrar a carreira, o calendário e o ranking, como bem vimos nas críticas de alguns dos leitores ao calendário de Bellucci, críticas que não endosso. No entanto, com mais esta escolha de “cruzadinha” Wozniacki, fica um pouco mais claro uma das razões da moça ser a 1ª do ranking, vencendo, mais do que qualquer outra, inúmeros torneios, mas fracassando nos grandes eventos, que é quando os grandes campeões são forjados.

Talvez, porque não, seja mais uma razão para ela investir no recente relacionamento com o irlandês Rory McIlroy, jovem golfista que, apesar da pouca idade (22 anos) e ainda escassos títulos na carreira, surpreendeu o esporte ao vencer, em Junho, o U.S Open de golfe. Talvez ele possa inspirar, ou ensinar, uma coisa ou outra à moça.

Caroline e Rory – conversando sobre Grand Slams

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sábado, 27 de agosto de 2011 Tênis Masculino | 18:20

Irene

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Dizem que o hábito de dar nomes femininos aos furacões é uma tradição herdada da Marinha americana, lembrando que, para eles, navios são femininos. O temperamento das tempestades mais do que provavelmente também fez com que os metereologistas não se preocupassem em mudar a tradição. No final dos anos setenta, as feministas conseguiram fazer com que nomes masculinos também começassem a ser usados – elas se indignavam com tal “preconceito”. Mas o tal do Irene está aí para mostrar que a tradição tem sua força. Mas as mulheres podem ficar sossegadas, alguns nomes masculinos estão na lista. Sim, existe uma lista, pré-preparada pelo Centro Nacional de Furacões – lá nos EUA. Coloco a lista para 2011 no fim do Post

Irene deve chegar a New York na madrugada de sábado para domingo. Acabei de ver o chefe do CNF dizer que deve passar por cima de NY e causar muita chuva, muito vento, ressaca, danos materiais menores e derrubar muitas árvores. Deve ser uma droga para jogar!

Olhei nos sites de metereologia e eles indicam que após a tempestada na 2ª feira o dia será de sol, algo que a gente aprende desde de criança. Só que a prefeitura da cidade está afirmando que não sabe quando os transportes coletivos voltarão a funcionar, provavelmente na 2ª feira á tarde, o que deixará a mega cidade um caos nesse dia. Na verdade, parece que eles estão fazendo o possível para alarmar a população para que essa se proteja e evitem maiores fatalidades. Até porque New York é uma cidade acostumada e preparada para muita mer.., mas não tem a cultura dos furacões, como a Florida ou Louisiana. E isso depois de um pequeno terremoto ter surpreendido a todos – lá não é um local normal para nenhuma dessas manifestações da Natureza. Será que eles estão pensando em Sodoma e Gomorra?

Os organizadores do U.S. Open cancelaram o tradicional evento de Domingo – Arthur Ashe Kid’s Day. Como o evento é em torno de crianças, acharam melhor não assumir riscos desnecessários, até porque Domingo será o pior dia da tempestade em New York.

O site do torneio diz que a chamada dos jogos de 2ª feira está mantida e não será mudada, pelo menos até Domingo à noite, quando novas avaliações serão feitas. Por enquanto, os portões se abrem às 10h e os jogos começam às 11h locais, 12h horário de Brasília, horário que os canais ESPN começam sua mega transmissão. Os três canais estarão envolvidos – ESPN-BRASIL, ESPN E ESPN HD, diariamente, das 12h até o término do ultimo jogo da seção noturna. Mais um show de transmissão para os fãs do tênis.

A lista atual para as tempestades nos EUA: Irene, Jose, Katia, Lee, Maria, Nate, Ophelia, Philippe, Rina, Sean, Tammy, Vince, Whitney.

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quinta-feira, 25 de agosto de 2011 Light, Tênis Masculino | 11:45

Off Broadway

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Essas semanas anteriores aos Grand Slams são sempre diferenciadas para os tenistas. As diferenças dependem, óbvio, de cada um deles. Mas, mais importante ainda, de suas colocações na grade de valores mediáticos e também da cidade onde estão.

Se a cidade é Paris a ênfase será em bons restaurantes, alguns passeios turísticos, talvez até um ou dois museus, rapidamente, e umas festinhas à noite. Em Londres a procura pelos teatros do West Side é prioridade – mas o pessoal fica mais no suburbano bairro de Wimbledon e não se arriscam muito à Londres, a não ser se algum bom show de rock estiver rolando.

New York é outra história – rock’roll total. Os tenistas ficam em hotéis em Manhattan, longe de Queens, onde acontece o evento, porque, afinal, ninguém é de ferro. Jantares foras todas às noites, fora as festinhas. Compras, porque por lá tem tudo, a um preço imbatível e ainda falam a língua que todos entendem. Museus, talvez. Teatros na Broadway, com certeza, off Broadway, nem sabem o que é. Shows de rock é só alguém lhes dar um ingresso.

Mas tem um programão, que é para poucos e ainda mais atraente; oportunidades de ganhar dinheiro fora das quadras. O que enche mesmo o bolso dos tenistas, melhor dizendo, transborda, são os contratos de patrocínio. Lógico que é para poucos e bons.

Quando os atletas fazem esses grandes contratos, além do direito de imagens, os contratantes exigem um determinado numero de datas – aí que o bicho pega – quando o atleta ficará disponível, por determinado tempo, para atender a imprensa, tirar fotos, fazer vídeos, cocktails e jantares com pessoas escolhidas.

Para atender a imprensa, o local é New York, o centro do universo. Essa semana, cachorrões e cachorronas ficam a mil por hora com esses afazeres. Para quem está atento à internet, vão encontrar menções sobre essas ações.

Uma delas me chamou a atenção. Já tinha lido anteriormente sobre o assunto e já havia ficado com a pulga atrás da orelha – Rafael Nadal endossando uma marca de bebidas – e não é uma mera cervejinha. É um destilado mesmo, dos pesados. Rafa foi escolhido como embaixador da companhia para uma campanha sobre beber responsavelmente, aconselhando a não passar de uma medida, o que é totalmente subjetivo e encoraja o beber, pelo menos, até aquele medida. Não é a primeira vez, afinal bebidas e cigarros sempre fizeram qualquer coisa para estar em esportes e atletas se beneficiaram disso, mesmo que indiretamente, durante décadas. Mesmo assim, nestes tempos de politicamente correto a gente ve de quase tudo e um atleta com um copo na mão e endossando um destilado é, no mínimo, intrigante.

Esta semana, em New York, Nadal participou de uma mega press conference, com entrevistas, fotos, imprensa e drinks. Me chamou ainda mais a atenção o fato de Rafa ter concordado em ser fotografado com um belo copo de bebida na mão, algo que eu até duvido que ele beba. Mas, afinal, o premio ali deve ser maior ainda do que irá ganhar nas próximas semanas em quadra – o que não é pouco.

Rafa e seu drink

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terça-feira, 23 de agosto de 2011 Tênis Feminino, Tênis Masculino | 17:46

Perigo à vista

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Os americanos são mesmo umas peças. Nem sei mais se a questão é esse negócio de “politicamente correto”, já que essa causa eles abraçam quando querem e sob o prisma que bem entendem. Depois que eles “decidiram” que a batata frita (french fries) passaria a ser chamado de batatas da liberdade (freedom fries), após os franceses não comprarem a idéia de eles invadirem quem e quando quisessem, eu acredito quase em qualquer coisa.

A organização do evento, com o consentimento, eu diria com a orientação, da Federação Americana de Tênis, decidiu que Serena e Venus Williams não terão um “ranking” diferenciado para a determinação dos cabeças-de-chave. Eles irão obedecer o ranking da WTA.

É bom lembrar que em passado recente eles fizeram escolhas diferentes nessa área, algumas bem criticadas outras nem tanto. Lembro quando eles deram um “downgrade” em Alex Corretja, que colocou a boca no trombone nos vestiários e na mídia e houve até ameaça de boicote – tanto lá como em Wimbledon que é bem mais “politicamente incorreto”. O fato ajudou a eleger Corretja presidente da ATP, fato que ajudou a colocar o tênis americano no caixão que hoje vive. Mas isso é outra história.

Como Serena é a #29 do ranking, ela pode, teoricamente, enfrentar uma das cachorronas logo na 3ª rodada. Lembrando que recentemente Serena vem chutando as meninas à gosto. Só para complicar, Venus sequer será cabeça de chave, podendo cair logo na 1ª rodada com a irmã ou, por exemplo, com a “cruzadinha” Wozniacki, que não deve estar gostando nada dessa história.

Fechando o assunto, e voltando à questão das ambiguidades americanas, se vocês abrirem o site do torneio hoje, duas das cinco notícias principais do evento são sobre Serena e a chamada principal do evento é uma foto-montagem de Djoko e Serena. São mesmo “politicamente corretos” enquanto objetivamente incorretos.

Serena – estrela e favorita, mas cabeça de chave não….

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segunda-feira, 22 de agosto de 2011 Tênis Feminino | 13:22

Enlouquecidas em New York

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Comendo por fora, Maria Sharapova volta a ser um fator no circuito feminino. A fashionista russa já é a #4 do ranking, após a vitória em Cincinnati, sobre Jankovic em quase 3hs de jogo por 4/6 7/6 6/3, e vai para New York como uma das favoritas, sob as luzes da ribalta que ela adora. Afinal, a moça ganha mais dinheiro do que qualquer uma de suas adversárias graças ao seu “trabalho” fora das quadras, no que ela é muito boa, e New York é o centro do universo para tirar proveito desse fator. Se você pode vencer lá, pode vencer em qualquer lugar.

Eu diria que Maria e Serena Williams, outra que vem aos poucos se impondo novamente e que apesar do longo tempo longe das quadras tem mais pegada do que qualquer uma, são as favoritas ao último título de Grand Slam da temporada. O diferencial a favor das duas seria a maior experiência em títulos nos grandes eventos e o piso, rápido, que as ajuda. Serena adoraria mostrar que ainda pode, especialmente dentro de casa, na frente do público mais indócil dos GS, um perfil que ela deve adorar. Isso sem falar que ela deve ter aquela quadra central engasgada.

Mas, do jeito que as gatas andam se estranhando, a nova geração deve ter péssimos planos para acabar com a festa de ambas e começarem a se impor de uma vez por todas. Azarenka, Kvitova, Na Li e, por que não, Wozniacki, todas têm cacife para entrar nessa briga. Isso sem contar com algumas outras, como Zvonareva, Radwanska, Jankovic, Kuznetsova e, por que não, Ivanovic, que podem enlouquecer na Big Apple e surpreender.

Sharapova x Jankovic – as duas se odeiam desde os tempos de meninas.

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domingo, 21 de agosto de 2011 Tênis Masculino | 20:50

Artista e sofredor

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As realidades mudam e todos, inclusive os fãs, tem que se adaptar. Gostem ou não. Até alguns anos atrás era muito difícil um tenista sair da quadra, a não ser que estivesse pela hora da morte e somente por conta de contusão inesperada. Hoje em dia, os caras não têm muito conflito interno em marchar até a rede, cumprimentar o adversário e mandar uma banana para o público. Tenho certeza que alguns “fanáticos” vão vestir a carapuça e chiar, mas é o pessoal que descobriu o tênis agora e está aprendendo dentro dessa nova realidade. Pragmática, porém contestável.

Após tirar benefício do mesmo raciocínio na semifinal, quando Berdich lhe apertou a mão, Djokovic deu sua entrevista dizendo que já sabia do problema de Berdich e que ele tinha algo semelhante. Perguntado o que, respondeu que era “exaustão”, o que é compreensível. Hoje, após cumprimentar Murray, disse que o problema era o ombro, que não podia sacar, nem bater de direita. Mas após um primeiro set bem disputado começou uma serie de encenações que anunciavam o que vinha pela frente. Até a Poliana lá em casa cantou a bola.

Eu já havia escrito que estava cheirando essa delícia. Perdendo, ele aliviou um pouco a panela, que iria – vai de qualquer jeito – chegar chiando em New York, onde a imprensa americana e mundial espera o sérvio de braços abertos. Lá o bicho pega.

Bom para o Murray que após jogar pedrinhas no Canadá venceu um Masters 1000 sem perder um set, o que não é brincadeira. Ainda acho que o melhor cenário para o tênis seria a conquista de um Grand Slam por parte do britânico, o que lhe daria a confiança necessária para se tornar o jogador que pode ser – e, diria mais, lhe abriria o caminho para ser #1 (Xiii, marquinho, lá vem a turba!!). Mas, enquanto não ganha, seguirá sendo esse tenista sofredor em quadra que pode tanto nos encantar como um  artista campeão como nos irritar como um mega desperdício.

Andy Hulk Murray – sofrendo e vencendo.

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sábado, 20 de agosto de 2011 Tênis Masculino | 21:31

Final de Cincinnati

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A vitória de Andy Murray sobre Mardy Fish na semifinal de Cincinnati teve um sabor de vingança para o escocês. No ano passado ele foi eliminado pelo americano, que iniciava a reviravolta em sua carreira, em uma partidaça, resolvida no TB do 3º set. Além disso, o americano tinha 4 vitórias em 7 confrontos, o que devia ser um certo incomodo para o #4 do mundo.

Murray vai enfrentar na final adivinhem quem?  Ficar dando detalhes da temporada de Novak Djokovic está se tornando redundante. Mas já que é uma final, aqui vai. Sua vitória sobre Thomaz Berdich foi a 57ª do ano. Ele vai tentar vencer o 6º Masters 1000 da temporada, mais um recorde para o sérvio, que corre atrás de um outro recorde que daria muito o que falar, principalmente nos EUA; bater o de John McEnroe que, em 1984, venceu 59 dos primeiros 60 jogos da temporada. Ele precisa bater Murray na final de amanhã e mais dois jogos em Nova York, onde seria a grande vedete da mídia.

Só que o talentoso escocês não é flor que se cheire. Além de adorar jogar sobre o piso duro rápido, como o de Cincinnati, onde venceu em 2009, Murray e Djoko formam uma das grandes rivalidades da nova geração – ambos têm a mesma idade. Já se enfrentaram nove vezes, com seis vitórias do sérvio, sendo uma delas na final de Cincinnati de 2009, que faz parte da série das três vitórias consecutivas de Murray, que na época indicava que daria seu grande pulo, enquanto Djoko tinha suas dificuldades com o serviço e a definição de seu estilo, algo que, aparentemente, resolveu, e que o britânico não. Mas, quanto mais Djoko se aproxima de McEnroe, mais aumenta a pressão sobre ele. Talvez, por um lado, até seria bom para ele perder amanhã e chegar ao US Open com menos tititi e mais à vontade para o 3o título d GS da temporada, que deve ser sua grande meta do que resta da temporada.

A razão oficial de Thomaz Berdich para abandonar a partida de hoje, imediatamente após perder 0 1º set, depois de sacar em 5×4, será por conta do ombro, que sentiu na partida anterior. Mas para mim, a razão é exatamente aquela que o separa de um jogador como Rafael Nadal, que nunca faria um papelão desses e que, não custa lembrar, foi uma das características de Djokovic que sumiram em sua nova e vencedora fase. Alguém sacar para vencer o set em uma semifinal, deixar escapar, perder 11 dos 12 pontos seguintes e ir á rede apertar a mão do adversário exige uma personalidade que não condiz com a de um grande campeão.

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quinta-feira, 18 de agosto de 2011 Copa Davis, História, Minhas aventuras, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 12:08

Pegou?

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O Animal Nadal queimou os dedos da mão direita ao pegar em um prato quente que lhe foi servido em um restaurante em Cincinnati. Fico imaginando se o restaurante insistiu em cobrar aquele absurdo que vem virando padrão nos States, variando de 15 a 25% de serviço sobre a comida – os caras são abusados. Por conta disso, o espanhol está usando proteção nos dedos e mencionou o assunto na entrevista após bater Benneteau.

A história me lembrou de outra ainda mais curiosa e interessante.

Em 1997, no confronto de Copa Davis entre Brasil e EUA, em Ribeirão Preto, o time brasileiro estava alojado em uma tremenda casa, no alto de uma colina. Só os tenistas e a pequena equipe técnica. O pessoal de serviço da casa vinha durante o dia e saia à noite. A cozinheira, que seguia nossas indicações de cardápio, preparava e servia o jantar para cerca de 10 pessoas e depois partia e só voltava pela manhã.

Na noite anterior à estréia, como acontecia todas as noites, um pouco antes de deitar os tenistas visitavam a cozinha para fazer um lanchinho. Na manhã seguinte, Gustavo Kuerten jogaria contra Malivai Washington. O catarina foi preparar alguma coisa no forninho, usou um prato de vidro e quando foi retirar o prato deu aquela escorregada mental pegando o prato com a mão direita. O seu grito gerou o maior banzé na casa.

Eu olhava aquela bolha crescendo e pensava fo……  Logo após ligar para o médico, tratei de avaliar o tamanho do problema – foi aí que o drama deu lugar à comédia. Eu queria que Kuerten pegasse a raquete e visse se a bolha estava atrapalhando ou não. Como o local era no polegar, um pouco para cá ou para lá fazia uma enorme diferença. Mas não é que o cara não sabia como segurava a raquete??!! Eu olhava para ele e perguntava – como não sabe? Ele respondia – não sei pô, só jogando! Eu coloquei a raquete no chão, falei para ele olhar para os lados, pensar em outra coisa, abaixar, pegar a raquete e ver se incomodava. Ele fazia, virava para mim e dizia – não sei! Só jogando!

Ficamos naquele papo de louco por um tempo até que não me restou alternativa. A casona tinha, além de um belo campinho de grama, onde tirávamos um gol a gol após o almoço, uma quadra dura de tênis. Às 22:30h ligamos as luzes, pegamos um balde de bola, e as raquetes, e lá fomos nós para a quadra. Algumas bolas foram lançadas na direção do tenista que no instinto fez a sua pegada, bateu algumas direitas, esquerdas e sacou. Com um sorriso de alívio virou para nós e anunciou: não pega!!

Só como curiosidade, para quem não conhece a história do nosso tênis. O Brasil perdeu por 4×1 para os EUA de Washington, vice em Wimbledon, Courier, bi em Roland Garros e Austrália, finalista em Wimbledon e US Open, e a então dupla #1 do mundo O’Brian e Reneberg. Kuerten perdeu para Washington 3/6 7/6 7/6 6/3, Meligeni perdeu para Courier 3/6 6/1 6/4 4/6 6/4, Kuerten e Oncins bateram O’Brian/Reneberg 6/2 6/4 7/5 (uma aula de duplas!), Courier bateu Kuerten 6/3 6/2 5/7 7/6 – este TB foi longo e se fosse para o quinto seria uma beleza! A quinta partida, mais uma derrota de Meligeni, para o duplista O’Brain, ocasião também de um incidente que mostrou bem o caráter do tenista, e uma hora eu contarei, e que sacramentou o afastamento entre eu e ele.

O confronto aconteceu em Fevereiro de 1997 e colocou um fim a 10 anos de invencibilidade do time brasileiro jogando em casa, um recorde do qual me orgulho e que não será batido tão cedo. Três meses depois, Gustavo Kuerten começava sua marcha para glória em Paris.

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