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Arquivo de abril, 2011

sexta-feira, 29 de abril de 2011 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 00:53

Passo Fundo

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Soube durante o dia da intenção do gaucho Marcos Daniel, de 32 anos, de abandonar a carreira. Não chega a ser uma surpresa, mas não deixa de ser uma perda para o tênis nacional.
 
Acompanhei a carreira de Marcos, quase sempre à distância, desde os seus tempos de juvenil. Como chegamos a dividir o espaço do tênis durante algum tempo, dividimos algumas histórias que talvez um dia eu me anime a contar.
 
Importante é dizer que após tanto tempo de carreira, ou carreiras, junto ao tênis, vejo minha trajetória mais como o exercício de uma paixão do que um trabalho. Com isso, aprendi, graças a Deus, a avaliar a carreira de outros por uma luz distinta do torcedor, do praticante ou mesmo do diletante.
 
O que torna uma carreira um sucesso? É simples e simplista dizer que é o numero de títulos e recordes conquistados. É, mas não só. Sob a luz que mencionei, o homem por detrás da carreira tem tanta importância como seus números. E nesse quesito Marcos Daniel leva vantagem sobre muito tenista famoso que fez do marketing pessoal o principal quesito de sua carreira. E tambem por esse quesito, aprendi, sem esforço, a gostar do jovem e, no devido tempo, admirar o homem por trás da raquete.
 
Com certeza, Marcos Daniel gostaria de mais taças em suas estantes e mais reais em suas contas. Mas, até que em termos de torneios Challengers ele foi bem – foram 22 finais e 14 títulos, o ultimo conquistado em São Paulo sobre Thomas Bellucci em belíssima final. Melhor ainda se pensarmos em termos de seu palco favorito, as quadras de terra da Colômbia, onde conquistou oito títulos em Challengers e chegou a ficar 22 partidas invicto, sem pensar em mudar seu passaporte.
 
Conversando com ele há cerca de um ano ele me confessou que pretendia permanecer dentro do tênis após encerrar a carreira de tenista profissional. Isso me pareceu bem claro em sua mente e planos não lhe faltavam. Na época, me assegurou que ainda não tinha data marcada para o abandono, mas que não demoraria muito.
 
É sempre difícil para o tenista fazer a decisão final. Geralmente passam da hora, muitas vezes antecipam e não raro permitem que as circunstâncias determinem. Marcos vinha ruminando a aposentadoria há algum tempo, pensava e falava sobre ela, mas foi só quando o corpo cansou de enviar sinais negativos, que o impediam de exercer sua paixão, que tomou a decisão.
 
Mesmo com todas as dores – o homem é uma aula de anatomia ambulante – Marcos tentará jogar um ultimo torneio; significativamente, Roland Garros, daqui a um mês. Para realizar seu ultimo sonho, dependerá, mais uma vez, das circunstâncias, já que precisará da desistência de três tenistas antes do início do evento de qualificação. Se entrar e realizar seu sonho, conto uma história, gozada a beça, envolvendo o garoto de Passo Fundo e o torneio parisiense. 
 

 

Marcos Daniel e Paulo Cleto há pouco tempo.

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quarta-feira, 27 de abril de 2011 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 14:37

Injeção

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A confiança do tenista é algo tão tênue e misterioso que não existe uma regra única para como conquistá-la ou perde-la. No entanto, uma das variáveis mais conhecida para ela chegar é a vitória apertada – aquela conquistada na hora da onça beber água.

Foi isso que Thomaz Bellucci conquistou hoje, mais uma vez, ao bater o francês Roger Vasselin em Portugal em quase três horas de jogo e salvar dois match-points. O adversário em si não é nada em especial. Mas a vitória, repleta de dificuldades, alternâncias (Thomaz sacou para fechar no 2º set) , catimbas, pode dar uma injeção na veia do brasileiro.

Como ele vem batendo na trave a alguns jogos e agora está nas quadras onde está mais confortável, talvez o conjunto faça a diferença que ele e o técnico Passos estão esperando.

Enquanto isso, Ricardo Melo conseguiu uma boa vitória, sobre John Isner, sempre mais vulnerável no saibro, mas sempre um perigo. Porém não conseguiu se inspirar e vencer um tenista mais frágil, mas sempre perigosos, como o desconhecido Blaz Kavic.

A dupla campeã de Blumenau e Santos, Andre Sá e Franco Ferreiro, fizeram uma longa viagem até Belgrado em cima da hora, por conta da final em Santos, e perderam logo de cara, o que não chega a ser uma surpresa. Muito vôo, muito fuso horário, muitos erros.

Bellucci – mais uma injeção de confiança

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terça-feira, 26 de abril de 2011 Juvenis, Tênis Masculino | 13:45

Tuiteiro

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Quem pensa que isso só acontece em países não-desenvolvidos ficará surpreso com a notícia. Eu não fiquei.

O Diretor de Desenvolvimento da USTA, a Federação Americana de Tênis, Patrick McEnroe entrou em lavação de roupa publica com o jovem tenista Donald Young. Isso porque o tenista publicou uma série de ofensas à Federação no Twitter. Coisas do tipo “F… a USTA, eles são cheios de M… Eles me f…. pela última vez” tudo acompanhado pela versão sem censura do sucesso de Cee Lo. Fino o rapaz!

Tudo por conta do convite que a USTA tem para distribuir em Roland Garros. Os americanos têm a tradição de realizar um torneio para determinar o escolhido. Young achou que deveria ter ido para ele, mas aceitou jogar o torneio e, após perder para Tim Smiczek na final o rapaz pirou e foi se expressar na internet.

Donald, #95 no ranking e 21 anos, já recebeu 13 convites para diferentes chaves no Aberto dos EUA, o que deve ser um recorde, além de dinheiro para despesas com viagens e treinamentos patrocinados desde 2005. Mas o rapaz acredita que “eles” só o f…..

A USTA e os pais (sempre os pais!) do rapaz têm uma história de conflitos. Isso é quase padrão em qualquer lugar. Os pais só vêem o próprio umbigo, por mais que sejam ajudados. Imaginou o Donald por aqui?

McEnroe diz que as ofensas no Twitter são só a ponta do iceberg das posições do rapaz e família com a USTA e por isso demanda desculpas publicas do rapaz, o que seria o mínimo. O fato é que se fez uma enorme expectativa em cima de Young – que seria a próxima grande estrela do tênis americano, a família sonhou com a grana, a federação com os títulos, o tenista com todas as benesses do sucesso e por aí afora.

Donald venceu o Aberto da Austrália aos 15 anos, foi #1 do mundo como juvenil, mas não decolou no profissional. Seus melhores resultados são nos Futures e Challengers e não entre os big dogs, onde seu tênis não aparece. Recentemente venceu um torneio menor em Tallahassee, sua especialidade, que, junto com a vitória sobre Murray em Indian Wells o levaram a acreditar que a USTA ignoraria os outros tenistas que disputam o torneio pelo convite. Se deu mal, fora e dentro da quadra.

Abaixo Donald e seu vídeo favorito.


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segunda-feira, 25 de abril de 2011 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 11:39

A semana

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Começa hoje em Belgrado a temporada de Novak Djokovic sobre a terra. O torneio é da família Djokovic o que, em circunstâncias normais, poderia ser considerado um conflito de interesse. Em tempos atuais é visto como um investimento da família no esporte sérvio. O torneio é um evento secundário que consegue arregimentar uma chave bem mais forte do que qualquer torneio latino americano. São sérvios, espanhóis, japoneses, argentinos e até o brasileiro Ricardo Melo que enfrenta na 1ª rodada o americano Isner. A semana em Belgrado serve para a torcida sérvia matar as saudades do melhor tenista do mundo da temporada, e homenagear os atuais campeões da Copa Davis das mais diversas maneiras.

Thomaz Bellucci passa a semana em Lisboa jogando nas quadras do Estoril. O torneio, sempre restrito, são três eventos na Europa na mesma semana, mas sempre arrojado, desta vez levou Soderling, Verdasco, Tsonga, Simon, Raonic, Del Potro entre outros. É uma bela chave para as circunstâncias e uma grana preta em garantias. É um belo lugar, incrustado entre Cascais e Sintra, oferecendo um charme especial aos tenistas. O evento ganhou, em 2010, o Prêmio de Marketing da ATP, o que demonstra os esforços de João Lagos, dono do evento, e ajuda assegurar a participação dos patrocinadores.

O torneio de Munique é um evento acomodado, que nunca teve ambição de crescer, mas que prossegue sólido como as montanhas próximas à charmosa cidade bávara. O torneio existe desde 1900, o que deve deixar sofasistas de cabelo em pé e é realizado no Clube Iphitos desde 1974. O pessoal que aparece por lá é outro. Davidenko, Youzhni, Wawrinka, Cilic, Kohlschreiber, Stakhovsky. É a turma do lado de lá. As quadras são pesadas para danar, uma característica local, até pelo clima molhado. Só tem um latino americano inscrito e nenhum espanhol, uma raridade no saibro.

Duas boas notícias para o tênis brasileiro na semana passada. A nova conquista de João “Feijão” Sousa. O rapaz venceu o Torneio de Santos, o que o levou ao 148º lugar do ranking. É mais um respiro que os torcedores do tenista paulista dão na expectativa que uma hora o rapaz consiga engrenar, pegar confiança e começar a conquistar as vitórias que seu talento possibilita.

A outra é o fato de que Andre Sá igualou o numero de conquistas de títulos de duplas em torneios Challengers ao vencer Santos com o parceiro Franco Ferreiro. Mas isso é razão para outro Post.

Tenistas sérvios reconhecidos pelo seu país – bando de burgueses e seus passaportes diplomáticos.

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domingo, 24 de abril de 2011 Tênis Masculino | 14:00

Animal que ronda

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Deixando transparecer certa conformação, minha mulher me perguntou logo cedo que hora seria a final de Barcelona, para ver por quanto seria a derrota de Ferrer. Percebi uma certa ironia na pergunta. Só para descobrir, o que me deixou mais contente, que ela deu mais um passo em seu relacionamento com o tênis, ao torcer, sem pudores, pelo Ferrer, o que garantiria um melhor espetáculo. Pouco adiantou.

Ferrer continua respeitando, mais do que a conta, o seu maior adversário. No segundo set chegou abrir 4×2, sacando para ampliar. Não conseguiu. Perdeu quarto games seguidos.

Se engana redondamente quem pensa que Ferrer jogou mal, ali ou em algum outro momento. Ele jogou muito tênis. O tênis mostrado por ambos é quase uma aberração pela qualidade dos golpes e o incrível atleticismo. Porém, Ferrer ainda faz parte dos poucos mortais que jogam muito tênis, mas não conseguem manter o mesmo alto padrão em todas os pontos disputados.

O que pode causar severos danos emocionais a ele Ferrer, e a outros talentosos mortais com uma raquete na mão, é que do outro lado da rede ronda um animal que está em outra dimensão tenistica. Sei que meus leitores precisam se manifestar, o que acho ótimo. Para ajudar a evitar que descarrilem por caminhos menos produtivos, deixo a eles a tarefa de publicar alguns dos números que Nadal consolidou com a conquista do Torneio de Barcelona.

O Animal em Barcelona

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Light, Tênis Masculino | 13:08

Como é que é?

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O tênis não anda tão em alta no Jornal Nacional da Globo, desde que eles levaram Gustavo Kuerten para um bate papo ao vivo por ocasião de sua aposentadoria. Mas me causou uma severa surpresa que a moça que apresentava o JN de ontem conseguisse a proeza de errar a pronuncia dos dois nomes de David Ferrer enquanto falava dos feitos Rafael Nadal e a final de hoje em Barcelona.

Isso porque a TV Globo é conhecida pela rigidez de seus padrões e pela preocupação, às vezes até maior do que necessária, com a pronuncia de nomes estrangeiros. De qualquer maneira, a produção comeu bola ao deixar a moça mudar o nome do operário tenista espanhol sem seu conhecimento e autorização.

David foi pronunciado como se fosse inglês, tipo David Beckham, e Ferrer, foi pelo mesmo caminho, ao ser pronunciado como o do ótimo ator porto-riquenho americano Jose Ferrer, que ganhou o Oscar com o narigudo Cyrano e é ainda mais conhecido por ter sadomizado o Laurence da Arábia do que por ser tio de George Clooney e primo da especialista em duplas Gigi Fernandes.

David Ferrer, Jose Ferrer ou David Beckham?

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quinta-feira, 21 de abril de 2011 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 21:48

Grande jogador

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A maneira como Rafael Nadal arrasou o imprevisível, definição do espanhol, Santiago Giraldo, que na 1ª rodada bateu Thomaz Bellucci, expõe o abismo que separa o brasileiro e Rafael Nadal.

Não que isso seja uma novidade para mim, e para os eternos críticos do tenista brasileiro, dos quais não faço parte, apesar de chegamos a mesma conclusão, por razões distintas, já que eles, críticos perenes, adoram simplesmente descer a lenha em que desaponta seus confortáveis e pueris sonhos de torcer por um melhor do mundo, seja no esporte que for.

Quando fiz, recentemente, as comparações entre o tênis do espanhol e o do brasileiro, muitos não entenderam – o que posso fazer? Não se aflijam sofasistas, porque até um ex-tenista juvenil, que teoricamente teve tempo de aprender algo sobre o esporte e a leitura, fez pouco de meu comentário.

A contundente vitória de Nadal em Barcelona só deixa mais evidente o meu ponto. Rafael Nadal é, atualmente, muito mais jogador do que Thomaz Bellucci. A diferença é que muitos se enganam ao acreditar que o X da questão trata de direitas e esquerdas. É só prestar atenção ao que eu disse que Nadal é superior – jogador.

Existe uma diferença enorme entre bater bem na bolinha, ter arsenal e golpes contundentes e ser um grande jogador. Achei que a definição da palavra bastasse para explicar o conceito. Achei que sair do sofá bastasse para alguém entender. Hoje nem essa certeza eu tenho.

Enquanto isso, meus leitores continuarão ensandecidos sem nem saber direito por que. Enquanto isso, Rafael Nadal continuará a ser o melhor do mundo, por razões que ele, seu técnico e seus adversários bem entendem, apesar de que seus fãs nem tanto. Enuqanto isso, Thomaz Bellucci continuará a não frequentar o mesmo paraíso e, suspeito, ele não entenda bem o por que e seu técnico, que já treinou um grande jogador, bem deve entender.

O que nos leva ao X da questão. O técnico Larri Passos conseguirá fazer Bellucci entender os conceitos que fazem de um tenista um grande jogador?

Rafael Nadal e sua intensidade.

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quarta-feira, 20 de abril de 2011 O leitor escreve, Porque o Tênis., Tênis Brasileiro | 08:44

Porto das Pedras

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Recebo uma mensagem do nosso Barão, figura indócil que não se contenta em ser mero leitor do Blog, agitando, com elegância perene, o network e a diplomacia do ambiente. Flávio B, como também é conhecido, mantêm vasta rede de contato com leitores e envia este email que lhe chegou, enviado por outro leitor. Como o assunto é relevante, interessante e pitoresco, não hesito em dividir com os meus leitores.

Aproveito e envio os meus parabéns à Prefeitura de Porto de Pedras, Alagoas, pela iniciativa que demonstra uma paixão verdadeira pelo esporte, além de uma consciência social ímpar neste país onde o falatório e as promessas vãs são padrão e as ações públicas em benefício do esporte tendem a ser relegadas a um papel secundário ou interesseiro.

Abaixo, com a palavra, Tácito Albuquerque, de Alagoas.

Não se pode querer que surjam novos “Gugas” a cada temporada, isso é impossível. Nossa base é que precisa de mais lastro. Um dos grandes pecados do Brasil é o número de quadras públicas que existem, pouquissimas.

Pra ser sincero não é por falta de condições, pois em fevereiro deste ano fui à cidade de Porto de Pedras, litoral norte de Alagoas e visitei esta cidade de apenas oito mil habitantes, pequenina. Pra se ter uma idéia, a fachada da prefeitura não tem dez metros de largura. Pois bem, eles construiram três quadras de saibro muito bem instaladas, coincidentemente na mesma rua da prefeitura, na verdade se não fosse na mesma rua, seria na outra que fica atrás, ou em algumas transversais, não tem mais opções.

Mas estão lá, construídas, com professor contratado e pago pela municipalidade dando aulas todos os dias a cento e sessenta crianças e jovens do município. Um exemplo que deveria ser copiado. Se por um acaso isso fosse comum nas cidades brasileiras, nós teríamos uma oferta muito maior de tenistas no dia a dia.

Além do que tira das ruas os jovens que não têm opções de trabalho, criando no esporte uma esperança de dias melhores, sem ter que enveredar pelo mundo das drogas. Neste dia que
fui era um domingo à tarde, não tinha nenhuma atividade nas quadras, mas das crianças que encontrei na beira mar quase todas jogavam tênis e me disseram que gostavam de
praticar esse delicioso esporte.

Inclusive a prefeitura oferece as bolas e as raquetes para os alunos, quem controla e guarda nas dependências do complexo é o professor Edinho, este forte que aparece em algumas fotos, que é o responsável por toda estrutura, um exemplo para o estado e ao país.
Segue em anexo algumas fotos do complexo de tênis construído em 09/06/2006 pelo pequenino municipio no litoral norte de Alagoas, distante 110 km de Maceió.

Sds Tacito Albuquerque

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terça-feira, 19 de abril de 2011 Tênis Masculino | 13:46

Fechando Monte Carlo

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Só para encerrar o capitulo Monte Carlo, que já se foi tragado pelo Mediterrâneo, fecho algumas pendências.

Começando sobre a tática utilizada pelo Jurgen Melzer, que fez uma diferença na sua vitória sobre o suíço Federer, e sobre a qual deixei aqui um ponto de interrogação. Vários leitores colocaram suas observações, a maioria com bons fundamentos, o que mostra o pessoal atento e entendendo do babado. No entanto, a tática a que me referi não foi mencionada por ninguém. Foi o fato de o austríaco ficar tão insistentemente jogando bolas no centro e fundo da quadra, tirando os ângulos do suíço, que adora tanto as paralelas e ângulos para seus ataques.

Não sei o quanto o fato de ventar bastante naquele dia influenciou a decisão. O fato é que jogando no centro ele obrigou Federer a jogar de volta ao centro, e o obrigou a esperar para efetuar seus ataques ou correr o risco de errar ao tentar criar os ângulos. Eu até me surpreendi com a insistência no início, além do fato de ser a primeira vez que vi alguém fazer isso com Federer, mas ninguém pode dizer que não deu certo.

Outro assunto é a insistência com que alguns leitores diferenciaram o quesito “respeito” do assunto “mental” na derrota de Ferrer para Nadal. O “respeito” em quadra é algo que um tenista adquire, e nutre, por conta de sua postura e conquistas – algo mais para o “tenista” do que o “sofasista” entender, rsrsrs. Ferrer respeita sim o conterrâneo, a ponto de ter dificuldades em jogar seu melhor na hora da onça beber água, que é quando uma partida é definida – vejam o placar da final.

Por fim, percebi o embrião de “discussão”, no bom sentido, sobre Tática e Estratégia. Pena que não evoluiu. Seria muito mais interessante e benéfica que essa discussão tola e que não leva a nada sobre sofasistas.

Eu mesmo me pergunto sobre os limites de uma e outra e tenho cá minhas idéias a respeito. O assunto desperta inúmeras colocações, nas mais variadas áreas e pelas mais variadas pessoas. Complexo, interessante e sobre o qual pretendo me debruçar. Enquanto isso, gosto de pensar que alguns reconhecidos estrategistas e criativos dissertadores do nosso pedaço poderiam contribuir de maneira retumbante. O desafio está lançado a quem se motive.

Aníbal e seus elefantes atravessando os alpes.

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segunda-feira, 18 de abril de 2011 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 11:44

Vitórias e derrotas

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Como a SporTV só vai mostrar Barcelona a partir de quinta-feira, só nos resta imaginar como foi a derrota de Thomaz Bellucci para o colombiano Santiago Giraldo, um tenista imprevisível e perigoso, adjetivos que também podem ser utilizados com o brasileiro.

O jogo foi um festival de quebras de serviço, o que diz algo sobre a velocidade das quadras do torneio e sobre as dificuldades de Bellucci, que teve seu saque quebrado cinco vezes, o que não é pouco em dois sets.

Mais uma vez Thomaz sacou para fechar um set, só para ter seu serviço quebrado e terminar por perder o set. A frustração, mais uma vez, lhe abaixou o espírito e fez com que perdesse o set seguinte de maneira mais fácil do que o primeiro. O rapaz segue tendo dificuldades em lidar com os aspectos emocionais e mentais do jogo de tênis da faixa de competividade que frequenta.

Thomaz ainda não encontrou seu melhor caminho, mesmo sob a direção de Larri Passos, o que deve ser frustrante para ambos. Como não poderia deixar de ser, o técnico bate na tecla de que é necessário paciência com a fase de aprendizado e ajuste. Nem todos os atletas maturam, técnica ou emocionalmente, na mesma idade, e torcedores tendem a ser totalmente cegos à qualquer realidade que não seja seus desejos. Faz parte do trabalho do técnico lembrar desse detalhe a todos os envolvidos. Hoje assisti a um documentário sobre Diego Forlan – que esteve entre ser tenista e boleiro – e que só desabrochou como jogador aos 26 anos e atingiu seu ápice, na ultima Copa, aos 30 anos.

Como Bellucci é um tenista ainda com um emocional instável e, de certa maneira influenciável pelo o que acontece durante a partida, duas verdades paralelas se impõe.

As derrotas lhe fazem muito mal emocionalmente e impedem seu crescimento, na mesma medida que vitórias poderiam lhe trazer aquele algo a mais que faria a diferença em sua carreira. O problema segue sendo que uma derrota indiscutivelmente lhe coloca fora de um evento e todas as consequências que com isso vem, enquanto suas vitórias nem sempre conseguem motivá-lo e lhe dar a confiança necessária de seguir vencendo até a final. Esse é o equilíbrio que Thomaz Bellucci ainda busca.

Thomaz ainda busca seu equilíbrio.

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