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Arquivo de março, 2011

quinta-feira, 31 de março de 2011 Tênis Masculino | 12:42

Hoje bomba

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A quarta feira foi fraquinha em termos de emoção. Todas as quartas de final –femininas e masculinas – decididas em dois sets. Pouco para quem já viveu grandes emoções.

Hoje, na pior das hipóteses, temos Federer e Nadal em quadra, o que garante que as as arquibancadas vão bombar. Federer enfrenta o “Magro” Simon, que deve estar à vontade na lenta Quadra Central. O fato da partida ser à tarde e o tempo estar aberto, deve deixar o jogo mais rápido, o que ajuda o suíço. Mas é um joguinho chato, que exige paciência e ele sabe disso. Ambos sabem.

À noite, Nadal encara o arqui-rival Thomas Berdich. Os dois fingem que se gostam, na pior das hipóteses se respeitam, mas suspeito que não se bicam. Além disso, pegam pesado na bola, o que deixa o confronto de alto risco para juízes de linhas obesos, um padrão nos EUA, e pegadoras de bolas bem jovens, outro padrão por aqui.

O dia vai começar com Sharapova enfrentando a sensação do evento, a dançarina Petkovic, que já avisou: quem gosta que curta, porque depois de Miami não tem mais dança em quadra. Suspeito que houve inveja e pressão para acabar com a festinha da moça. O jogo de ambos é razoavelmente unidimensional, especialmente o da russa, que é mais experiente e forte. A alemã é mais rápida, inexperiente e sem nada a perder. E muito mais simpática e interessante como pessoa, o que conta barbaridades. Suas entrevistas são divertidas, espirituosas, inteligentes e sinceras. O oposto da marqueteira russa/americana.

No ultimo jogo, Vera Zvonareva sempre dando uma de “mineirinho”. Em surdina vai chegando perto de mais uma final. Sua adversária, a Azarenka, está prometendo estourar a algum tempo. Um dia a casa cai. A Clijsters sentiu o peso daquele revés.

Petko – divertida e transparente.

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quarta-feira, 30 de março de 2011 Tênis Masculino | 12:07

Inimaginável

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Nadal, Federer, Sharapova, que nada. O melhor jogo do dia de ontem foi, de longe, a derrota de Aninha Ivanovic para a belga Kim Clijisters.

O jogo entre as duas foi transferido da Quadra Central para a Quadra 2, um local bem mais acanhado, por conta do atraso causado pela chuva. Cheguei lá as duas estavam entrando em quadra, o público ainda sem saber da mudança não tomara os assentos. Eu fui para o reservado da imprensa, a 3m das cadeiras das tenistas. Armado com minha câmera fotográfica, algo que hoje em dia filma a mil maravilhas.

Não vou contar como foi a partida. Basta dizer que as duas deram nas bolinhas com um desprendimento, confiança e talento poucas vezes visto no tênis feminino. São duas tenistas muito talentosas que, quando no dia certo, podem fazer maravilhas com a bolinha.

Mas vamos ao verdadeiro drama da partida, o que a tornou imperdível e inesquecível. Kim venceu o primeiro no TB, em jogo franco e equilibrado. Aninha se soltou e venceu o 2º com confiança e duas quebras, e partiu para o ataque total, abrindo 5×1 no 3º set, para desespero da adversária que, até o fim do 1º set, estivera impiedosa. A mulher parece uma assassina profissional em quadra – fora dela um doce de pessoa.

No 1×5, saque de Clijsters, chegou a ficar 0x40. Atenção: 1×5 0x40!!

A belga, que mandou o técnico catar coquinho a certa altura, tamanha a frustração, começou, ou melhor, continuou, o estilo “vai ou racha”. Só que o que vinha rachando passou a ir. Salvou os 3 MP, Aninha ainda teve outro e Kim salvou mais uma vez.

Ivanovic sacou duas vezes para fechar a partida. Só que Kim seguiu com o estilo kamikaze, que continuou entrando. Em nenhum dos MP, ou mesmo nos games em que sacou para fechar, Aninha teve uma chance real de ganhar e desperdiçou. Foi tudo bomba para seu lado. A mamãe assassina estava maluca.

A partida acabou indo para o TB no set final, quando Kim, mais uma vez, se impôs, para o desespero da sérvia, totalmente necessitada de uma vitória desse calibre. Era tudo que ela precisava para deslanchar, novamente, sua carreira. Ao invés disso, vai passar algumas noites sem dormir, porque uma derrota dessas dói de um jeito inimaginável.

Um detalhe crucial: a Quadra 2 não tinha câmeras de TV, consequentemente esse feito, ou tragédia, dependendo do ponto de vista, não foi gravado. Só eu, e minha maquininha, temos esses match points. E agora vocês podem ver também. Abaixo o vídeo começa no game do 1×5, sendo terminado o ponto do 0x40. Se vocês forem legais, uma hora eu coloco mais.

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terça-feira, 29 de março de 2011 Tênis Feminino, Tênis Masculino | 01:32

E a chuva chegou

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Um dia atípico. Não pela ausência do sol brilhante e o calor massacrante dos outros dias. Bem mais atípico. Algo não frequente nos últimos anos.

O Aberto de Miami teve o privilégio de ter Rafael Nadal e Roger Federer em quadra no mesmo dia, sem estarem em lados opostos da rede. É isso que o fato de eles não serem #1 e #2 do ranking proporciona.

Com isso, os preços dos ingressos mais do que dobraram, tanto os da bilheteria – não me perguntem como – e, especialmente, os que estavam nas mãos dos cambistas. Sim, aqui também.

Foi um prato requintado e imperdível; sentar em dos melhores assentos da casa e assistir os dois maiores rivais das ultimas décadas jogarem duas partidas seguidas. Se valeu? Mordam-se!

Isso sem falar que acompanhei boa parte da vitória da “anta” dançarina, que fez de tudo em quadra, inclusive me calar. Acompanhei a entrevista dela e logo darei mais detalhes. Ahh – “cruzadinha” Wozniacky se amarelou toda!

E ainda pude acompanhar os gemeos Bryan tomarem dois setinhos rápidos do Tipsarevic e do Marach. Os americanos devem estar amaldiçoando essa mania dos singlistas esculhambarem seus quintais.

Como se combinado com os deuses, logo depois das partidas, a chuva, que ameaçou durante todo dia, derramou-se pela Quadra Central. Eu pulei fora, apesar de que o plano original era assistir o Dog enfrentar o Ali e depois curtir a Mama Kim encarar a Aninha. Saí correndo com o início da chuva, já que ficou claro que os dois primeiros ainda poderiam voltar à quadra (como voltaram) com a ajuda da equipe dos rodos, mas meninas logo foram dispensadas. Amanhã tem mais.

O final da partida das meninas eu acompanhei no telão ouvindo um cara com uma voz excelente cantando um belo rocknroll.

Federer voou baixo na vitória sobre Monaco.

Os irmão Bryan não seguraram a onda.

Os rodos para secar as quadras.  

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segunda-feira, 28 de março de 2011 Tênis Feminino, Tênis Masculino | 13:10

Padecendo no paraíso

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Um dia completo de tênis deve passar pela mais completa gama possível de opções para se tirar o melhor proveito da oportunidade.

Uma partida entre dois tenistas diferenciados por seus estilos é um prato cheio de entrada. Michael Llodra é um tenista com um estilo em extinção, para a tristeza dos reais fãs do tênis. Seu oponente de ontem, Marcel Granollers é um daqueles mágicos do circuito. O confronte entre eles foi pau a pau, decidido na bacia das almas depois de muita disputa, drama e oportunidades que é o que enriquecem um jogo de tênis.

Assisti uma dupla feminina só é algo possível, pelo menos para mim, se houver algum encanto a mais em jogo. Isso sempre aparece com a presença de Aninha Ivanovic em quadra – mesmo de parceria com a tal de Petkovic, que pode ser uma gracinha dançando, mas é uma anta consagrada em quadra.

Nada melhor do que pegar o último game da Clijsters, em vitória apertada, tomar um sorvete regado por uma soda gelada, porque o calor dos últimos dias estava de rachar deixando a vida do público e tenistas um inferno (hoje, segunda-feira, o dia amanheceu nublado – chuva a vista) e depois acompanhar a partida que mais prometia no dia: Soderling x Del Potro. Prometia..

Isso porque o argentino deu um chocolate no sueco, que deve estar tentando entender o que aconteceu até agora. E o que aconteceu é que esses dois arrasa-quarteirões das quadras de quase 2m de altura, enfiaram a mão na bola como nunca deixando as arquibancadas excitadas. Mas isso era o esperado.

A vitória do argentino aconteceu, até de maneira categórica, porque esteve mais confiante em quadra, até porque não é o #4 do mundo nem tem que defender ranking – pelo contrário – que era o caso do sueco.

Mas isso não vem de graça. Enquanto os dois davam na bola como gente grande, o que não é difícil no caso deles, um fato me chamou a atenção e não o desconsideraria como o diferencial no resultado.

Del Potro soube misturar, acrescentando, por toda a partida, bolas altas, bolas longas e bolas com peso distinto, às pancadas que retratam seu estilo e o do adversário. Soderling permaneceu na estreita faixa da pancadaria e nela padeceu. Alôôôuuu!!

E antes que alguem venha me lembrar, atualmente não tem jogo do Novak Djokovic. Tem exibição. Até alguem pisar no calo dele.

Aninha sacando. Uma visão e uma dificuldade.

Teve gente que preferiu assistir Llodra no telão.

A torcida argentina acompanhou a vitória do hermano Delpo.

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domingo, 27 de março de 2011 Tênis Masculino | 12:39

Bellucci x Nadal

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Assisti na Quadra 2 a derrota do Thomaz Bellucci. Assisti na Quadra Central a vitória do Rafael Nadal. As minhas observações me levaram a uma breve, e talvez controversa, conclusão.

O brasileiro tem tanto ou mais arsenal técnico do que o espanhol. É muito mais sacador, algo crucial no tênis atual. Tem um drive de direita tão potente e redondo quanto ao número 1. O revés de ambos não é nenhuma brastemp, muito pelo contrário. E vocês escolham quem é melhor voleador.

A diferença entre ambos?

Para Nadal, perder não é uma opção. O cara entende que o tênis é um jogo e por isso ele tem que ser um Jogador. Um conceito que ainda não atingiu a alma do rapaz de Tiete.

Nos momentos bicudos da partida, Nadal abre a caixa de ferramentas e tira de lá uma determinação que o possibilita vencer, na vontade, na briga, na marra, os pontos que são os decisivos do jogo. Quem joga sabe do que estou falando. Tanto sobre vencer pontos na marra, como sobre os momentos cruciais que levam à vitória.

Bellucci passeia por esses momentos sem reconhecer a importância eles. E quando parece fazê-lo não consegue elevar seu padrão, pelo contrário.

A derrota para Blake foi nessa linha. Thomaz jogou muito tênis no 1o set equanto seu oponente parecia estar com a cabeça na lua e sem vontade. Sacou como um monstro, especialmente o “kick” – não vi ninguém sacando daquele jeito por aqui!

Quando Blake brigou para entrar no jogo, Thomaz perdeu seu serviço na hora da onça beber água do 2o set, o que já é um problema, e se viu no set decisivo com um tenista agora motivado e confiante – bem ao contrário de até então.

No set final o brasileiro sentiu a pressão, o jogo ficou tenso e as arquibancadas vibrantes, e se enervou, o que é normal. Enquanto isso, o outro, com aquele jogo de débil mental, ficou na dele. Aliás, um jogo estava difícil de assistir. Não só pelo calor massacrante, que me deixou bronzeado e queimado, como pela ausência de opções de golpes e jogo de ambos. Era assim: você bate forte que eu bato mais forte- e salve-se quem puder.

No fim da história, Thomaz perdeu por não conseguir colocar uma que fosse de três bolas na paralela de revés no 5×5, quando teve 15×40 no saque alheio, em duas delas com o americano vencido.

Quando não conseguiu aquela bolinha que faltou, temeu pelo pior e, como sempre, foi o que aconteceu. Perdeu na bacia das almas – o tie-break- do set final.

Durante a partida, senti que havia momentos que tudo que o brasileiro precisava era mudar um pouco o ritmo do jogo – um slice aqui (pelo amor de Deus, unzinho!!) uma bola alta acolá, uma subida à rede mais audaciosa. Só apresentou uma curtinha, na hora errada, a três metros da rede, na quadra dura, com o adversário mais perdido do que cachorro em procissão, em um 0x30 do terceiro set. Bola para 0x40!

O contraponto foi a vitória, mais uma, de Nadal. E o que eu vi, entre várias coisas?

Nadal não hesita em usar o slice de revés para se defender ou mudar o ritmo para interromper um ataque. Nadal não pensa duas vezes em bater um tremendo top spin com altura e profundidade com as mesmas intenções. E na hora de atacar, enfia a mão tanto de um dado como de do outro. Aliás, o espanhol está trabalhando com uma bolinha nova para as quadras duras: está entrando barbaridades dentro da quadra para bater o revés na subida e apurar o adversário, ao invés de deixar a bola chegar e ser maltratado.

Mais um para o Belo marcar um treino e perceber que o tênis admite, se não é que implora, ser jogado em mais de uma dimensão e com pitadas de criatividade. Sem falar de muita garra e determinação – algo que percebi uma certa melhora do brasileiro que foi, como já escrevi, aplaudido pelos torcedores mesmo na derrota. Um tenista apático não enseja isso no público.

Bellucci – procurando sua melhor identidade em quadra.

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Tênis Masculino | 02:37

Domingão

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Muitas zebras. Não sei as razões, talvez o calor, o que duvido.

Andy Roddick, atual campeão, perder para o uruguaio/argentino Cuevas não é normal. Especialmente na quadra dura. O americano está doente, com certeza gripe e suspeita de algo mais grave. No fim, azar dele e sorte do outro que soube aproveitar a oportunidade.

O Melzer tomou um cacete do polonês Petzschner. O austríaco jogou muito na temporada passada, entrou entre os 10 melhores e não está agüentando o rojão.

O Cilic perdeu do Tipsarevic. Zebra sim, surpresa não. O Cilic é o Bellucci dos croatas.

O Rochus é um mágico. Adoro ele. É outro que deveria treinar com o Bellucci. Daquele tamanho, com um tamanho e um tênis redzido e não deixa ninguém fazer festa para cima dele. Desta vez despachou o Baghdatis, que parecia ter encontrado o caminho. Parecia..

O Gulbis perdeu para o Berlocq. É um cabeça oca.

O Murray perdeu de novo. Agora nas duplas, com o parceiro Djokovic. Que fase…

À noite, sentei em uma confortável “cadeira de diretor” na área da media para curtir a partida do Nadal contra o japones Nishikori. Estádio lotado. Le Bron James e Wade entraram em quadra junto com os tenistas e posaram para fotos com os jogadores. Assim que quebraram o abraço, Nadal deu seu caracteristico pique em direção aofundo da quadra e as arquibancadas responderam com uivos e aplausos. O espanhol nunca venceu em Miami, mas tem torcida garantida.

Para variar, ganhou na “marra”. Não que tenha mais tênis do que os outros. Mas é mais jogador. Ele entende perfeitamente o conceito de que o Tênis é um jogo. Por isso é campeão. Mais um para treinar com o Belô.

Neste Domingo tem Delpo x Soderling. Imperdível..

Tem também Azarenka x Cibulkova. Fish x Gasquet. E outras cositas más.

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sábado, 26 de março de 2011 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 11:47

De rachar

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A sexta feira esteve com um sol de rachar a cabeça de qualquer um. Mas não creio que isso teve algo a ver com a derrota de Thomaz Bellucci.

Os dois primeiros sets foram mornos, mais pelo sol do que pelo jogo em si, mas no set final o ambiente mudou, o jogo incendiou as arquibancadas, deixando torcedores americanos e brasileiros, em grande número, emocionados e felizes com o espetáculo.

O brasileiro perdeu a partida, mais uma vez, na bacia das almas, o que fala mais sobre o seu emocional e sua confiança do que sobre seu jogo. Até porque teve oportunidades de assumir uma vantagem no placar do terceiro set que, inevitavelmente, lhe dariam a vitória.

Mais tarde escreverei mais sobre a partida e a participação do brasileiro. Por enquanto, basta dizer que Thomaz saiu de quadra aplaudido pelo publico que lotou a quadra e com a galera brasileira gritando seu nome, apesar da frustrante derrota, o que não é qualquer atleta que pode dizer isso.

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Tênis Masculino | 00:31

Surpresas

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Em um dia de sol escaldante e muitas surpresas, a idéia foi se movimentar o mínimo, assistir ao máximo e beber muito líquido.

Acompanhei a derrota do Murray. Ele até que não jogou mal e seu adversário, Bogomolov, jogou bem. A diferença é que a confiança do escocês está na sarjeta. Já escrevi dezenas de vezes – não se pode ficar dando milho para bode achando que a hora que quiser se resolve a parada. Murray, do jeito que está jogando, está frágil e batível. Essas são as boas notícias. A ruim é que agora ele vai para o saibro, onde nunca foi tão bom quanto em outros pisos, e depois pula da frigideira para o fogo de Wimbledon. Eu lhe desejo boa sorte – vai precisar.

O fantasmaço Granollers jogou muito tênis e bateu o favorito Wawrinka. Thomaz Bellucci poderia dar uma olhadinha nos jogos desse espanhol para entender como se pode fazer muito com pouco. Deu gosto ver a vitória do rapaz, especialmente na hora da onça beber água no 3º set. Lindo ele sacando para fechar a partida, indo à rede e voleando com carinho em um dois “drop volleys” seguidos para fechar.

Gasquet super focado, tentando esquecer os beijos proibidos do ano passado. O começo de sua partida contra o italiano Lorenzi foi enrolado. O francês manteve o foco, a dominância e venceu com facilidade.

Soderling escapou por pouco de perder para o Dodig, que vem jogando bem e ainda vai incomodar por aí. O sueco ganhou na experiência e na confiança.

O Verdasco é um brincalhão. Não está ganhando de ninguém e ainda fala mal de adversário.

Ninguém quer entrar em quadra contra o Djoko.

O Devverman, com aquele joguinho dele, sabe ganhar jogo e despachou o sacador Raonic. O jogo em Miami está bem mais lento do que em Indian Wells.

Granollers curtindo a fama debaixo das arquibancadas.

Gasquet trocando os sapatos-tênis.

Bogomolov curtindo a fama na Quadra Central.

Bogo atirou a camisa nas arquibancadas. A incrível iluminação da QC. A troca de rede na QC.

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sexta-feira, 25 de março de 2011 O leitor escreve | 22:27

Pais

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Não é a primeira vez que publico um comentário do leitor Martin H. Mas, se ele continuar me emconando com suas escritas o fato continuará a acontecer. Óbvio, seu comentário tem tudo a ver com o Post – Pega a bola, papai. Divirtam-se:

Embora não esteja frequentando o blog como gostaria, por motivos vários (os quais são conhecidos por alguns aqui, como o Flávio, como se nota mais acima), tive a estranha sensação de que havia algo para mim aqui hoje. E meu faro não me enganava, premiado que fui com o post do Cleto e, especialmente, com os comentários do Flávio e do Ferracini.
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Impossível ficar incólume a eles na direta medida em que se faz impossível ficar incólume à relação pai-e-filho que eles evocam – e evocar é mesmo a melhor palavra aqui, onde a trindade se manifesta pela experiência, não só pelo espírito.
De fato, a relação pai-e-filho, no corte transversal onde aparecemos filho, tem essas duas interessantes peculiaridades:
– primeiro, ela existe sempre, ainda que se a queira negar pelo motivo do pai (nunca do filho) espúrio;
– segundo, ainda que sejamos, um dia, pais, coadjuvaremos nosso papel de filho sempre por mais tempo do que protagonizaremos nosso papel de pai. Nosso pai, ainda quando em ausência física, martela em nossa memória e em nosso devir até na morte da nossa consciência.

Talvez Freud nos tenha atentado com peculiar clareza a isso, em sua identificação do pai à lei.
A representação de Freud, embora sublime, é, entretanto, insuficiente, pois não deixa inferir o quanto de amor há nessa lei.
E quando pensamos em lei e amor, usualmente, não conseguimos enxergar que ambas tem um mesmo e único fundamento. Na contemporaneidade dos valores adormecidos, aliás, lei e amor parecem até se auto-excluir, no lugar de se auto-conservar mutuamente.

Posso estar enganado, me corrijam se estiver, mas em um retrato caricato do pai de ontem e do pai de hoje, isso parece ganhar um exemplo que facilita a compreensão.

Na caricatura do pai de ontem, víamos a lei suplantar o amor. O trato por “Sr.”, o distanciamento, o silêncio quando a fala não era provocada, a impossibilidade de contestação, isso tudo negando o afeto entre duas figuras tão próximas quanto a do senhor e do escravo.
Não é de estranhar, em um tal paradigma, a flamante “Carta ao Meu Pai”, de Kafka, que inicia assim:
“Querido pai: perguntaste-me certa vez por que motivo eu afirmava que te temia. Como de hábito, não soube o que te responder, em parte exatamente pelo temor que me infundes, e em parte porque os pormenores que contribuem ao fundamento deste temor são em demasia para que os possa manter reunidos (…) e a magnitude do tema está além da minha memória e compreensão.”

Na caricatura do pai de hoje, vemos o amor (um tanto desfigurado, posto que é uma amputação da culpa por ausência reiterada) suplantar a lei. A falta de respeito, a subtração da noção de hierarquia, os desmandos constantes, um mundo de púberes plenipotenciários onde o “não!” é uma palavra banida. Não é de estranhar, em um tal paradigma, o fato que li esses dias no jornal: um aluno que, após ter recebido uma nota diminuta – merecidamente diminuta – de sua professora, desandou a lhe agredir, ordenando que ela aumentasse a nota, o que ela, se o fizer, terá de fazer depois de sua internação no hospital.

Não consigo perceber um momento histórico em que lei e amor estiveram, na média das situações cotidianas, ambas presentes nas relações entre pai e filho.
Eu disse, atenção!, que não consigo perceber um MOMENTO histórico em que isto tenha ocorrido na MÉDIA das situações cotidianas.
Consegui perceber, outrossim, se não à macheia como deveria ocorrer, ao menos em exemplos diversos, relações entre pai e filho carregados dessas duas importantes e indissolúveis características. E mais, tenho a imensa sorte de viver – e estar vivendo espero que por muito tempo – uma delas.
Os exemplos dessa minha relação com o meu pai e que mostram mais a grandeza dele do que a minha (parte das quais o Flávio pode testemunhar em Gramado), eu os guardo para mim, seja pela intimidade, seja por possivelmente sequer serem de interesse geral.
Mas lembro, aqui, de um episódio da história da nossa música que, se não ocorreu entre um pai e um filho, demonstra bem como, para mim, deve ser pautada uma relação entre um pai e um filho.
Foi entre Tom Jobim e Roberto Menescal.

Tom, segundo o próprio Menescal relata em um documentário, nunca disse a Menescal que este havia tocado uma nota errada. Sequer alguma vez sugeriu a sua substituição. Ao repassar a música, porém, tocava-a de um modo diferente, como quem errasse, e dizia a Menescal: “É assim… não?” E Menescal, vendo a nota nova que Tom fizera, entendia que não era “assim” que ele havia feito, mas que aquele “assim” do Tom era muito melhor que o “assim” dele.

Feliz do pai que, tal qual vimos na vocação paterno-pedagógica do Tom Jobim, consegue infundar em seu filho a lei, como deve fazer, e que, além disso, consegue operar isso com amor.
Está aí uma virtude para poucos e bons pais: mostrar os caminhos a seu filho – sublinhando, ainda que tacitamente, que há os certos e os errados –, mas que, dentre os certos, ele próprio deve escolher.
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E aqui termino esse texto que me tira um pouco das tarefas diárias, mas que serve, dentre outras coisas, para encher meus olhos de uma renovada admiração por meu pai e pelo pai que almejo ser.
Termino olhando a foto do Federer pai, e pensando no quanto ela é pitoresca, simbólica e representativa da figura de um pai.
Sim, porque depois de mostrar para o filho a porta da lei e os caminhos que ele pode seguir (no que, pela biografia do Federer filho, acredito que o Federer pai foi bem sucedido), aparece uma segunda função do pai: juntar os cacos quebrados quando a escolha por um ou outro caminho do filho foi errada.
Ou as bolinhas amarelas, se preferirem.

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Tênis Masculino | 17:12

Ao vivo

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Estou na Quadra Central acompanhando o sofrimento do Murray frente ao Bogomolov, que sacou pelo jogo em6/1 5/4 e deixou escapar no melhor game do escocês. Mesmo assim não conseguiu virar e vencer o set. O escocês, em mais uma surpresa, está fora logo de cara.

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