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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 11:36

Adaptação e alternativas

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Todo ano o assunto inicial é o mesmo. Por que e até quando o Brasil Open será jogado na Costa do Sauípe?

O local e o cenário seriam ideais se nossa tradição fosse outra. Afinal, em outros torneios é uma cultura os tenistas da área, que pode ser mais ou menos abrangente, se deslocarem para acompanhar o evento durante boa parte da semana.

Convenhamos, para que gosta de tênis é um prato cheio. Pode-se acompanhar tenistas de primeira linha como em nenhum outro momento no país – e não me venham falar em exibições! – jogar tênis, já que há quadras disponíveis, ir à praia, que são várias e bonitas, passeios aos arredores, comer bem, conversar com pessoas com o mesmo interesse, o que faz do evento uma excelente alternativa para férias.

Mas o brasileiro quer mesmo ir a Miami. Especialmente o abonado, que ou é convidado ou prefere ir a um grande torneio no exterior. O fato é que o programa é de bom tamanho, mas o pessoal aqui de baixo do país prefere mesmo é reclamar, porque suspeito que se fosse aqui não lotariam as arquibancadas. Quanto a esperar que os habitantes locais lotem o evento diariamente é esperar demais, até porque Salvador está a uma hora de carro e é jogo duro ir e voltar diariamente.

Com isso temos dois eventos. Um que vai do início do qualy até a quinta feira, que é quando os convidados chegam do sul maravilha. Outro, nos dias seguintes e, dependendo da presença de um brasileiro na final, o Sábado tem um clima diferenciado.

Os organizadores não falam, mas não deixam de pensar no assunto. Gostariam de realizar o torneio em outro local entre São Paulo e Rio. Só não o fazem porque o complexo do Sauípe continua ajudando a pagar a conta e, mais importante, porque não encontram um local alternativo.

Talvez com as mudanças de infra-estrutura por conta das Olimpíadas o Rio apresente um local. Afinal é propagado que a cidade atrai eventos e atletas – isso se lidar com seu problema criminal. Talvez com os investimentos em sua infra-estrutura, que começam ainda este mês, o Clube Pinheiros em São Paulo venha ser uma opção, algo que os organizadores vêem com bons olhos.

Pela primeira vez, os organizadores adotaram como “local” para a divulgação do evento, a Bahia de Salvador e não a Bahia do Sauípe. No Domingo, levaram Thomaz Bellucci, que preferia estar em Santiago àquela hora, e Nicolas Almagro para baterem uma bolinha no Pelourinho ao som do Olodum – algo que os outros torneios fazem há anos. Alguém ali acordou ao fato que Salvador encanta mais do que a Costa do Sauípe.

O certo é que há algum tempo o torneio periga na Bahia, mas ainda não se encontrou uma alternativa viável. Eu diria que, cedo ou tarde, o evento virá para o sul pelas razões óbvias. Afinal, até mesmo o Estado de São Paulo, um jornal parceiro do evento, na edição de hoje chuta o pau da barraca e critica as arquibancadas vazias, afirmando que os organizadores abrem mão do público pelo “marketing de relacionamento”. Não é fato – é só uma adaptação a realidade.

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