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Arquivo de dezembro, 2010

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010 Tênis Brasileiro | 19:57

O Dândi

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Enquanto espero a hora de ir para a casa de uma de minhas irmãs para a ceia de Natal, me invade aquele espírito, natalino ou não – acho que fui mais impressionado pela experiência que tive de manhã. Um rapaz me interpelou na rua para comprar panos de chão e panos de prato que, segundo ele, feitos por sua mãe.

O rapaz tinha o rosto totalmente deformado pelo fogo, assim com seus braços e mãos, transformando-o em uma figura impressionante. No entanto, ao olhar em seus olhos não vi nenhuma sombra de ressentimento, auto-piedade, raiva. Vi uma pessoa tranqüila, que tranquilamente tentava realizar um trabalho sem apelações. Hoje à tarde, ao fazer minha fisioterapia, fiquei pensando nele e viajando.

Tomado por esse espírito, fui buscar algo no passado para colocar aqui no Blog para fazer companhia aos meus leitores nesta noite. Encontrei, mas nada a ver com Natal, nada a ver com o que vivenciei à tarde. Algo a ver com beleza, talento, habilidade, graciosidade, história do nosso tênis, desperdício, o que poderia ter sido e nunca foi, uma pitada de espiritualismo e morte. O texto é de 2002, também perto do Natal.

 

Apesar de já ter ouvido esparsos comentários sobre o fato da minha aura e a minha luz serem fortes e bonitas, nunca fui muito de acreditar que eu tinha algum tipo de conexão especial com o invisível e o inexplicável. Isso até sonhar com o “vovô” durante toda noite da última sexta-feira. No caso, nenhum dos meus avôs, mas sim o ex-tenista Ronald Barnes, carioca da gema mais conhecido por esse apelido desde jovem. Como muito acontece, certos personagens ficam em nossa memória mais por idealizações e fatos enevoados do que por razões concretas e fatos precisos.

Barnes foi o tenista mais elegante que já vi em uma quadra de tênis. Postura digna de um lord. Um dandi de shorts e camisa brancas com uma coroa de louros no peito. Os cabelos lisos eram penteados para trás, seguros por alguma brilhantina da época, final dos anos cinquenta e início dos sessenta. Seu andar era marcante e diferente de qualquer outro que conheci. No final de seus passos, ao ir para trás, os pés se levantavam mais do que o normal, dando um ritmo e uma cadência distintos. Já vi outros tenistas do Country, tradicional clube de Ipanema, imitando-o, mas nunca igual ao original. A elegância não se restringia à sua figura.

O seu tênis era gracioso, nobre. Mais elegante do que qualquer outro que já tive oportunidade de ver e, seguramente, mais bonito. Atualmente, o suíço Roger Federer me lembra seu estilo. A raquete Dunlop Maxply de madeira parecia uma batuta em suas mãos regida por um maestro sabedor de sua capacidade. Vovô era um talento impar que fazia o tênis parecer tão fácil quanto andar para frente.

Não era muito alto, devia ter algo em torno de 1.76m, mas na quadra se agigantava. Bateu, sem exceção, os melhores de sua época. Era temido, em quadra, por todos, conhecedores de seu talento. A primeira vez, eu era ainda bem menino, que vi sua esquerda, pirei. Batida “flat”, com uma leve cobertura de “top spin”, era poesia pura. Seus voleios eram de uma estirpe não mais vistas em quadras de tênis. A direita não era a melhor do mundo, nem tão agressiva quanto as atuais – mas aquela esquerda.. Mais de uma vez me ofereci para ser juiz de linha em seus jogos só para vê-la de perto. Imagino os erros que cometi enquanto me concentrava nela.

Barnes, que aprendeu seu esporte nas quadras de saibro de Ipanema, mostrou seu enorme talento bem jovem, vencendo o Orange Bowl em Miami Beach, então o equivalente ao campeonato mundial juvenil. Como adulto chegou às semifinais do Aberto dos EUA, então jogado nas quadras de grama de Forest Hills, próximo a N. York. Teve outros excelentes resultados em sua carreira e defendeu o Brasil na Taça Davis em diversas ocasiões. Se não jogou mais vezes foi por suas constantes desavenças com Paulo da Silva Costa, então manda-chuva do tênis nacional e internacional, que não admitia seu espírito rebelde.

Como muitas vezes acontece, o talento era acompanhado de um gênio forte e irascível, especialmente com autoridades. Especialmente autoridades egocêntricas. Vovô sempre foi chegado em uns drinks e pouco chegado a treinos. Fazia totalmente parte da época do tênis-romantico-boêmio. Algo que com certeza impediu que sua carreira atingisse sua potencialidade.

Após ter se aposentado, teve problemas ainda maiores com o álcool. Barnes, que se casou com uma venezuelana, escolheu viver nos EUA. Por lá ensinou tênis aos gringos, mas duvido que conseguiu passar à frente aquela elegância que me emocionou quando garoto. Na sexta à noite, enquanto embalava meus sonhos com sua figura aqui no Brasil, Ronald Barnes faleceu em Nova York. Eu que sempre acreditei na beleza e na elegância, pela primeira vez acreditei em minhas conexões com o além.

Barnes – assim como Roger de relógio e assim como Federer faz parecer fácil. Saudades

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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010 Light, O leitor escreve | 18:49

ATPanga

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A pedidos, mais um Post do Leitor. Desta vez, do Barão, o nosso porta voz e diplomata, que foi, junto com a Maysa, o responsável pelo II ATPanga nas quadras à margem da represa. Os detalhes, eu deixo por conta do nosso amigo Flávio.
 
 
“O ser humano parece ter uma necessidade eterna de perguntar porquês, de procurar co-relações, buscar heróis ou encontrar coincidências e, ao que parece, dificilmente algo disso irá mudar durante o resto de sua existência nesse planeta. Dessa forma, deixa-se de lado qualquer tentativa de se analisar as coisas pelo ponto de vista que deveria ser sempre o primeiro, ou seja, que essas coisas podem ocorrer de forma natural e sem nenhuma necessidade extra de alinhamento dos planetas, forças desconhecidas ou pontos de vista diferenciados para se explicá-las, se é que precisam de alguma explicação.
Às vezes, sentado em algum canto com o olhar distante, meio que do nada relembro cada encontro que tivemos desde aquele maravilhoso e encantado 14/11/2009. Ainda me recordo claramente da imagem do Cleto chegando às quadras e perguntando quem foi que teve a idéia de marcar o início do encontro para as nove da matina de sábado. Estava na quadra logo a frente da arquibancada, jogando um set com o Marquinhos Pereira, enquanto a Maysa e outros abriram os braços para receber o “Patrão”. Só não me lembro se ele me ouviu, ao levantar o braço e “confessar” o crime.
A mesma pergunta que deve ter vindo à nossa mente com certeza estava na dele: no que vai dar isso aqui? Nós, participantes constantes do blog como comentaristas, ele, renomado esportista e jornalista, pessoa conhecida na mídia e que se dispôs a encontrar ao vivo e nas quadras gente que fazia parte do seu dia a dia de blog. Ainda lembro, na hora do almoço, quando ele falou a todos sobre sua expectativa e que, ao final de tudo, desarmou seu espírito e deixou o barco correr, desse no que desse, naturalmente.

Pouco mais de um ano após aquele encontro, tivemos agora em dezembro uma espécie de reedição, a qual carinhosamente batizamos de ATPanga Finals, em homenagem a nossa classe de tenistas amadores e eternamente apaixonados por esse esporte. Aos encontros menores, sobrou o título de ATPanguinhas, vários ao longo do ano aqui em Sampa, às margens da represa Guarapiranga, no oásis que é o Yatch Clube Paulista. Infelizemente, não pudemos contar nesse último com a presença do Cleto e de muitos amigos que não tiveram como viabilizar suas vindas. Mas haverá outros encontros, sem dúvida alguma.

Apesar de não gostar muito dessa estória de enxergar “coincidências cristalinas” onde talvez só haja o desenrolar normal da vida, alguns fatos até dão vontade de se procurar o “lado místico” da coisa. Em todos os encontros, que são realizados num local de quadras descobertas, sempre fez tempo bom, para não dizer ótimo, mesmo em épocas de chuva. Todo novo participante que chegava a cada encontro se entrosava com uma rapidez fantástica com os demais. Nunca houve uma rusga sequer, é o tempo todo de bate-papo, jogos, brincadeiras, tirações de sarro e o momento sagrado à mesa, onde as conversas ficam mais confortáveis e interessantes.

Mas, como eu não sou da turma que procura cartomantes e ciganas, prefiro creditar o bom astral ao fato de todos ali “comungarem a favor”, o que sempre traz coisa boa de volta.

Neste final de ano, tivemos a chance de conhecer pessoalmente amigos que antes eram apenas virtuais, como Ferracini, Eduardo J. (acho que somente eu já o tinha encontrado), Eder e Renato Z., fora o retorno do Giuliano (só tinha vindo no primeiro) e a presença das figurinhas carimbadas de todo encontro que ocorre lá: Maysa, Flávio B., Jeff Guimarães, Marquinhos Pereira e a aniversariante Adriana A. e seu amado namorido Silvio. Sentimos a ausência de outros que já estiveram conosco e não tiveram como voltar em dezembro, caso do carioca Alexandre Rodrigues (que vem de ônibus do Rio, passa o dia conosco e volta de ônibus para lá), do Felipe B., Martin A. e André Becker, se não cometi a falha de esquecer algum nome.

Não sei ao certo se o pessoal está aprendendo através do convívio no blog e das transmissões de televisão, mas ficou clara a evolução da maioria em relação ao ano passado, não só técnica como fisicamente:

Adriana A. deixou de ser aprendiz de feiticeira e já está cozinhando algumas de suas próprias receitas em seu caldeirão de tenista. E, para quem assiste a WTA, uma agradável surpresa: está indo à rede!

Maysa melhorou o serviço ao longo do ano e mostrou que a evolução de terceira para segunda classe não foi adquirida na garganta e sim nas quadras, além de continuar a guerreira de sempre, inconformada com qualquer ponto perdido, embora nesse encontro estivesse em briga eterna com o último encordoamento de suas raquetes.

Jeff diminuiu bastante o número de erros bobos, mas ainda peca pela irregularidade que transforma games ganhos em perdidos. Seu serviço também melhorou bastante.

Marquinhos e Edu Jotinha fizeram um set disputadíssimo e bateram na bolinha com gosto, muito gosto. Edu continua spinnafrando todas suas bolas e Marquinhos indo em todas, por mais perdidas que elas possam parecer, fora o serviço que progrediu consideravelmente.

Tive pouca chance de ver o jogo do Eder, mas ele mesmo já disse pelo blog que prentende investir em melhorias no seu jogo para 2011.

Ferracini foi um show à parte, nunca tinha enfrentado um jogador “carregado” de experiência, com aquele jogo que sai fácil de tanta quilometragem acumulada. Tem o famoso revés de slice raso e angulado, inferno para grande parte dos tenistas, principalmente os que só gostam de dar pancada, além de ser uma figura carismática e ótimo contador de causos.

Giuliano mostrou que a sua direita sinistra é real e vale o quanto pesa. Anda muito a bolinha que sai dali! Apesar do jeitão mais introvertido, meio timidão, está sempre no meio de todos e não faz pose por ter um nível técnico mais elevado que os demais, além de jogar seu tênis sem desdenhar nem encher a paciência de ninguém com reclamações típicas de alguns estrelinhas.

Por fim, nosso simpatíssimo Renato Zorro, um verdadeiro gentleman em quadra e fora dela. E como joga fácil o rapaz! Assistir a um jogo do Renato faz a gente pensar por que tem tanta gente se matando quando o tênis é um esporte tão fácil de praticar … rsss. Esse é outro que deixou o crachá de primeira classe no vestiário e se vestiu de povo, como todo mundo ali, apoiando parceiros e se divertindo com todos.

Falar do almoço ali é chover no molhado (aliás, choveu somente na hora do almoço, para refrescar um pouco). A qualidade da comida daquele restaurante, com a vista da represa e a companhia de tantos amigos torna qualquer dia em visita ao Paraíso. Porém, o que mais chama a atenção é aquele clima que lembra os antigos almoços em família, todo mundo ao redor da mesa e muitas horas de conversas e gargalhadas. Imagino o que não vai ser um almoço desses se um dia Dona Ruth nos der o prazer de sua presença! Aliás, não só ela como muitos outros amigos que há tempos estão se programando e uma hora se juntarão conosco. Só por curiosidade, a lista de emails “cadastrados” do pessoal do blog já tem cerca de 60 nomes!

O ano está acabando e outro dia a Maysa me ligou, pedindo para já ir pensando no próximo encontro, ano que vem. Teremos AO, RG, Wimbledon e US, ATP Finals e outros eventos no circuito profissional. E nós, povo do blog, teremos ATPanguinhas, ATPangas e ATPanga Finals. Tudo isso por um simples motivo: o tênis não pode parar …”

Adriana, Dom Ferris, Barão, Renato Z, Marcos P.

À direita, a hostess perfeita, a pérola do Blog, a “viada” do Pinheiros – Maysa.

 

 

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terça-feira, 21 de dezembro de 2010 Light | 22:48

Em Zurique

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Como prometido, publico algumas fotos e o video de Nadal e Federer chegando ao estádio na caranga do suíço. Este fez questão de buscar o amigo na pista do aeroporto, levá-lo ao hotel, a passear no centro da cidade, um rápido almoço e ao estádio.

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Tênis Masculino | 13:15

Nadal x Federer na ESPN

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Jogam, hoje e amanhã, na Suíça e na Espanha, os dois maiores rivais do tenis atual e, arrisco a dizer, aqueles que a história dira ter sido a maior rivalidade da história do tênis – ricos e felizes tempos. Roger Federer e Rafael Nadal entram em quadra para oferecer um duplo presente de Natal para seus fãs e os canais ESPN não poderiam ficar de fora dessa festa. A ESPN HD começa a transmissão a partir das 17hs e a ESPN a partir das 17:15 com os tenistas já se aquecendo. Nesses 15 minutos os tenistas prometem algumas surpresas e comemorações.

O bonus é que eu e o Maraucci faremos os comentários. E não percam o texto no Post abaixo.

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O leitor escreve, Tênis Masculino | 13:14

Rivalidade e festa

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Com a festa dos dois confrontos em pró de suas respectivas Fundações, Federer e Nadal encerram a temporada com chave de ouro e concretizando, por mais ambíguo que possa ser para alguns de seus fãs, tanto sua interessantíssima rivalidade, como sua sugestiva e bem vinda amizade, dentro e fora das quadras, um fator tão importante  no ambiente do esporte como o confronto técnico.

Para celebrar essa rivalidade, publico abaixo, como já aconteceu em outras ocasiões, um texto que o faz com muito mais propriedade. Divirtam-se com as palavras de Mártin Haeberlin 

“Amigos do blog:há algum tempo (lá no início do ano), escrevi um texto sobre Federer e Nadal, e sobre essa “diferença complementar” entre eles.
Cheguei a enviar o texto para o Barão (e para o próprio Cleto), mas a ideia era o colocar aqui no blog após um grande duelo entre os dois.
Durante o ano, rebarbei e ornei um pouco mais o texto, inclusive acrescentando a contribuição de alguns blogueiros que trataram do tema durante o ano.
Ocorre que 2010 passou e esse grande embate não ocorreu, seja porque os tenistas sequer se enfrentaram em um torneio do Grand Slam, seja porque os dois parcos encontros ocorridos entre os dois, esse ano, foram “mornos”, ao menos no meu modo de ver.
Já que textos não lidos são textos que não existem, aproveito a ocasião das duas exibições que os dois tenistas farão a partir de hoje (e que serão transmitidas pela ESPN com comentários do patrão) para dividir o texto com vocês.
Fica claro, pelas referências em notas nele contidas, que o texto não deixa de ser uma homenagem ao patrão e a esse espaço criado e mantido por ele, com o qual já aprendi muito, aprendo muito e espero aprender ainda mais no ano vindouro.
Obrigado a vocês pelo convívio virtual de quase todos os dias,”
Mártin
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Federer, Nadal e a existência de Deus.

Eu sou daqueles que, hegelianamente, creem que os opostos podem, mediatizando-se em teses e antíteses, ir se complementando dialeticamente até uma síntese maior, suprema, nominável como Infinito. Esse é o caminho, único e indelével, quando se pretende provar a existência de Deus.

Como os exemplos da Filosofia para esta doutrina de Hegel, quando há, não são fáceis, tomo um exemplo do esporte, com Roger Federer e Rafael Nadal.

Federer é um tenista suíço, destro, estilo clássico (tênis-arte) e backhand com uma mão.

Nadal é um tenista espanhol, canhoto, estilo contemporâneo (tênis-força) e backhand de duas.

Federer é genótipo de um casamento entre Rod Laver e Martina Navratilova. Nadal é fenótipo de um casamento entre Björn Borg e Steffi Graf.

Federer veste camisa polo branca, short-com-cinto e flutua na grama. Nadal usa manga cavada multicolorida, calça capri e surfa no saibro. Federer tem um quê de retrô chic; Nadal, de underground pop.

Federer é saque; Nadal, devolução.

Federer joga sustenido. Nadal joga bemol.

Federer é eastern. Nadal western. Federer é norte; Nadal, sul.

Federer pratica, com excelência e maestria, cada golpe da cartilha do tênis, acrescentando alguns no livrinho. Nadal tem e escreve o seu próprio livrinho.

Federer é voleio na cruzada. Nadal é passada na paralela.

Federer é follow-through. Nadal é topspin.

O jogo do Federer é lastrado no game point. Do Nadal, no break point.

A raquete do Federer vai ao encontro da bola. A do Nadal, de encontro a ela.

O Federer tem toque e “légèreté”, é um maestro com sua batuta. Nadal tem TOC e “Brutalität”. É um virtuose, de bazuca.

Federer movimenta-se em balé clássico. Nadal, em dança flamenca.

Federer faz bolas impossíveis e inacreditáveis, cometendo uns crimes contra as leis da Física. O Nadal busca essas bolas, cometendo delinquências.

Nadal, em quadra, sofre de taquicardia e, se for preciso, sua sangue. Já o Federer é bradicárdico, tem sangue azul e não transpira.

Federer tem um jogo lírico, de espírito fleumático. Nadal tem um jogo épico, apoteótico.

O Federer joga intuitivamente. Nadal, por instinto. Quando o Federer sofistica, Nadal simplifica.

Federer é front: vai para a disputa verticalmente, explorando o território inimigo. Mas, se é para matar, mata o oponente com injeção letal ou câmara de gás. A arma do Federer é o florete holográfico usado pela Maria Esther Bueno na final de Wimbledon de 1964.

Nadal é trincheira: vai para a guerra horizontalmente, esperando o inimigo. Mas mata como os assírios, de todos os modos (desde que com intensidade). A arma do Nadal é o sabre usado naquela final de Wimbledon, e emprestado pela mão de Margaret Smith.1

Federer é civilização grega e Nadal é Império Romano. Mas, se ambos fossem gregos, Federer seria ateniense e Nadal espartano.

Nadal joga usando a tática para superar a técnica. Federer joga usando a técnica para superar a tática. O tênis do Nadal é eficiente. O do Federer é eficaz.

Nadal é Maradona jogando copa. Federer é Pelé, em campeonato de pontos corridos. Se bem que, na posição em campo, é Federer que estaria mais para um meia de criação, que – movimentado-se pouco – recebe e distribui as bolas, enquanto o Nadal estaria mais para um volante de marcação, que – transpirando muito – consegue roubar as bolas desses meias, e de outros também.

Federer comove-se ressoando um “Allez!” e é campeão reclinando-se aos joelhos. Nadal vibra retumbando “Vamos!” e é campeão jogando-se, de corpo inteiro, ao chão.

Federer, creio, bebemora com Dom Pérignon, borgonha ou chopp escuro na temperatura ambiente, e comemora degustando um prato da culinária francesa, com o olhar no além. O prato, petit; o olhar, blasé. Para sobremesa, fondue de chocolate… suíço.

Nadal, imagino, brinda com Freixenet Reserva Real, bordeaux ou cerveja estupidamente gelada. A comemoração é com um prato de comida italiana, com o olhar no prato. O olhar de “mangia che te fa benne”; o prato, primo, secondo, terzo, quarto. Para sobremesa, pudim de leite muito condensado.

Federer é alimento natural. Nadal, transgênico.

Federer integra chapa da situação e, se tiver que fazer revolução, é uma Revolução Inglesa. Nadal faz partido de oposição, e está sempre pronto para uma Revolução Russa. Nadal tem um “ar” de comunista cubano, mas, no fundo, é monarquista; Federer, de liberal americano, mas parece um republicano.

Os amigos de Federer formam um petit comité cosmopolita. Os do Nadal, um ghetto catalão.

Na Suíça, Federer tem um flat art déco na reservada Oberwil, e o Nadal tem um jeito expansivo de Zurique.

Na Espanha, Nadal tem um palacio minimalista na reservada Manacor, e o Federer tem um jeito expansivo de Madrid.

Federer passa as férias na serra, com a família. Nadal na praia, com a Shakira.

Nas horas vagas, Federer joga polo. Nadal, pratica tourada.

Nas cartas, Nadal é valete de espadas. Federer, rei de copas.

Federer tem a sofisticação de carro inglês, mas dirige um Mercedes-Benz. Nadal tem resistência de carro alemão, mas dirige um Aston Martin.

Para ver as horas, o Federer, embora combine mais com um Patek Phillipe de bolso, usa um Rolex de pulso. Já o Nadal, embora rime mais com relógio digital, usa um Richard Mille.

Assiste-se aos jogos do Federer ouvindo uma orquestra de câmara executando “Air aus der Orchestersuite nr. 3”. Aos do Nadal, ouvindo uma filarmônica tocando “La Tempesta di Mare”. Para os jogos de um contra o outro, é de bom alvitre sobreporem-se as peças.

Num solo, Federer requer piano allegretto grazioso; Nadal, violino allegro appassionato.

Na Filosofia, Federer é Aristóteles na Antiguidade Clássica, Tomás de Aquino na Idade Média, Kant na Modernidade e Heidegger na Idade Contemporânea. Nadal é Sócrates, Agostinho, Hume e Debray.

O filme do Federer é livro de Shakespeare, adaptado por Machado de Assis, dirigido por Bergman, tem fotografia de Michelangelo e trilha sonora de Bach. O do Nadal é livro do Cervantes, com adaptação de Lewis Carrol, é dirigido por Tarantino, tem fotografia de Dalí e música de Vivaldi.

O personagem do Federer é o James Bond, interpretado pelo Sean Connery. O Nadal é interpretado por Stalonne, inspirado num misto de Rambo e Rocky Balboa. Mas, se fosse um musical, como ensinou certa vez um mestre do tênis, Federer estaria para Fred Astaire enquanto o Nadal para Gene Kelly.2

Nas belas artes, enquanto artistas, Federer é um pintor e Nadal um escultor; enquanto obra, Federer é o Davi de Michelangelo e Nadal o Davi de Bernini.3

Na música, Federer é jazz, bossa nova, Beatles e Eric Clapton. Nadal é rock’n’roll, samba-enredo, Rolling Stones e Jimi Hendrix. Na clássica parceria de “Perhaps Love”, Federer é John Denver e Nadal é Placido Domingo.4

Ambos, como disse o mais famoso dos dramaturgos, são feitos da mesma matéria que são feitos os sonhos5, como todos nós; mas eles são iluminados, como poucos.

Parafraseando um dos grandes cronistas do esporte6, Federer e Nadal trocando bolas numa quadra de tênis fazem prova irrefutável da existência de Deus.

E a providência divina é tanta que com eles até Hegel é compreendido.

1 A metáfora do florete (rapier) e do sabre (broadsword) é uma referência a um artigo de jornal da época, citado por Henry Wancke, em “Smith v Bueno (1964)”. Fonte:

2 Analogia feita por Paulo Cleto, em “Super-homens”. Fonte:

3 A primeira analogia foi feita por Alessandro Matteoni, no texto “O pintor e o escultor”. A segunda foi feita por Pedro Berutti, em adendo àquele texto. Fonte:

4 Analogia feita por Glads em comentário ao texto “Porta-bandeira”, de Paulo Cleto. Fonte:

5 William Shakespeare, em “The Tempest”, Ato 4, cena 1.

6 Referência à encontradiça frase “A tabelinha de Pelé e Tostão confirma a existência de Deus.”, de Armando Nogueira, originalmente parafraseada, para o tênis, por Olavo Brito em comentário ao texto “O Poeta”, de Paulo Cleto. Fonte:

http://www.wimbledon.org/en_GB/about/history/1964.html.http://paulocleto.ig.com.br//2009/02/04/super-homens/.http://paulocleto.ig.com.br//2010/09/14/o-pintor-e-o-escultor/. http://paulocleto.ig.com.br//2010/08/18/porta-bandeira/?allcomments#comments.http://paulocleto.ig.com.br//2010/03/29/o-poeta/?allcomments#comments.

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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 15:48

Acabou a folga

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Um dos meus leitores me sugeriu contar um pouco de como é o intervalo das temporadas para tenistas. Como já contei isso anteriormente, faço uma pequena adaptação para os meus leitores atuais.

Enquanto a maioria das pessoas aproveita o final do ano para ficar de olho no verão e suas estripulias, os tenistas usam o período para realizar a pré-temporada, uma periodo de trabalhos extenuantes como poucos e de retorno assegurado.

Depois de duas ou três semanas de folga, onde uma parte deles fica tão longe quanto possível das raquetes e outra tenta pelo menos bater uma bolinha sem maiores compromissos, os jogadores se submetem ao que será o maior investimento na preparação física e técnica da temporada. Mas como o jogo é ganho na quadra de tênis, é preciso uma experiente orientação para dosar as horas nas academias com as horas nas quadras, em um total que deve passar das sete horas de esforço diário, o que nem sempre acontece.

Além disso, é hora do tenista sentar com o seu staff, seja lá o tamanho desta, e fazer sérios planos para a temporada. Planejar quase todos planejam, o que planejam é que são elas. O que tenho visto de jogador brasileiro fazer bobagens estratégicas em suas carreiras é uma grandeza. Nessa hora, ao invés de procurarem o know-how de pessoas com experiência, acabam ouvindo até a namorada.

Por mais que queiram ignorar, a dosagem dos torneios que serão jogados, com as semanas de treinamento e as semanas de folga, é uma arte que poucos dominam. O que se acaba vendo é algo na linha do samba do crioulo doido. Um racional, tanto simplista quanto enganosamente realista, impera. Enquanto os tenistas têm um ranking ruim, que o impede de entrar diretamente em torneios maiores, passam as semanas jogando torneios menores, raramente arriscando a qualificação em um torneio maior, onde poderiam surpreender e deslanchar.

Quando atingem um ranking melhor, o bastante para entrar nos torneios maiores, passam a jogá-los sem muito critério, ignorando a estratégia de um calendário equilibrado, com folgas, treinos e, quando necessário, torneios menores para refazer a confiança. Só pensam na grana e no “prestígio”. O resultado é que, após anos de tentativas e frustrações, “levantam” o ranking por uma temporada, para na próxima vê-lo despencar.

Pior são os que, após conseguir um patrocínio, gastam o dinheiro com tudo, menos naquilo para o qual o patrocínio é pensado – o investimento na carreira. Porque, a certa altura, não é mais patrocínio, é contrato de publicidade, que é o que atleta consagrado consegue e que tem outra função – engordar a conta, sem nenhuma culpa.

Lembro que certa vez fui obrigado a descartar um tenista de muito talento e nenhum juízo, porque a primeira coisa que fez, após assinar um contrato de patrocínio, foi torrar a grana em um automóvel e me dizer que não poderia viajar porque não tinha mais dinheiro. Como em qualquer negócio, o planejamento é mais do que uma necessidade. É uma obrigação, para a qual a maioria não está preparada e, pior, muitas vezes foge.

Atualmente, os tenistas tentam, quando possível se arregimentar. Treinar juntos é bom, porque um puxa o outro. É lógico que cada tenista tem que ter sua própria agenda e um técnico seguindo suas ações bem de perto.

Hoje, mais do que nunca, um planejamento físico é imperativo, já que o tênis se tornou mais físico e atlético do que nunca. Quem assiste um DVD da primeira vitória de Gustavo Kuerten em Roland Garro 97 tem aquela mesma estranha impressão de quem assiste um jogo da Copa de 70.

Não vou entrar em detalhes, porque certos know-how não são dispensados como amostra grátis, porque não se dá o devido valor. Mas a verdadeira pré-temporada inclui uma detalhada preparação física – considerando carências, necessidades e metas – um aprimoramento técnico que considera deficiências, melhoras técnicas, alternativas táticas, desenho de calendário, determinação de prioridades para a temporada (pelo menos o 1º semestre) e outros detalhes. Só adianto que uma parte dos segredos é a cronologia, a carga, a intensidade, o desenho dos treinamentos.

É lógico que cada caso é um caso. Mas normalmente o tenista não deve passar mais de três semanas treinando em quadra. Após esse tempo há o risco dele matar o treinador. As semanas de treinamento físico consideram a data de volta às quadras e o tempo existente para os treinos em quadra. Como exemplo, Bellucci começou a treinar em quadra na semana passada e planeja estrear em Auckland a partir de 10/01. São quatro semanas; lembra-se que temos uns dias de Natal, Reveillon e a perda de tempo com a longa e cansativa viagem à Oceania, fora o massacrante fuso horário.

Ao mudar de técnico no final da temporada, Thomas Bellucci demonstrou que vinha cozinhando certo descontentamento em seu interior e que a melhor hora para investir na mudança seria já pré-temporada, visando as conquistas que planeja a partir da próxima. Ele, como todos os outros profissionais do planeta, estão, neste momento, investindo na temporada 2011. Agora é acompanhar, especialmente a partir do Aberto da Austrália, o que cada um preparou para suas carreiras e seus respectivos fãs.

 Pré-temporada, período cansativo e necessário.

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domingo, 19 de dezembro de 2010 Light, Tênis Masculino | 20:59

Artistas

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Esse pessoal de marketing em sua boa parte mais são experts em longos almoços para entreter clientes – estes acham a coisa mais legal do mundo dar dinheiro, que na maior parte não é deles, para um pessoal de gravatas coloridas que os levam para almoçar nos melhores restaurantes e depois arrancam os olhos da cara de quem realmente paga a conta – e que a maior parte do tempo fica elucubrando as mais diversas bobagens como se fossem as próximas da invenção da roda, do que realmente nos surpreender com alguma coisa que nos faça vibrar.

O pessoal da ATP e WTA continuam investindo na divulgação dos respectivos circuitos com ações que na maior parte das vezes dão vontade de sentar e chorar. Porém, de tanto tentar, algumas delas até que demonstra um pouco, atenção, não muita, criatividade.

Uma delas, que descrevo abaixo, apesar de ser algo, do começo ao fim, tão velho quanto distribuir amostras grátis, até deu para curtir. E mais daria se eles fossem um pouco mais longe com a idéia.

A ATP começou a pedir a todos os classificados para o Masters de Londres fazerem sua “arte” ainda em Concinnati, quando Nadal e Federer garantiram suas classificações. Cada um que assegurava a classificação recebia o mesmo pedido.

A idéia era criar oito obras únicas por parte de cada um dos tenistas classificados para o “Masters”, vende-las no site e-Bay e rachar os fundos arrecadados. Metade para uma fundação do torneio e a outra metade para uma fundação escolhida pelo “artista”.

A “arte” consistia em bater bolas de tênis manchadas de tinta sobre uma parede onde era colocado um “stencil” com a silueta do próprio tenista, retirada de uma foto “criteriosamente” escolhida pela ATP. Quem quer que seja que escolheu as fotos poderia ser despedido de imediato, pela falta de visão e de um mínimo de percepção artística.

Tanto é fato que, ao contrário do que se poderia prever, as melhores vendidas não foram as de Nadal e Federer e sim a de Andy Roddick. A do americano era a mais plástica, por retratar o movimento do serviço, o mais delicioso dos movimentos do tênis. Quando fundei minha academia de tênis, a primeira do Brasil, em 1973, usei como logo uma foto semelhante a de Roddick – uma que eu mesmo tirei do iugoslavo Zeljko Franulovic, um tenista de estilo vistoso. Quando a ATP escolheu o logo da instituição, o fez na mesma fonte.

Só para lhes dar uma idéia, abaixo os preços alcançados pelos quadros dos tenistas:

1. Andy Roddick U$33.100

2. Roger Federer – U$27.300
3. Rafael Nadal – U$26.500
4. Novak Djokovic – U$22.103
5. Andy Murray – U$7.301
6. Robin Soderling – U$5.100
7. David Ferrer – U$3.350
8. Tomas Berdych – U$3.001
 
 

 

E eu, se fosse o Berdych, comprava a minha só para não ser a última. Mas aí o cara teria que colocar a mão no bolso. E aí o bicho pega.

Quem quiser ver um pouco mais sobre a “ação” da ATP, pode fazê-lo no link: http://www.barclaysatpworldtourfinals.com/Players/Art-of-Tennis.aspx

 

 

 

 

 

 

 

 A vencedora, as não tão vencedoras, Andy pintando o set, o logo da ATP e o Rafa original.

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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010 Light, Tênis Masculino | 00:39

Fundação Nadal x Federer

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Já que alguém mencionou, a ESPN vai sim transmitir as duas partidas-exibição entre Rafael Nadal e Roger Federer nos dias 21, às 17:39h e 22/12, às 16h, a primeira em Zurique, Suíça, e a segunda em Madrid, na Espanha.

Os fundos arrecadados pela primeira partida irão para a Fundação Roger Federer, que está presente na Tanzânia, Etiópia, Africa do Sul e Zimbabwe.

Os fundos da segunda partida irão para a Fundação do espanhol, que tambem distribui para necessitados.

Ambos eventos não tem mais ingressos disponíveis. Se quiser ver, só na TV.

Eu tentei conseguir mais informações a respeito, mas os dois tiveram certas dificuldades em se explicar. Quem quiser mais detalhes é só assistir o video abaixo, que ficou famoso por razões outras, onde os dois explicam, muito seriamente, os detalhes.

A ESPN transmite ambas as partidas e eu e o Osvaldo Maraucci comentamos. Quer mais?

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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010 Tênis Feminino, Tênis Masculino | 10:08

Os campeões do mundo

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A Federação Internacional de Tenis divulgou suas escolhas dos melhores de 2010, os chamados “Campeões Mundiais da FIT”. Divulgou o óbvio e mais alguns detalhes camuflados nas entrelinhas do tênis internacional.

O melhor tenista foi Rafael Nadal, o sétimo tenista a vencer o chamado “Grand Slam de Carreira”, ou seja, vencer cada um dos quatro GS, além de já ter uma dourada medalha olímpica, o que assegura que Roger Federer estará ligadíssimo pelo menos até Londres 2012.

Este ano, o espanhol venceu o seu quinto Roland Garros, o seu segundo Wimbledon, seu primeiro U.S. Open e seu nono GS, ale de alguns evento menores.

A dinamarquesa Caroline Wozniacki foi a escolhida pela razão óbvia de terminar o ano como #1 do ranking da WTA. Há controvérsias e aposto que os dirigentes gostariam de escolher diferente, já que a moça não venceu nenhum GS, os eventos da FIT, vencendo só torneios da WTA, que são segundo escalão comprados com os GS. Mas a FIT é “politicamente correta”.

Aos 20 anos, Caroline venceu 6 eventos da WTA, um currículo bem mais magrinho do que o seu companheiro de título.

O título das duplas foi para Bob e Mike Bryan, pelo sétimo em oito anos, o que é uma bela marca. Este ano eles venceram 11 títulos, sem perder uma final, dois GS (US Open e Austrália), e com 67 títulos na carreira são os maiores vencedores da história. Vale lembrar que até pouco tempo, os maiores vencedores, tipo McEnroe, Woodford, Woodbridge e outros, eram tenistas que jogavam simples e duplas. Os irmãos não jogam simples.

A dupla feminina ficou com Flávia Penetta e Gisela Dulko, uma dupla para alegrar qualquer quadra e premiação. Foi a primeira temporada que a italiana e a argentina jogaram juntas. Conquistaram sete títulos – além de vencerem 17 partidas consecutivas -, nenhum deles em GS, mais uma vez o caso no tênis feminino. Mas, com elas em quadra, quem se importa?

O melhor juvenil do mundo é o colombiano Juan Sebastian Gomez. Além de vencer aquela olimpíada juvenil em Singapura, venceu o Banana Bowl e nenhum GS. A temporada teve quatro diferentes campeões dos GS. O brasileiro Tiago Fernandes venceu o da Austráilia e terminou como o 6º do ranking da FIT. Mais uma das escolhas controversas.

Entre as meninas, o título ficou com a russa Daria Gavrilova, de 16 anos. Ela também venceu o evento em Singapura e o US Open, além de liderar a Rússia na conquista da “Junior Fed Cup”, dando um pouco mais de corpo ao título de “campeã mundial”.

A FIT premia também os campeões cadeirantes, que faço questão de colocar aqui, até por uma razão que nada tem a ver com o “politicamente correto”.

Primeiro, o “campeão mundial” foi o japonês Shingo Kunieda, que venceu três Grand Slams e que já tem duas medalhas de ouro olímpicas.

A principal razão é a conquista da holandesa Esther Vergeer – esta sim uma Dominatrix. Uma menina que ficou paralitica aos sete anos, abraçou os esportes como uma maneira de fazer uma diferença na vida, foi campeã européia de basquete com o time holandês e é mais dominadora do que qualquer outro atleta com uma raquete na mão. A moça não perde uma partida desde 2003 – são 401 partidas vencidas consecutivas. Este ano, jogou pouco, mas ganhou o que jogou: Roland Garros, US Open e o Masters. Qualquer atleta que tenha um currículo desses é para ser aplaudida – de pé ou sentada.

Esther e Nadal – dois campeões.

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domingo, 12 de dezembro de 2010 História, Tênis Feminino | 15:29

Kilimanjaro

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Uma vez competitiva, sempre competitiva. A tenista Martina Navratilova, uma das maiores, senão a maior, vencedora da história do tênis não gosta de sossego.

Depois de abandonar a carreira em 1994, aos 37 anos, após perder na final de Wimbledon, onde perdeu para Conchita Martinez, o bastante para deixar alguém deprimido, Martina voltou às quadras aos 43 para jogar duplas. Chegou a vencer as duplas mistas com Leander Paes aos 46 anos – a mais velha tenista a vencer um evento no Grand Slam.

Não dá para ficar, novamente, escrevendo tudo o que essa mulher fez em quadra. Basta dizer que tem 58 títulos, entre simples e duplas, em Grand Slams, e 167 títulos de simples na WTA, o que nos lembra que as tenistas atuais vão ter que comer muito vepro-knedlo-zelo para chegar aos pés da moça.

Martina foi a tenista que levou o preparo físico a outro nível no tênis, feminino e masculino, uma das razões de seu sucesso e longevidade nos esportes. Lembro que, após a primeira aposentadoria, ela tentou jogar basquete, assim como tinha um time de hóquei no gelo para se divertir jogando. Não conseguia ficar quieta.

A ultima vez que abandonou os torneios foi em 2006, aos 50 anos, uma idade em que muitas mulheres pensam em si mais como avós do que atletas, o que não deixa de ser uma inspiração, logo após vencer as duplas mistas no U.S. Open com Bob Bryan.

No Abril deste ano, Martina divulgou que estava com câncer no seio. Em Maio, começou quimioterapia, o que não foi o bastante de desencorajá-la de seu mais recente plano.

Na semana passada, ela começou a escalar o Monte Kilimanjaro, na Tanzânia, com um grupo de 27 ativistas, uma aventura com vistas para arrecadar fundos para a Fundação para esportes Laureus, aquela que Federer já ganhou o premio anual mais de uma vez.

Infelizmente, Navratilova foi obrigada a desistir, por conta de um edema pulmonar, quando atingiu os 4.500 m, o que a deixou totalmente frustrada. Martina confessou que, antes do início da escalada, estava petrificada em falhar e não chegar ao cume, uma vez que “o mundo inteiro saberia de seu fracasso”

Bem, agora todos sabemos, mas duvido que seu abandono forçado seja visto como um fracasso. De qualquer forma, eu duvido que vá ser sua ultima tentativa em fazer alguma arte fora das quadras.

Martina no Kilimanjaro

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