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Arquivo de setembro, 2010

quinta-feira, 30 de setembro de 2010 História, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 13:04

Nos vestiários

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Em tempos de excesso de mídia quase qualquer furor torna-se manchete. Nos últimos dias, repetindo o que já aconteceu no passado, tornou-se polêmica a visita da jornalista da TV mexicana Ines Saenz ao vestiário do time de futebol americano New York Jets, onde Mark Sanches, a estrela maior do time é de descendência mexicana.

Fazendo uma longa história curta, a moça recebeu uma calorosa, para dizer o mínimo, e como não podia deixar de ser, recepção daquele arsenal de testosterona que é um vestiário esportivo masculino. A bagunça virou notícia, e controvérsia, e os jogadores do time estão sendo crucificados na mídia como sexistas.

Os Estados Unidos, até onde sei, é o único país que admite mulheres jornalistas nos vestiários masculinos em nome do politicamente correto, senão haveria a acusação de descriminação contra mulheres em certas áreas de trabalho. Os americanos tornaram-se escravos do PC e para isso sobreviver não se preocupam em abusar da hipocrisia, já que o inverso não é verdade nem permitido.

No U.S. Open também houve, por um tempo, essa imposição das jornalistas com o aval da Federação, sempre preocupada com as acusações de descriminações, e sempre com o desconforto e a indignação dos tenistas. O fato sobreviveu até o dia em que um gaiato jornalista decidiu que ele iria entrar no vestiário de Eleninha e Aninha em nome da igualdade de direitos. A Federação encontrou, rapidinho, uma maneira de acabar com a festa de ambos os lados.

Vale uma historinha sobre o assunto que teve direta influência no tênis. Alguns anos atrás, a jornalista Samantha Stevenson, freelancer do New York Times, conheceu a legenda do basquete americano “Dr” Julius Irving nos vestiários do time. Tornou-se amante de Irving e amiga da mulher deste, não necessariamente nesta ordem, e, eventualmente, mãe de Alexandra Stevenson. A tenista e a mãe escondiam quem era o pai até que um jornalista americano descobriu e divulgou criando um Deus nos acuda na vida de ambas, de Dr. Irving, que no primeiro momento negou de pés juntos, do que veio se arrepender amargamente, e no circuito do tênis. Eventualmente, com o passar dos anos, a família se acertou, mesmo com o esperado ódio e ressentimento da mulher de “Dr”.

Como a genética é forte, Alexandra tornou-se atleta, aprendendo e competindo em vários esportes, mas decidiu-se pelo tênis, onde chegou, por um breve tempo, a estar entre as 20 melhores do mundo.

Mas, como podia se esperar, a mãe é uma pessoa extremamente complicada, o que a filha herdou, e ambas, já que a mãe vivia colada na filha, criaram um ambiente ruim dentro do circuito, inclusive com acusações de lesbianismo e racismo nos vestiários realizadas pela polêmica mamãe, e a carreira da moça foi, literalmente, para a cucuia muito antes da hora. Um exemplo de como muita coisa pode acontecer com a presença feminina nos vestiários masculinos. Ou vice versa, para a tristeza de muitos.

Ines se prepara para invadir o vestiário. Humm – não sei o por que dos apupos!

Dr J. Irving aprende os segredos da direita com a filha Alexandra.

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quarta-feira, 29 de setembro de 2010 Tênis Masculino | 06:43

Bien venido

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A boa notícia da semana foi a volta às competições do argentino Juan Del Potro. O tenista, que recém completou 22 anos, o que às vezes surpreende, perdeu, ontem, por 7/6 6/4, na 1ª rodada na Tailândia para o belga Oliver Rochus, um tenista encardido que apesar de ser uns 30 cm mais baixo do que Delpo tem golpes sólidos e um coração de leão.

O belga vinha de uma revigorante vitória na Copa Davis, eliminando os australianos, o que sempre faz bem para a confiança, além de ser um tenista sólido e que gosta de jogar como zebra.

Após oito meses longe das competições, quase um ano de problemas e uma cirurgia no pulso, Delpo conseguiu jogar de igual para igual com o belga, pelo menos no 1º set, quando perdeu somente no tie-break.

O argentino agora tem que se acostumar novamente com a competição e todas as exigências que o corpo e a mente tendem a camuflar após um longo período de inatividade competitiva.

De qualquer maneira, é um tenista diferenciado, jovem, dono de um estilo vibrante e um Grand Slam, conquistado de uma maneira surpreendente e impressionante, que é muito bem vindo de volta ao circuito.

Delpo – de volta às quadras na Tailândia.

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terça-feira, 28 de setembro de 2010 Tênis Masculino | 01:27

O mago basco.

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Li a entrevista do médico basco Mikel Sanchez, o homem que cuidou e curou o joelho de Rafael Nadal após o tenista perder em Roland Garros 2009, abandonar Wimbledon e ficar meses sem conquistar um título. O oposto do que aconteceu esta temporada, após o tratamento do mago basco. Entrevista ilustrativa, esclarecedora e, de certa forma, polêmica.

O médico usa injeções do próprio sangue do paciente que, após ser tratado com proteínas de fatores de crescimento, é injetado de volta ao corpo para estimular e curar as células deterioradas.

Apesar de a WADA ter mostrado preocupação com esse tipo de tratamento, Sanchez afirma recém houve uma reunião com 20 entendidos do COI na Suíça, onde, de maneira unanime, consideraram não ser dopagem.

No entanto, os atletas que realizam tal tratamento são obrigados a declará-lo à WADA, sem que eu entenda da razão para tal se não há nada de mais. O médico afirma que a meta do tratamento não é o aumento do rendimento e sim de cura. Não posso deixar de lembrar que boa parte dos atletas penalizados por doping, inclusive um dos primeiros no tênis, o checo Korda, o foram por usarem produtos que apressavam a cura de contusões.

O ortopedista afirma que o tratamento foi estressante porque havia muitas dúvidas de muita gente que levantavam suspeitas sobre sua validade. Os tratamentos dessa espécie começaram na área maxilar-facial nos anos 90 por seu colega Eduardo Anitua e no início desta década começaram os testes com o aparato locomotor.

O tratamento, diz o médico, funcionou tão bem no caso de Nadal, por conta do excepcional físico do tenista, já que não funciona igual para todos. Entre os inúmeros atletas que utilizaram o tratamento está o jogador de basquete brasileiro Thiago Splitter. Insiste que, daqui para frente, Nadal não poderá se entregar como fazia quando era mais jovem, sob a possibilidade de ser penalizado com mais contusões.

O tendão contundido está curado e nele não haverá sequelas. No entanto, “está maior e com um aspecto físico distinto”, segundo suas próprias palavras. Mas, se continuar a “jogar em seu ritmo bestial, novas contusões aparecerão”. Foi o médico que convenceu o paciente a não participar do Torneio de Barcelona no ano passado.

Atualmente Sanchez, que trata na esmagadora maioria das vezes não atletas, inclusive o Rei de Espanha, não está tratando Nadal. Mas assegura que o tenista voltará ao seu consultório, cedo ou tarde.

O basco diz que Nadal terá que se cuidar e se poupar para estender sua carreira. “Nadal tem sua forma de jogar – de entrega total e extremamente físico – e que isso não há como mudar”. Sendo assim, terá que economizar o físico, tanto no volume de treinos como no de eventos, se quiser ter uma carreira longa.

Sanchez, fazendo o milagree do sangue.

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segunda-feira, 27 de setembro de 2010 História | 10:48

Alma

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O suspense sobre o futuro de Roland Garros persiste. Esta semana, o presidente da FFT declarou que a nova boa notícia para manter vivo o Projeto “Roland Garros em Roland Garros” deu um passo a frente. A federação conseguiu uma concessão para o uso das quadras do tradicional Clube Jean Bouin onde, até poucos anos, era realizado o qualifyng de Roland Garros. O clube abriga 17 quadras de tênis e um estádio de rugby para 12 mil pessoas, que deve  passar por uma mega-reforma, fica a cerca de 200 m de uma das laterais do estádio de Roland Garros e vizinho do Parc des Princes, onde joga  o “Paris Saint Germain”, o clube que fez de Raí um ídolo na França.

Apesar desse possível acerto, ainda há boas chances de Roland Garros partir para subúrbios de Paris como Versailles, Marne La Valle e Gonesse. A decisão final deve acontecer na Assembléia da Federação Francesa em fevereiro, com a possível construção de um novo complexo, em Roland Garros ou longe dele, estar pronta entre 2015 e 2016.

Vale lembrar que o U. S. Open realizou essa mudança em 1978, ao sair do tradicional West Side Tennis Club em Forest Hills para o Coronna Park em Queens, assim como os australianos saíram em 1988 de Kooyoung para o Melbourne Park.

Os franceses afirmam que um fator preponderante na decisão é a alma existente no complexo de Roland Garros, mas circunstâncias incontornáveis, como a má vontade da prefeitura atual de Paris, podem determinar a mudança, o que seria uma grande pena.

 Stade Jean Bouin – quadras de tênis e estádio de  rugbi.

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domingo, 26 de setembro de 2010 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 23:12

Feijão e Bogotá

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Cinco meses atrás, João “Feijão” Souza venceu um Challenger em Bogotá, o que abriu a promessa do rapaz quebrar a barreira dos torneios do segundo escalão e entrar no circuito dos cachorrões.

Infelizmente a promessa não se concretizou com tanta facilidade. João continuou flutuando no limbo. Isso até este fim de semana, quando venceu, mais uma vez, um Challenger em Bogotá, desta vez batendo o marroquino Amrani por 2 x 0.

A vitória o colocará como #112 no ranking da ATP, o seu melhor ranking na carreira e próximo da barreira dos #100 melhores. Como esta semana ele joga em Cali, onde estréia contra o irmão mais fraco dos Lapentti, há a possibilidade de ficar próximo de entrar direto em torneios da ATP.

João Feijão, um talento ainda a ser lapidado, completou 22 anos em Maio e vem sendo persistente e trabalhador na sua carreira. Com 1.93 m de altura e golpes fortes dos dois lados, além de potente serviço, tem boas chances de uma hora conquistar a confiança necessária para dar o difícil e almejado pulo do gato.

A segunda vitória de Souza nos faz pensar o que há de tão especial em Bogotá, onde os brasileiros fazem uma festa desde os tempos de Marcos Hocevar e Carlos Kirmayr. Marcos Daniel já conquistou seis Challengers por lá e agora Feijão tem dois. Fica a torcida para que o rapaz não fique restrito à geografia nem ao nível de eventos.

Feijão mais uma vez se dá bem em Bogotá.

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sexta-feira, 24 de setembro de 2010 Tênis Masculino | 12:31

Rei do Sião

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O Producer, sempre esperto, às vezes consegue se adiantar no que penso, apesar de que às vezes nem tanto, pelo contrário. Eu tinha preparado um Post dos mais lights e eis que ele comenta algo na mesma direção.

Nos dois últimos anos, Rafael não pode cumprir um de seus compromissos previamente acertado por conta de suas contusões. Era em torneio na Tailândia e na época cheguei a fazer um destes mesmos lights publicando fotos do magnífico hotel onde ele ficaria hospedado na semana anterior ao evento, já que o plano eram duas semanas na Tailândia, uma de tênis e outra, a primeira, de férias. Veja: 

http://paulocleto.ig.com.br//2009/09/24/explica/

O acerto foi revalidado para esta temporada e o espanhol já está nas terras do Sião – onde foi recebido com coroas de flores e autoridades ainda no aeroporto – curtindo as praias do sul do país. Antes disso foi recebido pelo Primeiro-Ministro, plantou árvores eA presença de Nadal na Tailândia é uma daquelas peculiaridades do circuito. O que ele vai fazer lá? O evento, um mero ATP 250, certamente não acrescenta nada a sua carreira e provavelmente será descartado na ranking.

Eu diria que algo, como bem chutou o leitor, em torno de 1 milhão de Euros é a razão. Fora as pescarias, a confortável e luxuosa hospedagem e qualquer outra amenidade que os organizadores com certeza proporcionam. É bem provável que algum contrato de patrocínio paralelo seja acrescentado ao pacote, como fazem alguns organizadores mais ágeis, especialmente os asiáticos, que tem uma dificuldade extra em realizar seus eventos, ao convencer os tenistas em mudar de continente para ganhar a vida.

Nadal, além de jogar em Bangkok, jogará em Tóquio e Xangai, antes de voltar a Paris, para o último Masters da temporada, e Londres, para o World Tour Finals.

A passagem pela Tailândia faz sentido e não só pela grana, que é o fator determinante. Nesta semana sai para suas pescarias, que é o seu programa favorito, e completa três semanas longe das quadras, o que lhe descansa o corpo e prejudica o ritmo de jogo. Na semana que vem o espanhol faz um providencial torneio/treino, onde será interessante acompanhar seu desempenho e na semana que vem chegará a Tóquio jogado e mais rico.

Nadal – no aeroporto e o quarto que o espera em Bangkok.

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quinta-feira, 23 de setembro de 2010 Tênis Masculino | 12:42

Original 9

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Em 1970 o mundo mudava socialmente ainda mais rápido do que nestes tempos de internet. O tênis profissional como é hoje conhecido engatinhava – nascido que foi em 1968.

As mulheres conquistavam seus espaços nas mais variadas áreas, algo que as moças de hoje acreditam que sempre foi o padrão. Mas, como em tudo, algumas desbravadoras tiverem que ter uma visão crítica do passado e do presente para ter uma visão arrojada e sem limitações para o futuro. Para quem não sabe – que acredito ser uma maioria – o Complexo Bille Jean King, que abriga o U.S. Open, não recebeu esse nome só pelos títulos da moça, que foi a melhor do mundo de sua geração.

Em 23 de Setembro de 1970 Billie Jean reuniu, e liderou, mais oito tenistas, no chamado grupo “Original 9” para criar um circuto profissional de tênis feminino. Assinaram com a então mulher mais poderosa do tênis mundial, Gladys Heldman, editora/publisher da revista World Tennis, bíblia tenistica da época, como agente, e conseguiram o patrocínio da Philip Morris, que recém lançara os cigarros “Virginia Slims”, focado no nicho de jovens profissionais, com o tema “you’ve come a long way, baby”, que tornou-se o mote do feminismo americano.

A WTA foi fundada três anos depois, durante Wimbledon, no Gloucester Hotel, hotel e ponto de encontro dos tenistas em Londres há décadas. Billie Jean, nomeada presidente, tratou de unificar todo o circuito, que na época era um retalho de eventos, assim como fizera a ATP. O circuito consolidou-se em 1974, quando a WTA assinou um contrato com a rede de TV americana CBS, o primeiro realizado em todos os esportes femininos.

O projeto de King era o futuro, querendo assegurar que nele as mulheres – em todas as áreas – trabalhariam em igualdades de condições com os homens e que todas as moças que quisessem fazer do tênis uma profissão teriam uma oportunidade da fazê-lo. As dondocas de hoje, e não só as raqueteiras, tem que todas beijar a mão da moça cada vez que a encontram – ou assim deveriam. King escancarou, na conversa, nas negociações, muitas vezes na porrada e nas ameaças, as portas cerradas de uma cultura machista que imperava ao redor do mundo, sabendo que o poder e a força de metade da humanidade não poderia continuar sendo menosprezado. O alcance de suas ações, que aqui menciono bem por cima, foi bem muito profundo do que só no tênis.

Hoje, o circuito da WTA distribui U$86 milhões por temporada em 91 países e atinge cerca de 2250 atletas, ao mesmo tempo em que inspira milhares de outras. Tudo por conta da visão e determinação de uma atleta que queria mudar o tênis e terminou por ajudar a mudar o mundo.

Billie Jean e as oito companheiras. Vocês conhecem alguma?

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quarta-feira, 22 de setembro de 2010 Tênis Masculino | 14:02

O pulo do gato

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Imagino que muitos negócios, guerras, carreiras e outras infindáveis ações sejam vencidas ou perdidas, fracassos ou sucessos, por erros ou acertos estratégicos. Decisões que se faz no dia a dia e/ou aquelas que vislumbram resultados no longo prazo.

Tenho lido sobre as atuais dúvidas e decisões, ou a falta delas, o que não deixa de ser uma decisão, sobre o futuro tenistico do habilidoso, talentoso e irascível Andy Murray.

O escocês diz que foi contatado por algumas – número impreciso – pessoas que queriam, ou tinham indicações para, a posição de seu técnico. Ele diz que provavelmente existem mais de uma pessoa que poderia ajudá-lo nesse momento de sua carreira e que a decisão que lhe resta é decidir qual delas pode agregar mais ao seu tênis. Mas que quer fazer isso com calma e tempo.

Seu principal dialogo sobre o assunto vem sendo com as pessoas que administram sua carreira e, especialmente, sua mãe, figura importante na sua vida e seu tênis.

Talvez a reticência atual em oferecer o emprego a alguém seja em função da inesperada, pelo menos para ele, recusa de Darren Cahill, que, além de recusar, não teve o menor escrúpulo em divulgá-lo ao público.

Murray deixa transparecer que pensa que a razão de seu fracasso no U.S. Open foi resultado de uma perda de preparo físico ideal. Diz que jogou o GS já sem forças. Para isso, pensa que investir ainda mais no seu preparo físico. É bom lembrar que, apesar de estar sem um técnico, com quem óbvio teve diferenças estratégicas, Andy segue com dois preparadores físicos e um fisioterapeuta, que convivem com ele no dia a dia. Essas pessoas definitivamente exercem uma influência nas suas decisões. E preparador físico pensa sobre preparação física.

O ponto a que quero chegar é que, apesar de ser, junto com Nadal, o tenista mais bem preparado do circuito, Murray insiste em perceber que esse é o foco único de seus sucessos e fracassos. Não resta dúvida que essa é uma das principais razões de seu sucesso, mas não explica seus fracassos, pelo menos o que é considerado como fracasso à luz de suas possibilidades.

O escocês passou 10 semanas na América do Norte com a óbvia estratégia de ter seu ápice nos US Open e vencer seu 1º GS. Logo no 1º evento, em Los Angeles, chegou à final, quando fez um papelão contra Querrey, perdendo um jogo ganho por falta de interesse. Na semana seguinte venceu o Aberto do Canadá, batendo Monfils, Nalbandian, Nadal e Federer, o que deixa claro seu potencial.

Mas perdeu nas quartas de Cincinnati e na 3ª rodada em New York, o que sugere que tenha “picado” antes da hora, talvez física e, mais provável, mentalmente. Ficar 10 semanas longe de casa sempre tem um preço no emocional do atleta.

O mais grave, pelo menos no meu ponto de vista, é que Murray aposta todas as suas fichas, pelo menos no que admite publicamente, no preparo físico, descartando as mudanças estratégicas de seu jogo e estilo, principalmente em um melhor equilíbrio de sua defesa (que parece ser seu instinto) e do seu ataque, sempre raro, e que perece ser, de forma unanime, pelos “entendidos”, o necessário para ele dar o pulo do gato. É só lembrar a sua brilhante vitória sobre Nadal na Austrália 2010, onde foi agressivo na medida correta.

De qualquer maneira, o sucesso maior do rapaz parece passar mais e mais pelo mental do que pelo físico. Resta ver quando ele irá lidar com a questão e trazer esse aspecto de seu tênis a altura de seu físico – um padrão gritante no melhor tenista do circuito atualmente, a quem terá que, novamente, bater para vencer seu 1º, e ansiosamente esperado, Grand Slam. Aí o cachorrão dará o pulo do gato.

Murray – falta o pulo.

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segunda-feira, 20 de setembro de 2010 Copa Davis, Tênis Masculino | 19:57

Milongas

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Como o assunto da milonga do Djokovic deu reverberação, mais por conta de uma ignorante que, óbvio, não sabe o que é ser milongueiro em quadra, pego a pauta e me estendo, mais por conta de um outro leitor que escreve não saber detalhes.

Já escrevi que não assisti, mas o site OFICIAL da Copa Davis, o da FIT, se estende sobre a CONTROVERSIA.

Berdich e Djoko jogavam a quarta partida, com 2 x 1 para a Rep. Checa. Berdich venceu o 1º set e dominava a partida. Djoko sacou em 2×2 e manteve o seu serviço. No game seguinte, correu atrás de um daqueles smashs sem retorno, tropeçou, caiu, foi carregado, parecia que ia para o hospital, foi enfaixado e interrompeu o jogo por sete minutos – não três como um leitor comentou – o que é uma eternidade em quadra.

A partir daí eu copio, entre aspas, o site da ITF:

“Duas coisas ficaram evidentes; Djokovic ainda podia ser mexer e Berdich tinha perdido completamente o seu ritmo”

“De fato, pelo o que se viu daquele momento para a frente, alguém pode entender a sugestão dos checos de que Djokovic fez bem mais da contusão do que realmente existiu”.

Após a partida o sérvio declarou que se sentiu “energizado” após o tombo. “Eu não comecei bem a partida, Thomaz estava jogando muito melhor e eu precisava que algo acontecesse”. Bem, para um bom entendedor, meia palavra basta, para quem não consegue, ou pode entender, nem um dicionário adianta.

Mas Copa Davis é isso mesmo e a linha que separa o ético do anti-ético, o certo do errado é tênue e geralmente é interpretada, ou não, pelo árbitro, que precisa ser muito “macho” para manter as coisas em linha.

De qualquer maneira, os sérvios estão na final, contra os franceses, pela primeira vez, tentando igualar o feito dos seus “irmãos” croatas.

Completando, o tal de Djokovic é um belíssimo guerreiro, um dos melhores do circuito, algo que essa competição exige como princípio e caráter, além de um milongueiro, algo que não é uma exigência, mas em certas horas e circunstâncias, ajuda.

E quem quiser conhecer um pouco mais sobre o ambience de Copa Davis e porque, apesar dos tolos de plantão, que proclamam o fim da competição, vejam abaixo porque isso nunca acontecerá.

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Copa Davis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 10:20

Abismado.

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Mais uma vez sou abismado pela Copa Davis, seus dramas e suas emoções, sobre nós espectadores, e, principalmente, sobre os participantes. Continuou achando que é uma oportunidade única na vida de um atleta. Continuo achando que, como em tudo na vida, uns lidam bem, outros lidam mal, uns aproveitam, outros desperdiçam. E não sou eu quem precisa ficar esfregando na cara de ninguém quem é quem. Para a amargura e dor maior, cada um sabe bem aonde aperta o seu sapato.

Infelizmente não tenho um daqueles satélites maravilhosos, onde eu posso assistir à partida de Copa Davis que eu escolha. Também não tenho aqueles HDs que gravam para assistir a hora que eu pudesse. Sendo assim, deixei de assistir algumas partidas imperdíveis este fim de semana, assim como deixei de gravar outras que era melhor nem ver.

Deixei de assistir o Tipsarevic bater o Berdich e o Stepanek na vitória da Sérvia sobre a Rep. Checa, o que deve ter sido maravilhoso, sem contar a controversa vitória de Djokovic sobre Berdich, quando o sérvio aprontou mais uma de suas milongas para virar a partida e vencer.

Não pude também ver a surpreendente vitória do Santiago Giraldo sobre o Sam Querrey em três sets, nem a vitória do Fish sobre o mesmo colombiano, que quase vira herói nacional, por 8/5 no 5º set, após ter batido o Falla também no 5º set na partida de abertura. Fico imaginando o que o Fish deve estar sentindo, o que os americanos estão falando sobre a incompreensível derrota do Querrey, assim como que alguns fãs colombianos podem estar acusando o Giraldo e o Falla de amarelões. Devem ter sido três dias de grandes emoções.

Mas assisti a partidaça do Monfils x Nalbandian. Nunca vi o francês jogar naquela intensidade. Se jogasse os GS assim poderia surpreender qualquer um e mesmo ficar com um título. Aquele é o jeito que o “mano” francês deveria jogar, ao invés de ficar com aquelas frescuras a que se acostumou a fazer. O argentino jogou bem e lutou muito para vencer – especialmente no 4º set, quando teve um break acima – mas não aguentou o jogo do outro. Uma partida para se assistir na ponta da cadeira e aplaudir de pé.

Quanto aos brasileiros, madruguei para assistir o 1º dia. Fiquei apreensivo, na falta de uma palavra melhor, quanto a participação do Bellucci e contente com a do Mello. Mas fiquei muito torto de acordar na madrugada e ainda ter que trabalhar. Não vi a dupla e não me animei a ver a simples do Bellucci no meio da madruga de Domingo. Melhor assim.

Thomaz venceu a primeira partida porque arriscou quando se viu nas cordas – esteve com 2/5 no quinto – e as bolas entraram. Valeu pela coragem e o desprendimento. Mas o problema estava lá. Estava esgotado desde o início do quinto set.

Como um tenista entre os 30 melhores do mundo, com evidente superioridade técnica, pode deixar uma partida contra um inspirado duplista complicar tanto? Seria seu cansaço só um fator físico ou o mental teve um peso na equação? Como entender um jogador teoricamente preparado para jogar partidas de 5 sets, abandonar por esgotamento, no início do 2º set, após um dia de descanso, padrão nos GS, uma partida que podia decidir o destino do país na competição? A humidade e o calor – extremamente desagradáveis e castigantes, presentes em torneios como o Aberto da Austrália, também jogado em 5 sets, ou mesmo aqui em casa, onde tantas vezes usamos desses fatores para incomodar adversários – são o bastante para explicar?

Quando Bellucci abandonou a partida o confronto foi decidido. Bopanna já havia mostrado na 1ª partida ser um tenista perigoso. Belo saque, bela esquerda, ótimos voleios e ágilidade apesar do peso. Após a desagradável surpresa, se conseguisse jogar solto seria um perigo, por ter um arsenal mais amplo e letal do que Mello. Conseguiu.

Bellucci – não resistiu ao cansaço.

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