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Arquivo de agosto, 2010

terça-feira, 31 de agosto de 2010 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 12:30

Tarefa almejável

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Thomaz Bellucci e Ricardo Mello conseguiram boas vitórias na 1ª rodada do US Open. Vitórias esperadas, já que ambos enfrentaram tenistas com ranking piores. Mas uma coisa é a expectativa e outra é o fato.

Mello tinha mais dificuldades porque seu adversário é mais forte e experiente, apesar de não ser nenhum cachorrão. O campineiro chegou a hesitar, no 3º set e na hora de fechar a partida, o que é normal. O bom mesmo é conseguir lidar com as adversidades de uma maneira positiva e passar para a próxima rodada. Venceu por 6/4 7/5 4/6 7/6, uma vitória sofrida, lutada e satisfatória.

Na 2ª rodada um cachorrão entra em cena. Juan Carlos Ferreiro já foi #1 do mundo e venceu Roland Garros. Mas não apresenta o mesmo perigo em uma quadra dura – essa é a esperança de Mello, que perdeu duas vezes para o espanhol esta temporada, ambas no saibro. Acompanhei uma delas no Sauípe. Ricardo tem mais chances em NY porque fica mais fácil achar a esquerda do Ferrero na dura do que no saibro (o espanhol terá mais dificuldades para fugir da esquerda e fazer o ataque de direita), mas é um jogo acima do nível do nosso tenista. Para vencer, Ricardo terá que jogar acima de seu padrão e o espanhol abaixo.

Thomaz Bellucci venceu porque é mais tenista do que Tim Smiczek, um americano que foi um bom juvenil, mas não tem armas para enfrentar tenistas top 100. A partida só não foi um passeio no parque porque Thomaz gosta de viver perigosamente. Ou pelo menos assim demonstra. Era jogo para 2,2 e 3, não mais do que isso, se considerarmos o tênis de ambos tenistas. Mas acabou sendo 3,5 e 6, mais do que o americano merece.

Bellucci ainda se permite tanto a erros mentais que deveriam estar sendo cada vez mais raros para não escrever inexistentes, como erros técnicos que ele tem toda a capacidade de evitar. Tipo, duplas faltas em demasia, sem necessidade e intenção de machucar; voleios, que conforme sua própria admissão faz parte de sua evolução como jogador; e certas bolas necessárias para incomodar, consistentemente, tenistas mais perigosos do que o adversário de ontem.

Como analista e seu torcedor, ficaria mais confortável e contente com uma vitória mais contundente contra tenistas mais frágeis – algo que infla a sempre necessária confiança. Até porque seu próximo adversário, o sul-africano Kevin Anderson, é um cachorrão da pior estirpe; sacador, agressivo, corta-físico e sem nada a perder. Uma vitória na próxima rodada, colocaria Thomaz Bellucci em outra dimensão no seu tênis e sua carreira. Não tanto pelo nome do adversário, mas pelo tênis que este pratica, em um cenário onde está mais confortável do que o brasileiro. Uma tarefa difícil, possível e almejável para um tenista que tem vontade de atingir novos patamares.

Bellucci – cachorrão a vista.

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segunda-feira, 30 de agosto de 2010 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 00:33

Caráter

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Às vezes sobreponho os significados das palavras caráter e personalidade. Heráclito esclarecia que o primeiro é um conjunto de traços comportamentais e afetivos de um indivíduo (ou lugar), persistentes o bastante para determinar seu destino, enquanto Houaiss define personalidade como o conjunto de características que distinguem uma pessoa ou um lugar. Tal hesitação conceitual não passa de um desvio dos meus pensamentos sobre o Aberto dos EUA que começa nesta segunda-feira. Como?

O caráter, ou será personalidade, de cada um dos grandes torneios reflete o local onde é realizado. Essas cidades refletem o caráter do povo que a habita e que dá a ela sua personalidade. Por aí eu vou. Sempre que alguém me pergunta qual o melhor dos Grand Slams, tento analisar meu interlocutor para então lhe oferecer o meu parecer.

Encarando o monitor do meu computador, vejo que minha análise, na maioria das vezes, não vale um tostão furado. O que ofereço é a minha opinião pessoal sobre o assunto – por vezes lógica, sempre emocional. Mas não esperem vê-la aqui, pois estou tentando, pelo menos até o fim do parágrafo, ser o mais lógico possível. Especialmente considerando o horário, adianto não ser cedo, e o cálice de vinho do Porto à minha esquerda. O fato é que a personalidade do fã do tênis faz uma diferença para a boa sintonia com um evento repleto de caráter.

Enquanto os franceses fazem um Roland Garros charmoso, light e um tanto sofisticado, sinônimos da cidade que o abriga, os ingleses oferecem um Wimbledon repleto de tradição, uma sisudez que já foi maior e elitizado além do meu gosto, o que também espelha os anfitriões. Os australianos investem numa festa esportiva, bem humorada e, nas ultimas décadas, na busca de um alto patamar de qualidade, o que vem a confirmar o raciocínio anterior.

Quanto ao U.S Open, se o torneio fosse em qualquer outra cidade do país teria outra personalidade. O campeonato procura ser o mais democrático e politicamente correto possível. Pelo menos aos olhos deles, pelo menos para “inglês ver”.

Não foi o pioneiro em distribuir premiação idêntica para homens e mulheres, mas age, através da insistência no “politicamente correto” como se fosse. É razoavelmente fácil encontrar, diariamente, ingressos nas bilheterias, o que é prático, acessível e não acontece em Paris e muito menos em Londres. Como em quase toda a América o “dress code” é extremamente casual, especialmente durante o dia – à noite a invasão dos executivos, homens e mulheres – mudam o cenário e as vestimentas, mas não o espírito.

Como bons marqueteiros e fazedores de grana que são oferecem e cobram  duas seções distintas: diurna e noturna. A primeira é frequentada por um público, na esmagadora maioria praticante, de todas as partes do país e do planeta. São os fãs do tênis que trazem a saudável expectativa de acompanhar boas partidas apresentadas pela elite do esporte. Quando se ouve à distância uma torcida mais barulhenta e fanática é a de um tenista de um país com marcante cultura futebolística, com um interesse maior no tenista do que no tênis, algo bem evidente também aqui no Blog.

A noturna, que começa às 19h, restrita a menos quadras, é povoada por uma percentagem maior de noavaiorquinos – os turistas deixam o complexo e invadem Manhattam em busca das alternativas de entretenimento da cidade. É aí que o bicho pega.

Novaiorquinos são agressivos, impacientes e com uma altíssima expectativa de competição e qualidade, o que o evento oferece em sobra. São acostumados com o que há de melhor no mundo em esportes, arte, música, tecnologia e cultura em geral. Como diz a música – “if you make it there you’ll make it anywhere”. O caráter da cidade é bem visível no Estádio Arthur Ashe, com lotação para 20 mil pessoas que, em uma boa parte, não hesita em se comportar mais como o novaiorquino casca grossa do que o sofisticado fã do esporte dos reis.

Esse o público que vai tentar empurrar Andy Roddick, ou qualquer outro americano/a, a mostrar sinais de uma grandeza tenistica que atualmente está mais presente na infra estrutura do que nas quadras, o que deve ser uma enorme frustração, assim como um alvará de incapacidade, para os dirigentes da federação americana das ultimas décadas, responsáveis pela a aridez de talentos do presente.

Lembro que em uma época tentei convencer o então presidente da CBT Nelson Nastás a se enfronhar, conhecer e copiar parte da infra-estrutura da federação americana – cheguei a até convencer o presidente da USTA, só não consegui mesmo foi convencer o presidente da CBT. Imagino que hoje eles estejam se sentindo um pouco como nós, apesar de nós ainda não termos razões para nos sentir como eles.

No entanto, as notícias que chegam de lá é que a prioridade atual de investimento da USTA é a formação de tenistas – o que sempre fez parte da personalidade dos americanos na sua maneira de encarar o esporte e a sociedade em geral. Por aqui, seguimos cedendo ao nosso caráter; por um lado com a contínua falta de investimento na formação de talentos, a eterna falta de transparência e sempre presente cobrança por melhores resultados.

O Post acima foi inspirado em um artigo meu de 2007 e atualizado para os dias de hoje.

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domingo, 29 de agosto de 2010 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 19:18

Vai começar

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Faço minha estréia nos comentários do Aberto dos EUA amanhã, segunda-feira, às 20h, no canal ESPN, com as partidas entre Vênus Williams x Roberta Vinci e em seguida Roger Federer x o argentino Brian Dabul.

A princípio, as partidas servem mais para voltar apreciar o espetáculo e matar as saudades de campeões como Vênus e Roger, já que nenhum dos adversários deve oferecer grande resistência e criar grandes emoções. Mas nunca se sabe.

Quem quiser um pouco mais de emoção pode checar para ver se vamos ter imagens das partidas entre o campineiro Ricardo Mello e Bjorn Phau – um alemão-indonésio que não assusta ninguém, mas também não é nenhum bobo, às 12h, na Quadra 14 – o que duvido, e lá pelas 18h (pode ser antes), na Quadra 11, a partida entre Thomas Bellucci x Tim Smiczek, um convidado da USTA, que é 27 dias mais velho do que Bellucci, mas não tem nem parte de seu sucesso em quadra, partida que eu acredito que mostraremos.

A programação dos canais ESPN começa às 12h na Brasil e vai até terminar a rodada noturna, que estarei fazendo com Airton Cunha. Fora o show.

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sexta-feira, 27 de agosto de 2010 Tênis Feminino, Tênis Masculino | 13:08

As chaves no U. S. Open

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Saiu a chave do U. S. Open. É sempre uma comoção, tanto na mídia como entre os tenistas, o sorteio e a divulgação da chave. Os jornalistas presentes procuram colocar divulgar o mais rápido, para depois virem os comentários. No local, assim que termina o sorteio, colocam chaves nos vestiários e nos lounges do tenistas.

Assim como os jornalistas, os jogadores fazem seus comentários entre eles e técnicos, tanto de seus próprios jogos como de amigos e “clássicos” em geral. Ao contrário dos jornalistas, os tenistas evitam especular sobre futuras rodadas e quem vai cair contra quem. Para eles, pouco importa quem vai estar na semifinal ou na final, se não forem eles mesmos.

Um pouco de sorte é o que todos querem, desde os qualys e convidados até os favoritos. Os primeiros querem ficar longe dos segundos e os segundos querem ficar longe de um “fantasmão”.

A esta altura, após descobrir com quem joga, o pessoal está mais preocupado em descobrir em qual dia estréiam, pois dependem disso para montar seus treinos. Enquanto não descobrem, vão tentando driblar a chuva que vem caindo em N. York, forçando-os a treinar “indoors”, o que eles odeiam, mas é melhor do que nada.

As estrelas geralmente conseguem um aceno prematuro da direção do torneio – esse papo de democracia e direitos iguais é para marciano ver – de quando devem estrear. Se o Nadal, por exemplo, estréia na quarta e não na segunda, sabe que ainda pode “puxar” nos treinos até Domingo, diminuir na segunda e maneirar na terça. Se for na segunda ou na terça é obrigado a antecipar. Se não souber, tem que adivinhar, o que nunca é tão bom.

A maioria jura, quando perguntada, que não olha a chave para a frente. A maioria olha, mas não fala que olha. Alguns não olham mesmo, o técnico que olhe e decida se vai mencionar ou não. Alguém é bom saber para não passar o constrangimento de pedir para treinar com adversário.

Todos adoram quando acontece um “clássico” ou um “daqueles” jogos nas primeiras duas rodadas. Fica aquela tensão no vestiário. Tem “clássicos” mundiais, mas os melhores os regionais são, de longe, os melhores. Causam maiores tensões.

Algumas partidas para prestar atenção na 1ª rodada:

Safina x Hantuchova, a grande 1ª rodada do torneio, exatamente a situação que ninguém quer para si e nós adoramos ver. Em um ano a russa, que virou um meteoro perdido na chave, viu seu ranking #1 despencar para #59 e caiu contra a cabeça #24. Kuznetsova x Kimiko Date ( japonesa quer acabar a cerreira com um Bang). Chakvetadze x Radwanska (duas jovens tentando deslanchar). Petrova x Petkovic (bom duelo). Kvitova x Hradecka (duas checas).

Entre os homens:

Kolchschreiber x Kamke e Becker x Brands (todos alemães). Ferrer x Dolgolopov (interessante tenista). Chardy x Gulbis (dois locs). Fognini x Verdasco (vão jogar umas 5 hs). Murray x Lacko (o Thomaz que o diga). Stepanek x Benneteau o checo é o cabeça mas deve tomar um castigo). Berdich x Llodra (este é sempre um fantasma). Troicki x Djoko (sérvios).

Teorias: Federer x Soderling nas quartas e x Djoko, que tem que passar pelo Roddick nas semis.

Nadal x Nalba nas quartas. Murray x Berdich nas quartas. Os vencedores na semi.

Final: sei lá, mas será interessante ver Federer x Murray ou alguém mais inesperado aparecendo por fora.

Os canais ESPN; ESPN, ESPN-BRASIL e ESPN-HD, vão mostrar os jogos diariamente, ininterruptamente, a partir das 12h até o término da rodada noturna. Eu estarei narrando/comentando na ESPN, no horário das 20h, a partir de segunda-feira 30/08 e a partir do dia 08/09 desde o início das transmissões.

Os rapazes comentando a chave após o treino da tarde.

Courier e o sorteio de uma chave em N. York.

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quinta-feira, 26 de agosto de 2010 Tênis Feminino, Tênis Masculino | 14:15

Ausência sentida

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Grandes expectativas podem se tornar grandes dramas. Havia uma enorme expectação sobre a presença de Serena Williams no Aberto dos EUA 2010, em virtude dos acontecimentos no ano passado, quando a tenista ameaçou uma juíza de linha, que terminou com sua desclassificação na partida contra Kim Cljisters, incidente que lhe gerou muitas críticas, assim como à federação americana, que preferiu se fazer de boba a punir a sua melhor tenista da década.

Bem, o drama seguirá, por enquanto, sem um final feliz, já que Serena não jogará em N. York, alegando uma contusão. Como sempre, a moça não dá maiores explicações sobre suas contusões, o que sempre foi uma de suas atitudes perante o circuito.

O que se sabe, através de pessoas a ela chegadas, é que logo após Wimbledon ela cortou a parte de cima de um pé em um incidente em um restaurante em Munique, do qual ninguém dá maiores detalhes. Ela não joga desde então, passou por uma cirurgia e só deve voltar a jogar no Aberto de Tóquio, no fim de Setembro.

Serena enviou um texto, através de seu agente, dizendo que a ausência este ano é um dos “momentos mais devastadores de sua carreira”. Imagino se mais devastador do que o do ano passado.

O torneio respondeu que “sua ausência será sentida, mas o torneio é sobre a competição e os jogadores em quadra e o evento será memorável como sempre”, o que não me pareceu exatamente uma declaração de amor.

O que ela enviou pessoalmente, que também gerou o maior bafafá, foi uma mensagem pelo Twitter durante o recente torneio de Los Angeles. Parece que ela pediu ingressos para amigos e o torneio não deu. Ela tuitou que isso era uma ofensa a ela e tudo que fez pelo tênis americano e completou dizendo que as pessoas deveriam boicotar o torneio.

Por essas e por outras que o relacionamento de amor e ódio entre as irmãs Williams e o tênis americano segue, mesmo que por vezes o drama seja público e por muitas não o seja.

Ahh, Jo W. Tsonga e Tommy Haas tambem avisaram que não jogam.

Serena e seus amigos no U.S. Open.

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quarta-feira, 25 de agosto de 2010 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 22:07

Caldeirão

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Mais uma vez um leitor comenta algo que pode ser usado no Blog. Abaixo um equlibrado comentário do nosso leitor Flávio B. “Barão”, oferenco seu ponto de vista sobre o “momento Bellucci”, do qual não necessáriamente compartilho de A a Z, mas respeito e aprecio pelo equlíbrio. 

Sabe quando você consegue fazer alguma coisa acima das suas expectativas? Depois, você para e pensa no que ocorreu, buscando explicações de como conseguiu se superar, chegando a uma ou outra conclusão.A questão é que, ainda que você consiga fazer aquilo somente uma vez, no tal “momento de superação”, fica comprovado que você pode, que tem capacidade para tal.

A grande dúvida é quantas vezes você é capaz de conseguir repetir aquele feito “extraordinário”. 

É nessa linha que eu encaro a carreira do Bello até hoje. Como ele já conseguiu alguns resultados expressivos, fica demonstrado que ele tem capacidade para tal.

O problema está quando se transforma essa constatação do “poder” com o “conseguir sempre” e acho que é aí que as opiniões sobre o brazuka têm gerado tanta polêmica.

Tanto os que jogam como os que não jogam, mas são assíduos observadores do tênis, sabem que o número de ingredientes para se formar um grande jogador é vasto e de muita variedade.

São inúmeras combinações, que se alternam juntando de várias formas alguns itens como talento, treino, técnica, preparo físico, preparo mental, um bom treinador, garra, perserverança, estilo, algum golpe diferenciado, consistência, disciplina, ou seja, é muita coisa para por no caldeirão.

Em relação ao Bello, é notório que algumas dessas estão lá, como também é notório que outras não só não estão como dificilmente virão a estar. Com o que já possui, ele consegue bons vôos temporariamente, mas você nunca consegue saber o que vem no próximo.

Em resumo, eu opinaria que ele tem potencial, mas também tem vacilado na hora de demonstrar que pode transformar esse mesmo potencial, de expectativa em realidade.

Talvez nós tenhamos nos antecipado em determinar um estágio para ele, em função de bons resultados obtidos, mas que, na realidade, não condiz ainda com a fase em que ele está, de verdade.

Hoje, ele certamente não é o que muitos pensavam que fosse, até pelo número seguido de “fracassos” não esperados. Então, deixemos rolar mais um pouco, consideremos a sua juventude e vamos dar a ele mais um tempo para que se forme uma gama mais considerável de resultados, a fim de se possibilitar uma análise mais consistente sobre o jogo do guri.

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terça-feira, 24 de agosto de 2010 Tênis Masculino | 19:36

Propósito derrotado

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Thomaz Bellucci nos surprendeu a todos sendo derrotado na estréia em New Haven, torneio preparatório para o U. S. Open. Mas já falarei mais sobre ele.

Complementando o assunto do post sobre New Haven, Caroline Wosniacki venceu New Haven no ano passado e foi à final do U. S. Open. Logo depois se comprometeu com o evento – o que pode se traduzir que pediu e levou uma grana para jogar – e está mantendo sua palavra, aparecendo para jogar. Resta a ver até onde irá. Ele é a #2 do ranking e defende pontos em New Haven e New York. Tudo isso explica sua presença em Yale.

Já com Baghdatis a situação é outra. Em 2009, quando o cipriota estava em um péssimo momento em sua carreira, ele pediu e recebeu um convite do torneio e na ocasião assumiu o compromisso de voltar em 2010. Está cumprindo a palavra, já que nesses casos vale o fio do bigode. Depois dos resultados recentes e inclusive ser cabeça de chave em NY, ele não precisaria jogar se não fosse pelo compromisso prévio.

Já Thomaz Bellucci, sua razão para jogar New Haven era pegar ritmo para o último GS da temporada, onde vai ser o cabeça-de-chave #26, tendo o bônus e o ônus dessa realidade. No entanto, à distância e no momento não sei explicar o que aconteceu na sua derrota de hoje na primeira rodada para Lukas Lacko, onde foi derrotado por 6/4 6/7 6/0, um placar que me deixa preocupado.

Das duas uma; ou ele se machucou após o segundo set, o que é péssima notícia, ou ele continua tendo sérios problemas em controlar suas alternâncias de padrão dentro de uma partida, o que não é muito melhor. Admitir que a chuva, que caiu no final do segundo set, é a razão da derrota para um tenista menos qualificado e experiente não deve servir. De qualquer maneira, a derrota também, infelizmente, derrota o propósito de sua presença em New Haven.

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segunda-feira, 23 de agosto de 2010 Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 23:43

Dilema

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O torneio de New Haven, realizado no maravilhoso complexo da prestigiosa Universidade de Yale e jogado esta semana, vive um daqueles dramas que afligem os negócios que vivem na faixa dos dilemas. Tem vários ingredientes para o sucesso, ao mesmo tempo alguns que podem matá-lo.

O evento acontece na semana anterior ao U.S Open. Por conta disso não tem os cachorrões que preferem se poupar para o prato principal.

No entanto é fortíssimo no meio de campo, com muitos bons tenistas e uma chave duríssima que promete ótimos jogos. São 16 cabeças de chave – o primeiro, Baghdatis, #20 do mundo e o 16º, Hanescu, #54 do ranking, algo totalmente fora do contexto para um ATP250, o caso de New Haven.

Além disso, o evento reúne também na mesma semana um torneio de mulheres, um dos únicos quatro eventos do circuito a fazê-lo, o que acrescenta barbaridades à qualidade do evento oferecido ao público. Nele são oito cabeças, sendo a 1ª Wozniacki, #2 do mundo, e a 8ª Petrova, #20 do ranking e uma série de boas tenistas. A qualidade e a força das chaves só são possíveis pela proximidade com o U. S. Open.

Excelentes chaves, porém sem as grandes estrelas, com exceção de Wozniacki, que eu não sei o que está fazendo lá, e Dementieva, que deve estar precisando de milhagem, assim como Ivanovic que também viu seu ranking despencar.

A ausência das estrelas, e a minha surpresa com a presença das meninas acima, se deve ao fato que quem está pensando em uma grande participação no U.S. Open não joga na semana anterior. Quem joga um torneio esta semana não está pensando em estar em New York na segunda semana do torneio. Especialmente entre os homens, que deverão jogar melhor de cinco no GS.

Na cabeça de boa parte dos participantes esse torneio é só um treino de luxo muito bem remunerado. Muitos não querem pagar hotel e despesas em New York, nem se preocupar em achar parceiros e marcar quadras em Flushing Meadows. Vão olhar a chamada no dia anterior e se preparar para um ótimo “treino” no dia seguinte já que, teoricamente, as condições são idênticas ao u. S. Open.

É óbvio que vários não pensam dessa maneira e enxergam nisso uma oportunidade para faturar partidas, pontos e prêmios. Melhor um pássaro na mão do que dois voando. Agora é descobrir quem é quem.

Enquanto isso, os donos do torneio de New Haven deixam o mundo saber que não tem patrocinadores para 2011 – o atual é parceiro há 14 anos, mas a crise deu uma brecada nos seus investimentos – e tem até o fim do U. S. Open para encontrar um, já que é em New York que o calendário da próxima temporada é definido.

A pergunta que assombra os possíveis patrocinadores é se vale a pena investir em um evento a 130 quilômetros de New York, onde os mesmos tenistas, mais as grandes estrelas, estarão presentes disputando o maior torneio, no maior complexo, com a maior cobertura e o maior público do país. Façam suas apostas.

O Brasil não tem um complexo que chegue aos pés do da Universidade de Yale.

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domingo, 22 de agosto de 2010 Tênis Masculino | 23:49

Leituras perigosas

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Roger Federer deve ter lido os livros do Bill Tilden. Ou então não dá muita atenção a táticas. Ou gosta de viver perigosamente.

Na final de Cincinnati ele jogou na esquerda do adversário, Mardy Fish, durante dois sets, ignorando a direita do Peixe. Qualquer um sabe que a esquerda do americano é seu ponto forte e que sua direita de contra-ataque é seu ponto frágil. Qualquer um, menos Federer?

No tie-break do segundo, após perder o primeiro, ele começou a mudar sua tática, pelo menos um pouco – o bastante para vencer o game decisivo.

Durante o 3º set ficou flertando com o perigo. Continuava a dar umas bolas chochas de esquerda, cruzadas e no meio da quadra, as quais o Peixe continuou se esbaldando, com aproximações de esquerda com as duas mãos cruzadas e falando para o suíço; “passa então”.

Foi só no apagar das luzes que voltou a cutucar a ferida, desta vez para vencer a partida na hora da onça beber água no set decisivo.

Para quem não sabe, Bill Tilden foi o melhor tenista do mundo nos anos 20 e deixou vasta e imperdível literatura tenística, muito dela ainda atual, muito nem tanto. Uma de seus legados e suas manias, se é que podemos assim definir, era atacar o ponto forte de seu oponente até quebrar sua confiança. Não foi bem o que vimos acontecer hoje, já que a esquerda do americano fez uma festa e quase o levou ao título.

O que me leva novamente a perguntar. O que esse cara pensa quando entra na quadra? Puro instinto? Porque já vimos essa mesmo atitude, em diversas situações, especialmente quando enfrenta seu maior algoz – Nadal.

O que me leva a responder a um dos meus leitores sobre a influência de Paul Annacone na vitória de Federer em Cincinnati. Nenhuma.

Primeiro porque ele não estava lá. Segundo porque o que levou o suíço ao título foi ele deixar de arrumar um pouco menos o seu cabelo e voltar a jogar para vencer, custe o que custar, com seriedade e determinação, algo que há algum tempo não vinha fazendo. Mas alguns hábitos não desaparecem da noite para o dia.

Tilden, a mesma elegância, as mesmas táticas?

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Tênis Masculino | 00:10

Camaradas

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Na semana passada, antes do confronto com um dos meus parceiros, ele avisou que tinha só até um certo horário para jogar, em função do casamento de um amigo. Ele  está chegando aos trinta anos e lembro de ter mencionado que nessa idade sempre se está atendendo a casamentos. Ele confirmou que no mês era o terceiro, numero igualado, para sua surpresa e espanto, pelo numero de divórcios prematuros.

Da próxima vez que jogamos, na ultima sexta-feira, tive que avisá-lo que chegaria um pouco atrasado em função de estar atendendo ao velório e enterro de um amigo. Quando cheguei à quadra, lembrei da conversa anterior e mencionei que, infelizmente, na minha idade, os enterros são mais frequentes do que os casamentos. Só que para estes não há volta.

Quando acontece um desses, especialmente quando inesperados, sempre causa um abalo em nossa paz interior, levantando uma série de dúvidas e perguntas muito melhores deixadas na quietude. Perturba também um pouco nossa disposição, apesar de que tudo e todos nos dizem que o melhor mesmo é mergulhar no cotidiano para afastar o pensar infrutífero. Demora um pouco, mas essa verdade acaba por imperar.

Da vitória do Federer não há muito o que dizer. O suíço está jogando bem e confiante, o bastante para deixá-lo perigoso. Insisto, ele sabe o quanto o Grand Slam que se aproxima é vital em sua carreira. Está esperto.

Os confrontos entre Andy Roddick e Mardy Fish é um velho clássico. Os dois cresceram juntos no tênis, em Boca Raton, onde frequentavam a mesma escola e treinavam diariamente. Como a família de Fish era do norte, o garoto morou durante um ano com a família do amigo e eterno adversário.

Como profissionais, até hoje haviam se enfrentado 11 vezes e Fish só havia vencido a primeira, em 2003, e a ultima, um mês atrás em Atlanta. Um freguês de caderneta de muitos anos.

Como dizem que clássico é classico, especialmente entre amigos, nesta semifinal de Cincinnati, Roddick venceu o primeiro set, abriu 5×2 no 2º set e sacou no 5×3. Perdeu o saque, o tie-break, a cabeça, a motivação e um jogo que vai agitar ainda mais seu emocional, uma semana após sair de entre os top 10 pela primeira vez em 8 anos. Nada é eterno.

A final, entre Federer e Fish é amanhã, não antes das 15h, com televisionamento da SporTV, espero.

Antes de fecharem o computador, não deixem de ler o post abaixo, enviado por um de meus leitores.

Mardy e Andy – companheiros.

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