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Arquivo de julho, 2010

quinta-feira, 29 de julho de 2010 Tênis Masculino | 11:24

Mimos

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Andy Murray quer mudanças em sua vida. Esta semana ele vendeu sua Ferrari e despediu seu técnico. Não chegam a ser surpresas, como não deixa de ser interessante.

A Ferrari foi um daqueles mimos tolos que meninos precocemente ricos se dão. A decisão da venda veio após uma volta no carro com o pai, que deve ser um daqueles tipos “salt of the earth” e já o havia criticado, com muita lucidez, dizendo que o rapaz recém tirou carteira de motorista e não tem quilometragem para guiar um carro desses. O filho também confessou que se sentia um tanto ridículo cada vez que descia do carro pelo qual pagou cerca de R$370 mil. Foi-se a Ferrari e fica o Land Rover.

A volta no carro deve ter rendido, pois no mesmo dia o escocês despediu seu técnico. As divulgações oficiais, tanto de um como de outro, foram politicamente corretas e sem demonstrar discórdias.

Imagino que o rapaz estava cozinhando essa decisão desde o Aberto da Austrália. A fervura deve ter chegado à ebulição após Wimbledon. Desde o ano passado Murray carrega a expectativa, e a consequente pressão, de vencer seu primeiro Grand Slam. Com o histórico emocional do Murray não é surpresa que a responsabilidade de seus fracassos caiam sobre seu técnico.

Mas não me pareceu uma decisão muito oportuna às vésperas do circuito norte-americano e o U.S. Open, evento que apresenta as circunstâncias ideais para seu primeiro título em um GS. Murray está jogando em Los Angeles, após alguns dias de investimento em seu preparo físico, como sempre realizado em Miami. A quadra em Nova York, assim como a da Austrália, é a que melhor encaixa seu estilo de contra-ataque, algo que eu e o resto do planeta, menos ele e seu ex-técnico, acreditam que poderia ser um pouco mais para o ataque do que para o contra.

Se Murray tivesse, e nisso ainda pode nos surpreender, despedido o técnico e substituído por outro, seria algo mais adequado. Não o fazendo, deixará seu progresso em stand by, já que após o U.S Open só no ano que vem. Tenho minhas dívidas que ele vá encontrar, e tomar, sozinho as decisões necessárias para levar seu jogo para o próximo nível.

Não sei o que aconteceu dentro daquela Ferrari, mas o passeio poderia ter rendido ainda mais se o father Murray levasse um DVD da vitória do filho sobre o Animal Nadal na Austrália, a partida onde ele parecia ter encontrado a medida correta do defesa e o ataque que seu enorme talento permitem.

Murray – segundo o pai, ainda tem muito o que aprender.

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quarta-feira, 28 de julho de 2010 Light | 12:07

Espetáculo ou esporte?

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Após ler inúmeros comentários dos meus leitores sobre o affair Ferrari-Massa, deixei baixar a poeira, mas não muito, para colocar minha opinião.

Não entendo o por que de corrida de carros, seja lá qual categoria for, estar nas páginas esportivas e ser considerado um esporte. Se pensarmos bem é tão esporte como são corridas de cavalos.

Corre-se de cavalos por toda a história da humanidade e os carros são a atualização dos cavalos. Um surgiu para substituir o outro. No entanto, não ouço falar em corridas de cavalos como esporte, nem em jóqueis como esportistas. Até por isso, imagino, nunca passou pela cabeça de alguém considerar as corridas de cavalos, ou carros, para as Olimpíadas, por exemplo. Pensando bem, ambas deveriam estar nas páginas de espetáculos, onde encontramos as mais variadas alternativas de entretenimentos.

Mas há quem discorde. Sendo assim, temos duas possibilidades. Ou é, ou não esporte.

Se não for esporte, vale o espetáculo, que é real, afinal correr acima de 240 kms por hora em bólidos high-tech não deixa de ser instigante para uma parte da humanidade que sonha com o acesso a um carro desses. Valendo o espetáculo, as estrelas são os carros e assim a Ferrari tem todo o direito de determinar qual de seus carros termina em qual lugar e o que mais quiser que diga respeito de seus carros.

Se for um esporte a coisa muda de figura e o elemento humano é o fator predominante, onde o carro é um instrumento tal como, diríamos, uma raquete ou uma vara de salto. Sendo assim, assume o bônus e o ônus de ser o protagonista. Em um caso como o deste fim de semana, onde a Ferrari determina quem ganha e quem perde e o esportista como uma marionete bem paga obedece, o mínimo que deveria acontecer é uma penalidade exemplar para todos os envolvidos.

Por que? Se fosse outro esporte, digamos, futebol, regatas ou tênis, o que aconteceria se o presidente do clube, o técnico ou mesmo o patrocinador berrasse das arquibancadas ou mandasse um bilhetinho eletrônico aos atletas para entregar a partida ou a regata, seja qual for a razão e, pior, eles obedecessem para não perder o contrato? E se isso ficasse documentado através de uma gravação? O que aconteceria? Bastaria uma multa de U$100 mil? No mínimo, os envolvidos, incluindo o que mandasse, o que se beneficiou e o que entregou seriam banidos do esporte. E na nova lei do Estatuto do Torcedor, sancionada ontem, fraudes em resultados pode dar até seis anos de prisão.

Exagero? Dá para imaginar, o Nadal com cara de bunda na Quadra Central de Wimbledon entregando um jogo porque o tio mandou? O Robert Scheidt se afogando para entregar um mundial para dar uma força para o seu “colega” bancado pelo mesmo patrocinador que deu a ordem? O time todo do Corinthians todo olhando para o chão de vergonha enquanto levava tomatadas e porradas da galera, após uma derrota, porque o presidente achou uma razão para fazer uma média com alguém e afinal é ele quem paga os salários, e mais chato ainda, todos, na maior cara dura, tentassem justificar logicamente essa atitude?  As respostas parecem óbvias.

Por essas e por outras acho que corrida de automóveis estaria melhor nas páginas de espetáculos.

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terça-feira, 27 de julho de 2010 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 19:31

Apressadinhos apocalípticos

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Sempre ouvimos e lemos declarações de grandes campeões que chegar a número 1 é uma tarefa árdua, mas ficar lá é mais difícil ainda. O mesmo raciocínio vale para vencer um torneio e defender esse título.

Para os apressadinhos “tenistas de divã”, sempre prontos a criticar e crucificar, é só lembrar as dificuldades de Gustavo Kuerten após vencer Roland Garros pela primeira vez. Alguém aí lembra seus resultados em 1998 e 1999? Uso o exemplo porque a cultura tenistica de boa parte de nossos fãs se resume à era pós Kuerten.

É fato e óbvio que Thomas Bellucci não conseguiu administrar a pressão de defender seu título. Para agravar, enfrentou um tenista da casa, Marco Chiudinelli, e asua consequente motivação extra, além do fato de não ter nada a perder, pois enfrentava “o campeão”que o derrotara nas três oportunidades anteriores.

Era a típica situação que o brasileiro precisava de uma ou duas vitórias para “entrar” no torneio, afastar os maus olhados e soltar o braço. Bateu na trave.

O resultado, 7/6 0/6 6/4, espelha a montanha russa emocional. Um 1º set apertado, emocional e tecnicamente, um 2º set onde soltou o braço porque ficou face a face com a possibilidade da derrota, e um terceiro tenso novamente quando viu a possibilidade da vitória.Tenho certeza que se Bellucci passasse a primeira rodada subiria de produção e qualidade e, quiçá, conquistasse um novo título, até porque existe uma tendência em o tenista saber como e conseguir defender títulos.

Se não o conseguiu é porque nem tudo está ainda tão certo em seu tênis e seu emocional. O que não deixa de ser normal em sua idade e quilometragem, mas, com certeza, não é o sinal negativo e definitivo que os apressadinhos apocalípticos de divã crêem ler e saber.

Entendidos, apressados e apocalípticos.

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segunda-feira, 26 de julho de 2010 Tênis Feminino, Tênis Masculino | 16:52

Curtas e grossas

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Enquanto por aqui aproveitamos, passeando, jogando, mergulhando, motocando, alguns dos melhores dias do ano, com céu azul, sol pleno com zero de nuvens e umidade, nos fazendo sonhar que o mundo podia ser permanentemente assim, um amigo tenista chega de Nova York reclamando que era impossível jogar pelo calor e a umidade. E eu disse: agora você tem uma idéia da dificuldade que os tenistas enfrentam em jogar horas debaixo daquele calor. Isso é algo que a TV ainda não nos oferece; a idéia da temperatura ambiente e do vento em uma competição, dois fatores que fazem uma diferença danada na performance e na qualidade da apresentação de um atleta.

Andrey Golobev vinha batendo na trave e agora finalmente entrou. Duas semanas atrás comentei na TV sua derrota para Tommy Robredo, onde venceu o 1º set e depois entregou o ouro e fiquei positivamente impressionado com seu estilo. Ele tem um tênis perigoso, com um saque venenoso e golpes flats dos dois lados. Um tênis clássico e vistoso sem ser um grande talento. Seu primeiro título vai lhe dar aquela confiança que faz o tenista sonhar, e acreditar, pela 1ª vez.

Fiquei surpreso e contente que a Aninha Chakvetadze voltou a jogar bem o bastante para vencer um torneio – o Aberto da Eslovênia – o primeiro desde o Aberto de Paris em 2008. A moça foi 5ª do mundo, com 18 anos, em 2007 e despencou para #103. Foi sua nona final e seu oitavo título, o que fala maravilhas de seu espírito vencedor. Não sei exatamente o que destruiu a cabeça da menina, só lembro que no seu auge a casa de seus pais foi invadida por bandidos, com ela presente, e o caras barbarizaram. Não sei o quanto isso teve a ver com sua derrocada, mas desde então a moça, de quem eu sou fã, parou no tempo e despencou no ranking. Bom vê-la de volta vencendo.

Mardy Fish confessa que nunca ganhou tanto como nas ultimas semanas, quando foi a três finais nos últimos quatro torneios. Perdeu na final de Queens e venceu Newport, na grama e, na semana seguinte, Atlanta na quadra dura. Sempre gostei do tênis do Fish, talvez até mais do que ele próprio. Um dos melhores voleadores do circuito. E tinha um carinho especial por ele desde a final olímpica onde foi derrotado pelo chileno Nicolas Massu, no jogo mais emocional que já assisti. Na final de Atlanta ele bateu o “gigante Amaral” John Isner, dono de um tênis do qual sou tão fã quanto do Biotônico Fontoura.

Aninha e Biotonico – uma eu gosto, o outro deixo para a Marina.

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Tênis Masculino | 12:54

Novo técnico de Federer

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Lacônico como sempre, pelo menos quando o assunto é esse, Roger Federer anunciou que contratou, temporariamente, sem entrar em detalhes, Paul Annacone, o ultimo treinador de Pete Sampras. Annacone vinha trabalhando para a Federação Inglesa, onde não produziu nada nem ninguém, o que mostra que uma coisa é ser treinador do Sampras, outra é treinar quem seja.

Federer diz que espera que o treinador traga sua experiências para seu grupo, que permanece o mesmo, incluindo o técnico da Copa Davis suíça. Não sei o quanto a contratação do americano ajudará, já que ele faz mais o estilo “buddy” do que alguém que vá colocar a casa em ordem ou convencer de alguma tática diferente. Mas mostra que o momento atual, e o ranking de 3º do mundo, mexem com a cabeça do suíço.

Como é o que vamos descobrir nas próximas semanas, culminando com o U.S.Open, um torneio moldado para seu estilo, onde defende pontos de vice-campeão e onde trará uma enorme pressão para conquistar o título.

Paul Annacone – sem sucesso trabalhando para os britânicos.

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sábado, 24 de julho de 2010 Light, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 16:21

Fotinhos

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É sábado, estou voltando de viagem, o Bellucci já perdeu, Gstaad começa na segunda, o dia está lindo e a tarde me chama, então umas fotos, já que dizem que uma imagem fala por muitas palavras.

A primeira é uma gracinha que vem assolando a internet – voces podem encontrar muitas dessas de tudo quanto é jeito. Achei as caras ótimas – nunca pensei que o Djoko pudesse ficar com um jeitinho tão sacana de mini saia. Mas quem é o fulano do lado esquerdo dele?

Todo mundo sabe, até porque ela contou, então ele devia ser o primeiro a saber, que a Kim Sears largou o Mala Murray da primeira vez porque ele preferia jogar Wii a dar atenção a ela. O rapaz então leva a moçoila para a praia deserta e faz o que??

E o galã de Praga encontrou seu destino. Quando eu escrevi sobre o affair do casal pela primeira vez muitos duvidaram. Nicole, um dia sonhou ser a numero 1 do mundo, mas a fama se ser uma das maiores antas que já pisou em uma quadra falou mais alto e desistiu de tudo aos 20 anos. Vai virar dona de casa e servir a mesa do bonitão para o resto de seus dias. O amor é lindo e eu não acredito em nada disso.

Aninha Ivanovic tentou de tudo e chegou ao ponto de não entrar mais direto nos torneios da WTA e ainda ter que ouvir um NÃO  quando pede um convite. Foi isso o que aconteceu em Monteal, onde a organização disse que apesar dos pesares ela não receberia o convite pedido. Aninha, que despencou para #64 do ranking, pediu e recebeu convites em San Diego e Stanford. Mas no Canadá terá que jogar o qualy – ou então ir tirar umas fotos.

Quem são as peversas e os deliquentes aí embaixo?

Tem gente que não aprende….

Radek e Nicole, casados em Praga.

Ivanovic – bonitinha, mas não ganha jogo.

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quarta-feira, 21 de julho de 2010 Juvenis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 17:20

Uma realidade.

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O amigo Felipe Fonseca, que mencionei no post anterior, se entregou, junto com sua equipe, liderada por Daniel Gildin, ao trabalho de levantar alguns dados sobre um aspecto do tênis profissional. Tem muito a ver com seu trabalho, mas não deixa de ser interessante como um todo, em especial para os tenistas mais jovens e os pais destes.

 O objetivo do levantamento era identificar padrões de resultados entre tenistas de 18 anos que possam indicar suas chances de chegar ao top 100 do ranking da ATP. O método utilizado foi a pesquisa de resultados que tenistas que alcançaram o top 100 tiveram até 18 anos de idade. A análise foi feita com os 100 melhores tenistas do ranking da ATP em duas datas diferentes: Janeiro de 2008 e Janeiro de 2010, utilizando datas da ATP e a FIT

 Resultados:

 1. 75% dos top 100, quando tinham 18 anos, estavam pelo menos entre os 500 melhores do ranking da ATP e/ou entre os 30 melhores do ranking juvenil da ITF.

 Além disso:

27% deles ganharam pelo menos um jogo na chave principal no Circuito ATP

34% deles chegaram a pelo menos uma semifinal de torneio Challenger

23% deles foram campeões de pelo menos um torneio Challenger

 2. Outros resultados que os tenistas do top 100 alcançaram até 18 anos:

20% deles ganharam no mínimo uma rodada na chave principal de um torneio ATP

17% foram campeões de no mínimo um Challenger.

25% alcançaram no mínimo uma semifinal de Challenger.

 3. 7% dos top 100, quando tinham 18 anos, não tinham os chamados “resultados expressivos”, então “arriscaram” ao entrar no circuito, pois seus resultados até os 18 anos não eram convincentes. Estes resultados que chamamos de “não expressivos” eram:

Estavam ranqueados acima de 800 no ranking da ATP ou acima de 200 no ranking juvenil da ITF

Estes mesmos tenistas precisaram em média 5 anos para alcançar o top 200 do ranking da ATP aos 23 anos de idade, e em média 6 anos para alcançar o top 100 do ranking da ATP aos 24 anos de idade.

 4. 6% dos top 100, quando tinham 18 anos, optaram pelo tênis universitário nos EUA.

Estes tenistas precisaram em média 4 anos para alcançar o top 200 do ranking da ATP, aos 22 anos de idade, e em média 6 anos para alcançar o top 100 do ranking da ATP, aos 23 anos de idade, geralmente com um diploma debaixo do braço.

 5. Comparativo entre tenistas que “arriscaram muito” e os que optaram pelo tênis universitário.

 Tenistas que arriscaram muito:

 Nome                      Ranking ITF aos 18 – Idade entrada no top 200 ATP-Melhor ranking ATP 

Igor Andreev              116                                             19                                                    18

Potito Starace            530                                              20                                                    27

Simon Greul               545                                                23                                                    55

Ivo Karlovic              417                                               23                                                     14

Santiago Ventura      390                                               23                                                    65

Florent Serra             432                                                 24                                                    36

Paolo Lorenzi        Sem ranking                                    24                                                    83

 Tenistas que optaram pelo tênis universitário nos EUA

 Nome                  Ranking ITF aos 18 -Idade que entrou no top 200 ATP-Melhor ranking ATP

Rajeev Ram             37                                             20                                              78

John Isner                93                                             21                                              19

James Blake             92                                             21                                                4

Michael Russel        36                                              21                                              60

Peter Luczak          318                                            22                                                 64

Benjamin Becker   199                                            24                                                 38

 Os “Universitários” chegaram ao top 200 antes que “arriscadores” e atingiram melhores rankings ATP que estes. E todos os primeiros têm diplomas de universidades entre as 50 melhores dos EUA.

 Conclusões do pessoal da “Daquiprafora”.

 1. 75% dos jogadores no top 100 da ATP, aos 18 anos, alcançaram pelo menos os seguintes resultados:

Top 500 do ranking ATP

Top 30 do ranking ITF

Pelo menos uma semifinal de torneio Challenger

 2. Entre os tenistas presentes no top 100 do ranking ATP nas datas pesquisadas, apenas 7% estavam fora do top 800 ATP e do top 200 ITF aos 18 anos. Eles demoraram, em média, cinco anos para chegar ao top 200 após concluir a carreira juvenil.

 3. 6% dos jogadores no top 100 da ATP jogaram tênis universitário. Todos estiveram pelo menos entre os 10 melhores tenistas universitários da NCAA. Chegaram ao top 200 da ATP com 22 anos em média, exatamente 4 anos após iniciar a carreira universitária, o que coincide com o término do curso.

 4. De um modo geral, se com 18 anos o tenista não tem resultados expressivos (top 500 ATP / Top 30 ITF / 1 semifinal de Challenger), ele precisa de pelo menos 4 ou 5 anos para chegar ao top 200.

5. Se o período de desenvolvimento necessário para um tenista que não é um expoente chegar ao top 200 é 4 ou 5 anos, e no top 100 da ATP há 6% de “não expoentes” e 7% de “ex-universitários”, é razoável concluir-se que tanto o caminho “arriscado” quanto o tênis universitário oferecem as mesmas chances de levar o tenista ao top 100.

6. Se tanto o caminho “arriscado” quanto o tênis universitário podem levar ao top 100, porque então não escolher o caminho que:

Garante um diploma, afinal de contas, não são todos os tenistas que chegarão ao top 100

Custa muito menos, pois é a universidade que faz o investimento no desenvolvimento do tenista (técnicos, treinamentos, uniformes, equipamentos, competições).

7. Todos que optaram pelo tênis universitário ficaram entre os 20 melhores da 1ª divisão da NCAA.

Portanto, se um tenista não alcança o top 20 do ranking da NCAA, as chances de chegar ao top 100 são mais remotas.

Finalmente um olhar sobre os tenistas brasileiros que alcançaram o top 100 no ranking da ATP em 2010 para fins de comparação com as estatísticas mencionadas na pesquisa:

                                 Ranking FIT aos 18-               Idade entrada no top 100 ATP-               Melhor ranking ATP

Thomaz Bellucci       15                                                  20                                                                  26

Marcos Daniel           20                                                  27                                                                   56

Thiago Alves             11                                                    27                                                                   88

Ricardo Mello           15                                                       24                                                                50

 Como se vê, todos os brasileiros acima estiveram entre os 20 melhores juvenis do mundo aos 18 anos.

 À parte das conclusões do pessoal do “Daquiprafora”, tomo o levantamento como resposta para aquele sem numero de delirantes que acreditam que ter sucesso no circuito profissional seja de alguma forma fácil e, em especial, como exemplo para os inúmeros pais e jovens que me perguntam quais as chances de seus filhos terem sucesso entre os profissionais, mesmo não se encaixando entre os chamados “expoentes” ou apresentando os chamados “resultados expressivos aos 18 anos”, época em que os jovens geralmente fazem suas opções quanto ao estudo ou profissionalismo no tênis.

 Como escrevi no post anterior, a tênis é um grande “abridor de portas”. No entanto, é uma das responsabilidades do tenista, e seus pais enquanto jovem, reconhecer, priorizar e escolher quais portas irá atravessar vida afora.

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terça-feira, 20 de julho de 2010 Juvenis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 18:14

Vantagens

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Sempre fui um firme crente que um trabalho bem feito, seja qual for, realizado com entrega e permanente busca pela melhora, trará ao executor satisfação pessoal e financeira, duas boas razões para se levantar da cama e ir à luta.

Por isso, sempre me encantei com trabalhos em empreendimentos que fogem ao padrão e criam algo que acrescente ao indivíduo e, sempre que possível, à coletividade.

Um amigo meu, Felipe Fonseca, foi estudar em Winthrop nos EUA e jogando tênis pela universidade nos campeonatos universitários pagou por seus estudos graças a uma bolsa. Para quem gosta de tênis, assim como de estudar e abrir horizontes em sua vida, um casamento perfeito. Voltou e fundou um negócio que possibilita outros brasileiros com as mesmas paixões, talentos e força de vontade realizar seus sonhos.

Desde 2001, quando fundou a empresa “Daquiprafora”, conseguiu um total de U$45 milhões em bolsas universitárias para cerca de 800 atletas/estudantes brasileiros, sendo $23 milhões e 530 delas para o tênis, sua paixão original. Além do tênis, trabalha com esportes como natação, golfe, futebol, vôlei, atletismo e basquete em universidades como Harvard, Duke, South Carolina, Purdue, Columbia, Cornell, UCLA, Rice, South Florida, Auburn, entre as quase 300 escolas onde tem atletas. Só em 2009 a “Daquiprafora” enviou184 estudantes para os EUA, sendo 92 tenistas. Entre os tenistas brasileiros nos EUA atualmente estão Henrique Cunha, Bruno Rosa, Diego Cubas, Rafael Garcia, Jennifer Widjadja, Nicole Herzog e outros. Os bolsistas recebem – dependendo de seus históricos e das escolas – de 40 a 100% do custo das universidades, que vão das anuidades a moradias e alimentação, além do material esportivo necessário para ser competitivo.

Como fui técnico da Copa Davis por quase duas décadas, além de técnico de inúmeros tenistas e equipes juvenis e profissionais, ouvi, com enorme frequência, perguntas vindas de pais curiosos, ansiosos, aflitos e, não tão raro, delirantes a respeito do futuro tenistico de seus filhos. Apesar de minha história pública estar ligada ao tênis competitivo, só fui nele parar porque minha paixão e história é mais ampla.

Jogo desde os seis anos, minhas quatro irmãs foram campeãs juvenis brasileiras, minha mãe está com 83 anos, joga diariamente desde que se aposentou e era assídua antes disso. Tenho certeza que seu ótimo astral e excelente saúde, física e mental, passam por essa prática. Meu pai madrugava diariamente para estar em quadra às 6h, antes de ir para o trabalho. Jogou até morrer, vítima de câncer, nunca teve um quilo a mais do que deveria e divirtiu-se maravilhas com o tênis, assim como divertiu e ensinou a muitos outros.

Para mim o tênis é muito mais do que a competição esportiva que se acompanha pela mídia, recheada de ídolos e super atletas. Sempre foi “o esporte”, parâmetro de minha formação, bálsamo das atribulações diárias, motivador para a prática esportiva, assim como de uma eterna razão para a incessante busca da auto-melhora e a auto-estima.

Mas, tão importante e marcante, é um “abridor de portas” social na sua melhor concepção. No dia a dia me possibilitou abrir inúmeras, inclusive a da possibilidade de estudar nos EUA, bem antes do Felipe e sua empresa – que veio facilitar a vida de centenas em algo que antes era restrito a poucos – possibilitando a divina simbiose da paixão com a necessidade de “ganhar a vida”. E, por mais que eu me enfiasse mundo afora, sempre encontrei uma quadra e mais de um novo amigo para jogar. E quando estou por aqui, graças ao tênis-social fui criando e mantendo um rol de amigos com os quais muito me divirto.

Por isso, quando perguntado sobre as chances de um jovem se tornar um “campeão profissional”, prefiro oferecer as histórias acima. Muitas vezes não é exatamente o que querem ouvir, mas sempre elegi obedecer às minhas verdades do que ceder a de outros para manter aparências e “amigos”.

Essas “vantagens” do tênis são infinitamente mais reais do que as de um jovem qualquer ter sucesso como profissional. Para deixar isso mais claro em números, que nunca mentem, amanhã publico um post sobre levantamento feito pela “Daquiprafora que considero um “must” de leitura para todo jovem tenista e seus pais.

Se a maioria dos pais fizesse questão de que seus filhos aprendessem o tênis pelas razões outras que mencionei neste post, e outras similares, e não pelo do longínquo e árduo sonho de ver seus filhos se tornarem novos Gugas, algo viável porém com um caminho muito mais sofrido e frustrante que qualquer um deles possa imaginar, a esmagadora maioria desses jovens asseguraria um canal mais viável para a felicidade para o resto de suas vidas, além de criarem oportunidades de crescerem, pessoal, social e profissionalmente. É isso que o Felipe escolheu para si e hoje tenta tornar possível para centenas de outros jovens que souberam escolher suas prioridades e realizar suas opções.

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Tênis Masculino | 12:46

Suspenso

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Mais uma vez estou naquele lugar onde a internet não passa de algo desejado e muitas vezes inatingível, o que me deixa longe das noticias online, dos emails, dos u-tubes, do meu Blog e dos meus mais ansiosos leitores. Mas, me deixa perto de outras coisas.

De onde estou escrevendo levanto os olhos e vejo o mar. Pássaros fazem uma sinfonia que insiste em dialogar com a 3ª de Mahler. Apesar da ausência do sol – minha mulher prometeu 30 graus e sol pleno, o que ainda não se cumpriu – a tranquilidade e bucolismo local não deixam o batimento cardíaco ser alterado por qualquer estresse. Nem quando o cão do caseiro, uma mistura de vira-lata com pitbull, uma raça que odeio e cria uma perigosa e não confiável mistura, vem cheirar minha perna.

Amanhã (3ª feira) acordo, pego um barco, navego por uns 15 minutos, pego o carro e guio uns 20 minutos por uma estrada mais esburacada do que a antiga Belém-Brasília e vou à cidade jogar tênis, um luxo recente, graças à intervenção social de um amigo junto a Prefeitura local. Carentes de tênis. Aproveito a ida para pegar uma peça que deve pelo menos atenuar o problema da internet. Com isso, espero, mesmo precariamente, acessar a web nos próximos dias e não ficar tão longe de meus leitores.

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sexta-feira, 16 de julho de 2010 Tênis Masculino | 23:52

O operário

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Esta semana já fiz duas partidas do operário David Ferrer no Torneio de Bastad. O adjetivo que juntei ao nome do tenista espanhol tem lá suas razões; pelo menos duas delas.

Antes de mais nada, adianto que o Ferrer é um dos tenistas que mais respeito no circuito. Não pela técnica exuberante, já que seu tênis não é nada vistoso, nem interessante. Seus golpes são bem padrão, para não escrever abaixo do padrão. Não é sacador e nem vai varrer ninguém da quadra com seu serviço. Sua esquerda com as duas mãos é seu ponto mais frágil, apesar de não ser nada ruim, e sua direita, tanto a de ataque como a de contra-ataque são boas, mas nada para se vangloriar. É rápido.

Então como o rapaz é o atual 12º do ranking e já pode dizer sem que seu nariz cresça que já foi o 4º do mundo? Porque é um dos maiores brigadores que já pegou em uma raquete e um dos tenistas que mais faz com o pouco talento que possui. E não sou só eu que o digo. Andy Roddick já confessou que Ferrer é o tenista que mais respeita no circuito por essa característica.

Ferrer pode correr o dia inteiro atrás de bolinhas e sempre demonstra ter fôlego para mais. E se alguém quiser vencê-lo é bom ir dormir a noite anterior pensando como arrancar a vitória de suas mãos – porque ele não a dá para ninguém.

Aqueles que acompanham minhas transmissões já me ouviram contando a história do rapaz, por isso um pouco de paciência ou curiosidade são necessárias daqui para frente.

Não sei mais onde ouvi a história, mas posso garantir que não a inventei, por mais que pareça.

Não tenho exatamente os detalhes e datas, mas a idéia geral é a seguinte:

Sei que ainda garoto, aos 15 anos, foi para Barcelona na academia de tênis da Catalunha. Mais tarde, foi treinar na Academia do Juan C. Ferrero, de onde voltou para Javea, sua cidade natal. Foi mais ou menos nessa época, logo após começar jogar alguns futures e começar a conhecer algumas das frustrações de quem não é lá tão talentoso, e até por isso encontra ainda mais dificuldades no começo da carreira, que aconteceu a seguinte história.

Ele tinha um temperamento um tanto difícil, algo que ainda aparece quando as coisas começam a não ir de seu jeito em uma partida. Começa a falar sózinho, xingar, jogar a raquete no chão e agir como um insano em quadra – geralmente sem perder o foco. A raiva parece o alimentar.

Na época o que aprontava era o bastante para endoidar seu técnico, Javi Piles, além de não treinar com o afinco necessário. Em certa ocasião Piles o trancou no quartinho onde guardava as bolas e ferramentas na academia. Ferrer usou o celular para ligar para companheiros de treino para o tirarem dali, mas foi solenemente ignorado. O técnico lhe disse que só sairia se treinasse direito.

Após o incidente Ferrer decidiu abandonar o tênis. Achava que era muito estresse e loucura para sua cabeça sem os resultados esperados. Como não tinha estudado, foi trabalhar de pedreiro em uma construção de um tio. Carregava tijolos, areia, pedras, enfim aquele serviço nada agradável que o servente é obrigado a fazer.

Enquanto fazia uma força danada, para ganhar seja lá o que for o salário de servente na Espanha, o que não deve ser lá grande coisa, teve tempo para repensar algumas coisas em sua vida. Uma delas, suponho, após fazer uso da aritmética básica que tinha aprendido algum dia, é que o salário de um pedreiro e o de um tenista são bem distintos – e não é a favor do pedreiro.

Talvez tenha pensado, depois de ouvir alguns berros do mestre de obras, que os berros do técnico não eram tão mais altos. Além disso, detalhe importante para um rebelde, o técnico nunca seria, de fato, o seu chefe.

Deve ter lhe ocorrido que se era para carregar pedras, tijolos e terminar o dia mais sujo do que pau de galinheiro, fazer isso em uma quadra de saibro correndo atrás de bolinhas não era tão pior.

Após gastar um tempo lembrando os prós e os contras das duas atividades, não seria impossível imaginar que tenha notado que as mulheres dos tenistas eram mais bonitas e cheirosas do que a dos pedreiros. O que, convenhamos, independente da idade do homem, é sempre uma questão importante.

Sei lá, talvez um dia ele tenha aberto o jornal e lido quanto foi o prêmio do Carlos Moya naquela semana, justamente no dia em que foi pegar seu checão com o patrão.

Um santo dia, David pegou sua raquete, voltou para a academia e convenceu – imagino as juras que fez – seu técnico que as coisas iriam mudar. O fato é que, pelo menos desde a primeira vez em que o vi jogar, o cabron Ferrer nunca mais largou uma bola, nunca mais fez pouco caso de um jogo, nunca mais choramingou, nunca mais agiu como se sua profissão não fosse importante. Aceitou o que Deus lhe deu e foi atrás do que o Mestre não lhe ofertou. Virou um operário do tênis e hoje, aos 28 anos, tem, só em premiação, mais de U$ 8 milhões. Quantos anos um operário teria que se matar para ganhar isso?

Acompanhe as semifinais de Bastad no sábado às 8h, com Ferrer x Soderling, com repeteco às 18h. As 12:30hs Almagro x Robredo. No Domingo a final às 14hs.

David Ferrer – bolinha é melhor do que tijolo.

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