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Arquivo de junho, 2010

quarta-feira, 30 de junho de 2010 Tênis Masculino | 13:45

Tudo tem seu preço.

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Quando estive em Paris, dias antes do início de Roland Garros, assisti a um treino de Roger Federer, o qual filmei e publiquei aqui no Blog. O que me chamou mais a atenção, comparando com os treinos que acompanhei vida e torneios afora, foi a postura totalmente “nonchalant” do tenista, como se estivesse em joguinho em família e muito mais às portas de uma merecida férias do que a três dias de um Grand Slam

O vídeo fez o maior sucesso, aqui e lá fora, considerando os acessos e os comentários no You Tube. E, mais do que nada, pela postura de alegria/displicência do suíço.

Eu fiquei a imaginar se aquilo seria um padrão. Até onde sei não o era. O que sempre ouvi é que o suíço era extremamente sério em quadra, mesmo nos treinos, e um brincalhão fora delas. No entanto, ali, a beira de defender um de seus mais queridos títulos, Federer parecia extremamente relaxado, quase displicente.

Na época, confesso, fiquei extremamente intrigado com aquela postura, fazendo com que eu começasse a reconsiderar tudo o que eu sabia sobre a preparação mental para um torneio, especialmente um torneio importante. Hoje, olhando em retrospecto, e considerando o que aconteceu de lá para cá com os resultados do suíço, resolvi que o que eu sabia antes permanece. E o que vi lá em Paris, apesar de interessante e divertido, tem suas razões e seu preço. Caro, aliás.

Roger Federer foi derrotado hoje, nas quartas de final, pelo checo Thomas Berdich por 6/4 3/6 6/1 6/3



Federer – antes de Roland Garros e hoje, após ser derrotado em Wimbledon.

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terça-feira, 29 de junho de 2010 Light, Tênis Masculino | 19:37

Enquanto isso nas quadras de treino…

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Tênis Feminino | 19:24

Tremidas, mandigas e encrencas

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É interessante ver como atualmente mais e mais tenistas conseguem jogar de igual com as irmãs Williams, mesmo quando estas jogam bem. O tênis feminino mudou bastante e, ainda bem, continua mudando.

As moças são mais fortes do que eram alguns anos atrás e conseguem bater na bola com força e técnica. É uma pena que não apareçam mais com um estilo mais vistoso, tipo Henin, mas essa ausência é uma realidade também no masculino. O que está totalmente fora do padrão é o saque das mulheres. Nesse fundamento o tênis feminino está bem atrasado.

A chinesa Na Li não vai dormir hoje. Alias, vai mesmo é para o chão se o técnico/maridão decidir jogar duro. Seu jogo com a Serena estava equilibradíssimo, 5 x 5, 40 x 0, saque da Li quando a chinesa tremeu. Foram duas duplas-faltas e outras peripécias para perder o saque, o set e o jogo.

Se é para falar de tremida, será que dá para falar em padrão no feminino? Kanepi, a estoniana – será que é isso mesmo? – abriu 4 x 0 no 3º set, 5 x 2 e deixou a habilidosa canhotinha Kvitova rir por ultimo 8 x 6. Como a moça vai dormir sabendo que tinha essa vantagem, tremeu e perdeu? O tênis é cruel, e mais cruel ainda sou eu, sabendo dessa dificuldade e de fora criticando a moça.

A búlgara Tatiana Pironkova deu um chocolate (6/3 6/2) na penta campeã de Wimbledon Vênus Williams. E sem apelar para balões e outras mandigas de pangarés. Enfiou mesmo a mão na bola e usou variações de golpes, inclusive atraindo a americana à rede para passá-la.

Vera Zvonareva é uma tenista bem sólida e não é de hoje. É sempre uma encrenca. Hoje conseguiu manter o padrão, o que nem sempre consegue fazer, e eliminar a queridinha Kim Clijsters, uma tenista que vence ou perde sempre do mesmo jeito.

Semifinais femininas na quinta-feira: Serena x Kvitova e Zonareva x Pironkova. Eu torço por finalistas inéditas.

Apesar das surpresas e tudo mais, quem brilhou hoje no All England foram as duas aposentadas Kournikova e Hingis. No torneio de veteranas elas eliminaram as britanicas Hobbs e Smith.

Pironkova, Kvitova e as aposentadas.

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segunda-feira, 28 de junho de 2010 Tênis Feminino, Tênis Masculino | 22:38

Desleixo

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Um dia interessante em Wimbledon. Andy Roddick perder para um chinês desconhecido, #82 do mundo, 9/7 no quinto é sempre uma surpresa – em especial na grama, onde seu saque fala alto. O americano pagou o preço pelo desleixo com a carreira nas ultimas semanas. Não jogou absolutamente nada durante a temporada de saibro – só participou de Roland Garros – salvando tudo para a grama. Chegou na hora da onça beber água não tinha nada para mostrar.

Assisti uma parte da partida entre Djoko e Hewitt. Bem interessante. Gosto de ver dois grandes competidores se digladiando. Os dois jogam bem mais do que seus respectivos arsenais normalmente permitem. Se conseguiram o sucesso que conseguiram foi, acima de tudo, pela competitividade. São partidas que, se não enchem os olhos, enchem o coração. Algo que a dupla Federer/Nadal caracteriza bem.

Mais uma vez a confiança absoluta, ou a falta dela, fez a diferença. No 4/4 do quarto set, Hewitt sacou no 30/30 e errou uma esquerda fácil, no centro da quadra, porque não se posicionou – os pés travaram. No ponto seguinte cometeu uma dupla falta e beijou adeus à partida.

Gostei de ver a vitória da checa Petra Kvitova, #62 no ranking, sobre a #3 do mundo Caroline “cruzadinha” Wozniacki. O estilo da dinamarquesa remete aos tempos da “rainha das paparras” Arantxa Sanches. A diferença é aquele par de pernas e os ombros grandes– mas o estilo é a mesma coisa sem graça. Um tempo que não me traz nenhuma saudade. E a checa enfiou a mão na bola, cruzadas e paralelas, com audácia e confiança.

Nesta terça-feira as mulheres tomam conta das quadras principais e os homens descansam. Muitos juvenis em quadra, inclusive os brasileiros, e duplas para ninguém botar defeito. Os cachorrões voltam na quarta-feira.

Andy vacilou e teve que tirar o boné para o adversário. Djoko voltou a dar uma de Huck. Lu surpreendeu até a si próprio. Soderling segue sem cara de muitos amigos. Caroline jogou abaixo das expectativas.

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domingo, 27 de junho de 2010 Tênis Masculino | 21:18

Telão

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Mirem nos olhos no banderinha. Ele está olhando, estupefado, o telão no estádio, vendo a bobagem que acabou de fazer. O primeiro mexicano à direita dá indícios que a decisão vai ser revertida a favor de seu time, assim como aquele brincalhão que foi brincar na cara do inimigo. Porque o juiz então ficou com a decisão anterior, de não dar o impedimento de Tevez?

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História, Tênis Masculino | 11:50

Domingo do Meio

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Como hoje não tem tênis em Wimbledon e vários dos leitores desconhecem a existência do “Domingo do Meio”, uma instituição tenistica existente somente em Wimbledon, publico abaixo trechos de duas de minhas colunas antigas, em época em que eu frequentava o evento, que joga alguma luz sobre o fato. A primeira foi escrita em 2001. A segunda foi escrita em 2004 e conta a exceção à regra.

 

Em Wimbledon existe uma evidente separação entre a primeira e a segunda semana do torneio. Para deixá-la mais óbvia, o Domingo é um dia sem jogos. Nenhuma razão é oferecida, alem daquela dada pela organização do torneio, com ligeira impaciência, que sempre foi assim e assim sempre será . O Domingo é o dia em que os perdedores almoçam em casa e os sobreviventes treinam sonhando até onde vão chegar.

Na cabeça dos jogadores é bem claro o conceito de chegar, ou não, à segunda semana. Estar nela já é uma conquista em si. Essa divisão é a única razão, na minha cabeça, para não se jogar no Domingo, algo só feito em Wimbledon. Acho o fato horrível, já que coloca uma pressão a mais no “schedule” dos jogos, que já é estressante pelas chuvas. Fora que é um belo dia para o público.

Outro fato me vêm à mente sobre as duas semanas de Wimbledon. A primeira semana sempre foi a minha favorita em Roland Garros, onde se pode assistir partidas de altíssima qualidade. Já em Londres é o oposto. As melhores partidas acontecem mesmo na segunda semana, quando os favoritos começam a se encontrar. O saibro é um piso muito mais democrático, em termos da qualidade do tênis jogado, do que a grama. Esta exige um “know-how” mais específico. Se o tenista não sabe jogar na grama, acaba fazendo o papel de bobo e se sentindo como tal.

Na segunda semana de Wimbledon, as partidas concentram-se nas quadras principais. As secundárias passam a ser usadas pelos juvenis e os veteranos. O evento juvenil, que é disputado desde 1947, é oficial e tem suas inscrições por mérito. O dos veteranos é um evento por convites. Entre os garotos já tivemos dois finalistas. O paranaense Ivo Ribeiro em 1957 e o carioca Ronald Barnes, o brasileiro com o tênis mais bonito e vistoso que já pegou numa raquete, em 1959. Quem me lembra o seu estilo é o suiço Roger Federer, tenista que é um prazer assistir. Entre as mulheres tivemos Vera Lúcia Cleto, chegando à semifinal em 1965.

Os eventos dos veteranos, todos eles de duplas, que vão estar assombrando as quadras na segunda semana, são divididos em acima de 35 e 45 anos para os homens e acima de 35 para as mulheres. Nos acima de 45 dos homens vale qualquer coisa e é uma ótima oportunidade de ver legendas do passado.

Um charmoso evento que deixou de ser disputado na segunda semana é o “Plate”. Ele aceitava os perdedores das três primeiras rodadas das simples em um novo evento. Também oferecia um pequeno prêmio em dinheiro e era uma boa opção para os tenistas que queriam um pouco mais de competição e “know how” da grama, ao invés de sair correndo para casa.

Mas foi extinto em 1981 entre os homens e 1989 entre as mulheres. O tênis chegara a outra geração que não jogava mais o esporte simplesmente por amor. Atualmente, o primeiro telefonema dos tenistas, após uma derrota é para a companhia aérea. A idéia é cair fora o mais rápido possível.

Entre os brasileiros, foram finalistas os paulistas Armando Vieira, que chegou às quartas de final da chave principal, em 1954, e a paulista Claudia Monteiro em 1982. O gaúcho Thomas Koch venceu o “Plate” em 1969 e 1975, mostrando que tinha um estilo que se adaptava bem à grama.

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Graças a sua tradição, provavelmente o evento esportivo anual mais antigo do mundo, Wimbledon manteve a sua áurea. Essa mesma tradição, que manteve o piso na grama enquanto os outros torneios se refugiaram em pisos menos nobres, por vezes beira a teimosia e por vezes é incompreensível para quem o visita, ou mesmo para quem nele joga. Os tenistas sempre tiveram com o evento uma relação de amor e ódio – ou se ama ou se odeia. Uma das peculiaridades deste campeonato de duas semanas é o fato de não haver jogos no Domingo do meio. O porque ninguém explica. Se perguntados, os organizadores afirmam, com ligeira impaciência , que sempre foi assim e assim será.

Não se trata de uma questão religiosa, pois a final masculina, momento máximo do torneio, é jogada no segundo Domingo. Mas em 1991, foram obrigados a ceder, pela primeira vez, na teimosia. Caiu muita chuva na primeira semana e o torneio prometia naufragar. Em 1997, repetiu-se o fato. Como na semana passada a chuva voltou a fustigar Londres, mais uma vez, de mau humor, os organizadores cederam.

Não existem ingressos para esse dia, assim como não há nenhuma infra-estrutura e logística para o mesmo – é hora do improviso. Da mesma maneira em que são bons na organização, os ingleses pecam no jogo de cintura. Como já estamos na terceira vez, estão aprendendo. Nas duas primeiras vezes abriram as bilheterias uma hora antes do início dos jogos, para um publico de 28 mil pessoas. O pessoal ficou horas numa fila única, atingindo mais de 4 quilômetros. Ontem abriram as bilheterias duas horas antes dos jogos. A fila caiu para a metade! Mas de uma hora depois de os jogos começarem, dei uma volta pelo clube e nem parecia que havia um campeonato acontecendo. As quadras secundárias estavam vazias, já que os primeiros 11 mil que entraram, correram para a Quadra Central. E as seguintes 10 mil para a Quadra 1.

A venda dos ingressos, e a conseqüente mudança do perfil do publico, fez com que a imprensa inglesa alcunhasse o dia como o Domingo do Povo. Como o sistema vigente de vendas de ingresso, obedece a critérios não muitos transparentes por partes dos organizadores, as entradas estão sempre na mão de uma elite ou então de pessoas dispostas a pagar uma fortuna no mercado paralelo. No Domingo do Povo quem chega primeiro é atendido primeiro. Por isso as filas, e por isso a presença de um público com mais cara de povão. Normalmente o pessoal da Quadra Central veste ternos e aplaude com parcimônia. No Domingo do Povo há pessoas com bermudas e aplaudindo com paixão. Os tenistas são unânimes em afirmar que adoram. É lógico, existe vida nas arquibancadas. Os sócios do All England Club torcem os empinados narizes enquanto ajustam a gravata.

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sábado, 26 de junho de 2010 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 18:47

Fazendo contas

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Thomaz Bellucci não conseguiu parar Robin Soderling – o que não é uma surpresa já que o sueco tem mais poder de fogo do que o brasileiro. O que eu espero que o Thomaz aprenda desta sua participação na grama de Londres é que ele tem arsenal para se dar melhor em Wimbledon do que ele mesmo se dá crédito.

Bellucci foi ao torneio sem muita fé, o que ficou claro pela preparação – ou a falta dela – para a grama. Ficou evidente que, após Roland Garros, seu foco tornou-se os eventos restantes sobre o saibro, assim como os torneios em quadras duras na América do Norte.

Com as duas vitórias conquistadas, e um placar razoavelmente apertado (4, 2 e 5), contra o número #6 do mundo, dá para sentir que ele pode almejar mais do que crê. Um sacador como ele, com o investimento que vem colocando em melhorar junto à rede, e com bons golpes do fundo da quadra, Bellucci tem tênis para se firmar como um “all around player”.

Veremos se no futuro ele dará mais atenção à grama e aproveitará também os pontos que esse GS oferece. Mas, na semana seguinte a Wimbledon, ele enfrenta um dos momentos mais tensos da temporada, e talvez a razão da sua prioridade, ao defender o título e os pontos no saibro alpino de Gstaad, onde ele ganhou 262 pontos, contra 180 para uma quarta rodada de um GS e 360 para uma quarta de final.

Thomas Bellucci – buscando intimidades com a grama.

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quinta-feira, 24 de junho de 2010 História, Tênis Masculino | 23:54

68 dragões e um vencedor.

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Essa partida de 11 horas está criando mais IBOPE para o tênis do que qualquer outra em memória recente. Saí na rua e as pessoas só falam dela. Falei com um amigo nos EUA, que não tem nada a ver com tênis, e ele comentou a respeito.

Li que até o Blog do Juca Kfoury publicou um texto a respeito, escrito por outro rapaz que lá escreve. Gostei, mas confesso que gostei mais do texto do Martin H, que aparece nos comentários – o enfoque é mais interessante.

Esse enfoque foi a razão de uma discussão filosófica aqui no blog, minha com o mesmo Martin H. No entanto, confesso que ontem e hoje também amaldiçoei o fato de ter que haver um vencedor em uma partida de tênis. Nunca foi tão injusto alguém perder uma partida como hoje. Se eu soubesse o email ou o telefone do Mahut ligava e oferecia o meu conforto e as razões para tal.

E mais uma coisa, que não vi ninguém comentar.

Quando a partida começou a se alongar, comentei que o vencedor provavelmente seria o Isner. Por que?

Não porque ele estava melhor, física ou mentalmente. Pelo contrário. Mahut estava muito melhor. Esbanjava físico, se dando ao luxo de até se atirar atrás de uma bolinha impossível. No início dos games, ficava pulando, mostrando disposição e atitude, isso com 8, 9 horas de jogo. Os pontos de seus serviços exigiam muito mais dele do que os do Isner e ele, Mahut, não mostrava sinais de esgotamento. Pelo contrário.

Sua postura era muito melhor do que a de Isner, que se lamentava, reclamava da sorte, abaixava os ombros e dava sinais de que logo se derreteria.

Então porque eu acreditava que o francês perderia? Porque ele sacava atrás.

Invariavelmente quem saca atrás em um 5º set longo sucumbe primeiro. A pressão é enorme, imensurável, inimaginável. Vocês lembram do Roddick contra Federer na final de Wimbledon no ano passado?

No entanto, Mahut suplantou todas as minhas mais ridículas e exageradas expectativas. Eu posso imaginar alguém sacar atrás até uns 15 x 15, antes de entrar em total parafuso, começar a falar sozinho, destruir uma raquete, chorar como se fosse uma criança. Posso até compreender uma dupla sobreviver mais alguns games.

Mas um tenista jogar atrás e segurar os games de seu serviço por 68 games consecutivos é algo que espelha uma força interior que eu considero super humana. As duvidas que devem ter assaltado a mente do tenista, a cada vez que ele sentou em sua cadeira, após ter em vão tentado abrir uma única vantagem, durante mais de seis horas, é algo que só ele, em todo o universo poderá dizer que um dia experimentou.

E assim mesmo ele encontrou maneiras afugentar a dúvida, esse mal que destrói nossas vidas, nos mais mínimos detalhes, nas coisas mais cotidianas. A cada vez, levantou-se e foi defender o seu saque com extrema coragem e convicção.

Tive a oportunidade de acompanhar boa parte do quinto set pela internet. Nicolas jogou com muito mais decisão e qualidade do que Isner, que dependia pesadamente de seu serviço. Mahut, a cada vez que falhava na tentativa de quebrar Isner, levantava da cadeira e seguia em direção a linha de fundo, tal qual um cavaleiro determinado e convicto ao enfrentar o seu dragão.

Sei que mais uma vez apelo, ao dizer que só quem enfrentou uma tarefa, de alguma maneira semelhante, mesmo em uma melhor de três sets, ou em um único set, sabe do que se trata. O rapaz jogou seis a sete horas e sessenta e nove games debaixo dessa pressão antes de sucumbir.

E não sucumbiu pela pressão. Sucumbiu porque Isner mudou a tática e Mahut caiu na armadilha.

Hoje Isner veio com uma nova tática. Deixou claro que a cada oportunidade iria à rede no saque do adversário. Com isso, induziu Mahut ao erro tático. O francês vinha ganhando os seus games mexendo o americano de um lado para o outro e metendo umas paralelas de surpresa e indo à rede somente para surpreender. Ao ver Isner tomando a rede, decidiu ir antes, em seu serviço. No game fatal perdeu dois pontos na rede, inclusive o match-point.

Mas esqueçamos esse detalhe. Para mim, o verdadeiro e maravilhoso espetáculo camuflado na partida foi a capacidade de Mahut manter o seu serviço durante 68 games jogando atrás no placar.

Se Isner venceu a partida e passou para a próxima rodada, Mahut fez algo que eu nunca imaginei possível e que nunca ninguém mais neste planeta fará. O verdadeiro vencedor – desta vez não moral, como dizia Claudio Coutinho – e sim mental, foi Nicolas Mahut. Enquanto o mundo enxerga Isner como vencedor e Mahut como o pobre e lamentado perdedor, eu declaro Nicolas Mahut o vencedor. Tenho a certeza que um dia ele encontrará forças para ver também dessa maneira. Porque hoje, infelizmente, entendo, será impossível.

Nicolas Mahut – o vencedor.

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Tênis Masculino | 14:07

Reverteu

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Gostei da vitória do Thomaz Bellucci. Ele perdeu o 1º set, tinha uma quebra abaixo no segundo, uma situação delicada, e conseguiu reverter. Mentalmente é sempre difícil sair de uma situação destas, em especial na grama, onde uma quebra de saque fala alto.

Não assisti a partida, mas imagino que ao se ver nessa situação, Thomaz abriu a caixa de ferramentas e partiu para cima do adversário – ele havia perdido o 1º set no tie-break, o que mostra ainda mais a importância de uma quebra.

Thomaz quebrou o adversário, o austríaco Fischer, de volta e levou o set para o TB, que venceu, assim como o terceiro. No quarto set o adversário sentiu, o brasileiro ficou confiante e venceu por 6/2. Independente do aspecto técnico que, como disse, não acompanhei, foi uma vitória mental, o que é sempre importante para tenistas em progresso. Na próxima rodada enfrenta o “mala” Soderling que, até agora, não perdeu um set.

Bellucci – para vencer teve que se esticar todo e usou um tênis diferente do que normalmente usa.

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quarta-feira, 23 de junho de 2010 História, Tênis Feminino | 17:42

Dez horas!!

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Inacreditável. Espetacular. A partida entre o gigante John Isner e o francês Nicolas Mahut que vão tentar amanhã, o terceiro dia de jogo – é isso mesmo, terceiro dia de jogo – decidir quem passa para a próxima rodada.

Cortesia da Be Arruda e o site Meninas Vodka.

Eles estão jogando há exatamente DEZ horas e a partida está empatada em 59 x 59 no quinto set. Isner é o novo de recordista de aces do tênis com 98, até agora, e Mahut vem logo atrás com 94. Ambos são recordistas em tempo de jogo. Duvido que um dia esses números venham a ser quebrados.

Infelizmente não pudemos ver pela TV, mas deu para acompanhar pela internet, mostrando qual é o futuro das comunicações.

Interessante foi, pelo o que acompanhei no quinto set, mesmo após terem atravessado o dia jogando a qualidade era alta e não um jogo de erros. São 333 bolas vencedoras e 53 erros para o americano e 318 e 56 para o francês. Quanto a emoções, nem é preciso falar.

O jogo continua amanhã. Como acabou agora e ainda não tem o horário, eu assumo que deve ser a segunda partida da mesma Quadra 18. Se o 1º for de mulheres, deve acontecer lá pelas 9h e se for após homens lá pelas 10:30h. E como tem jogo da Copa às 11h é bom torcer que seja de mulheres.

Maratona: Isner, Mahut e o juiz. E Isner indo ao banheiro no 57 x 57.

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