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Arquivo de janeiro, 2010

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010 História, Light, Tênis Masculino | 21:52

O gentleman

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Por sorte do nosso esporte, o homem considerado o maior tenista da história, o esportista da década, é também um gentleman. Vocês podem imaginar se o título fosse parar nas mãos de alguns dos “malas” que o tênis já teve a infelicidade de ter?

Além do tênis clássico, poético, plástico, ao mesmo tempo que eficaz e vencedor, Roger Federer fez questão de trazer para a quadra um respeito às tradições, à história, à ética, ao cavalheirismo que eram tradicionalmente ligados ao esporte branco.
O suíço não resumiu sua postura, categoria e educação aos momentos que está dentro da quadra. O rapaz leva ao seu cotidiano essa mesma áurea. Mencionei, tempos atrás, uma pequena estória quando da visita de sua mãe a São Paulo e de lá para cá sou cobrado para contá-la.

Não devo ter me animado a escrevê-la porque era um tanto pessoal e contada, ou entendida, fora do contexto perde sua força. No entanto, aqueles que estão acostumados a conviver com tenistas, pessoas extremamente individualistas, saberão valorizá-la. Vou além, o acontecido – um pequeno gesto, o bastante para contar muito sobre uma pessoa – é, infelizmente, atualmente raro entre as pessoas, independentes de serem jovens ou não e se jogam ou não tênis.

Animei-me a contar após ver um vídeo que um dos leitores postou dias atrás mostrando a derrota de Federer em Roland Garros, na 1ª rodada, quando tinha 17 anos, onde fica claro ainda ser um tenista em formação e com atitudes e jogadas que refletem sua idade. No entanto..

Durante esse evento, uma noite minha ex-mulher chegou ao quarto com um sorriso no rosto e ansiosa por me contar algo. Atravessava o hall do hotel em direção ao elevador quando as portas deste começaram a se fechar. Em movimento ágil e rápido, saiu de dentro um jovem que ao mesmo tempo em que segura uma das portas com um braço, prevenindo que ambas se fechem, com o outro braço mostra a passagem para a senhora. Ela apressou o passo, agradeceu a gentileza e ouviu um “you are welcome” de volta acompanhado de um leve sorriso. O elevador parou uma vez antes de seu andar, quando o garoto saiu, não sem antes se despedir.

Sheila, como já disse, entrou eufórica surpresa pelo quarto com a atitude. Não que tenistas sejam mal educados ou verdadeiros homens da caverna. Mas a maioria simplesmente se omitiria ou, no máximo, apertariam um botão tentando parar as portas. Se desse certo bem, se não.. Sair do elevador, segurar a porta e mostrar o caminho mostrou uma disposição, um cavalheirismo e uma educação singulares.
 
Naquele dia ela não soube me dizer quem era o tenista. Mas dias depois descobrimos e a partir de então as razões pela admiração só aumentaram. O tênis tinha um campeão digno do título.

roger

O penteado era duvidoso, mas as maneiras já diziam tudo.

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