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Arquivo de janeiro, 2010

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010 Tênis Masculino | 18:45

Opções

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Poucos anos atrás não havia muito que inventar. Os tenistas tiravam suas férias, onde pensavam e faziam tudo, menos tênis. Voltavam aos treinos para realizar a pré-temporada, o momento quando refazem suas prioridades e estratégias, pensando o que querem e como conseguir.

Passavam cerca de três semanas entre academia e quadra, fortalecendo e protegendo a musculatura, aumentando a velocidade, afiando as raquetes e os golpes. Escolhiam entre os escassos torneios preparatórios e embarcavam para o primeiro GS da temporada. Não havia muito que inventar.

Hoje, se olharmos os melhores, e lá para baixo não é muito diferente, cada cabeça uma sentença e as opções são varias, pelo menos em o que e quantas semanas competir antes do GS.

O Federer jogou uma exibição e um torneio lá nas arábias. O Nadal também. Os dois encheram a mala de petro-dólares, pegaram o avião e fecharam a preparação para a Austrália duas semanas antes. Devem ter parado em alguma ilha do Pacifico para contar a grana e descansar um pouquinho. O Nadal já descobriu que voltou a ser um perigo. O Federer nem tanto.

O Roddick foi a Brisbane para ganhar um torneio e confiança. Se deu bem, apesar de que a competição era amena. O Davidenko, ninguém o convidou para a exibição, foi lá e venceu Doha – acho que foi o que se deu melhor. É um novo Davydenko?

O Murray só jogou a Hopman Cup, um caça níqueis, mas uma maneira de jogar umas partidas tranquilas já na Austrália, o que o Djoko fez uns dois anos atrás, quando venceu o evento e dançou logo no início do AA. Não quis voltar. Ficou só com uma exibição sem vergonha. Delpo, Soderling e Verdasco também – só na maciota, e assim mesmo o argentino se machucou. Este está à meia boca há alguns meses.

São várias cabeças e várias sentenças – não existe mais um consenso. O que fica claro é que os torneios preparatórios que os australianos realizam, ficaram reduzidos aos tenistas do segundo escalão. Os cachorros grandes preferem só aquecer os motores onde lhes molham as mãos bem molhadinhas, o que não é o caso dos preparatórios. Se alguém pensa que eles vão a Doha pelo clima está delirando.

Como escrevi acima, o único cachorrão que se apresentou nos preparatórios, e se deu bem, foi o Roddick. Talvez a nova realidade só sirva para confirmar que os tenistas adoram mesmo uma graninha, o que ninguém pode recriminar.

Talvez sirva também para os australianos pensarem como os ingleses, que fazem um torneio forte, onde vários cachorrões jogam, em Queens e deixam a semana anterior a Wimbledon para treinos leves. Mas ali ninguém pode fazer nada na grama nas semanas anteriores por conta de Roland Garros. O Aberto dos EUA e Roland Garros, possuem uma realidade bem distinta, com um encorpado circuito preparatório, inclusive com eventos da Série 1000.

Pensando bem, os australianos continuam em uma sinuca como sempre estiveram. Mas souberam fazer da adversidade a motivação para realizar o GS mais apreciado pelos tenistas – apesar de ser jogado na pior época, do outro lado do mundo e um fuso horário lazarento.

south-pacific-mapMuitas opções no Sul do Pacífico

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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010 Copa Davis, Tênis Masculino | 18:40

Muito barulho por nada.

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A “briga” nos bastidores é antiga. Desde os tempos de Connors, que nunca jogava, Sampras e Agassi, que procuravam desculpas para não jogar, que os tenistas, especialmente americanos, o que não deixa de ser interessante, já que o Mr. Davis era americano, e ultimamente Roger Federer, tentam pular fora da obrigação defender seus países na Copa Davis.

Por isso, os jornais e a internet berram sobre uns promotores australianos que acharam por bem formatar uma nova competição, a tal da Copa do Mundo, onde a competição seria jogada, por 32 países, em data e local único.

Quando apresentada para a FIT e suas federações eles falam em um complemento e alternativa para a Copa Davis. Para os tenistas, que a cada dia fica mais claro entendem só o que querem, insinuam que seria o substituto ideal da Copa Davis. Assim acabaria o compromisso com três datas e deixaria mais tempo para fazerem o que querem. Por isso alguns tenistas o endossam com paixão.

Pete Sampras já falava, há anos, nessa mesma idéia, incentivado, nos bastidores, pela ATP. A FIT nunca deu bola e Sampras foi-se a Davis ficou, há 110 anos. Um dia eles entendem que o esporte é maior do que qualquer um deles.

Só para vocês entenderem rapidamente. A ATP é o sindicato dos jogadores e organizadora de seu circuito. A FIT é a associação das federações, coisa de cartolas, e responsável pelos Juvenis, Olimpíadas, Futures, Grand Slams e Copa Davis. Eles não pensam, nem em seus piores pesadelos, abrirem mão de suas datas, inclusive a Copa Davis.

A disputa pelas datas é briga de cachorro grande e sempre exige negociações, ameaças e beijinhos. Em 2009 a FIT e ATP assinaram um acordo acertando as datas pelos próximos cinco anos. A proposta é só muito barulho por nada. Pelo menos no horizonte que se pode enxergar.

william 1964

 

 

William em Merseyside – Liverpool, 1964, exatamente quando os Beatles surgiam.

Quem lembra da música que cantava – “So Ferry, cross the Mersey..”, by Gerry and the Peacemakers? Quem não conhece, ver video abaixo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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terça-feira, 12 de janeiro de 2010 Light | 22:47

Espirrou

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Maria Sharapova assinou um contrato com a Nike pelos próximos oito anos e receberá um total de U$70 milhões através desses anos. A russa receberá também uma porcentagem das vendas de suas roupas.

A tenista de 22 anos tem um relacionamento com a marca americana desde os 11 anos. Ao que parece ela foi assediada por outra companhia, mas assinou mesmo com a Nike após receber o que queria. Ela já tem também um contrato com a Cole Haan, uma fábrica de bolsas e acessórias subsidiaria da Nike.

A tenista fatura, dizem, cerca de U$20 milhões anos, a maior parte em patrocínios. Seu agente diz que ela deve abrir mão de alguns patrocínios que lhe pagam um fixo para abraçar aqueles que lhe dêem um fixo e uma porcentagem.

Ela é hoje muito mais uma personalidade mundial do que uma tenista e por isso está em um patamar bem distinto das outras tenistas. Que o digam jogadoras como Safina, Kuznetsova, Jankovic e outras conterrâneas que devem estar mordendo os aros de suas raquetes de inveja. A Serena fechou um contrato com a Nike que pode chegar a U$55 m em oito anos, sem porcentagens.

É como eu sempre disse. Na época em que eu escrevia no “O Estadão”, a Sharapova espirrava e colocavam uma enorme foto dela na página de esportes. As outras venciam um GS e publicavam a foto do campeão masculino. A moça pode ser uma mala, mas tem carisma e beleza – no mundo das aparências isso vale milhões.

maria-sharapova-nike-paris-dress-tiffany-elsa-peretti-wave-earringsMaria e seu uniforme.

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Tênis Feminino, Tênis Masculino | 22:00

Curtas

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Depois de oito meses longe das competições, David Nalbandian volta a jogar e na sua primeira partida sente uma contusão no abdômen. Certas coisas, e pessoas, não mudam. Depois de tanto tempo seria de se esperar que o rapaz voltasse protegido fisicamente, mas…

Se a final de Brisbane, entre as belgas Henin e Clijsters for um sinal do que vem por aí, as tenistas da Europa Oriental vão ter que contratar psicólogos ambulantes para acertarem suas cabecinhas. Está certo que as belgas são ótimas e fizeram uma final emocionante e tecnicamente elevada, mas ficarem fora do circuito um tempão. Voltam dominantes e colocando as adversárias para correr. Essa realidade diagnostica algo errado com o tênis feminino.

Só para comparar os dois comentários acima, Henin sentiu o glúteo após uma chegar a uma final que só foi decidida no tie-break do terceiro set. Ou seja, se preparou fisicamente para voltar.

E os Politicamente Corretos atacam novamente. O Comitê Ético do Tênis suspendeu a russa Ekaterina Bychkova por 30 dias, vai perder o Aberto da Austrália, e aplicou-lhe multa de U$5 mil dólares. A razão? Ela teria recebido algum tipo de proposta para entregar uma partida e não reportou oficialmente o fato.

Imediatamente pessoas como John McEnroe – que é o Caetano Veloso do tênis, e tem uma opinião sobre tudo – e Svetelana Kuznetsova caíram de pau. Svetlana disse que nunca foi informada sobre a obrigação de dedurar quando assediada para entregar partidas. E adiantou que nos vestiários outras tenistas afirmam o mesmo. Perguntada se já foi assediada respondeu: “e vou falar alguma coisa para ser suspensa?!”

A WTA e a FIT insistem que elas todas foram informadas sim senhora, tanto que suspenderam a russa para servir de exemplo. Pau na Ekaterina, enquanto isso a Serena, que ameaçou engasgar uma juíza, não foi suspensa um dia sequer.

O fato é que não é nenhum segredo que quem faz esse tipo de proposta é criminoso e criminoso não vê com bons olhos ser dedado. Por isso, os tenistas ficam com o pé atrás. Vocês têm idéia do que é a Máfia Russa? A Ekaterina deve ter. Estamos sempre lendo sobre o assunto e nunca ninguém foi preso por assediar. Lembro que até o Flávio Saretta falou, sem papas na língua, ter sido assediado.

No caso, concordo com McEnroe. O assunto está sendo focado nos tenistas. O assunto deveria ser focado tanto nessa vergonha ser permitida sem nenhum problema mundo afora, como, principalmente, os criminosos que assediam tenistas.

TENNIS-WOMEN/THAILANDEkaterina – sobrou para ela.

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Minhas aventuras | 10:35

Entre a cruz e a espada

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Esta semana, a partir de quinta-feira, comento o Torneio de Sidney. Dois jogos na quinta de manhã, as duas semis na manhã de sexta e a final no sábado. Pelo menos é o que me informa a TV.

No Domingo começa o Aberto da Austrália e as transmissões, exclusivas, dos canais ESPN. Vai ter jogos na ESPN, na ESPN-BRASIL e na ESPN HD. Jogos de manhã, a partir das 6hs até lá pelo meio dia, e jogos a partir das 22hs até Deus sabe quando.

É aí que mora o meu atual martírio, na dúvida de escolher o horário de trabalho para os primeiros 10 dias. Se pego pela manhã tenho que acordar às 5h, e com isso tenho que dormir até umas 23hs, o que só faço, se consigo, quando muito doente, e começar a comentar às 6h não sei bem para quem. Me conhecendo vai demorar um tempo para destravar a boca, o que não deve ser um problema para meu colega de horário Everaldo Marques.

Se escolher o horário noturno, serei obrigado, mais uma vez, a invadir a madrugada, junto com o companheiro Marco A. Rodrigues, e posso sair tanto às 2h, na melhor das hipóteses, como as 5 da manhã, quando deveria acordar se fizesse a manhã, algo que sempre me deixa doente de alguma maneira. É coisa de louco.

A partir de quinta-feira da segunda semana tenho que estar lá, de qualquer maneira, às 6:30 da manhã para as semifinais e finais. Mas agora tenho que decidir o que fazer nos primeiros 10 dias. Me sinto, verdadeiramente, entre a cruz e a espada.

sonoespada

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domingo, 10 de janeiro de 2010 Tênis Masculino | 13:18

Carpe Diem, Davydenko

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Nikolay Davydenko sempre foi diferente. Estranho. Nunca foi um dos caras. Nunca foi também um dos malas. Só estranho, longínquo.

Ucranianos e russos não gostam de ser confundidos. Davy nasceu na Ucrânia, mas mora e joga na Rússia. Em Volgograd, que um dia foi Stalingrad e cujo cerco na Segunda Guerra tornou-se o momento pivotal do século passado, descrito por Antony Beevor e tirou meu sono por tantas noites. Lá mora também a Isinbayeva, que bem poderia ter me deixado sem dormir por tantas noites.

Por um tempo, Davydenko tentou, sem sucesso, não ser nem ucraniano nem russo e sim alemão ou austríaco. Queria ser europeu. Não o quiseram. Não sei se se impondo sobre suíços e espanhóis sem muita parcimônia a reação deles vai mudar.

Nikolay sempre foi um tenista tecnicamente completo, sem ser o campeão que prometia. Seus golpes são excelentes. Poucos têm o equilíbrio de forças – drive e backhand – do rapaz. Seu saque não é lá essas coisas, entrega em certas horas, mas é um bom serviço. Sua velocidade é assustadora. Chega bem e bate bem, o sonho de todo tenista – e de todo técnico.

Falta-lhe aquele “Q” dos campeões, como tem faltado a todos os excelentes russos e russas que têm aparecido no circuito. Sei, ele é ucraniano, mas vive na Rússia, joga pela Rússia, talvez até pense como um russo. E russo é pessimista.

O incidente com apostas, e o fato de existir uma máfia russa, não ajudou muito. Se fosse americano, mesmo com o fato de existir uma máfia americana, talvez o pessoal da ATP jogasse por debaixo do tapete. Sendo russo..

Nokolay tem 28 anos, uma idade onde os tenistas equilibram, técnica, emocional e experiência em benefício de suas carreiras – especialmente se o físico fizer parte dessa equipe.

Depois de ser um dos maiores fregueses de Roger Federer, muito pela sua triste característica de entregar a rapadura na hora da onça beber água, livrou-se do “complexo gerulatis” e colocou o suíço na sua caderneta. Junto com o espanhol. É o único tenista a ter cinco vitórias e um saldo positivo contra Nadal, além de tê-lo batido nas ultimas três partidas. Alias, é o segundo tenista a vencer um evento após bater ambos.

Apesar das espetaculares vitórias nos últimos meses, ainda não vejo muitos fãs do russo/ucraniano por aqui. Falta-lhe um título no Grand Slam. Aí então o pessoal pode esquecer a falta de sal na sua personalidade, apesar de que ainda não existem tantos potristas.

Será que o rapaz conseguirá esse feito? Um feito especial devo dizer. Porque faz tempo que um Grand Slam não tem tantos favoritos. Todos jogando bem e sedentos por provar algo – Federer, Nadal, Delpo, Murray, Djoko e Davy, mais uns dois ou três que correm por fora, podem e querem uma casquinha australiana.

No caso de Davydenko, este vai ter que ser um pouco menos russo e ser um pouco mais europeu como ele tanto queria ou quer ser. Ser um pouco mais confiante, um pouco mais audaz, um pouco mais corajoso sob pressão, um pouco mais vibrante, ter um pouco mais de auto-estima. Ser um pouco menos russo. Ser um pouco menos pessimista, ter um pouco menos de “strakh”, esse veneno que os russos adquiriram após tantos anos de frustrações e sapos enfiados goela abaixo.

Pelo o que os últimos meses mostraram, este é momento de Nikolay Davidenko. O rapaz nunca jogou tanto tênis, nunca esteve tão confiante, nunca venceu com tanta autoridade. Talvez seja a hora de deixar de lado aquele bando de pessimistas escritores russos de lado, pegar um volume com as Odes de Horacio e se concentrar em Carpe Diem.

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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010 Light | 10:57

Branca de neve

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Enquanto aqui é a chuva que faz um estrago, na Inglaterra é a neve. Pela primeira vez neste inverno nevou por lá, um acontecimento não tão normal. E nevou pesado, causando todo tipo de problema na terra de Wimbledon.
 
Passeando pela cidade ou pela internet podemos encontrar imagens diferentes e bonitas de Londres, uma cidade que muda de cor e personalidade quando invadida pelos flocos brancos. Para quem teve a oportunidade, a experiência pode ser um tanto gélida e desconfortável, sem deixar de ser visualmente única, gratificante e inesquecível.
 
Como o Blog é de tênis, mostro abaixo imagens dos eternos gramados verdes de Wimbledon, agora com aquela aparência de desolação e um toque de tristeza aliada à calma causada pelo branco puro e a ausência de tenistas, juízes, pegadores e público. Mas não resisti a uma foto com uma maravilhoso contraste de neve, madeira e tijolos.

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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 23:22

Feijão

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Não é de hoje que venho acompanhando o tênis e os resultados de João “Feijão” Souza. Lembro quando ele treinava com Jaime Oncins este me dizia que ele era o maior talento por aí. O trabalho de ambos ia de vento em popa e Oncins acreditava muito no futuro imediato do então juvenil.

Infelizmente a parte financeira acabou falando mais alto, como muitas vezes acontece nessa altura da carreira. Pais e tenistas ficam, com razão, assustados com os gastos necessários para um tenista juvenil se transformar em profissional e acabam se agarrando a algumas propostas como a uma tabua de salvação. Largam o técnico e vão para onde as contas são pagas. Não foram dois ou três que se deram mal com a escolha. Feijão foi aceitou uma oferta da equipe Amil – onde segundo consta tem todas suas despesas pagas, o que é uma mão na roda – dirigida por Ricardo Acioly e mudou-se de mala e cuia para o Rio de Janeiro.

João não estourou na velocidade esperada, o que pode, muitas vezes, se transformar em frustração. Mas o talento sempre esteve lá. Talvez seu caminho pudesse ter sido iluminado e encurtado, talvez ele já pudesse ter aprendido algumas coisas, talvez não.

O fato é que de um tempo para cá tenho assistido algumas de suas partidas e o jogo começa a ficar redondo. Ele está muito forte, o que é bom e necessário, está batendo bem na bola, o que sempre aconteceu, e com confiança, o que nem sempre aconteceu, e nos lugares certos, o que começa a acontecer.

Aos 21 anos Feijão é ainda um tenista em formação, o que não é raro entre tenistas brasileiros. Hoje ele é #199 do ranking, já foi #165. Nesta sexta-feira ele enfrenta o atual campeão e favorito Ricardo Melo pelas quartas de final no Torneio de São Paulo. Ele defende pontos de semifinalista no ano passado. Se cair amanhã o seu ranking cai um pouco. Se vencer o torneio o ranking melhora.

O fato é que, aos meus olhos, independente do resultado do ano passado e o de amanhã, Feijão está em ascensão e no seu melhor momento. 2010 pode ser o seu ano – tem que ser o seu ano. Pessoalmente torço pelo rapaz. Tem gente que a gente não gosta de cara, tem gente que sim. Eu sempre gostei do Feijão.

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João Feijão ficando bom.

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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010 História, Tênis Masculino | 17:47

Ponto de vista

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Como os motores da temporada 2010 estão ainda se aquecendo – ou alguém realmente acredita que torneios-exibições valem alguma coisa? – tenho ainda uma ou outra história para contar. Estou lendo os livros do Agassi e do Sampras concomitantemente, o que é mais interessante, já que foram os maiores rivais de suas épocas, algo como Federer e Nadal agora. É interessante ler pontos de vistas diferentes sobre os mesmos acontecimentos.

Tentei também ler o livro biográfico do Nadal, escrito por um britânico, que é uma verdadeira brincadeira. Tipo do livro caça-níquel, já que não passa de um resumo de entrevistas já publicadas e reportagens de jornais, sem nada acrescentar. Mas voltarei em breve a me alongar sobre as duas biografias – Agassi e Sampras – que é o que interessa. Enquanto isso, pinço uma historinha que reflete bem sobre a mentalidade dos atletas, especialmente a mentalidade americana face ao tênis. Se isso mudou e quanto mudou é outra história.

O técnico de Sampras, Tim Gullikson, vinha sofrendo desmaios sem explicações. O diagnóstico final só apareceu em exame feito de emergência no início do Aberto da Austrália 1995. O técnico manteve o tenista no escuro, para sua própria proteção emocional, mas, obedecendo os médicos, teve que abandonar o evento e voltar para casa. Nos vestiários Sampras ouvia rumores que seu técnico tinha mesmo um tumor no cérebro. Entrou em parafuso no meio do torneio.

Nas quartas de final enfrentou seu arqui rival Jim Courier. O adversário venceu os dois primeiros sets. Sampras, brigando contra sua cabeça, seu emocional e o adversário, conseguiu igualar em sets, tudo isso sob alto clima de dramaticidade, já que as 16 mil pessoas na Rod Laver Arena haviam lido as manchetes daquele dia berrando sobre a repentina partida do técnico e sua suposta razão.

De qualquer maneira, após a virada do 1×0 no 5º set, Sampras levantou e sentiu o seu mundo interior desabar. Começou a chorar. Reza a lenda que um gaiato berrou “Vamos Sampras, esta (vitória) é pelo seu técnico. O americano insiste que é lenda e que se alguém berrou, ele não ouviu. Pete perdeu o game seguinte, jogou mais um ponto em seu saque e teve outro colapso emocional, interrompendo o jogo por instantes.
 
É aí que chega o assunto em questão. A lenda sempre foi, inclusive o Agassi assim a conta, que Courier, em um gesto de cavalheirismo, até pela amizade existente, apesar da rivalidade, (os dois, mais alguns outros poucos haviam jantado juntos com Gullikson na noite anterior, em uma espécie de despedida/força. Alem disso, naquela altura, Courier tinha 4 GS e Sampras 5, o que aumentava a rivalidade) chegou perto da rede e disse: “e aí Pete, tudo bem, se você quiser podemos parar e voltar amanhã”.

No livro, Sampras tem uma versão bem distinta. As palavras foram as mesmas, no entanto  Pete as entendeu de maneira bem diferente. Ele entendeu que o adversário sendo sarcástico, o estava desafiando e questionando, tipo, e a “tradução” é minha; “como é cara, vai ficar com essa viadagem, interrompendo o jogo toda hora e tentando me tirar de jogo ou vamos jogar?” (Dois pontos depois dá para ouvir no video Courier resmungando que agora ele começava a sentir mal.)

O fato é que Sampras ficou muito irritado, o bastante para afastar as nuvens das incertezas de seu coração e instalar em sua mente uma ferrenha vontade de vencer, apesar de tudo que remava contra. Ou seja, se tentando ser gentil ou verdadeiramente enchendo o saco, Jim colocou na fornalha a lenha que faltava para o outro levar o negócio até o fim e conquistar uma vitória – 7/6 6/7 6/3 6/4 6/3 – que se tornou histórica dentro do tênis. (É como sempre escrevo, o esporte é bem mais rico do que a atual rivalidade entre Federer e Nadal).

Sampras diz que nunca interpelou Courie a respeito e que nem pretende fazê-lo. Em sua visão, eram “somente dois bons rapazes, altamente competitivos, e as vezes bons rapazes jogam pesado”. Para mim, além de me lembrar de um dos meus filmes favoritos – Rashomon, do mestre Kurosawa – distintas verdades sobre o mesmo acontecimento – nos lembra que os grandes atletas e campeões encontrar motivações nos mais sutis detalhes, especialmente quando desafiados. Mesmo que só em suas imaginações.

Acompanhem no video acima como Sampras muda a tática – abandonando as insistentes esquerdas cruzadas para, de vez em quando, ir para paralelas que tiram o adversário da zona de conforto.


Neste video as emoções de Sampras aparecem, e o incidente a partir dos 7:30 minutos.

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terça-feira, 5 de janeiro de 2010 Light, Minhas aventuras | 11:13

Boas entradas?

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O pessoal entrou em 2010 cheio de gás e querendo polêmica. Estou fora. Estes dias de final de ano fui pego de calças curtas, literalmente, em área próxima a Parati. Estou parecendo uns cachorros em cima do teto de uma casa em São Luiz de Paraitinga que vi em foto na Folha de São Paulo.

Aliás, no caminho para o litoral, no dia 29, parei em São Luiz, como faço muitas vezes, para almoçar e comprar uns queijos locais divinos. É um ponto alto da viagem. A cidade parecia parada no tempo, no bom sentido, com seu casaril antigo, bonito e bem conservado e uma população de simpatia singular. Para quem não sabe é conhecida como a cidade natal de Oswaldo Cruz e a casa onde o médico nasceu tornou-se um museu em sua homenagem, e pela festa de carnaval de rua que atrai milhares.

Existe ali um restaurante que adoro ir pela comida caseira de primeiríssima linha. Sem contar que o preço é de empolgar qualquer paulistano. Após o almoço saio caminhando para assentar a refeição, olhar as lojinhas de artesanato, que não são nada para se empolgar, e dar um pulo nas duas padarias ao lado, para achar o queijo meia cura e um parmesão interiorano de nos fazer esquecer qualquer delícia do lacticínio francês.

A cereja do bolo são as pessoas. Extremamente simpáticas e conversadoras, sem a pressa e a paranóia que estamos acostumados. Se você faz uma pergunta ou puxa uma conversa com a atendente, ou mesmo alguém na rua, a mulher não lhe olha apreensiva e desconfiada como se esperasse uma cantada ou um assalto. Entra na conversa, mesmo que totalmente fiada, sem poupar sorrisos e simpatia.

No dia 29 parei o carro na última vaga de rua antes do rio, a poucos metros do restaurante e na frente de uma loja que vende bolsas de palha. Na saída, enquanto arrumava o queijo na geladeira no porta malas, o dono, na soleira acompanhando o movimento, puxou conversa com o nosso grupo, dizendo que a água do rio havia subido até a rua naquela semana. Como a outra margem é um bambuzal bonito e continuação da rua é uma charmosa ponte de madeira, andamos até o meio da ponte para acompanhar o galope das águas, descendo das colinas atrás da cidade. Ao lado víamos a marca da água na parede que divide o rio da rua e do casaril. Entramos no carro e seguimos viagem, satisfeitos, mais uma vez, com nossa visita.

Nos últimos dias tenho lidado com os problemas pessoais e de logística, em função do que aconteceu, e ainda pode acontecer, nas redondezas. Ontem consegui um jornal de São Paulo e vi, para meu susto, a cidade totalmente inundada e submersa, a população evacuada e a Igreja, que dominava a grande e simpática praça central, desabada e destruída pela força das águas.

A minha volta pela Rodovia Oswaldo Cruz não deve acontecer, não sei quantas horas a viagem de retorno vai levar e sequer quando vou poder vencer os 12 km de terra que me separam da Rio-Santos. Mas é claro que o drama e a desolação daquelas simpáticas pessoas de São Luiz Paraitinga são mais severos do que as meus. E, por agora, as atribulações federistas e nadalistas me parecem ainda mais distantes do que a minha casa.Este post estava pronto desde o dia dois e só hoje consegui postar. Mas amanhã, até o fim da noite, devemos voltar ao normal.

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