Publicidade

domingo, 31 de janeiro de 2010 Tênis Masculino | 22:02

Sem e com estresse.

Compartilhe: Twitter

É sempre a mesma coisa. Após uma quinzena de horários malucos e de mudanças radicais no dia a dia, o nível de estresse fica um tanto alto para quem não está exatamente procurando esse tipo de confusão na vida.

Sendo assim, como também toda as vezes acontece, após o último match-point se transformar na alegria de um e na frustração de outro, eu procuro recolocar um pouco de ordem na minha vida. É como na época em que eu era técnico da Copa Davis; após um confronto, na vitória ou na derrota, eu só queria um canto quieto e um pouco de paz. Sei que essa ausência causa frustração nos meus leitores, mas tem vezes que precisamos atender certas demandas emocionais e postergar certas expectativas alheias.

Pretendo nos próximos dias escrever mais sobre o Aberto da Austrália e suas consequências no tênis e tenho a certeza que vários leitores também ficarão contentes em liberar seus pontos de vista.

Enquanto isso, lembro de uma conversa com um amigo que me alertou para as circunstâncias daquelas quatro vitórias consecutivas do Andy Murray sobre Roger Federer, entre o Torneio de Madrid de 2008 e Indian Wells de 2009. Elas aconteceram durante uma época que provou-se atípica pelo estresse que o suíço passou nas mãos de Rafael Nadal, enquanto corria atrás do Grand Slam que o colocaria no mesmo pedestal de Pete Sampras.

Ninguém gosta de jogar tênis sob pressão ou estresse. Aliás, ninguém gosta desses incômodos em nenhuma situação ou aspecto da vida. Agora, com o recorde igualado e batido, Federer tornou-se ainda mais perigoso, pois seu talento natural e suas ilimitadas habilidades estão libertos das amarras do estresse emocional e das muralhas das expectativas. O resultado é, como ele lembrou, e como nós acompanhamos, ele vem apresentando um tênis da mais alta qualidade, comparável com qualquer época de sua ilustre carreira.

O outro lado da moeda do dia de hoje é o momento do britânico Andy Murray. Assim como o choro de Roger Federer na final de 2009, escancarou a frustração que o suíço carregava, não por mais uma derrota para seu rival, mas pela angustia da expectativa não preenchida, Murray interrompeu seu discurso após perder o controle emocional depois de pedir desculpas ao povo britânico em geral e seus fãs em particular, por não ter entregue a vitória que a pátria do Lawn Tennis aguarda há 74 ou 150.000 anos, conforme a conta, a expectativa e a perspectiva.

Talento e habilidade havia dos dois lados da rede no dia de hoje em Melbourne. Mas, como já escrevi antes, o tênis é maravilhosamente mais complexo do que bater na bolinha. Federer mostrou ainda ser mais jogador do que Murray, especialmente quando na Quadra Central dos maiores palcos tenisticos do mundo. Os números, como uma série de outros fatores, não mentem.

TENNIS-OPEN/

Autor: Tags: