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Arquivo de outubro, 2009

sexta-feira, 30 de outubro de 2009 História, Tênis Masculino | 14:00

U$29,99

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Os jornais começam a publicar as reações dos tenistas sobre a declaração de Andre Agassi e suas “bolinhas” da alegria.

Federer diz estar surpreso e decepcionado e que espera que casos como esse não se repitam. Fiquei na dúvida se não quer que neguinho fique doidão ou se neguinho conte a verdade muito tempo depois. Federer prefere dar ênfase em tudo que Agassi fez de positivo para o tênis, o que é um fato incontestável.

Nadal foi mais claro. Que história é essa de cuspir no prato? Não falou então e agora vem falar e danificar o esporte/tênis? E coloca o dedo na ferida ao apontar que a ATP pisou na bola total acobertando para o americano e que isso é um desrespeito com o resto dos esportistas. Aquelas conversas do Agassi ficar cutucando o espanhol teve volta.

Roddick insiste em dizer que Andre é seu maior ídolo e nada muda isso. Ele diz que só o julga por como ele sempre o tratou e como Agassi mudou o mundo para melhor. Gosto da transparência do Andy.

Boris Becker, que está ali com o Caetano, que tem uma opinião sobre tudo, diz que ainda está tentando descobrir qual a razão por detrás das revelações do rival. Atente que a dúvida não é sobre a razão do cara tomar drogas. Ele concorda que ajudará o americano vender livros. Mas pergunta por que, já que Andre é um homem rico.

Serena diz que sequer sabe o que é “crystal meth” e não tem nada a declarar, a não ser que ela também está lançando um livro. Será que ela vai contar sobre o relacionamento familiar, questões com racismo e o que ela disse para juíza de linha, ou vai falar sobre moda?

Martina Navratilova, a rainha do politicamente correto – ela andava pelo circuito e nas entrevistas com um cachorro de três pernas, coitadinho, para deixar isso bem claro – diz que Agassi é um mentiroso que se livrou da punição. Ele bateu alguns tenistas enquanto deveria estar suspenso – como fica isso? Arrancam os títulos dele? A senhora não alisou.

Até agora não há repercussões de Pete Sampras, o seu maior rival e sempre low profile, e de John McEnroe, o homem que tem a boca do tamanho do mundo. Os dois devem estar pensando bem o que falar.

O comentário mais crú veio de um jornalista; aprecia a honestidade, mesmo que tardia, mas preferia que ela não viesse com a etiqueta de U$29,99, o preço do livro.

andre-agassi-open

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quarta-feira, 28 de outubro de 2009 Light, Tênis Masculino | 13:59

"Open"

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Outro dia mesmo escrevi que Andre Agassi é o maior marqueteiro que o tênis conheceu, só para ser atacado pessoalmente pelos idiotas de plantão. Huumm! Escrevi que a atual volta de Agassi às quadras, após uma longa ausência e a quebra de um projeto imobiliário, tinha algo por trás. O que seria?

O careca lançará no início de Novembro um livro autobiográfico – que deve vender zilhões e colocá-lo em total evidencia, que é onde ele gosta de estar – em parceria com um dos mais conhecidos jornalistas americanos, onde promete divulgar o que nem sempre é divulgado em autobiografias. Especialmente de esportistas.

Pelo o que se sabe, através de trechos publicados na revista “People” no jornal “The Times”, Agassi admite que odiava tênis, por conta do pai que o ameaçava e forçou a jogar desde bem pequeno. Não é o primeiro, nem o último, grande esportista que teve um relacionamento de amor e ódio, no caso mais deste último, com o pai dominador.

Fala também de detalhes cômicos como a peruca que usou durante algum tempo e que deteriorou debaixo do chuveiro de Roland Garros.

Mas o que está dando pano para manga é a divulgação que usou, no período em que seu relacionamento com Brooks Shields estava de mal a pior, uma droga chamada “cristal meth”, algo como “bolinha da pura”, para ficar doidão e sair varrendo os aposentos da casa, limpar a piscina, fazer a cama, jogar golfe, sem mencionar onde estava a mulher. Isso em 1997, pouco antes de fazer sua célebre volta às quadras.

Eventualmente foi pego em exame anti-doping. Conta como escreveu uma carta à ATP, mentindo do começo ao fim, culpando um manager seu, segundo suas próprias palavras. A ATP comprou a mentira e arquivou o caso. Hoje a FIT diz que qualquer pergunta a respeito a ATP que responda. A ATP diz que é um painel que decide e que um único executivo não poderia decidir. Sei.

Na real, segundo Andre, foi o manager que lhe ofereceu a droga pela primeira vez. Na mentira, o manager foi acusado de ter colocado a droga em uma bebida sem seu conhecimento. A ATP acreditou. Vale lembrar que, até pouco mais de um ano atrás, um antigo manager de Agassi era um dos membros do Conselho da ATP – não sei se o mesmo, já que ele usa um nome fictício para o manager envolvido com drogas.

Não sei qual a razão de Andre Agassi divulgar esses detalhes em seu livro. Ele jura que o livro – “Open”-  é honesto de uma maneira surpreendente. Não sei o quanto é transparente, já que a vida do rapaz, como a da maioria das pessoas, é cheia de segredos, que nem sempre podem, ou devem, vir a público.

Ele diz que escreveu mais para ajudar as pessoas aprenderem sobre elas mesmas do que para fazer um mea culpa – exatamente o que um especialista em marketing escreveria. Deixo claro que não vejo um “marqueteiro” como alguém ruim ou mentiroso. Só alguém que tem uma habilidade em manipular a mídia e as pessoas para seu proveito, o que, per si, não é nenhum pecado. Pecado seriam mentiras para conseguir o objetivo.

O livro sai em Novembro, enquanto isso ficamos na expectativa quais outras verdades serão divulgadas e se o livro contará a razão da separação com Brooks, esta sim uma bomba.

agassi_1990 Andre e sua peruca.

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terça-feira, 27 de outubro de 2009 Light, Tênis Masculino | 18:44

Conflitos.

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Conflitos acontecem e quase sempre não são agradáveis de resolver. Quando o problema é com o vizinho, a reação mais vista é de sair com o dedo em riste exigindo uma atitude. Quando o teto de vidro é na nossa casa a tentação é uma série de malabarismo que vão de ignorar o assunto ao sair batendo para não apanhar mais.

Isso acontece em todas áreas e, parece, com quase todo mundo, inclusive no chamado primeiro mundo Todos já ouviram falar no adiantada política social da Dinamarca, mas poucos conhecem, ou censuram a Dinamarca pela festiva matança anual dos golfinhos nas Ilhas Feroe, arquipélago autônomo daquele país.

Agora é o politicamente correto Roger Federer que vê uma posição sua contestada, por conta de uma belíssima sinuca de bico. O seu querido Aberto da Basiléia, torneio em que ele já jogou cinco finais, vencendo três, à parte de ser na sua cidade de origem e onde residem seus pais, está sendo cerceado globalmente por ter como patrocinador a marca Davidoff, parte da Imperial Tabacco, uma empresa de um grupo britânico de tabaco.

Um grupo de organizações mundiais de saúde vem atacando o torneio pelo patrocínio, um dos mais antigos do circuito, e exigindo que o tenista não participe. Até agora Federer vem se recusando a falar sobre o assunto.

Uma das organizações é a respeitadíssima Organização Mundial de Saúde e outra é a UNESCO, da qual o suíço é um Embaixador de Boa Vontade. O patrocinador tentou até um “cala boca”, oferecendo uma verba ao braço cultural da UNESCO, que devolveu a grana exigindo não ser associada ao evento. Ale, disso, mais de 500 especialistas em saúde da Europa enviaram uma carta ao tenista pedindo não mais participar no evento enquanto a empresa for a patrocinadora.

Na União Européia é proibida a associação de produtos relacionados ao tabaco e esportes. Como a Suíça não faz parte da EU, o evento ignora o assunto, até pela tradição do patrocínio/evento. Mas a Eurosport, a maior rede de TV esportiva, anunciou que não mais mostrará imagens do evento, após ameaças de ações legais.

No meio do tiroteio, Roger Federer se encontra na delicadíssima posição de satisfazer sua consciência entre o clamor de muitos e a expectativa natural de jogar em casa. É uma situação delicada, conflitante e nada agradável de resolver.

federerdavidoff_3 Conflito – Federer no post do Aberto de Basle.

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Tênis Masculino | 11:27

Bem preparados

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Estes dias têm sido um tanto quanto corridos para mim, como os leitores perceberam. O pior; não melhora já. Mas estamos aí e o blog continua bombando, por conta de meus leitores que, como diz a D. Ruth, são muito bem preparados.

Tenho minhas dúvidas se Thomaz Bellucci e sua equipe tivessem idéia de que ele chegaria à semifinal em Estocolmo, a um passo da final, e eu arriscaria do título, teria aberto mão de jogar as outras três semanas na Europa em pisos rápidos.

Considerando o que se sabia na época das inscrições e de se fechar compromissos, a decisão de vir à S. Paulo faz sentido. Joga em casa, na frente do seu público e na frente de seus patrocinadores, que são importantes na carreira de qualquer tenista em formação, especialmente aquele que têm o desejo de investir na infra-estrutura adequada para seu progresso. Nos últimos anos, Thomaz é o tenista que teve o ” approach” mais profissional com sua carre algo que os resultados espelham. Se preparou para o sucesso.

Após a Copa Petrobrás ele encerra a temporada, tira seus dias de férias e volta, no fim de Novembro, fazer a pré-temporada, um momento sempre crítico na carreira dos tenistas. É aí que ele sedimenta, ou não, o seu sucesso para a temporada seguinte.

Teoricamente, por conta da incerteza que as chuvas causam, ele entra em quadra hoje à noite e enfrenta Jõao Souza, um tenista que tinha tanto potencial como ele, mas que ainda não conseguiu deslanchar. As circunstâncias não são ideais – a mudança de continente, fuso, piso e indoors-outdoors é cruel. Mas, se passar pelas duas primeiras partidas, pode até conseguir um resultado que o coloque entre os 40 melhores do ranking, uma ótima maneira de encerrar a temporada.

Você está em São Paulo? Então vá ao Clube Harmonia. A entrada é gratuita, a organização está ótima e o padrão ímpar. É o melhor tênis que a cidade vai poder assistir por um bom tempo.

Harmonia view 2 Quadra Central do Harmonia, sem as arquibancadas da Copa Petrobras. Vá ver como ficou.

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domingo, 25 de outubro de 2009 Tênis Masculino | 21:39

Objetivos.

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Nada como cumprir uma meta. São os objetivos conquistados que nos dão a confiança e motivação para continuarmos levantando de manhã e correr atrás do que queremos para nossas vidas. E o grande momento dessa luta do dia a dia é a conquista de objetivos propostos.

Para tal é necessário disciplina e esforços, além da inteligência e bom senso para desenhar os objetivos. Um erro na avaliação de nossas capacidades, para mais ou para menos, podem colocar em perigo os objetivos de prazos mais longos.

Por isso, e por outras razões, Thomaz Bellucci deve estar contente e nós, como fãs do tênis, aplaudir. Ele colocou a meta de sedimentar sua presença entre os 50 melhores do planeta em sua profissão até o fim da temporada e uma semana antes do prazo sabe que consolidará esse objetivo. E deve estar mais perto do #40 do que do #50.

Faltou pouco para Thomaz chegar a mais uma final. Chegou a sacar para vencer o 1º set, mas deixou escapar. É sempre difícil fechar um set, mas é algo que o tenista deve aprender com o tempo. É óbvio que é tudo por conta do emocional, no tênis quase tudo o é e o tempo ainda continua sendo o melhor senhor da experiência.

Bellucci completará 22 anos no último dia do ano, detalhe que o prejudicou durante toda a carreira de juvenil o que, talvez, também o tenha ajudado. Ele não cresceu com as expectativas que acompanham os juvenis de destaque, ale de que foi obrigado a jogar com atletas quase sempre mais velhos do que ele.

Terminar a temporada entre os 50 melhores dará a Thomaz tranquilidade necessária para trabalhar suas carências e necessidades na pré-temporada, sabendo que estará dentro da maioria dos eventos em que se escrever na próxima temporada. Além disso, acho importantíssimo para a carreira desse jovem o fato de ter chegado a uma semifinal em quadra rápida, um piso que Bellucci evitava como o diabo à cruz. A recém adquirida confiança na regularidade de seu jogo a certeza da força de seu saque e respeito que os resultados lhe conquistaram serão diferenciais na próxima temporada.

A presença de Bellucci, a partir de amanhã em São Paulo, para participar da Copa Petrobras é um bônus para os fãs. É óbvio que o compromisso de Thomaz com o evento foi assumido há algum tempo. É uma maneira do rapaz recompensar as pessoas e as empresas que investiram para que seu trabalho fosse amparado e seu progresso ainda mais possível. Seria bom aproveitamos porque, na próxima temporada talvez não seja mais possível.

Tennis - Allianz Suisse Open Gstaad 2009Bellucci – alegria de um objetivo alcançado.

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quinta-feira, 22 de outubro de 2009 Tênis Feminino | 22:13

O perdedor ganha?

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É interessante como a apresentação de diferentes pontos de vista, colocados com transparência, lucidez e finura acrescentam ao entendimento de qualquer matéria. Sendo assim, acho ótimo que um dialogo recheado de divergências surja no blog.

A discussão é em torno da atitude da dinamarquesa Caroline Wozniacki – que sequer chegou a ser tema de post, porém se alastrou pela seção de comentários, colocada, se não me falha a memória pela ilustre figura do “Produtor”, de quem agora conhecemos uma face interessante – é o mais recente exemplo.

Caroline vencia a partida de primeira rodada do Aberto de Luxemburgo, contra uma tenista local, quando sentiu uma contusão em uma de suas esplêndidas pernas. Como na WTA as tenistas podem receber instrução, imagino que ela tenha perguntado ao pai e técnico, um ex-profissional do futebol polonês, o que fazer. Ouviu do pai que poderia entregar a partida, antes de terminada, já que não teria condições de jogar a partida seguinte. Ele continuou jogando até o primeiro Match Point, quando saiu de quadra, dando a vitória à adversária.

Alguns leitores colocam que a atitude da dinamarquesa é de falta de fair-play, deselegância, injusta, não ética, errada de várias maneiras. Maiores detalhes nos comentários no post “Aperto de mãos”, onde meus leitores colocam seus argumentos.

Confesso, como alguns deles confessaram, que seus argumentos colocam meus argumentos, que coloco abaixo, em cheque, me fazendo pensar duas vezes no assunto. Insisto, nada como uma boa discussão de alto nível.
Aqueles que acompanham o tênis há mais tempo irão se lembrar que esse tipo de coisa já aconteceu no passado, várias vezes, inclusive no profissional masculino. Como acontece também entre amadores. O Renato Z lembrou de caso recente, em torneio da FIT.

Na verdade, no mundo do tênis, o inverso é considerado falta de ética – por exemplo, se um jogador insistir em vencer uma partida, sabendo que não terá condições de jogar a próxima. O cara que faz isso não é bem visto no circuito. É mesmo caso do cara que, no início do torneio entra em quadra para garantir seu prêmio, roubando o público de ver uma partida e roubando um Lucky Loser a oportunidade de jogar.

Quando a dinamarquesa decidiu abandonar, tinha em mente aquilo que é padrão entre os tenistas. Pelo menos os éticos. Se ela continuasse, estaria roubando o público de um confronto na próxima rodada, além de roubar a presente adversária de participar de mais um jogo, já que ela mesma não iria jogar, além de roubar a próxima adversária da oportunidade de jogar.

O problema surgiu porque a TV mostrou, ao vivo, o comentário, em polonês, do pai, e alguém, postou isso no site de apostas e pessoas, óbvio, apostaram na adversária de Caroline. Bem, tudo tem sua primeira vez.
Como fica claro, nos argumentos de alguns leitores, existe outro lado da moeda. Eu poderia ficar aqui e escrever uma dissertação defendendo meu ponto de vista com base éticas, mas respeitarei a paciência coletiva.

Porém, querer levantar suspeitas na atitude da tenista é querer achar pêlo em ovo, além de não ter muito que fazer. A WTA vai investigar, porque existe a pressão do “politicamente correto”, por conta desse câncer que é o negócio de apostas em esportes. Como eu disse, o que Caroline fez, já foi feito inúmeras vezes no tênis, sempre visto como algo digno.

Agora, por conta desse câncer, é levantada a lebre; porque agora existe a ínfima chance do perdedor ganhar., assim como o ético vira anti-ético. No entanto, como o mundo anda de ponta cabeça, ao invés de acabarem com o câncer, fazem teatrinho com o intuito de se ter um final feliz.

CAROLINE-WOZNIACKI_1507205c Caroline sendo atendida, antes de abandonar a partida.

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Light, Minhas aventuras | 16:08

Comentarista de TV

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Os jogos do Torneio de Estocolmo, mostrados pela ESPN-BRASIL, que estarei comentando a partir de hoje, não devem ser mostrados ao vivo, com exceção de uma semifinal, sábado às 9h da manhã. Fora essa, o melhor é confirmar na programação da TV: http://espnbrasil.terra.com.br/programacao. (Acreditem ou não, acabo de descobrir que deu problemas na transmissão, lá na Suécia, e não mostramos o jogo de hoje – de quinta para sexta. A ESPN-BRASIL está tentando convencer os suecos em enviar as imagens do jogo do Thomas Bellucci – só saberemos amanhã).

Novamente, as transmissões serão feitas pelo Osvaldo Maraucci, que deve voltar todo falante de sua lua de mel, e este bloguista. Espero que se divirtam, apesar dos horários e malabarismos da TV.

Um dos meus leitores, o caro leitor/tenista Giuliano, pergunta quais os critérios para a escolha de comentaristas de TV, já que não há um curso específico para tal. Não sei, porque nunca me disseram. Suponho que seja um pouco como você diz: indicação, network de conhecidos etc. Sei que a ESPN não é fã de escolher ex-atletas, pelo menos no futebol. Nos outros esportes escolhem pessoas que sejam, acima de tudo, entendidas do assunto; atletas e técnicos.

No meu caso, comecei na ESPN-BRASIL na sua inauguração, vinte anos atrás, a convite do Jose Trajano, com quem havia tido a experiência em editar uma revista – “Tênis Esporte”, no início dos anos oitenta. Durante sete anos produzi o Jornal do Tênis, o único programa de tênis semanal de ½ hora cada um na TV brasileira. Na época, pré-Guga, também tínhamos os Masters Series e eu os comentava com a narração de diferentes locutores. É uma época anterior ao interesse no tênis por boa parte dos meus atuais leitores.

Deixei de produzir o Jornal do Tênis, que foi enterrado, assim como priorizei, por dez anos, as viagens aos Grand Slams, onde escrevia para o Jornal da Tarde, O Estado de São Paulo, IG e outros.

Com um novo convite, uns quatro anos atrás, de comentar os GS em estúdio, não indo aos locais, alinhei com meu novo ritmo e prioridades, como a de só viajar a lazer. Eventualmente, quando possível, aceito comentar os eventos menores como o Torneio de Estocolmo. É uma boa maneira de acompanhar o circuito e seus progressos, diverti-me e ainda sendo pago. Quanto, respondendo a outro leitor, escolho não divulgar. Mas está de bom tamanho.

tennis_tv

My name is Bond, bond bola.

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quarta-feira, 21 de outubro de 2009 Light, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 12:35

Aperto de mãos.

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Outro dia um leitor perguntou quanto ganham os técnicos de jogadores. Eu diria que cada acerto é distinto, mas existem alguns exemplos que podem, ou não, servir de parâmetro.

O que se fala como padrão no circuito é o técnico ficar com 10% dos prêmios, mais todas as despesas pagas. Na maior parte das vezes os contratos paralelos não entram na conta. As despesas tipo suecas também não são incluídas.

É óbvio que em começo de carreira, os 10% não são lá grande coisa, o que, às vezes, pode levar a dupla a fazer um acerto de um fixo semanal ou mensal. Semanal porque muitas vezes o acerto é um para treinamentos, quando ambos residem na mesma cidade, e outro para o tempo de estrada, que são mais medidos em semanas do que em meses. Já ouvi desde U$500,00 a U$1.500,00 semanais para tenistas em formação – ou seja, desde juvenil até alguém que ainda não está entre os 70 melhores.

O custo semanal varia tanto conforme a qualidade do técnico, o potencial técnico e a realidade financeira do jogador. Muitas vezes o acerto é feito na expectativa de crescerem juntos no circuito – o que muitas vezes é furado pelo tenista, que adquire outros planos conforme progride na carreira. Por isso, respeito muito mais tenistas que mantêm um único técnico na sua carreira, ou em boa parte dela, do que aqueles que vivem pulando de galho em galho, tanto para pagar menos ao próximo técnico, como para culpar seus fracassos em outra pessoa.

Os acertos são, na esmagadora parte das vezes, fechados com um aperto de mãos. Sem papel. São raros os problemas. Os jogadores não têm boa reputação são manjados no circuito, tipo um argentino, ainda presente no circuito, que vive trocando de técnico e tem fama de mau pagador.

Esta semana vazou, extra oficialmente – já que esses valores nunca são divulgados – mas de dentro dos vestiários, que Francisco Roig, que volta e meia viaja com Rafael Nadal, como o fez em Xangai, na ausência do Tio Nadal o técnico espanhol receberia um fixo de U$7.500,00 por semana, mais um bônus, não divulgado, por jogo vencido. Pelo histórico e pelo rumor, Nadal é daqueles tenistas que os técnicos sonham com.

Sei também de acertos anuais – um deles era de U$600 mil por uma temporada para treinar uma tenista top, mais despesas. Parece muito, mas é algo que a moça pegava com uma semana de exibições. Além disso, a profissão é, por suas caracteristicas, mais estressante do que aparenta e mais solitária do que se imagina. São todas as expectativas depositadas em uma única pessoa, que nem sempre merece ou sabe lidar com elas. Além de, muitas vezes, não ser apreciadora do trabalho e conhecimentos da outra.

Por isso e por outras, o que vale mesmo é a confiança de uma parte na outra, senão a coisa não funciona. E, quando essa confiança é cultivada e expandida através do trabalho e esforço conjunto, cresce a possibilidade de sucesso e cria-se um elo que pode uni-los por um tempo bem mais longo do que a carreira tenística do atleta. Esses são os relacionamentos de sucesso, independente da grana envolvida. É exatamente isso que me deixa feliz com minha carreira de técnico.

rasheed Roger Rasheed, técnico de Hewitt e Monfils. Angst pura.

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terça-feira, 20 de outubro de 2009 Light, Tênis Masculino | 11:26

Programa sueco

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Esta semana, a partir de quinta-feira, estarei comentando o Torneio de Estocolmo na ESPN-Brasil. O evento, um dos últimos da temporada, tem como estrelas o dono da casa Robin Soderling, Tommy Haas, J. C. Ferrero e Juan Monaco. Para nós tem a participação de Thomas Bellucci, com uma boa chave para progredir e, esperamos, estar vivo ainda na quinta-feira.

O que promete dar IBOPE em Estocolmo não está acontecendo nas quadras, mas envolve dois tenistas, ainda não identificados. A história, ainda nebulosa, diz que os dois entravam no hotel dos jogadores acompanhados de duas prostitutas suecas, quando foram abordados e presos pela polícia local.

Para mim isso é mal entendido, coisa de polícia tentando fazer um exemplo com estrangeiros, que são os principais acusados de turismo sexual por lá, ou , na pior das hipóteses, dois tremendos incompetentes e preguiçosos tentando se dar bem.

É interessante e intrigante o fato que a Suécia não é exatamente um lugar difícil para se encontrar companhia, sem ter que pagar por ela, principalmente para jogadores, que são sempre assediados por belas mulheres. Por que então o programa?

A lei na Suécia, um tanto peculiar e com uma moral avessa ao padrão, diz que é proibido pagar por sexo, mas não é proibido vender. Ou seja, o freguês vai em cana, mas as moças podem continuar rodando suas louras bolsinhas. Segundos a legislação local, prostituição é uma violência dos homens contra as mulheres. A lei tem boa repercusão entre o público, mas tem tambem seus críticos, já que leva a prostituição para o underground e envolve tipos criminosos na atividade.

O diretor do torneio diz que o caso não vai interferir na participação dos jogadores e, suspeito, a coisa acaba por aqui.

Swedish Estocolmo – Programa perigoso

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segunda-feira, 19 de outubro de 2009 Light, Tênis Masculino | 18:45

Wimbledon ou sexo?

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Os britânicos estiveram perto de ter dois tenistas entre os “Top 4” e um time forte o bastante para vencer a Copa Davis alguns anos seguidos. Como? Fazendo uma mágica que não é tão desconhecida por aí afora.

Em 2006 a federação inglesa e Novak Djokovic sentaram para conversar mais de uma vez, para que o sérvio recebesse um passaporte britânico e assim pudesse defender a Grã Bretanha, que na Copa Davis, ao contrário do futebol, joga por uma única bandeira.

Djoko confessa que a conversa chegou a ficar bem séria, mas que no fim das contas ele já não precisava tanto da grana como um dia precisou. O que os britânicos ofereciam nunca ficou claro. Mas com a montanha de Libras que ganham com Wimbledon e o magnífico centro de treinamentos em Roehampton, dá para se ter uma idéia do que podem ter oferecido a um jovem de 19 anos, que recém entrara entre os 100 do mundo, de um país sem tradição tenistica e destruído pela guerra.

Mas, àquela altura, Novak “Já tinha o bastante para viajar com um técnico”. Ele diz que, no frigir dos ovos, não fechou porque preferiu ficar como sérvio, o que talvez não seja totalmente transparente; porque então começar a conversa?

A situação estava bicuda em seu país e alguns atletas havia tido tinham tido problemas por conta da mesma situação. Talvez, como ele diz, se fosse pela Grã Bretanha teria jogado com tanta dedicação como vem jogando pela Sérvia, mas, no fundo, ele não teria sentido que realmente “pertencia”  ao novo país.

Ele costumava a jogar os torneios juvenis e era, segundo ele mesmo, o mais disciplinado de todos – com sacola arrumadinha nos mínimos detalhes, horários cumpridos etc. Sua primeira técnica o havia convencido que nada vem gratuitamente e disciplina teria que fazer parte perene de sua carreira.

A técnica lhe dizia a hora de ir para cama, como fazer seu dever de casa e insistia que ele nunca deveria beber coca-cola porque lhe faria mal. Novak confessa que se bebeu um total de um litro de coca-cola na vida é muito.

Eu acredito em cada palavra de Novak, até porque é um tenista que mostra claramente que a disciplina, a força mental e a determinação foram os diferenciais para conquistar o sucesso que teve até hoje na carreira. É um belo atleta e um exemplo, especialmente para os tenistas brasileiros, que têm que enfrentar algumas dificuldades semelhantes às que o sérvio enfrentou.

Acredito também, porque ele mostra, em conversa paralela, que, apesar da disciplina com a carreira, ainda mantem os pés na realidade. Perguntado o que é melhor – sexo ou ganhar – confessa que “nada, nada é melhor do que sexo, é o que Deus nos criou para fazer”. Mas perguntado se “não preferiria vencer Wimbledon a dar uma bela transada”. “Uhmm, me pergunte após eu vencer”.

Jelena Ristic - melhor do que a taça em Wimbledon?

Jelena Ristic - melhor do que a taça em Wimbledon?

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