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terça-feira, 2 de junho de 2009 Light | 20:01

Torcedores franceses.

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O ditado dos franceses diz algo como que; pior do que um torcedor francês só mesmo um parisiense. Sei lá se é verdade, eles devem saber melhor do que eu, mas o fato é que as arquibancadas, em qualquer lugar do mundo, são um tanto quanto imprevisíveis, especialmente quando um dos locais não está envolvido. É uma questão de empatia, carisma, circunstância.

Mas essas paixões são menos infiéis do que as de mulheres bonitas. As arquibancadas possuem uma inteligência coletiva difícil de avaliar e prever, porém são mais generosas e compreensíveis do que se imagina. Não pensem que aquele que é odiado hoje o será para sempre, mas aquele que são amados hoje precisarão realmente pisar na bola para serem desprezados.

Todo mundo sabe que Gustavo Kuerten era amado em Paris. E não era pelo seu francês, que é inexistente. Courier fazia o discurso em francês, mas era quando muito respeitado, e o estádio nunca fez dele um de seus favoritos. Graf só foi ser amada no dia que o público decidiu que a pentelha da Hingis tinha passado de todos os limites com sua soberba.

Agassi odiava jogar em Paris e era considerado pelos franceses como o típico americano metido a besta e ignorante de qualquer coisa que não fosse gringa. Em 1990 e 91 o público foi descaradamente contra ele nas finais. Sempre havia alguma encrenca por conta de sua postura e exigências, quase sempre reportadas pela imprensa que o criticava direto, como quando ignorando os carros de transporte do torneio, exigiu que o evento permitisse que sua limusine – aquelas americanas longas, brancas e cafonas – estacionasse dentro do complexo. Os motoristas do torneio bloquearam a entrada. No dia seguinte, querendo fazer uma média, ele mandou cerca de 20 caixas de pizza para os motoristas. Pizza?! Ficou pior ainda. Mas já mais velho e menos arrogante, inaugurou o hábito dos tenistas cumprimentarem o público da Quadra Central após o jogo e foi ganhando as arquibancadas que o apoiaram na conquista de 1999.

Nastase era adorado. Jimmy Connors era desprezado. Lendl suportado. Wilander gostado. McEnroe foi de odiado a respeitado e amado/odiado. Manoel Santana adorado.  Os recente espanhóis vencedores ignorados. Muster e Kafelnikov desprezados. Borg endeusado. Sampras, respeitado. Federer amado. Becker adorado. Nadal respeitado, pero no mucho. Segundo seu tio – que meteu a boca pela imprensa espanhola, chamando os torcedores franceses de estúpidos – muito menos do que deveria ser.

Entre as mulheres; Evert gostada, Navratilova foi de ignorada a muito gostada, sempre respeitaram e no final adotaram a Graf, as irmãs Williams são desprezadas, Hingis odiada, Pierce, a francesa/canadense/americana, suportada, mas no fundo odiada, Henin adorada. Sharapova, odiada pela sua postura marqueteira que não desce pela fina garganta francesa.

Os franceses, que são ótimos torcedores, na medida em que entendem muito de tênis, a maioria que comparece sabe jogar, sempre gostaram de torcer pela zebra, pelo esforçado sem tantas chances, pelo estiloso, pelo simpático, pelo carismático. Apóiam seus conterrâneos, mas abraçam carinhosamente outros também. E sabem ignorar e mesmo desprezar alguns franceses chatos ou metidos.

Mas realmente foram felizes quando tiveram Yannick Noah, um tenista que sabia incendiar as arquibancadas com seu tênis limitado, atlético, vistoso, simpático e acompanhado de um carisma impar que não se acha nas ruas, nem das St. Germain des Prés, e ainda encontrou uma maneira de ganhar um título para todos eles.

Noah, amado.

Borg endeusado, Federer adorado.

Gustavo Kuerten – amor correspondido.

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