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Arquivo de junho, 2009

terça-feira, 30 de junho de 2009 Tênis Masculino | 14:40

As quartas-de-final masculinas

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Estar entre os oito últimos tenistas de um GS, onde jogam 128, é um feito na carreira de qualquer um, independente do que alguns fãs – que só se distinguem por levantar do sofá para pegar uma cerveja e descer a lenha naqueles que estão na telinha – podem achar.

Nesta quarta-feira se joga as quartas masculinas e temos todo o direito em esperar bons confrontos. Os tenistas já estão ambientados na grama, estão confiantes pelas vitórias conquistadas e ainda não é uma semifinal ou final, sempre momentos mais tensos.

Lleyton Hewitt e Andy Roddick voltam a jogar bem no seu melhor piso, até porque sabem que a grama é a hora para mostrarem serviço. Hewitt é um ótimo contra-atacador e devolvedor, enquanto seu adversário é um excelente sacador. Como a idade deve valer para algo mais do que dores constantes, ambos vem acrescentando outros valores a seus estilos. Hewitt vem melhorando seus voleios, e Roddick sua movimentação e aquela esquerdinha marruda. O ultimo confronto entre eles aconteceu em Queen’s, com a vitória do americano em dois tie-breakers. Se for para arriscar, fico com o americano, pelo momento.

Murray volta à quadra para enfrentar o convidado de luxo de sua federação, o espanhol Ferrero, que abandona as quadras no fim desta temporada e por isso o convite. Apesar da determinação ibérica e de sua direitaça, duvido que Ferrero vá cometer a desfaçatez de cuspir no prato que o alimentou. Murray está cada vez mais à vontade com seu estilo na grama, mas continua sendo uma mala sem alça para os seus fãs, que estão prontos para engolir qualquer abacaxi para acabar com os 73 anos de jejum. Após a vibrante vitória sobre Wawrinka, o cara que o entrevistou em quadra, para o publico presente e a TV, tentou duas vezes levantar a bola para ele agradecer a participação do público em sua vitória. Nas duas o escocês se fez de rogado. Mas é o favorito.

Tommy Hass e Djokovic é a partida. Os dois fizeram a final de Halle, com vitória do primeiro, logo antes de Wimbledon, e vem dali a recém adquirida, apesar de suspeitamente tênue, confiança do alemão. Haas é mais tenista, pelo menos na grama, mas Djoko é mais forte mentalmente. Resta saber qual das duas qualidades vai falar mais alto. Vai ser interessante também acompanhar as mudanças táticas que ambos trarãoapós tão recente confronto. Não acredito em favorito aqui.

A última partida é entre Federer e Karlovic. Pelo menos aqui, todos estão cientes da força e da qualidade de Federer. Além disso, faz algum tempo que não vejo o suíço tão bem em quadra. Está confiante, e por isso indo para suas bolas, inclusive aquelas mais bonitas, que sempre atingem a confiança do oponente. Além disso, não vem dando aquelas viajadas que o marcaram no ultimo ano.

Seu adversário, pode-se até chamar de freguês, já que está 8×1, é o sacador e novo homem Ivo Karlovic. Tive a oportunidade de acompanhar a vitória do croata sobre o então campeão, Hewitt, na 1ª rodada de 2003. Logo após a partida, assisti o croata na sala de entrevista; o rapaz , de tão tímido, não conseguia sequer falar. Ele gaguejava, colocava a mão em cima da boca e ninguém ouvia ou entendia o que ele falava. Foi uma das cenas mais constrangedoras que presenciei. Atualmente, quando vence, fica ali, no meio da quadra, soltinho, sorridente e fazendo uma manivela com seu braço em direção a seu camarote. Não sei o quanto sua nova personalidade vai mudar o retrospecto com Federer, mas como tem uma capacidade única de levar as partidas para o tie-breaker, é bom o suíço ficar esperto.

Ivo e sua manivela e Andy e sua bola.

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Tênis Feminino | 00:11

Butantã

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Amanhã, terça-feira, os homens descansam e as mulheres trabalham nas quartas-de-final. Na Quadra 1, Venus Williams enfrenta a polonesa Agniezka Radwanska, uma das tenistas da nova geração. É um perigo, nem aconselho, apostar contra Venus na grama de Wimbledon, mas um dia a casa cai e a polonesa tem forças para balançar.

O outro jogo da Quadra 1 é entre Francesca Schiavone e Elena Dementieva. Após a declaração oficial dos organizadores, que confessaram publicamente que a beleza feminina é um dos componentes na hora de escolher quem joga nas quadras principais, não entendo como podem deixar Elena fora da Quadra Central uma partida sequer. De qualquer maneira, a bomba russa deve continuar vencendo.

Na Quadra Central, que nunca mais será a mesma após o desvirginamento de hoje, jogam Victoria Azarenka e Serena Williams, naquele que promete ser o confronto do dia. As duas se encontraram no AO, quando a bielo-russa vencia e foi obrigada a abandonar, e em Miami, com vitória, em dois sets, de Victoria. Isso é o que chamo de uma final antecipada. Serena tem a vantagem de conhecer a grama melhor, mas a Victoria vai estourar, mais cedo ou mais tarde.

Falando em confronto, a outra partida da Central, reúne a sempre simpática e educada Dinara Safina e a alemã Sabine Lisicki, que hoje literalmente atropelou a gracinha dinamarquesa, e cabeça 5, Caroline Wosniacki. Depois não acreditam quando escrevo que o circuito feminino é um verdadeiro Butantã, deixando o dos homens, que não é nenhum Jardim da Infância, no chinelo.

Quem quiser assistir o “encontro” entre Caroline e Sabine veja abaixo.

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segunda-feira, 29 de junho de 2009 Light | 20:10

O primeiro telefonema

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Em Wimbledon existe uma evidente separação entre a primeira e a segunda semana do torneio. Para deixá-la mais óbvia, o Domingo é um dia sem jogos. Não que essa seja a razão, já que nenhuma razão é oferecida. O Domingo é o dia em que os perdedores almoçam em casa e os sobreviventes treinam sonhando até onde chegarão.

Na cabeça dos jogadores é bem claro o conceito de chegar, ou não, à segunda semana. Estar nela é uma conquista em si. Essa divisão é a única razão, na minha cabeça, para não se jogar no Domingo, algo só feito em Wimbledon. Acho o fato horrível, já que coloca uma pressão a mais no “schedule” dos jogos, que já é estressante pelas chuvas. Fora que é um belo dia para o público, tanto o de lá quanto o do resto do mundo que acompanha pela TV.

Outro fato vêm à mente sobre as duas semanas de Wimbledon. A primeira semana sempre foi a minha favorita em Roland Garros, onde se pode assistir partidas de altíssima qualidade. Em Londres é o oposto. As melhores partidas acontecem na segunda semana quando os favoritos começam a se encontrar. O saibro é um piso mais democrático em termos da qualidade do tênis jogado do que a grama. Esta exige um “know-how” mais específico. Se o tenista não sabe jogar na grama, acaba fazendo o papel de bobo e se sentindo como tal.

Na segunda semana de Wimbledon, as partidas concentram-se nas quadras principais. As secundárias passam a ser usadas pelos eventos de duplas, juvenis e veteranos.

O evento juvenil, que é disputado desde 1947, é oficial e tem suas inscrições por mérito. O dos veteranos é um evento por convites e é mais uma exibição . Entre os garotos já tivemos dois finalistas. O paranaense Ivo Ribeiro em 1957 e o carioca Ronald Barnes, o brasileiro com o tênis mais bonito e vistoso que já pegou numa raquete, em 1959. O estilo de Federer lembra o do Barnes. Para fazer uma média familiar, lembro que minha irmã,Vera Lúcia Cleto, foi a ultima brasileira a chegar à semifinal entre as juvenis, em 1967, aos 17 anos, perdendo para a eventual campeã.

Os eventos dos veteranos, todos eles de duplas, assombram as quadras na segunda semana e são divididos em acima de 35 e 45 anos para os homens e acima de 35 para as mulheres. Nos acima de 45 dos homens vale qualquer idade e é uma ótima oportunidade de ver legendas do passado.

Um charmoso evento que deixou de ser disputado na segunda semana é o “Plate”. Esse eu aposto que vocês não conhecem. É uma daquelas relíquias que só pode existir enquanto o esporte era puro e quase “amador”. O “Plate” aceitava os perdedores das três primeiras rodadas das simples em um novo evento. Também oferecia um pequeno prêmio em dinheiro e era uma boa opção para os tenistas que queriam um pouco mais de competição e “know-how” da grama, ao invés de sair correndo para casa, como acontece hoje.

Foi extinto em 1981 entre os homens e 1989 entre as mulheres. O tênis chegara a uma geração que não jogava mais o esporte simplesmente por amor. Atualmente, o primeiro telefonema dos tenistas, após uma derrota é para a companhia aérea. A idéia é cair fora o mais rápido possível.

Entre os brasileiros, foram finalistas do “Plate” os paulistas Armando Vieira, que chegou às quartas de final da chave principal, em 1954, e a paulista Claudia Monteiro, que atualmente vive nos EUA, em 1982. O gaúcho Thomas Koch venceu o “Plate” em 1969 e 1975, provando que tinha um estilo que se adaptava bem à grama.

Vera e Thomaz sacando.

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domingo, 28 de junho de 2009 O Leitor no Torneio | 22:18

Alexandre na Henman's Hill

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Mais um leitor mata a cobra e mostra o pau, desta vez no Torneio de Wimbledon. O Alexandre Rodrigues acaba de me enviar o relato e as fotos abaixo. O rapaz está de parabens porque teve o amor pelo esporte e a paciencia para exercê-lo. Leiam.

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Nesta sexta-feira parti do Porto rumo a Londres na tentativa de conseguir um ingresso para o Sábado, da cota diária que eles vendem para as quadras secundárias. Na sexta-feira a tarde ainda deu um tempo de dar um giro pela cidade, por alguns dos pontos turísticos outdoors, como o Big Ben, Picaddilly Circus e o Palácio de Buckingham.

A temperatura estava bem agradável, o que é garantia de parques cheios, todos “lagarteando” e fazendo pic-nics nos gramados. Também é interessante a quantidade de pessoas que andam de bicicleta e o respeito dos motoristas pelos ciclistas, independente da existência ou não de uma faixa reservada para ciclistas.

Assim como sabemos que o inverno londrino é tenebroso, quando chega o verão, principalmente à noite, a mulherada sai toda produzida e com muito pouco tecido, por sinal, e a juventude como um todo bebe e bebe pesado, mas isso eram apenas 2 detalhes.

No sábado lá fui pra batalha propriamente dita. Fui para o Wimbledon Park para entrar na fila tentar conseguir entrar. Confesso que não cheguei muito cedo, somente às 10h da manhã. Como o Paulo Cleto mostrou, o Wimbledon Park é um imenso gramado e estava praticamente todo tomado, mas pelo menos posso dizer que estava bem organizado.
Recebi minha senha, que tinha o singelo número: 12265, ou seja, já tinham 12264 pessoas à frente. Estava um belo dia de sol e só restava sentar e torcer por um milagre.
E assim foi. Depois de 7h15 na fila, que sai do Wimbledon Park pra rua e depois retorna novamente pro Wimbledon Park, às 17h15 consegui o bilhete das quadras secundárias para entrar no complexo de Wimbledon, propriamente dito.

A fila.

Nesta altura o sol já tinha ido embora e nuvens ameaçadoras pairavam por ali, o que não gerava uma sensação agradável, a espera toda e correr o risco de entrar e não ver pelo menos um jogo.

Como era minha primeira vez, fiquei mais perdido que cego em tiroteio. Como disse o Paulo Cleto, as quadras são muito bonitas, o tapete verde em si perfeito e com um realce bonito. Rodei por diferentes quadras, em uma delas estava tendo o jogo de duplas mistas da dupla indiana Bhupathi/Mirza contra a dupla britânica Fleming/Borwell (Quadra 4), que por acaso tem uma arquibancada lateral. Estava tomada, mas tomada de torcedores indianos, que torciam fervorosamente. Um quadro que retrata uma das características da cidade londrina.

Alguns jogos dos torneios de juvenis rolando, um jogo de duplas masculinas do Clement/Gicquel contra Blake/Fish, mas que foi impossível de ver, pois a quadra estava bem cheia ao redor. Tive a sorte de pegar o inicio do jogo de duplas mistas do Bruno/Kleybanova contra Huss/Ruano Pascal, mas infelizmente, apesar do jogo parelho, a dupla adversária ganhou nos momentos cruciais da partida. Nesses jogos, realmente não há muitas trocas, pelo que percebi no máximo 5 a 7 trocas.

Durante este jogo, o Marcelo Melo apareceu por lá, infelizmente ele não teve sorte e está fora do torneio, em ambos os torneios de duplas.

Logo após o jogo do Bruno, acompanhei o final do jogo de duplas mistas do André, na quadra 14. Estava bem cheio, principalmente com a presença de muitos japoneses prestigiando a parceira do André. Boa vitória e vaga nas quartas-de-final do torneio. Aproveitei pra tirar uma foto com o André e desejar boa continuação do torneio.


Em outra quadra, uma bela dupla ou uma dupla bela, como queiram; Cirstea/Wozniacki, mas que não tiveram sorte e foram eliminadas. Também dei uma passada na Henman Hill, enquanto rolava o jogo do Murray. Completamente lotado e a galera vibrando com cada ponto do, por enquanto britânico, Andy Murray.

Alexandre na Henman’s Hill

Pra finalizar acompanhei os 2 últimos games da partida do Ferrero contra Gonzalez pelo telão. Depois disso finalizei meu dia em Wimbledon, um dia curto dentro do complexo de tênis em si, mas feliz por ter passado por toda aquela jornada de horas e ainda assim poder dizer que valeu a pena a experiência.

Grande abraço Paulo Cleto e companheiros do Blog

Alexandre Rodrigues.

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Light | 13:19

O Domingo do Meio

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Em 132 anos, somente em duas oportunidades se jogou no “Domingo do Meio” em Wimbledon. E assim mesmo porque as chuvas ameaçavam o torneio de maneira categórica. Na segunda vez, em 1997, eu estava em Londres, escrevendo minhas colunas para o Jornal da Tarde, duas semanas após a primeira conquista de Gustavo Kuerten em RG. Escrevi então a coluna abaixo.

E o “Super Sunday” aconteceu, apesar da indecisão dos organizadores. E o que é esse “Super Sunday” pergunta o leitor ? Por razões desconhecidas, nunca se joga no domingo do final da primeira semana. Nem eles sabem o porque. Somente uma vez anteriormente, em mais de cem anos, em 1991, pela chuvas intermitentes. Pela mesma razão, os organizadores quebraram novamente essa tradição, tentando completar o torneio no previsto. Precisaram da anuência da polícia e do conselho da cidade de Wimbledon e, após as negociações, anunciaram a decisão de reeditar aquele foi o dia de maior festa na história de Wimbledon.

Como uma certa elite tem preferência para comprar boa parte dos ingressos, os espectadores da Quadra Central e 1 são geralmente membros da classe dominante, executivos, ricos aposentados e suas famílias. O povão geralmente tem que se contentar em assistir os jogos nas quadras secundárias.

Até poucos anos atrás, em enorme concessão aos “comuns”, a quadra central tinha um “chiqueirinho” onde a galera podia assistir aos jogos em pé. Acomodados nas laterais da quadra, de lá vinham os gritos e aplausos mais calorosos da platéia. O resto do estádio assistia de suas confortáveis e numeradas cadeiras, incluindo na “Royal Box”. Esse camarote especial, em um dos fundos da quadra, abriga a realeza e seus súditos mais importantes. É na direção desse camarote que os tenistas eram instruídos em fazerem sua genuflexão de cortesia à coroa britânica até poucos anos atrás.

Os ingleses fazem de Wimbledon um evento invejável em muitos aspectos. São nota dez em planejamento e tradição, mas zero de improvisação. Os portões das bilheterias foram abertos para receberem os 30 mil espectadores, às dez horas da manhã, para os jogos que começavam as onze. Por razões desconhecidas, só quatro bilheterias abertas. O resultado foi uma fila única de mais de quatro quilômetros, que dobrava as esquinas do residencial bairro de Wimbledon.

Em louvável ordem todos entraram num verdadeiro conta-gotas até as 13 horas, quando foram abertas as outras vinte e poucas bilheterias. Dentro do clube, uma visão rara nas quadras secundárias; como os primeiros ingressos foram para as quadras principais, as outras estavam praticamente abandonadas. Pela primeira vez pude andar pelos corredores sem ter que disputar cada palmo andado ou ser empurrado enquanto assistia a um jogo.

Apesar do pouco caso, o povão entrou e fez sua festa. E que festa! A quadra central pode então constatar que se pode assistir ao tênis com respeito à toda sua formalidade e ainda ter um evento alegre e festivo. Os jovens que ontem substituíram os cansados e perenes espectadores festejaram cada grande jogada e também as não tão grandes. Receberam os tenistas com aplausos calorosos e injetaram uma adrenalina na veia dos tenistas.

A estrela inglesa, Tim Henman teve uma torcida barulhenta que não ficou devendo nada à nossa nos jogos da Taça Davis. Com certeza foram responsáveis pela incrível vitória de seu conterrâneo por 14/12 no quinto set. A vingança da galera é mostrar o que Wimbledon poderia ser e não é por conta de uma tradição inexplicável. Uma festa de congraçamento entre as estrelas e seu público, que não hesitou em demonstrar com alegria, a felicidade que lhes foi proporcionada.

(Vale mencionar que, para variar, os ingleses caminham na contramão. Até bem pouco tempo o seu GS era o único que tinha essa bizarrice de não ter jogos no Domingo do Meio. Ao invés de mudarem isso, quem mudou foram os outrps GS, que começaram a realizar jogos também no Domingo anterior à primeira segunda-feira, o que proporciona três domingos de jogos ao público, ao invés de um único dos ingleses. Vai entender!)

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sábado, 27 de junho de 2009 Tênis Masculino | 20:46

Queijo com banana.

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Poucos sabem que o Brasil já teve o seu campeão de Wimbledon. Em 1948, ano em que nasci, Robert Falkenburg, um novaiorquino um tanto excêntrico, venceu o evento de simples do mais famoso torneio do mundo.

Falkemburg era personagem único e excêntrico, além de jogador inveterado – apostando em tudo e em qualquer coisa. Se o carro à sua frente viraria à direita ou à esquerda, se o seu amigo tinha um numero par ou impar de moedas no bolso – qualquer coisa.

Seu estilo agressivo em quadra também obedecia estratégias não muito ortodoxas, do tipo – se seu adversário abrisse dois pontos de vantagem no game (30×0 ou 40×15) ele simplesmente abandonava o game para não se cansar.

No início dos anos 50 Falkenburg veio jogar uma exibição no Clube Caiçaras, na Lagoa Rodrigo de Freitas no Rio de Janeiro, e se apaixonou pela filha do milionário Mayrink Veiga, que imediatamente vetou o namoro, mas não conseguiu impedir o casamento. Como o sogrão não lhe dava bola e a sociedade local lhe execrava, resolveu ir à luta e se tornar milionário.

Já fora do tênis – antes chegou a defender o Brasil na Copa Davis – inaugurou o primeiro fast food do Brasil, em 1954 – o McDonalds só seria inventado em 1964. A lanchonete vendia hamburgues, os primeiros milk-shakes do país, incluindo o com Ovomaltine (ainda existe? eu adorava tomá-lo ali na fábrica, à beira da Via Dutra) e usando a primeira máquina de sorvete soft que ele mandou construir, ham/eggs, atum frio e o popular queijo com banana, o grande favorito.

Bob vendeu, por uma boa grana, o negócio – então com 40 lanchonetes – nos anos setenta (ainda ajudou financeiramente o decadente sogrão), negócio que hoje tem mais de 600 lanchonetes. Como não era homem de ficar parado, tornou-se campeão mundial de golfe amador e perdeu muita grana nas mesas de poker. Dizem por aí que perdeu, e, uma mesa de poker, a lanchonete original, a da Praça da Paz, em Ipanema, para um dos maiores banqueiros e fãs de esporte do Brasil. Após a venda voltou definitivamente aos EUA, onde ainda vive, aos 83 anos.

Bob ganhando em Wimbledon.

A famosa loja da Visc. de Piraja com Garcia D`Ávila, onde eu ia comer com meu pai nos anos 60.

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Tênis Brasileiro | 19:21

Last Eight Club

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Pouco antes de Roland Garros um tenista que um dia treinei e que hoje mais nada tem a ver com o tênis, me ligou para conversarmos sobre a melhor maneira de ele conseguir ingressos para ele e sua esposa. Fiz uma ou duas sugestões, mas ele acabou não indo por conta da tragédia com o avião da Air France – aliás, como são os jornais e tele-jornais, não se fala mais no assunto. Porém o problema era bem real, já que um ex-tenista tem quase que as mesmas dificuldades que outras pessoas para entrar em um GS após o encerramento da carreira, a não ser que decida passar pelo semi-constrangimento de ter que pedir ingressos através dos organizadores, patrocinadores, conhecidos etc.

Isso para RG, torneio muito mais democrático na venda de ingressos do que Wimbledon, onde custa uma grana preta comprar ingressos de cambistas, geralmente o único lugar para encontrá-los.

Até para driblar essa dificuldade e evitar maiores constrangimentos, os ingleses inventaram outra possibilidade para garantir que os melhores tenistas de sua história não tenham que cair nas mãos de cambistas se um dia quiserem voltar ao seu palco.

Wimbledon foi o primeiro dos GS a criar essa alternativa, em 1986, quando anunciou o “Last Eight Club”. O “Clube” garante aos tenistas que chegam às quartas de final de simples, semis de duplas e finais de duplas mistas, dois ingressos para Wimbledon para o resto da vida.

Além dos ingressos o tenista, e um convidado, têm direito a hotel com preço diferenciado, transporte exclusivo, o que é uma mão na roda, e um belo e exclusivo “lounge” dentro do clube, com toda a regalia devida aos campeões, o que é uma belíssima mordomia. Não vale repassar os ingressos – eles têm que ser retirados pessoalmente.

O Brasil tem seis sócios do “Last Eight”. Maria E. Bueno, campeã em 1959, 60 e 64 é que mais utiliza os benefícios, indo praticamente todos os anos, o paulista Armando Vieira, quadrifinalista em 1951, outro que faz bom uso da regalia, Thomas Koch, quadrifinalista em 1967, Gustavo Kuerten em 1999, Andre Sá, quadrifinalista em 2002 e Marcelo Melo, semis de duplas em 2007. Estes nunca terão problemas de ingressos em Wimbledon.

Acampando para comprar ingressos. O pessoal dorme lá.

Fila nos gramados próximos ao evento. Depois ainda tem a rua.

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sexta-feira, 26 de junho de 2009 Light, Tênis Masculino | 15:51

Jarbas

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Um detalhe nas transmissões da SporTV tem chamado minha atenção e não é o fato de cada vez que as câmeras mostraram Sir Bobby Charlton, um dos convidados especiais da Royal Box hoje, fica aquele silêncio do tipo “quem é esse?

O que pegou minha imaginação acontece no intervalo dos games. Dois comerciais, com visões antagônicas da mulher. No primeiro, um casal na cozinha e a mulher colocando na mesa o assunto de que é hora de investir no futuro. O rapaz continua seus afazeres, fazendo colocações oblíquas com bom humor. A moça, aos poucos mostra sua frustração e irritação com as desviadas do amado, até fazer uma cara horrível quando ele diz que vai investir em ouro. A cara da moça, por conta de ver suas insinuações não encontrarem eco, é de sair correndo. Finalmente, o rapaz abre uma caixinha de chá e mostra que o ouro é o das alianças que a moça, que já mostra algumas rugas gritantes, tanto almeja.

A outra mulher está também à mesa, só que acompanhada de outros marmanjos, em um “bussiness lunch”, e pergunta a um deles onde ele se vê em cinco anos. Aí vemos que o sonho do rapaz é estar guiando um carrão com a fulaninha ao seu lado. De volta à realidade, ele pergunta; e você? Aí descobrimos que o sonho da moça também é estar no carrão, só que no banco de trás, lendo um jornal de negócios e o bonitão lá na frente fazendo o papel do Jarbas.

São duas visões distintas e até conflitantes da mulher atual. Confesso que a primeira me irrita cada vez que assisto, a segunda me diverte pela audácia da idéia e pela postura de ambos os personagens. Fico imaginando se os sonhos dessas grandes tenistas, todas elas praticamente independentes, pelo menos financeiramente, ainda passa por colocar um homem contra parede por um par de alianças e/ou arrumar um bonitão para lhe servir de, entre outras coisas, chofer. O mundo mudou, senhoras e senhores, a grande pergunta é saber para onde.


Versão longa do comercial da “poderosa.

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quinta-feira, 25 de junho de 2009 Tênis Masculino | 18:29

Shaw

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Tenho visto por aqui alguns comentários rotulando o Torneio de Wimbledon de “ruim”, imagino que vindo de torcedores e por conta da ausência de Rafael Nadal. A mim parece muito mais dor de cotovelo ou algo pior. Se uma reedição entre Federer e Nadal seria muito bem recebida, o tênis atual é maior do que a rivalidade entre os dois. E o Torneio de Wimbledon, com 132 anos de história, é maior do que qualquer tenista – aí morando seu charme, tradição e riqueza. Ignorar isso é ignorar o tênis.

Se alguns anos atrás, o tênis praticado por alguns tenistas, pela força das circunstâncias de então, foram ruins para o tênis, e até por isso as circunstâncias foram modificadas, os comentários na linha dos citados não agregam em nada a um blog de fãs do tênis.

O torneio é na grama, o que é extremamente peculiar e, muito por isso, difícil, para os envolvidos, no entanto, essa mesma peculiaridade oferece uma série de elementos que diferenciam o evento. Como tudo na vida, é necessário um tanto de conhecimento, que abrange desde o conhecimento da história e o envolvimento com o esporte, até a das circunstâncias que rodeiam o torneio, para se apreciar com o bom gosto inerente dos amantes do tênis. Esperando iluminar um pouco mais o assunto, reproduzo, abaixo, uma parte de uma coluna minha de alguns anos atrás, já que minhas escritas e, com certeza, o Torneio de Wimbledon, não se iniciaram na semana passada. Divirtam-se.

“O dramaturgo irlandês George Bernard Shaw tinha uma visão do mundo, e das pessoas, no mínimo peculiar. O cinismo e a irreverência, aliados a uma mente ágil e uma pena ferina, produziram frases de efeito e, muitas vezes, uma verdade oblíqua. Em “Máximas para Revolucionários” escreveu: “O homem sensato adapta-se ao mundo. O homem insensato insiste em tentar adaptar o mundo a si. Sendo assim, todo progresso depende do homem insensato”.

No final dos anos setenta e começo dos oitenta, quando a maioria – incluindo aí os tenistas – das pessoas do mundo do tênis pressionava as cabeças brancas que mandavam no The All England Lawn Tennis and Croquet Club a trocarem o exótico piso de grama por qualquer outra coisa, foram, todas elas, mandadas catarem coquinhos em outras paragens. Os “gentlemen” ingleses assimilaram o raciocínio do escritor, já que boa parte deles foi contemporânea do Prêmio Nobel irlandês que morreu de velho em 1950. Na época foram malhados por todas as partes e acusados de retrógrados – uma definição que a maioria deles deve abraçar de bom grado. Hoje, eles, o clube dos velhinhos, tem o evento mais famoso e diferenciado do planeta tênis.

Se o tênis jogado na grama é o mais difícil de jogar, com certeza é o que oferece o prazer estético mais recompensador, especialmente para quem acompanha “in loco”. A maravilhosa grama verde é mantida como em um “green” de golfe e com um carinho maior do que boa parte dos seres humanos recebe em toda a sua vida. É nesse tapete natural, escorregadio quando úmido e esburacado quando maltratado pelos inquietos pés dos tenistas, que estes têm que se virar para oferecer um bom espetáculo. O estilo do jogo é para “connaisseurs”.

Desde de que Bjorn Borg entrar pela primeira vez em uma quadra de grama – e com seu pragmatismo sueco aceitar o fato que sacando e voleando ele não ganharia do pegador de bola de sua quadra, e suas eventuais cinco vitórias seguidas em Wimbledon – que o tradicional estilo de saque e rede vem sendo contestado. Depois que Pete Sampras, o maior dos sacadores-voleadores, descobriu que existe mais na vida do que bater em bolinha de tênis, o estilo quase que saiu de moda. A esmagadora maioria segue a cartilha das boas devoluções, velocidade, movimentos compactos, subidas esporádicas à rede com pitadas de voleios razoáveis e muito de fechar os olhos e enfiar a mão na bola como se não houvesse amanhã. Tudo isso com a premissa de que é necessário, senão uma obrigação, sacar forte para complicar a vida adversária. Nem que fosse só por essa razão, a presença de tenistas como Roger Federer segue sendo um colírio para os olhos, assim como a de tenista que insistem , apesar do bom senso afirmar que não, em fazer das idas à rede uma opção.”

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quarta-feira, 24 de junho de 2009 Copa Davis, Light, O Leitor no Torneio, Tênis Masculino | 23:12

O Jardineiro

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Já que temos comentado bastante sobre o personagem recentemente, em função de toda a conversa sobre quem foi o melhor da história, vejam abaixo o comercial onde quatro coleguinhas das raquetes mostram seu respeito pelo “jardineiro”. Alias, quem é o quarto?

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