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Arquivo de dezembro, 2008

domingo, 28 de dezembro de 2008 Tênis Masculino | 22:14

Alguns numeros

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Enquanto lembro com distinta alegria as horas de sol que o dia de hoje propiciou, ao contrário do que vinha acontecendo desde o dia de Natal, aproveito para ficar longe da TV e olhar algumas estatísticas de 2008. Como é sempre o caso, ao nos debruçamos sobre os números algumas interessantes curiosidades aparecem.

Entre os 25 primeiros do ranking masculino, Roger Federer é o 2º que sacou mais aces na temporada; 695 – Roddick é o 1º com 889. No entanto, é o que tem a menor média de duplas faltas por partida; 1.0. Além disso, tem uma boa média de aces por partida; 8.7. Não é das melhores, mas está perto.

Nadal, um tenista que arrisca bem menos o serviço, sacou só 283 aces, uma média de 3.1 por jogo. No entanto, teve uma média maior de duplas faltas que o suíço, com 1.3.

Fica claro que no fundamento-saque o suíço é excelente, e não estou falando de força, como é o caso de, por exemplo, Karlovic. Federer sabe ir para o ace, sem perder a boa porcentagem de primeiros serviços em quadra; 64%. Além disso, apesar de viver forçando o serviço – tem ótima porcentagem de pontos ganhos com o 2º serviço, 58% – tem, como já disse, a menor média de duplas faltas entre os melhores.

Como ficou claro, especialmente na final de Wimbledon, quanto mais perto dos seus serviços os pontos são decididos e menos longos eles são, mais vantagem leva o suíço. O inverso é verdade para o espanhol. Essa equação é das mais importantes que ambos terão que considerar nos seus embates em 2008. Especialmente o suíço, se quiser mudar o ritmo da freguesia. 

Mas sabem o que mais? O escocês Andy Murray além de ser excelente recebedor – tem trabalhado, e melhorado, seus dois serviços, especialmente o 1º – não se incomoda nenhum pouco em entrar em longos rallies, mesmo com Nadal, e já tem melhores estatísticas do que Federer nos games de devolução. Tem, e deve, melhorar os números nos games de seus serviços, o que já aconteceu no segundo semestre, e é o tenista a se ficar atento em 2009.   

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Tênis Masculino | 22:13

O fato de 2008

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Conforme termina o ano de 2008 e penso de volta nos acontecimentos tenísticos da temporada um fato se sobressai. A virada Rafael Nadal para cima de Roger Federer. Justamente quando a conversa era em que Grand Slam o suíço bateria o recorde de Pete Sampras, o espanhol correu por fora, não posso dizer de maneira surpreendente, e deu um banho de realidade em Federer que por conta dele o suíço deve ter aproveitado suas férias para organizar suas prioridades, pensamentos e estratégias.

O momento que definiu essa virada não poderia ser mais simbólico do que a final de Wimbledon, evento que os dois tenistas colocam no ponto mais alto, por razões distintas. Federer porque fez da grama da Quadra Central sua casa no circuito e onde se sentia verdadeiramente imbatível. Nadal porque soube reconhecer que, se no saibro da Phillippe Chartrie tinha virado barbada, nada mais indiscutível do que bater o “melhor da história” no seu ambiente favorito.

Quem assistiu A Partida já sentiu, durante os três sets finais, que estava assistindo história. A partida pairou acima das marcantes diferenças de dois dos maiores jogadores da história para ser realizada, e apreciada, em um patamar que só um cenário mágico e a disputa pelo título de melhor do mundo, aliada a uma qualidade nunca dantes vista naquela quadra poderia oferecer.

No apagar das luzes de 2008, lembramos esse momento que marcou não só a carreira desses dois tenistas, mas fixou um novo patamar para os tenistas que estão no circuito, aqueles que se preparam para adentrá-lo, para os mirins que tiveram a oportunidade de acompanhar e, não menos, inspirou milhões de fãs a continuarem acompanhando e, principalmente, jogando o tênis.

Pelos fatos acima, e por outras razões que meus leitores podem facilmente acrescentar, proclamo que esse foi o fato que falou mais alto no ano que se encerra e que nos iluminará o caminho para a temporada que se acerca. 

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quarta-feira, 24 de dezembro de 2008 Copa Davis | 11:25

Enchendo linguiça

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Este é um post para, literalmente, encher uma lingüiça natalina. Sem pauta e sem idéia definida. Começo com o vídeo do Andy Roddick, produzido pela ESPN, jogando com uma frigideira na mão e enfrentando um tremendo nerd. O rapaz venceu um concurso na ESPN e o direito de enfrentar Andy que, assim como quase todos os americanos e uma série de tenistas de outros países, estão na Florida, mais precisamente em Boca Raton, treinando. Na academia Evert a USTA realizou uma barragem para decidir qual dos gringos ficaria com o WC a qual a USTA tem direito no AO, conseqüência de um acerto com a federação australiana. O gigante John Isner ficou com a vaga.

A ESPN americana adora fazer promoções e os esportistas adoram participar. Primeiro porque faz parte da cultura americana fazer um esforço para aparecer na TV. Depois porque a ESPN é o maior canal de esportes do mundo. Por ultimo porque fazia parte de um evento da Fundação Roddick. Este não teve duvidas em roubar uma frigideira e partir para a luta com o ” rei dos pangas” e quase perder. Fica claro que o quinto mundo nunca jogou raquetinha. Para não explicar as dificuldades técnicas, só digo que desta vez vocês terão que assistir ao vídeo abaixo:

Os dois finalistas da Copa Davis têm novos capitães. A Espanha ficou com Albert Costa, que bateu o pé e ficou com o posto que era acenado a Alex Corretja. Este seria uma escolha mais interessante e, talvez, melhor pela personalidade e bagagem, ambas mais ilustres do que a do companheiro. Mas, sendo o cavalheiro que é e sempre foi, Alex publicamente se afastou dizendo que não queria criar dificuldades.

A Argentina ficou com Tito Vasquez, um tenista da minha época e de quem sou amigo desde os tempos de juvenil. Tito recentemente morou um tempo na Inglaterra trabalhando para federação local. De volta a BA entrou nas graças de federação Argentina e sua escolha parece ser mais uma escolha dos cartolas do que dos tenistas, o que é um perigo. Especialmente com figuras como Nalbandian por perto e com a latente desavença entre Nalba e Del Pozzo, algo que não deve ajudar muitos os hermanos em 2009. Fora a ressaca da perda do título.

Tenho recebido noticias quase diárias sobre a preparação física de Andy Murray em Miami. O inglês fugiu do terrível clima inglês desta época do ano e foi treinar nas quadras da Universidade de Miami – especialmente seu preparo físico. Até agora a ênfase tem sido no preparo físico e sua equipe afirma que o inglês já ganhou quatro kilos de músculos. O que não é pouco e vai acrescentar aquilo que fez a diferença em seu jogo no segundo semestre. Fiquem de olho, o inglês será uma das estrelas do circuito assim que o Aberto da Austrália começar.

E para os que gostam de boas notícias, ou notícias boas?, Aninha Ivanovic largou a boa vida ao lado do garanhão espanhol e caiu no trabalho. Foi prematuramente para a Austrália para entrar em forma. Pelas fotos abaixo dá para ver que apesar do tremendo hardware, a sérvia está com qualidades sobrando no derrière e umas ondinhas a mais na barriguinha. Pré temporada nela, que em 2009 deverá continuar aliando qualidade técnica e estética. 

 

Murray vai chegar voando baixo na Austrália.

Aninha e seu preparador Scott Byrnes

 

Vindo ou indo, sempre uma alegria.

 

 

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domingo, 21 de dezembro de 2008 Tênis Masculino | 18:15

BOM NATAL

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Eu sempre brinco que as empresas ao redor do mundo conseguem sobreviver, apesar do pessoal do marketing. Esse é o pessoal que gosta de, e consegue, complicar o simples, para justificar seus salários e as despesas que eles são mestres em produzir. Afinal, senão gastarem os tubos e, constantemente, reinventarem a roda, podem começar a perguntar para o que eles servem. Bem… 

A ATP é um exemplo. Estão sempre querendo inventar moda e quanto mais mexem mais estragam o molho. Mas defendem suas decisões com “pesquisas feitas ao redor do mundo, dentro dos mais modernos conceitos, de uma forma abrangente e conceitual, considerando os mais recentes parâmetros mercadológicos” ou algo do gênero. 

Esse era o papo alguns anos atrás quando inventaram os Super Nine e um segundo ranking – A Corrida. Na época foram criticados, mas o pessoal da gravatinha vermelha e os intermináveis almoços – às vezes acho que o pessoal de marketing só trabalha com um copo e um prato na frente e alguém pagando a conta – justificaram suas decisões com aquele linguajar de sempre enquanto esnobam aqueles que ficavam com aquele olhar tipo “o que esse cara está falando?”. 

Como para pegar a grana dos patrocinadores é preciso mostrar um projeto baseado em uma pesquisa, para que os patrocinadores mostrem para os seus “gravatas vermelhas”, essa é a realidade. Passaram alguns anos, novos gravatas vermelhas no pedaço precisando justificar seus salários, novos planos e novas conversas. Aquilo que defendiam é uma droga e a bola da vez é um único ranking – foi-se a idéia de gênio, e vai-se também os Super Nine e chegam os 1000, 500, 250 as novas idéias de gênios que ganham milhões. E se você perguntar o por que, lá vem eles com suas frases de efeitos baseadas em “pesquisas feitas com todo critério e com fãs de todo o mundo”.  

Aproveitei o gancho apresentado pelo leitor que postou o link do vídeo marketeiro da ATP, para colocar um outro um pouco mais completo, já que inclui as meninas, o que sempre agrega. 

A reação dos tenistas no video ilustra o que escrevo. Os jogadores deixam claro que nunca ouviram aquela música e a consideram um absurdo que só pode ser levado para o ridículo. Bem ilustrado pela reação do André Sá, que diz que os caras devem estar brincando, “nós não somos ingleses!!”, se referindo a uma letra complicada que nem o Murray consegue cantar. O Marcelo, em um lampejo pelo qual merecia o salário de algum gravata vermelha, começa a cantar em português, uma boa idéia, que eles nunca teriam, até para ilustrar as multi-culturas do circuito. 

É a realidade da ATP e WTA, com o marketing sendo regido por americanos que insistem em ignorar que a maioria dos países, e tenistas, não fala sua língua – em mais de um sentido.  

Olhando pelo lado mais simpático, oferecido pelo bom humor do pessoal da raquete, fica aqui a mensagem de um Bom Natal, quase cantado por alguns dos melhores tenistas do mundo. Divirtam-se.

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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008 Juvenis | 16:13

Tigres, e tigresas, asiáticas.

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Como eu mencionei a semana passada o Orange Bowl, nada mais justo do que atualizá-los com os resultados do torneio que terminou este fim de semana.

Entre os meninos até 18 anos o título ficou com o indiano Yuri Bhambri, que bateu na final o americano Jarmere Jenkins. Entre as meninas, a WC Julia Boserup correu por fora e ficou com o título após bater outra WC americana, Christina McHale. Parece que eles estão escolhendo bem as convidadas.

Uma questão interessante que aparece no final da temporada dos juvenis é: será que os investimentos no tênis asiático finalmente vão começar a dar frutos? Não deixa de ser curioso descobrir que dois asiáticos fecham o ano como os melhores juvenis do mundo. Entre as mulheres, Noppawan Lertcheewakarn – imaginem eu ter que falar o nome da moça na TV – foi à final de Wimbledon e venceu 4 torneios na Ásia para ficar com o título.

Entre os rapazes, Tsung-HuaYang ficou com o cedro após vencer RG e ir à final do AO, além de vencer as duplas no AO e Wimbledon. Aliás, bom sinal um tenista que jogue bem simples e duplas. O indiano Bambri ficou em segundo lugar e o brasileiro Jose Pereira, que investiu no circuito juvenil ficou em 9º, e Henrique Cunha em 18º. Entre as meninas brasileiras nenhuma entre as 25 primeiras.

Com a palavra a Confederação Brasileira de Tênis. Ou alguma asiática.

E, só para confirmar, junto com os juvenis, a FIT obedeceu o ranking e indicou formalmente Rafael Nadal e Jelena Janjovic como os Campeões do Mundo.

Noppawean e seu estilo heterodoxo.

Tsung, um tenista de dupla qualidade.

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Tênis Brasileiro | 01:21

Bellucci, o pulo do gato.

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Em um dia da semana tranquilo, pelo menos dentro do oásis do Club Pinheiros, me encontro com Thomaz Bellucci, o brasileiro melhor rankeado na ATP. O rapaz chegou guiando um carro nacional, sem nenhum requinte, não me perguntem a marca, e foi pontual.

Não apresentava as afetações nem os maneirismos dos esportistas que começam a se destacar. Não veio fazendo imposições, demonstrando impaciência e apelando para frescuras marqueteiras. Suas roupas são normais a ponto de passarem despercebidas e tampouco utiliza aquele linguajar “mano” que alguns idiotas insistem em usar quando querem transparecer intimidade e simpatia publicamente.

Conversamos por duas horas. Olhou para o relógio uma única vez – eu também – e em momento algum me fez sentir inconfortável. Foi tão aberto quanto se possa esperar de alguém com sua idade – ele completa 21 anos no ultimo dia de Dezembro – especialmente com alguém que poderia reproduzir a conversa na imprensa. Foi uma surpresa e, considerando o momento do tênis nacional, um alento para quem sempre tem expectativas altas e positivas como eu.

Como espero estar falando, cada vez com mais freqüência, desse tenista, tanto no blog como na ESPN, a conversa não tinha agenda especifica a não ser conhecer melhor o homem por detrás da raquete. Não pretendo reproduzir a conversa neste post, mas utilizar o que aprendi para melhor analisar o personagem no futuro.

A surpresa maior veio em descobrir não só suas ambições, sobre as quais é reservado, mas como pretende realizá-las. Thomaz diz que quer melhorar e se meter entre os 40 do mundo. Mas é claro que sua ambição é maior do que essa. Eu, particularmente, vejo ali material para top20 e aí aguardar onde mais seu emocional e vontade podem levar. Mas, esse tipo de coisa você fala com seu técnico e alguém da família que seja discreto. O momento da carreira é delicado e a hora é de manter as cartas perto do peito.

Porém, o tenista não tem receios em abrir o jogo sobre a formação de seu staff. Thomaz recém despediu seu técnico e contratou um novo. Ficou claro que houve desavenças, não só de metas, mas como conquistá-las. Thomaz não elaborou sobre o passado, mas foi aberto sobre o presente, que é o que conta.

Cansei de ver tenista perdendo o caminho assim que consegue algum sucesso. Assim que entra alguma grana é um tal de comprar carro novo, apartamento e, na hora de investir na própria carreira o bolso fica cheio de caranguejos. Em uma realidade onde os adversários têm de bom para ótimo suporte técnico, financeiro e logístico de suas federações, os tenistas que querem se dar bem, e não contam com essas facilidades, tem que se conscientizar, buscar e criar as suas.

Em 2009, Thomas contará com um staff que inclui técnico, preparador físico, fisioterapeuta e nutricionista. Sempre que possível viajará com os dois primeiros. Além disso, tem uma assessora de imprensa, das profissionais e não das amadoras metidas a besta, um acerto com a Koch Tavares de buscar seus contratos de publicidade. Começa também a trabalhar com uma psicóloga para incrementar o mental. Todas essas áreas são cruciais para o tenista atual. Tudo isso custa e Thomas é o primeiro a reconhecer a necessidade deles. Como sempre é o caso, ninguém se dá bem por acaso.

Bellucci ainda tem várias coisas a trabalhar e melhorar para atingir seus objetivos. Felizmente, para ele, está ciente de boa parte delas.

Alguns detalhes me chamam a atenção. Thomas é dono de poderoso saque, que ainda tem espaço para progredir e se tornar um dos melhores. Tem também um drive potente, capaz de incomodar e machucar os adversários. Tem certas características mentais positivas que, se acrescidas de outras que ainda não estão lá, podem construir um bom arsenal emocional.

Tem também ótima envergadura e excelente tamanho (1,87m) para o tênis. Já o ajuda no serviço e poderia ajudar nos voleios – um fundamento que ainda carece e usa pouco, especialmente para alguém de seu tamanho.

O brasileiro tem alguns desafios imediatos pela frente. Até hoje o seu sucesso foi construído em cima de resultados em Challengers. Suas participações em Torneios ATP deixam a desejar. E ele é o primeiro a saber disso. Bellucci ainda se sente confortável quando enfrenta adversários mais fracos e nem tanto quando encara os mais fortes. Óbvio que uma partida contra Nadal não conta, pois ali não existia nenhuma expectativa, e consequente pressão, para vitória – aí é mais fácil jogar solto.

Em seis ocasiões venceu o primeiro set e perdeu o jogo. Somente em duas perdeu o primeiro e virou – as duas contra brasileiros piores rankeados que ele. Estatistica que precisa, urgentemente, reverter. Pela conversa, a derrota mais difícil da temporada foi contra Jarko Niemenem, em Outubro na Suécia. Jarko é um tenista sem grandes golpes, mas muito sólido e perigoso. Não perde jogos que não deveria perder e para ganhar dele é preciso batê-lo. Nessa partida Thomas sentiu que poderia vencer, mas deixou escapar. A derrota foi um marco, de mais de uma maneira. Deixou claro, em sua mente, que ele tem jogo, está perto, mas ainda não está lá. E o pulo do gato está em começar a ganhar não só esses jogos, como não perder ganháveis e, finalmente, vencer, com regularidade, os adversários melhores rankeados.

Considerando tudo que aprendeu, Bellucci decidiu que 2009 é o ano do pulo do gato. Não quer mais jogar, e se proteger, nos Challengers e pretende fazer bom uso de seu ranking – 85 – para jogar os torneios maiores, como o Aberto da Austrália – e mesmo se arriscando nos qualys, como nos anteriores. Uma decisão tanto arriscada como corajosa. Essa faixa do ranking é escorregadia e perigosa, já que não o coloca em todos os torneios e é fácil cair para fora dos 100. Mas Thomaz já sabe que ficar sendo o “rei dos challengers” – ele ganhou quatro na temporada – não é como se constrói o futuro. Ele já cumpriu essa fase e se não tiver a audácia, a coragem e a capacidade de dar o próximo passo, vai se acomodar por ai como vários fizeram.

Mas eu queria a conversa justamente para sentir o jovem. O encontrei motivado e, principalmente, consciente. Agora é trabalhar, lutar e acreditar. Estarei torcendo.

Thomaz Bellucci – 2009, o ano do pulo do gato.

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domingo, 14 de dezembro de 2008 Tênis Masculino | 18:36

DEVOLVEDORES

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Se o saque sempre teve uma importância monumental no jogo de tênis, há cerca de quarenta anos a devolução de serviço passou por uma revolução e aos poucos foi adquirindo uma importância tão grande quanto o serviço.

A maior responsabilidade dessa revolução tem que ser creditada a Jimmy Connors e suas magistrais devoluções, tanto a de direita com o swing compacto como, especialmente, a de esquerda reta com as duas mãos. Para ser ter uma idéia melhor desse momento histórico é só dar mais uma olhadinha no vídeo que postei há poucos dias entre Laver, o grande sacador/voleador, e Connors, destruidor de sacadores, no início dos anos setenta.

De lá para cá o tênis mudou, várias vezes, drasticamente. Os sacadores melhoraram absurdamente, assim como os devolvedores. Por conta disso, o post de hoje, após temos analisado as estatísticas dos sacadores, é sobre os devolvedores.

Não é surpresa que o campeão nesse fundamento seja o Animal Nadal. Ele lidera os pontos vencidos nas devoluções de 1º e 2º serviços e nos games como devolvedor. Só não lidera as estatísticas do aproveitamento dos break-points, um dado interessante já que na sua frente estão Djokovic e Nalbandian. Já coloquei em outras ocasiões que o aspecto mental é uma das forças do sérvio. Quanto a Nalbandian, talvez o melhor devolvedor em quadras rápidas, não deixa de ser uma boa surpresa tal eficácia mental.

Quem tem bastante sucesso como devolvedor também é Davydenko, o 2º nas mesmas três estatísticas que Nadal lidera, porém em 7º no aproveitamento dos break-points. Fica então claro que se o russo tivesse o mental no padrão de sua técnica, seria um tenista ainda mais perigoso e candidato mais forte aos títulos no GS.

Interessante ver Verdasco, que tem altíssima percentagem de 1º saque, ser o 4º no aproveitamento de BP convertidos. O espanhol não tem golpes contundentes, mas conhece o jogo. Outro espanhol, David Ferrer, aparece nas quatro estatísticas e, apesar de não ser bom sacador, conta com sua regularidade como recebedor para se dar bem.

Murray, que no 1º semestre ainda era um tanto dispersivo, é o 4º devolvendo o 1º saque, o 3º devolvendo o 2º, o 6º nos games quebrados, mas não aparece entre os 10 melhores nos aproveitamento dos break-points. Imagino que em 2009, com sua recém adquirida confiança e novo foco na carreira, terá melhor aproveitamento.

Um dado impressionante é que os melhores devolvedores conseguem quebrar o adversário em cerca de 30% dos games. Nadal, o 1º, quebra em 33% das vezes que recebe e Federer, o 10º, em 27%. Isso é um média de 2 quebras por set – aí não tem quem segure, já que se o cara sofrer uma quebra ainda leva o set.

Para aqueles que procuram razões para a ausência de um maior sucesso de Federer, notem que ele, o segundo do ranking mundial, está somente em nono em duas das estatísticas, em décimo em outra e na mais mental – % de BP aproveitados – sequer aparece.

O argentino Del Potro é outro que mostra a importância da devolução no seu sucesso. Ele está entre os 10 melhores nas quatro estatísticas. Alie-se a isso o estrago que um jogador da altura dele pode fazer com seu serviço e temos uma ótima inspiração para o brasileiro Thomas Bellucci, que de mais de uma maneira tem jogo semelhante ao argentino.

A maior surpresa talvez seja outro argentino, Juan Mônaco, 47º no ranking, que aparece em duas estatísticas. Imagine o quanto ele é “ruim” nos games sacando. Outra anomalia é o 6º, o 7º e o 8º do mundo, Tsonga, Simon e Roddick, não aparecerem em nenhuma.

Para encerrar, dos 40 nomes que aparecem nas 4 estatísticas, somente seis batem o revés com uma única mão. Lembrando que cerca de 80% ou mais dos saques são direcionados ao revés. Isso responde a várias perguntas dos leitores.

Abaixo as estatísticas:

Pontos vencidos devolvendo 1º serviços
Jogador % Partidas
1. Nadal, Rafael  34 90
2. Davydenko, Nikolay  34 71
3. Djokovic, Novak  33 78
4E. Murray, Andy  33 72
4E. Verdasco, Fernando  33 72
6. Ferrer, David  33 64
7. Del Potro, Juan Martin  33 59
8. Monfils, Gael  33 47
9. Federer, Roger  32 80
10. Blake, James 32 68
Pontos vencidos em 2º serviços
Jogador % Partidas
1. Nadal, Rafael  55  90
2. Davydenko, Nikolay  55 71
3. Murray, Andy  54 72
4. Ferrer, David  54 64
5. Del Potro, Juan Martin  54 59
6E. Berdych, Tomas  54 54
6E. Nalbandian, David  54 54
8. Monaco, Juan  54 47
9. Federer, Roger  53 80
10. Djokovic, Novak  53 78
Break points convertidos 
Jogador % Partidas
1. Djokovic, Novak  47 78
2. Nalbandian, David  46 54
3. Nadal, Rafael  45 90
4. Verdasco, Fernando  45 72
5. Del Potro, Juan Martin  45 59
6. Wawrinka, Stanislas  45 55
7. Davydenko, Nikolay  44 71
8. Berdych, Tomas  44 54
9. Blake, James  43 68
10. Ferrer, David 43 64
Games de devolução vencidos
Jogador % Partidas
1. Nadal, Rafael  33 90
2. Davydenko, Nikolay  32 71
3. Del Potro, Juan Martin  32 59
4. Djokovic, Novak  30 78
5. Monaco, Juan  30 47
6T. Murray, Andy  29 72
6T. Verdasco, Fernando  29 72
8. Ferrer, David  29 64
9. Nalbandian, David  29 54
10. Federer, Roger 27 80
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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008 Tênis Masculino | 20:42

Sacadores 2008

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O maior corta-físico do circuito atual é o croata de 2.08 m de altura Ivo Karlovic. Esta temporada ele encaixou 961 aces, o bastante para deixar qualquer um com uma boa grana no bolso e colocá-lo como líder do fundamento entre os profissionais. Lembro quando o croata explodiu no circuito em 2003, ao passar pelo qualy e vencer Lleyton Hewitt na 1ª rodada de Wimbledon. Fui a conferencia de imprensa logo em seguida e presenciei uma das cenas mais constrangedoras do circuito. O gigante croata era tão inibido, tão self-conscious que não conseguia finalizar uma sentença. Ele gaguejava todas as palavras e, apesar do microfone, falava tão baixinho que era dificílimo entender. Ele tem investido em melhorar o problema, mas até hoje sua maior paranóia é o discurso que o tenista é obrigado a fazer em quadra após conquistar um título. Nem sonhe em convidá-lo para entrevistas na TV.

Ao contrário de muito sacador, Ivo consegue colocar uma altíssima porcentagem de 1º serviço em quadra – 66%, o que o deixou em 10º lugar. O líder em porcentagem foi Fernando Verdasco, quer não é jogador de ficar dando muitos aces, e foi seguido de Potito Staracce e Hanescu.

Na frente dele, neste quesito também está Andy Roddick, com 68% e no 5º lugar. Andy ficou também em 2º lugar nos aces, com 889, o que prova que o americano é ótimo sacador.

 Roddick venceu 91% dos games que sacou, Ivo 90, Federer 89 e Nadal 88. Em seguida; Soderling, Djoko, Stepanek, Lopez, Tsonga e Ancic.

 O croata ganhou 81% dos pontos que encaixou o 1º serviço, Roddick 80 e Sodderling e Fish 78. Federer 77%. Depois Berdich, Tsonga, Stepanek, Gasquet e Tisarovic.

 Até aí estatísticas de sacadores. Agora coloco outras duas na mesa que exigem mais do tenista:

 Quando obrigados a jogar com o 2º serviço – que é uma vantagem que mescla o talento e a habilidade do sacador com a do jogador – o ranking ficou: Nadal, Federer, Djoko, Roddick, Andreev, Matthieu, Gonzalez, Moya, Almagro, Korlschreiber. Não deixa de ser interessante a mistura dos lideres do ranking com esse outro pessoal!

Para completar, e nesta eu vejo mais claro a força mental do que a habilidade do sacador. Os líderes dos tenistas que fecharam a porta na cara dos adversários e salvaram break-points, uma forte características dos grandes jogadores, na temporada 2008 foram:

Federer, Djoko, Soderling, Roddick, Ancic, Nadal, Karlovic, Tsonga, Bolelli e Gonzalez. Uma bela mistura de tenistas com bons serviços, boas mentes e concentração. Confesso que a presença do italiano e do chileno surpreendeu. Mas os números não mentem.

Os números mostram a importância do saque, tanto para os campeões como para aqueles que vivem dele. Pode-se conquistar bastante com um grande serviço. Mas também fica claro que grandes tenistas precisam extrair o máximo do serviço – sem isso fracassam.

A grande ausência nessas estatísticas foi Andy Murray. Talvez porque só no fim da temporada começou a sacar forte e melhor, a grande melhora técnica em seu jogo. Talvez porque nesta temporada ainda vá aparecer mais nas estatísticas dos devolvedores.

  

Ivo Karlovic e Olivier Rochus: o mais alto e o mais baixo do circuito.

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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008 Tênis Brasileiro | 20:15

Orange Bowl 2

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Em Julho de 1981 um jovem tenista se aproximou de mim e pediu para conversar. Eu o conhecia, tinha visto jogar algumas vezes, conhecia sua reputação, mas não tínhamos maiores intimidades. Eu freqüentava mais os torneios profissionais, mas sabia quem era aquele rapaz que vários consideravam o nosso futuro grande jogador.

Sem delongas, como aprendi ser seu estilo, Carlos Chabalgoity apresentou sua proposta simples e diretamente. Ele iria jogar o Orange Bowl de 16 anos, na época considerado o campeonato mundial da idade e tinha uma visão a respeito; se eu concordasse em treiná-lo, ele tinha a certeza que poderia ficar com o título. Para isso, se comprometia mudar de mala e cuia para São Paulo – era de Brasília – e a fazer tudo como eu pedisse, ou mandasse, dependendo da perspectiva.

Confesso fiquei impressionado com o tenista. Ele colocou seus argumentos com segurança. Carlos tinha, aos 16 anos, uma mente mais madura do que a maioria dos tenistas que conheci, independente da idade. Como entre os itens de sua proposta estava incluída a parte financeira – confesso que o valor era pouco acima do ridículo – a bola estava na minha quadra. Sendo fiel aos meus instintos e às visões que me levaram, e ainda levariam, aonde fui com o esporte, apertei a mão do garoto. Naquele dia conheci um campeão e ganhei um amigo para toda a vida.

Passamos meses treinando tendo, acima de tudo, o título do Orange em mente. No meio do caminho, outros torneios nacionais onde o garoto foi testando suas armas e confiança. Treinar Carlos era uma alegria impar. São raros os tenistas que se colocam na posição de absorver as informações de maneira irrestrita. Eles tendem a contestar, ludibriar, se chatear, perder o foco, desanimar, demorar a entender a informação e uma série de atitudes negativas que acabam por atrasar ou impedir o desenvolvimento. Chabalgoity tinha a cabeça feita, um adulto no corpo de um garoto, jamais contestou uma informação e sempre fazia questão de oferecer algo a mais do que o pedido.

Quando chegamos a Miami encontramos o gaúcho Fernando Roese acompanhado de uma de suas tias. Aos poucos Roese foi-se incorporando a nossa “equipe”. Fizemos alguns treinos juntos e passei acompanhar suas partidas. Conversávamos antes e depois dos jogos. Ambos passaram por situações bicudas. Chapecó passou por Paolo Cane, que mais tarde viria ao Brasil defender a Itália na Copa Davis, acompanhado por um time de italianos capitaneado por Adriano Pannata. Passou também por Emilio Sanches, que recém capitaneou a Espanha na Argentina.

O dia das semifinais foi um espetáculo à parte. Eram dois brasileiros contra um americano e um francês. Chabalgoity bateu o americano Renemberg – anos mais tarde ele jogaria duplas contra o Brasil pela Copa Davis em Ribeirão Preto – em três sets difíceis. O americano era o favorito, mas o brasileiro era o mais bem preparado, confiante e decidido.

A outra semifinal foi um drama. O adversário de Roese era Guy Forget, atual capitão do time francês na Copa Davis. O técnico dele era um suíço contratado pela federação francesa e a quem eu encontraria anos mais tarde como técnico da equipe suíça na semifinal da Copa Davis.

Os dois tenistas eram agressivos e gostavam de procurar a rede. Forget era canhoto, grande voleador e um excelente drive. Roese, destro, tinha as mesmas características. O primeiro set foi para o tie-break e aí a cobra fumou. No set point para o brasileiro, Fernando sacou e foi à rede volear. Após o 1º voleio, o francês abriu o braço e foi para a passada. A bola bateu na rede e foi para cima do corpo de Roese. O brasileiro insiste até hoje que colocou a raquete na frente do corpo e matou o voleio com um drop-volley. O francês reclamou que a bola tocou no corpo do gaúcho.

Após alguma discussão o metido e agressivo técnico suíço/francês entrou em quadra e foi peitar o nosso garoto. Levantei de meu lugar, corri para o centro da quadra e, com as mãos nas costas, peitei as costas do técnico. Banzé na quadra. Após muita discussão e empurrões, o juiz de cadeira congelou e não conseguia sequer falar. O árbitro entrou em quadra e determinou que o ponto fosse decidido no cara e coroa. Nunca vi isso antes nem depois. Após mais discussões e ameaças assim foi feito. Fernando ganhou o sorteio, o set e o jogo.

A final reuniu, pela primeira e única vez, dois brasileiros na final do Orange Bowl. Fiquei sentado no alto das arquibancadas laterais com a tia do Fernando logo à frente. Os dois fizeram uma partida de altíssimo nível técnico, disputada e emocionante. Roese sacou 5×4, 40×30, terceiro set, para vencer o jogo e o campeonato. Seu saque favorito era o “kick” aberto seguido da subida à rede. Foi o que ele fez. A devolução favorita de Chapecó era feita dois passos atrás da linha, com um top spin maravilhoso – seu golpe de esquerda foi um dos melhores que vi. Mas não foi o que ele fez. Quando o gaúcho jogou a bola para cima, o brasiliense deu dois passos à frente, mudou a pegada, bloqueou a bola com uma pitada de slice, quase flat, e a abaixou na paralela. Roese, totalmente ligado na partida ainda conseguiu chegar à bola, mas esta foi rápida e baixa o bastante para forçar seu erro na rede.

Após o ponto, Chabalgoity surfou na confiança, virou a partida – vencendo 7×5 – ganhou o torneio, consolidou o que planejou e executou como um campeão. Confesso que, por mais de uma razão, foi uma das minhas vitórias favoritas como treinador.

Roese, o árbitro, Chapecó e Paulo Cleto após a final em Miami Beach

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terça-feira, 9 de dezembro de 2008 Tênis Masculino | 22:28

O Holandês Fantasma.

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Se alguém duvida que quase tudo é possível dentro de uma quadra de tênis é só considerar a carreira do “fantasma” holandês Martin Verkerk que chegou à final de Roland Garros de 2003  e… mais nada.

Verker chegou à final do GS de maneira tão surpreendente quanto Gustavo Kuertem em 97. A diferença é que após a conquista. o brasileiro, depois um ano difícil, encontro seu caminho e chegou ao topo do ranking. Por seu lado, Verkerk se acomodou na mediocridade, apesar de ainda ter ganho Amersfoot, Holanda, em 2004. Fora isso, nada.

Aos 32 anos o holandês declarou que abandona as quadras por “acreditar que precisaria de uns dois anos para entrar em forma e ritmo competitivo”. Bem, eu precisaria de menos, talvez um ano, mas aí já estaria com mais de sessenta, o que me excluiria do assunto, enquanto ele estaria com 34. Se não conseguiu fazê-lo aos 27!  Feitas as contas ele pendurou a raquete.

Só para lembrar, para chegar à final, Verkerk – que tinha uma carinha de maluco de pedra – bateu Krajan(??), Horna, Spadea, Schuttler (êta chavezinha maneira), Moya (8/6 no 5º) e Coria (em 3 sets e mais uma tremida do argentino).

Com a vitória ele chegou a 14º do ranking. Na temporada seguinte já despencou e nunca mais voltou a ficar entre os 150. Por um tempo saiu do ranking totalmente, abandonou as quadras, voltou, viajou, voltou e agora, como 263º, me saiu com essa explicação. Se foi e não fará falta, a não ser como uma curiosidade.

Talvez em protesto, talvez por achar que já que o Verkerk estava lá ele também poderia aparecer, outro holandês maluco decidiu dar uma cor à final de 2003, afinal o jogo foi uma sonolência só; 6-1 6-3 6-2. Pegou suas bolinhas e foi para a Central. Foi o ponto alto – não tão alto – da partida.   O fantasma Verkerk

O amigo dele na Philippe Chartrier 

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