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Arquivo de novembro, 2008

domingo, 30 de novembro de 2008 Tênis Masculino | 13:54

Esquerda ou direita?

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Um dos temas colocados pelos leitores é sobre qual seria o golpe mais importante – a esquerda ou a direita? Perguntinha capciosa.

Dá para dizer que a importância de cada um desses golpes cresceu, ou cedeu, com as características de cada época, o que, se analisado na integra, faria deste post mais um tratado do que uma resposta rápida e objetiva, como ensinam os gurus da Internet.

Sem muito receio também dá para afirmar que um fato não mudou através das décadas e das mudanças do esporte; a direita é um golpe de ataque e a esquerda um golpe de contra-ataque.

A maioria das bolas vencedoras de fundo de quadra, tanto as vencedoras como as que forçam o erro, são as executadas com a direita e quase sempre aproveitando jogadas formadas sobre a esquerda do adversário.

Para os brasileiros, Gustavo Kuerten é o melhor exemplo por ser o mais lembrado. O catarinense era dono de uma excelente esquerda, especialmente nas quadras mais lentas, como o saibro e a duras lentas. Nelas tinha o tempo para abrir o bração e enfiar a “bolacha”. Esse era o golpe com o qual desmontava as más intenções dos adversários. Os oponentes tentavam construir o ponto sobre sua esquerda e se viam tendo que buscar bolas extremamente anguladas, pedalar para trás em bolas longas ou, ainda pior, serem pegos em contra-pés com as precisas esquerdas paralelas do manézinho.

Apesar desse estrago, os pontos do brasileiro eram construídos em cima de seus ataques de direita. Lembro que no começo de sua carreira Kuerten ainda não tinha o hábito de fugir da esquerda para atacar de direita, muito por conta de sua confiança na esquerda e um pouco por não ter tanta confiança na sua velocidade em retomar a posição defensiva, se necessário. Isso foi um dos pontos que levei a ele em nosso contacto na Copa Davis quando ainda era um tenista em formação.

Com o tempo ele passou a fugir e atacar mais e mais dessa maneira, conseguindo assim encurralar seus adversários. Um de seus marcantes diferenciais era que, quando no meio do seu ataque, o adversário conseguia “achar” sua esquerda, esta era tão eficiente que Kuerten era capaz de manter a força do ataque sobre a já débil bola adversária, tanto com cruzada angulada como com a rápida e surpreendente paralela. Talvez o que o exemplo do brasileiro mais deixe claro é a importância da qualidade de ambos os golpes em suas distintas serventias.
 
As grandes mudanças no tênis atual foram a introdução da esquerda com as duas mãos – na devolução ela praticamente acabou com o saque/voleio – e a velocidade/força dos jogadores, que mudou completamente as disposições táticas dos tenistas em quadra e o seu uso dos golpes de ataque e contra-ataque. Mas estas são pautas para outros posts. Primeiro sugiro os leitores a digerir, analisar e responder a este.


Federer – para os fãs esquerda


Roddick – para os fãs da direita

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sexta-feira, 28 de novembro de 2008 Tênis Brasileiro | 18:01

Futuro nos Futures?

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Foram realizados 34 Torneios Futures masculinos no Brasil em 2008. Uma média de 3.1 torneios por mês – nos 11 meses da temporada. É torneio para ninguém colocar defeito.

Tenho ouvido o presidente da CBT e a da FPT declararem que essa é a prioridade deles. Se não é, parece. Além deles, são várias empresas que investem nesse segmento. Todos vestindo o batido racional que os Futures salvarão o tênis brasileiro.

Eu já acho que é uma bobagem sem tamanho. A maior parte dos realizadores vai mais pelo efeito manada do que por alguma razão bem pensada.

Torneios Futures são necessários, mas, acredito, que em nossa realidade pode ser uma faca de dois legumes. Hoje, qualquer federação, qualquer investidor, é levado a acreditar que os Futures são a resposta para tudo. Não vou ficar batendo na tecla, que penso óbvia, de que Centros de Treinamento, grandes ou pequenos, em São Paulo ou em qualquer canto do país, são mais importantes do que Futures.

O que mais me causa receio é o raciocínio de que quem tem muitos Torneios Futures têm mesmo são muitos tenistas de Torneio Futures. O pessoal não cresce, acomoda, se encaixa.
 
Talvez federações, confederações e amigos devessem se aliar em criar mais Torneios Challengers ou mesmo buscar criar um novo Torneio da ATP. Mas, acima de tudo, deveriam usar a imaginação e criar alternativas. Se existe dinheiro para Futures, existe dinheiro para a criatividade.

Temos que deixar de pensar pequeno e burocraticamente, o que tem sido a realidade através dos anos prevalecente dentro de nossas federações e adjacências. Talvez os torneios devessem oferecer mais do que pontos e grana. Talvez menos torneios e mais projetos que propiciem a esses tenistas estagnados crescerem. Temos que pensar grande se queremos ter grandes tenistas.

 

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quinta-feira, 27 de novembro de 2008 Tênis Masculino | 15:59

Compacto do video-chat.

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Pessoal, agradeço a todos que estiveram presentes no chat, incluindo os que tentaram e não conseguiram entrar. O negócio do video-chat ainda engatinha mas pretendo voltar a realizá-lo antes ou depois do Aberto da Austrália. O pessoal do IG não consegue disponibilizá-lo na integra, não me perguntem por que. O compacto está ai abaixo para deixar água na boca para a próxima. Nos próximos dias, enquanto os tenistas descansam, ou melhor, treinam, vou focar em alguns tópicos sugeridos por vôces, alguns que quero atacar e algumas bobagens para alegrar a passagem de vôces por aqui. Aguardem.

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Tênis Masculino | 14:27

Milionários

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Vocês já ouviram falar da Millionaire’s Fair que acontece este fim de semana em Moscou. Não? Provavelmente porque você não encaixa no perfil – ou seja, não é um milionário.

Rafael Nadal é e por isso foi convidado. Não para ir gastar suas suadas pesetas, tenho a sensação que o rapaz é um tremando mão de vaca como quase todo tenista, mas para entreter a imprensa e falar sobre a empresa Vitaeibiza, uma construtora de “casas verdes”, algo na moda, talvez como maneira de aplacar culpas ou simplesmente para os mais abastados poderem apresentar um diferencial frente a seus colegas de fartura.

A empresa especializada em casas ecológicas tem sua sede em Ibiza, ilha da costa espanhola onde a gandaia corre solta, linda e desenfreada, e o tenista construirá com eles sua casa de férias. Será que ele conseguiu uma casinha na faixa ou só um bom desconto? Lembrem-se que o rapaz queria um milhão de euros para jogar uma partida aqui no Brasil após a Copa Davis. Quanto vale para largar o sol, o mar, o iate e ir passar frio em Moscou?

A feira reúne milionários e empresas de todo o mundo com ambição de atingir esse público. Pelo site – http://www.millionairfair.ru/eng/main/ – parece coisa fina e bem feita. Se você cansou de deixar dinheiro no banco e quer gastar um pouco daqueles milhões, aproveite as noites para descobrir a matéria prima das tenistas russas e o dia para dar uma olhadinha na tumba de Lênin. Se gastar e pegar fila para ver ícones comunistas não é a idéia, experimente Ibiza e descubra o que é a Gomorra moderna – sugiro fazê-lo só, porque lá não faltarão más companhias. Melhor do que a Disney pela quinta vez.

Ibiza – Aqui a coisa ferve. Achei melhor colocar uma foto à distância.

Moscou – aqui a coisa tambem ferve. Achei melhor colocar a foto do mausoléu de Lenin

 

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quarta-feira, 26 de novembro de 2008 Tênis Masculino | 19:38

videochat – enviem suas perguntas.

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Pessoal, o videochat é amanhã, quinta-feira, às 17hs. Vocês já podem enviar suas perguntas aqui nos “Comentários” que eu vou fazendo a lista. Só não me venham com perguntas de almanaque. Aproveitem para perguntar opiniões, histórias, coisas que eu posso colocar a massa cinzenta para funcionar a serviço dos leitores.

Eu me preparando para o videochat.

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Tênis Masculino | 15:22

Black Racket

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Todos sabem que Serena Williams tem sérias pretensões em se tornar atriz. Pelo menos na cabeça dela. Para tal ela vem aceitando todo e qualquer convite que a coloque em frente das câmeras. Fez várias aparições como ela mesma e alguns onde “interpretava” um personagem. Entre estes, sempre em seriados para a TV; My wife and kids, ER, Hair Show, Law and Order, Street Time.

Para os meus leitores que não tiveram a sorte de ver Serena – como atriz é ótima tenista – em ação, coloco abaixo um vídeo que a moça fez para a MadTV. A coisa toda tem que ser considerada uma brincadeira. Ela interpreta a super-heroina Black Racket, até ai tudo bem, que é enviada em uma missão pelo recém-eleito presidente Obama para ir à Russia resgatar “suas bolas” de uma terrível tenista russa. O diferencial é o toque politicamente incorreto da personagem da russa, do chinesinho gay e, especialmente, a aparição de “Amelie Mauresmo”. Garanto a vocês que a tenista francesa não deve ter gostado nem um pouquinho da piada.

 

 

 

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terça-feira, 25 de novembro de 2008 Tênis Masculino | 21:59

Videochat, na quinta-feira 17hs.

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Na busca de interagir e informar meus leitores, estarei fazendo bom uso de mais uma das maravilhas da tecnologia e da internet nesta quinta-feira às 17hs, ao realizar um vídeo chat aqui no blog.

Não peçam muitos detalhes porque será o meu primeiro. O que posso adiantar é que vocês poderão fazer perguntas e eu poderei, se souber, responde-las. Como vocês sempre têm perguntas, dúvidas e curiosidades podem ir anotando suas perguntas.

Só não me venham com perguntas que exijam eu saber de memória porque a minha foi para o espaço já há algum tempo. Seria mais interessante se os assuntos oferecerem uma oportunidade para eu apresentar opiniões e questões que possam ser debatidas por nós.

A idéia é debater a temporada de 2008 do tênis internacional. Reservem um tempinho para quinta-feira, 17hs, e me vejam e acompanhem na telinha do seu computador. As perguntas serão feitas então. Sugestões serão muito bem recebidas.

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Tênis Masculino | 11:59

Connors em cana.

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Por falar em Andy Roddick, um de seus últimos técnicos, o multi-campeão Jimmy Connors, foi em cana na semana passada. Jimbo sempre foi um brigão – adorava chamar McEnroe para o pau – e sua personalidade em quadra, segundo ele mesmo, era a de um “brigão de rua”.

Como não está mais nas quadras, Connors, que mora em um dos paraísos na terra, a cidade de St Barbara na Califórnia, foi preso por arrumar uma briga, ainda não esclarecida, em um jogo de basquete, e por ter desobedecido a polícia quando ordenado a se retirar do local. O rapaz sempre teve enormes problemas com autoridades – seu relacionamento com capitães de Copa Davis era tão ruim que acabou pouco participando da competição. O tenista já foi liberado, mas vai encarar um juiz no futuro próximo. Nada demais, mas não deixa de ser uma curiosidade.

Connors e sua Wilson T2000

Connors e seu amigão McEnroe.

 

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Tênis Masculino | 11:36

Andy e mais um

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A ciranda de técnicos que alguns jogadores se metem parece não ter fim. E um dos mais insistentes é o americano Andy Roddick que um dia foi o número 1 do mundo – o que faziam os outros tenistas? – e agora tem que se contentar em se manter entre os 10 melhores.

Andy, de quem gosto da personalidade-pública, já passou por várias mãos desde que teve a péssima idéia de despedir Brad Gilbert, técnico-falastrão que o levou ao topo do ranking. Sei que o cara tem que ser surdo ou autista para conviver com Gilbert, mas foi o californiano que lhe mostrou o caminho das pedras. Desde então Roddick tentou todos e mais um pouco e nada o fez voltar ao seu efêmero momento de glória. E, receio, nada o fará.

A bola da vez é Larry Stefansky, que já trabalhou com Marcelo Rios, Kafelnikov e Fernando Gonzalez, deixando claro que ou encontrou um certo nicho de trabalho ou tem latentes inclinações masoquistas. Larry tem bagagem para ajudar Andy, mas a questão continua sendo se Andy pode ser ajudado.

Roddick nos tempos em que voava baixo 

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segunda-feira, 24 de novembro de 2008 Tênis Masculino | 11:15

Mais, bem mais, sobre a derrota argentina.

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Li o comentário do Jose Estelita, que vai se tornando uma das vozes mais ativas e coerentes dentro do blog, onde ele escreve sobre a sua leitura da derrota argentina.

Acredito que o atento leitor foi na direção correta, talvez se perdendo um pouco no contexto. Acho que a celeuma toda em cima do fator quadra foi um prenuncio da derrota argentina, não a razão. Não há duvidas que a escolha do piso, feita na ocasião em que o regulamento exige, e com a presença confirmada de Rafael Nadal, era a única e correta.

O problema esbarrou tanto nas rusgas políticas que se tornaram públicas, como nas disputas de ego, e eles não são pequenos lá embaixo, problemas que os hermanos, infelizmente, não souberam administrar. Todas as desavenças entre a AAT e o grupo deveriam ter sido lidadas a portas fechadas e nunca vazadas, o que queimou e pressionou demais os tenistas. Naquela circunstância não poderia haver dúvidas que a mudança de piso era imperativa e a insistência do presidente da AAT em manter a disputa no saibro de BA foi política e pessoal, assim como a de Nalbandian em levar para sua cidade.

Se os argentinos tivessem uma dupla mais forte e confiável, poderiam ter assumido o saibro, as derrotas para Nadal e ido para a vitória nas outras duas simples e nas duplas. Mas desde ali eles temiam as duplas. Nas contas de Nalbandian, a ida para a “carpeta indoors” traria uma segunda chance de “vitória não esperada” que era a sua sobre Nadal na carpeta, ou, na pior das hipóteses, a de Delpo sobre a fera.

O sonho argentino derreteu, como é sempre o caso, por conta de diversas razões, não somente uma. A ausência de Nadal, com todo o impacto que trouxe ao confronto, tirou uma tonelada de pressão dos ombros dos ibéricos e a jogou sobre os ombros argentinos, que se acharam na posição de “putz, agora temos que ganhar se não nos jogam, em pedacinhos, de um helicóptero, na bacia do Prata”. Esta a mais forte razão da derrota argentina. É óbvio que quando Nadal avisou que não vinha não existia mais a possibilidade de mudança, por conta do regulamento, e a escolha do piso virou contra eles, como escrevi aqui no blog então.

As baixarias citadas pelo Estelita, sobre pinta e repinta a quadra, só evidenciou o quanto o pessoal estava despreparado e ansioso para o confronto. Eles queriam ter um controle que na verdade não tinham. Mas, acreditem, essas coisas não acontece só por aqui, como os europeus insinuam. Lá acontece aos montes.

Além disso, Del Potro classificou para o Masters, pela primeira vez, e não soube avaliar o custo físico e mental de jogar do outro lado do mundo na semana anterior ao compromisso mais importante de sua carreira. Chegou a Mar Del Plata no bagaço e deixou o time na mão. Do jeito que a carruagem caminhava, a sua contusão contra Feliciano só abreviou, e desculpou, sua derrota. O que, convenhamos, não estava em nenhuma conta do time argentino. Mas é sempre na imprevisibilidade que a vaquinha vai para o brejo.

Conhecidos argentinos afirmam que Nalbandian e Del Potro não são lá grandes amigos. Ao contrário da fama que corre por aqui que os tenistas por lá são grandes camaradas, a verdade é que o confronto de egos é enorme. Nalbandian teria exigido que Delpo não fosse a China e se guardasse para a Davis. No sábado, após as duplas, Nalbandian teria, novamente, acusado o companheiro de ter ido à China em detrimento à Davis. Já Delpo, assim como outros tenistas como Canas e Monaco, deixam claro que Nalbandian manda e desmanda no time e em Mancini.

Os rumores falam também sobre uma exigência de Nalbandian para cima do comitê organizador, poucos dias antes do confronto, de mais dinheiro. Para tal teria exigido o apoio do time. Não teve o de Delpo, que disse que ficaria fora de qualquer exigência financeira além da já acertada. O jovem deixa claro que não aprova a maneira como Nalbandian se acha o chefe do grupo. 

Quanto a ausência de Canas, de quem sou amigo, gosto e respeito muito, a que se considerar o declínio de seu tênis recente – das suas onze ultimas partidas perdeu nove, inclusive para Acasuso e Verdasco. Sua declaração, quando da celeuma sobre a cidade a ser jogado o evento, de que “o piso importa a cidade não”, caiu muito mal com chefe Nalbandian.

A ausência de Arnold Ker seria estratégica, mas um pouco mais difícil de entender. Ele poderia ter vindo no lugar de Calleri enquanto Acasuso continuaria de “stand by” para as simples. Ker é mais duplista e muito mais catimbeiro do que Calleri – aposto minhas raquetes que não ficaria com aquela cara de pasmo como ficou o outro e buscaria uma maneira de mudar o curso da partida que foi decisiva. Mas não acredito que a escolha não tenha passado pelo crivo “del chefito”.

A TV argentina chegou a dizer que Nalbandian e Calleri trocaram socos no vestiário após as duplas, o que foi desmentido por pessoas que estavam no local. Mas o afirmado é que felicidade e bons fluídos não havia, tanto que Nalbandian ignorou a imprensa e foi embora sem dar entrevista, o que vai lhe custar U$10 mil. Mas a grande suspeita é que além de irritado com o parceiro das duplas, estava louco com o fato de acreditar que Delpo teria condições e já teria avisado que não jogaria no Domingo. 

Com certeza Mancini devia ter suas razões, porém suas apostas em Acasuso e Calleri afundaram o time. Porque eu apostaria minhas outras raquetes no Nalbandian na última partida contra o Feliciano. Mas, no fundo, eu acredito que uma derrota de tal magnitude – ela vai estar viva na mente dos hermanos nas próximas décadas – teve mais de um dono, mais de uma razão. E uma delas, a principal, não esqueçamos, foi os espanhóis.

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