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Arquivo de setembro, 2008

terça-feira, 30 de setembro de 2008 Tênis Masculino | 07:17

O paraíso, o inferno e o limbo

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Sempre houve no circuito do tênis pelo menos dois tipos de tenistas: os que se acomodam fazendo uma carreira em torno dos Torneios Challengers e os que ambicionam chegar, e ficar, no circuito da ATP. São dois animais distintos, vivendo em dois ambientes extremamente diversos.

O circuito Challenger foi criado para ser mais uma transição entre os Futures – que são os torneios que fazem a primeira transição entre os torneios juvenis e os torneios profissionais – e os torneios da ATP, onde convivem as feras do tênis.

Em uma analogia teológica, o Circuito Futures podem ser considerado como o inferno, o Circuito ATP o paraíso e o Circuito Challengers o limbo. Ninguém chega ao paraíso de graça e todos querem dar o fora do inferno, mas é interessante como quantos se acomodam no limbo. Ninguém quer passar fome e poucos têm o espírito para pagar o preço da felicidade tenistica. A maioria se satisfaz com o meio termo. Tal qual a vida real.

Quando o tenista não consegue sair dos Futures ele logo desiste, porque não dá para viver ali por mais de uma ou duas temporadas – algo possível só para os mais insistentes, teimosos ou sem nenhuma outra perspectiva em vida.

Quanto aos que não conseguem sair dos Challengers, e chegar à ATP, conseguem pelo menos algum troco financeiro para continuar brincando de tenista profissional. Como muitos abandonaram a escola precocemente, as perspectiva de alternativas de trabalho não são animadoras. Assim, se acomodam por ali, na expectativa, a maioria das vezes vã, de que um dia as coisas mudem e passem a ser competitivos o bastante para freqüentar o ambiente dos cachorros grandes. Alguns até conseguem, a maioria não. Outros batem e voltam. Estes são os que realmente sentem a navalha na carne – conhecem o paraíso, mas não são capazes de obter o visto permanente.

No fundo, o Circuito Challenger preenche outra de suas razões de ser, que é acomodar o excesso de tenistas que pretendem jogar tênis profissionalmente. É algo como uma segundona no futebol ou uma daquelas infindáveis categorias do automobilismo profissional. O sistema simplesmente se acomodou com a realidade do tênis global, e mais democrática, dos últimos 20 anos. Algo que a Teoria de Darwin explica direitinho.

De qualquer maneira, o Circuito Challenger é uma realidade necessária e extremamente benéfica para o tênis. Especialmente ao tênis de países carentes, de mais de uma maneira, como o Brasil. Por isso a importância deles por aqui.


O jovem Charles Darwin explicou a “seleção natural”.

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segunda-feira, 29 de setembro de 2008 Tênis Masculino | 19:49

As mulheres segundo Carlos Rodriguez

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O único técnico da vida profissional de Justine Henin, o argentino Carlos Rodriguez deu uma entrevista onde ele chuta o pau da barraca da maioria das tenistas lutando pela coroa de sua antiga pupila. Lendo o que ele tem a dizer não fica claro se ele está, com seus comentários, procurando um novo trabalho ou se não tem a menor intenção de passar pertos de tenistas daqui para frente.

Sobre Anna Chakvetadze, com quem andou trabalhando, disse o óbvio, que a moça tem talento, e acrescentou o que não se sabe, que a menina é um desastre fora das quadras. E uma campeã se é dentro e fora das quadras. Anna não sabe o que quer da carreira e menos ainda o que fazer para conseguir. Afirma que a tenista não está pronta para fazer os sacrifícios necessários para ser uma campeã, o que seus recentes resultados têm mostrado. Sempre achei Anna talentosa e imaginava porque ela não “estourava”.

Sobre Jelena Jankovic diz que ela é o espelho do tênis feminino atual, onde uma tenista consegue ser a 1ª do ranking sem nunca ter vencido um GS. A compara, negativamente, com as irmãs Williams e Sharapova, tenistas carismáticas e que trazem para a quadra algo a mais, não só devoluções de bolinhas. Eu disse isso durante as transmissões do U.S. Open quando a moça ficou nessa posição.

Anna Ivanovic também leva umas lambadas, ao dizer que a linda sérvia nunca tem um Plano B para quando as coisas não vão bem em quadra, o que a leva perder completamente o controle. Diz que um técnico pode ajudar, mas que é a tenista que tem, ou não, a capacidade de resolver problemas. Pura Verdade.

Rodriguez guarda seus elogios para as irmãs Williams e Sharapova, com restrições.

Falando de Sharapova adverte sobre a agenda extra-quadra da tenista, o que a impede de se concentrar totalmente, como deveria, no seu jogo. A russa ganha muito mais dinheiro fora das quadras (cerca de U$25 milhões) do que dentro, mas precisa fazer uma decisão de que tipo de campeã quer ser.

Sobre as Williams, especialmente Serena, elogia a qualidade e a força, mental e física. Mas pergunta se a moça vai encarar o sacrifício para continuar vencendo. Se o fizer, pode ser dominante por mais dois ou três anos.

A maior surpresa de sua entrevista é quando aponta Nicole Vaidisova como a tenista com o maior potencial. A culpa, segundo ele, é das pessoas que a cercam. O padrasto, que é uma figura, trabalha como seu técnico. E completa com uma verdade muitas vezes não compreendida pelos que não vivem o tênis competitivo. As moças – e eu diria alguns dos moços, especialmente brasileiros – são fortes mentalmente, mas fracos emocionalmente, e que geralmente as emoções se sobrepõe ao mental. Quanto a Vaidisova, completa dizendo que a moça não é muito inteligente (em quadra é um fato gritante, ela tem que jogar um dos tênis mais obtusos que já vi) e que a tenista precisa urgente de um bom técnico. Já sei onde o argentino quer amarrar o burrico dele.


Vaidisova – talentosa, mas não muto inteligente

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domingo, 28 de setembro de 2008 Tênis Masculino | 18:01

A memória do Dr. Palloci

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Quase toda escolha de local de Copa Davis recebe pinceladas políticas, financeiras e técnicas. A boa presidência e a boa capitania conseguem administrar essas forças que às vezes são antagônicas. Quando a presidência da entidade e a liderança do time não são donas de bom senso a decisão pode ser desastrosa, assim como quando há harmonia, bom senso e inteligência o resultado é favorável para o evento como um todo.

A escolha de Ribeirão Preto, para um dos principais confrontos da história de nossa Copa Davis, realizado em Fevereiro de 1997, começou em Setembro do ano anterior assim que foi anunciado o sorteio. Tínhamos, segundo a FIT, 45 dias para fazer a decisão final. Vários fatores são avaliados. Capacidade de oferecer a infra-estrutura necessária, disponibilidade de local, condições técnicas favoráveis e o acerto financeiro. A lista da FIT para confrontos de Grupo Mundial é um calhamaço de mais de 200 páginas. Os custos do evento bem maiores do que as pessoas imaginam, e nem imaginam. Consenso das preferências da CBT e do time.

A melhor proposta apresentada, e todos os fatores são avaliados, foi a de Ribeirão Preto. Ela foi apresentada pelo atual presidente da FPT, Paulo Campos, e por seu ex-cunhado, o Dr. Sócrates, craque da bola e pessoa maravilhosa, então Secretário dos Esportes de Ribeirão Preto e representante do prefeito Antonio Palocci.

Ribeirão é uma cidade com grande tradição tenística – eu já havia realizado vários eventos por lá, sempre com a cooperação do Paulo Campos. O fato de a prefeitura estar por detrás, bancando e avaliando toda a estrutura do evento, sacramentou a escolha.

Naquela altura, para quem não lembra ou não sabe, o Palloci era o prefeito, candidato à reeleição e franco favorito. Eram mais de 30% a sua diferença e os outros, um deles Roberto Jabali, pai do Betão, então tenista em nosso time, o que só garantia ainda mais a decisão. A vitória do PT era dada como certo. Mas na última semana, eu sei lá por que, a corrida virou e o Jabali venceu.

O interessante é que quando chegamos para a competição em Fevereiro, o Palloci, acho que ainda nervoso com a derrota, foi aos jornais e TVs prometendo entrar na justiça pelo fato da prefeitura estar promovendo um evento onde o filho do prefeito participava. A “confusão” do Dr. Palloci foi grande, já que foi a sua gestão quem fechou com a CBT – o Jabali só herdou e cumpriu -, mas parece ter sido o bastante para manter algumas pessoas desinformadas através dos anos.


Para quem não lembra do Dr. Socrates – Brasil x URSS em 1982

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Tênis Masculino | 16:29

Como nos vestiários

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Eu imaginava que as moças iriam gostar do post do Nadal. Só não imaginava que alguns rapazes iriam ficar tão nervosos com a bundinha do rapaz. Sei lá, talvez Sigmund explique, mas ficar irado por conta disso me parece um tanto ridículo para não escrever suspeito.

Afinal, se o blog é de tênis, qualquer tenista que valha suas cuecas passou a vida em vestiários onde bundas masculinas proliferam. Se isso fosse coisa para deixá-lo nervoso teria que achar outra atividade. Por conta disso, fica a sugestão para os rapazes deixarem as moças se divertirem e aproveitarem e não ficar se expondo com um ultraje fora de propósito. Até porque, como lembraram algumas leitoras, se a Aninha der uma bobeada desta lá pelas bandas do Mar Adriático eu coloco a foto no ato e quero ver os marmanjos reclamarem. Só para encerrar, coloco a última.


A última

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sábado, 27 de setembro de 2008 Tênis Masculino | 21:29

Sabadão parisiense

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É fim de semana, o pessoal fica um tanto mais preguiçoso para entrar na internet, decidi amenizar.

Passei o dia passeando pelas ruas de Paris. O sol estava brilhando, o céu azul e, considerando que estamos no fim de Setembro, o dia foi vivido como uma dádiva.

A Ilha de Saint Louis é um lugar que me traz ótimas memórias através dos anos. Passear por lá em um sábado como hoje, tomar um sorvete no Berthillon – que foi renovado e não tem mais aquele charme decadente de poucos anos atrás, agora parece um lugarzinho da moda, todo revestido de madeira clara com um adendo onde se pode tomar o sorvete sentado – continua sendo um prazer especial.

O passeio pelo vizinho Marais, desta vez de bicicleta. As velos verdinhas, distribuídas pelos 4 mil estações ao redor da cidade mudaram a perspectiva de passeio em Paris. É uma nova, interessante e mágica maneira de ver a cidade – sentado em um selim, pedalando pelas ruas e vielas, parando onde der na cabeça, com carros ônibus e taxistas respeitando, curtindo cada maravilha que aparece na frente. Um dos benefícios paralelos é que se pode comer à vontade, o que é uma das grandes delícias da cidade, pois o exercício é um prazer paralelo. Vocês pensem aí na comparação de pedalar em alguma academia claustrofóbica e a de pedalar pelas ruas da mais charmosa cidade do planeta?

Boas colocações do Gustavo L, deve ser argentino, sobre o time hermano. Só uma correção. Acredito que os dirigentes queriam colocar uma carpeta no saibro, mas a Federação Internacional disse não. Carpeta só indoors.

Quanto ao comentário sobre a escolha de Ribeirão Preto vocês podem me cobrar um post com mais detalhes sobre o assunto, só para vocês verem como funcionam os bastidores. Mais à frente.

Hoje, em resposta ao comentário do Roger, escrevo o seguinte. Na ocasião o número 1 do time já era o Kuerten, pré Roland Garros. O confronto foi em Fevereiro de 97. O número dois estava entre Meligeni e Oncins. Acabou jogando Meligeni.

Os adversários tinham Jim Courier e Malivai Washington, além da melhor dupla do mundo na época, Renemberg e O’Brien. Jogar na altura do mar não era uma prioridade, já que nosso time não era mais forte fisicamente. Courier, para quem não sabe, venceu Roland Garros duas vezes e foi finalista em outra, além de ser um animal de forte. Malivai, vencedor em Wimbledon, também era um tenista com ótimo fisico. Ambos bem melhores rankeados que nossos tenistas.

Na verdade, olhando por uma perspectiva histórica, batemos na trave. Kuerten perdeu em 4 sets (2 tie-breakers) para Malivai. Meligeni perdeu em 5 para Courier. Nossa dupla, Kuerten e Oncins, deu um pau nos americanos. No ponto decisivo Kuerten foi derrotado por Courier em 4 sets (13 x11 no tie-break do quarto). Pouco mais de três meses depois o brasileiro surpreenderia o mundo. Mas foi ali que ele descobriu que, mesmo ainda lhe faltando experiência, tinha tênis para jogar com os melhores.


Boa comida e bicicleta, duas delícias parisienses

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Tênis Masculino | 21:15

Momento candinha

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As fotos abaixo foram tiradas recentemente em um barco na costa do Mediterrâneo. Agora voces podem dizer que este blog realmete desnuda tudo, até o que não deve.


Flagrado!

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sexta-feira, 26 de setembro de 2008 Tênis Masculino | 21:06

Milongas no tênis.

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Está armado o barraco argentino. Vocês lembram quando Fernando Meligeni aceitou o cargo de capitão e não muito tempo depois saiu, falando cobras e lagartos da CBT? E a briga que o Emilio Sanches, e o resto do time espanhol, arrumou com a Federação Espanhola que queria colocar a semifinal contra os EUA em alguma cidadezinha e o time (leia-se Nadal) queria Madrid? Não vou relatar aqui as vezes que tive peitar presidentes de CBT por conta da decisão de onde seria jogada a Copa Davis. Na verdade, eles preferiam desafiar o diabo que arrumar encrenca comigo. Pelo menos vou poder dormir tranqüilo o resto da vida. Nunca aceitei um lugar que não queria (leia-se o time) para não reclamar depois.

Desta vez os tenistas argentinos peitaram a FAT, especialmente o jurássico presidente Enrique Morea, que foi o melhor tenista argentino dos anos 40 – meu deus, quantos anos essa homem tem? A federação queria utilizar o há pouco inaugurado Estádio Parque Roca, um belíssimo local de tênis, e sua quadra de saibro. Os tenistas não.

Eu diria que contra qualquer país do planeta os tenistas diriam amem. O problema é que o outro finalista tem Rafa Nadal – precisa mais? – e David Ferrer. Por isso, os tenistas batem o pé e gritam: En polvo de ladrillo no! Queremos una carpeta indoor!

A respeito dessa expressão – carpeta indoor – o Embaixador da Espanha na Argentina escreveu, em seu blog, um ótimo e espirituoso texto. O endereço na web é: http://estrella.lamatriz.org/final-copa-davis-espana-argentina-la-carpeta-indoor. Vocês copiem e colem que eu não sei fazer o link.

A encrenca está formada, também, por conta da insistência de David Nalbandián em levar o confronto para Córdoba, sua cidade natal. Que Buenos Aires nada, diz o gordinho. E como ele é o chefe da equipe, o arraial está armado. A federação no início quis peitar – o Morea faz o tipo generallisimo – mas percebeu que a pressão dos tenistas, divulgada amplamente pela imprensa, seria incontrolável.

Finalmente cederam, instruindo a firma que tem os direitos do evento a procurar um lugar para a tal “carpeta indoors”. Isso porque, por enquanto, a FAT concordou com o piso, o que acaba com a chance do Parque Roca – como explicar para a prefeitura de BA, que construiu o maior estádio de tênis da América do Sul, que a final da Copa Davis não será lá? – mas não garantiram tirar o evento de Buenos Aires e levar para o “interior”.

Os tenistas têm razão sobre o saibro e a “carpeta indoors”. É mais fácil bater a Espanha na segunda do que no primeiro. Já Córdoba é uma agenda de Nalbandian, que está usando toda sua musculatura, e barriguinha, para levar a decisão para sua cidade. Quanto a isso, Canas, outro veterano, já deixou claro; “a mim o que importa é a “carpeta indoors”, se em BA ou Córdoba, pouca importa”.

Como ninguém é bobo, cada um compra a briga que lhe interessa. Decisão final ainda não há, mas nestes dias não é só a Sra. Cristina Fernadez de Kirchner que está sob pressão e não é só na Casa Rosada que se faz política na Argentina.


O belíssimo Estádio Roca não verá a final da Davis

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quinta-feira, 25 de setembro de 2008 Tênis Masculino | 20:50

O open stance de Gustavo Kuerten

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Um adendo ao open stance, particularmente o usado no backhand por tenistas que o executam com uma única mão. O Federer o usa, não com tanta frequencia, mas outros tenistas o usam e usaram. Um deles é um velho conhecido dos fãs brasileiros – Gustavo Kuerten.

O catarinense gostava de utilizar o open stance na sua esquerda. Bastante nas passadas, mas também nas devoluções abertas no lado da vantagem e durante trocas de bolas cruzadas. A primeira ainda mais no saibro, as outras mais nas quadras rápidas.
O interessante é que nas trocas quase que só usava quando não apurado. Quando pressionado, era CDF e usava bem a close stance e o pézinho na frente. Agora, quando muito pressionado, na hora da passada, podia usar o open stance acomodando o pé esquerdo para trás, conforme a necessidade.

Era algo que outro brasileiro, Luiz Mattar, também usava com maestria nessas mesmas passadas. Ainda no início da carreira de Guga – pré RG 97 – o técnico Larri Passos declarou às câmeras da ESPN-BRASIL que a sua inspiração na formação da esquerda do pupilo que começava a despontar, havia sido a esquerda de Mattar. Não sei se essa esquerda em particular, a do open stance na passada, foi uma que Kuerten se inspirou, mas não deixa de ser interessante a lembrança.

Coloco abaixo o vídeo de Gustavo Kuerten x Sampras na semifinal do Masters, onde vocês podem, se atentos, assistir Gustavo fazendo um pouco de cada coisa mencionada acima. Divirtam-se com um dos momentos mais marcantes na carreira do brasileiro. No meu entender, e acredito que no dele, o seu maior momento tecnicamente. Só para lembrar, naquela semana ele se tornou o 1º do ranking mundial. Bons tempos.


Gustavo Kuerten – semifinal do Masters de Lisboa 2000

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Tênis Masculino | 07:03

Lambança desfeita

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Eu bem avisei que estava cansado. O que não perdoa a lambança feita entre a tal da open e a close stance. O raciocínio estava correto, como sempre, mas foi um tal de colocar um no lugar do outro que não acreditei esta manhã quando reli, atentado que fui pelos meus fiéis e atentos leitores. Agora está tudo no seu devido lugar e os leitores não mais precisarão duvidar de sua capacidade de entendimento. Acho.

Além disso, é fato – que considerei óbvio e subentendido – que o Nadal usa o open também no backhand quando apertado, o que é, talvez, uma vantagem ainda maior, considerando que aí que ele é atacado com maior freqüência. Lembro da primeira vez que vi alguém usando isso com radicalmente. Um dos meus tenistas treinava com o russo Chesnokov, no carpete do Torneio de Philadelphia, e o cara chegava nessas bolas com uma brutalidade impressionante. Colocava o pé esquerdo bem aberto, dobrava bem os joelhos, abaixava bastante seu centro de gravidade e equilíbrio e executava passadas de esquerda com as duas mãos que eu nunca tinha visto. Eu ficava frio de medo que uma hora ele iria arrebentar aquele tornozelo.

No vídeo com as trocas de bolas de Borg e Vilas, vocês poderão ver, rapidamente, ambos usando, quando forçados nas suas respectivas direitas, usando o open stance.

Quanto ao leitor que não viu diferença entre os golpes de forehand do Nadal e do Tsonga, atente para os PÉS. O Tsonga pisa à frente, enquanto Nadal pisa lateralmente, o que define as respectivas stances.

E coloquem seus comentários e dúvidas. Sobre os golpes, e não sobre a minha lambança!

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quarta-feira, 24 de setembro de 2008 Tênis Masculino | 19:30

Open e close stance – Nadal x Federer

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Estou cansado hoje. Doem as pernas e mais ainda as costas. Muitas andanças pelas ruas, mas o que deve ter pego foi jogar no carpete indoors, o que faz “maravilhas” pelas minhas costas. Para melhorar o clima, comi um belo talharim com tartufos pretos de adoçar o paladar e amansar a fome e em seguida parti para uma boa caminhada pelas ruas de St. Germain alegrando a alma. Agora de volta ao computador.

Um dos leitores me pediu para escrever sobre a diferença e as supostas vantagens do “open stance” comparada com a “close stance”, mencionando uma entrevista de Federer dizendo que o Nadal leva, e sempre levará, vantagem no saibro por conta do open.

Sou do tempo em que se ensinava, unicamente, o chamado “close stance” e que o tal do “open stance” não passava de uma barbaridade para quando se chegava muito mal nas bolas laterais – algo, para os mais recentes fãs do tênis, parecido com a direita atrasada do Guga no início da carreira, em que ele chegava mal e cortava um salame.

Posso estar errado, pelo menos é o que a minha preguiçosa mente um tanto entorpecida pelo vinho local consegue lembrar, mas quem começou a colocar o “open stance” no mapa foi o Borg. Ele adorava chegar, bem e não atrasado, – alias o sueco chegava bem em todas as bolas, sendo a velocidade uma de suas principais qualidades – nas bolas abertas à sua direita. Ele tinha um movimento amplo e uma pegada western radical para a época, e o deslizamento lateral o ajudava acomodar isso tudo.

Lembro que muito se falava sobre como ele batia esse golpe e como isso conflitava com o que se ensinava então. Na verdade, outros tenistas haviam testado o open, mas foi ali que o golpe começou a marcar presença, até pelas mudanças que trouxe ao jogo.

O open stance foi uma das coisas que possibilitaram, ou será que induziram?, a mudança do jogo da rede para o fundo da quadra. O close, que o Federer ainda usa, é muito mais para uma bola de ataque e o open mais para uma bola de contra ataque.

No close, o tenista corre para frente, ou na diagonal, pisa com o pé esquerdo, monta na bola, transferindo o peso de seu corpo de trás para a frente, assim colocando força na bola, enquanto se projeta, inclusive, mas não tão somente, à frente para atacar e, talvez, ir à rede. Quem assistir o Federer jogar verá esse golpe com freqüência, que é um dos mais bonitos, eficazes e perigosos do suíço.

No open stance, o tenista chega com o pé direito (no caso do canhoto Nadal o esquerdo!) colocado lateralmente, muitas vezes deslizando, para acomodar seu corpo em rebater a bola, não raro em posição defensiva. Essa chegada – e a não obrigação de colocar o pé esquerdo – permite o jogador chegar mais longe, mais tarde, ter um alcance maior e funciona bem para criar ângulos, altura e bolas de contra ataque.

Com o uso do pulso, o giro dos ombros e dos quadris o tenista consegue gerar muita velocidade e força, substituindo o movimento à frente do close stance. Pode-se imaginar que esse movimento, muito mais brusco hoje do que na época do Borg, traga alguns problemas para certas juntas do tornozelo direito pelo impacto e zona dos quadris pelo arranco.

A vantagem, que é o que o leitor quer saber, é exatamente em cima do tempo e do espaço ganho pelo tenista do open stance. Não só porque ele tem seu alcance consideravelmente extendido com seu pé direito colocado lateralmente, como o do close “se atrapalha” mais em ter que colocar o pé esquerdo à frente para executar o golpe.

Além disso, o que considero crucial, o tenista do open tem uma área de acomodação muito maior. Permite que ele coloque o pé lateralmente, mas também possa colocá-lo em vários ângulos para trás, para executar o golpe de direita conforme sua necessidade, até o extremo de colocá-lo paralelo ao esquerdo, o que não passa de uma volta ao close stance, desta vez com o corpo caindo para trás, posicionamento totalmente defensivo, e então conseguindo gerar velocidade na bola, e aja força para isso, com os quadris, o estilingue da cintura e a munhecada.

Vale lembrar que, não raro, o Federer usa o open, assim como o Nadal usa o close. Ambos são versáteis o bastante para variar, mas o estilo de cada um sempre fala alto.

Como me dizia o Íon Tiriac, técnico do Guillermo Vilas na época, ainda nos anos setenta; o Borg vai sempre ganhar do Vilas, porque depois de tantas bolas jogadas o Vilas fica um passo atrasado, o bastante para aparecer a bola curta ou o erro. É mais ou menos isso que acontece com o Federer quando ele enfrenta o Nadal, especialmente no saibro. Mas para tudo há uma resposta – mais isso já é outra história.

Está aí a resposta, na sua versão curta, e talvez a razão porque eu não escreva tanto sobre a técnica do jogo. Será que o pessoal entendeu alguma coisa? Para ilustrar, vejam os videos abaixo.


Borg e vilas trocam 86 bolas em RG


Federer – direita em camera lenta


Compare o close do Tsonga e o open do Nadal

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