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Arquivo de novembro, 2007

quinta-feira, 29 de novembro de 2007 Tênis Masculino | 18:08

Maçãs podres

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É difícil escrever sobre esse novo câncer que surge no tênis – as apostas. Para nós brasileiros é uma coisa de outro mundo, já que a única coisa de alguma maneira semelhante é a loteria esportiva. Apostar em esportes, por aqui, eu nunca ouvi falar, além de ser ilegal.

Mas na Inglaterra é um passatempo nacional que envolve fortunas. Por lá, se pode apostar em qualquer coisa que se possa imaginar, incluindo jogos de tênis. Isso nunca foi segredo. Mas a primeira vez que ouvi algum tipo de preocupação dentro do ambiente do tênis foi há poucos anos com um tenista russo, um dos melhores do mundo durante a carreira, e que foi aconselhado a encerrá-la, pela ATP, por conta de uma investigação sobre jogatina. O rapaz adorava apostar, e alto, em seus jogos de gamão, golfe e até par ou impar, dos quais estava sempre falando nos vestiários.

Na época a ATP não divulgou, mas as conversas pelos bastidores eram que havia uma forte suspeita do russo estar envolvido em atividades ilegais com apostas de jogos de tênis. Não tão surpreendentemente, o rapaz era conhecidíssimo por perder jogos fáceis nas primeiras rodadas. Hoje parece que joga cartas profissionalmente. Fora essa história, nunca ouvi falar de outra coisa.

Mas onde há dinheiro, há jogo e há coisas nebulosas por perto. E onde há a possibilidade de um dinheiro fácil as coisas podem começar a acontecer. Agora a mesma suspeita surge contra outro russo.

Coincidência? A Máfia Russa tem uma fama tenebrosa na Europa e deve ser capaz de intimidar qualquer um. Essa história do Davydenko ainda vai dar o que falar e a sua suspeita derrota, para um tenista bem inferior, e que gerou um volume bem mais alto de apostas do que o normal, lembra as curiosas derrotas do seu conterrâneo. Como é de se esperar, o atual 4º do ranking alega inocência. Mas também não dá para julgar antecipadamente. Os investigadores da casa de aposta, com a participação da Scotland Yard, e a anuência da ATP, acreditam que há mico no circo. As investigações ainda devem demorar cerca de um mês – aposto que não vão dar em nada, mas vão deixar todo mundo esperto.

O escocês Andy Murray colocou lenha na fogueira ao afirmar que todo mundo no vestiário conhece o problema e vê o que está acontecendo. Engraçado que outro britânico, Tim Henman, também afirmou que o problema existe. Murray levou um “cala boca” de Davydenko – que afirma que se o rapaz sabe tanto sobre o assunto é porque já participou -, e outro de Rafael Nadal, 2º do mundo, afirmando que Murray fala demais e que ele também vive o circuito e nunca viu ou ouviu nada sobre o assunto. E duvida que Murray saiba mais do que ele sobre o circuito. Bem, parece que sabe. A pressão pesou sobre o falastrão Murray, que tem essa fama no circuito. Murray chamou a imprensa e disse que suas palavras foram usadas fora do contexto – o que ele sabe é que alguns tenistas foram contatados e recusaram.

Os brasileiros Saretta e Daniel deram sua contribuição ao afirmarem que tambem foram contactados para entregarem partidas perante uma boa soma em Euros. Só não entendo por que os tenistas que receberam ofertas não contaram à ATP ou mesmo à polícia, já que, segundo eles, essses bandidos frequentam o ambiente dos jogadores.

Já passou da hora de se fazer algo definitivo a respeito. Mas o que deveria mesmo ser feito, que é a determinar a ilegalidade de apostas nos esportes, na Inglaterra, Las Vegas e na internet, eu duvido, e muito, vá acontecer.

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