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segunda-feira, 20 de outubro de 2014 História, Juvenis, Light, Porque o Tênis., Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 00:30

O rei dos pangas

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Como todo cara simpático, Vic era ótimo contador de histórias. Como todo bom professor de tênis, tinha ótimas histórias pra contar do seu esporte. Uma de suas favoritas era de como se apaixonou pelo tênis.

Aos 11, anos, andando por um parque em Monroe, Michigan EUA, passou pelas quadras de tênis exatamente quando abriam uma lata de bola e aquele cheiro característico da borracha e do gás que colocam na lata inebriou o ar por instantes, o bastante para enfeitiça-lo. Ficou por ali, secando os tenistas, esperando que um deles mandasse uma bolinha por cima do alambrado. Quando o gerente das quadras o pegou tentando fugir com uma delas o enquadrou: escolha, ou vai preso ou aprende a jogar! Ele afirma que escolheu a segunda alternativa e abraçou uma paixao para o resto da vida.

Nao importa muito se a história é real ou nao. Afinal, na minha juventude, pelo menos no Brasil, as bolas ainda nao vinham pressurizadas – elas vinha em caixas de papelao e embrulhadas uma a uma em papel como drops dulcora. Só nos anos stenta isso mudou. E Vic Braden, que morreu esta semana aos 85 anos, o que situa sua história em 1929, três anos depois da Penn começar, timidamente, vender as entao raras latas pressurizadas e abertas com um abridor de latas.

Pouco importa. Braden rescreveu a história do tênis americano, sendo, talvez, o maior responsável por sua popularização nos anos 70, época de ouro do tênis americano através de seus programas na tv. Foi um ótimo juvenil, ganhou uma bolsa na California State em LA, onde estudou psicologia, esteve no precursor de todos circuitos profissionais, o de Jack Kramer, onde era um dos coadjuvantes de ícones como Pancho Gonzales, Bobby Riggs, Segura Cano e Kramer entre outros. Dali foi, em 1963, tomar conta da academia que Kramer montou em Palos Verdes, onde ajudou formar, entre outros, Tracy Austin, Sampras, Davemport e outros.

Mas seu foco nunca foi a formaçao de tenistas profissionais. Gostava mesmo era de ensinar o pangaré jogar tênis. Talvez por temperamento. Nunca foi um disciplinador. Era um simpático, um gozador que acreditava que o sorriso, o carinho e, especialmente, o bom humor, eram ferramentas imprescindíveis para fazer as pessoas se apaixonarem pelo tênis.

Por isso, em 1974, abriu sua famosa academia no magnifico condomínio Coto de Caza, entre LA e San Diego, onde construiu sua casa e onde morreu. Era inteligente o bastante para saber que só sorrisos e bom humor nao lhe trariam sucesso e usou de seu conhecimento da psicologia para entender e conquistar as pessoas. Precisava de um método e assim tornou-se o precursor do ensino de biomecanica no tênis. O que hoje se ensina de biomecanica, por aqui e mundo afora, começou com ele. Só que ele colocava a pitada do humor, o que nem sempre faz parte do cardápio desse pessoal.

Sua teoria para se aprender o tênis era simples; “se voce compra um sorvete de pirulito e consegue levá-lo à boca você consegue jogar tênis. Se você levá-lo direto à testa as chances sao bem menores!”. Ele tinha cursos para cadeirantes, e até para cegos, quando ainda nao era moda nem politicamente correto. Para os cegos bolou um sistema de números para a localizaçao da altura da bola, que ele gritava para o pessoal executar o golpe.

Mas era na área de biomecanicas que ele deitou e rolou. Comprei seu livro “Teaching children the Vic Braden way” no começo dos anos oitenta para saber um pouco mais sobre essa ciência dos golpes. Seu estilo nao era entao minha praia, mas me ajudou mais de uma maneira. Enquanto Bollettieri focava nos jovens que queriam ser campeoes do mundo, e nao tinha o menor tempo para o pangao, Braden fazia da Pangalandia seu reduto e seu reino – ali era o mestre e amado pelas multidoes.

Foi dos primeiros a usar a câmera de alta velocidade e o computador para dissecar o tênis. Confesso, sem falsa modéstia, que fui o precursor do uso da câmera por aqui, nos idos de 1974, com uma câmera na mao e uma mala com um monitor acoplado na mesa na lateral da quadra.

Como todo estudioso do tênis, Braden adorava conversar sobre o assunto com qualquer um que tinha algo a dizer ou disposiçao para ouvir. Sua mulher confessa que mesmo agora tinha inúmeros projetos que o tempo nao permitiu que realizasse. Da mesma maneira que tinha inúmeras certezas e as transmitia inflando a tao necessária auto estima e confiança do pangao, tinha pelo menos uma dúvida que dividiu com seus leitores no Los Angeles Times. “Por que os tenistas tremem (choke)? Levou a dúvida para o além, porque aqui ninguém conseguiu explicar aquela característica que, ao mesmo tempo o que fascina e prende todos os praticantes, separa os campeoes do mortais.

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segunda-feira, 29 de setembro de 2014 Copa Davis, Olimpíadas, Rafael Nadal, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 16:18

Gala

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Thomaz Bellucci nao deve ser um cara muito bem quisto lá pelas terras tenisticas ibéricas. Gostado nao, respeitado sim. Suspeito que ele deva preferir o respeito, que dentro e fora de uma quadra é bom e faz bem.

A surpreendente derrota do time espanhol na Copa Davis, muito pelas maos de Bellucci (assim como dos mineiros) causou um terremoto por lá. E a conseqüência mais visível, e imprevisível, foi que o presidente da federaçao local, Jose Escanuela, decidiu indicar uma mulher como capita do time da Davis. Um brincalhao falando sério.

O presidente nao esteve presente em Sao Paulo. Segundo suas palavras “foi a primeira vez que nao esteve presente como presidente”. Eu diria que escolheu uma má hora, assim como outros tenistas que recusaram a convocaçao de Carlos Moya.

Após a derrota Escanuela tentou convencer Moya a ficar, mas o rapaz disse “no gracias”. Mostrou vergonha na cara, já que seus “amigos” lhe deixaram na mao.

E o que Escanuela fez? Convocou para seu lugar uma mulher – Gala Leon. O cara devia estar muito bravo com os tenistas. Eu diria que chamar alguém totalmente fora do cenário do tênis masculino, e ainda mais uma mulher, sem ter consultado um tenista sequer – pelo menos entre os possíveis convocados – foi uma atitude temerária dele, assim como ambiciosa dela em aceitar.

Começaram o ouvir imediatamente. O primeiro a chutar a porta, e aí nenhuma novidade, foi Tio Nadal que fala pelo lado “dark” de seu sobrinho. Totalmente contra. Alguns tentam dar a pecha de machismo à sua recusa, o que nao passa de mais uma idiotice politicamente correta. Se fosse um homem qualquer sem as devidas credenciais e ele reclamasse seria normal, sendo uma mulher, é machismo. Sei.

Só que a Gala nao tem mesmo as credenciais para o cargo. Afinal nao treina nenhum homem, nao conhece pessoalmente a maioria deles, nunca jogou Copa Davis e nao é uma técnica reconhecida e com lastro técnico e moral para sentar na cadeira e falar com Rafa Nadal no intervalo dos games. Por que entao?

Isso só o Sr. Escanuela sabe dizer. O fato é que a moça, que foi tenista top50, vem fazendo carreira como técnica na federaçao, o que muitas vezes é mais uma cargo político do que meritocrático. Ela esteve em Sao Paulo acompanhando o time como assistente técnico, indicada pela federaçao, nao pelo Moya, e, que eu me lembre, era a única mulher no enorme camarote do time espanhol – e sentada na ultima fileira e na ponta extrema do box. Chegou à janelinha rapidinho.

Fico imaginando se foi uma puniçao ao time de machos espanhois. Parece que assim que Moya recusou ele convocou Gala, mudou de idéia e quando as reclamaçoes apareceram confirmou a convocaçao como que por birra.

Lembrando, o cargo de Capitao do time é um de aglutinador, líder, comandante, de experiência e, nao menos importante, o de alguém a quem os tenistas respeitem e possam confiar. Afinal, eles sao os únicos interlocutores dos tenistas durante os jogos. É verdade que servem também de interlocutores entre os tenistas e os cartolas das federaçoes, algo importante. Mas, no caso, o tal presidente parece ter muito mais sua própria agenda, do que com a agenda que possa unir e motivar e unir novamente um time que já ganhou muito e nao parece mais tao interessado – duvido que vá ser a Gala, a moça da federaçao, que vá ter esse papel, que ela mesmo diz ser sua meta agora.

Gala já defendia anteriormente a puniçao a quem nao aceitasse uma convocaçao e agora defende que o contrato entre federaçao e os tenistas deva incluir uma cláusula de obrigatoriedade de participaçao na Davis e Fed quando convocados, por conta de todos os benefício, financeiros e outros, recebidos durante a carreira, que na Espanha nao sao poucos. Provavelmente nao colocaram antes porque nao acharam necessário, contando com a boa vontade e patriotismo dos tenistas, o real combustível da Copa Davis. Gala afirma que a federaçao já está trabalhando no novo contrato, algo que deve ser a nova política do presidente. De qualquer maneira, será uma experiência quase única – só três times tiveram mulheres no posto, todos irrelevante (Siria, San Marino, Moldávia e Panamá). Por outro lado, os tenistas podem tomar vergonha na cara e correr para defender a pátria – lembrando que quem nao o fizer em 2015 fica fora das Olimpíadas no Rio.

O fato é que o time espanhol envelheceu e nao apareceram tenistas do mesmo calibre para repor. Verdasco, Feliciano, Ferrer todos sao balzacas e Almagro, o incerto, padece de longa contusao, assim como Nadal, o pai de todos. A “nova” geraçao nao aguentou o tranco beluciano. No fim das contas, esse parece ser a real origem dos problemas que se tornaram visíveis graças às patadas de Thomaz Bellucci.

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Gala e o time no hotel em Sao Paulo antes da derrota.

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quinta-feira, 18 de setembro de 2014 Copa Davis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 02:23

Ovo ou a galinha?

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O veio antes, ovo ou a galinha?

Ouvi dizer que, após a vitória que classificou o Brasil e o consagrou aos olhos da torcida brasileira, Thomaz Bellucci teria dado mais crédito à supostas deficiências de seu oponente, Roberto Agut, do que a si próprio. Ou se nao foi mais – porque aí depende de quem ouviu e conta a história – foi, pelo menos, desproporcional ao fato.

Talvez isso demonstre um pouco mais sobre as características psicológicas de Thomaz, que nunca foi, digamos, um ícone da auto estima e do marketing pessoal. Porque tem neguinho por aí que após uma vitória dessas – e esta hipótese de duas vitórias só caracteriza ainda mais o aspecto fictício da minha colocaçao – sairia se descabelando em busca de microfones se afirmando o novo rei da cocada preta.

Essa visao de Bellucci sobre o seu feito é só mais uma faceta do real limitador da carreira do brasileiro. Eu afirmo há muito tempo que o tênis dele é muuito maior do que os resultados. E isso nao pode ser creditado na conta de seu arsenal técnico e sim debitado na conta de seu emocional.

Mas, neste ultimo fim de semana a história foi diferente e, quiçá, marcante o bastante para alterar o percusso de sua carreira daqui para a frente.

Foi, de longe, a melhor participaçao de Bellucci na Davis. E, nao esqueçamos, o rapaz estava pressionado. Havia a expectativa, o adversário e o local, tudo montando um senhor cenário próprios para marcantes apresentaçoes. Para sua felicidade, e a nossa, porque é Copa Davis, o resultado foi feliz.

Desde sempre ouço falar, ou fui eu que inventei essa história, que a idade da razão no tênis é aos 27 anos. É por aí que o tenista começa a harmonizar sua técnica com a cabeça e o coraçao. Lógico que isso nao vale para exceções, como Nadal e Federer, que só confirmam a regra. Bellucci está chegando lá – tem 26 anos – e pode, por conta disso, velejar bons mares pelo resto de sua carreira. Só depende dele mesmo e de como jogará suas cartas daqui para a frente. Porque agora, mais do que nunca, conhece a história e já viveu.

A Copa Davis sempre foi uma magnífica catarse, para o bem ou para o mal, para o tenista. Carreiras decolaram, assim como outras encolheram, por conta de resultados muitas vezes inesperados nessa dramático cenário. Ela carrega uma intensidade emocional única, colocando o tenista em uma vitrine tao frágil quanto de forte exposiçao. Há tempos Thomas tinha dificuldades com essa exposiçao que, na verdade, só espelhava a mesmo dificuldade que tinha no resto do circuito. Vejam que estou usando o verbo no passado, na esperança que por lá fique.

Voltando a frase de abertura do Post, o fato é que, grande parte das vezes, um tenista joga tao bem ou tao mal quanto seu adversário permite ou nao. Thomaz parece questionar isso, creditando seu sucesso por conta do mero insucesso dos adversários.

Se Aguto nao jogou tao bem quanto o seu ranking indica foi por conta do quanto bem Belluci jogou. Os espanhóis caíram na armadilha de se limitarem á frieza do ranking. O time brasileiro foi um passo à frente, acreditou no seu potencial e foi atrás do sucesso. Jogaram o jogo e jogaram certo. Em especial Thomaz. Porque dos mineirinhos já esperávamos, e até contávamos, com seu ponto. Bellucci é que decidiu nos surpreender, assim como aos espanhóis que a esta altura devem estar se perguntando se alguém anotou a placa do caminhao.

Até hoje só assisti uma partida completa de Agut – a de domingo. É um tenista leve e muito rápido. Uma esquerda bem flat, rente à rede, que penetra e incomoda. Mas sua direita é um tantinho mentirosa, algo que no bate-bola já me era visível. Seu saque é passável para seu tamanho, mas nao mais do que isso. A ver se vai se manter nessa zona de cachorrao. Mas, e isso é deveras importante, está em ótimo momento (ninguem é #15 por nada) e muito confiante, como Rogério sentiu na pele – pelo menos até o chocolate do Belo.

A principal liçao que Thomaz devia levar para casa após este confronto é que existe muito mais que ele pode fazer em quadra do que ele apresentou até hoje no circuito. Já escrevi anteriormente, e por isso fui criticado por pessoas que de tênis entendem tanto quanto eu de volei, do qual sou um bom torcedor e nada mais, que Thomaz tem técnica boa o bastante para conquistar muuuito mais do que conquistou. Seu limitador é que ele ainda – e sua tal visao de sua vitória espelha isso – bate na bola como poucos no planeta, mas ainda nao domina o “jogo do tênis”.

Se dominasse saberia que após começar a virar o jogo de 6a feira, após estar espremido contra a parede, e durante todo o domingo, nos brindou com uma apresentação primorosa do jogo de tênis, harmonizando, como é obrigatório, técnica, emoção, garra, determinação, impetuosidade, equilíbrio, atleticismo, estratégia, tática, perseverança e um compromisso indubitável com a vitória que o levaram ao sucesso, tanto aguardado como inesperado. Se prestar atenção verá que a técnica, sempre imprescindível, está lá, quase sozinha, no início da lista das qualidades, somente sendo válida e determinante se acompanhada das outras qualidades que sao as que separam um mero tenista de um campeao. E aí está a real razao das suas vitórias neste ultimo fim de semana e o que pode determinar uma reviravolta em sua carreira pessoal.

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domingo, 14 de setembro de 2014 Copa Davis, Rafael Nadal, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 23:38

Bode bravo

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Os espanhóis tiveram o que mereciam. A arrogância em abrir mao de seus melhores tenistas, em confronto na casa de um adversário que, aos olhos de quem joga e de quem manda no tênis ibérico nao exigia time melhor do que por aqui se apresentou, foi fator determinante na derrota deles e na vitória do Brasil. Porque este soube, fazendo a leitura do que os outros iam colocando na mesa, ter a humildade de reconhecer a sua pseudo desvantagem e a grandeza de acreditar que, a cada dia que passava, a vitória se tornava mais possível.

Eles começaram avisando que viriam de Nadal e mais três. No final das contas, ao ficar evidente que o Animal era carta fora do baralho, Carlos Moya e a federaçao espanhola nao tiveram a musculatura para trazer as estrelas de primeira grandeza como Ferrer, Verdasco ou Robredo, tenistas já sazonados e escolados na Davis, e acreditaram que a estrela em ascensão, Roberto Agut, já #15 do mundo, o que já faz dele um cachorrao, seguraria a peteca com a ajuda da “dupla de fundo de quadra” Marc Lopez e Granollers. Quando este acusou uma contusao e saiu de fininho a gravata apertou ainda mais no pescoço espanhol com a entrada do Marrero, uma mae em quadra. Estao pensando que isso aqui é a Venezuela?

Qualquer um, brasileiro ou espanhol, que sabe contar até três, sabia que a conta era apertada para o time brasileiro. Nao tinha negociaçao; os mineirinhos tinham que ganhar as duplas e Bellucci tinha que vencer suas duas partidas. Para quem acompanhou Belo nos últimos anos na Davis, a conta nao fechava bem.

Bellucci teve que se provar nos dois dias porque moleza nao existia. No primeiro conseguiu a proeza de, precisando vencer de qualquer maneira, sair perdendo por 2×0. Pablo Andujar teve até um match point para vencer em três sets. Nao o fez e deve estar sem dormir até agora. Mas os três sets seguidos foram todos méritos do Belo que jogou o seu melhor.

No sábado, a dupla brasileira fechou a porta na cara dos espanhóis sem dó – e ainda pegou na nariz de alguém. Marcelo Melo jogou muuuito tênis – no fundo e na rede – sendo o homem-chave em quadra. Devolveu como um Lord e soube impor sua envergadura em quadra. Nao fraquejou em um momento o que é de se tirar o chapéu. Bruno, o carismático líder do grupo, sacou muito – algo que melhorou bastante – e voleou barbaridades. Foi uma tunda.

O tal Agut achou. Achou mas nao levou. Deve estar buscando uma resposta de como pode abrir 4×1 no primeiro set e permitir que o outro fizesse cinco games seguidos. Também nao vai dormir bem esta semana pensando no game que tinha 40×0 no 4×3 do 30 set e permitiu Belo virar o game e o set. Aliás, esse game – quando Belo sacou nao sei quantos aces e salvou uns oito break points – junto com os dois primeiros games do 3o set, quando foi mais avassalador que uma arma de destruiçao em massa, foram coisas para assistir de joelhos e aplaudir de pé.

Tudo aconteceu pela mao e obra de Thomaz Bellucci que, aos 26 anos, começa a afinar e equilibrar seu emocional em quadra – mesmo que ainda distribuindo razoes para nos dar enfartes – abrindo uma série de portas para quartos ainda nao por ele desbravados, que podem modificar drasticamente sua carreira daqui para a frente. Na Davis e fora dela. Vamos deixar uma coisa clara: o paulista jogou muuuito tênis, assumiu a responsabilidade que lhe era imposta e se portou como o líder desse time. Nao é pouco. Aliás é bastante para lhe colocar em outro patamar.

Nao menos importante o capitao Joao Zwetsch, que só faltou pegar a raquete e entrar em quadra, soube segurar e amarrar todas as pontas, apesar de ataque de gente que tem agenda própria e egoista, Rogerio Dutra que sabe o que é espirito de Copa Davis e é reconhecido pelo resto do time como companheiro para o que der e vier, e o resto da equipe que sabe o valor e a importância da uniao e da força de quem senta atrás da cadeira do capitao. Ninguém, ou nenhum time, perde ou ganha na véspera. E este fim de semana a equipe brasileira soube ser o bode bravo que acabou com o milho que a soberba ibérica jogou no seu caminho.

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sexta-feira, 12 de setembro de 2014 Brasil Open, Copa Davis, Rio Open, Tênis Masculino | 15:51

Bodes

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Como já escrevi, os espanhóis estão dando muito milho para bode nesta Copa Davis, considerando que deixaram em casa boa parte de seu arsenal e jogam na casa do adversário. Bem, azar deles. Mas, mesmo assim, alguém no time brasileiro terá que sai da caixa e jogar acima de seus padroes.

O homem melhor qualificado para isso, pelo menos tecnicamente, é Thomaz Bellucci. Nos resta descobrir se no fim de semana ele levará essa sua qualificaçao também para o lado emocional, o must do assunto.

Rogério é o coringa. Entra sem a “obrigaçao” de vitória hoje contra Roberto Bautista, por conta de destoar dos outros singlistas do evento com seu ranking. Lembrando, Bautista tem zero de experiencia em Davis e no que vai enfrentar pela frente no Ibirapuera. No entanto, se chegarem empatados na 5a partida, Rogério terá que encontrar um jeito para bater Pablo Andujar, uma vitória possível pela inconstâcia do tenista espanhol, que fez a melhor partida do Rio Open, contra Rafael Nadal.

Já Thomaz Bellucci carrega um fardo maior, pois tem a responsabilidade de vencer suas duas partidas. Nenhuma delas fácil, mais do que nada pelas suas dificuldades em momentos tensos. Nao é de hoje que ele busca uma atuaçao de gala, em casa, na Copa Davis e os espanhóis sao os fregueses por encomenda.

Hoje, Thomaz enfrenta Andujar, contra quem tem um recorde de 3×2, em jogos sempre equilibrados, incluindo uma vitória na quadra 2 de Roland Garros. As duas vitórias de Andujar foram as duas ultimas partidas, em 2013 e 2014, esta em Hamburgo.

Imagino que o capitao brasileiro esteja convencendo Rogerio que hoje é o dia para se inspirar e jogar como nunca. Afinal nao tem nenhuma responsabilidade. E, se por alguma razao, sair de quadra com uma vitória, os espanhóis realmente encontrarao vários bodes à sua porta.

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Tênis Masculino, US Open | 14:48

A final do US Open 2014

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Sim, adorei a final do US Open, mais do que nada por ter dois tenistas fora dos Fab4, algo que nao acontecia a praticamente uma década.

Enquanto Nishokori é um tenista que vem crescendo aos poucos, Cilic é um jogador que desabrochou após a crise surgida após sua suspensao por ingerir o que nao podia.

O japones foi formado tenisticamente nos EUA, o que, mais uma vez, afirma que a escola americana segue sendo forte como sempre – o problema é o material humano deles que mudou, além de terem perdido a hegemonia de ditarem as regras do circuito como sempre ditaram.

Aos 24 anos, o japa decidiu dar um upgrade na carreira contratando um novo técnico; um asiático como ele e, obedecendo a nova tendência, desenterrando Michael Chang que de vez em quando jogava torneios Vets. A parceria deu novas qualidades ao competitivo oriental mas, infelizmente, nao tem como acrescentar centimetros a sua altura de 1.78m

Marin Cilic deve ter perdido muitas noites de sono, se frustrando e amaldiçoado as razoes que o levaram a ser suspenso (uso indevido de coramina em tabletes de glucose comprado em farmácia). Como parece ser claro que ele nao o fez de propósito o descanso obrigatório de oito meses lhe deu tempo para repensar muitas coisas. No final, mal sabia ele, foi o melhor que aconteceu para sua carreira.

Uma delas foi contratar seu antigo mentor – Goran Ivanisevic – com quem tinha contato desde os 15 anos. Goran conseguiu convence-lo a ser mais agressivo, mental e tecnicamente. Mas antes Cilic teve que encontrar dentro de si a motivaçao para deixar de ser o tenista apático que sempre foi. Nada como um belo chute nas canelas, ou ainda mais acima, para colocar alguém na sintonia de repensar sua postura.

A final foi a confirmaçao de minhas suspeitas. Kei tinha jogado seguidas partidas de sets, o que lhe drenou a energia vital necessária para enfrentar as agruras emocionais de uma primeira final de GS. Especialmente contra um cara de 2m de altura, capaz de sacar 4 aces em um game e, ainda mais decisivo, capaz de sacar para conseguir de 2 a 3 pontos fáceis por game por conta de seu saque. Enquanto Kei consegue muitos poucos desses pontos por set. É uma conta cruel. A conta fica ainda mais cruel com Nishikori tendo que correr como um cao para chegar ás bolas retas e rápidas de um cara que, praticamente, bate de cima para baixo os golpes. Com o passar dos games a conta ficou ainda pior, conforme a confiança do croata subiu e a frustraçao do japones aumentou. A vantagem de Cilic na quadra dura sempre existirá, mas se Nishikori estivesse mais “inteiro” a batalha teria sido mais interessante.

No fim da história, para os fas valeu pela final inédita e renovadora.

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sábado, 6 de setembro de 2014 Copa Davis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 11:36

Mudanças no time espanhol.

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Por enquanto sao rumores, mas há jogadores do time brasileiro que dao como certo. Granollers, que amanha joga a final de duplas no US Open, teria pedido para nao jogar as simples, alegando que nao teria tempo de fazer a transferência para o saibro. Em seu lugar nas simples entraria Pablo Andujar e sairia do time o Marrero, um duplista que ficou sem lugar. As duplas, lógico seria a finalista em Nova York.

Enquanto isso, o capitao Joao Zwetcsh ficou em uma leve sinuca de bico com a vitória de ontem de Joao Feijao Sousa sobre seu pupilo Guilherme Clezar, convocado para a equipe de Copa Davis, enquanto Feijão, que é o segundo brasileiro no ranking, ficou de fora. O paulista, que deve ter dormido com um sorriso maroto no rosto, chegou a declarar após a partida que “a resposta foi dada em quadra e que agora iria enterrar o assunto e seguir sua carreira”.

Desde o começo eu assumi que o segundo singlista seria Rogerio Silva – nao Clezar – melhor classificado, mais experiente, inclusive na Davis, e com ótima postura em quadra. Mas nao sei como está seu momento, algo que Joao deve estar avaliando de perto. O que nao se deve esquecer é que o capitao tem sempre suas razoes, que elege divulgar ou nao, para deixar este ou aquele de fora e trazer um outro. Nao se deve assumir que um capitao de Copa Davis vá ter qualquer agenda que nao seja o melhor para a equipe.

De qualquer jeito, os espanhóis estao dando milho pra bode em carretas. Vai que ele come.

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sexta-feira, 5 de setembro de 2014 Roger Federer, Sem categoria, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino, US Open | 13:43

Curtas no US Open

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Algumas curtas e grossas do US Open.

Nem Roger deve estar acreditando que Manofills jogou a vitória de volta no seu colo para a sua alegria e da torcida novaiorquina. A maneira como escapou no primeiro match point foi inesquecível: um dos voleios mais vacilantes da carreira surpreendeu o francês que jogou a bola fora. Depois de perder os dois MP, Monfa passou a jogar menos da metade do que pode e 1/10 do que jogou nos dois primeiros sets – o que diz bastante de seu potencial técnico e de sua deficiência no quesito mental.

O Topetudo enfrenta agora Marin Cilic, o que nunca foi. O apático croata era para ter sido um dos grandes de sua geraçao, mas aquela postura gelada em quadra sempre foi um breque de mao em sua carreira. Agora, após um longo repouso forçado, por ter ingerido o que nao devia, ao que parece sem saber, volta com mais disposiçao e com Goran Ivanisevic, que sempre foi seu mentor, como técnico, o que deve trazer um pouco de alegria à sua vida.

Marcelo Mello continua entra a cruz  e a espada. Seu parceiro Ivan Dodig, que é um singlista também, ao contrário da imensa maioria dos duplistas do circuito é sempre uma caixinha de surpresas. Pode tanto ser o melhor como o pior jogador em quadra. No dia que está a fim é ótimo parceiro. No dia que está com a maca é um coveiro.

Como escrevi, os espanhóis enviaram mais de uma ótima opçao de duplas para o confronto da Davis. A dupla Granollers e Lopez, que a princípio nao é a titular, já que o mágico Granollers será titular nas simples, está nas finais do US Open. E como entendem a arquitetura das duplas esses dois. O Lopez é um gênio no jogo de fundo da quadra nas duplas.

Como já expliquei antes – em post ou twitter – os BryanBros estao na maior fissura para vencer o US Open – seria a 100a conquista da dupla gringa, numero para ninguém botar defeito e para fazer a alegria da mídia americana. Pelo menos na final deve haver algum nas arquibancadas. É uma tristeza ver a imeeensa maioria dos assentos vazios nas duplas.

A pirigueti Hingis nao consegue mesmo se decidir se é ou nao uma tenista. Já se aposentou, e voltou, nao sei quantas vezes. O pior é que a moça é tao talentosa – ou as outras sao tao ruins? – que está nas finais de duplas femininas com a italiana Penetta, que é parceira também fora das quadras. E nao duvido que vençam.

 

 

 

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terça-feira, 2 de setembro de 2014 Copa Davis, Rafael Nadal, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 15:56

Times de Brasil x Espanha

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Foram divulgadas as equipes de Brasil e Espanha que se enfrentarao pela repescagem da Copa Davis em Sao Paulo, logo após o US Open. Quem leu aqui lembrará que eu tinha sérias dúvidas da presença de Rafael Nadal no confronto. Quem foi mais cético nao ficou surpreso com a ausência de David Ferrer. Mas acho que os espanhois estao forçando um pouco sua sorte ao enviar um time composto por Agut, Granollers, Marrero e Marc Lopez.

O Brasil vai de mineirinhos Soares e Melo nas duplas e Bellucci e Rogerio Silva nas simples.

Ambos os times engessados com dois singlistas e dois duplistas. Se alguém se contunde é um problemaço, especialmente se for um singlista.

Se com Nadal, Ferrer e Verdasco tinha que ser muito otimista para acreditar em uma vitória brasileira, com o time escolhido pelo capitao Moya, provavelmente dentro do que se disponibilizou – porque tirando Nadal, os outros dois escolheram nao vir – ficou mais viável uma vitória brasileira.

A dupla deles é boa, bem boa, aliás eles tem mais de uma boa dupla por conta do Granollers, mas a nossa também – deve ser a partida mais emocionante do confronto.

Agut e Granolers nao sao nenhum terror, mas talvez os espanhóis tenham se baseado no fato de que ambos tem um recorde positivo contra Belo. Agut 1×0, no US Open do ano passado e Granollers nas três vezes que se enfrentaram no saibro.

A conta pra nós é simples: a dupla tem que ganhar, de preferência após um 1×1 no primeiro dia, quando se enfrentam Bellucci e Granollers e Rogerio x Agut. Belo TEM que ganhar esse jogo. Por isso seria melhor que jogasse a 1a partida para nao sentir a pressao de estar 0×1 (com a provável derrota de Rogerio), mas, talvez fosse ainda melhor jogar a segunda partida, quando o Ibirapuera já deve estar lotado pelo público e lhe desse um belo empurrao.

No terceiro dia, Belo jogará a primeira partida contra Agut, quando terá que vencer novamente. Isso é ser o líder do time, o que para alguns é motivaçao e para outros pressao.

Mas seria bem interessante em ver um possível jogo decisivo entre Rogerio e Granollers no ultimo confronto, dois tenistas com caracteristicas semelhantes. E Rogerio é de todos os singlistas o mais acanhado técnicamente, nao fica devendo no quesito coraçao de leao, o que se encaixa bem em um confronto de Copa Davis.

A minha maior preocupaçao é que o publico nao se desmotive com a ausência dos gran perros, compareça e prestigie o time brasileiro, já que o público faz enorme diferença nesses eventos.

PS: Apesar de ter enviado à FIT os quatro nomes que menciono acima, o capitao brasileiro, Joao Swetsch convocou cinco jogadores para o time. O quinto é Guilherme Clezar, que é seu pupilo pessoal. A provável idéia de Joao é colocar os caras para treinar e decidir entre os dois – Clezer e Silva – quem ficará na equipe. Isso porque nao existe time de cinco e sim de quatro. E apesar do nome enviado ser o de Rogerio, o capitao pode mudar um unico nome até a hora do sorteio, que acontece na 5a feira anterior aos jogos.

Sobre a pseudo polêmica da ausencia de Joao Feijao Souza em breve escreverei a respeito. Como eu bem sei, após anos de capitao do time da Davis, nem tudo que reluz é ouro e nem sempre as coisas, ou pessoas, sao como aparentam. E tem mais de um por aí que me confirma a certeza.

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sexta-feira, 22 de agosto de 2014 Aberto da Austrália, Juvenis, Roger Federer, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 14:17

A casa caiu

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Às portas do US Open dois fatos distantes, e ao mesmo tempo próximos, me chamaram a atenção. Em 2010 Roger Federer venceu o Aberto da Austrália, o que nao chega a ser uma surpresa. A surpresa foi a vitória, no mesmo torneio, na categoria juvenil masculino, do brasileiro Thiago Fernandes. Causou o maior rebú por aqui, conseguindo páginas inteiras de jornais e destaque no Jornal Nacional, algo que Federer nao conseguiu.

No fim de semana passado, Roger Federer venceu, aos 33 anos de idade, idade quando muitos já pensam em trocar os tênis pelas sandálias, um Masters1000, o que, considerando a competiçao e a idade, há que se considerar um belo feito. Isso se reinventando na parte tática, assim como sobrando na parte física, um quesito de suma importância no tênis atual.

Enquanto isso, circulava a informaçao que Fernandes decidira abandonar a carreira, que mal começara, e voltar para os estudos. Isso após uma séria contusão pubiana que o afastou das quadras um bom tempo, o que pode apontar para uma carência tanto no preparo físico como na recuperaçao, e após perder a confiança por conta de muitas frustrações. A decisao, aos 21 anos, trata-se da maior desapontamento que o tênis brasileiro conheceu nos últimos tempos. De enorme esperança do tênis para mais um estudante de engenharia – e nao vejo absolutamente nada de errado com estudar engenharia.

Se a carreira de Federer tem sido vitoriosa e longa é graças ao seu talento e, entre outras coisas, a disciplina estóica e, nao se iludam, a uma longa série de decisões corretas. Por outro lado, inevitavelmente, o fracasso de Thiago aponta para a direçao inversa.

Se até os 17 anos, idade onde ainda fala alto o talento individual, Thiago vislumbrava um futuro de sucesso, o abandono precoce da carreira transparece um malogro no planejamento macro da carreira, assim como nos detalhes da preparações física, psicológica. É óbvio que à distância nao é possível ou apropriado, fazer avaliaçoes ou apontar dedos – sao tantas as variáveis -, mas alguma coisa naufragou terrivelmente, após a conquista na Austrália, já que Thiago nunca mais voltou a nos impressionar após aquele momento dourado.

Thiago esteve um bom tempo sob a tutela do experiente Larri Passos, conhecido por sua intransigência em mais de uma questao, passou pelas solidárias maos de Marcos Barbosa, que o acompanhava em Melbourne ainda como assistente de Passos e, já bem próximo ao fim, pelos cuidados de Marcos Daniel, com quem fez a derradeira tentativa de salvar a carreira.

Infelizmente alguma coisa se perdeu no tempo, o que prova que o caminho do sucesso no tênis profissional é bem mais complexo do que se imagina. Este exigente esporte individual nao perdoa muitas coisas, como esportes coletivos às vezes perdoam. Nestes, pequenos, e mesmo grandes, erros ou fracassos podem ser camuflados por detrás das paredes e acomodaçoes de um time. Até mesmo um afastamento temporário, quando um time se mantêm, enquanto o indivíduo se recupera, física ou mentalmente, voltando e se encaixando no coletivo no momento certo e oportuno. No esporte individual, em especial o tênis, esse hiato pode trazer danos irreparáveis à confiança e auto estima do indivíduo, que sao determinantes no esporte onde nao se pode esconder debaixo das saias de ninguém. E se ele nao tiver dentro de si, e ao seu redor, uma força muito grande para lhe sustentar, a casa cai.

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