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segunda-feira, 20 de junho de 2016 História, Tênis Feminino | 01:27

Por um tênis limpo

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Eu ia escrever antes sobre o caso do doping da Maria Sharapova, mas não me animava. Sei que se colocar aqui tudo que penso sobre o caso, os amantes incondicionais da russa irão ficar enfurecidos e corro o inquietante risco de ficar lendo parvoíces nos comentários. Não aguento mais amantes incondicionais. Incondicional na vida só amor de mãe.

 
A penalidade de dois anos para a moça foi pouco. O tribunal que a julgou preferiu dizer que o doping foi “não intencional”, porque aceitaram sua alegação que desconhecia a proibição que entrou em vigor em 2016. Ao mesmo tempo que derrubaram todas suas desculpas e as alegações de seus advogados. Lhe tascaram dois anos, para ficar claro. O que a moça pecou não foi pouco.

 
Tanto pelo intuito em enganar suas adversárias, e assim os fãs do tênis, tomando uma droga que lhe amplificava o desempenho, como pela soberba em se achar acima do bem e do mal. Ela escondia das pessoas ao seu redor que tomava Meldonium, incluindo seus técnicos e sua nutricionista – boa razão devia ter. Tanto que ninguém pode lhe avisar – o único que sabia era seu agente, que “marcou toca”, como explicou ao tribunal. Sharapova, porém, chegou ao ponto de insinuar que a FIT deveria ter feito uma comunicação especial a ela sobre a mudança de status do Meldonium, droga pela qual foi penalizada. O comunicado foi enviado a todos os tenistas, ela incluso.

 
Ela tomava o tal de Meldonium há anos, assim como uma lista de outros 17 remédios conforme informou seu médico. Era uma farmácia ambulante. Só em 2015 cinco exames do anti-doping mostraram que ela tomava a substância. Seu propósito sempre foi ter a infame “vantagem”. Ela tinha plena consciência do que, e para que, tomava cada remédio. Só que muitas drogas consideradas dopantes são para, por exemplo, mascarar dores e contusões, algo também proibido, mas a intenção é de poder continuar jogando, mesmo contundido. É proibido, mas é diferente de quem toma para ter uma vantagem no desempenho. O Meldonium é para aumentar e melhorar a performance – doping na veia. Tanto que na receita, que o médico foi obrigado a apresentar, vinha com a observação dele que “nos jogos importantes” ela deveria dobrar a dose. Sei.

 
Maria, seus advogados e os tais fãs incondicionais defendem que antes de 2016 o Meldonium não estava na lista das substâncias proibidas, o que seria uma escusa. É aí que eu discordo veementemente. Quer dizer que se não está na lista, e o atleta sabe que está tomando uma droga que lhe dará uma vantagem sobre seus adversários, pode? Por isso que o mundo flerta com a sarjeta moral.

 
O que não se pode ignorar é que o Meldonium não estava na lista porque não estava no radar da WADA. Ou seja, era desconhecido para a WADA por ser uma droga quase restrita à Russia e países vizinhos – e de uso também restrito aos atletas dessa área. Só começaram a ter suspeitas quando começaram a constatar que vários atletas de lá, que foram pegos com outras drogas, também tomavam o tal Meldonium. Aí foram pesquisar a respeito.

 
Como o Dr. Eduardo De Rose, maior autoridade em anti-doping no Brasil, gosta de lembrar; o anti-doping está sempre atrás na corrida do doping; já que médicos e atletas de mau caráter estão sempre fazendo e experimentando de tudo para se manter um passo à frente.

 
É a mesmo raciocínio que, por exemplo, em tempos de novas tecnologias como a internet, se comete um crime, sabendo-se que é um crime, simplesmente por se tratar de algo que a atual legislação não prevê. Maria sabia que ingerindo o Meldonium tinha um diferencial a mais que suas adversárias não tinham e desconheciam; que é exatamente o que caracteriza o doping – a forma pouco importa, porque sabemos que existem inúmeras, centenas, de drogas proibidas exatamente por oferecerem essa diferença.

 
O caso Sharapova-Meldonium levanta ainda uma cruel ambiguidade. De um lado a hipótese, distante e irreal, de se liberar tudo, permitindo que os atletas passem a ser verdadeiras cobaias, e se descubra até onde o homem iria, física e mentalmente, com a ajuda da medicina e da tecnologia.

 
Convenhamos que muitos flertam com a idéia – só que aí não teríamos nem antidoping, já que a corrida tecnológica seria liberada e “democrática” – aberta para todos. Para vocês verem como o uso indiscriminado da palavra “democrática” pode ser perigoso, algo que quem reside no Brasil vem descobrindo recentemente, pela bocas de alguns dos maiores salafrários soltos (ainda) por aí.

 
Na outro lado, o real, fica-se nesse infindável jogo de gato e rato, onde atletas de formação moral duvidosa, contrabalançada por habilidades de ações marketeiras e mentiras deslavadas para permanecerem acima de qualquer suspeita, manipulando o que puderem, e mais um pouco, para ficarem à frente de seus adversários. Ressalta-se que, não poucas vezes, influenciados e/ou liderados por agentes gananciosos, quando não por times e federações.

 
Isso, sem falar no cenário de atletas corretos convivendo com uma perene guilhotina sobre suas cabeças, pelo compreensível pavor de ingerirem, por mero descuido, algo que esteja na lista de doping, o que pode acontecer, tendo que se sujeitar à exames imprevistos e incômodos, uma triste necessidade, por conta de uma fração de velhacos. Hoje, os tenistas, e imagino atletas de vários outros esportes (mas não todos como se sabe) evitam tomar qualquer coisa, até para um mero resfriado, sem a aprovação de seus médicos.

 
Todo esse cenário é resultado de atletas, agentes, times, federações, países (lembrem dos países da cortina de ferro (que ainda por cima alegavam ser seus atletas de “amadores”) em especial a Russia (ver o atual escândalo no atletismo russo, que culminou com a proibição do atletismo russo no Rio 2016) e a infame Alemanha Oriental, com sérias falhas de caráter que criaram essa situação horrível a que o esporte, em geral, se defronta. Por isso, não me convenço que Maria Sharapova merecia um mero tapinha nas mãos e uma pena mais branda.

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segunda-feira, 6 de junho de 2016 Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 17:59

Roland Garros – os finalmente.

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A venezuelana/espanhola Muguruza entrou no meu radar aos 18 anos, no Aberto de Miami, quando, graças a um convite, na 1a rodada eliminou a Vera Zvonareva, que aliás sumiu. A moça ótimos golpes – parece saída de um livro de ensino – e tem um corpo perfeito para jogar tênis. E vem fazendo ótimo uso de tal presente de Deus. Já é a #2 do mundo e seria uma surpresa se parar por aí.

Mugu perdeu o 1o set em Roland Garros, para uma menina (Schmedeliova) que vi no juvenil dois ou três anos atrás bater uma brasileira, virou o jogo, engatou uma quarta e ninguém mais segurou. Jogou de igual para igual, inclusive na pancadaria, com a Serena. A americana jogou o seu melhor? Não. Mas os créditos vão para a nova campeã que soube administrar o emocional e soltar seus golpes, inclusive, e especialmente, nos momentos tensos, o que conteve os ímpetos williamsnianos. Não foi fácil sacar para o título, depois de perder 3 ou 4 match points no game anterior. Ela vai lembrar para sempre lembrar do game, em especial a incerteza da decisão do último ponto – nada como ter boas memórias para o resto da vida. Fechou como uma verdadeira campeã, o que não é para qualquer uma.

Antes da final masculina havia um certo suspense sobre o resultado. Murray vinha de um título em Roma e jogando bem nas ultimas partidas em RG. Mas, importante para entender a final, jogou pedrinhas nas duas primeiras rodadas, passando por extremas dificuldades onde não deveria.

Djoko estava determinado a vencer este ano. Fez marketagem nas duas semanas. Só faltou entrar em quadra com a melancia. O cara adora causar, mas é pouco criativo. Desenhar o coração após a vitória, a marca registrada de Gustavo Kuerten, mesmo “pedindo autorização” (não achei que o Guga ficou lá muito feliz com a farsa) foi de muito pouca criatividade. Na pior das hipóteses deveria ter se atido a “jogar coração” com os boleiros, como fez nos outros jogos. Enfim, o público comprou e, pela primeira vez, torceu por ele em uma final de Grand Slam. O que já não era sem tempo!

O jogo foi aquém das expectativas – pelo menos as minhas. Final nervosa, tensa, com ambos jogando abaixo do que sabem. Não é incomum, mas esperávamos mais.

Murray aproveitou a surpreendente paralisação, mental e técnica de Djokovic, para crescer e vencer o primeiro set com categoria e coragem.
A partir do início do 2o set Murray foi para alguma longínqua galáxia. Voltou a ser o MurrayMarrento, pensando na morte da bezerra, falando barbaridades entre os pontos, dava para ver a cara de mau humor do presidente de Wimbledon, o inglês Philip Brook, sentado na 1a fila e ouvindo as ladainhas da baixo calão do escocês, ao invés de focar em vencer o título. Durante quase três sets foi nulo. Dava pena. Quase raiva. Djoko, mesmo hesitando, foi entrando em jogo, mais pelos erros do outro do que por sua determinação. Só foi se soltar, e ser o que é, no 4o set, quando abriu uma grande vantagem e ficou claro que o Murray entregara para o Lord.

O escocês (britânico só quando ganha!) só voltou a jogar com desprendimento, porque aquilo não é coragem, quando ficou claro que iria perder o jogo – no 2-5 do quarto. Sem mais nada a perder voltou a atacar e incomodar. Mas aí não conta, mané. O certo é fazer isso quando ainda tem jogo! Mesmo assim, Djoko, que ainda assim não estava tão certo das coisas, quase vê sua vaquinha francesa trotar para o brejo. Fechou no apagar das luzes, quando o jogo se complicava novamente.

Mas o fato é que fechou e ganhou. E isso que conta. Hoje e pelos próximos 1000 anos. Depois eu não sei.

Mas não vamos esquecer um detalhes très important. O cara venceu, com o título, quatro grand slams seguidos, o que já é um feito de se tirar o boné (alguém ainda tira o chapéu?). Federer e Nadal devem estar aumentando as rezas, vendo o servio se aproximar de seus recordes. Quanto a nós, os mortais, temos é que levantar as mãos aos céus. Temos em atividade três tenistas com mais de 10 títulos de Grand Slam, algo inédito na história. Fica a pergunta. Isso é bom porque temos três atletas diferenciados, ou ruim porque não temos variações e renovações? Vocês escolhem.

A cobertura da Band Sports

Pela primeira vez tive a oportunidade de acompanhar, durante a quinzena, a cobertura da Band Sports. É um grande diferencial para os fãs ter uma TV que abraça o evento com empenho, algo que vem acontecendo mais e mais no Brasil, e a BS fez isso com galhardia. Me senti como se lá estivesse. Existem as restrições de não terem as opções de mais canais, e mostrar mais quadras, e de algumas escolhas por conta de tal restrição. Com certeza fazem as escolhas com as melhores das intenções. A opção de mostrar programas de comentários, ao invés de um jogo em sua integra (ou perto disso), à noite, quando a maioria das pessoas pode acompanhar é algo que tem mais de um ponto de vista. Acho o formato de pelo menos um quadro com comentários de entendidos cobrindo o dia de jogos imprescindível. Mas a noite é longa. Gostei da dupla principal Flávio Saretta e Oliveira Andrade. O Saretta conhece o esporte. Oliveira tem uma voz agradável, cultura e narra com elegância, sem atropelar ou querer ser o dono do pedaço. Sua elegância transpirou para o parceiro que está mais focado em comentar o que conhece do que falar bobagens. A dupla funciona e agrega ao evento para quem acompanha.

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domingo, 5 de junho de 2016 Roland Garros | 17:22

É Paris. É Roland Garros!

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Durante anos pessoas diferentes me perguntavam qual o meu torneio de tênis favorito. Qual o melhor para ir? Durante anos respondi, sem hesitar, Roland Garros. Não mais. Não é algo que mudou este ano. Vem acontecendo, aos poucos, mas indubitavelmente. Agora chegou a um ponto de tristeza. Como ficamos quando perdemos algo que nos é muito querido.

 
Uma parte do encanto do evento sempre foi Paris. A cidade continua lá. Eterna e resplandecente. Talvez um pouco acuada e temerosa. Mas segue a cidade favorita de todos que a conhecem. Mas, não mais Roland Garros.

 
Sei que algumas coisas fogem do controle da federação francesa de tênis, organizadora do evento. Acontece. Mas, como eles têm lidado com os assuntos talvez não seja da melhor forma.
Todos sabemos que os vizinhos do clube não querem saber de novas obras expansionistas no local. A prefeitura de Paris tem hora que aprova e hora que não. Até porque os prefeitos mudam e o problema é antigo. Os conservacionistas bloqueiam as propostas da FFT, porque todas as soluções passam por invadir propriedades da cidade onde existem parques, áreas verdes e tombadas. E ali é Paris, não a casa da mãe Joana.

 

O fato é que as promessas das obras vem e vão, o que não é bom. E não se realizam, o que é pior. A FFT afirma, com razão, que o espaço existente não é mais compatível com o porte do evento para dias atuais. Já escrevi sobre os planos de expansão deles, que foram vários, o que tornaria o evento viável. O último era bem bonito. Mas tinhas minhas dúvidas que seria aprovado. Mas eles apostaram que sim. E os prazos se foram.

 
OK. Tudo isso são contingências. Problemas acontecem. O que importa é como se lida com eles. E aí entra o pecado. Este ano a casa caiu. Caiu porque uma situação de extremos – as chuvas que castigaram a cidade – escancararam as dificuldades e como estão lidando com elas.

 

Nao estou falando dos problemas que os tenistas – que pouca questão fazem de enxergar além do próprio nariz. Resolveram chiar barbaridades porque o evento não tem quadras cobertas, o que fez com que seus horários e interesses fossem virados de ponta cabeça. Li mais de um tendo a cara de pau de dizer que os tenistas são os últimos em quem eles, organizadores, pensam. Vamos falar de mimados…

 

Até pouco tempo atrás, Grand Slams não tinham quadras cobertas, a chuva caia e a fila andava. Se vivia e se lidava com isso. De um jeito ou de outros, sempre com exigências e paciência das partes envolvidas; público, tenistas e organizadores. Não dá para cair tudo só sobre a cabeça de alguns. Aliás, se for para não cair na cabeça de uma dessas partes seria na do público; que é o único que paga. E aí que reside o problema.

 

Roland Garros precisa crescer porque não tem as facilidades para oferecer o conforto necessário ao público que recebe. E que a FFT faz, há algum tempo? Coloca mais gente para dentro do complexo, tornando o local um formigueiro que transformou o prazer de se assistir tênis em um desprazer. Foi-se a época que se podia ir de uma quadra para a outra para acompanhar de perto os jogos nas inúmeras quadras secundárias – talvez o maior prazer para um verdadeiro fã do esporte. Ir só na Quadra Central na primeira semana é para arrivistas. E por isso vem o problema. Os fãs abandonam a Quadra Central e/ou a Suzanne Lenglen, onde jogam as estrelas e existem muitos assentos, e onde acontecem massacres nas primeiras rodadas, para acompanhar as batalhas mais equilibradas e interessantes nas secundárias. Essas quadras e as alamedas ficam mais apinhadas do que Ipanema em sábado de sol rachando.

 
Se você sai de um jogo, esquece, não entra mais. Para entrar então… Isso é algo que vem acontecendo com o público há anos, sem qualquer manifestação dos jogadores. Foi só quando mexeram com eles que reclamaram. É óbvio que eles têm suas razões, como veremos.

 
Desta vez até o publico, que paga quase qualquer coisa para acompanhar o único grand slam no saibro e ainda dá graças a deus, se revoltou. Isso por conta de como a FFT lidou com o assuntos dos ingressos perdidos por conta das chuvas.

 
Sem entrar nos detalhes, Roland Garros, como todos os torneios, tem regras sobre a devolução do dinheiro, ou parte dele, dos ingressos conforme o numero de horas de jogos que acontecem, ou não, em um determinado dia, por conta das chuvas. E teve um dia que a FFT fez os tenistas jogarem debaixo de chuva, em condições nada agradáveis ou seguras, para bater nas duas horas, o prazo mínimo para que eles não tivessem que devolver o dinheiro ao público. As reclamações foram enormes e gerais. E houve outros contratempos por conta das chuvas com todos reclamando.

 

 

Guy Forget, o novo diretor do torneio, explicou que não era bem assim. Colocou tentou colocar a responsabilidade sobre o supervisor da FIT, que manda, mas não tanto. Forget insinuou que se houvesse a devolução o seguro cobriria. Não sei quanto, mas como todos nós que pagamos seguros sabemos, existem carências e quando há um sinistro os preços do seguro aumentam.

 

Vamos deixar claro. Quadras cobertas serão bem vindas. Mas elas vem mais é para resolver o problema das transmissões de TV, que a FFT poderá vender melhor se assegurar a não interrupção dos jogos. O público, pelo menos o que tiver os ingressos para a tal quadra também agradecerá. Mas, por outro lado, se fizerem mais uma quadra/arena e não aumentarem as arquibancadas das quadras secundárias, um problema que não tem sido uma prioridade, o evento ficará ainda mais impossível. Imagino/espero que eles tem isso em mente.

 

Não vou listar aqui, mas, para alguém que frequenta o evento há mais de 30 anos, as mudanças estão em mínimos detalhes. E algumas dessas transparecem um mercantilismo que vem tirando o lustre do evento, tornando-o mais impessoal, cada vez mais corporativo. Um exemplo mínimo, mas que demonstra. Desde sempre adquiro a camiseta do torneio. Tenho inúmeras. Eram de um algodão ótimo, de qualidade. Durmo com uma de 1999 até hoje. A bichinha está lá, valente. As mais recentes são finas – não de elegantes, mas de quase transparentes. Não as uso. O preço? Subiu,enquanto que o padrão caiu. Antes era uma loja de vendas. Hoje são mais de uma dezena com tudo quanto é coisa. Ruim? Não, a oferta é uma coisa ótima, mas os preços e a qualidade mostram onde estão as prioridades.

 

É óbvio que houve melhoras para o público e, especialmente, para os tenistas, nos últimos anos. Mas, insisto, é no conforto oferecido ao público que eles tem pecado mais. Por isso, este ano, ao acrescentar o pecado da não devolução do dinheiro dos ingressos, por conta de dois míseros minutos, enquanto obrigavam os tenistas a jogar debaixo de chuva, eles uniram os dois grupos. E a casa caiu.

 

Meu receio, e que me forçou desta vez a repensar a minha tradicional ida a Paris na última semana de Maio, como fiz dezenas de vezes, é que a gestão atual mexeu com o que sempre considerei um programão. Hoje tornou-se quase uma contrariedade, no mínimo uma dificuldade. Vamos ver para onde irá. Pelo amor de Deus, aquilo é Paris, é Roland Garros, merece o melhor.

 

EM BREVE UM POST SOBRE AS FINAIS.

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segunda-feira, 16 de maio de 2016 Novak Djokovic, Roland Garros, Tênis Masculino | 13:56

Faltou tesão

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Diz o ditado, e até mesmo o Eduardo Cunha quando se referindo às razões da queda da sua nemesis Dilma, nunca é só por uma única razão. É assim que vejo a vitória de Andy Murray sobre Djokovic, manchando um passado de 13 vitórias do servio nas então últimas 14 partidas entre ambos, um claro sinal de que Murray não progrediu o que poderia ter progredido, a partir de um certo momento recente na carreira de ambos – ambos tem uma semana de diferença de idade.

 

Até a data do aniversário de Murray no dia da final pode ter influenciado a motivação do escocês. O fato de ele ter virado saco de pancadas do servio também deve ter sido uma razão. Mas o que deve ter, de fato, feito uma diferença são dois fatores intimamente ligados.

 
Novak deve estar “cansado”. Não só fisica, como mentalmente. Sabem como é – de saco cheio, sem aquele tezão. E como dizia o escritor/psicólogo Roberto Freire; “Sem tezão na há solução”. Algo que é bem compreensível, considerando a temporada que o rapaz vem tendo.

 
A falta de tezão e cansaço foram ficando evidentes durante a semana de Roma, com vários jogos “engrossando” e três deles indo para o 3o set – algo que não é o padrão atual do #1.Resultado? Chegou à final “pregado”. E o que veio antes, o ovo ou a galinha? Pregou porque engrossou, ou engrossou porque “cansou”?

 

De qualquer jeito, a final foi sem nunca ter sido. Acabou antes de terminar. Nos primeiros games já se via que não iria rolar. Djoko até que tentou recorrer às suas antigas manhas, jogando raquete no chão, tentando interromper a partida e até se auto inflingindo uma raquetada no tornozelo! Mas não era dia.

 

Alias, sinais já tinham aparecido antes. Aquele de ele ir começar o ponto com a corda da raquete quebrada, contra o japa Nishikori, foi inusitada.

 
Murray, que adora uma choradeira, ainda teve a cara de pau de dizer que se sentiu pressionado porque sabia que o outro estava bem mais cansado e ele fresquinho. Talvez ele preferisse o contrário e não sentir pressão? Os caras adoram um drama!

 
No fim das contas foi isso mesmo. Murray aguentou o rojão, até porque logo viu que mesmo que fizesse uma de suas “murradas” poderia ir ganhar o jogo lá onde o judas perdeu as botas que é onde geralmente eles decidem seus jogos. Nem precisou.

 
Para os fãs foi positivo o resultado. Djoko, que terá só uma semana para recarregar as baterias, chega à Paris com sua bola um pouquinho mais baixa, dando um certo alento aos outros mortais – inclusive a Murray, que será o cabeça 2 do torneio. Não há males que não venham para algum bem.

 

PS: Agora perguntar não ofende. De onde tiraram aquela idiota que veio à quadra entrevistar o Murray? A mulher não deixou ele pegar no microfone e não deixou ele fazer o seu discurso – só falou ela – nada com coisa nenhuma. Logo no dia que ele ganha do Djoko jogam aquela assombração na frente dele??!

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segunda-feira, 9 de maio de 2016 Masters 1000, Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer, Roland Garros, Tênis Brasileiro | 17:39

Roma: o termômetro

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O Aberto de Roma é o melhor termômetro do que pode acontecer em Roland Garros. Melhor do que Madrid, onde a quadra é ligeiramente mais rápida do que será em Paris, por conta da altitude. Mesmo assim, não deu para ver nada que pudesse mudar o prognóstico de este próximo Roland Garros deve ser mesmo de Novak Djokovic. Deve mesmo?

 

 

Acredito que Roma dirá. Os tenistas que têm se dado melhor nas últimas semanas, além de Novak são Nadal, Murray, Nishikori, Monfils e, ali por fora, mas sempre dentro, Fededer. Tem o Wawrinka, mas este é muito mais perigoso correndo por fora, como no ano passado, do que defendendo seu título.

 

 

Tem outros, mas alguém acredita que tenistas como Kirgyos, que está melhorando, e Raonic, que também melhorou, mas ambos são mais material para Wimbledon do que RG. E os dois se enfrentam na 2a rodada!

 

 

Bem, vocês perceberam que não listei Tsonga, #7 do mundo. Desde o Rio Open não o considero mais como um tenista sério.

 

 

E porque Roma é importante?

 

 

Porque é a última chance de alguém adquirir a confiança necessária para vencer um Grand Slam. Além de as condições serem semelhantes a Paris. Na semana seguinte, quando acontecem Nice e Genebra, é só para tenistas que não tem altas pretensões em Paris. Jogar lá em cima durante três semanas não acontece – só em milagres. E eles acontecem cada vez mais raramente.

 

 

Mas se alguém ainda acredita neles, não perca outro jogo da 2a rodada, entre Fededer e o garoto Zverev; um perigo armado de uma raquete.

 

 

Por isso, vamos ficar atentos ao que cada dos cachorrões trás para as quadras no quintal do Papa, que talvez seja bom de milagres.

 

 

Depois disso é tomar conta do corpo, cuidar da confiança adquirida, comer bem e bem acompanhado, curtir curtos passeios para descontrair sem perder o foco.

 

 

Eu deixei para último um outro possível milagre. Este reservado para os amigos franceses, que não conseguem um título em casa desde Noah no início dos anos 80. Monfils tem tênis para ganhar Paris. Mas tem cabeça pra isso? Até hoje tem deixado claro que não. Sua derrota para Thomaz Bellucci hoje o coloca na contra mão de tudo que escrevi acima. Mas o cara é doido! Mas ainda acho que é a melhor aposta para quem quer quebrar a banca em Paris.

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segunda-feira, 2 de maio de 2016 Juvenis, Masters 1000, Porque o Tênis. | 00:20

Bavárias e turcas

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Algumas coisas bem interessantes acontecem nesses semanas de torneios 250, quando boa parte dos cachorrões se escondem e descansam, já que o foco deles são os Masters 1000, os Grand Slam, e o torneios menores que tenham uma caminhão de dinheiro para pagar suas garantias que, muitas vezes, é dinheiro jogado fora – ou já esqueceram do papelão do Tsonga no Rio?

 
Mas as finais de Munique e Istambul colocaram algo a mais na mesa para o verdadeiro fã do tênis, que não precisa de estrelas, que às vezes nem brilham tanto, para apreciarem um bom jogo. E foi isso que o entendido público bavário teve. Uma final não fica muito melhor do que quando o tenista da casa faz o possível e o impossível para ganhar na frente dos seus – que saudades dos tempos de Luiz Mattar, Carlos Kirmayr, Jaime Oncins e Gustavo Kuerten.

 
O alemão Kohlschreiber, um veterano de 32 anos, dono de um tênis clássico, uma das esquerdas mais doces do circuito, bons voleios e um bom entendimento da arquitetura do jogo, conseguiu se impor, inclusive na hora da onça beber água, sobre uma das maiores promessas do tênis atual, o seu vizinho da Austria, Dominic Thiem, um verdadeiro “animal” em quadra, dono de uma força física privilegiada, pela qual trabalhou, e segue trabalhando, complementado por um dos melhores golpes do tênis – o seu forehand, que, arrisco escrever, ainda vai melhorar.

 
Quem não viu dançou, quem assistiu sabe que foi um privilégio, não só pela qualidades técnica, mas pela emoção, dramaticidade e competitividade, componentes que não podem faltar em um grande jogo – 7/6 4/6 7/6.

 
Em Istambul eu estava feliz antes mesmo do jogo, com a final do baixinho argentino Diego Schwartzman, um cara pelo qual tiro o chapéu cada vez que o vejo em quadra – um exemplo para muito juvenil por aí afora.

 

O búlgaro venceu o primeiro set no TB e tinha 5×2 no 2o set. Aí o creme desandou. Ele diz que começou a sentir caibras. Eu lembro que o talentoso rapaz tem mais a fama de não ter o controle dos nervos nos grandes momentos, do que a de não ter pernas para jogar dois sets.

 
De qualquer jeito, deixou escapar o set em outro TB. Aí a vaca cavalgou para o brejo. Ele, já claramente sem condições físicas, começou a destruir raquetes. Foram advertências, pontos etc. No 0x5 ele aproveitou para fazer o esculacho final; acabou com mais uma raquete, e quando o boa praça Lahyani ia tascar mais uma, ele foi à sua raqueteira, pegou outra e destruiu mais uma em cima de outra. Acabou o trabalho e já cumprimentou o juizão, que não ficou nem um pouco feliz, virou e foi abraçar o argentino, deixando claro que sua frustração começava e terminava com ele.

 
Durante a premiação ficou com uma cara de bezerro desmamado de dar dó. Mas, na hora de receber a premiação veio a redenção. Dimitrov pegou o microfone e ofereceu um dos mais sinceros pedidos de desculpas públicas que já ouvi: “acima de tudo eu desapontei minha família, meu time, meus fãs com esse tipo de atitude que tive em quadra. Peço desculpas”.

 
Errar, todos erramos. Reconhecer e oferecer desculpas sinceras, minutos depois, curto e grosso, sem embromação, raros fazem. Em um dia que poderia ser criticado e crucificado, da minha parte, Grigor Dimitrov saiu maior de quadra.

Veja o “show” de Dimitrov na minha página do facebook.

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terça-feira, 19 de abril de 2016 História, Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer, Roland Garros, Tênis Masculino | 18:31

Nuances locais

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Rafael Nadal deve estar dando graças a Deus pelo início da temporada européia sobre a terra. Se para ele sempre foi um martírio as partidas sobre as quadras duras, nos últimos tempos isso ficou mais grave; tanto pelos danos ao seu corpo, como pelas dificuldades em vencer partidas com frequencia a que estava acostumado, pela simples razão que ele não tem mais a mesma estâmina física que um dia teve.

 

Nao só pelas razoes acima, ele chegou babando em Monte Carlos. Era mais do que isso. Ele precisava em mandar uma mensagem a seus adversários. Se não ganhasse o torneio no jogo lento do MCCC, com suas quadras a poucos metros do mar, iria perder ainda mais o respeito que vem se definhando. E, acreditem, respeito ganha jogo sim senhor.

 

Rafa ganhou seus jogos sem estresse até as semifinais. Lá teve que lidar com Murray. O primeiro set foi magistral. O segundo muito bom. No terceiro Nadal mostrou, mais uma vez, que tem mais cabeça do que o escocês.

 

A final não foi diferente. Monfils mostrou, mais uma vez, após chegar às semis em Miami, que pode jogar de igual com qualquer um. Por um tempo. Porque chega uma hora entrega a mortadela. E Rafa não entrega. Por isso é o gênio que amamos.

 

Agora o circuito chega a Barcelona, no tradicional e pedante Real Club de Barcelona. Na época de Franco era necessário estar de terno para entrar na sede e no restaurante do clube. Os tenistas eram vistos como intrusos. Imagino que os tempos são outros e costumes também. Sorte deles.

 

O torneio é muito grande na cidade, muito bem frequentado, mas sem mais o mesmo impacto no circuito. Hoje, apesar do enorme time de espanhóis no circuito, os vizinhos franceses tem bem mais torneios do que os furiosos.

 
Os catalães tem o torneio desta semana, que era “mais torneio” por muito tempo. Hoje, depois que o romeno Ion Tiriac comprou Madrid e o transformou em Masters 1000, o evento no Real Club virou coadjuvante. É um calo no sapato dos catalães.

 
Nao sei bem como Rafa se relaciona com as nuances locais. As Ilhas Baleares são muito mais próximas e têm muito mais a ver com Barcelona. Mas, não sei porque, ele torce, descaradamente, pelo Real Madrid – e o tio dele foi zagueiro do Barcelona FC por quase uma década. Por outro lado, está sempre se bicando com o evento de Madrid, enquanto se enche de amores por Barcelona, apesar de, muitas vezes, ser um torneio difícil de encaixar no seu calendário.

 

 

Duvido que jogaria esta semana se não fosse em Barcelona. Os quatro primeiros do ranking; Novak, Roger, Andy e Stan estão em casa se preparando e descansando para coisas mais importantes. Assim, Barcelona se torna mais uma oportunidade de vitória, assim como uma responsabilidade, para Rafa Nadal. Como ele nunca foi cara de fugir do pau….

 

 

Mas que fique claro uma coisa. Seus olhos estão mesmo voltados para Roland Garros, o evento mais importante do calendário para o rei do saibro. Lá ele definirá a sua temporada. O resto dela se acomoda ao redor daquele evento que faz a sua confiança brilhar.

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terça-feira, 12 de abril de 2016 Copa Davis, História, Juvenis, Roger Federer, Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 00:49

Ganha/Ganha

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Este ultimo fim de semana tivemos, pelo segundo ano, o Rendez-Vous à Roland Garros, uma parceria da FFT e a CBT, onde o vencedor do evento aqui realizado disputa, em Paris, às vésperas de Roland Garros, um torneio para o direito de jogar a chave juvenil do torneio.

 
No ano passado, o brasileiro Gabriel Decamps venceu aqui e em Paris. Ganhou o direito de entrar na chave juvenil, chegou às oitavas e perdeu para Taylor Fritz, que já está fazendo estragos entre os profissionais.

 
Desta vez o vencedor foi o paulista Lucas Koelle, um jovem que tive a oportunidade de presenciar em quadra em algumas oportunidades de treino. Uma jóia rara. É um atleta que o treinador não precisa ficar convencendo a fazer o necessário em quadra. Vem com a cabeça e corações prontos para o trabalho, talvez a principal qualidade que um juvenil pode trazer para os treinamentos. Infelizmente, a maioria acredita que possa ser a “habilidade”, a “esperteza”, a atitude do “sei tudo”, “qualidades” que jovens nessa idade acreditam ter de sobra e que, quase sempre, não passa de um delírio.

 

 

Lucas vem investindo na carreira, procurando maneiras de progredir, talvez nem sempre da maneira ideal. Porém sem alterar sua postura em quadra, o que conta muito. Morou uma época nos EUA. Tem disputado eventos aqui e no exterior. Chegou agora a #50 do ranking mundial juvenil.

 

O que me chamou a atenção, na conquista que lhe carimbou o passaporte para Paris, foi outra coisa. Fiquei sabendo que ele tinha, pouco antes, após muito pensar, aceito o convite para estudar e jogar em Harvard, uma das mais prestigiosas universidades do mundo.

 

Eu conversara com ele, pouco antes da virada do ano, na casa de amigo comum, sobre o assunto. Então estava intransigente na decisão de não aceitar o convite e se dedicar à carreira tempo integral.

 

Conversou com mais pessoas – o pai é um alto executivo e a mãe fez estudos em Harvard também – e mudou seus planos.

 
Chegou à conclusão que ir para Boston era uma situação de ganha/ganha. O mais difícil é ser aceito em tal universidade. Com eles insistindo no convite fica ainda melhor. Afinal ali poderá a enfrentar adversários competitivos, no circuito profissional, além de poder eventualmente participar de torneios de transiçao, enquanto faz seus progressos acadêmicos. Nesse ambiente de ganha/ganha poderá também, se vier a ser o caso, mudar de idéia e partir para outra.

 
A decisão já lhe trouxe a tranquilidade necessária para vencer o torneio Rendez-Vous à Roland Garros sem perder um set. Sua mãe confessa que nunca o tinha visto tão sereno em quadra.

 
Um dos raciocínios de Koelle foi sobre a idade dos tenistas na atualidade – estão atingindo seus melhores momentos aos 27 anos. Na verdade, não é novidade. Essa é mesmo a idade em que os tenistas equilibram sua parte técnica, emocional, física e flertam com seus ápices.

 
Até os anos 50 eles ficavam um tempo no amadorismo – que incluía os atuais Grand Slams – e depois seguiam para o profissionalismo, que era para poucos, bons e amantes incondicionais do tênis.

 

Nos anos 60 e 70 era padrão os tenistas irem primeiro para as universidades americanas e só depois entrarem no circuito profissional. Mc Enroe foi para Stanford já em 1978, quando ganhou o torneio nacional universitário. Seu irmão Patrick, se graduou 10 anos depois na mesma escola. No final dos anos 80 ainda havia vários bons tenistas que foram à universidade antes de se tornarem profissional. James Blake, quase um contemporâneo, também esteve em Harvard, o que pode ter influenciado Koelle.

 

Mesmo antes do ultimo fim de semana Lucas Koelle admitiu estar tranquilo com a decisão. Nesta 6a feira, vai a Boston, a convite da escola, conhecer melhor o local e as pessoas. Volta de vez em Agosto, quando começa o ano letivo. Até lá vai jogar em Paris e, quem sabe, ampliar ainda mais suas conquistas no tênis.

 

Por enquanto é um tenista que assume uma caminho diferente de muitos que tem como prioridade a carreira profissional. No fim da época juvenil os tenistas se vêem frente a frente à difícil decisão; continuar seus estudos em uma universidade americana, onde é ofertado a oportunidade de seguir competindo e fazer seus estudos, ou abraçar de vez, com bônus ou ônus, a carreira profissional e encarar a famosa e difícil transição, quando raramente, em especial os brasileiros, por força cultural, se tem a parte emocional pronta para o que vem pela frente. Uma ida a uma faculdade lhe compra um tempo que, atualmente, já não é tão crítico.

 
Se nos anos recentes o jovem começava a carreira aos 19 anos e a abandonava aos 30, agora, com o preparo físico no atual patamar, pode pensar em começar aos 22, com um diploma debaixo do braço, e jogar até 34 anos, como Federer, por exemplo, está a fazer com qualidade.

rg taça sp

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quarta-feira, 6 de abril de 2016 Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 15:55

As finais – que finais?

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Alguns me cobram um Post final de Miami. Lógico que sobre a vitória de Novak Djokovic. E se eu disser que não vi, vão acreditar?

 
O que importa é que a final foi um passeio. E predito. Nishikori perdeu antes de entrar em quadra. Dá até vergonha. Meu amigo Sylvio Bastos, que é muito bom em colocar as coisas, quando não está tentando me enrolar, foi curto e grosso a respeito, o que não é seu padrão, a respeito – não sai jogo, disse ele, no dia anterior. E quem sou eu para discordar? E assim foi; o japa não quis saber de briga – aceitou a freguesia e a dominância quietamente.

 
O servio não perdeu um set no Aberto de Miami. Foi mais fácil do que eu comer uma tigela de mousse de chocolate quando assistindo um bom filme. Pelo menos antes do meu médico levantar o dedinho e balança-lo de lá para cá dizendo não, não, não! Sacanagem.

 
Escrever o que? Sobre a partida? Estão brincando? Sobre como o Djoko está um degrau acima, no mínimo, do resto dos cachorrões? Que sem competidores à altura perde a graça? Que estamos morrendo de saudades dos confrontos Fedal?

 
Ahh, talvez esperassem um comentário sobre a final feminina. Posso escrever que não vi também. Estou um pouco mau humorado? Talvez só não queira falar sempre a verdade. Tem tanto neguinho por aí que mente que nem sente toda vez que abre a boca e faz o maior sucesso. Mas não, as coisas que são como são. Eles lá e eu cá.

 
Azarenka voltou a ganhar – havia ganho Indian Wells na semana anterior. E também, como Djoko, sem perder um set – a final feminina foi outro passeio sem sal. A que lhe deu mais trabalho foi a venezuelana/espanhola Muguruza, em dois TB, que é uma poltrona de forte, ou seja, joga de igual com Azarenka, Serena etc.

 
O Aberto de Miami acabou sem um Buum. Acontece. Não houve uma correria pelos ingressos porque não haveria grandes finais. Muitos lugares vazios, o que não é normal para o evento.

 
O tênis, como qualquer esporte, precisa de grandes nomes, grandes talentos, grandes personalidades, grandes palcos. Mas, como qualquer esporte, precisa mais ainda de grandes rivalidades, que é o que motiva o grande publico acompanhar um esporte.

 
Mas, existe ainda uma pauta a ser escrita sobre o Aberto de Miami, que pode ser mais interessante para os meus leitores. Mas fica para o próximo Post.

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sexta-feira, 1 de abril de 2016 Tênis Feminino | 13:53

A idade da loba

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Existe uma mudança de guarda no tênis feminino? Sim, não, não ainda, todas são respostas corretas, por mais incongruente que possa ser ter elas todas na mesma frase. Em uma análise mais fina vemos que são as moças da idade da consolidação da experiência e a técnica que estão se impondo. É a a idade da loba – e dos lobos, já vale também para o tênis masculino – de 27 anos. Já não são inexperientes, aprenderam e consolidaram suas técnicas, fizeram as pazes com suas deficiências, acertaram seus emocionais e estão prontas e famintas para novos sucessos.

 

Na chave feminina, Serena e a irmã Venus se foram, apesar de que Serena ainda é a principal força feminina, enquanto Venus finge que ainda é uma tenista profissional. Sharapova, se não derem a ela uma colher de chá, o que não duvido, mas sinto que assim possa ser, será carta fora do baralho já que é quase uma balzaca e não sei quanto tempo ficaria suspensa.

 

E quem chega à final de Miami? Kuznetsova, uma batalhadora , essa sim uma balzaca, que nunca teve uma segunda agenda a não ser jogar tênis. A moça tem verdadeiro desprezo pela marketing sensual que se consolidou no tênis feminino desde o surgimento de Anna Kournikova e faz questão de ser o inverso. Mas é uma verdadeira tenista, sempre beliscando quando surge a oportunidade (já foi #2, tem 2 GS e 16 títulos) – e em Miami ela surgiu novamente.

 

E aí chegamos às moças-lobas. A outra finalista será a consolidada Azarenka, que este ano chega aos 27 anos, a idade que a(o) tenista normalmente chega a sua plenitude. Esta temporada voltou de contusão e é a favorita ao título – terá que passar pela Kuznetsova, o que não será fácil. Mas sempre tenho pensamentos ruins quando veja aquele queixo quadrado e o tamanho que adquiriu através dos anos.

 

Ainda me divirto horrores com a Radwanska (27 anos) suas gambitas finas, seu tênis limitado, sua cabeça pensante e sua constante luta pela vitória. Em Miami conheci uma nova tenista, a suíça de pais hungaros Timea Bacsinszky, que adora socar a bola e, aos 26 anos se aproxima da idade da leoa entrando entre as Top10.
Valem a menção duas outras que não chegaram lá desta vez, mas são tenistas que continuarão deixando suas marcas: Simona Halep, tremenda lutadora, focada, rapidíssima e com ótima esquerda, que aos 24 anos ainda tem muita lenha para queimar. E Angelike Kerber, que na passagem dos 27 para os 28 conseguiu levar sua carreira para outro patamar ao vencer o Aberto da Austrália e virar #3 do mundo.

 

O tênis feminino atravessa sua fase mais prolífica, com ótimas tenistas surgindo e se consolidando, através de um tênis incisivo, extremamente profissional, baseado em uma preparação física e técnica tanta qualidade quanto a dos homens e que levaram o espetáculo do tênis feminino, guardado as devidas proporções circunstancias, a uma profundidade depredicados tão amplo quanto o tênis profissional masculino.

 

A maneira como as mulheres-tenistas, e aí falo de um universo mais amplo do que no passado mesmo recente, se apresentam, se dedicam e competem sustentam seus pleitos e reivindicações por igualdades de direitos e prêmios. Só fica mesmo faltando a questão dos Grand Slams, onde os homens têm que jogar cinco sets e as mulheres jogam três, talvez o principal, e ultimo, argumento dos tenistas-homens.

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