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quarta-feira, 22 de abril de 2015 Tênis Brasileiro, Tênis Feminino | 14:29

Um marco

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Apesar da consagradora vitória de Novak Djokovic em Monte Carlo, vencendo assim os três primeiros títulos de Masters 1000, sendo o 1o tenista a faze-lo, a figura da semana foi Teliana Pereira, conquistando o primeiro título para o tênis feminino brasileiro no circuito WTA em 27 anos – o ultimo fora de Niege Dias. Teliana vem crescendo tenisticamente com o tempo, ao contrário de outras que param no tempo e se acomodam. A moça é guerreira e, aos poucos, vem conseguindo com que suas carências diminuam e suas qualidades se ampliem, uma virtude para qualquer atleta. Ela nunca foi uma tenista para quem as coisas vieram fácil. Nem pela sua origem social, nem pela ausência de grandes habilidades. É um claro exemplo daquilo que prego há anos. As tenistas brasileiras teriam maior sucesso vindo das classes menos abastadas – da periferia mesmo. O tênis é extremamente punitivo emocionalmente, para nao se falar nada da parte física, e nossas meninas parecem nao estar equipadas com a necessária força interior, muitas vezes oriunda da necessidade, para derrotar meninas de outras áreas do mundo que hesitam menos em pagar o amargo preço para o sucesso nesse esporte. A vitória de Teliana passa a ser um marco, uma inspiração e um exemplo para todas.

Colocado tudo acima, nao deixa de ser interessante o caso de amor que a cidade de Bogota tem com o tênis brasileiro. Lembro que Carlos Kirmayr e Marcos Hocevar tiveram bons resultados por lá. Marcos Daniel foi à final e/ou conquistou nao sei quantos títulos por lá que é considerado o Rei de Bogota. A curiosidade fica mais interessante considerando que a cidade está a 2.600m, o que altera drasticamente a maneira de se jogar. Teliana soube tirar proveito da pequena tradição e das condições. Mais uma razão para parabeniza-la.

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domingo, 12 de abril de 2015 Porque o Tênis., Tênis Masculino | 15:42

O que mudar no saibro

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O amigo e colega Jose Nilton Dalcin, que há anos comanda o Tenisbrasil, site mais antigo e de maior sucesso do tênis brasileiro, me passa a tarefa de lhe enviar uma pauta sobre as adaptações que um tenista profissional deve fazer para realizar com sucesso a transição das quadras duras para o saibro. O tema tem a ver com o momento, já que começa a temporada européia, que é quando todos os tenistas, nao só mais os amantes da terra vermelha, que tiveram um gostinho no circuito da América do Sul, tem que abraçar o saibro como única alternativa.

Primeiro é bom dizer que tenista é um dos animais mais conservadores do planeta e odeia mudanças e adaptações. Adaptar, pra eles, é pirar. Dito isso, alguns nao mudam nem que a vaca tussa, e nao é vaca do PT, que se apertar muda. Alguns nao mudam nao é porque nao querem e sim porque nao tem para o que e como mudar – faltam opçoes técnicas para apresentar algo diferente. E, se mudarem, a emenda pode ser pior do que o soneto, o que nos leva de volta à primeira observação.

Nao custa desviar um tiquinho do assunto e dizer que uma das razoes da derrocada do tênis norte-americano é que nas ultimas décadas uniformizaram bastante as condiçoes do circuito, alterando a velocidade das quadras duras, eliminando os carpetes e uniformizando as bolas. Hoje é pequena a diferença entre os dois pisos e, em consequencia, a obrigaçao da tal “adaptaçao”. Antes os americanos tinha o circuito deles, que era a maioria, com as quadras duras e as quadras indoors com carpete, enquanto os europeus e latinos tinham só a janela de três a quatro meses do saibro europeu. Agora é a época da homogeneidade.

Pelo estilo, pela “escola”, pela cultura, pela cabeça, alguns estao mais aptos para um ou outro piso. Exemplo? Os espanhóis e latinos gostam da terra e os americanos gostam da quadra dura. O que tem a ver com os primeiros três quesitos. Americano cresce valorizando o serviço forte e decisivo. Espanhol cresce valorizando a alta porcentagem de 1o serviço em jogo. Espanhol gosta de ficar dois ou mais passos atrás da linha de fundo, correndo como cachorros mordidos, deixando que a bola à eles cheguem, já sem o peso, investindo em criar alternativas táticas, usando a arquitetura da quadra, para forçar erros dos oponentes, que acontecem por instabilidade técnica dos golpes, preparo físico abaixo do par, velocidade lateral menor e golpes com menor alavancagem de pulso, incapazes de gerar o necessário top spin, que é o que acrescenta segurança e profundidade aos golpes.

Do outro lado, os americanos, ou qualquer tenista que tenha golpes mais retos e gostem de jogar mais próximos da linha de fundo, para poderem “tomar” a quadra, mandarem no ponto e assim abreviarem a disputa. Esse pessoal nao gosta de esperar a bola – vai pra cima dela, batendo mais bolas na ascendente, cortando o tempo de reaçao do oponente.

Dizer que é o saibro nao basta. É importante considerar outras variáveis, como a altitude da cidade. E bem diferente jogar em Madrid e em Barcelona. Avaliar as condições do piso, se lento ou rápido, pesado (úmido) ou escorregadio (seco) – e os franceses sao os que mais mexem nessa opção – se a bola é rápida ou lenta, se está sol ou nao, sendo que o sol deixa o jogo mais rápido. Essas variáveis sao vitais na estratégia da adaptação.

Para quem pode adequar, ou customizar, a preparação física, na quadra dura a ênfase pode ser na velocidade, nos passos curtos de ajustes e um tenis mais anaeróbico. Na terra, o investimento seria na durabilidade e no aeróbico, para durar nos pontos mais longos, no escorregar, na qual os americanos, por exemplo, sao quase ignorantes.

Como na dura a idéia é abreviar e no saibro é alongar os pontos, o pessoal com instinto mais matador, que se dá melhor nas duras, é obrigado a abraçar um espirito mais paciente, com uma mescla mais intensa de ataque e contra ataques, uma perspicácia maior para a transiçao do defesa para o ataque, e vice versa, uma atenção e concentração maior, para bem avaliar as mudanças dentro do ponto e ficar vivo até a hora do bote final que, ao contrário das duras, acontece em um crescendo de golpes, alternâncias e colocações.

A esta altura alguém já está perguntando: se é assim como o Paulo Cleto escreve, porque um cara como o Murray, que adooora correr como uma gazela no cio na floresta de Nottingham, um animal tático de primeira linha, nao se dá bem na terra? Simples! Nao basta correr, tem que ter os golpes apropriados – o principal sendo aquele top spin que mencionei acima. Tem que saber, e poder, expulsar o adversário de dentro da quadra (vejam o El Gancho do Nadal). Tenistas como o Murray, o Hewitt sao contra atacadores que vivem da força alheia, nao conseguindo gerar tanta velocidade e spin nos golpes, especialmente na direita. Mesmo um tarado como o Berdich, que tem a mao pesada e consegue fazer a bola andar barbaridades, sofre na terra, porque nao tem o corpo correr por muito tempo, só joga reto, que nao tira o adversário da quadra e, pra machucar, corra mais risco a cada golpe, quando aparecem os erros precoces. Ele, como alguns outros, só gosta de joga em cima da linha, utilizando praticamente nada do movimento de “sanfona”, de defesa para ataque e vice-versa.

Com isso, saliento outra mudança tática para o Zé Nilton. Uma coisa que o tenista tem que fazer, mais do que na dura, é fugir com maior frequencia da esquerda e atacar com sua direita. Na terra, esquerda nao ganha jogo (ela evita que você seja derrotado); é preciso, na maioria das vezes, do forehand para dar uma bola vencedora no barrão. E mesmo aí tem um probleminha. Alguns tem o golpe tao reto que se ficam ali dentro da quadra, tentando pegar a bola na subida, podem dançar. Porque, ao contrário da quadra dura, que tem o quique uniforme, no saibro podem ter os morrinhos artilheiros e desvios alhures. Mais atrás da linha, onde fica a espanholada, dá tempo de ajustar e evitar o erro – alí na frente é preciso muita mao para o ajuste e mesmo assim nao sai mais aquele torpedo definitivo. Até por isso, uma outra diferença – uma quadra de saibro de primeiríssima é muito diferente de uma de primeira.

Treinei um tenista no circuito profissional que no 2o serviço na terra, usava o spin, alto e longo. Ele mirava na linha do saque, investindo em um desvio da bola, por menor que fosse, na linha ou na junçao da linha com a terra, para forçar um erro, nem que fosse uma devoluçao defeituosa, para partir do ataque. Um grande tenista nao tem medo de dupla falta. Dupla falta na rede é coisa de quem encurta o braço; a longa é de quem quer ganhar jogo – especialmente se você nao estiver no “clube dos com mais de 1.90m”, quando sacar é mais simples. Na quadra dura, um daqueles fantasmoes dá um sacao e faz 15×0. Mesmo os nao tao fantasmas sabem que se encaixarem um bom primeiro saque a porcentagem de vencerem o ponto é alta (de 80% pra mais). No saibro essa porcentagem é menor, o saque menos decisivo e por isso a mudança do saque reto para o com spin, para investir na expulsao do oponente de dentro da quadra e evitar os ataques de resposta de serviço. Além disso, na dura se saca bastante o 1o serviço fechado (no meio), na terra se saca mais aberto, em especial no lado da vantagem, para se abrir a quadra e iniciar a correria.

O que nos leva a outra adaptaçao. A da resposta de saque. Se na quadra dura dá pra vir para cima da linha e bloquear, no saibro é melhor ficar mais atrás, deixar a bola perder a força e alongar a devoluçao. É só lembrar do Gustavo Kuerten, em uma situaçao que deixava seus fas intrigados, já que achavam que ele deveria ficar mais à frente o saque.

O que me leva a conclusao final: a maior adaptaçao que o tenista deve fazer é a mental. Se o cara vai para a Europa sem saber como e sem adaptar com o que vem pela frente vai dançar ( o inverso também é um fato). Mais do que nunca os tenistas estão preparados para chegar a tudo quanto é bola e mandar mais uma de volta; e com potência, colocaçao, variaçao, buscando neutralizar um ataque. A cada vez que alguém é obrigado a executar um golpe a mais, aumenta a probabilidade do erro, que é a estratégia final no saibro. No início da temporada de saibro é necessário o tenista rever sua tática e, especialmente, sua mentalidade, aceitando que vai passar mais tempo em quadra, abraçando o sofrimento, se propondo a correr como um desgraçado para fazer um mero 15.

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segunda-feira, 6 de abril de 2015 Masters 1000, Novak Djokovic | 20:01

A distância

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A distancia entre o céu e o inferno na vida de um indivíduo é medida pela diferença entre aquilo de melhor que ele poderia ser e o que de fato foi. O único abrandamento a essa perspectiva é se o indivíduo fizer de caso pensado a decisao de nao explorar seus limites, cedendo à prerrogativas pessoais, algo que requer ou coragem ou inconsequência, sendo difícil julgar à distância qual das duas prevaleceu.

Quem segue há tempos meu Blog sabe como enalteci o tênishabilidoso e tático de Andy Murray, sendo tal louvação criado certa ferrenha oposiçao por parte de uma pequena leva de sofasistas que mal podiam distinguir um slice de um top spin. Nos idos tempos, o mundo ainda se dividia entre o bem e o mal e Federer e Nadal. Hoje está cada dia mais difícil para as pessoas distinguir os primeiros, para mim nunca houve duvidas, e a nada temperada rivalidade FeDal está cada dia mais próxima de ter seus dias contados.

A rivalidade entre Djokovic e Murray vem tentando se firmar e substituir aquela que deve passar para a história como a maior de todas. Pelo menos por parte de Novak Djokovic. Porque, ao contrário do que muitos, pelo menos os que cabiam dentro de uma Romi Isetta, podiam imaginar, Murray está perdendo sua carona na história. Ele tornou-se um grande jogador, um tenista tecnicamente gostoso de assistir, mas quase impossível de se torcer por ele por conta de quase esquizofrenia em quadra. Ainda está longe de encontrar o caminho da grandeza, algo que Djoko vem buscando incessantemente, mesmo com suas limitaçaoes que, para ele, um grande guerreiro, só servem de motivaçao, nunca de empecilho.

Murray, por outro lado, se entregou á pequenez. Investiu como nenhum no preparo físico e se tornou o maior buscador de bolinhas do circuito. Corre como um cavalo para os lados, para a frente e para trás, dura mais do que qualquer um em um ponto. Mas quando tem que mexer os pés, para dar dois ou três passos de ajustes para definir pontos importantes, prefere a letargia. Consequentemente se posiciona com erro e perde pontos ridículos de fáceis para sua capacidade. Ele joga de igual, técnica e fisicamente, com os melhores do mundo, mas carece de uma mentalidade que faça face aos cachorroes. Se permite alternâncias de qualidade que um jogador com mais altas ambiçoes nao pode se permitir. Por isso morre na praia da magnificência.

Na final de Miami, do outro lado da rede, seu adversário, que conhece seu jogo e estilo melhor do que a palma da própria mao, entra em quadra com o jogo ganho. Para isso, carrega tao somente a certeza de que deve jogar o seu melhor, com disciplina e constância, que o MalaMurray entrega a rapadura na hora da onça beber água.

Nao custa lembrar os dois se conhecem desde os tempos de infanto-juvenil e formam uma das mais longevas rivalidades. Além disso, tem somente uma semana de diferença de idade (Murray sendo o mais velho) entre eles. Do total de confrontos com profissionais, Djoko tem 18 vitórias e 8 derrotas, tendo vencido as ultimas sete; das ultimas onze venceu dez, sendo a exceçao a final de Wimbledon2013 – onde Murray tinha uma motivaçao extra – o que deixa ainda mais evidente o meu ponto.

Murray melhorou consideravelmente quando sob a tutela de Lendl, mas nem tanto sob Mauresmo, mais uma “decisao Murray” no seu caminho. A única coisa nova que apareceu recente foi a direita angulada, que cria um buraco na quadra adversária mas, por outro lado, perdeu a direita paralela, que é o complemento da jogada.

Já Novak fez mais uma de suas cartadas na busca do topo do ranking e da história, ao contratar Boris Becker. Duvido que Becker acrescentou muita coisa no aspecto técnico, e nem acho que foi para isso que veio. Talvez o saque – com certeza nao o smash! Que vergonha esse golpe do servio, parece um 3a classe em mau dia.

Mas Djokovic compensa essa e outras carências – como o saque, os voleios e a dificuldade de lidar com bolas sem peso – com outras importantes qualidades. O cara é uma Rocha de Gibraltar nos golpes de fundo, tem um preparo físico impecável, uma mobilidade e elasticidade de bailarino, uma vontade de ganhar ímpar (e aí acaba com seu PatinhoMurray) e entende a capacidade, e necessidade, de manter o padrao de qualidade durante um jogo e um torneio.

Considerando o conjunto da obra, Novak Djokovic segue sendo o melhor tenista da atualidade, especialmente quando colocado dentro do contexto de um campeonato. Sua maior qualidade é que entendeu, muito cedo na carreira, a importância que todo o aspecto mental acrescenta à carreira e ao jogo. É um tenista de limitadas habilidades, mas soube, melhor do que qualquer outro, colocar diferentes peças do quebra-cabeça no lugar e se tornar um magnífico atleta-tenista. Esse vai dormir tranquilo quando ao encerrar a carreira e enxergar o que poderia ter sido e o que foi. Enquanto isso, fica de exemplo para um universo de maricotes que por ter um pingo de talento/habilidade se acham os reis das cocadas pretas – uma das minhas delícias favoritas.

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segunda-feira, 23 de março de 2015 História, Masters 1000, Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer, Tênis Masculino | 13:27

Semi deuses

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Nao vou dizer que Roger Federer é burro porque eu nao sou louco nem é verdade. Mas posso, sem muito risco, dizer que ele sub utiliza o importante quesito tática em uma quadra de tênis. O suíço é totalmente intuitivo, o que é compreensível, esperado e frequente em um tenista, e soberbo, o que, em certas circunstâncias pode até ser uma qualidade para um tenista e, em outras, uma massacrante falha.

Esse casamento faz com que ele feche a porta para explorar um melhor aproveitamento das magníficas armas técnicas que possui, um dom dos deuses que ele soube, através dos tempos de sua carreira, aprimorar. Sim ele progrediu muito, porque ali o campo era fértil como nunca dantes visto em uma quadra de tênis. Mas ele escolheu onde queria progredir e onde nao queria nem saber. Infelizmente, com essa segunda opçao deixou de fora opçoes que poderiam ter feito dele um tenista ainda mais magistral do que é, e o é muito pelo que Deus lhe deu.

Temos no circuito tudo quanto é tipo de tenista. Uma gama tao ampla como as impressoes digitais. Nao temos dois iguais. O leitor já parou para pensar o que nao temos dois que batem os golpes, inclusive o saque, da exata mesma maneira? Quantos “estilos” voces já identificaram na maneira de chutar uma bola, arremessar uma bola de basquete ou cortar uma bola de volei?

E nao só temos as diferenças das técnicas e plasticidade dos golpes, como temos as diferenças de físico e seu preparo, disciplina, tática, mental e emocional, e aí entramos em um cenário extenso como o universo, que é extenso pra chuchu, e por aí vamos.

Tem jogador por aí que é tao carente em talento quanto um zagueirao à Felipao, mas que compensa com seu emocional. Outros compensam ligando o computador para pensar cada vez que entram em quadra (e nao sao tantos) ou mesmo os que entendem a importância da paixao pela disputa, a entrega pela vitória (alouuu Nadal) para poderem tirar leite de pedra.

Federer leva seus oponentes às portas da insânia com a facilidade, e quase displicência, com que faz o que os outros só conseguem nos seus melhores sonhos. Ele nos ilumina a todos ao nos deixar crer que tudo é possível dentro de uma quadra, com uma raquete na mao e uma bolinha vindo em nossa direçao. É uma decepçao, mas, como tantas, tao agradável e necessária para enfrentarmos a massacrante e cruel realidade. E de tanto acreditar nessa fantasia-realidade, Fededer deixou de investiu em ferramentas que pudessem trazer esse mundo paralelo mais próximo da suja realidade e assim se tornar no tenista completo. Se satisfez em se tornar um semi-deus, quando teve, e nao me lembro que tenha visto antes, a oportunidade de ser um deus.

Se Djokvic tem planos de se tornar também um semi-deus nao será da mesma turma de Federer. Mas o cara está próximo do objetivo na área da excelência física e da técnica adquirida, assim como Nadal já é o semi-deus do mental-emocional.

Novak é um tenista a ser colocado em um pedestal por técnicos e juvenis que tem aspiraçoes em se tornar um grande jogador. Os deuses foram um tanto pao duros com eles nos talentos, mas extremamente generosos na disciplina e na entrega. O rapaz é uma inspiração e vem crescendo a cada temporada. É o atual melhor jogador do mundo – por uma boa raquete. Ele está extremamente sólido em seus golpes – talvez nao tanto no serviço! – e muuuito forte mentalmente. Sabem lá o que é, a cada vez que entra em quadra para enfrentar essa mala suíça, o estádio inteiro torcer pelo adversário? Por que nao se dá o crédito devido a esse fenômeno que atualmente é o #1 do planeta?!

Federer tem o arsenal para perturbar essa fortaleza técnica/emocional, mas nao usa. Ou melhor – usa, mas assim que adquire alguma vantagem, cessa de usar porque deve achar que é feio. Sei, o rapaz deve odiar o Dunga (bem, aí é sacanagem a comparaçao) e amar o Tele Santana, mesmo o da Copa82; jogando bonito, mas perdendo.

Atualmente Federer nao pode nem pensar em um jogo franco com Djoko. Sao velocidades diferentes e golpes discrepantes quando batidos na corrida e a conta nao fecha pra ele. Variaçoes de ritmo – bolas menos pesadas, ou mais altas, sem intençao de “atravessar” o Djoko, e slices, um ou dois, seguidos de ataques de direita, já que ElDjoko precisa da força alheia para fazer sua bola andar – quando vem sem peso ele totalmente tira a mao, “oferecendo” a bola ao adversário – seriam, e foram, sua melhor opçao. Mas, pelas barbas do profeta, cada vez que o Boniton abria uma vantagem nos games voltava para o “showtime” e possibilitava o Djoko escapar da armadilha. Essa insistência, por fim lhe fechou a porta à mais um título que seu talento, enganosamente, já toma como certo.

Como dizem os que nao querem esperar pelo próximo mundo, aqui se faz e aqui se paga. Sem esquecer Oscar Wilde: nao há pecado, exceto a burrice.

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quarta-feira, 18 de março de 2015 Rafael Nadal, Roger Federer | 14:54

Paixao pela vitória

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O horário, após o jantar, é conveniente para se relaxar frente à TV, escoltado pela parceira de vida, para acompanhar os jogos de tênis, uma das paixoes divididas. Por conta disso, tenho acompanhado Indian Wells com certa frequencia e vibrado com a qualidade das partidas. Nao só a qualidade técnica, que algo que quase que tomo como fato consumado no tênis atual, mas o equilíbrio e, consequentemente, a diferença que a combatividade projeta no resultado.

Para mim, o fascínio do tênis competitivo reside, acima de tudo, na administração do tenista dos aspectos emocionais e mentais que a competiçao apresenta. É lógico que é uma maravilha curtir a técnica domada, a limpeza do golpe bem executado, o atleticismo e o talento natural, assim como o adquirido, algo claro para os olhos treinados, a velocidade das pernas e os jogos de pés, o instinto para o desenho da jogada, assim como o plano pensado. Tudo isso sao facetas interessantes do jogo, mas ainda, pelo menos pra mim, submissas ao “jogar”, aquela qualidade para alguns subjetiva, pelo menos aos olhos dos desavisados e sofasistas, que faz do tenista que a possui um verdadeiro jogador de tênis e nao um mero executador de golpes que fez do tênis uma carreira, mesmo que praticada com empenho e disciplina, mas sem a entrega suprema, regida pela paixao pela vitória e o horror pela derrota.

Dessa maneira, curti a vitória do operário Ferrer, um dos ícones do estilo “jogador”, qualidade sem a qual seria um tenista mediano, sobre o parceiro Dodig. Mas, mesmo essa qualidade nao foi o bastante para derrotar ManoTomic, que começa, finalmente, a entender o que é o Tenis, afinando seu enorme talento (que bela esquerda, tanto a reta como o slice), com o fator “jogo”, algo que salta aos olhos quando se considera, por exemplo, o coitado do Gulbis.

Nishikori é outro tenista que encaixa no quesito. Com golpes redondos e bem trabalhados, mas com pouca estatura, está entre os melhores do mundo porque sabe arrancar a vitória do adversário. O Robredo é outro para quem tiro o chapéu cada vez que o assisto. Com golpes nao mais do que padrao, sabe incomodar e vencer – um belissimo jogador. Será interessante ele enfrentar o “freak” Topetinho Raonic – alias o cara melhorou muito no fundo da quadra, era quase cego – dono do saque mais perigoso do circuito, um golpe que ele aprimora o tempo todo e o executa com maestria. Aiii se eu tivesse 2m de altura.

Nao vou nem falar do Nadal, o ícone máximo no assunto. Mas temos muitos excelentes jogos pelas oitavas de Indian Wells para acompanhar esta noite. E, lógico, vou até curtir o Federer, antes que se aposente, que voltou a ficar “esperto” em ganhar jogos sem se complicar, por conta da necessidade imperativa da idade e numero de jogos para vencer um evento, algo que ele tem feito raramente. Mesmo que para assistir o “mascara” Jack “Meias”, um tenista que se jogasse metade do que ele acha que joga varreria o Federer da quadra. Mas a realidade é cruel.

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terça-feira, 10 de março de 2015 Brasil Open, Copa Davis, Rafael Nadal, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 20:42

Fico com isto

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Esse negócio de procurar culpados quando de derrotas é papo furado. Até porque cada um procura o que pode e conhece e a maioria nao sabe o que procurar e nem conhece o bastante para enxergar quando aparece. Quando tomamos sete dos alemaes teve gente que ficou azucrinando por conta do Fred enquanto os maior culpado daquela xaropada, o mega marketeiro David Luiz, ainda anda por aí achando que é o melhor do mundo e as pessoas comprando esse gato por lebre.

Sendo assim, nao vou apontar dedos até porque certas horas a coisa toda fica óbvia.

Joao Feijao é a melhor coisa que aconteceu para nosso tênis desde que Thomaz Bellucci entrou entre os trinta do mundo e nos convenceu que tudo iria ficar azul. Sei, nao ficou. Sim, eu sei dos nossos duplistas, mas aí é outra história.

Nao sei até onde Feijao vai com sua nova fase. O que imagino é que ele, após Sao Paulo e Buenos Aires, encontrou uma maneira de jogar que dá certo para ele, e nos encanta, e vai agarrar isso como se fosse a ultima tábua da salvaçao. O cara descobriu, finalmente, que o Jogo de Tênis nao é uma competiçao de quem bate mais forte na bola. Bater forte e colocado sao dois predicados, mas o maior, de longe, é saber como ganhar uma partida, que é o que conta no final. Saber arrancar a vitória do adversário, que está ali para fazer a mesma coisa, é a diferença. Se, em tempos de Rafael Nadal, o maior gênio da história do tênis nesse quesito, o pessoal ainda nao aprendeu é melhor desistir.

Feijao nos convence até quando perde – eu senti, entre outras coisas, orgulho torcendo pra ele. Bellucci nao nos convence nem quando ganha. A nao ser em uma mega vitória como contra a Espanha, quando pensei que ele tivesse, finalmente, aprendido o valor de mais uma bola na quadra. Isso, sem contar com a dosagem correta da vibraçao em quadra e, mais importante, da sensibilidade para avaliar corretamente o momento do jogo, no set, no game, no ponto! O rapaz tem zero dessa vital sensibilidade. Ele joga um 15×15 como um 30×40. O primeiro e o último game, a bola fácil e a difícil, a cruzada e a paralela tudo igual.

Estou tentando apagar sua derrota para o Delbonis de minha mente, e por isso nao senti nem vontade de escrever. Mas teve um momento da partida, no início do 3o set, que exemplifica claramente isso. O Delbonis voltou na 2a feira totalmente borrado – alias o time brasileiro tinha que ter feito o diabo para aquele jogo nao começar no domingo, mas isso é outra história.

O Delbonis perde o 2o set, errando barbaridades e rezando para cada ponto acabar logo, e vai sacar no 1o game e fica 15×40! A compreensao do momento é tudo neste raciocínio. Se o Bellucci joga a bola para o outro lado com a mao o Delbonis enfiava no meio da rede tal o travamento de seu cérebro e braço. E o que o Belo faz? Aquilo que gosta de fazer; mete uma mega porrada de forehand down the line e a bola sai um tiquinho – e na Davis tiquinho também é fora.

Faltou o entendimento básico que o protagonista do momento era o argentino borrado pela pressao e nao ele. Pior, bem pior. O que era 15×40 em instantes virou game do argentino, que saiu vibrando como uma criança que o pai tirara do castigo. E nao ficou por aí. De doze pontos jogados após aquele direita, Bellucci perdeu 11! Três zero Delbonis! E o que era o seu momento foi pro ralo. Ali, naquele 1o game, era a vitória brasileira. Ali sacramentou-se a vitória argentina.

Nao posso e nao quero acabar o Post nessa nota. Tanta coisa certa foi feita em BA no fim de semana. A dupla brasileira, mais uma vez, mostrou seriedade, qualidade e confiabilidade. Nao vou nem me alongar em Joao Feijao Sousa, que foi o que mais ganhou com o evento; graças ao seu próprio mérito. Sacar atrás durante todo o quinto set, após mais de 6hrs de jogo, manter a placidez mental que sempre transpareceu e defender 10 match points é tarefa de Macho. A postura do capitao Joao Zwetsch durante essa batalha foi ótima. “Jogou” com seu pupilo, incentivou, conversou – deu pra ver que os jogadores confiam nele só pelo olhar. A equipe de apoio esteve presente, “consertando” o Feijao e tenho a certeza, vendo o resultado em quadra, que muitas outras coisas certa foram feitas pelo nosso time no fim de semana. Eu fico com isso.

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sábado, 7 de março de 2015 Brasil Open, Copa Davis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 21:14

A um passo

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Poucas coisas deixam um atleta, ou qualquer um, tao motivado quanto ficar “mordido”. Joao Feijao ficar fora do time brasileiro na ultima ediçao da Davis foi um tapa nas suas fuças, algo que qualquer um com vergonha na cara nao aceita de bom grado. Se o capitao do time brasileiro tinha, ou nao, suas razoes sao outros quinhentos. O fato é que desde entao Joao Feijao mudou sua atitude, seu perfil, sua carreira. E para sorte de todos, especialmente dele, para melhor.

Hoje  Joao Feijao é o tenista #1 do Brasil por méritos. E, melhor, soube assumir seu novo status e responsabilidades ao entrar em quadra para abrir o confronto contra los hermanos. Se nao jogou bem do começo ao fim, soube, e isso é o mais importante, jogar bem na hora da onça beber água. Porque esse negócio de “jogar como nunca e perder como sempre” nao ajuda o time e mina a confiança coletiva. Por isso ficam os parabéns ao Feijao pela postura e o resultado. Jogou como gente grande e do jeito que eu sempre gostei quando era o técnico do time da Davis. E adorei sua declaração de que entrou em quadra para focar no positivo e nao deixar o negativo entrar. Com certeza lhe assopraram isso – e muito bem assoprado. Mas falar é fácil, eu que o diga, o difícil e executar.

Seu jogo nao está ainda todo formatado, e por mais tempo do que deveria jogou com a estratégia equivocada, o que quase lhe custou a partida. Mas soube encontrar dentro de si aquela chama que queima o coraçao do campeao, jogar a parte final da partida como macho e brindar o time com a importante vitória inicial.

Nem a tremenda apresentaçao do rapaz, e sua nova funçao de #1 do time conseguiram motivar Thomaz Bellucci. Pensei, por instantes, que, ao lhe tirarem esse peso dos ombros, Thomaz poderia nos brindar com seu melhor, como fez contra os espanhóis. Mas, creio, que ali uma parte do crédito vai para a maravilhosa torcida que lotou o Ibirapuera. Ontem ele nao mostrou a garra esperada, e necessária, para se vencer uma partida na Copa Davis. Tem jogos que você ganha porque joga mais do que o oponente – muitos porque você tem mais coraçao do que ele. Alooouuu Nadal!

A dinâmica do confronto foi apresentada logo no primeiro set, quando Thomaz, graças ao poderio de seu golpes e a insegurança inicial de Mayer, quebrou e sacou no 4×3 – um game determinante. Uma vantagem dessas nao se vende barato. Ele a jogou pela janela. Se leva aquele set pressionaria o argentino que estava contra a parede. Seu companheiro havia perdido, a dupla argentina nunca veria o sorriso da vitória – estava tudo em suas maos. E Bellucci jogou o game mais casual do baralho. Dali pra frente o argentino mandou no jogo e Thomaz só mostrou serviço, e vontade, de vencer no 3o set quando já estava com os pés no brejo. Mas logo voltou ao marasmo. E eu imaginei que após o o confronto em Sao Paulo ele teria entendido o valor da luta e da determinaçao em uma vitória.

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Eu sei lá a razao de os mineiros nao jogarem mais duplas no circuito. Afinal ele sao a nossa melhor, se nao única, chance de uma medalha nas Olimpíadas 2016. Os caras falam grosso nas duplas e se completam legal. Nos últimos tempos Marcelo melhorou seu jogo – técnica e mental, assim como tempos atrás Bruno já havia feito. De lá para cá só jogaram juntos na Davis – onde sempre jogaram muito. Na minha opiniao, que é de quem está dando palpite, os dois estariam mais bem servidos um com o outro do que com seus atuais parceiros. Peya é bom, mas nao tao bom, e dificilmente vai segurar a peteca quando Bruno jogar mal, o que acontece com qualquer um. Dodig é bom, mas é um jogador de simples e nem sempre está tao a fins de jogar as duplas, o que, as vezes, deve ser difícil para a cabeça do Marcelo, que deve ficar no maior conflito quando assiste o companheiro jogar simples.

Marcelo tem a envergadura que cobre a quadra e intimida os adversários. Bruno tem habilidades que geralmente duplistas carecem. Ambos melhoraram suas devoluçoes – determinantes nas duplas. Bruno melhorou muito seu serviço, o que fez enorme diferença no seu jogo, e sua técnica nos voleios está cada vez mais sólida ( a ponto de se se tornar, às vezes, um tanto relaxado).

Marcelo, pela altura, tem espaço para melhorar seu saque. Mas aprimorou seu posicionamento, o que faz muita diferença nas duplas, e usa e abusa do tamanho, assim como as devoluçoes, voleios e constância. Em Sao Paulo, Melo foi melhor em quadra, no geral. Em BA repetiu a dose, nos detalhes. Bruno vacilou um pouco em certos momentos, algo que as duplas, pela sua dinâmica, nao costumam perdoar. Mas, mostrando seu perfil e personalidade, além de ter jogado bem no geral, nas horas da onça mostrou seu talento, sua vontade de vencer e categoria. É uma questao de momento. Assim como Marcelo está surfando na confiança dos bons resultados recentes, Bruno parece estar incomodado pela minguada dos títulos de sua parceria e, óbvioa a consequente afetada confiança. No padrao que está, entre os melhores do mundo, atitude e confiança sao determinantes e fazem “A Diferença”. Mas é um prazer assistir a coreografia e qualidade do tênis que apresentam. E a alta chance de ganhar o ouro em casa é uma oportunidade única em uma carreira e vida, algo que nao deve ser substimado. Mas, talvez, o nao jogarem junto no circuito, e assim mesmo jogarem bem quando se encontram, seja uma estratégia para chegar “frescos” às Olimpíadas.

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Estamos a um passo – uma vitória – de bater os hermanos na casa deles. Se eles apresentaram um time bem abaixo da qualidade do que esperamos do tênis argentino é um problema deles.

Amanha, o quarto jogo será entre os cachorroes. Normalmente o favorito seria Mayer, #29 do mundo e jogando em casa, o que, pra ele, pode ser uma faca de dois legumes (ele recém declarou que, apesar de ser o #1 da equipe nao é o líder do time, o que deixa para o capitao – sei, conheço o perfil). E vale lembrar que no ultimo e recém confronto, no Brasil Open, The Bean Man ganhou, em partida inesquecível. A coisa está de bom tamanho pra nós.

Bellucci terá, se necessário for, a oportunidade de se redemir, como tantas já teve, e muitas mais do que a maioria das pessoas têm. Mas quem pensa que ele terá o esforçado e limitado Berlocq pode ter uma surpresa. Tenho a suspeita de que Orsanic, o capitao argentino, colocará em quadra o Delbonis, que é mais tenista do que o Berlocq. Este tem mais experiencia e é um tremendo guerreiro, o que deve ter feito a diferença na decisao de começar com ele. O Delbonis é mais verde e tem um saque – nunca vi alguém jogar a bola tao alta quanto ele pra sacar – que mia nas horas importantes. Mas é guerreiro, tem bons golpes – um forehand que anda bastante e um back que é uma certa loteria e que ele adora arriscar (pensando bem, tirando o saque, seu jogo lembra o do Bellucci) e, importante, terá na cadeira o ex-técnico de Bellucci.

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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015 Rafael Nadal, Rio Open, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 17:20

Imagino

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Fico imaginando qual será o impacto em Rafael Nadal por conta de sua derrota, prematura, na semifinal e justamente pelas maos do MalaFognini. O espanhol voltou às quadras capengando, ao contrário de seus outros retornos, sempre por conta de suas múltiplas contusoes, sempre resultado direto do estilo Nadal de jogar. Imagino que seu foco agora seja, para variar, o circuito europeu sobre a terra, porque pelo tênis que está jogando nao será nas quadras duras da Califórnia ou da Florida que irá se dar bem. Só espero que sua derrota nao tenha nenhum impacto em sua aparente decisao de voltar ao Rio Open em 2016. Se tudo der certo ele vira ao Brasil duas vezes no ano que vem; a segunda na Olimpíada. Lembrando, esta jogada em quadra dura. A respeito, o piso foi escolhido pela FIT e nao pela CBT ou COB. A FIT alegou, para a decisao, o calendário internacional – os Jogos terminam imediatamente antes do US Open. Sendo assim, Rafa deverá jogar novamente, imagino, o Rio Open no saibro e as Olimpiadas no piso duro.

Atentaram ao “imagino”? Isso porque existe uma grande duvida sobre o Rio Open para 2016. É a velha questao de ter mais de uma opçao. Ele seguirá sendo jogado no Jockey Club ou passara para a Barra, onde está sendo erguido o complexo do tênis dos Jogos Olímpicos?

Ao contrário do que vem sendo dito, nao há uma decisao feita sobre o assunto. Pelo menos oficial. Rumores dizem que seria na Barra porque o COI exige que seja feito um evento no local para o tal “soft opening”, para testar tudo. Sim, essa exigência existe, mas ela nao exige que o evento seja o Brasil Open.

A decisao é uma faca de dois gumes. A continuaçao do evento no Jockey Club tem que ser a favorita de praticamente todos. O clube quer o evento, porque só tem a ganhar, especialmente pelos benefícios de infra estrutura e o privilégio de receber tal evento em casa. Falando por mim, como fa do tênis, difícil imaginar um local mais aprazível para o torneio. O cenário é maravilhoso, já o descrevi anteriormente, e localizaçao privilegiada; ao lado de Ipanema, Leblon, Lagoa e Jardim Botânico. Eu adoro, e a cada ediçao o pessoal vai afinando a máquina, deixando o evento mais gostoso e aprimorando a hospitalidade ao publico. Só ouço boas coisas a respeito.

Por outro lado temos o tal conflito que aflige a organizaçao. Eles sabem que o local atual é um diferencial enorme, sempre para o positivo, com o público e os jogadores. No entanto, a montagem custa uma bela grana – e isso mexe no balanço financeiro. Na Barra, eles terao à disposiçao toda a infra que será utilizada nos Jogos Olímpicos e, provavelmente, depois dos Jogos. Imagino que só o custo de montar a Quadra Central atual seja maior do que o de cacifar os melhores do mundo. Fora todos os custos de levantar uma estrutura tal qual a disponibilizada no Jockey. Na Barra esses custos seriam cortados fortemente.

Há muitas outras consideraçoes, que já deviam estar tirando o sono da organizaçao antes mesmo desta ediçao. Se o torneio for para a Barra, a organizaçao terá que negociar uma nova data, já que a atual está inserida no circuito latino-americano, necessariamente jogado sobre o saibro. Talvez logo após o tal circuito e logo antes de Indian Wells. Com isso talvez percam Nadal e o bando de saibristas que por aqui tem aparecido. Mas devem ganhar outros que queiram se preparar para o breve circuito de quadras duras de Indian Wells e Miami. Mas isso é longe de ser simples e fácil, até porque nao existe muito espaço no tempo.

Tao importante, e determinante nas decisoes, será o destino da IMX. Até 2016 é possível que água corra debaixo dessa ponte. O Rio Open é um ativo forte de seu portfólio e imagino que seu futuro esteja assegurado, de uma maneira ou de outra, em um local ou outro. De qualquer maneira, a imagem do Cristo Redentor, no topo do Corcovado, se elevando por detrás das arquibancadas é algo que está fotografado da melhor maneira na minha memória emocional.

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sábado, 21 de fevereiro de 2015 Rafael Nadal, Rio Open, Tênis Masculino | 12:20

Satisfeito

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Quem queria ver Rafael Nadal, assistiu Fognini bater o argentino Delbonis, naquele que foi a melhor partida do torneio e me lembrou do épico do ano passado, entre Nadal e Andujar. Por conta desse, e outros jogos que alongaram, a programaçao se atrasou e Rafa entrou em quadra mais de 1h da manha (saiu era 3.25h!).

Mas o publico nao pode falar um ai do atraso, por conta do espetáculo oferecido pelos dois tenistas que antecederam a estrela máxima. Se as arquibancadas estavam frustradas, ficaram também totalmente envolvidas pela qualidade e dramaticidade do confronto, que foi decidido na bacia das almas, no TB do 3o set, com 3.12h de jogo e só definido no nono match point. À parte do drama, os dois jogaram muito tenis, apresentado em dois estilos contrastantes; Delboni é um canhoto agressivo, que joga em cima da linha de fundo, bate reto no backhand e com pesado top no forehand para angular e reto para definir. Como é bem alto, bate de cima para baixo e seu back cruzado e curto, que ele tem muita confiança, é uma das melhores bolas do circuito. Ele sofre na rede e no saque, um dos mais estranho e que, na hora da onça beber água o abandonou, por conta de uma deficiencia técnica que ele consegue camuflar quando o momento nao é crucial.

Já Fognini é um contra atacador, cedendo a quadra e se posicionando de 3 a 4 metros para contra atacar, pelo menos no jogo de ontem. E que talento. Faz tudo bem parecendo ser fácil. Só o saque, talvez por conta do tamanho, nao está no mesmo padrao, especialmente quando saca no lado da vantagem. O resto ele tem para dar e vender. O publico acaba torcendo pra ele, por conta de ser um bagaceiro e ter uma atitude de desdem e irritadiça que mexe com as arquibancadas. Mas tem, pelo menos em quadra, um caráter duvidoso, nao hesitando em dar uma de gerson e levar vantagem pra cima do oponente de formas que derrubam qualquer ética.

Ontem quebrou o saque do argentino, para fazer 5×4 e entao fechar o primeiro set, “garfando” uma bola no seu fundo e que o juiz, bananao, nao teve coragem de contrariar – ele marcou descaradamente fora uma bola que foi na linha e já saiu para sentar e ameaçando o bananao. Quando Delbonis virou de lado, e viu que foi boa, reclamou barbaridades e o juizao se recusou a descer e mostrar a bola. Mais à frente, quando Delbonis virou e forçou o TB do 3o set, Fognini raquetou uma bola pra cima do argentino – e o acertou na perna. Este reclamou com o juiz, que fez que nao viu, reclamou com o supervisor, que fez que nao ouviu. Todos uns bananas com medo de afrontar o italiano que já sabe que de tanto “causar” acua aqueles que teriam que colocar ordem no pedaço. A confusao só nao foi maior porque Delbonis nao tem nem um pouco da milonga argentino, nao mostrando nenhum sinal exterior de emoçao durante todos os dramas da partida.

Mesmo os bananoes e o malamór nao tiraram o brilho do jogo, muito por contrário. Foi um jogo que deu um prazer enorme de assistir. Tanto é que quando terminou, levantei e fui para o hotem tomar um banho e dormir, por que nao tinha o menos sentido em ver outra partida de tênis naquela noite.

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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015 Rafael Nadal, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 12:21

Falso equilíbrio

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Tenho visto o Marco “Bocao” Barbosa, atual técnico da Bia Maia, que está conseguindo, sem mágias e invencionices, melhorar o tênis da Bia Maia, que é nossa maior esperança de bons resultados no tênis feminino. A hipotese nao é de hoje, mas ainda está para se tornar uma firme realidade. Os bons resultados no Rio Open sao bons indicadores. A moça tem talentos, habilidades e um bom tamanho; agora tem um ótimo técnico ao seu lado, algo que faz enorme diferença na balança das possibilidades.

Os caras continuam sem o sorvete para meu milk-shake, o que é uma tremenda sacanagem e desapontamento. O garçon me sugere substituir por uma tigela de açaí. Açaí eu comia, tirando do pé, na verdade catando do chao, lá no sítio. Aqui no Rio, lá no Jockey, eu quero milk-shake de chocolate. Tem gente que é do açaí, eu sou do milk shake! Minhas dietas e health food eu administro, e bem, em outras áreas. Tem assuntos culinários que têm mais a ver com o emocional do que com a nutriçao.

Nadal é Nadal, e fim de história. O espanhol nao está jogando nem uma pequena parte do que joga. Mas e pra ganhar dele? Aí sao outros quinhentos, bem caros quando você está do outro lado da rede. Ontem, o jovem espanhol que o enfrentou entrou bem briefado pelo técnico – o veterano Duarte, que trabalhou com o Corretja. É interessante assistir esses jogos porque se enxerga como os “colegas”, que conhecem bem a fera, enxergam a tática para enfrenta-lo.

O jogo foi equilibrado, especialmente no 1o set. Mas como já havia sido com Bellucci, o equilíbrio foi só até o Animal “entrar” no jogo. Mas diferença ficou clara em um game em particular. No 2×2 o Busta quebrou a fera e foi sacar para confirmar a quebra. Esse foi o game do jogo. Àquela altura Nadal estava jogando batatinhas, deixando a maior parte das bolas muito curtas, enquanto o adversário se esbaldava. Naquele game nao jogou tao melhor ainda, mas o oponente foi apresentado à famosa “garra nadal”. Rafa sabia que tinha que voltar ao set naquele game, pra nao deixar o inimigo acreditar e crescer. Muitas vantagens depois, de ambos os lados, Nadal conseguiu a quebra e colocou o trem nos trilhos. Entao, foi só um questao de games.

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