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domingo, 24 de maio de 2015 Juvenis, Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 19:51

Rendez-Vous a Roland Garros

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Vir a Paris e cobrir Roland Garros começa pela boa surpresa de encontrar um bom tempo com sol brilhando. É quase uma tradição que a 1a semana é de tempo ainda incerto e um Q de frio e a segunda o sol já abrindo desavergonhadamente. Mas este domingo o sol bombou. No entanto, nao fui a Porte de Auteuil e sim à Champs de Mars, ao lado da Torre Eiffel. Lá aconteceu as finais do “Roland Garros around the World”, evento organizado pela FFT que começou em Sao Paulo, Xangai e Nova Deli. Em cada uma dessas cidades foi escolhido um garoto e uma garota através de um torneio para tenistas até 18 anos. Os vencedores vieram à Paris para um round robin com seus dois adversários. Os vencedores receberam um convite na chave juvenil de RG.

Para a alegria dos brasileiros, Gabriel Decamps passou como um trator pelos oponentes. Perdeu só 8 games nos dois jogos e agora vai pra chave principal juvenil. Como o torneio só começa no fim de semana que vem, vai se juntar à outros brasileiros já na chave que estao treinando em um dos centros de treinamento da FFT. O acerto faz parte de uma das várias parcerias que a CBT fez, e está fazendo, com a FFT.

Decamps, tem 15 anos e 1.90m de altura, porte de tenista atual. É treinado desde os 7 anos de idade por William Kiryakos, um ex tenista que treinei quando juvenil, deve estar todo feliz com as vitórias em Sao Paulo e Paris. Um detalhe interessante é que os pais de Gabriel sao franceses e assim ele e a família, que compareceu em peso, nao se sentiu nem um pouco fora de casa.

A carioca Maria Clara Silva nao teve a mesma sorte e foi eliminada no saldo de sets, já que perdeu para a chinesa e bateu a hindu.

Ao lado da quadra montada no Champs de Mars, a FFT montou um enorme telao, com a torre ao fundo, onde as pessoas pode deitar no gramado, tomar um vinho local, um lanchinho básico e acompanhar os jogos. Fora o cenário.

 

TENNIS - INTERNATIONAUX DE FRANCE 2015

 

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sexta-feira, 22 de maio de 2015 Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino | 18:34

Belo e Teliana em Paris

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Bellucci chega a Roland Garros nas pontas dos cascos e confiante por conta de seus feitos recentes. O mais recente ir à final em Genebra – o cara gosta mesmo da Suíça – onde vocês saberão o resultado antes de mim que estarei em um avião rumo a Paris.

O quanto isso é bom? É uma faca de dois gumes. O cara vai chegar acreditando ser o rei da cocada preta, o que é ótimo para a confiança e melhor ainda em um Grand Slam. Por outro lado, é uma tradição que nenhum finalista de torneio jogado na semana anterior a RG vai longe neste evento. O cara joga cinco partidas nessa semana e chega um pouco chumbado para jogar cinco sets dia sim, dia nao. Mas duvido que os plano de Bellucci dizem respeito à 2a semana de Paris, quando começam as 4as de finais. Se ele ganhar três rodadas estará em um bom lucro. Mas, como o Belo é um cara imprevisível dentro de sua previsibilidade, nós vamos ficar na torcida para desta vez ele quebrar barreiras e limites em Paris.

Teliana entrou no evento pela próprias pernas, passando pelo qualy, e como bonus pegou uma baba de moça no 1o jogo. Uma francesinha, de 18 aninhos, #326 do ranking que só entrou na chave por convite da FFT. Nao poderia pedir estréia melhor. É só nao se embananar com o fato de jogar contra uma juvenil, que pode fazer qualquer coisa e pressionar alguem que acha que tem mais uma obrigação de ganhar além do fato da estréia. Mas a brasileira anda bem confiante, também por conta de seus recentes resultado, motivada e nunca precisou de ninguém lhe dizer que precisa brigar por cada ponto.

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terça-feira, 19 de maio de 2015 Copa Davis, Roland Garros, Tênis Brasileiro | 21:20

That’s life

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Os números nao mentem, mas, de vez em quando, surpreendem. Thomaz Bellucci venceu 13 e perdeu 7 partidas desde sua participação, aquém das expectativas, na Copa Davis em Buenos Aires. Já o quase herói entao, Joao Feijao Souza, caminhou na direção oposta a de Bellucci e a esperada por muitos. Nao ganhou nenhum jogo desde entao.

Logo após a derrota em BA as conversas nos clubes giravam em torno de que o Belo nao tinha jeito e o Feijao tinha tomado jeito. Minha mae já dizia que as expectativas matam. E se nao matam machucam.

E porque essas surpresas? Isso eu nao sei dizer. Talvez a Copa Davis mexa mesmo com a cabeça dos tenistas de maneiras que nao podemos sequer imaginar.Talvez possamos imaginar que Feijao goste e se encaixe bem na Davis. Talvez o mesmo nao seja verdade quanto ao Thomas. Se é para adivinhar, os leitores fiquem à vontade e devem ser melhores do que eu.

O que fica claro, mais uma vez, pelo menos pra mim, é o quanto Thomaz Bellucci tem de jogo. Mesmo nao sendo um grande “jogador”, aquele que “sabe” ganhar, tem muitos golpes e poderio para intimidar oponentes. Ele ganha jogo porque dá mais na bolinha do que muito cachorrao por aí. Se tem “deficiências”, elas sao mais emocionais e mentais do que técnicas. Quando está à vontade emocionalmente em uma partida faz os adversários comerem o pao que o diabo amassou.

Feijao, e nao me perguntem porque, tem tido mais dificuldades ainda com seu emocional e mental do que o Belo. Seu jogo é perigoso, saca bem, nao tanto quanto o Belo(tem mais força e menos alternativas, que Belo sub usa). Tem uma direita pesada, nao tanto quanto a do Belo ( e erra mais), e um revés talvez mais vulnerável do que seu colega (que erra bolas inimagináveis desse lado para alguem de seu padrao). Mas a verdade é que continua, no geral, em um patamar inferior a Thomaz. E inferior o bastante o bastante para as tais vitórias de Bellucci e as tais derrotas de Feijao.

Por isso, afirmo: existe muito mais que faz um tenista do que está na frente de nossos olhos. Por mais que o Belo nos faça sofrer, por mais que gostaríamos que fizesse as coisas diferentes quando o vemos na TV, continua sendo nosso melhor tenista, fazendo uma bela carreira, ganhando de muito cara bom, fazendo outros ainda melhores suarem e faturando alto. E fazendo besteiras incompreensíveis. Thats life!

Penso que Joao Szwetsch está fazendo bem ao nosso tenista. Aliás, penso que o Thomaz nunca deveria ter dispensado o rapaz. Mas o tempo passou e pode ser que recuperem pelo menos uma parte do tempo perdido. A partir da semana que vem veremos o que ele, e Feijao, farao em Roland Garros, seu Grand Slam favorito

Quanto ao Feijao, algo poderia/deveria ser feito quanto ao seu mental. E talvez a respeito dos detalhes (nao sao mais do que detalhes-mas é ai que deus e o diabo vivem) de suas carências técnicas. Suas qualidades, e deficiências, técnicas nao mudaram desde a Davis, mas algo nessa competição o inspirou a encontrar o seu melhor. A chave de seu futuro talvez esteja nessa inspiração.

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segunda-feira, 18 de maio de 2015 Rafael Nadal, Roger Federer, Roland Garros, Tênis Masculino | 16:17

O cara pra Paris

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Após Roma, a pergunta que nao quer calar: tem alguém que possa tirar o título de Roland Garros de Novak Djokovic?

Rafael Nadal terá que fazer sua maior mágica para ganhar mais uma vez. Acho difícil. Além de estar mais vulnerável, perdeu um pouco o respeito dos adversários, que começam a vê-lo como uma boa oportunidade de saírem bem nos jornais. Ele teve algumas oportunidades nos torneios preparatórios, mas nao conseguiu levantar para o patamar necessário.

O Boniton Federer é uma boa maneira de se ganhar uma graninha de um amigo mais desavisado. Federer está naquele ponto em sua carreira que vence muito tenista bom, mas nao ganha a grande final. O cara é #2 do mundo, mas nao vai levar Roland Garros. Sao jogos no saibro e 5 sets, onde o tenista tem que estar disposto a comer o pao que o diabo amassou. Algo que saiu do radar do Boniton. Sua final em Roma foi lastimável. Primeiro falou que o Djoko nao é o Nadal no saibro. Falou pra que??? Lutou o primeiro set e perdeu. Quando nao levou, largou. Feio.

Bem, tem o Ferrer. O cara é encardido, mas empaca quando enfrenta os manjados cachorroes. Pode até chegar à final, mas….

Teve um dia, na semana retrasada, que eu pensei: vou ganhar uma grana apostando no Nacional Kid. Isso pelo perigoso tenis que vinha jogando. Mas aí se encolheu total contra o Murray em Madrid (aquilo foi horrível) e o Novak em Roma. O cara ainda nao tem “nome” pra ganhar dos caras.

E ia falar do Berdich, mas aí achei que iria perder a moral com meus leitores.

Tem o Murray. Mas quem aposta $100,00 no Bibi? Bem, eu aposto. O cara é maluco mesmo, vai que leva. Porque jogo ele tem. Mas a cabecinha…

Tudo isso pra dizer que, após Roma, fica claro que o cara é mesmo o sérvio. Está jogando muito, sólido, confiante e nas pontas dos cascos. Exatamente como deve ser para vencer um torneio complicado como Roland Garros.

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domingo, 10 de maio de 2015 Masters 1000, Rafael Nadal, Roland Garros, Tênis Masculino | 19:37

Fora da caixa

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É domingo, dia das maes, e nao vou tentar explicar a vitória de Andy Murray sobre Rafa Nadal no Masters de Madrid, na terra, a primeira após seis derrotas nesse piso – ainda mais na casa do espanhol. O jogo de tênis per se é complicado, acrescentando de um lado da quadra um bibi como o Murray, capaz de resmungar entre todos os pontos, ganhos ou perdidos, de uma partida, e um obsessivo em crise de confiança como Nadal é uma tarefa fora da minha disposição neste dia.

Mas, alguns amigos imediatamente me colocam suas conclusões a respeito. Uma amiga terapeuta jura que em cinco seções acabava com os agora prejudiciais toques do espanhol que, segundo ela, nem tao severos sao. Ela afirma que desde seu ultimo retorno o rapaz perdeu o ritmo em quadra, por conta de sua cada vez mais agravado TOC. Lembro, em algum canto de minha mente, que a ATP e seus juízes por vezes parecem estar a fim de acabar com a insistente quebra da regra dos 25 segundos entre pontos por parte de Nadal e outros. Tao decididos estao que treinam bastante com outros tenistas de menor estatura – infelizmente ainda se acovardam na hora de penalizar Nadal todas as vezes que ele estoura o tempo. Fora que o espanhol age como se ele estivesse sendo roubado à luz do dia quando aplicam a regra. Mas, como o rapaz tem um sério transtorno, quando em competição, porque em treino nao apresenta as mesmas características, suponho que a simples idéia que alguém irá interrompe-lo e penaliza-lo por conta do tempo, a paranóia de tal pensamento é o bastante para tirá-lo de seu prumo. Talvez seja isso que minha amiga esteja enxergando. Teoricamente isso se agravaria em Grand Slams, onde o limite oficial é de 20´- mas cadê a coragem dos juízes?

Talvez isso tenha algo a ver com a perda da confiança de Rafa, que é de fato seu mal problema atualmente. Talvez sejam 1001 outras razoes, já que o diferencial de Nadal sobre seus oponentes sempre foi muito mais sua obsessão, no caso positiva, em ganhar cada ponto disputado. Por isso digo que seu mental como um todo, um universo em si, seja mais importante do que a estupenda força física e atleticismo, e muuuito mais do que sua técnica.

É fácil ver o resultado do desvio de padrão; sua bolas estão curtas, erros acontecem em bolas fáceis que nunca existiram, a ausência do poder de defender seu fraco serviço a todo e qualquer ataque e por aí vai. Talvez, como disse um outro amigo, sua mente nao está mais no tênis com a mesma intensidade e singularidade de antes. Afinal, este ano o cara foi até à avenida pular carnaval dias antes de um torneio. Saiu da caixa!

Quanto a Murray o cara segue sendo o maior mistério do tênis. Nem tento decifra-lo. Amigos me asseguram que o casamento fez dele um novo homem. Talvez, mas duvido que vejamos o resultado em quadra. Ele já viaja com a namorada há anos. E desde que casou nao viaja mais e sim com a técnica, Amelie Mauresmo, a outra mulher em sua vida atualmente. Outras me asseguram que a mudança é por conta de Mauresmo, que já tem data marcada para abandonar o barco: logo após Wimbledon. Isso porque ela vai ser mae pela primeira vez, só mais um dos mistérios que rondam Murray e seu time.

Correndo por fora, entre as conjecturas, o fato que desta vez Murray nao quer passar meses sem um técnico, como aconteceu da ultima vez. Por isso, já em Munique, duas semanas atrás, onde venceu seu primeiro título na terra, começou a treinar de leve com Jonas Bjorkman, um sueco que jogou muitas duplas e teve uma decente carreira nas simples e pode já ter lhe cochichado algum mistério. O fato é que ele está fazendo a bola girar mais com a direita e nao esperando que o sagrado Jesus Cristo faça nova descensão para ajuda-lo a ganhar um ponto. Isso sim tem feito ele ganhar partidas na terra.

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quarta-feira, 6 de maio de 2015 Roger Federer, Roland Garros, Tênis Masculino, Wimbledon | 20:45

Circunstâncias

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Seria petulante escrever que Roger Federer perder do sacador Nick Kirgyos é fim de carreira? As circunstâncias, sempre elas. Para Roger perder de um cara quase cego sobre a terra é ruim, bem ruim. No fundo da quadra o australiano é quase um 2a classe. Por outro lado, Roger foi à final de Istambul na semana passada, onde venceu, mesmo sem bater nenhum cachorrao, o que deve ter encostado na cota dele para as 2 semanas. Afinal, ele tem 33 anos, apesar de ainda nao pensar em ir para a cruz.

Outro detalhe a se considerar é que, desta vez, o caçador virou a presa. Madrid sempre foi um lugar que O Boniton gostou de jogar por conta das facilidades que a pequena altitude lhe traz. Madrid tem meros 650 metros, semelhante a Sao Paulo. Em comparação, o resto do circuito europeu é quase todo jogado abaixo de 100 metros. Ali o saque anda mais e o jogador agressivo lava vantagem. Quase sempre isso funciona a favor do suíço, mas quando tem que enfrentar um dos maiores sacadores do circuito o buraco é mais embaixo. Mesmo que ele seja cegueta, é também jovem, carudo e veloz.

Sim, passar por uma primeira rodada – mesmo sendo uma baba – dessas nao é assim tao simples. Mas seria tudo que o Boniton gostaria. Ele vinha de Istambul, na altura do mar e a algumas horas de voo. Precisava pegar o ritmo de Madrid e caiu contra o Kirgyos, que é um tremendo corta-físico. Se fosse até um cara mais sólido no saibro, que colocasse mais bolas em quadra, seria melhor. As circunstâncias!

Além disso, Roger deu, mais uma vez uma de Federer. Tinha o jogo nas maos, quando resolveu balançar o topete e deixar a cobra fumar. Pode isso, Arnaldo? Bem, Roger pode quase tudo, ou pelo menos passou boa parte de sua carreira podendo. Hoje o mundo mudou, os adversários nao sao mais os mesmos, nem as perninhas do Boniton. Por isso há que priorizar para nao dançar.

Mas, Federer resolveu ir a Istambul. Certo ele – eu também iria. Especialmente se me pagassem U$ 2 milhões pra bater umas bolinhas à beira do Bósforo; e sem chamar nenhum daqueles malas que gostam de ganhar de mim. O que vocês prefeririam? Ir lá e agarrar os U$2 milhoes de garantia ou priorizar o torneio em Madrid, onde Tiriac nao abre a mao para dar bom dia?

A esta altura, Roger pegou seu jatinho e foi dormir em casa pensando nas baklavas que comeu em Istambul. Descansa uns dias e vai a Roma, antes de Roland Garros. Tudo isso, na verdade, pensando em Wimbledon, onde ele sabe ter uma das ultimas chances de faturar um Grand Slam. É isso, em termos de grandes conquistas a que ficou acostumado. Lhe resta também fazer uma canjas mundo afora, como foi em Istambul, aonde nunca fora, mostrando aos fas do tênis o que eles vao perder quando ele finalmente aposentar as raquetes. Aí nao haverá circunstâncias que preencham nosso vazio.

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domingo, 3 de maio de 2015 Tênis Brasileiro | 14:53

Oswaldo

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Durante meus anos de treinador existia uma característica que ao mesmo tempo que me intrigava me dava uma disfarçada ponta de orgulho. Eu sempre tive um bom relacionamento com os pais dos atletas com quem eu trabalhava. Especialmente considerando que pai de atleta é personagem difícil; nao por características de suas personalidades e sim pelo simples fato de serem “pais de tenistas”. De qualquer maneira, me entendia bem com todos eles, sem exceção – uns mais outros menos – a maioria mais. E quase todos – e isso acho importante, para encontrar detalhes em comum entre os caras que conseguem se distinguir em uma carreira, e a carreira do tenista é muito mais difícil e complicada do que imagina a vã filosofia – eram pessoas inteligentes, cativantes, cada um a sua maneira.

Todos eles, sem exceção, tinham uma pauta muito clara o quanto queriam ajudar os filhos. E quase todos sabiam o que podiam ou nao fazer para ajudar, inclusive na árdua decisão de deixar assuntos tenisticos nas maos dos técnicos e nao quererem ter a palavra final aí também.

Nunca treinei Fernando Meligeni. Nosso relacionamento de treinador/jogador se resumiram ao trabalho em competições de Copa Davis e uma Olimpíada, Atlanta, justamente a que ele teve seu melhor resultado, ficando a um set de uma medalha. Se, o início desse relacionamento foi bom, logo desandou e ficou de ruim para pior.

Mas este nao é o assunto aqui. Durante todo esse tempo desenvolvemos, seu pai, Oswaldo, e eu, um relacionamento interessante e cativante. Conversávamos bastante. Mais sobre filosofia de vida do que sobre tênis. Aliás, nossas conversas sobre tênis, no fundo sobre seu filho, eram breves.  Nunca me censurou. Até porque em grande parte concordava; só me pedia paciência. Mas, enquanto eu tinha que administrar um relacionamento de “técnico de Davis/jogador”, ele tinha que administrar o de pai/filho; muito mais importante, prazeiroso e difícil. Mas, como já disse, essas conversas eram breves. Nosso prazer eram em conversar sobre a vida, onde víamos tantas coisas pelo mesmo prisma.

Era uma viagem conversar com ele. Além de ser interessado na vida, era interessado nela pelas coisas que valem a pena, pelo menos em nosso mutuo ponto de vista. Eu achava seus valores afinados com os meus e isso facilitava o dialogo. Oswaldo foi um fotografo de renome e a profissão ao Brasil, em um daqueles momentos de depressão na economia argentina. E por aqui ele ficou. Era um cara com os pés no chão, apesar de ser um apaixonado pelo mar. Ainda cedo na carreira profissional decidiu abandonar a vida-loca de Sao Paulo e mudou-se de mala e cuia para um condomínio próximo a Angra dos Reis. Lá levava a vida tranquilamente, acompanhado de sua mulher Concepcion. Adorava pegar seu veleiro e sair, às vezes por dias, pelo mar protegido e fascinante da baia de Angra. Levava seus livros e ficava no mar com seus pensamentos e leituras. Sempre me pareceu estar em harmonia consigo mesmo.

Infelizmente, com o tempo, minhas diferenças com Fernando minaram as possibilidades de nossa contínua amizade. Pouco tempo atrás encontrei com ele em Sao Paulo e conversamos durante um tempinho como se tivéssemos nos visto na semana anterior.

Ontem foi uma tarde gostosa, com céu azul e sol delícia. Eu havia jogado tênis com dois amigos, dois dos melhores tenistas que o Brasil já teve – ou seja, eu estava no paraíso emocional. Um deles me contou, “en passant”, que Oswaldo havia falecido na semana anterior. A notícia me abateu. Na hora foi uma violência que abala por instantes e do qual logo nos recompomos. À noite os pensamentos assentaram e fiquei mais circunspecto por conta. Hoje de manha, bateu de vez e o bicho pegou.

A demora de minha infeliz descoberta demonstra o meu afastamento da família Meligeni. Fiquei entre ligar, enviar uma mensagem e escrever. Mas já faz mais de uma semana e ficar ligando ou enviando mensagem sobre uma morte, que com certeza abala e precisa de tempo para ser digerida, nao me pareceu boa idéia. Nao costumo escrever sobre a morte por aqui. Entao escolhi escrever sobre a vida e a falta.

Acima escrevi sobre a paixão de Oswaldo pela vida e seu impacto em mim. Agora nao me resta nada a fazer além de derramar estas palavras por aqui. Ele foi uma daquelas pessoas que eu nao mudaria uma virgula, uma ruga. E após anos de afastamento sou relembrado, da pior maneira, da falta que ele me fez. Ficam aqui meus sentimentos à toda sua família, que ele amava com cada fibra de seu corpo e alma, até porque um homem como o Oswaldo nao se acha a cada esquina.

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quarta-feira, 22 de abril de 2015 Tênis Brasileiro, Tênis Feminino | 14:29

Um marco

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Apesar da consagradora vitória de Novak Djokovic em Monte Carlo, vencendo assim os três primeiros títulos de Masters 1000, sendo o 1o tenista a faze-lo, a figura da semana foi Teliana Pereira, conquistando o primeiro título para o tênis feminino brasileiro no circuito WTA em 27 anos – o ultimo fora de Niege Dias. Teliana vem crescendo tenisticamente com o tempo, ao contrário de outras que param no tempo e se acomodam. A moça é guerreira e, aos poucos, vem conseguindo com que suas carências diminuam e suas qualidades se ampliem, uma virtude para qualquer atleta. Ela nunca foi uma tenista para quem as coisas vieram fácil. Nem pela sua origem social, nem pela ausência de grandes habilidades. É um claro exemplo daquilo que prego há anos. As tenistas brasileiras teriam maior sucesso vindo das classes menos abastadas – da periferia mesmo. O tênis é extremamente punitivo emocionalmente, para nao se falar nada da parte física, e nossas meninas parecem nao estar equipadas com a necessária força interior, muitas vezes oriunda da necessidade, para derrotar meninas de outras áreas do mundo que hesitam menos em pagar o amargo preço para o sucesso nesse esporte. A vitória de Teliana passa a ser um marco, uma inspiração e um exemplo para todas.

Colocado tudo acima, nao deixa de ser interessante o caso de amor que a cidade de Bogota tem com o tênis brasileiro. Lembro que Carlos Kirmayr e Marcos Hocevar tiveram bons resultados por lá. Marcos Daniel foi à final e/ou conquistou nao sei quantos títulos por lá que é considerado o Rei de Bogota. A curiosidade fica mais interessante considerando que a cidade está a 2.600m, o que altera drasticamente a maneira de se jogar. Teliana soube tirar proveito da pequena tradição e das condições. Mais uma razão para parabeniza-la.

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domingo, 12 de abril de 2015 Porque o Tênis., Tênis Masculino | 15:42

O que mudar no saibro

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O amigo e colega Jose Nilton Dalcin, que há anos comanda o Tenisbrasil, site mais antigo e de maior sucesso do tênis brasileiro, me passa a tarefa de lhe enviar uma pauta sobre as adaptações que um tenista profissional deve fazer para realizar com sucesso a transição das quadras duras para o saibro. O tema tem a ver com o momento, já que começa a temporada européia, que é quando todos os tenistas, nao só mais os amantes da terra vermelha, que tiveram um gostinho no circuito da América do Sul, tem que abraçar o saibro como única alternativa.

Primeiro é bom dizer que tenista é um dos animais mais conservadores do planeta e odeia mudanças e adaptações. Adaptar, pra eles, é pirar. Dito isso, alguns nao mudam nem que a vaca tussa, e nao é vaca do PT, que se apertar muda. Alguns nao mudam nao é porque nao querem e sim porque nao tem para o que e como mudar – faltam opçoes técnicas para apresentar algo diferente. E, se mudarem, a emenda pode ser pior do que o soneto, o que nos leva de volta à primeira observação.

Nao custa desviar um tiquinho do assunto e dizer que uma das razoes da derrocada do tênis norte-americano é que nas ultimas décadas uniformizaram bastante as condiçoes do circuito, alterando a velocidade das quadras duras, eliminando os carpetes e uniformizando as bolas. Hoje é pequena a diferença entre os dois pisos e, em consequencia, a obrigaçao da tal “adaptaçao”. Antes os americanos tinha o circuito deles, que era a maioria, com as quadras duras e as quadras indoors com carpete, enquanto os europeus e latinos tinham só a janela de três a quatro meses do saibro europeu. Agora é a época da homogeneidade.

Pelo estilo, pela “escola”, pela cultura, pela cabeça, alguns estao mais aptos para um ou outro piso. Exemplo? Os espanhóis e latinos gostam da terra e os americanos gostam da quadra dura. O que tem a ver com os primeiros três quesitos. Americano cresce valorizando o serviço forte e decisivo. Espanhol cresce valorizando a alta porcentagem de 1o serviço em jogo. Espanhol gosta de ficar dois ou mais passos atrás da linha de fundo, correndo como cachorros mordidos, deixando que a bola à eles cheguem, já sem o peso, investindo em criar alternativas táticas, usando a arquitetura da quadra, para forçar erros dos oponentes, que acontecem por instabilidade técnica dos golpes, preparo físico abaixo do par, velocidade lateral menor e golpes com menor alavancagem de pulso, incapazes de gerar o necessário top spin, que é o que acrescenta segurança e profundidade aos golpes.

Do outro lado, os americanos, ou qualquer tenista que tenha golpes mais retos e gostem de jogar mais próximos da linha de fundo, para poderem “tomar” a quadra, mandarem no ponto e assim abreviarem a disputa. Esse pessoal nao gosta de esperar a bola – vai pra cima dela, batendo mais bolas na ascendente, cortando o tempo de reaçao do oponente.

Dizer que é o saibro nao basta. É importante considerar outras variáveis, como a altitude da cidade. E bem diferente jogar em Madrid e em Barcelona. Avaliar as condições do piso, se lento ou rápido, pesado (úmido) ou escorregadio (seco) – e os franceses sao os que mais mexem nessa opção – se a bola é rápida ou lenta, se está sol ou nao, sendo que o sol deixa o jogo mais rápido. Essas variáveis sao vitais na estratégia da adaptação.

Para quem pode adequar, ou customizar, a preparação física, na quadra dura a ênfase pode ser na velocidade, nos passos curtos de ajustes e um tenis mais anaeróbico. Na terra, o investimento seria na durabilidade e no aeróbico, para durar nos pontos mais longos, no escorregar, na qual os americanos, por exemplo, sao quase ignorantes.

Como na dura a idéia é abreviar e no saibro é alongar os pontos, o pessoal com instinto mais matador, que se dá melhor nas duras, é obrigado a abraçar um espirito mais paciente, com uma mescla mais intensa de ataque e contra ataques, uma perspicácia maior para a transiçao do defesa para o ataque, e vice versa, uma atenção e concentração maior, para bem avaliar as mudanças dentro do ponto e ficar vivo até a hora do bote final que, ao contrário das duras, acontece em um crescendo de golpes, alternâncias e colocações.

A esta altura alguém já está perguntando: se é assim como o Paulo Cleto escreve, porque um cara como o Murray, que adooora correr como uma gazela no cio na floresta de Nottingham, um animal tático de primeira linha, nao se dá bem na terra? Simples! Nao basta correr, tem que ter os golpes apropriados – o principal sendo aquele top spin que mencionei acima. Tem que saber, e poder, expulsar o adversário de dentro da quadra (vejam o El Gancho do Nadal). Tenistas como o Murray, o Hewitt sao contra atacadores que vivem da força alheia, nao conseguindo gerar tanta velocidade e spin nos golpes, especialmente na direita. Mesmo um tarado como o Berdich, que tem a mao pesada e consegue fazer a bola andar barbaridades, sofre na terra, porque nao tem o corpo correr por muito tempo, só joga reto, que nao tira o adversário da quadra e, pra machucar, corra mais risco a cada golpe, quando aparecem os erros precoces. Ele, como alguns outros, só gosta de joga em cima da linha, utilizando praticamente nada do movimento de “sanfona”, de defesa para ataque e vice-versa.

Com isso, saliento outra mudança tática para o Zé Nilton. Uma coisa que o tenista tem que fazer, mais do que na dura, é fugir com maior frequencia da esquerda e atacar com sua direita. Na terra, esquerda nao ganha jogo (ela evita que você seja derrotado); é preciso, na maioria das vezes, do forehand para dar uma bola vencedora no barrão. E mesmo aí tem um probleminha. Alguns tem o golpe tao reto que se ficam ali dentro da quadra, tentando pegar a bola na subida, podem dançar. Porque, ao contrário da quadra dura, que tem o quique uniforme, no saibro podem ter os morrinhos artilheiros e desvios alhures. Mais atrás da linha, onde fica a espanholada, dá tempo de ajustar e evitar o erro – alí na frente é preciso muita mao para o ajuste e mesmo assim nao sai mais aquele torpedo definitivo. Até por isso, uma outra diferença – uma quadra de saibro de primeiríssima é muito diferente de uma de primeira.

Treinei um tenista no circuito profissional que no 2o serviço na terra, usava o spin, alto e longo. Ele mirava na linha do saque, investindo em um desvio da bola, por menor que fosse, na linha ou na junçao da linha com a terra, para forçar um erro, nem que fosse uma devoluçao defeituosa, para partir do ataque. Um grande tenista nao tem medo de dupla falta. Dupla falta na rede é coisa de quem encurta o braço; a longa é de quem quer ganhar jogo – especialmente se você nao estiver no “clube dos com mais de 1.90m”, quando sacar é mais simples. Na quadra dura, um daqueles fantasmoes dá um sacao e faz 15×0. Mesmo os nao tao fantasmas sabem que se encaixarem um bom primeiro saque a porcentagem de vencerem o ponto é alta (de 80% pra mais). No saibro essa porcentagem é menor, o saque menos decisivo e por isso a mudança do saque reto para o com spin, para investir na expulsao do oponente de dentro da quadra e evitar os ataques de resposta de serviço. Além disso, na dura se saca bastante o 1o serviço fechado (no meio), na terra se saca mais aberto, em especial no lado da vantagem, para se abrir a quadra e iniciar a correria.

O que nos leva a outra adaptaçao. A da resposta de saque. Se na quadra dura dá pra vir para cima da linha e bloquear, no saibro é melhor ficar mais atrás, deixar a bola perder a força e alongar a devoluçao. É só lembrar do Gustavo Kuerten, em uma situaçao que deixava seus fas intrigados, já que achavam que ele deveria ficar mais à frente o saque.

O que me leva a conclusao final: a maior adaptaçao que o tenista deve fazer é a mental. Se o cara vai para a Europa sem saber como e sem adaptar com o que vem pela frente vai dançar ( o inverso também é um fato). Mais do que nunca os tenistas estão preparados para chegar a tudo quanto é bola e mandar mais uma de volta; e com potência, colocaçao, variaçao, buscando neutralizar um ataque. A cada vez que alguém é obrigado a executar um golpe a mais, aumenta a probabilidade do erro, que é a estratégia final no saibro. No início da temporada de saibro é necessário o tenista rever sua tática e, especialmente, sua mentalidade, aceitando que vai passar mais tempo em quadra, abraçando o sofrimento, se propondo a correr como um desgraçado para fazer um mero 15.

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segunda-feira, 6 de abril de 2015 Masters 1000, Novak Djokovic | 20:01

A distância

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A distancia entre o céu e o inferno na vida de um indivíduo é medida pela diferença entre aquilo de melhor que ele poderia ser e o que de fato foi. O único abrandamento a essa perspectiva é se o indivíduo fizer de caso pensado a decisao de nao explorar seus limites, cedendo à prerrogativas pessoais, algo que requer ou coragem ou inconsequência, sendo difícil julgar à distância qual das duas prevaleceu.

Quem segue há tempos meu Blog sabe como enalteci o tênishabilidoso e tático de Andy Murray, sendo tal louvação criado certa ferrenha oposiçao por parte de uma pequena leva de sofasistas que mal podiam distinguir um slice de um top spin. Nos idos tempos, o mundo ainda se dividia entre o bem e o mal e Federer e Nadal. Hoje está cada dia mais difícil para as pessoas distinguir os primeiros, para mim nunca houve duvidas, e a nada temperada rivalidade FeDal está cada dia mais próxima de ter seus dias contados.

A rivalidade entre Djokovic e Murray vem tentando se firmar e substituir aquela que deve passar para a história como a maior de todas. Pelo menos por parte de Novak Djokovic. Porque, ao contrário do que muitos, pelo menos os que cabiam dentro de uma Romi Isetta, podiam imaginar, Murray está perdendo sua carona na história. Ele tornou-se um grande jogador, um tenista tecnicamente gostoso de assistir, mas quase impossível de se torcer por ele por conta de quase esquizofrenia em quadra. Ainda está longe de encontrar o caminho da grandeza, algo que Djoko vem buscando incessantemente, mesmo com suas limitaçaoes que, para ele, um grande guerreiro, só servem de motivaçao, nunca de empecilho.

Murray, por outro lado, se entregou á pequenez. Investiu como nenhum no preparo físico e se tornou o maior buscador de bolinhas do circuito. Corre como um cavalo para os lados, para a frente e para trás, dura mais do que qualquer um em um ponto. Mas quando tem que mexer os pés, para dar dois ou três passos de ajustes para definir pontos importantes, prefere a letargia. Consequentemente se posiciona com erro e perde pontos ridículos de fáceis para sua capacidade. Ele joga de igual, técnica e fisicamente, com os melhores do mundo, mas carece de uma mentalidade que faça face aos cachorroes. Se permite alternâncias de qualidade que um jogador com mais altas ambiçoes nao pode se permitir. Por isso morre na praia da magnificência.

Na final de Miami, do outro lado da rede, seu adversário, que conhece seu jogo e estilo melhor do que a palma da própria mao, entra em quadra com o jogo ganho. Para isso, carrega tao somente a certeza de que deve jogar o seu melhor, com disciplina e constância, que o MalaMurray entrega a rapadura na hora da onça beber água.

Nao custa lembrar os dois se conhecem desde os tempos de infanto-juvenil e formam uma das mais longevas rivalidades. Além disso, tem somente uma semana de diferença de idade (Murray sendo o mais velho) entre eles. Do total de confrontos com profissionais, Djoko tem 18 vitórias e 8 derrotas, tendo vencido as ultimas sete; das ultimas onze venceu dez, sendo a exceçao a final de Wimbledon2013 – onde Murray tinha uma motivaçao extra – o que deixa ainda mais evidente o meu ponto.

Murray melhorou consideravelmente quando sob a tutela de Lendl, mas nem tanto sob Mauresmo, mais uma “decisao Murray” no seu caminho. A única coisa nova que apareceu recente foi a direita angulada, que cria um buraco na quadra adversária mas, por outro lado, perdeu a direita paralela, que é o complemento da jogada.

Já Novak fez mais uma de suas cartadas na busca do topo do ranking e da história, ao contratar Boris Becker. Duvido que Becker acrescentou muita coisa no aspecto técnico, e nem acho que foi para isso que veio. Talvez o saque – com certeza nao o smash! Que vergonha esse golpe do servio, parece um 3a classe em mau dia.

Mas Djokovic compensa essa e outras carências – como o saque, os voleios e a dificuldade de lidar com bolas sem peso – com outras importantes qualidades. O cara é uma Rocha de Gibraltar nos golpes de fundo, tem um preparo físico impecável, uma mobilidade e elasticidade de bailarino, uma vontade de ganhar ímpar (e aí acaba com seu PatinhoMurray) e entende a capacidade, e necessidade, de manter o padrao de qualidade durante um jogo e um torneio.

Considerando o conjunto da obra, Novak Djokovic segue sendo o melhor tenista da atualidade, especialmente quando colocado dentro do contexto de um campeonato. Sua maior qualidade é que entendeu, muito cedo na carreira, a importância que todo o aspecto mental acrescenta à carreira e ao jogo. É um tenista de limitadas habilidades, mas soube, melhor do que qualquer outro, colocar diferentes peças do quebra-cabeça no lugar e se tornar um magnífico atleta-tenista. Esse vai dormir tranquilo quando ao encerrar a carreira e enxergar o que poderia ter sido e o que foi. Enquanto isso, fica de exemplo para um universo de maricotes que por ter um pingo de talento/habilidade se acham os reis das cocadas pretas – uma das minhas delícias favoritas.

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