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quinta-feira, 18 de setembro de 2014 Copa Davis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 02:23

Ovo ou a galinha?

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O veio antes, ovo ou a galinha?

Ouvi dizer que, após a vitória que classificou o Brasil e o consagrou aos olhos da torcida brasileira, Thomaz Bellucci teria dado mais crédito à supostas deficiências de seu oponente, Roberto Agut, do que a si próprio. Ou se nao foi mais – porque aí depende de quem ouviu e conta a história – foi, pelo menos, desproporcional ao fato.

Talvez isso demonstre um pouco mais sobre as características psicológicas de Thomaz, que nunca foi, digamos, um ícone da auto estima e do marketing pessoal. Porque tem neguinho por aí que após uma vitória dessas – e esta hipótese de duas vitórias só caracteriza ainda mais o aspecto fictício da minha colocaçao – sairia se descabelando em busca de microfones se afirmando o novo rei da cocada preta.

Essa visao de Bellucci sobre o seu feito é só mais uma faceta do real limitador da carreira do brasileiro. Eu afirmo há muito tempo que o tênis dele é muuito maior do que os resultados. E isso nao pode ser creditado na conta de seu arsenal técnico e sim debitado na conta de seu emocional.

Mas, neste ultimo fim de semana a história foi diferente e, quiçá, marcante o bastante para alterar o percusso de sua carreira daqui para a frente.

Foi, de longe, a melhor participaçao de Bellucci na Davis. E, nao esqueçamos, o rapaz estava pressionado. Havia a expectativa, o adversário e o local, tudo montando um senhor cenário próprios para marcantes apresentaçoes. Para sua felicidade, e a nossa, porque é Copa Davis, o resultado foi feliz.

Desde sempre ouço falar, ou fui eu que inventei essa história, que a idade da razão no tênis é aos 27 anos. É por aí que o tenista começa a harmonizar sua técnica com a cabeça e o coraçao. Lógico que isso nao vale para exceções, como Nadal e Federer, que só confirmam a regra. Bellucci está chegando lá – tem 26 anos – e pode, por conta disso, velejar bons mares pelo resto de sua carreira. Só depende dele mesmo e de como jogará suas cartas daqui para a frente. Porque agora, mais do que nunca, conhece a história e já viveu.

A Copa Davis sempre foi uma magnífica catarse, para o bem ou para o mal, para o tenista. Carreiras decolaram, assim como outras encolheram, por conta de resultados muitas vezes inesperados nessa dramático cenário. Ela carrega uma intensidade emocional única, colocando o tenista em uma vitrine tao frágil quanto de forte exposiçao. Há tempos Thomas tinha dificuldades com essa exposiçao que, na verdade, só espelhava a mesmo dificuldade que tinha no resto do circuito. Vejam que estou usando o verbo no passado, na esperança que por lá fique.

Voltando a frase de abertura do Post, o fato é que, grande parte das vezes, um tenista joga tao bem ou tao mal quanto seu adversário permite ou nao. Thomaz parece questionar isso, creditando seu sucesso por conta do mero insucesso dos adversários.

Se Aguto nao jogou tao bem quanto o seu ranking indica foi por conta do quanto bem Belluci jogou. Os espanhóis caíram na armadilha de se limitarem á frieza do ranking. O time brasileiro foi um passo à frente, acreditou no seu potencial e foi atrás do sucesso. Jogaram o jogo e jogaram certo. Em especial Thomaz. Porque dos mineirinhos já esperávamos, e até contávamos, com seu ponto. Bellucci é que decidiu nos surpreender, assim como aos espanhóis que a esta altura devem estar se perguntando se alguém anotou a placa do caminhao.

Até hoje só assisti uma partida completa de Agut – a de domingo. É um tenista leve e muito rápido. Uma esquerda bem flat, rente à rede, que penetra e incomoda. Mas sua direita é um tantinho mentirosa, algo que no bate-bola já me era visível. Seu saque é passável para seu tamanho, mas nao mais do que isso. A ver se vai se manter nessa zona de cachorrao. Mas, e isso é deveras importante, está em ótimo momento (ninguem é #15 por nada) e muito confiante, como Rogério sentiu na pele – pelo menos até o chocolate do Belo.

A principal liçao que Thomaz devia levar para casa após este confronto é que existe muito mais que ele pode fazer em quadra do que ele apresentou até hoje no circuito. Já escrevi anteriormente, e por isso fui criticado por pessoas que de tênis entendem tanto quanto eu de volei, do qual sou um bom torcedor e nada mais, que Thomaz tem técnica boa o bastante para conquistar muuuito mais do que conquistou. Seu limitador é que ele ainda – e sua tal visao de sua vitória espelha isso – bate na bola como poucos no planeta, mas ainda nao domina o “jogo do tênis”.

Se dominasse saberia que após começar a virar o jogo de 6a feira, após estar espremido contra a parede, e durante todo o domingo, nos brindou com uma apresentação primorosa do jogo de tênis, harmonizando, como é obrigatório, técnica, emoção, garra, determinação, impetuosidade, equilíbrio, atleticismo, estratégia, tática, perseverança e um compromisso indubitável com a vitória que o levaram ao sucesso, tanto aguardado como inesperado. Se prestar atenção verá que a técnica, sempre imprescindível, está lá, quase sozinha, no início da lista das qualidades, somente sendo válida e determinante se acompanhada das outras qualidades que sao as que separam um mero tenista de um campeao. E aí está a real razao das suas vitórias neste ultimo fim de semana e o que pode determinar uma reviravolta em sua carreira pessoal.

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domingo, 14 de setembro de 2014 Copa Davis, Rafael Nadal, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 23:38

Bode bravo

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Os espanhóis tiveram o que mereciam. A arrogância em abrir mao de seus melhores tenistas, em confronto na casa de um adversário que, aos olhos de quem joga e de quem manda no tênis ibérico nao exigia time melhor do que por aqui se apresentou, foi fator determinante na derrota deles e na vitória do Brasil. Porque este soube, fazendo a leitura do que os outros iam colocando na mesa, ter a humildade de reconhecer a sua pseudo desvantagem e a grandeza de acreditar que, a cada dia que passava, a vitória se tornava mais possível.

Eles começaram avisando que viriam de Nadal e mais três. No final das contas, ao ficar evidente que o Animal era carta fora do baralho, Carlos Moya e a federaçao espanhola nao tiveram a musculatura para trazer as estrelas de primeira grandeza como Ferrer, Verdasco ou Robredo, tenistas já sazonados e escolados na Davis, e acreditaram que a estrela em ascensão, Roberto Agut, já #15 do mundo, o que já faz dele um cachorrao, seguraria a peteca com a ajuda da “dupla de fundo de quadra” Marc Lopez e Granollers. Quando este acusou uma contusao e saiu de fininho a gravata apertou ainda mais no pescoço espanhol com a entrada do Marrero, uma mae em quadra. Estao pensando que isso aqui é a Venezuela?

Qualquer um, brasileiro ou espanhol, que sabe contar até três, sabia que a conta era apertada para o time brasileiro. Nao tinha negociaçao; os mineirinhos tinham que ganhar as duplas e Bellucci tinha que vencer suas duas partidas. Para quem acompanhou Belo nos últimos anos na Davis, a conta nao fechava bem.

Bellucci teve que se provar nos dois dias porque moleza nao existia. No primeiro conseguiu a proeza de, precisando vencer de qualquer maneira, sair perdendo por 2×0. Pablo Andujar teve até um match point para vencer em três sets. Nao o fez e deve estar sem dormir até agora. Mas os três sets seguidos foram todos méritos do Belo que jogou o seu melhor.

No sábado, a dupla brasileira fechou a porta na cara dos espanhóis sem dó – e ainda pegou na nariz de alguém. Marcelo Melo jogou muuuito tênis – no fundo e na rede – sendo o homem-chave em quadra. Devolveu como um Lord e soube impor sua envergadura em quadra. Nao fraquejou em um momento o que é de se tirar o chapéu. Bruno, o carismático líder do grupo, sacou muito – algo que melhorou bastante – e voleou barbaridades. Foi uma tunda.

O tal Agut achou. Achou mas nao levou. Deve estar buscando uma resposta de como pode abrir 4×1 no primeiro set e permitir que o outro fizesse cinco games seguidos. Também nao vai dormir bem esta semana pensando no game que tinha 40×0 no 4×3 do 30 set e permitiu Belo virar o game e o set. Aliás, esse game – quando Belo sacou nao sei quantos aces e salvou uns oito break points – junto com os dois primeiros games do 3o set, quando foi mais avassalador que uma arma de destruiçao em massa, foram coisas para assistir de joelhos e aplaudir de pé.

Tudo aconteceu pela mao e obra de Thomaz Bellucci que, aos 26 anos, começa a afinar e equilibrar seu emocional em quadra – mesmo que ainda distribuindo razoes para nos dar enfartes – abrindo uma série de portas para quartos ainda nao por ele desbravados, que podem modificar drasticamente sua carreira daqui para a frente. Na Davis e fora dela. Vamos deixar uma coisa clara: o paulista jogou muuuito tênis, assumiu a responsabilidade que lhe era imposta e se portou como o líder desse time. Nao é pouco. Aliás é bastante para lhe colocar em outro patamar.

Nao menos importante o capitao Joao Zwetsch, que só faltou pegar a raquete e entrar em quadra, soube segurar e amarrar todas as pontas, apesar de ataque de gente que tem agenda própria e egoista, Rogerio Dutra que sabe o que é espirito de Copa Davis e é reconhecido pelo resto do time como companheiro para o que der e vier, e o resto da equipe que sabe o valor e a importância da uniao e da força de quem senta atrás da cadeira do capitao. Ninguém, ou nenhum time, perde ou ganha na véspera. E este fim de semana a equipe brasileira soube ser o bode bravo que acabou com o milho que a soberba ibérica jogou no seu caminho.

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sexta-feira, 12 de setembro de 2014 Brasil Open, Copa Davis, Rio Open, Tênis Masculino | 15:51

Bodes

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Como já escrevi, os espanhóis estão dando muito milho para bode nesta Copa Davis, considerando que deixaram em casa boa parte de seu arsenal e jogam na casa do adversário. Bem, azar deles. Mas, mesmo assim, alguém no time brasileiro terá que sai da caixa e jogar acima de seus padroes.

O homem melhor qualificado para isso, pelo menos tecnicamente, é Thomaz Bellucci. Nos resta descobrir se no fim de semana ele levará essa sua qualificaçao também para o lado emocional, o must do assunto.

Rogério é o coringa. Entra sem a “obrigaçao” de vitória hoje contra Roberto Bautista, por conta de destoar dos outros singlistas do evento com seu ranking. Lembrando, Bautista tem zero de experiencia em Davis e no que vai enfrentar pela frente no Ibirapuera. No entanto, se chegarem empatados na 5a partida, Rogério terá que encontrar um jeito para bater Pablo Andujar, uma vitória possível pela inconstâcia do tenista espanhol, que fez a melhor partida do Rio Open, contra Rafael Nadal.

Já Thomaz Bellucci carrega um fardo maior, pois tem a responsabilidade de vencer suas duas partidas. Nenhuma delas fácil, mais do que nada pelas suas dificuldades em momentos tensos. Nao é de hoje que ele busca uma atuaçao de gala, em casa, na Copa Davis e os espanhóis sao os fregueses por encomenda.

Hoje, Thomaz enfrenta Andujar, contra quem tem um recorde de 3×2, em jogos sempre equilibrados, incluindo uma vitória na quadra 2 de Roland Garros. As duas vitórias de Andujar foram as duas ultimas partidas, em 2013 e 2014, esta em Hamburgo.

Imagino que o capitao brasileiro esteja convencendo Rogerio que hoje é o dia para se inspirar e jogar como nunca. Afinal nao tem nenhuma responsabilidade. E, se por alguma razao, sair de quadra com uma vitória, os espanhóis realmente encontrarao vários bodes à sua porta.

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Tênis Masculino, US Open | 14:48

A final do US Open 2014

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Sim, adorei a final do US Open, mais do que nada por ter dois tenistas fora dos Fab4, algo que nao acontecia a praticamente uma década.

Enquanto Nishokori é um tenista que vem crescendo aos poucos, Cilic é um jogador que desabrochou após a crise surgida após sua suspensao por ingerir o que nao podia.

O japones foi formado tenisticamente nos EUA, o que, mais uma vez, afirma que a escola americana segue sendo forte como sempre – o problema é o material humano deles que mudou, além de terem perdido a hegemonia de ditarem as regras do circuito como sempre ditaram.

Aos 24 anos, o japa decidiu dar um upgrade na carreira contratando um novo técnico; um asiático como ele e, obedecendo a nova tendência, desenterrando Michael Chang que de vez em quando jogava torneios Vets. A parceria deu novas qualidades ao competitivo oriental mas, infelizmente, nao tem como acrescentar centimetros a sua altura de 1.78m

Marin Cilic deve ter perdido muitas noites de sono, se frustrando e amaldiçoado as razoes que o levaram a ser suspenso (uso indevido de coramina em tabletes de glucose comprado em farmácia). Como parece ser claro que ele nao o fez de propósito o descanso obrigatório de oito meses lhe deu tempo para repensar muitas coisas. No final, mal sabia ele, foi o melhor que aconteceu para sua carreira.

Uma delas foi contratar seu antigo mentor – Goran Ivanisevic – com quem tinha contato desde os 15 anos. Goran conseguiu convence-lo a ser mais agressivo, mental e tecnicamente. Mas antes Cilic teve que encontrar dentro de si a motivaçao para deixar de ser o tenista apático que sempre foi. Nada como um belo chute nas canelas, ou ainda mais acima, para colocar alguém na sintonia de repensar sua postura.

A final foi a confirmaçao de minhas suspeitas. Kei tinha jogado seguidas partidas de sets, o que lhe drenou a energia vital necessária para enfrentar as agruras emocionais de uma primeira final de GS. Especialmente contra um cara de 2m de altura, capaz de sacar 4 aces em um game e, ainda mais decisivo, capaz de sacar para conseguir de 2 a 3 pontos fáceis por game por conta de seu saque. Enquanto Kei consegue muitos poucos desses pontos por set. É uma conta cruel. A conta fica ainda mais cruel com Nishikori tendo que correr como um cao para chegar ás bolas retas e rápidas de um cara que, praticamente, bate de cima para baixo os golpes. Com o passar dos games a conta ficou ainda pior, conforme a confiança do croata subiu e a frustraçao do japones aumentou. A vantagem de Cilic na quadra dura sempre existirá, mas se Nishikori estivesse mais “inteiro” a batalha teria sido mais interessante.

No fim da história, para os fas valeu pela final inédita e renovadora.

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sábado, 6 de setembro de 2014 Copa Davis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 11:36

Mudanças no time espanhol.

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Por enquanto sao rumores, mas há jogadores do time brasileiro que dao como certo. Granollers, que amanha joga a final de duplas no US Open, teria pedido para nao jogar as simples, alegando que nao teria tempo de fazer a transferência para o saibro. Em seu lugar nas simples entraria Pablo Andujar e sairia do time o Marrero, um duplista que ficou sem lugar. As duplas, lógico seria a finalista em Nova York.

Enquanto isso, o capitao Joao Zwetcsh ficou em uma leve sinuca de bico com a vitória de ontem de Joao Feijao Sousa sobre seu pupilo Guilherme Clezar, convocado para a equipe de Copa Davis, enquanto Feijão, que é o segundo brasileiro no ranking, ficou de fora. O paulista, que deve ter dormido com um sorriso maroto no rosto, chegou a declarar após a partida que “a resposta foi dada em quadra e que agora iria enterrar o assunto e seguir sua carreira”.

Desde o começo eu assumi que o segundo singlista seria Rogerio Silva – nao Clezar – melhor classificado, mais experiente, inclusive na Davis, e com ótima postura em quadra. Mas nao sei como está seu momento, algo que Joao deve estar avaliando de perto. O que nao se deve esquecer é que o capitao tem sempre suas razoes, que elege divulgar ou nao, para deixar este ou aquele de fora e trazer um outro. Nao se deve assumir que um capitao de Copa Davis vá ter qualquer agenda que nao seja o melhor para a equipe.

De qualquer jeito, os espanhóis estao dando milho pra bode em carretas. Vai que ele come.

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sexta-feira, 5 de setembro de 2014 Roger Federer, Sem categoria, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino, US Open | 13:43

Curtas no US Open

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Algumas curtas e grossas do US Open.

Nem Roger deve estar acreditando que Manofills jogou a vitória de volta no seu colo para a sua alegria e da torcida novaiorquina. A maneira como escapou no primeiro match point foi inesquecível: um dos voleios mais vacilantes da carreira surpreendeu o francês que jogou a bola fora. Depois de perder os dois MP, Monfa passou a jogar menos da metade do que pode e 1/10 do que jogou nos dois primeiros sets – o que diz bastante de seu potencial técnico e de sua deficiência no quesito mental.

O Topetudo enfrenta agora Marin Cilic, o que nunca foi. O apático croata era para ter sido um dos grandes de sua geraçao, mas aquela postura gelada em quadra sempre foi um breque de mao em sua carreira. Agora, após um longo repouso forçado, por ter ingerido o que nao devia, ao que parece sem saber, volta com mais disposiçao e com Goran Ivanisevic, que sempre foi seu mentor, como técnico, o que deve trazer um pouco de alegria à sua vida.

Marcelo Mello continua entra a cruz  e a espada. Seu parceiro Ivan Dodig, que é um singlista também, ao contrário da imensa maioria dos duplistas do circuito é sempre uma caixinha de surpresas. Pode tanto ser o melhor como o pior jogador em quadra. No dia que está a fim é ótimo parceiro. No dia que está com a maca é um coveiro.

Como escrevi, os espanhóis enviaram mais de uma ótima opçao de duplas para o confronto da Davis. A dupla Granollers e Lopez, que a princípio nao é a titular, já que o mágico Granollers será titular nas simples, está nas finais do US Open. E como entendem a arquitetura das duplas esses dois. O Lopez é um gênio no jogo de fundo da quadra nas duplas.

Como já expliquei antes – em post ou twitter – os BryanBros estao na maior fissura para vencer o US Open – seria a 100a conquista da dupla gringa, numero para ninguém botar defeito e para fazer a alegria da mídia americana. Pelo menos na final deve haver algum nas arquibancadas. É uma tristeza ver a imeeensa maioria dos assentos vazios nas duplas.

A pirigueti Hingis nao consegue mesmo se decidir se é ou nao uma tenista. Já se aposentou, e voltou, nao sei quantas vezes. O pior é que a moça é tao talentosa – ou as outras sao tao ruins? – que está nas finais de duplas femininas com a italiana Penetta, que é parceira também fora das quadras. E nao duvido que vençam.

 

 

 

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terça-feira, 2 de setembro de 2014 Copa Davis, Rafael Nadal, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 15:56

Times de Brasil x Espanha

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Foram divulgadas as equipes de Brasil e Espanha que se enfrentarao pela repescagem da Copa Davis em Sao Paulo, logo após o US Open. Quem leu aqui lembrará que eu tinha sérias dúvidas da presença de Rafael Nadal no confronto. Quem foi mais cético nao ficou surpreso com a ausência de David Ferrer. Mas acho que os espanhois estao forçando um pouco sua sorte ao enviar um time composto por Agut, Granollers, Marrero e Marc Lopez.

O Brasil vai de mineirinhos Soares e Melo nas duplas e Bellucci e Rogerio Silva nas simples.

Ambos os times engessados com dois singlistas e dois duplistas. Se alguém se contunde é um problemaço, especialmente se for um singlista.

Se com Nadal, Ferrer e Verdasco tinha que ser muito otimista para acreditar em uma vitória brasileira, com o time escolhido pelo capitao Moya, provavelmente dentro do que se disponibilizou – porque tirando Nadal, os outros dois escolheram nao vir – ficou mais viável uma vitória brasileira.

A dupla deles é boa, bem boa, aliás eles tem mais de uma boa dupla por conta do Granollers, mas a nossa também – deve ser a partida mais emocionante do confronto.

Agut e Granolers nao sao nenhum terror, mas talvez os espanhóis tenham se baseado no fato de que ambos tem um recorde positivo contra Belo. Agut 1×0, no US Open do ano passado e Granollers nas três vezes que se enfrentaram no saibro.

A conta pra nós é simples: a dupla tem que ganhar, de preferência após um 1×1 no primeiro dia, quando se enfrentam Bellucci e Granollers e Rogerio x Agut. Belo TEM que ganhar esse jogo. Por isso seria melhor que jogasse a 1a partida para nao sentir a pressao de estar 0×1 (com a provável derrota de Rogerio), mas, talvez fosse ainda melhor jogar a segunda partida, quando o Ibirapuera já deve estar lotado pelo público e lhe desse um belo empurrao.

No terceiro dia, Belo jogará a primeira partida contra Agut, quando terá que vencer novamente. Isso é ser o líder do time, o que para alguns é motivaçao e para outros pressao.

Mas seria bem interessante em ver um possível jogo decisivo entre Rogerio e Granollers no ultimo confronto, dois tenistas com caracteristicas semelhantes. E Rogerio é de todos os singlistas o mais acanhado técnicamente, nao fica devendo no quesito coraçao de leao, o que se encaixa bem em um confronto de Copa Davis.

A minha maior preocupaçao é que o publico nao se desmotive com a ausência dos gran perros, compareça e prestigie o time brasileiro, já que o público faz enorme diferença nesses eventos.

PS: Apesar de ter enviado à FIT os quatro nomes que menciono acima, o capitao brasileiro, Joao Swetsch convocou cinco jogadores para o time. O quinto é Guilherme Clezar, que é seu pupilo pessoal. A provável idéia de Joao é colocar os caras para treinar e decidir entre os dois – Clezer e Silva – quem ficará na equipe. Isso porque nao existe time de cinco e sim de quatro. E apesar do nome enviado ser o de Rogerio, o capitao pode mudar um unico nome até a hora do sorteio, que acontece na 5a feira anterior aos jogos.

Sobre a pseudo polêmica da ausencia de Joao Feijao Souza em breve escreverei a respeito. Como eu bem sei, após anos de capitao do time da Davis, nem tudo que reluz é ouro e nem sempre as coisas, ou pessoas, sao como aparentam. E tem mais de um por aí que me confirma a certeza.

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sexta-feira, 22 de agosto de 2014 Aberto da Austrália, Juvenis, Roger Federer, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 14:17

A casa caiu

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Às portas do US Open dois fatos distantes, e ao mesmo tempo próximos, me chamaram a atenção. Em 2010 Roger Federer venceu o Aberto da Austrália, o que nao chega a ser uma surpresa. A surpresa foi a vitória, no mesmo torneio, na categoria juvenil masculino, do brasileiro Thiago Fernandes. Causou o maior rebú por aqui, conseguindo páginas inteiras de jornais e destaque no Jornal Nacional, algo que Federer nao conseguiu.

No fim de semana passado, Roger Federer venceu, aos 33 anos de idade, idade quando muitos já pensam em trocar os tênis pelas sandálias, um Masters1000, o que, considerando a competiçao e a idade, há que se considerar um belo feito. Isso se reinventando na parte tática, assim como sobrando na parte física, um quesito de suma importância no tênis atual.

Enquanto isso, circulava a informaçao que Fernandes decidira abandonar a carreira, que mal começara, e voltar para os estudos. Isso após uma séria contusão pubiana que o afastou das quadras um bom tempo, o que pode apontar para uma carência tanto no preparo físico como na recuperaçao, e após perder a confiança por conta de muitas frustrações. A decisao, aos 21 anos, trata-se da maior desapontamento que o tênis brasileiro conheceu nos últimos tempos. De enorme esperança do tênis para mais um estudante de engenharia – e nao vejo absolutamente nada de errado com estudar engenharia.

Se a carreira de Federer tem sido vitoriosa e longa é graças ao seu talento e, entre outras coisas, a disciplina estóica e, nao se iludam, a uma longa série de decisões corretas. Por outro lado, inevitavelmente, o fracasso de Thiago aponta para a direçao inversa.

Se até os 17 anos, idade onde ainda fala alto o talento individual, Thiago vislumbrava um futuro de sucesso, o abandono precoce da carreira transparece um malogro no planejamento macro da carreira, assim como nos detalhes da preparações física, psicológica. É óbvio que à distância nao é possível ou apropriado, fazer avaliaçoes ou apontar dedos – sao tantas as variáveis -, mas alguma coisa naufragou terrivelmente, após a conquista na Austrália, já que Thiago nunca mais voltou a nos impressionar após aquele momento dourado.

Thiago esteve um bom tempo sob a tutela do experiente Larri Passos, conhecido por sua intransigência em mais de uma questao, passou pelas solidárias maos de Marcos Barbosa, que o acompanhava em Melbourne ainda como assistente de Passos e, já bem próximo ao fim, pelos cuidados de Marcos Daniel, com quem fez a derradeira tentativa de salvar a carreira.

Infelizmente alguma coisa se perdeu no tempo, o que prova que o caminho do sucesso no tênis profissional é bem mais complexo do que se imagina. Este exigente esporte individual nao perdoa muitas coisas, como esportes coletivos às vezes perdoam. Nestes, pequenos, e mesmo grandes, erros ou fracassos podem ser camuflados por detrás das paredes e acomodaçoes de um time. Até mesmo um afastamento temporário, quando um time se mantêm, enquanto o indivíduo se recupera, física ou mentalmente, voltando e se encaixando no coletivo no momento certo e oportuno. No esporte individual, em especial o tênis, esse hiato pode trazer danos irreparáveis à confiança e auto estima do indivíduo, que sao determinantes no esporte onde nao se pode esconder debaixo das saias de ninguém. E se ele nao tiver dentro de si, e ao seu redor, uma força muito grande para lhe sustentar, a casa cai.

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segunda-feira, 18 de agosto de 2014 Copa Davis, Masters 1000, Rafael Nadal, Tênis Brasileiro, US Open | 12:06

Ausente em Nova York

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Sombreando o feito de Roger Federer em Cincinnati, Rafa Nadal divulgou hoje, logo na primeira hora, que nao jogará o US Open. Mais uma vez o espanhol sofre com suas contusoes, originadas pelo seu estilo de tênis, onde a brutalidade, a intensidade, a entrega, a falta de fluidez exigem de seu corpo algo que mesmo o Animal nao está preparado para dar.

Desta vez nao foram seus joelhos, as juntas que primeiro cedem por conta de sua principal característica, e sim o punho direito. Nao o esquerdo, mas o direito, aquele que usa para complementar o golpe de backhand. O problema apareceu semanas atrás, quando ele abandonou todos os torneios preparatórios para o US Open. Mas deixando a porta aberta, Rafa vinha postando fotos de seus treinamentos até a semana passada.

É um tanto estranho. Se vinha treinando é porque estava liberado. Talvez tenha decidido que das duas uma: o pulso nao resistiria ao esforço de uma quinzena extremamente exigente ou nao teria tempo de estar em condiçoes técnicas e/ou físicas que seu padrao de qualidade exige. De qualquer maneira, qualquer que fosse a razao me parece correta, já que um tenista nao deve entrar em quadra para competir sem suas condiçoes ideais, especialmente um tenista como Nadal em um torneio como o US Open.

Rafa e seu pessoal sabe as as mais imediatas consequencias desse abandono. Ele perde 2000 pontos no ranking, já que nao defenderá seu título, o que por si já é uma depressao. Isso em um momento em que seu arqui rival chegará a Nova York com a pior das intençoes, vendo ali uma das suas ultimas chances de aumentar o hiato entre ambos em títulos de Grand Slams. Sua ausencia nao dá ao suíco a 2a colocaçao no ranking de bandeja. Federer terá que brigar por isso nas quadras já que ainda existirao 1180 pontos de diferença entre ambos.

Para os brasileiros aumenta a duvida que nao quer calar. Será que Rafa Nadal virá a Sao Paulo jogar a Copa Davis, que acontece na semana seguinte ao torneio de Nova York? Façam suas apostas.

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segunda-feira, 11 de agosto de 2014 Masters 1000, Novak Djokovic, Roger Federer, US Open | 12:53

Quinzena recheada

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Quinzena recheada de tênis, com dois grandes eventos, feminino e masculina, seguidos. Após a passagem pelo Canadá a festa segue para Cincinnati, local do torneio mais antigo dos EUA jogado em sua cidade original. Começou em 1899, quando as raquetes eram pouco mais do que um tacape, homens e mulheres usavam calças e vestidos longos e o golpe padrao, dos dois lados, era o slice salame. O piso original era uma derivaçao das quadras de terra e o local original hoje é uma universidade. O piso mudou algumas vezes e o local muitas; sempre na cidade. Chegou a ser propriedade da ATP, quando estava no perigo, e sobreviveu graças aos esforços de um abnegado, Paul Flory, falecido em 2013. Agora é propriedade da USTA, federaçao americana de tênis.

Três brasileiros já se deram bem por lá. Gustavo Kuerten ganhou as simples em 2001, batendo Rafter na final, em jogo estranhissimo, e Carlos Kirmayr e Cassio Motta foram vices de duplas em 1983, época em que os cachorroes jogavam simples e duplas.

Hoje, com os cachorroes ficando quase que só nas simples, os irmaos Bryan vao tentar vencer o 99o torneio de suas carreiras. E podem apostar que vao tentar ao máximo, o que pode ser mais um estorvo pela pressao, porque adorariam chegar a New York com a possibilidade de lá ganhar o 100o. Imaginem o que eles nao iriam agitar na Big Apple – esse pessoal das duplas sao marketeiros nas “úrtima”, até pela necessidade.

Mas serao os dois primeiros favoritos – Djoko e Federer – que estarao nos cabeçalhos da semana, por razoes bem compreensíveis. O servio nunca ganhou em Cincinnati – perdeu em quatro finais – e completaria o Slam dos Masters1000 com o título. Nao existe outro tenista no circuito com essa conquista – um feito e tanto.

O Boniton, que já ganhou cinco vezes vezes por lá, imaginem seu olhar de desprezo no vestiário, deve chegar à sua 300a vitória em Masters1000, já na 1a rodada, feito único também no circuito.

Murray, que já ganhou duas vezes é outro que deve ter bons sonhos com Cincinnati. Faz tempo que o escocês busca um bom resultado. Tsonga chega confiante após socar geral em Toronto – mas esperar duas conquistas seguidas do francês é esperar demais.

Tsonga passou por cima de todos no Canadá; Djoko, Murray, Dimitrov e Federer. Tá bom ou querem mais? Dois compadres; Vasselin na 1a e Chardy na 2a rodada! Na final abafou Federer que, aos 33 anos, está em ótima fase técnica e física, mas continua pecando no quesito tática. Precisando vencer o TB para ir à negra, o suíço saca no 3×3 e, na 1a bola, com sua direita, seu golpe de ataque, passou uma bolinha sem vergonha na direita do francês, de longe seu melhor golpe, só para levar um cascudo para deixar de ser indisciplinado. É muita bobagem na hora da onça. Nao fez mais nenhum ponto.

Os brasileiros lavaram a alma na final das duplas. Marcelo Melo continua entre a cruz e a espada com seu parceiro Ivan Dodig. O cara, um dos poucos duplistas full time que é singlista full time e excelente duplista quando está disposto, volta e meia joga uma partida bem meia boca. A final foi uma delas.

Em compensação, Bruno Soares e seu parceiro Peya estavam a 1000 por hora. Aliás, Bruno mudou seu saque e pra bem melhor. Está alavancando melhor. Com isso está mais agressivo e deixando menos espaço para ataques. Ainda mete umas duplas faltas ingratas, mas no médio e longo prazo a mudança é um grande avanço. O rapaz já tinha melhorado bem sua devoluçao de revés, uma das razoes de sua melhora técnica nos últimos dois anos. Os manos Bryans que se cuidem.

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