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segunda-feira, 3 de agosto de 2015 Tênis Brasileiro, Tênis Feminino | 13:24

O canal de Teliana

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Para quem nao vem escrevendo muito, nada como uma boa motivação. E no fim de semana vieram duas. Uma, que repercute aqui e mundo afora; as pazes de Rafa Nadal e os títulos, algo que o espanhol e seus fås queriam muito. Especialmente acontecendo sobre um tenista que já estava abrindo uma caderneta com o nome de Rafa, a ponto de durante uma virada de lado, o italiano Fognini ficar de pé, mandar o espanhol ficar quieto e parar de “encher o saco”! Bem..

Para nós brasileiros, a nota mais importante da semana no tênis veio pelas raquetes da pernambucana Teliana Pereira que fez uma das coisas que mais admiro e respeito no Tênis – vencer em casa. Foi o segundo título de sua carreira. Me fez lembrar um filme, nåo tåo recente, do Kevin Costner, “Campo dos Sonhos”, onde a frase chave é “se você construir, eles virão”, frase que virou icônica para vários usos. Bem, a CBT fez um evento no nível WTA em quadras de saibro e a Teliana ganhou.

Imagino que quando a CBT pensou em organizar tal evento a idéia era dar uma alavancada no carente tênis feminino. Talvez ainda com um pouquinho do gosto de “nós fazemos e elas faturam”, onde nossas meninas eram as coadjuvantes com sonhos de um dia serem protagonistas. Bem, o cenário mudou, o sonho se tornou realidade a a estrela da festa é uma brasileira com alma sertaneja, temperada no sudeste por um chefe francês e que hoje tem em suas entranhas, como é necessário para uma campeã de tênis, uma bagagem internacional. Com cada um dos itens tendo sua devida e insubstituível importância.

Nao deixa de ser interessante o fato de que Teliana ganhou em casa em uma quadra de saibro. Nao acompanhei de perto para lhes dizerem porque o evento saiu de quadras duras para o saibro este ano e, dizem, irá de volta para as duras. Bem provável por demanda da WTA, que quer impõe que o piso encaixe no calendário. Eu diria que com esse novo, e importante, fato, a vitória de Teliana, a CBT poderia considerar abrir negociações com a WTA. Evento no Brasil é para brasileiros aproveitarem e, havendo um mínimo de chance, ganharem. Infelizmente durante nossa história somente Gustavo Kuerten, Luiz Mattar e Jaime Oncins e agora Teliana tiveram o que é necessário mental e emocionalmente para tal conquista, porque se fosse só pela técnica outros tiveram pelo menos essa capacidade. Óbvio que estou me referindo a torneios do circuito top, como os da WTA e da ATP, porque nos Challengers tivemos outros que souberam aproveitar as chances.

Teliana está, mais uma vez, de parabéns. É uma atleta a se respeitar. Seu arsenal técnico é limitado, seu background familiar longe dos privilégios – o que para mim se torna uma vantagem no longo prazo. Se o tênis feminino tem um futuro no Brasil, nao me canso de dizer isso, ele está nas periferias e nas zonas mais carentes do país, um perfil do qual Teliana é uma digna representante. O tênis competitivo internacional é um esporte danado de difícil e que exige muito do emocional da mulher – podemos dizer que para nossas meninas é massacrante. Por isso, o respeito pelo o que Teliana vem conquistando.

Uma maneira de observar seu valor é notar que somente aos 27 anos Teliana desabrocha internacionalmente. Antes estava lutando com seus inúmeros handicaps, derrubando os muros em seu caminho, desenvolvendo sua arte, polindo seu diamante tenistico. Tudo isso, sem as facilidades do talento natural e da habilidade que facilitam os primeiros passos, sem as benesses que uma família de posses pode oferecer, longe da vidinha do shopping center.

Teliana aprendeu cedo e em casa que o tênis era uma porta para tirar alguém de uma situação de pobreza e oferecer possibilidades de uma vida melhor. Para isso teve, inicialmente, a mao do pai, um lavrador que saiu do agreste a procura de um emprego no Paraná. Quando sentiu firmeza e construiu uma casa com suas maos trouxe a família. Eram 8 irmaos, uma barra que mae teve que segurar lá fronteira de Pernambuco e Alagoas.

O pai foi fazer manutenção das quadras em uma academia e a mae a faxina. Teliana foi pegar bolas, assim como seus irmaos; Junior, ainda um bom tenista e Renato, seu técnico atual. Como muitas vezes acontece, os pegadores se interessaram pelo jogo da raquete pelas maos do professor da academia, o francês Didier Rayon, a quem Teliana agradeceu em quadra após o título.

Teliana se tornou a melhor juvenil do país, assim como Junior. Mas ainda teve que comer muito pão amassado pelo diabo pelo caminho. Inclusive uma contusão no joelho, que por falta de melhor orientação e dinheiro para se cuidar, atrasou sua carreira em quase dois anos. Mas seguiu em frente. Com certeza, como toda história de sucesso, existem muitas histórias tristes, surpreendentes, alegres e fascinantes, conhecidas e aquelas que nunca serão contadas.

A mais importante agora é essa que a moça do agreste, que poderia estar com uma enxada na maos e uns oito filhos debaixo da saia, todos com escarsas chances de vingar, está escrevendo uma nova história com uma raquete nas maos. É fácil dizer que o tênis é que propiciou isso. Mais acurado dizer que foi a ferramenta. O que tornou isso uma realidade foi a determinação, filha da força de espirito, produto de alguém que um dia teve muito pouco, quase nada, além da energia sagrada que vem da família, uma chance na vida e um coraçao guerreiro. É isso. O Tênis, nao o shopping center, fica com o crédito de ser o canal pelo qual Teliana pode mostrar seu valor.

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segunda-feira, 13 de julho de 2015 História, Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer, Tênis Masculino, Wimbledon | 15:23

Determinaçao de ouro

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A final masculina de Wimbledon pode ser dividida em dois atos. Antes e depois da chuva. Nao é a primeira vez que uma interrupção tem influencia no resultado de uma partida e nao será a última. O perigo é conhecido por todos e, lógico, a vantagem fica para aquele que se preparar melhor para tirar mais vantagem do imprevisto. E nao foi uma surpresa que nesse quesito mental Novak Djokovic também fosse melhor do que Roger Federer.

Quando dois oponentes se enfrentam em uma quadra de tenis uma série de qualidades, e deficiências, farao a diferença no resultado. Nem sempre basta uma ou outra característica. Quando os cachorroes se enfrentam tudo que está à mesa faz diferença. Todos conhecemos as qualidades de Federer. Infelizmente, para os apreciadores do tenis-arte, aprendemos a conhecer também suas deficiências. Se um dia o mundo afirmou que O Boniton era o melhor da história, a insistência de suas dificuldades ao enfrentar, e bater, seus maiores rivais – Nadal e Djokovic – pode um dia levar a essa idéia ser revisitada. É óbvio que Roger tem muuuito para mostrar a seu favor na sua carreira, mas ele nao é mais dominante no circuito, como um dia foi; desde de que Rafa surgiu. Com Rafa tem um H2H bem negativo (10×23) e com Djoko agora tem um H2H empatado(20×20) e a história segue. E convenhamos, mesmo aos 33 anos, Roger nao perde jogos por fator físico – o cara está impressionantemente bem fisicamente, para o que se deve tirar o chapéu – e sim por sutis fatores técnicos e, especialmente, mais claros fatores mentais, sendo estes dois os principais quesitos (junto com o físico) em um tenista.

Novak é o melhor jogador da atualidade, e já faz algum tempinho. O cara se preparou para chegar, e ficar, lá. É um atleta de A a Z. Investiu na carreira, em múltiplos quesitos. Nao teve receio de inovar, buscar, errar e acertar, ao contrário de seus rivais, que escolheram se acomodar em seus círculos de conforto. Cresceu com Marian Vajda, mas buscou alternativas de caminhos, desde lá trás com Todd Martin, que nao trouxe à mesa o resultado esperado. Recentemente buscou a companhia de Boris Becker, mesmo ao risco de prejudicar seu relacionamento com Vajda. Boris e Vajda tem diferentes histórias, visoes e posturas. Novak bancou a mudança. Assim como bancou, na hora certa, o afastamento de seus pais do seu circulo profissional imediato. Hoje ainda vemos a família de Roger, Nadal (que misturou com certo sucesso família e profissao) e Murray nos boxes. A de Novak, que era a mais participativa, e talvez por isso, assiste pela TV.

Novak buscou melhoras em cada aspecto de seu jogo, novamente ao contrário de seus rivais. O backhand de Rafa melhorou bastante, mas também tinha um universo para melhorar. Seu saque é bem pouco melhor do que quando tinha 20 anos. Pouca coisa melhorou drasticamente no jogo de Federer – até porque ele nao buscou essas melhoras, e nem eram tantas porque o cara já veio quase perfeito. O que melhorou, tanto nele como no Rafa, foi a progressão normal dos tenistas que ficam anos jogando e vencendo no circuito, algo que todos eles fizeram. Djoko buscou mais. Nao vou nem mencionar a revolução que fez em seu corpo, sua dieta, sua câmera hiperbárica. Mas ele melhorou barbaridades o seu serviço, algo de se tirar o chapéu, já que nao tinha um movimento clássico como Federer. Melhorou, e muito, seu forehand. Nao só a técnica, como seu approach mental ao golpe, sendo mais agressivo e decisivo com ele – acho que este seu verdadeiro pulo do gato. Seu revés foi progressivamente melhorando, sendo atualmente o golpe mais temido do circuito, tamanha a confiabilidade e a força de seu contra ataque. É duríssimo para um adversário ver seu principal golpe de ataque – a direita na diagonal – ser neutralizado e, pior, virar contra si próprio, já que Djoko é um mestre em usar a força do golpe adversário.

Novak é um tenista que pensou e se preparou para ser o melhor. Fez tudo isso tendo como sua principal qualidade a perseverança, algo que ressalto desde que o vi jogar mais amiúde no US Open anos atrás ainda como sessenta e pouco do ranking. Foi imaginando, e realizando, tudo que poderia para melhorar cada dia mais. Um campeao construído de A a Z. Um tenista que ainda hesita e entrega a rapadura em certas horas porque é bem humano, mas um tenista que tem como meta maior melhorar a cada temporada, a cada torneio. E nisso, podemos afirmar, tem sido um sucesso.

Assim sendo, mais uma vez o título de Wimbledon está em ótimas maos. Djoko veio à final de Londres sob pressão, por ser #1 do mundo e por ter deixado escapar a final em Paris. Com certeza nao queria repetir a dose. Além disso, a vitória era uma maneira de nao deixar seu mega rival Federer vencer mais um GS e, mui importante, igualar os números da rivalidade. Pressão é o nome do jogo. Venceu o 1o set no TB e perdeu o 2o também no emocionante TB, o que o deixou bem irritado, inclusive pela insana torcida das arquibancadas pelo adversário.

Mas Roger, sendo Roger, deu aquela conhecida colher de chá no início do 3o set, perdendo bobamente o serviço no 1×3, após ter ficado mais de 150 games sem perde-lo até as 4as ( nao sei como o cara se permite essa bobeada em um momento crucial de sua carreira, no que talvez tenha sido sua derradeira chance de vencer um GS e após ter virado a partida vencendo o 2o set) – o que decidiu a partida. Imagino que após a interrupção pela chuva – no meio do 3o set – Becker o pegou no vestiário e colocou a pergunta de U$1 milhao de dólares. “Quem vai tirar vantagem dessa interrupção? Você ou o suíço ali ao lado?” Talvez nao exatamente com essas palavras. Lembrando que Boris nao teve nenhuma inibição em afirmar, em seu recentemente lançado livro, que Roger e Novak nao só nao sao amigos como nao se gostam. Novak voltou à quadra focado – bem mais focado do que o adversário – e soube administra a vantagem. No quarto set, mais uma vez fez o mesmo, enquanto o adversário, que nao vence um GS há três anos, atirou a toalha emocional. Para ser campeão há que se ter nervos de aço e uma determinação de ouro. Novak teve.

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terça-feira, 30 de junho de 2015 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino, Wimbledon | 17:39

Nossos duplistas em Wimbledon

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Nao deixa de ser curioso que o Brasil chegou a Wimbledon praticamente sem chances nos eventos de simples, a ponto de todos nossos três tenistas serem eliminados na 1a rodada, e ter outros três jogadores com chances de se darem muito bem, com chances de chegarem a uma final e quiçá um título.

Bruno Soares e Marcelo Melo já nao soam como surpresas para o fa brasileiro. Pelo contrário. Em especial Marcelo, #3 do mundo nas duplas, que vem de merecido título em Roland Garros, coroando uma carreira dedicada às duplas. O Girafa é um tenista que, aos 31 anos, vem agregando, nos últimos anos, qualidade técnica ao seu jogo até chegar a ser um dos melhores do mundo, o que nao é pouca coisa.

Bruno, 33 anos e #14 do mundo, teve, curiosamente, seu melhor ano na mesma idade que Marcelo tem agora, quando chegou também a #3 do mundo,  provando ambos que a idade e a experiencia fazem uma diferença, especialmente nas duplas. Soares nao teve um 2015 tao feliz como os anos anteriores, mas está aí, com o mesmo parceiro austríaco, dando trabalho a todos e sabendo que, a qualquer hora, pode beliscar novo título.

O terceiro que entra em consideração é o também mineiro Andre Sá, #44 do mundo, um dos veteranos do circuito aos 38 anos, e que se mantêm em excelente forma física, sendo mais rápido e ágil do que muito jovem profissional. Muitos!

Andre, dos três foi o único que teve uma carreira nas simples, a ponto de ter chegado às quartas de final em Wimbledon, o que lhe garante uma “membership” no “Club Last Eight”, que todos os quadrifinalistas de simples tem direito para o resto da vida, e com isso dois ingressos para o evento, além de acesso a um lounge exclusivo para almoço, repouso e conversas.

Andre escolheu, para seu mais recente parceiro, outro quase veterano, o australiano sacador, e que sacador, Chris Guccione, que se nao incomoda nas simples, incomoda bastante nas duplas com seu saque de canhoto e voleios. Os dois venceram dois torneios seguidos na grama, antes de chegarem a Wimbledon. Nao eram grandes eventos, mas as conquistas consecutivas, com a participaçao da maioria dos duplistas, é um feito que agrega muita confiança. Como eles irao usar essa confiança no grande palco é algo que merece nossa atenção.

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segunda-feira, 29 de junho de 2015 Curtinhas, Porque o Tênis., Tênis Feminino, Tênis Masculino, Wimbledon | 14:39

Os sem ingressos

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Começa Wimbledon e com ele a famosa fila para os “sem ingresso”. Os organizadores nao fazem nenhuma questao em serem democráticos na oferta dos ingressos. Disponibilizam a maior parte para poucos, segundos critérios nunca divulgados. Os que nao conseguem comprar tem q se sujeitar a ficar em filas intermináveis dia e noite. Durante o dia o pessoal fica em terreno disponibilizado pela prefeitura, onde levantam acampamento, socializam, colocam a leitura em dia, brincam, lêem, cantam, comem e esperam.

Durante a noite a festa rola solta no acampamento dos “sem ingressos”. Tocam musica, dançam, bebem e outras cositas más que a noite propicia. Alguns continuam em colocar a leitura em dia e acordam cedo para curtir o sol, pleno nesta época, mas raro no geral, e esperar que suas senhas sejam chamadas e curtir o seu dia em Wimbledon – que com a espera é sempre mais de um.

Para fotos, curiosidades e detalhes entrem na “Tenisnet-Blog do Paulo Cleto” no Facebook.

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sexta-feira, 26 de junho de 2015 Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino, Wimbledon | 15:45

Oportunidades

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Pelo menos para nós, o jogo mais interessante da primeira rodada de Wimbledon será entre Thomaz Bellucci e Rafael Nadal. Falando em uma oportunidade de ouro…

A primeira rodada de Wimbledon é sempre um incentivo às zebras. Mas tem que se aproveita-la. Nadal ganhou um torneio preparatório, perdeu na 1a rodada de outro e passou esta semana jogando partidas-exibiçoes. Ou seja, foi para o pau porque sabe que a coisa está feia para ele. Bellucci nao jogou nas duas primeiras semanas e perdeu para um (ótimo) juvenil nesta. Apesar da oportunidade da zebra, o espanhol parece mais preparado para a primeira rodada do que o brasileiro. Bellucci tem um tremendo serviço, a grama deve estar rápida no início e o espanhol sentindo um urubuzinho no ombro. Vamos ver quem lida melhor com as circunstâncias – mas é uma oportunidade.

Na mesma linha de oportunidades de 1a rodada, o atual campeão, Novak Djokovic, terá pela frente o Philip Kholschreiber, que nao é nenhuma flor que se cheire e tem uma esquerda venenosa na grama e para o estilo do Djoko. O alemão gosta de engrossar jogos e atrapalhar adversários-cachorroes. Infelizmente nao tem o mesmo gosto por vencer essas partidas na hora da onça beber água. Mas será uma partida para lá de interessante e que, aposto, o Djoko nao gostou.

Lleyton Hewitt joga seu ultimo Wimbledon, torneio que, por mais incrível que pareça, um dia venceu. Pode passar pelo Niemenem, mas aí pega o vencedor do jogo acima.

O Joao Feijao pega o Giraldo. O colombiano tem um jogo plano, bom para a grama, mas ruim para quem está sem confiança. Mas está em péssima fase. Uma oportunidade para o brasileiro, que também está em fase de chorar. Alguém vai ficar muito feliz.

O Klizan e o Verdasco, jogo equlibrado, devem jogar cinco sets para ver qual canhoto passa à 2a rodada de Wimbledon.

O Kirgyos e Schwartzmann se enfrentam. Pode existir dois adversários mais opostos? Um saca demais. O outro de menos. Um grandao e o outro minúsculo. Mas eu sou fa do argentino. Esse cara faz das tripas coraçao e tiro meu chapéu para ele a qualquer hora. Será um jogo curioso.

Berdich e Chardy será outro jogo que pode acontecer coisas. O checo deve ganhar, mas a francês, seu saque e o tanto que abre o braço para bater sao um tanto fantasmas.

Gulbis e Rosol se enfrentam. Está aí um confronto que pode acontecer qualquer coisa. Pode sair até pernadas. Será que vao mostrar?

Muitos jogos equilibrados e muita diversão garantida na 1a rodada. Mas o pessoal só fala que Djoko, Wawrinka, Cilic, Nishikori, Kirgyos e Raonic estao no mesmo lado da chave. E do outro tem Federer, Murray, Tsonga, Berdich e Ferrer. Fica claro que a de cima ficou mais competitiva, por conta do estilo dos jogadores – mais gramistas para incomodar os favoritos. Mas jogo é na quadra.

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quinta-feira, 25 de junho de 2015 História, Novak Djokovic, Rafael Nadal, Wimbledon | 16:30

Uma terceira semana

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Wimbledon começa na próxima segunda-feira. Li algumas coisas sobre o evento na nossa internet. A maioria fala sobre a divulgação dos cabeças de chave, os eventos jogados sobre a grama e a preparação dos tenistas para o evento mais carismático do calendário. O curioso é que nada li – o que nao quer dizer que nao exista algo por aí – sobre o maior diferencial de Wimbledon 2015.

Durante mais de 80 anos franceses e ingleses, que nunca se entenderam em muitas coisas, a nao ser nas próprias diferenças, enficaram os pés sobre as duas semanas que separavam seus dois maiores torneios de tênis; Roland Garros e Wimbledon. As duas semanas sempre foram consideradas nao suficientes para realizar uma transição eficaz e necessária entre as quadras de saibro e as de grama. Até o ano passado, os tenistas faziam da tripa coração para se ajustarem à velocidade, ao quique diferente, as diferenças técnicas e táticas exigidas na transição. E chiavam. O que nunca adiantou.

Nem franceses queriam adiantar, nem ingleses queriam atrasar em uma semana. Ambos apresentavam inúmeros argumentos próprios de quem nao quer saber de mudar. No fundo, faria mais sentidos os ingleses mudarem do que os franceses, já que as semanas existentes da temporada européia sobre o saibro eram exíguas, enquanto após Wimbledon existia uma margem maior de acomodação. Mas durante décadas os ingleses fizeram ouvidos de mercador aos pleitos dos tenistas, o que era mais uma extensão do descaso com que o evento tratava suas principais e únicas estrelas – os tenistas.

Em 2012, o novo chefe do torneio, Philip Brook, mostrou ser tao capaz de formar raciocínios para firmar uma posição quanto seus precursores, só que com a posição contrária a eles. Por A+B colocou seus argumentos, parte deles sobre contratos televisivos e acomodações ao calendário de outros eventos na Inglaterra, como F1, mas reconhecendo que a mudança trará, enfim, benefícios em diversas áreas do esporte/tenis, em especial aos tenistas. Os ingleses finalmente cediam.

Por conta disso, a preparação dos jogadores para Wimbledon, que sempre foi uma questão mal resolvida, mudou bastante este ano. Uma semana a mais sao 50% a mais! Provavelmente o que alguns tenistas estão fazendo este ano, nao será necessariamente o que farão o ano que vem. Vai depender do quanto eles, e seus colegas/adversários se dao bem, ou mal. Após Wimbledon 2015 cada um irá olhar a preparação e o resultado próprio, e dos outros, conversar com seus técnicos e, se necessário, realizar ajustes para 2016.

Como se preparar nunca teve uma formula única e mágica. Alguns se sentiam mais confortáveis com algumas decisões, outros com coisas diferentes. Alguns queriam jogar torneio e manter o “match play”, outros queriam treinar golpes específicos sem a pressão do resultado. Outros ainda mesclavam, inclusive com os torneios-exibiçoes.

O denominador comum é que era algo único no calendário e mal resolvido. Isso porque já tinha melhorado muito nos últimos anos. Os ingleses sempre foram extremamente ciumentos de suas quadras de grama e muito displicentes, para manter a elegância, no tratamento aos tenistas. A nao ser, of course, com alguns pouquíssimos, as estrelas, que tinha um tratamento diferenciado, especialmente na questao mais nevrálgica; a disponibilizaçao de quadras para treino, valiosas para se entrar no ritmo da grama.

Além dos torneios preparatórios, que agora acontecem nas três semanas anteriores, existiam também, na semana anterior, eventos exibições realizados por clubes exclusivos e para pouquíssimos tenistas. Na verdade, sempre foi uma maneira desses poucos terem quadras para jogar/treinar, uma raridade mesmo na Inglaterra, e ainda receber uma graninha. Hoje em dia esses eventos sao mais sofisticados, a grana é um pouco mais alta, mas a idéia segue a mesma. Eles jogam por uma grana fixa, sem a pressão de resultado e aproveitam para entrar no ritmo da grama.

Este ano, o campeão do ano passado, Novak Djokovic, optou por nao jogar nenhum torneio e participar somente de um desses evento-exibiçao nesta ultima semana, assim como havia feito em 2014 quando ganhou Wimbledon. Achou melhor nao mexer.

O “The Boodles” existe há 15 anos e é jogado em Stoke Park, Londres, um elegante hotel-country club, mantendo a longuíssima tradição de exclusividade – de publico e de tenistas. Os jogadores só participam se convidados pelo evento (nao existem inscriçoes) e jogam muito à vontade, sem nenhuma preocupação de resultado. Sao encorajados a permanecer no local, pelo menos um pouco, após as partidas e se misturar com os elegantíssimos fas.

Sao poucos lugares para o publico e custam uma grana. Os ingressos sao um pacote que inclui almoço fino, chás das cinco, conversa com os tenistas, champanhe, estacionamento e atenção por parte das hostess. O necessário para se passar uma tarde de prazeres. Para os tenistas, uma boa maneira de ter uma quadra assegurada e um companheiro para seu treino, além de uma grana.

Rafael Nadal, por outro lado, jogou dois eventos preparatórios; Stuttgart, onde venceu, e Queens, onde perdeu na 1a rodada. Provavelmente nao ficou contente com o segundo resultado, após o sucesso da primeira. Ele nao tinha aceito o convite para The Boodles, mas na ultima hora ligou para o diretor do torneio e foi rapidamente encaixado. Ainda está se achando com o novo formato.

No fim, uma verdade deve permanecer. O tenista só “entra” no torneio de Wimbledon lá pela terceira rodada. Até entao é um mar de inseguranças e surpresas que a grama oferece e exige.

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Boodles 2013 at Stoke Park in Buckinghamshire. (Photos by Jordan Mansfield)

 

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domingo, 14 de junho de 2015 Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer, Tênis Masculino, US Open | 19:49

E a reciclagem?

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Sentado nos ótimos assentos da imprensa escrita na Quadra Central de Roland Garros, acompanhando um jogo de Andy Murray que só ficava interessante nas horas da onça beber água, eu trocava figurinhas com um ex tenista brasileiro. Em certo momento, a conversa foi para o futuro imediato do tênis, após por ele ser colocada a consideração, entre outras, de que Roger Federer está mais para um fim de carreira de luxo e qualidade e Rafa Nadal tem um futuro tao incerto, considerando sua carreira, quanto a nossa economia.

A colocação do amigo era que os organizadores do tênis masculino profissional estão preocupados com o que vai fazer o publico sair de casa e, principalmente, ligar a TV no tênis, ao invés de surfar no mar de alternativas esportivas atualmente disponível. O rapaz olhava para a quadra e, levantando as sobrancelhas, lançava; vai ser esse cara? – enquanto sua carinha entregava que nao colocava nenhuma fé em estar ali a resposta. No Djokovic?, perguntava entao, levantando a velha questão de que o servio – provavelmente o tenista mais completo na atualidade – nao consegue encantar o publico em geral, apesar de ser o que mais tenta.

O azar de Djoko talvez seja conviver com aquela que deve ser considerada a maior rivalidade da história do tênis, estando ele sempre um passo atrás, até que ambos estivessem prontos, mesmo a contragosto, para lhe entregar o bastão. De qualquer maneira, também nao será um Nishikori que salvará a pátria, a nao ser a asiática, onde é um fator. Ou seja, a pergunta de 1 milhão que começa a afligir o pessoal é que acontecerá após a época Fedal. O que enxergam, pelo menos é que se ouve pelos corredores, nao é tao óbvio. Quem serão os protagonistas do próximo “Fedal” ou algo parecido? Uma boa rivalidade é a melhor coisa para revitalizar um esporte, especialmente o tênis, com sua forte característica individual. E uma grande rivalidade exige excelentes qualidades técnicas e carisma pessoal dos envolvidos.

Uma outra coisa que conversamos foi sobre o fator idade no tênis atual. Na verdade, um tema um tanto mais complexo, e que derivou, e complementa, o primeiro. Parece que, concomitante, os novos tenistas estão tendo dificuldades em “estourar” com a mesma prodigalidade de antes, enquanto os tenistas mais velhos estão durando mais no circuito. Estes, com a experiência adquirida, junto com suas qualidades técnicas apuradas pelo tempo de competições, estão conseguindo manter os mais jovens à margem do sucesso, o que impede, óbvio, também que a confiança destes aflore com a velocidade esperada. E porque isso é possível? Entre outros fatores, o preparo físico do atleta atual, em especial o do tenista, mudou drasticamente e permite que eles se mantenha competitivos em uma idade que antes já sofriam para acompanhar o vigor dos mais jovens. Nao só o preparo físico, mas também a alimentação mais cuidada e orientada, os suplementos legais disponíveis que ajudam na tao importante recuperação.

E nao é só isso. Hoje os tenistas ganham muuuito mais dinheiro, o que os mantêm ainda mais motivados, já que o dinheiro que entra com um vigor que provavelmente nao virá em nenhuma outra fase, ou atividade, de suas vidas. Além disso, sao muito mais bem tratados nos torneios, tendo suas vontades e necessidades atendidas nos mínimos detalhes. Um dos diretores do Torneio de Roma disse que semanas antes do evento eles recebem uma lista detalhada do que deve ser disponibilizado no restaurante do local para atender a restrita dieta de Novak Djokovic. Atualmente os melhores tenistas viajam com uma comitiva para cuidar de todas suas necessidades; fisio, preparador físico, massagista, manager, aspones, rebatedores etc, para que só lhes reste entrar na quadra e dar nas bolinhas. O resto é a comitiva ou os organizadores que atendem.

Além disso tudo, emocionalmente também ficou mais fácil, em inúmeros aspectos, ficar no circuito anos a mais do que era o padrão. Hoje os tenistas podem conversar com membros de suas famílias, namoradas, casos, agentes, banqueiros, técnicos etc por Skype/Facetime etc. O cara viaja, mas segue próximo de casa. Tem cara que pede o jantar no quarto do hotel, coloca o Ipad na sua frente, com a imagem da família jantando no outro lado do mundo com o Ipad na mesa. Pode parecer maluco – e é – mas tudo isso faz uma enorme diferença na mente e coração do atleta. Nao muito tempo atrás o tenista ligava, quando muito, uma vez por semana para casa, sendo o padrão uma vez a cada duas ou três semanas. Poucos anos atrás eu entrava no lobby do hotel pouco antes da hora do jantar, onde existia free wi-fi, e quase todos estavam lá com seus headphones e computadores falando “sozinhos”. Hoje já ficam no quarto, já que agora é padrão os hotéis oferecerem free wi-fi nos quartos. Tudo isso tem feito a vida do tenista mais fácil, permitindo e incentivando carreiras mais longas e prosperas, o que, novamente, se constitui em uma forte barreira para os mais novos. Nos últimos 10 anos somente um jovem surpreendeu e venceu um Slam – Del Potro, em New York, às vésperas de completar 21 anos. No resto das vezes, foram somente os Fab4, Wawrinka aos 28 anos e Cilic aos 26 anos. É um muito pouco para reciclar campeões.

 

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quarta-feira, 10 de junho de 2015 Curtinhas | 13:40

Sumido

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Quero tranquilizar todos meus leitores por conta de minha ausência destas páginas. Estou em viagem e sem acesso à internet e por conta disso longe do Blog, apesar do momento da temporada. Em breve voltarei a publicar quando colocarei minhas opinioes sobre o recém terminado Roland Garros, assim como o Wimbledon que vem por aí.

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sábado, 30 de maio de 2015 Porque o Tênis., Roland Garros, Sem categoria | 10:54

O manézinho de Paris

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Gustavo Kuerten está em Paris, para variar, sempre voltamos aonde nos tratam bem, para celebrar, oficialmente, os 15 anos de quando se tornou o primeiro do ranking mundial. No fundo criou uma boa oportunidade de lançar seu livro no mercado francês. E nenhum lugar melhor para fazê-lo do que em Roland Garros. E como se deve aproveitar as oportunidades, Gustavo vai entregar o prêmio para o campeão do torneio, enquanto Martina Navratilova entregará às mulheres finalistas.

Ontem à noite a FFT fez uma pequena e concorrida recepção à Guga no Le Club, um local onde o presidente da FFT recebe seus convidados. Teve imprensa brasileira, tenistas e ex tenistas, dirigentes, tudo em pequena e escolhida dose. Teve até quatro rapazes de branco cantando uns gostosos sambinhas. E alguns exemplares do livro do tenista colocados sobre as mesas.

Assim que entrou Gustavo, em ótimos espíritos, parou para conversar. Tivemos alguns minutos a sós antes de ele se entregar aos abraços de todos que o aguardavam. a conversa, depois de algumas amenidades e bobagens, caiu sobre o assunto do porquê da empatia entre ele e o público francês. O assunto surgiu após falarmos sobre a incrível vitória de Monfils sobre Cuevas, quando este teve 4-1 no quinto set e o francês, incentivado fortemente pela torcida, virou o jogo.

Gustavo estava um tanto filosofo a respeito. Disse que não tinha uma razão definitiva sobre o assunto, apesar de que tinha certeza que ela existia. Conjeturou hipóteses, sem se comprometer com uma. O que tinha claro é que chegou a um ponto da história que sabia que essa empatia lhe dava forças em quadra e isso fazia uma diferenç. Sem dizer que fazia isso consciente, disse que sabia que algumas coisas que fazia estreitava essa relação, o que acabou sendo crucial em sua carreira e história pessoal, algo que sua presença em Paris confirma.

perguntei se ele tinha em mente quando foi que sentiu que “ganhou” o público de vez. Ele hesitou e disse não ter certeza, abrindo a porta para minha sugestão. Para mim, e muitos, ele ganhou o coração dos franceses quando, como uma jovem zebra, com uniforme que mais parecia uma bandeira, e que lhe foi “sugerido” pela organização que o trocasse para a final, o que foi ignorado, ele, ao ser chamado para receber seu prêmio, das mãos de Björn Borg e Guilhermos Villas, ele subiu alguns degraus do podium, onde era esperado, e fez a famosa flexão com a cabeça e torso, como os súditos faziam aos reis. Ali os franceses descobriram que aquele campeão trazia para a quadra, ao mesmo tempo, uma ferrenha determinação de vencer, aliada a uma humilde simpatia, características um tanto raras dentro das quadras de tênis. Sua ações em Roland Garros só foram, com o tempo, confirmando ambas, até então talvez contrastantes, e a partir de Kuerten uma tradição. Os dividendos de tal relação pingam até hoje e, com certeza, por tempos que virã.

 

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sexta-feira, 29 de maio de 2015 Roland Garros, Sem categoria, Tênis Feminino | 09:25

Uma sexta feira

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estou assistindo na quadra central a partida entre Alice corneta e lucic-baroni. Jogão! Nenhuma das duas é favorita ao título. Nenhuma das duas super estrela ou tem título de GS. Nenhuma delas é top ten. mas o que as meninas estão dando na bolinha é uma grandeza. Além disso, emociona em ver o que as duas estão se entregando à batalha. Lutam como se não tivesse amanhã. Sem falar da coragem. Ambas jogando no limite, sem medo de errar é sem receio de fazer o que é preciso. Uma tributo ao tênis feminino.

No passado não pensava que Alize tivesse dentro dela o necessário. Ela fazia o estilo periguei, com o narizinha arrebitado. Mas já faz uns dois ou três anos que vem crescendo, mesmo dentro de suas limitações. Além disso, se hoje tem uma carreira é porque tem um coração bem grande.

lucic apareceu mais do que dez anos atrás como uma juvenil que seria a próxima cachorrinha do circuito. Mas tinha um daqueles país infernais e acabou se afastando das quadras, cedendo à horrível pressão. Poucos anos atrás voltou à carreira, sem nunca atingir o brilho prometido. Mas tem golpes sólidos e dá na bola com uma força que não deve à ninguém é um desprendimento que beira a irresponsabilidade. As bolas só entram o que entram pela técnica apurada.

a partida foi decidida na bacia das almas 4/6 6/3 7/5 oferecendo todos os componentes necessários à um grande espetáculo, da qualidade tecnica ao drama de uma batalha sem um favorito até a última bola. O tênis feminino mudou e pra muito melhor.

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