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sexta-feira, 22 de agosto de 2014 Aberto da Austrália, Juvenis, Roger Federer, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 14:17

A casa caiu

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Às portas do US Open dois fatos distantes, e ao mesmo tempo próximos, me chamaram a atenção. Em 2010 Roger Federer venceu o Aberto da Austrália, o que nao chega a ser uma surpresa. A surpresa foi a vitória, no mesmo torneio, na categoria juvenil masculino, do brasileiro Thiago Fernandes. Causou o maior rebú por aqui, conseguindo páginas inteiras de jornais e destaque no Jornal Nacional, algo que Federer nao conseguiu.

No fim de semana passado, Roger Federer venceu, aos 33 anos de idade, idade quando muitos já pensam em trocar os tênis pelas sandálias, um Masters1000, o que, considerando a competiçao e a idade, há que se considerar um belo feito. Isso se reinventando na parte tática, assim como sobrando na parte física, um quesito de suma importância no tênis atual.

Enquanto isso, circulava a informaçao que Fernandes decidira abandonar a carreira, que mal começara, e voltar para os estudos. Isso após uma séria contusão pubiana que o afastou das quadras um bom tempo, o que pode apontar para uma carência tanto no preparo físico como na recuperaçao, e após perder a confiança por conta de muitas frustrações. A decisao, aos 21 anos, trata-se da maior desapontamento que o tênis brasileiro conheceu nos últimos tempos. De enorme esperança do tênis para mais um estudante de engenharia – e nao vejo absolutamente nada de errado com estudar engenharia.

Se a carreira de Federer tem sido vitoriosa e longa é graças ao seu talento e, entre outras coisas, a disciplina estóica e, nao se iludam, a uma longa série de decisões corretas. Por outro lado, inevitavelmente, o fracasso de Thiago aponta para a direçao inversa.

Se até os 17 anos, idade onde ainda fala alto o talento individual, Thiago vislumbrava um futuro de sucesso, o abandono precoce da carreira transparece um malogro no planejamento macro da carreira, assim como nos detalhes da preparações física, psicológica. É óbvio que à distância nao é possível ou apropriado, fazer avaliaçoes ou apontar dedos – sao tantas as variáveis -, mas alguma coisa naufragou terrivelmente, após a conquista na Austrália, já que Thiago nunca mais voltou a nos impressionar após aquele momento dourado.

Thiago esteve um bom tempo sob a tutela do experiente Larri Passos, conhecido por sua intransigência em mais de uma questao, passou pelas solidárias maos de Marcos Barbosa, que o acompanhava em Melbourne ainda como assistente de Passos e, já bem próximo ao fim, pelos cuidados de Marcos Daniel, com quem fez a derradeira tentativa de salvar a carreira.

Infelizmente alguma coisa se perdeu no tempo, o que prova que o caminho do sucesso no tênis profissional é bem mais complexo do que se imagina. Este exigente esporte individual nao perdoa muitas coisas, como esportes coletivos às vezes perdoam. Nestes, pequenos, e mesmo grandes, erros ou fracassos podem ser camuflados por detrás das paredes e acomodaçoes de um time. Até mesmo um afastamento temporário, quando um time se mantêm, enquanto o indivíduo se recupera, física ou mentalmente, voltando e se encaixando no coletivo no momento certo e oportuno. No esporte individual, em especial o tênis, esse hiato pode trazer danos irreparáveis à confiança e auto estima do indivíduo, que sao determinantes no esporte onde nao se pode esconder debaixo das saias de ninguém. E se ele nao tiver dentro de si, e ao seu redor, uma força muito grande para lhe sustentar, a casa cai.

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segunda-feira, 18 de agosto de 2014 Copa Davis, Masters 1000, Rafael Nadal, Tênis Brasileiro, US Open | 12:06

Ausente em Nova York

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Sombreando o feito de Roger Federer em Cincinnati, Rafa Nadal divulgou hoje, logo na primeira hora, que nao jogará o US Open. Mais uma vez o espanhol sofre com suas contusoes, originadas pelo seu estilo de tênis, onde a brutalidade, a intensidade, a entrega, a falta de fluidez exigem de seu corpo algo que mesmo o Animal nao está preparado para dar.

Desta vez nao foram seus joelhos, as juntas que primeiro cedem por conta de sua principal característica, e sim o punho direito. Nao o esquerdo, mas o direito, aquele que usa para complementar o golpe de backhand. O problema apareceu semanas atrás, quando ele abandonou todos os torneios preparatórios para o US Open. Mas deixando a porta aberta, Rafa vinha postando fotos de seus treinamentos até a semana passada.

É um tanto estranho. Se vinha treinando é porque estava liberado. Talvez tenha decidido que das duas uma: o pulso nao resistiria ao esforço de uma quinzena extremamente exigente ou nao teria tempo de estar em condiçoes técnicas e/ou físicas que seu padrao de qualidade exige. De qualquer maneira, qualquer que fosse a razao me parece correta, já que um tenista nao deve entrar em quadra para competir sem suas condiçoes ideais, especialmente um tenista como Nadal em um torneio como o US Open.

Rafa e seu pessoal sabe as as mais imediatas consequencias desse abandono. Ele perde 2000 pontos no ranking, já que nao defenderá seu título, o que por si já é uma depressao. Isso em um momento em que seu arqui rival chegará a Nova York com a pior das intençoes, vendo ali uma das suas ultimas chances de aumentar o hiato entre ambos em títulos de Grand Slams. Sua ausencia nao dá ao suíco a 2a colocaçao no ranking de bandeja. Federer terá que brigar por isso nas quadras já que ainda existirao 1180 pontos de diferença entre ambos.

Para os brasileiros aumenta a duvida que nao quer calar. Será que Rafa Nadal virá a Sao Paulo jogar a Copa Davis, que acontece na semana seguinte ao torneio de Nova York? Façam suas apostas.

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segunda-feira, 11 de agosto de 2014 Masters 1000, Novak Djokovic, Roger Federer, US Open | 12:53

Quinzena recheada

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Quinzena recheada de tênis, com dois grandes eventos, feminino e masculina, seguidos. Após a passagem pelo Canadá a festa segue para Cincinnati, local do torneio mais antigo dos EUA jogado em sua cidade original. Começou em 1899, quando as raquetes eram pouco mais do que um tacape, homens e mulheres usavam calças e vestidos longos e o golpe padrao, dos dois lados, era o slice salame. O piso original era uma derivaçao das quadras de terra e o local original hoje é uma universidade. O piso mudou algumas vezes e o local muitas; sempre na cidade. Chegou a ser propriedade da ATP, quando estava no perigo, e sobreviveu graças aos esforços de um abnegado, Paul Flory, falecido em 2013. Agora é propriedade da USTA, federaçao americana de tênis.

Três brasileiros já se deram bem por lá. Gustavo Kuerten ganhou as simples em 2001, batendo Rafter na final, em jogo estranhissimo, e Carlos Kirmayr e Cassio Motta foram vices de duplas em 1983, época em que os cachorroes jogavam simples e duplas.

Hoje, com os cachorroes ficando quase que só nas simples, os irmaos Bryan vao tentar vencer o 99o torneio de suas carreiras. E podem apostar que vao tentar ao máximo, o que pode ser mais um estorvo pela pressao, porque adorariam chegar a New York com a possibilidade de lá ganhar o 100o. Imaginem o que eles nao iriam agitar na Big Apple – esse pessoal das duplas sao marketeiros nas “úrtima”, até pela necessidade.

Mas serao os dois primeiros favoritos – Djoko e Federer – que estarao nos cabeçalhos da semana, por razoes bem compreensíveis. O servio nunca ganhou em Cincinnati – perdeu em quatro finais – e completaria o Slam dos Masters1000 com o título. Nao existe outro tenista no circuito com essa conquista – um feito e tanto.

O Boniton, que já ganhou cinco vezes vezes por lá, imaginem seu olhar de desprezo no vestiário, deve chegar à sua 300a vitória em Masters1000, já na 1a rodada, feito único também no circuito.

Murray, que já ganhou duas vezes é outro que deve ter bons sonhos com Cincinnati. Faz tempo que o escocês busca um bom resultado. Tsonga chega confiante após socar geral em Toronto – mas esperar duas conquistas seguidas do francês é esperar demais.

Tsonga passou por cima de todos no Canadá; Djoko, Murray, Dimitrov e Federer. Tá bom ou querem mais? Dois compadres; Vasselin na 1a e Chardy na 2a rodada! Na final abafou Federer que, aos 33 anos, está em ótima fase técnica e física, mas continua pecando no quesito tática. Precisando vencer o TB para ir à negra, o suíço saca no 3×3 e, na 1a bola, com sua direita, seu golpe de ataque, passou uma bolinha sem vergonha na direita do francês, de longe seu melhor golpe, só para levar um cascudo para deixar de ser indisciplinado. É muita bobagem na hora da onça. Nao fez mais nenhum ponto.

Os brasileiros lavaram a alma na final das duplas. Marcelo Melo continua entre a cruz e a espada com seu parceiro Ivan Dodig. O cara, um dos poucos duplistas full time que é singlista full time e excelente duplista quando está disposto, volta e meia joga uma partida bem meia boca. A final foi uma delas.

Em compensação, Bruno Soares e seu parceiro Peya estavam a 1000 por hora. Aliás, Bruno mudou seu saque e pra bem melhor. Está alavancando melhor. Com isso está mais agressivo e deixando menos espaço para ataques. Ainda mete umas duplas faltas ingratas, mas no médio e longo prazo a mudança é um grande avanço. O rapaz já tinha melhorado bem sua devoluçao de revés, uma das razoes de sua melhora técnica nos últimos dois anos. Os manos Bryans que se cuidem.

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segunda-feira, 4 de agosto de 2014 Masters 1000, Rafael Nadal, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 18:28

Um passo de cada vez.

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Os canadenses realizam um dos mais significativos Masters1000 do circuito, espelhado por um tal qual evento feminino. Sao realizados em duas cidades – Toronto e Montreal – apaziguando assim “franceses” e “ingleses”. Para melhorar ainda mais a dinâmica, homens e mulheres alternam as cidades a cada temporada.

Este ano, o masculino acontece em Toronto e os fas locais estao correndo às bilheterias com disposição ímpar. Isso porque, pela primeira vez na história, dois canadenses se enfrentaram em uma final de torneio da ATP – em Washington e exatamente na semana passada. Melhor timing nao haveria.

Milos Raonic vem batendo pelas traves do circuito a pouco mais de uma temporada – acho que tudo tem seu tempo. Agora o rapaz, de origem iugoslava, já é o #6 do ranking. Para vocês verem o que um grande serviço pode oferecer a uma carreira.

Seu oponente foi Vasek Pospsil (#27), um grande talento de origem tcheca, ainda em busca do eterno fugidio equilíbrio. Os dois nasceram no mesmo ano (1990), sendo Vasek poucos meses mais velho. Algo que a personalidade em quadra nao espelha.

Raonic está um bom passo à frente – emocionalmente, estratégicamente e, consequentemente, técnicamente de seu conterrâneio.

Um sinal disso, à parte do ranking e a vitória na final, foi sua declaraçao, consciente, de quem sabe que no circuito é necessário assumir riscos calculados e, o principal, fazerem eles funcionarem.

Milos declarou que enquanto jogava e focava em vencer o Torneio de Washington, evento que teve Berdish, Nishokori, Gasquet, Isner entre outros, ele mantinha um olho bem aberto na semana seguinte. Nao só porque seria um Masters1000, mas por ser em casa. E tenista que vale seus calçoes sabe da importância de jogar muuuito bem em casa. E sabe, melhor ainda, ama, a pressao que isso traz.

Por isso tentou minimizar o dispêndio de energia, conseguindo vencer o evento sem perder um set. Ele venceu 52 dos 53 games de serviço e salvou 7 dos 8 break pointos que teve que encarar. Isso é ter consciência estratégica e saber coloca-la em prática. Tênis é bem mais do que dar na bolinha.

Agora vamos ver como ele lida com o fator “jogar em casa”, em torneio que todos os cachorroes – menos El Rafa que ainda esá contundido e é duvida até para o US Open – estarao presentes. Um passo de cada vez.

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segunda-feira, 28 de julho de 2014 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 23:08

Das duas..

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Vi os resultados do Torneio de Kitzbuhl e fiquei surpreso – nao tao surpreso. Surpreso com o resultado da partida entre uma das estrelas da nova geraçao, o austríaco Dominic Thiem, e o brasileiro Joao “Feijao” Souza. O austríaco levou por 7/6 3/6 7/5. Ou seja, Feijao jogou de igual para igual com o cabeça 5 do torneio e um dos maiores talentos emergente e a partida foi decidida na bacia das almas.

O brasileiro veio do qualy, onde bateu, na 1a rodada, o jovem italiano Gianluizi Quinzi, vencedor do evento juvenil do ano passado em Roland Garros. Passou as três rodadas do qualy e bateu de frente com Thiem. Nao assisti o jogo, por isso só posso comentar o resultado. Das duas, uma.

Ou a Thiem, um jovem de apenas 18 anos, já #50 do mundo, sentiu uma ponta de responsabilidade por jogar em casa, como um dos favoritos do torneio,  pegando na 1a rodada um tenista com pegada forte e por isso deu uma encolhida, ou o Feijao deu uma bela melhorada. Na torcida eu fico com a segunda hipótese. É mais otimista.

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quinta-feira, 24 de julho de 2014 Tênis Brasileiro | 14:08

O intangível

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Sempre tive um certo fascínio pelos fatos que nao sao bem explicados. A lista de exemplos que tenho em mente é grande, mas fico com um único, que é a razao deste Post. Thomaz Bellucci está na 3a rodada do ATP Tour de Gstaad, algo a se celebrar – tanto ele, como nós. Afinal faz um tempinho que o rapaz nao progredia assim na chave.

O fato é que Thomaz venceu três títulos em sua carreira. Dois deles em Gstaad – o outro em Santiago do Chile. A maneira mais lógica de explicar o sucesso na Suíça seria pela altitude, 1000m, de Gstaad, uma charmosérima vila nos alpes. Santiago fica a pouco mais da metade disso.

Nessa altitude Bellucci consegue o melhor de seus cenários. A altitude beneficia seu saque, um dos melhores do circuito, se considerarmos a força, colocaçao e os efeitos que a vantagem de ser canhoto oferece. A altitude também beneficia seus golpes, que sao ao mesmo tempo fortes e com spin, o que os segura na quadra. Além disso, o ajuda no fato de nao ser o mais rápido tenista e que se beneficia de pontos nao tao longos. Tudo isso regado a uma ótima dose de saibro vermelho, algo que dá um tremendo conforto emocional ao nosso tenista. Um casamento de variáveis que Bellucci utiliza e se beneficia, mesmo sem saber porque.

Tenho minhas duvidas que só isso – ou tudo isso – explique seu sucesso por lá. Especialmente considerando a ausência do mesmo sucesso em outras paragens.

O que acredito é que após vencer Gstaad pela primeira vez, Thomaz abriu em sua mente um altar de confiança alimentada pelas maravilhosas paragens da cidadezinha, que faz com que ele acredite – componente importantíssimo no arsenal de um tenista – e consiga elevar seu padrao a cada vez que por lá chega.

Será que só o fator altitude explica? Creio que nem ele acredite nisso, já que só jogou uma única vez em Kitzbuhl (750m), quando perdeu na 1a rodada.

De qualquer maneira lá está Bellucci derrotando seu adversários novamente – e novamente em Gstaad. O próximo é o argentino Juan Monaco, um tenista que experimentou o gosto do sucesso e nao soube lidar bem com ele. Tudo a postos para termos Bellucci em mais uma semifinal. E, se querem saber, nao vejo ninguém na chave que o brasileiro nao possa bater nas condiçoes apresentadas. Que aproveite o intangível.

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segunda-feira, 14 de julho de 2014 História | 20:03

A Copa acabou

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Veio a Copa e fechei para balanço. Nas minhas contas dificilmente vou ver outra no Brasil e quis aproveitar ao máximo. Fui a estádio, grudei na TV e assisti a todos os jogos – por pior que fosse, o que nao existiu. Curti todos. E se fica um vazio nao é porque nao ganhamos e sim porque acabou e foi um festao com gosto de quero mais.

Por sorte o Brasil entrou no circuito de grandes eventos antes que eu passasse desta para melhor. Algo me ficou claro. As pessoas nao tinha, antes da Copa, idéia da magnitude do evento – nao esperavam pelo o que veio. E o que veio foi um tremendo evento que o Brasil inteiro curtiu, deixando-nos alegremente surpresos.

Andei de trem, de metrô, a pé, assisti em casa, na de amigos, no clube. Comprei ingressos para o que pude e consegui e, lógico, senti que ficou faltando. Assim mesmo esteve de ótimo tamanho. Assistir pela TV é um conforto enorme e o padrao das transmissoes, pelo menos as imagens, em HD, nos colocam no melhor assento do estádio. Os comentários a que ficamos sujeitos, entram na coluna do que se tem que engolir, apesar de algumas narraçoes terem sido legais. Na TV só fica faltando o que em uma Copa do Mundo nao tem preço; o ambiente, a festa, a emoçao de dividir o espaço, nas ruas e nos estádios, com gente de todo o mundo, com cultura, gostos e línguas diferentes e o futebol proporcionando a catarse.

Para nao colocar tudo e todos na mesma vala televisiva, adorei a narraçao do Milton Leite, a postura do Falcao em seu espaço na Fox e o ótimo programa “Os Campeoes” na SporTv – o único que acompanhei sempre que possível. Além dos capitaes campeões, o que justificou minha audiência, teve o jornalista Andre Rizek levando a coisa com categoria e elegância, o que falta a muito personagem que tem cadeira cativa em TV. É outra coisa ouvir quem entende do assunto. Porque bobagem com autoridade fala os torcedores; nao é necessário nos punir com um monte de “entendidos” que nunca fizeram parte de um time de futebol nos dizendo como se forma ou nao um time, criticando ou elogiando de acordo com seus parcos, quando nao inexistentes, conhecimentos. Pior é quando os boleiros entram na dança, achando que tem a obrigaçao de criticar a cada intervençao ou começar cada uma delas repetindo o que o “Galvao” local afirmou – serás que é medo de perder a boquinha? Desses poucos se salvaram – e o que mais gostei foi o Batista, nas raras vezes que esteve presente na SporTV. O cara tem personalidade e voz própria.

Adorei ver os times jogando para a frente, agredindo e nao respeitando os medalhoes, talvez o melhor aspecto técnico/tático da Copa. Especialmente na primeira fase. Porque na segunda fase, como esperado, todos se trancaram como se vivessem vizinhos à favelas e os gols amuaram. Mas nao as emoçoes, o que, pra mim, é o que conta no futebol. Até porque no fatídico jogo do Brasil contra a Alemanha tivemos oito gols e zero de emoçao. A nao ser que vergonha e náuseas seja o que se busca.

Eu tinha meus receios quanto ao nosso time desde antes da Copa. Faltavam craques. Faltava time. Pricipalmente faltava liderança e quilometragem. Mas o pior mesmo era a fanfarronice marketeira a que, mais uma vez, os jogadores se sujeitavam na ânsia da grana e da fama, como se o que tivessem nesses quesitos fosse pouco. Era cada um por si e por quem pagasse mais. Ninguém ali teve a idéia de fazer o que fizeram os alemaes e bolar um projeto que unisse O Time à torcida em torno de uma meta que por si já era temerosa – a de ganhar jogando em casa. Quem tiver memória ou conhecimento da história que se referisse à 1950 e à nossa falta de traquejo em jogar em casa como favoritos e salvadores da pátria. Um bando de vaidosos e auto suficientes com suas mensagens marketeiras, auto elogiosas, falsas modéstias, pseudo religiosas, recheadas com frases da linha mais rasa e barata da auto ajuda.

Com o passar dos jogos as minhas dúvidas sobre o estofo emocional do time aumentavam. Conversava com amigos de como reagiria o time na hora da onça beber água – e usava o rei do marketing barato, o cabeleira David Luiz, como símbolo do que pensava. “Esse cara ainda vai entregar a rapadura” eu dizia para a discordância de muitos. O pior é que entregou, junto com boa parte do time, em uma pane, mais um pânico, tao rápida quanto inesperado. Sua participação contra a Alemanha foi trágica, egoísta e patética. Se o Barbosa foi massacrado pelo resto da vida por um único gol, só espero que tenhamos crescido como naçao, nao mais aceitando uma imposiçao rodriguiana e barata que somos uma naçao de vira-latas, e que a tragédia de BH nao faça maiores danos a esses atletas, que nao merecem mais do que um severo puxao de orelhas, que é a dimensao correta de uma derrota esportiva.

Muito se falou de Fred, como se ele fosse o símbolo da tragédia que se anunciava. Na minha cabeça a insistência era fruto da falta de conhecimento do jogo. No esquema do Felipao, até esta Copa endeusado por aqui, um centro avante era um poste que só se movia para dar espaço para aquele em torno do qual o ataque do time era montado – Neymar, o dono do time e o real artilheiro e decididor do time. Um erro que nem os argentinos, que tinham Messi, cometeram. Ali todos recebiam a bola. No nosso time só Neymar. Mas o pior era que nao tinha quem passasse essa bola no nosso meio de campo. Para mim Felipao se suicidou taticamente ao escalar o Ramires como atacante, um rodo na defesa e um perna de pau no ataque. Imagino que até Neymar tenha ficado com saudades de seu companheiro e poste-mór Ganso. Se centro avante estilo Fred nao recebe bola na grande área nao joga. E se ele nao jogou é porque o esquema era totalmente falho para justificar sua presença.

Antes da Copa, se me perguntassem, a minha torcida era pelo Brasil e o resto era o resto. A cada jogo a gente vai abraçando esse ou aquele time, mas sempre com uma torcida maior e condescedente pelas zebras e pelos times sul americanos. Como os argentinos eram também favoritos, e rivais, eu os tinha como um segundo time para se torcer. No pior cenário se, como infelizmente aconteceu, nos déssemos mal antes da hora. Mas eu mirava era o cenário ideal; Brasil e Argentina na final como o Maracana lotado e a vitória, por supuesto, nossa. Infelizmente os argentinos fizeram um esforço enorme em perder nossa torcida. Nem todos, até porque cruzei com muitos pelos caminhos da Copa que eram da mais nobre linhagem dos torcedores. Mas lá, como cá, tem os ignorantes que se nao sao maioria fazem questao de agir como se fossem. Como magistralmente salientou o técnico Sabella, “os argentinos tendem a se crer melhores do que realmente sao. Isso às vezes é bom, às vezes é ruim”. Por aqui foi ruim.

Se tivessem um décimo do marketing positivo que a Alemanha teve, teriam sido recebidos como irmaos e, quiçá, herdado nossa torcida. Preferiram atravessar a fronteira para nos afrontar. Já que sao os reis nos hinos nos estádio, podiam ter criado um para nos cativar, já que os recebíamos em nossa casa. Preferiram a velha e conhecida soberba e a velha e conhecida auto estima sofrida de se comparar a nós, sempre se achando e nao sendo. Seu hino favorito, que cansaram de cantar por aqui, acabou com minha vontade de torcer por eles e me fizeram, a que ponto chegamos, torcer pela Alemanha. Que curtam sua enorme fossa pelos mais de 2.500 km que separam o Rio de Janeiro e Buenos Aires. Sei que é pouco para o que queríamos, mas ficamos com o gostinho de ter oferecido ao mundo a Copa dos sonhos. Nao a dos políticos, mas a do povo que sabe receber e oferecer.

 

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terça-feira, 8 de julho de 2014 Juvenis, Olimpíadas, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino, Wimbledon | 13:56

Luz

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Nao pode passar em branco o fato de dois brasileiros terem conquistado o torneio de duplas masculinas juvenis em Wimbledon. Orlando Luz e Marcelo Zormann caíram quase que de para-quedas nas quadras de grama, já que a experiência de ambos no piso era praticamente nula – o que se só dá mais lustre à conquista de ambos. Isso sem contar que, se nao é a primeira vez que jogam juntos, no mínimo nao sao parceiros normalmente, já que o parceiro padrao de Marcelo é o Rafael Matos. Mas como ambos haviam sido convocados para jogar as Olimpíadas Junior na China, acharam uma boa idéia treinar antes. Bota boa idéia nisso.

Para quem nunca teve que enfrentar a transiçao do saibro, ou mesmo da quadra dura, para a grama, fica difícil avaliar a dificuldade da tarefa. Um bom resultado já seria um ótimo resultado. Vencer fica sem um adjetivo apropriado.

Na minha cabeça a conquista deixa um outro detalhe mais claro. Já que sabemos que nao eram a dupla mais entrosada do evento, temos que creditar a qualidade individual de ambos. Marcelo é um tenista mais agressivo, enquanto que Orlando é mais sólido. Mas o que fica mesmo é que temos duas jóias no juvenis, já que foram suas qualidades individuais que possibilitaram o feito em Londres, algo que oferece uma necessária e bem vinda luz ao nosso tênis.

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Marcelo Zormann e Orlando Luz com o troféu de Wimbledon.

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segunda-feira, 7 de julho de 2014 Novak Djokovic, Wimbledon | 15:41

Na final, um lanchinho

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Novak Djokovic vinha morrendo nas praias dos Grand Slams desde o Aberto da Austrália em Janeiro de 2013. Pouco para um tenista de sua qualidade, de quem passamos a esperar mais desde a sua incrível temporada em 2011 e que agora volta ao topo do ranking. A vitória em Wimbledon deve lhe dar a confiança necessária para almejar ainda maiores vôos, inclusive no próximo GS, o US Open, onde tem um único título, quando bateu Federer em memorável semifinal, em 2011, que teve entao dois match points e nao conseguiu cacifar.

Quem diria que Djokovic entraria na cabeça do maior do mundo? Pois é, entrou e anda brincando com ela. Com um apertado H2H de 18×17 para o suíço, pode-se afirmar que nao é de hoje que a rivalidade de ambos mudou muito de quando chegou a ser 6×1 para o El Bonitao. Pior, nas três ultimas finais o sérvio saiu vencedor. É um a um longo caminho de respeito do dia em que o gentleman suíço mandou os pais do sérvio calarem a boca durante uma partida entre ambos.

A final foi interessante e emocionante como poucas. Quase 5 horas de confronto entre dois tenistas de características e momentos distintos. Assisti praticamente toda, mais do que nada porque acreditava estar assistindo história, já que nao vejo Federer vencendo muitos GS, se é que algum, daqui para frente. Pois é, ontem ele chegou perto, muito perto. E nao levou porque apesar de ser o maior ganhador da história dos GS demonstrou que é suscetível a uma tremida como qualquer outro tenista. Sim, eu tremo, você treme e ele tremeu no final do quinto set, onde, como afirmava o alemao treinador do Novak, o jogo é mais emocional do que técnico.

Convenhamos, o jogo todo foi interessante, mas o quarto e o quinto foram um abuso. Esses sets foram emocionante, pela alternância de possibilidades, de serviços quebrados e de tremidas. Sim, Novak também tremeu, no 4o set. Sim, nós trememos, vós tremeis e eles tremeram. Quem tremeu menos, of course, levou. A coisa emocional foi tao séria que nao houve reaçao de Djoko após o ultimo ponto – tipo cair de joelhos, apontar aos céus, berrar aos deuses etc. Comemoraçao só após o aperto de maos. Talvez se deve ao respeito que Novak ainda tem pelo GOAT. Talvez o servio ainda se recuperasse do susto que passou.

Afinal o rapaz teve 5×2 no 4o set e 2×1 em sets. Estava no bolso. E deixou escapar. Em um dos MP Roger Federer deve ter agradecido aos céus ter perdido a discussao da utilizaçao do desafio – o Topetudo era contra o uso do programa, afirmando que nao era uma boa idéia. Ficou melhor após alguns desafios a seu favor, incluindo um no match point contra, quando teve um ace cantado fora que o “olho de gaviao” reverteu. O placar era de 2×5 naquele momento. O servio pirou, momentaneamente, e perdeu cinco games seguidos, enquanto Federer se enchia de confiança.

No início do quinto tudo indicava que Roger conquistaria se oitavo Wimbledom e 18 GS. Era uma situaçao muito difícil para o sérvio após ver a vitória escapar por seus dedos no 4o set. Ele até deixou alguns de seus conhecidos demônios entrarem, mas no final teve a maozinha do oponente.

O set foi estranho, para se dizer mínimo. Até o ultimo game tudo indicava uma vitória de Federer. Ele fechou dois games seguidos em 40×0 enquanto Novak insistia na estratégia do atendimento médico e consequente retardamento do jogo. O servio penava para ganhar seu serviço enquanto que o outro navegava. Federer chegou a ter um BP no 3×3, o que, naquela altura, espelhava um MP. Mas Novak encontrou a coragem para acelerar uma direita cruzada que cauiu no cal.

Até a hora da onça beber água. No 3×4 Federer começa a pensar e engasgar. Tem dois BP contra que salva com milagres. Um deles com um voleio bate pronto digno de Carlos Kirmayr. Outro uma bola de Djoko bate na fita e fica.

Djoko mantem o serviço com facilidade e, no 4×5, para minha total surpresa, Federer desmonta emocionalmente. Perde o serviço em 15×40 em um game que nao serviu as expectativas do resto da partida, uma das grandes finais de Wimbledon. Djoko nao só nao morre na praia, como conquista seu sétimo título de Grand Slams e, com muita categoria, primeiro cumprimenta seu adversário para depois agradecer aos céus e, mais uma vez, caindo de joelhos, fazer um lanchinho à base de grama.

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sábado, 5 de julho de 2014 Novak Djokovic, Roger Federer, Wimbledon | 22:39

Final de Wimbledon imperdível.

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Para aqueles que amam o Tênis nao percam amanha, a partir das 10h da manha, a possível ultima chance de Roger, El Topete, Federer de conquistar um título de Grand Slam. Isso porque acho muito difícil que o suíço, que faz 33 anos em Agosto, consiga tal feito em torneios de quadras duras – nao vou nem falar do saibro. As duras sao bem mais exigentes no físico, algo que, como nao podia deixar de ser, o rapaz tem cada dia menos. Lá o bicho pega bem mais a cada partida, além de ser bem mais difícil de conseguir os resultados que conseguiu na grama de Wimbledon nesta ultima quinzena.

Na grama o desgaste nas duas semanas é bem menor, o que aumenta suas chances comparativamente. Eu até diria que se vencer em Londres suas chances aumentam em New York, mas acho beeem difícil. A maior preocupaçao física do rapaz sao as dores nas costas, que o tapete de grama ameniza barbaridades e as duras punem.

Pode-se comprovar esse raciocínio com a preocupaçao do rapaz em passar o tempo mínimo em quadra, evitando suas famosas “viajadas”. A única partida em que ficou mais de três sets em quadra foi contra seu colega Stan, onde jogou 4 sets. O resto foi rapidinho. Isso fez com que chegasse à final fresquinho e nas pontas dos cascos, uma exigencia para quem enfrenta Djokovic em finais de GS, já que o sérvio é sempre o melhor físico em quadra.

Só para completar, os números que importam. Roger tem a vantagem de 18 x16 vitórias. Em Wimbledon jogaram uma única vez!, nas semis de 2012, com vitória do suíço em 4 sets.

Nao que Roger Federer seja o favorito, a situaçao é equilibrada com ambos tendo vantagens e desvantagens, mas será muito interessante ver esse conflito, nesse palco, nessas circunstâncias. Aliás, imperdível.

 

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