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quarta-feira, 26 de novembro de 2014 Copa Davis, Roger Federer, Tênis Masculino | 00:34

De A a Z

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O que me impressionou na final da Copa Davis? Bem, sempre sou impressionado na Davis e pouca coisa me impressiona atualmente.

Nao vou me estender na lambança que os franceses fizeram com seu time, nem vou crucificar Arnauld Clement, o capitao que está sendo chamado de vários nomes em um francês que nao honraria Proust.

Das duas uma, dizem. Ou ele pecou porque colocou um Tsonga sem condiçoes de jogo no primeiro dia – ele estaria com dores de(no) cotovelo desde o começo da semana – e isso quer dizer que na 5a feira, quando escolheu os jogadores ele sabia e arriscou. E arriscou deixando a dupla campea de Roland Garros – o mesmo piso da final – manca.

Se nao pecou nem arriscou, marcou em colocar suas fichas em Gasquet, um tenista sem vibraçao e sem perfil para Copa Davis, como já dizia Forget, o ex capitao, que preferia a Mona Lisa do que ele em quadra. Aliás, a dupla titular do Clement era para ser o Tsonga e o Gasquet, e nao o Benneteau e mais um. Bem, os franceses tiveram suas chances jogando em casa e jogaram fora. Na verdade aprontaram uma belissima festa – para os suíços.

Alias, o Stan – o herói camuflado, mas um herói por ter colocado os suíços no caminho no 1o dia – está adorando uma confusao. Logo após a vitória deu declaraçoes polêmicas sobre como os franceses “falaram muito” antes dos jogos e, com uma risadinha, como eles encheram os próprios vestiários de champagne no Domingo de manha e tiveram que levar tudo para o vestiário suíço após a derrota. Ele foi chamado às falas por Monfils, Clement e Gasquet na festa de confraternizaçao e negócio quase acaba em porradas no banheiro – o cara tá irado!

O que mais me impressionou? Bem, nao foi o Boniton Federer jogando na 6a feira e tomando um vareio do BroMonfa, este sim com um belissimo espirito para a coisa. Após aquele chocolate os franceses devem ter começado a acreditar na Victoire! Isso até o outro afrofrances entrar em quadra e tomar uma aulinha do #2 suíço – a arma secreta helvética. Fica a dúvida cruel; Tsonga jogou sem condiçoes e piorou com a derrota? A sua ausência nas duplas foi decidida uma hora antes da partida.

Chega de lero-lero. O que mais me impressionou, e a qualquer um que goste e entenda um pouco de tênis, foi o espetáculo de Roger Federer nas duplas. Fazia tempo que em nao assistia um cara dar de macho como ele deu naquele jogo. Só nao fez chover porque o piso iria ficar ainda mais pesado do que os experts de Roland Garros aprontaram. O resto ele fez e mais um pouco. Aula!!

O cara devolveu todos os serviços no pé dos adversários. Enfiou nao sei quantas bolas no meio dos dois voleadores. Sacou com perfeiçao tática. Seu primeiro voleio – sempre crucial – deve ter deixado seu técnico Edberg com lágrimas nos olhos. Tirou uma tonelada de peso das costas do parceiro cobrindo seu lado, o meio e o do Stan. Na rede nao se posicionava perto da linha lateral de simples e sim sobre a linha central do T. “Deixa comigo, Stan my dear, que eu decido”. “Aquilo que a Mirka fez nao se faz e nossa amizade ficará marcada na história!”. Alias, alguém viu a Mirka?

O que Roger fez no Domingo, tratando o coitado do Gasquet como uma criança, é algo que ele fez durante os melhores anos de sua carreira com inúmeros adversários. O momento exigia Roger no seu melhor e ele nao deixou para depois, e muito menos deu milho pra bode como cansamos de ver nos últimos anos.

Mas foi o que fez nas duplas que ficará para sempre na minha memória. E se alguém gravou, guarde com carinho porque vale ouro. Uma aula de como se joga duplas no mais alto nível – que irmaos Bryans o que – reles amadores. Uma liçao de como se encara o próprio limite e o leva a outro patamar, de um dia para o outro, debaixo de uma terrível pressao causada pela altíssima expectativa, sua e dos conterrâneos, em um cenário hostil, do piso ao local. Aos 33 anos, o campeao, de A a Z, pode dormir em paz.

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sexta-feira, 21 de novembro de 2014 Copa Davis, Roger Federer, Roland Garros, Tênis Masculino | 20:39

França x Suíça

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Desde o começo eu escrevi que a conta nao fecha bem para Roger Federer na final da Davis. Colocando de lado o incontestável fato de que ele tem 33 anos, ter se contundido na semana anterior e mal ter treinado em um piso que sempre foi mais vulnerável, no qual nao joga desde Junho e é o que mais exige do físico, o Boniton pegou o pior cenário no sorteio. É muita coisa.

Ele foi sorteado para jogar o segundo jogo no primeiro dia. Isso quer dizer que tem o tempo mais curto de recuperaçao de todos os envolvidos, quando deveria, para ele, ser o inverso.

No Domingo ele obrigatoriamente joga a primeira partida. A partida de hoje foi mais do que nada para ele pegar ritmo. Duvido que ele tivesse realmente planos de bater Monfils. Este tem um dos melhores físicos do circuito, a quadra está lenta e o Monfa, que durante o circuito é um “brincalhao”, na Copa Davis é um bicho. Sempre vi ele crescer na competiçao – sua partida contra Nalbandian poucos anos atrás foi uma das melhores que já vi.

A dupla decide o confronto. E o homem que decide é Julien Benneteau, atual campeao de Roland Garros nas duplas, que deve escolher seu parceiro. Os franceses ficaram com receio de colocar dois duplistas e por isso Julien ficou sem seus parceiros favoritos; Vasselin, Llodra ou Mahut. Ou seja; ou vai de Gasquet, o mais provável e o que eu faria, e aí é um deus nos acuda ou vai com um dos singlistas, o que vai cansar alguem.

Será que o capitao Clement teria coragem de colocar Tsonga nas duplas e depois colocar o Gasquet contra Federer? Ou só fazer o Tsonga jogar os três dias? O fato é que os franceses têm várias opçoes e os suíços nao. Mas que as duplas decidem, decidem, especialmente para os suíços. Se perderem, ciao. Os franceses podem perder e ainda vencer o confronto.

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segunda-feira, 17 de novembro de 2014 Copa Davis, Masters, Roger Federer, Tênis Masculino | 00:43

Sensato?

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Era a final que todos queriam. A final que o Stan quase mela. Quase, a sina do Stan. Como nao colocou um primeiro saque na hora da onça beber água, o suíço numero2 morreu na praia. Contra um grande jogador todo erro tem um custo. Grandes erros, grandes custos.

Mas o jogo entre os dois conterrâneos foi tudo de bom e mais um pouco. Quem goste de tenis que aproveite. Está cada dia mais raro assistir um jogo legal entre dois tenistas com um tênis bonito. Já é difícil ter um deles em quadra, ter dois entao…

E todo mundo foi dormir pensando que assistiriam a partida mais esperada do torneio. Todos menos o Boniton, que começou a sentir dores ainda no TB e foi dormir sabendo do tamanho da encrenca.

Pelo o que disseram Federer fez a decisao pouco antes de entrar em quadra para aquecer. Mas garanto que o Murray nao estava por ali para assistir a final.

Nao importa. O importante é que o Boniton fez a decisao mais sensata. Teve um leitor que insinuou que o rapaz afinou. Delírio. O cara já jogou e ganhou partidas muito mais importantes através de mais de uma década.

O fato é que o Masters ele já ganhou cinco vezes, a Copa Davis nenhuma.

E para quem nao lembra a Suíça vai à França esta semana para a final da Davis de 2014. Esta é a ultima chance de Federer ganhar o evento e sua maior aposta da temporada. Pois é, deveria ter deixado o Stan ganhar. Nao teria se machucado, deixaria seu companheiro de equipe bem mais confiante e menos frustrado.

Mas nao deu para se conter. Agora o bicho vai pegar e os franceses devem ter aberto um Petrus em Lille para celebrar.

A final da Davis é no saibro coberto, o que já é uma quadra bem diferente. Além disso, os suíços nao jogam no saibro desde Roland Garros em Junho. Os franceses já estao por lá treinando. Se a contusao de Federer for bem leve, ele nao volta a jogar antes de 3a ou 4a feira. O que o deixaria com somente um ou dois dias de treino na tal quadra para se adaptar ao piso – beeem pouco. Além disso, o Boniton terá que jogar três dias seguidos, a nao ser que alguém vença em dois. E, para completar, Federer, melhor rankeado do que Stan, teria que fazer o primeiro jogo de domingo, enfrentando Tsonga, após ter enfrentado Monfils ou Simon, dois tremendos paparras no primeiro dia e jogado as duplas no sábado. Tudo em melhor de cinco sets. Por isso a sensatez.

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sexta-feira, 14 de novembro de 2014 Masters, Porque o Tênis., Roger Federer, Tênis Masculino | 12:35

Fio da navalha

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Até o 6/0 3/0 assisti o jogo entre o Boniton e o BIpolar com a devida distância que um joguinho sem vergonha determina. Afinal, o interessante de uma partida de tênis é a competiçao, o mano a mano, a luta de indivíduo em se sobrepor ao seu oponente. Se é para assistir um treininho inócuo entre dois cachorroes, prefiro acompanhar um pega para capar entre dois pangoes.

Por conta da semi palhaçada que o MalaMurray apresentava para seu público concentrei em minhas trivialidades no computador; o e-mail pedindo uma grana para atender os ionomanis estava mais interessante – será que em um eventual confronto com as forças bolivarianas da Venezuela eles seriam nossa primeira fronteira ou nao passariam de uma Linha Maginot, ou pior, tentariam formar um estado independente e fazer uma parceria com o Eike para a exploraçao de petróleo na Amazonia? Se isso é o que passava por minha cabeça, imaginem o quanto estava interessante a partida.

Mas no 3×0 mudou o clima. Foi o primeiro game que Murray realmente tentou defender seu saque. Provavelmente porque foi só ali que o incapaz percebeu que poderia tomar um duplo 6/0 e voltar de bicicleta para a mansao que deve dividir com a mae e a namorada. Brincalhao. Tentou, mas nao conseguiu. O Bonitao estava esperto no placar.

No 4×0 Federer passou por cima e abriu 6/0 5/0. Um burburinho silenciou o O2. O game da 0/5, no serviço do Murray, foi o único sinal de vida do escocês britânico. O game chegou a ficar 0×30 quando uma espessa nuvem de incredulidade encheu o estádio – e eu só tentando imaginar as manchetes dos impiedosos jornais britânicos no dia seguinte. Acho que foi exatamente isso que chacoalhou o animo do brincalhao-mór. Ele sacou bem, ainda defendeu o mais vergonhoso dos MP de sua carreira e acabou escapando, com um saque vencedor de um vexame inominável. Uma farsa que quase se tornou histórica.

Está todo mundo fallando que o Federer jogou barbaridades, gênio etc. Sim ele jogou muuito. Mas isso vai saltar aos olhos toda vez que ele pegar um cachorrao sem a menor vontade do outro lado da rede – vai passar o rodo. Só a briga do adversário que impede que um tenista, especialmente do calibre do suíço, deite e role.

No aperto de maos os dois trocaram algumas palavras acompanhadas de sorrisos marotos. Do tipo – “pô velho, você estava afins de me humilhar!!! Pois é, malandro, fica espero e paga um fishandchips do bom porque eu manerei no final”. O Federer brigou para meter um duplo 6/0, mas teve a cara de pau de dizer que se sentiu constrangido. Sei…

Aliás, o torneio até agora foi um fiasco. Nos primeiros quatro dias, todos os jogos decididos em dois sets – sem brigas ou emoçoes. Precisou entrar o operário Ferrer, que estava de stand-by, para mostrar como se vende uma derrota caro e com vergonha na cara.

Historicamente os tenistas nunca souberam lidar com esse formato de grupos! Este sempre ficou aquém das expectativas e sempre foi um desapontamento, tal qual esta semana – mostrando, mais uma vez, ser necessário uma mudança. Suponho que as semis sejam mais interessantes, até porque se assemelham aos torneios que eles estao acostumados. Tenista gosta de bafo no cangote, andar na lâmina da navalha, de pressao. Esse negócio de perder uma partida e ainda vencer o torneio nao entra na cabeça, ou no emocional deles. A nao ser de um Gustavo Kuerten, que renasceu das cinzas para vencer e se tornar o numero 1 em 2000. Aí nao tem como nao gostar.

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segunda-feira, 10 de novembro de 2014 Masters, Novak Djokovic, Roger Federer, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino | 16:48

O Masters em Londres

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O Masters sempre foi um evento diferenciado e interessante. Estive presente em vários, nos anos que eram disputados em N. York e Hannover. Aliás, se você nunca foi a Hannover, nao vá. A cidade é um zero à esquerda, especialmente no frio. Dá para entender porque o tal Hitler queria estender seu Lebensraum para outras paragens. Mas Nova York compensava.

Londres é uma cidade intensa e cosmopolita e a recente ocupaçao do outro lado do rio Tamisa, da qual o O2 faz parte, tornou-a ainda mais interessante. E que belíssimo local é essa arena londrina, apesar de que nao chegar aos pés do Ibirapuera, verdadeiro orgulho nacional. Ironia nao é o meu forte, fazer o que ?!

E que bicho vai sair desta ediçao do Masters? Uns esperam a confirmaçao de Novak Djokovic como El #1 do ranking. Outros esperam que Roger Federer vire o barco no apagar das luzes, algo que Gustavo Kuerten fez em 2000, em Lisboa, onde também estive. Torço mais pelo Boniton, mas acho que está mais para o Djoko – o cara está sólido e só perde a coroa se jogar abaixo de seu padrao. O que acontece.

Na minha entrevista, na CBN, mencionei que Andy Murray seria uma possível terceira via, por jogar em casa(casa??) e ter jogado bem as ultimas semanas. Eu devia estar ainda de ressaca eleitoral. Até parece que eu nao conheço o bipolar. Aquela partida com o Nishikori foi séria? Sim, o japa jogou muito bem depois de engrenar no meio do 1o set. Mas o Andy Murray ficou no vestiário e o que vimos em quadra foi seu alter ego.

O Boniton nem piscou. Deu mais uma aulinha para o canadense sacador. Aliás, figura estranha o rapaz Milos. O com esse corte de cabelo estilo reco fica ainda mais estranho. As câmeras mostraram seu pai e deu para entender de onde vieram aquelas costas curvadas. Mas saca muito o Milos. Mas com 2m de altura nao é um grande feito. Mesmo sem suar Roger venceu rapidinho.

Legal o Stan Wawrinka ter jogado bem. Gosto de seu tênis e acho que um tenista como ele vivo deixa o evento mais rico. Já que começou muito bem o ano que termine no mesmo tom, porque o que fez do Aberto da Austrália para cá nao foi no padrao que ele, e nós, esperávamos.

Quanto aos brasileiros Marcelo Melo e Bruno Soares, ambos venceram o importante jogo de estréia, o que dá confiança e conforto. Bruno e parceiro tiveram que salvar um MP no 3o set. E Marcelo, está tao confiante e melhor que na partida foi uma das primeiras vezes que vi ele assumir a responsabilidade da devoluçao no NO-AD, lembrando que esse fundamento é o ponto forte do seu parceiro. Seria um bom final de ano para o nosso tênis sem um deles vencesse o Masters, batendo o outro na final. E melhor ficará quando voltarem a jogar juntos.

 

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segunda-feira, 20 de outubro de 2014 História, Juvenis, Light, Porque o Tênis., Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 00:30

O rei dos pangas

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Como todo cara simpático, Vic era ótimo contador de histórias. Como todo bom professor de tênis, tinha ótimas histórias pra contar do seu esporte. Uma de suas favoritas era de como se apaixonou pelo tênis.

Aos 11, anos, andando por um parque em Monroe, Michigan EUA, passou pelas quadras de tênis exatamente quando abriam uma lata de bola e aquele cheiro característico da borracha e do gás que colocam na lata inebriou o ar por instantes, o bastante para enfeitiça-lo. Ficou por ali, secando os tenistas, esperando que um deles mandasse uma bolinha por cima do alambrado. Quando o gerente das quadras o pegou tentando fugir com uma delas o enquadrou: escolha, ou vai preso ou aprende a jogar! Ele afirma que escolheu a segunda alternativa e abraçou uma paixao para o resto da vida.

Nao importa muito se a história é real ou nao. Afinal, na minha juventude, pelo menos no Brasil, as bolas ainda nao vinham pressurizadas – elas vinha em caixas de papelao e embrulhadas uma a uma em papel como drops dulcora. Só nos anos stenta isso mudou. E Vic Braden, que morreu esta semana aos 85 anos, o que situa sua história em 1929, três anos depois da Penn começar, timidamente, vender as entao raras latas pressurizadas e abertas com um abridor de latas.

Pouco importa. Braden rescreveu a história do tênis americano, sendo, talvez, o maior responsável por sua popularização nos anos 70, época de ouro do tênis americano através de seus programas na tv. Foi um ótimo juvenil, ganhou uma bolsa na California State em LA, onde estudou psicologia, esteve no precursor de todos circuitos profissionais, o de Jack Kramer, onde era um dos coadjuvantes de ícones como Pancho Gonzales, Bobby Riggs, Segura Cano e Kramer entre outros. Dali foi, em 1963, tomar conta da academia que Kramer montou em Palos Verdes, onde ajudou formar, entre outros, Tracy Austin, Sampras, Davemport e outros.

Mas seu foco nunca foi a formaçao de tenistas profissionais. Gostava mesmo era de ensinar o pangaré jogar tênis. Talvez por temperamento. Nunca foi um disciplinador. Era um simpático, um gozador que acreditava que o sorriso, o carinho e, especialmente, o bom humor, eram ferramentas imprescindíveis para fazer as pessoas se apaixonarem pelo tênis.

Por isso, em 1974, abriu sua famosa academia no magnifico condomínio Coto de Caza, entre LA e San Diego, onde construiu sua casa e onde morreu. Era inteligente o bastante para saber que só sorrisos e bom humor nao lhe trariam sucesso e usou de seu conhecimento da psicologia para entender e conquistar as pessoas. Precisava de um método e assim tornou-se o precursor do ensino de biomecanica no tênis. O que hoje se ensina de biomecanica, por aqui e mundo afora, começou com ele. Só que ele colocava a pitada do humor, o que nem sempre faz parte do cardápio desse pessoal.

Sua teoria para se aprender o tênis era simples; “se voce compra um sorvete de pirulito e consegue levá-lo à boca você consegue jogar tênis. Se você levá-lo direto à testa as chances sao bem menores!”. Ele tinha cursos para cadeirantes, e até para cegos, quando ainda nao era moda nem politicamente correto. Para os cegos bolou um sistema de números para a localizaçao da altura da bola, que ele gritava para o pessoal executar o golpe.

Mas era na área de biomecanicas que ele deitou e rolou. Comprei seu livro “Teaching children the Vic Braden way” no começo dos anos oitenta para saber um pouco mais sobre essa ciência dos golpes. Seu estilo nao era entao minha praia, mas me ajudou mais de uma maneira. Enquanto Bollettieri focava nos jovens que queriam ser campeoes do mundo, e nao tinha o menor tempo para o pangao, Braden fazia da Pangalandia seu reduto e seu reino – ali era o mestre e amado pelas multidoes.

Foi dos primeiros a usar a câmera de alta velocidade e o computador para dissecar o tênis. Confesso, sem falsa modéstia, que fui o precursor do uso da câmera por aqui, nos idos de 1974, com uma câmera na mao e uma mala com um monitor acoplado na mesa na lateral da quadra.

Como todo estudioso do tênis, Braden adorava conversar sobre o assunto com qualquer um que tinha algo a dizer ou disposiçao para ouvir. Sua mulher confessa que mesmo agora tinha inúmeros projetos que o tempo nao permitiu que realizasse. Da mesma maneira que tinha inúmeras certezas e as transmitia inflando a tao necessária auto estima e confiança do pangao, tinha pelo menos uma dúvida que dividiu com seus leitores no Los Angeles Times. “Por que os tenistas tremem (choke)? Levou a dúvida para o além, porque aqui ninguém conseguiu explicar aquela característica que, ao mesmo tempo o que fascina e prende todos os praticantes, separa os campeoes do mortais.

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segunda-feira, 29 de setembro de 2014 Copa Davis, Olimpíadas, Rafael Nadal, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 16:18

Gala

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Thomaz Bellucci nao deve ser um cara muito bem quisto lá pelas terras tenisticas ibéricas. Gostado nao, respeitado sim. Suspeito que ele deva preferir o respeito, que dentro e fora de uma quadra é bom e faz bem.

A surpreendente derrota do time espanhol na Copa Davis, muito pelas maos de Bellucci (assim como dos mineiros) causou um terremoto por lá. E a conseqüência mais visível, e imprevisível, foi que o presidente da federaçao local, Jose Escanuela, decidiu indicar uma mulher como capita do time da Davis. Um brincalhao falando sério.

O presidente nao esteve presente em Sao Paulo. Segundo suas palavras “foi a primeira vez que nao esteve presente como presidente”. Eu diria que escolheu uma má hora, assim como outros tenistas que recusaram a convocaçao de Carlos Moya.

Após a derrota Escanuela tentou convencer Moya a ficar, mas o rapaz disse “no gracias”. Mostrou vergonha na cara, já que seus “amigos” lhe deixaram na mao.

E o que Escanuela fez? Convocou para seu lugar uma mulher – Gala Leon. O cara devia estar muito bravo com os tenistas. Eu diria que chamar alguém totalmente fora do cenário do tênis masculino, e ainda mais uma mulher, sem ter consultado um tenista sequer – pelo menos entre os possíveis convocados – foi uma atitude temerária dele, assim como ambiciosa dela em aceitar.

Começaram o ouvir imediatamente. O primeiro a chutar a porta, e aí nenhuma novidade, foi Tio Nadal que fala pelo lado “dark” de seu sobrinho. Totalmente contra. Alguns tentam dar a pecha de machismo à sua recusa, o que nao passa de mais uma idiotice politicamente correta. Se fosse um homem qualquer sem as devidas credenciais e ele reclamasse seria normal, sendo uma mulher, é machismo. Sei.

Só que a Gala nao tem mesmo as credenciais para o cargo. Afinal nao treina nenhum homem, nao conhece pessoalmente a maioria deles, nunca jogou Copa Davis e nao é uma técnica reconhecida e com lastro técnico e moral para sentar na cadeira e falar com Rafa Nadal no intervalo dos games. Por que entao?

Isso só o Sr. Escanuela sabe dizer. O fato é que a moça, que foi tenista top50, vem fazendo carreira como técnica na federaçao, o que muitas vezes é mais uma cargo político do que meritocrático. Ela esteve em Sao Paulo acompanhando o time como assistente técnico, indicada pela federaçao, nao pelo Moya, e, que eu me lembre, era a única mulher no enorme camarote do time espanhol – e sentada na ultima fileira e na ponta extrema do box. Chegou à janelinha rapidinho.

Fico imaginando se foi uma puniçao ao time de machos espanhois. Parece que assim que Moya recusou ele convocou Gala, mudou de idéia e quando as reclamaçoes apareceram confirmou a convocaçao como que por birra.

Lembrando, o cargo de Capitao do time é um de aglutinador, líder, comandante, de experiência e, nao menos importante, o de alguém a quem os tenistas respeitem e possam confiar. Afinal, eles sao os únicos interlocutores dos tenistas durante os jogos. É verdade que servem também de interlocutores entre os tenistas e os cartolas das federaçoes, algo importante. Mas, no caso, o tal presidente parece ter muito mais sua própria agenda, do que com a agenda que possa unir e motivar e unir novamente um time que já ganhou muito e nao parece mais tao interessado – duvido que vá ser a Gala, a moça da federaçao, que vá ter esse papel, que ela mesmo diz ser sua meta agora.

Gala já defendia anteriormente a puniçao a quem nao aceitasse uma convocaçao e agora defende que o contrato entre federaçao e os tenistas deva incluir uma cláusula de obrigatoriedade de participaçao na Davis e Fed quando convocados, por conta de todos os benefício, financeiros e outros, recebidos durante a carreira, que na Espanha nao sao poucos. Provavelmente nao colocaram antes porque nao acharam necessário, contando com a boa vontade e patriotismo dos tenistas, o real combustível da Copa Davis. Gala afirma que a federaçao já está trabalhando no novo contrato, algo que deve ser a nova política do presidente. De qualquer maneira, será uma experiência quase única – só três times tiveram mulheres no posto, todos irrelevante (Siria, San Marino, Moldávia e Panamá). Por outro lado, os tenistas podem tomar vergonha na cara e correr para defender a pátria – lembrando que quem nao o fizer em 2015 fica fora das Olimpíadas no Rio.

O fato é que o time espanhol envelheceu e nao apareceram tenistas do mesmo calibre para repor. Verdasco, Feliciano, Ferrer todos sao balzacas e Almagro, o incerto, padece de longa contusao, assim como Nadal, o pai de todos. A “nova” geraçao nao aguentou o tranco beluciano. No fim das contas, esse parece ser a real origem dos problemas que se tornaram visíveis graças às patadas de Thomaz Bellucci.

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Gala e o time no hotel em Sao Paulo antes da derrota.

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quinta-feira, 18 de setembro de 2014 Copa Davis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 02:23

Ovo ou a galinha?

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O veio antes, ovo ou a galinha?

Ouvi dizer que, após a vitória que classificou o Brasil e o consagrou aos olhos da torcida brasileira, Thomaz Bellucci teria dado mais crédito à supostas deficiências de seu oponente, Roberto Agut, do que a si próprio. Ou se nao foi mais – porque aí depende de quem ouviu e conta a história – foi, pelo menos, desproporcional ao fato.

Talvez isso demonstre um pouco mais sobre as características psicológicas de Thomaz, que nunca foi, digamos, um ícone da auto estima e do marketing pessoal. Porque tem neguinho por aí que após uma vitória dessas – e esta hipótese de duas vitórias só caracteriza ainda mais o aspecto fictício da minha colocaçao – sairia se descabelando em busca de microfones se afirmando o novo rei da cocada preta.

Essa visao de Bellucci sobre o seu feito é só mais uma faceta do real limitador da carreira do brasileiro. Eu afirmo há muito tempo que o tênis dele é muuito maior do que os resultados. E isso nao pode ser creditado na conta de seu arsenal técnico e sim debitado na conta de seu emocional.

Mas, neste ultimo fim de semana a história foi diferente e, quiçá, marcante o bastante para alterar o percusso de sua carreira daqui para a frente.

Foi, de longe, a melhor participaçao de Bellucci na Davis. E, nao esqueçamos, o rapaz estava pressionado. Havia a expectativa, o adversário e o local, tudo montando um senhor cenário próprios para marcantes apresentaçoes. Para sua felicidade, e a nossa, porque é Copa Davis, o resultado foi feliz.

Desde sempre ouço falar, ou fui eu que inventei essa história, que a idade da razão no tênis é aos 27 anos. É por aí que o tenista começa a harmonizar sua técnica com a cabeça e o coraçao. Lógico que isso nao vale para exceções, como Nadal e Federer, que só confirmam a regra. Bellucci está chegando lá – tem 26 anos – e pode, por conta disso, velejar bons mares pelo resto de sua carreira. Só depende dele mesmo e de como jogará suas cartas daqui para a frente. Porque agora, mais do que nunca, conhece a história e já viveu.

A Copa Davis sempre foi uma magnífica catarse, para o bem ou para o mal, para o tenista. Carreiras decolaram, assim como outras encolheram, por conta de resultados muitas vezes inesperados nessa dramático cenário. Ela carrega uma intensidade emocional única, colocando o tenista em uma vitrine tao frágil quanto de forte exposiçao. Há tempos Thomas tinha dificuldades com essa exposiçao que, na verdade, só espelhava a mesmo dificuldade que tinha no resto do circuito. Vejam que estou usando o verbo no passado, na esperança que por lá fique.

Voltando a frase de abertura do Post, o fato é que, grande parte das vezes, um tenista joga tao bem ou tao mal quanto seu adversário permite ou nao. Thomaz parece questionar isso, creditando seu sucesso por conta do mero insucesso dos adversários.

Se Aguto nao jogou tao bem quanto o seu ranking indica foi por conta do quanto bem Belluci jogou. Os espanhóis caíram na armadilha de se limitarem á frieza do ranking. O time brasileiro foi um passo à frente, acreditou no seu potencial e foi atrás do sucesso. Jogaram o jogo e jogaram certo. Em especial Thomaz. Porque dos mineirinhos já esperávamos, e até contávamos, com seu ponto. Bellucci é que decidiu nos surpreender, assim como aos espanhóis que a esta altura devem estar se perguntando se alguém anotou a placa do caminhao.

Até hoje só assisti uma partida completa de Agut – a de domingo. É um tenista leve e muito rápido. Uma esquerda bem flat, rente à rede, que penetra e incomoda. Mas sua direita é um tantinho mentirosa, algo que no bate-bola já me era visível. Seu saque é passável para seu tamanho, mas nao mais do que isso. A ver se vai se manter nessa zona de cachorrao. Mas, e isso é deveras importante, está em ótimo momento (ninguem é #15 por nada) e muito confiante, como Rogério sentiu na pele – pelo menos até o chocolate do Belo.

A principal liçao que Thomaz devia levar para casa após este confronto é que existe muito mais que ele pode fazer em quadra do que ele apresentou até hoje no circuito. Já escrevi anteriormente, e por isso fui criticado por pessoas que de tênis entendem tanto quanto eu de volei, do qual sou um bom torcedor e nada mais, que Thomaz tem técnica boa o bastante para conquistar muuuito mais do que conquistou. Seu limitador é que ele ainda – e sua tal visao de sua vitória espelha isso – bate na bola como poucos no planeta, mas ainda nao domina o “jogo do tênis”.

Se dominasse saberia que após começar a virar o jogo de 6a feira, após estar espremido contra a parede, e durante todo o domingo, nos brindou com uma apresentação primorosa do jogo de tênis, harmonizando, como é obrigatório, técnica, emoção, garra, determinação, impetuosidade, equilíbrio, atleticismo, estratégia, tática, perseverança e um compromisso indubitável com a vitória que o levaram ao sucesso, tanto aguardado como inesperado. Se prestar atenção verá que a técnica, sempre imprescindível, está lá, quase sozinha, no início da lista das qualidades, somente sendo válida e determinante se acompanhada das outras qualidades que sao as que separam um mero tenista de um campeao. E aí está a real razao das suas vitórias neste ultimo fim de semana e o que pode determinar uma reviravolta em sua carreira pessoal.

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domingo, 14 de setembro de 2014 Copa Davis, Rafael Nadal, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 23:38

Bode bravo

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Os espanhóis tiveram o que mereciam. A arrogância em abrir mao de seus melhores tenistas, em confronto na casa de um adversário que, aos olhos de quem joga e de quem manda no tênis ibérico nao exigia time melhor do que por aqui se apresentou, foi fator determinante na derrota deles e na vitória do Brasil. Porque este soube, fazendo a leitura do que os outros iam colocando na mesa, ter a humildade de reconhecer a sua pseudo desvantagem e a grandeza de acreditar que, a cada dia que passava, a vitória se tornava mais possível.

Eles começaram avisando que viriam de Nadal e mais três. No final das contas, ao ficar evidente que o Animal era carta fora do baralho, Carlos Moya e a federaçao espanhola nao tiveram a musculatura para trazer as estrelas de primeira grandeza como Ferrer, Verdasco ou Robredo, tenistas já sazonados e escolados na Davis, e acreditaram que a estrela em ascensão, Roberto Agut, já #15 do mundo, o que já faz dele um cachorrao, seguraria a peteca com a ajuda da “dupla de fundo de quadra” Marc Lopez e Granollers. Quando este acusou uma contusao e saiu de fininho a gravata apertou ainda mais no pescoço espanhol com a entrada do Marrero, uma mae em quadra. Estao pensando que isso aqui é a Venezuela?

Qualquer um, brasileiro ou espanhol, que sabe contar até três, sabia que a conta era apertada para o time brasileiro. Nao tinha negociaçao; os mineirinhos tinham que ganhar as duplas e Bellucci tinha que vencer suas duas partidas. Para quem acompanhou Belo nos últimos anos na Davis, a conta nao fechava bem.

Bellucci teve que se provar nos dois dias porque moleza nao existia. No primeiro conseguiu a proeza de, precisando vencer de qualquer maneira, sair perdendo por 2×0. Pablo Andujar teve até um match point para vencer em três sets. Nao o fez e deve estar sem dormir até agora. Mas os três sets seguidos foram todos méritos do Belo que jogou o seu melhor.

No sábado, a dupla brasileira fechou a porta na cara dos espanhóis sem dó – e ainda pegou na nariz de alguém. Marcelo Melo jogou muuuito tênis – no fundo e na rede – sendo o homem-chave em quadra. Devolveu como um Lord e soube impor sua envergadura em quadra. Nao fraquejou em um momento o que é de se tirar o chapéu. Bruno, o carismático líder do grupo, sacou muito – algo que melhorou bastante – e voleou barbaridades. Foi uma tunda.

O tal Agut achou. Achou mas nao levou. Deve estar buscando uma resposta de como pode abrir 4×1 no primeiro set e permitir que o outro fizesse cinco games seguidos. Também nao vai dormir bem esta semana pensando no game que tinha 40×0 no 4×3 do 30 set e permitiu Belo virar o game e o set. Aliás, esse game – quando Belo sacou nao sei quantos aces e salvou uns oito break points – junto com os dois primeiros games do 3o set, quando foi mais avassalador que uma arma de destruiçao em massa, foram coisas para assistir de joelhos e aplaudir de pé.

Tudo aconteceu pela mao e obra de Thomaz Bellucci que, aos 26 anos, começa a afinar e equilibrar seu emocional em quadra – mesmo que ainda distribuindo razoes para nos dar enfartes – abrindo uma série de portas para quartos ainda nao por ele desbravados, que podem modificar drasticamente sua carreira daqui para a frente. Na Davis e fora dela. Vamos deixar uma coisa clara: o paulista jogou muuuito tênis, assumiu a responsabilidade que lhe era imposta e se portou como o líder desse time. Nao é pouco. Aliás é bastante para lhe colocar em outro patamar.

Nao menos importante o capitao Joao Zwetsch, que só faltou pegar a raquete e entrar em quadra, soube segurar e amarrar todas as pontas, apesar de ataque de gente que tem agenda própria e egoista, Rogerio Dutra que sabe o que é espirito de Copa Davis e é reconhecido pelo resto do time como companheiro para o que der e vier, e o resto da equipe que sabe o valor e a importância da uniao e da força de quem senta atrás da cadeira do capitao. Ninguém, ou nenhum time, perde ou ganha na véspera. E este fim de semana a equipe brasileira soube ser o bode bravo que acabou com o milho que a soberba ibérica jogou no seu caminho.

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sexta-feira, 12 de setembro de 2014 Brasil Open, Copa Davis, Rio Open, Tênis Masculino | 15:51

Bodes

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Como já escrevi, os espanhóis estão dando muito milho para bode nesta Copa Davis, considerando que deixaram em casa boa parte de seu arsenal e jogam na casa do adversário. Bem, azar deles. Mas, mesmo assim, alguém no time brasileiro terá que sai da caixa e jogar acima de seus padroes.

O homem melhor qualificado para isso, pelo menos tecnicamente, é Thomaz Bellucci. Nos resta descobrir se no fim de semana ele levará essa sua qualificaçao também para o lado emocional, o must do assunto.

Rogério é o coringa. Entra sem a “obrigaçao” de vitória hoje contra Roberto Bautista, por conta de destoar dos outros singlistas do evento com seu ranking. Lembrando, Bautista tem zero de experiencia em Davis e no que vai enfrentar pela frente no Ibirapuera. No entanto, se chegarem empatados na 5a partida, Rogério terá que encontrar um jeito para bater Pablo Andujar, uma vitória possível pela inconstâcia do tenista espanhol, que fez a melhor partida do Rio Open, contra Rafael Nadal.

Já Thomaz Bellucci carrega um fardo maior, pois tem a responsabilidade de vencer suas duas partidas. Nenhuma delas fácil, mais do que nada pelas suas dificuldades em momentos tensos. Nao é de hoje que ele busca uma atuaçao de gala, em casa, na Copa Davis e os espanhóis sao os fregueses por encomenda.

Hoje, Thomaz enfrenta Andujar, contra quem tem um recorde de 3×2, em jogos sempre equilibrados, incluindo uma vitória na quadra 2 de Roland Garros. As duas vitórias de Andujar foram as duas ultimas partidas, em 2013 e 2014, esta em Hamburgo.

Imagino que o capitao brasileiro esteja convencendo Rogerio que hoje é o dia para se inspirar e jogar como nunca. Afinal nao tem nenhuma responsabilidade. E, se por alguma razao, sair de quadra com uma vitória, os espanhóis realmente encontrarao vários bodes à sua porta.

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