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segunda-feira, 16 de maio de 2016 Novak Djokovic, Roland Garros, Tênis Masculino | 13:56

Faltou tesão

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Diz o ditado, e até mesmo o Eduardo Cunha quando se referindo às razões da queda da sua nemesis Dilma, nunca é só por uma única razão. É assim que vejo a vitória de Andy Murray sobre Djokovic, manchando um passado de 13 vitórias do servio nas então últimas 14 partidas entre ambos, um claro sinal de que Murray não progrediu o que poderia ter progredido, a partir de um certo momento recente na carreira de ambos – ambos tem uma semana de diferença de idade.

 

Até a data do aniversário de Murray no dia da final pode ter influenciado a motivação do escocês. O fato de ele ter virado saco de pancadas do servio também deve ter sido uma razão. Mas o que deve ter, de fato, feito uma diferença são dois fatores intimamente ligados.

 
Novak deve estar “cansado”. Não só fisica, como mentalmente. Sabem como é – de saco cheio, sem aquele tezão. E como dizia o escritor/psicólogo Roberto Freire; “Sem tezão na há solução”. Algo que é bem compreensível, considerando a temporada que o rapaz vem tendo.

 
A falta de tezão e cansaço foram ficando evidentes durante a semana de Roma, com vários jogos “engrossando” e três deles indo para o 3o set – algo que não é o padrão atual do #1.Resultado? Chegou à final “pregado”. E o que veio antes, o ovo ou a galinha? Pregou porque engrossou, ou engrossou porque “cansou”?

 

De qualquer jeito, a final foi sem nunca ter sido. Acabou antes de terminar. Nos primeiros games já se via que não iria rolar. Djoko até que tentou recorrer às suas antigas manhas, jogando raquete no chão, tentando interromper a partida e até se auto inflingindo uma raquetada no tornozelo! Mas não era dia.

 

Alias, sinais já tinham aparecido antes. Aquele de ele ir começar o ponto com a corda da raquete quebrada, contra o japa Nishikori, foi inusitada.

 
Murray, que adora uma choradeira, ainda teve a cara de pau de dizer que se sentiu pressionado porque sabia que o outro estava bem mais cansado e ele fresquinho. Talvez ele preferisse o contrário e não sentir pressão? Os caras adoram um drama!

 
No fim das contas foi isso mesmo. Murray aguentou o rojão, até porque logo viu que mesmo que fizesse uma de suas “murradas” poderia ir ganhar o jogo lá onde o judas perdeu as botas que é onde geralmente eles decidem seus jogos. Nem precisou.

 
Para os fãs foi positivo o resultado. Djoko, que terá só uma semana para recarregar as baterias, chega à Paris com sua bola um pouquinho mais baixa, dando um certo alento aos outros mortais – inclusive a Murray, que será o cabeça 2 do torneio. Não há males que não venham para algum bem.

 

PS: Agora perguntar não ofende. De onde tiraram aquela idiota que veio à quadra entrevistar o Murray? A mulher não deixou ele pegar no microfone e não deixou ele fazer o seu discurso – só falou ela – nada com coisa nenhuma. Logo no dia que ele ganha do Djoko jogam aquela assombração na frente dele??!

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segunda-feira, 9 de maio de 2016 Masters 1000, Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer, Roland Garros, Tênis Brasileiro | 17:39

Roma: o termômetro

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O Aberto de Roma é o melhor termômetro do que pode acontecer em Roland Garros. Melhor do que Madrid, onde a quadra é ligeiramente mais rápida do que será em Paris, por conta da altitude. Mesmo assim, não deu para ver nada que pudesse mudar o prognóstico de este próximo Roland Garros deve ser mesmo de Novak Djokovic. Deve mesmo?

 

 

Acredito que Roma dirá. Os tenistas que têm se dado melhor nas últimas semanas, além de Novak são Nadal, Murray, Nishikori, Monfils e, ali por fora, mas sempre dentro, Fededer. Tem o Wawrinka, mas este é muito mais perigoso correndo por fora, como no ano passado, do que defendendo seu título.

 

 

Tem outros, mas alguém acredita que tenistas como Kirgyos, que está melhorando, e Raonic, que também melhorou, mas ambos são mais material para Wimbledon do que RG. E os dois se enfrentam na 2a rodada!

 

 

Bem, vocês perceberam que não listei Tsonga, #7 do mundo. Desde o Rio Open não o considero mais como um tenista sério.

 

 

E porque Roma é importante?

 

 

Porque é a última chance de alguém adquirir a confiança necessária para vencer um Grand Slam. Além de as condições serem semelhantes a Paris. Na semana seguinte, quando acontecem Nice e Genebra, é só para tenistas que não tem altas pretensões em Paris. Jogar lá em cima durante três semanas não acontece – só em milagres. E eles acontecem cada vez mais raramente.

 

 

Mas se alguém ainda acredita neles, não perca outro jogo da 2a rodada, entre Fededer e o garoto Zverev; um perigo armado de uma raquete.

 

 

Por isso, vamos ficar atentos ao que cada dos cachorrões trás para as quadras no quintal do Papa, que talvez seja bom de milagres.

 

 

Depois disso é tomar conta do corpo, cuidar da confiança adquirida, comer bem e bem acompanhado, curtir curtos passeios para descontrair sem perder o foco.

 

 

Eu deixei para último um outro possível milagre. Este reservado para os amigos franceses, que não conseguem um título em casa desde Noah no início dos anos 80. Monfils tem tênis para ganhar Paris. Mas tem cabeça pra isso? Até hoje tem deixado claro que não. Sua derrota para Thomaz Bellucci hoje o coloca na contra mão de tudo que escrevi acima. Mas o cara é doido! Mas ainda acho que é a melhor aposta para quem quer quebrar a banca em Paris.

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segunda-feira, 2 de maio de 2016 Juvenis, Masters 1000, Porque o Tênis. | 00:20

Bavárias e turcas

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Algumas coisas bem interessantes acontecem nesses semanas de torneios 250, quando boa parte dos cachorrões se escondem e descansam, já que o foco deles são os Masters 1000, os Grand Slam, e o torneios menores que tenham uma caminhão de dinheiro para pagar suas garantias que, muitas vezes, é dinheiro jogado fora – ou já esqueceram do papelão do Tsonga no Rio?

 
Mas as finais de Munique e Istambul colocaram algo a mais na mesa para o verdadeiro fã do tênis, que não precisa de estrelas, que às vezes nem brilham tanto, para apreciarem um bom jogo. E foi isso que o entendido público bavário teve. Uma final não fica muito melhor do que quando o tenista da casa faz o possível e o impossível para ganhar na frente dos seus – que saudades dos tempos de Luiz Mattar, Carlos Kirmayr, Jaime Oncins e Gustavo Kuerten.

 
O alemão Kohlschreiber, um veterano de 32 anos, dono de um tênis clássico, uma das esquerdas mais doces do circuito, bons voleios e um bom entendimento da arquitetura do jogo, conseguiu se impor, inclusive na hora da onça beber água, sobre uma das maiores promessas do tênis atual, o seu vizinho da Austria, Dominic Thiem, um verdadeiro “animal” em quadra, dono de uma força física privilegiada, pela qual trabalhou, e segue trabalhando, complementado por um dos melhores golpes do tênis – o seu forehand, que, arrisco escrever, ainda vai melhorar.

 
Quem não viu dançou, quem assistiu sabe que foi um privilégio, não só pela qualidades técnica, mas pela emoção, dramaticidade e competitividade, componentes que não podem faltar em um grande jogo – 7/6 4/6 7/6.

 
Em Istambul eu estava feliz antes mesmo do jogo, com a final do baixinho argentino Diego Schwartzman, um cara pelo qual tiro o chapéu cada vez que o vejo em quadra – um exemplo para muito juvenil por aí afora.

 

O búlgaro venceu o primeiro set no TB e tinha 5×2 no 2o set. Aí o creme desandou. Ele diz que começou a sentir caibras. Eu lembro que o talentoso rapaz tem mais a fama de não ter o controle dos nervos nos grandes momentos, do que a de não ter pernas para jogar dois sets.

 
De qualquer jeito, deixou escapar o set em outro TB. Aí a vaca cavalgou para o brejo. Ele, já claramente sem condições físicas, começou a destruir raquetes. Foram advertências, pontos etc. No 0x5 ele aproveitou para fazer o esculacho final; acabou com mais uma raquete, e quando o boa praça Lahyani ia tascar mais uma, ele foi à sua raqueteira, pegou outra e destruiu mais uma em cima de outra. Acabou o trabalho e já cumprimentou o juizão, que não ficou nem um pouco feliz, virou e foi abraçar o argentino, deixando claro que sua frustração começava e terminava com ele.

 
Durante a premiação ficou com uma cara de bezerro desmamado de dar dó. Mas, na hora de receber a premiação veio a redenção. Dimitrov pegou o microfone e ofereceu um dos mais sinceros pedidos de desculpas públicas que já ouvi: “acima de tudo eu desapontei minha família, meu time, meus fãs com esse tipo de atitude que tive em quadra. Peço desculpas”.

 
Errar, todos erramos. Reconhecer e oferecer desculpas sinceras, minutos depois, curto e grosso, sem embromação, raros fazem. Em um dia que poderia ser criticado e crucificado, da minha parte, Grigor Dimitrov saiu maior de quadra.

Veja o “show” de Dimitrov na minha página do facebook.

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terça-feira, 19 de abril de 2016 História, Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer, Roland Garros, Tênis Masculino | 18:31

Nuances locais

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Rafael Nadal deve estar dando graças a Deus pelo início da temporada européia sobre a terra. Se para ele sempre foi um martírio as partidas sobre as quadras duras, nos últimos tempos isso ficou mais grave; tanto pelos danos ao seu corpo, como pelas dificuldades em vencer partidas com frequencia a que estava acostumado, pela simples razão que ele não tem mais a mesma estâmina física que um dia teve.

 

Nao só pelas razoes acima, ele chegou babando em Monte Carlos. Era mais do que isso. Ele precisava em mandar uma mensagem a seus adversários. Se não ganhasse o torneio no jogo lento do MCCC, com suas quadras a poucos metros do mar, iria perder ainda mais o respeito que vem se definhando. E, acreditem, respeito ganha jogo sim senhor.

 

Rafa ganhou seus jogos sem estresse até as semifinais. Lá teve que lidar com Murray. O primeiro set foi magistral. O segundo muito bom. No terceiro Nadal mostrou, mais uma vez, que tem mais cabeça do que o escocês.

 

A final não foi diferente. Monfils mostrou, mais uma vez, após chegar às semis em Miami, que pode jogar de igual com qualquer um. Por um tempo. Porque chega uma hora entrega a mortadela. E Rafa não entrega. Por isso é o gênio que amamos.

 

Agora o circuito chega a Barcelona, no tradicional e pedante Real Club de Barcelona. Na época de Franco era necessário estar de terno para entrar na sede e no restaurante do clube. Os tenistas eram vistos como intrusos. Imagino que os tempos são outros e costumes também. Sorte deles.

 

O torneio é muito grande na cidade, muito bem frequentado, mas sem mais o mesmo impacto no circuito. Hoje, apesar do enorme time de espanhóis no circuito, os vizinhos franceses tem bem mais torneios do que os furiosos.

 
Os catalães tem o torneio desta semana, que era “mais torneio” por muito tempo. Hoje, depois que o romeno Ion Tiriac comprou Madrid e o transformou em Masters 1000, o evento no Real Club virou coadjuvante. É um calo no sapato dos catalães.

 
Nao sei bem como Rafa se relaciona com as nuances locais. As Ilhas Baleares são muito mais próximas e têm muito mais a ver com Barcelona. Mas, não sei porque, ele torce, descaradamente, pelo Real Madrid – e o tio dele foi zagueiro do Barcelona FC por quase uma década. Por outro lado, está sempre se bicando com o evento de Madrid, enquanto se enche de amores por Barcelona, apesar de, muitas vezes, ser um torneio difícil de encaixar no seu calendário.

 

 

Duvido que jogaria esta semana se não fosse em Barcelona. Os quatro primeiros do ranking; Novak, Roger, Andy e Stan estão em casa se preparando e descansando para coisas mais importantes. Assim, Barcelona se torna mais uma oportunidade de vitória, assim como uma responsabilidade, para Rafa Nadal. Como ele nunca foi cara de fugir do pau….

 

 

Mas que fique claro uma coisa. Seus olhos estão mesmo voltados para Roland Garros, o evento mais importante do calendário para o rei do saibro. Lá ele definirá a sua temporada. O resto dela se acomoda ao redor daquele evento que faz a sua confiança brilhar.

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terça-feira, 12 de abril de 2016 Copa Davis, História, Juvenis, Roger Federer, Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 00:49

Ganha/Ganha

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Este ultimo fim de semana tivemos, pelo segundo ano, o Rendez-Vous à Roland Garros, uma parceria da FFT e a CBT, onde o vencedor do evento aqui realizado disputa, em Paris, às vésperas de Roland Garros, um torneio para o direito de jogar a chave juvenil do torneio.

 
No ano passado, o brasileiro Gabriel Decamps venceu aqui e em Paris. Ganhou o direito de entrar na chave juvenil, chegou às oitavas e perdeu para Taylor Fritz, que já está fazendo estragos entre os profissionais.

 
Desta vez o vencedor foi o paulista Lucas Koelle, um jovem que tive a oportunidade de presenciar em quadra em algumas oportunidades de treino. Uma jóia rara. É um atleta que o treinador não precisa ficar convencendo a fazer o necessário em quadra. Vem com a cabeça e corações prontos para o trabalho, talvez a principal qualidade que um juvenil pode trazer para os treinamentos. Infelizmente, a maioria acredita que possa ser a “habilidade”, a “esperteza”, a atitude do “sei tudo”, “qualidades” que jovens nessa idade acreditam ter de sobra e que, quase sempre, não passa de um delírio.

 

 

Lucas vem investindo na carreira, procurando maneiras de progredir, talvez nem sempre da maneira ideal. Porém sem alterar sua postura em quadra, o que conta muito. Morou uma época nos EUA. Tem disputado eventos aqui e no exterior. Chegou agora a #50 do ranking mundial juvenil.

 

O que me chamou a atenção, na conquista que lhe carimbou o passaporte para Paris, foi outra coisa. Fiquei sabendo que ele tinha, pouco antes, após muito pensar, aceito o convite para estudar e jogar em Harvard, uma das mais prestigiosas universidades do mundo.

 

Eu conversara com ele, pouco antes da virada do ano, na casa de amigo comum, sobre o assunto. Então estava intransigente na decisão de não aceitar o convite e se dedicar à carreira tempo integral.

 

Conversou com mais pessoas – o pai é um alto executivo e a mãe fez estudos em Harvard também – e mudou seus planos.

 
Chegou à conclusão que ir para Boston era uma situação de ganha/ganha. O mais difícil é ser aceito em tal universidade. Com eles insistindo no convite fica ainda melhor. Afinal ali poderá a enfrentar adversários competitivos, no circuito profissional, além de poder eventualmente participar de torneios de transiçao, enquanto faz seus progressos acadêmicos. Nesse ambiente de ganha/ganha poderá também, se vier a ser o caso, mudar de idéia e partir para outra.

 
A decisão já lhe trouxe a tranquilidade necessária para vencer o torneio Rendez-Vous à Roland Garros sem perder um set. Sua mãe confessa que nunca o tinha visto tão sereno em quadra.

 
Um dos raciocínios de Koelle foi sobre a idade dos tenistas na atualidade – estão atingindo seus melhores momentos aos 27 anos. Na verdade, não é novidade. Essa é mesmo a idade em que os tenistas equilibram sua parte técnica, emocional, física e flertam com seus ápices.

 
Até os anos 50 eles ficavam um tempo no amadorismo – que incluía os atuais Grand Slams – e depois seguiam para o profissionalismo, que era para poucos, bons e amantes incondicionais do tênis.

 

Nos anos 60 e 70 era padrão os tenistas irem primeiro para as universidades americanas e só depois entrarem no circuito profissional. Mc Enroe foi para Stanford já em 1978, quando ganhou o torneio nacional universitário. Seu irmão Patrick, se graduou 10 anos depois na mesma escola. No final dos anos 80 ainda havia vários bons tenistas que foram à universidade antes de se tornarem profissional. James Blake, quase um contemporâneo, também esteve em Harvard, o que pode ter influenciado Koelle.

 

Mesmo antes do ultimo fim de semana Lucas Koelle admitiu estar tranquilo com a decisão. Nesta 6a feira, vai a Boston, a convite da escola, conhecer melhor o local e as pessoas. Volta de vez em Agosto, quando começa o ano letivo. Até lá vai jogar em Paris e, quem sabe, ampliar ainda mais suas conquistas no tênis.

 

Por enquanto é um tenista que assume uma caminho diferente de muitos que tem como prioridade a carreira profissional. No fim da época juvenil os tenistas se vêem frente a frente à difícil decisão; continuar seus estudos em uma universidade americana, onde é ofertado a oportunidade de seguir competindo e fazer seus estudos, ou abraçar de vez, com bônus ou ônus, a carreira profissional e encarar a famosa e difícil transição, quando raramente, em especial os brasileiros, por força cultural, se tem a parte emocional pronta para o que vem pela frente. Uma ida a uma faculdade lhe compra um tempo que, atualmente, já não é tão crítico.

 
Se nos anos recentes o jovem começava a carreira aos 19 anos e a abandonava aos 30, agora, com o preparo físico no atual patamar, pode pensar em começar aos 22, com um diploma debaixo do braço, e jogar até 34 anos, como Federer, por exemplo, está a fazer com qualidade.

rg taça sp

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quarta-feira, 6 de abril de 2016 Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 15:55

As finais – que finais?

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Alguns me cobram um Post final de Miami. Lógico que sobre a vitória de Novak Djokovic. E se eu disser que não vi, vão acreditar?

 
O que importa é que a final foi um passeio. E predito. Nishikori perdeu antes de entrar em quadra. Dá até vergonha. Meu amigo Sylvio Bastos, que é muito bom em colocar as coisas, quando não está tentando me enrolar, foi curto e grosso a respeito, o que não é seu padrão, a respeito – não sai jogo, disse ele, no dia anterior. E quem sou eu para discordar? E assim foi; o japa não quis saber de briga – aceitou a freguesia e a dominância quietamente.

 
O servio não perdeu um set no Aberto de Miami. Foi mais fácil do que eu comer uma tigela de mousse de chocolate quando assistindo um bom filme. Pelo menos antes do meu médico levantar o dedinho e balança-lo de lá para cá dizendo não, não, não! Sacanagem.

 
Escrever o que? Sobre a partida? Estão brincando? Sobre como o Djoko está um degrau acima, no mínimo, do resto dos cachorrões? Que sem competidores à altura perde a graça? Que estamos morrendo de saudades dos confrontos Fedal?

 
Ahh, talvez esperassem um comentário sobre a final feminina. Posso escrever que não vi também. Estou um pouco mau humorado? Talvez só não queira falar sempre a verdade. Tem tanto neguinho por aí que mente que nem sente toda vez que abre a boca e faz o maior sucesso. Mas não, as coisas que são como são. Eles lá e eu cá.

 
Azarenka voltou a ganhar – havia ganho Indian Wells na semana anterior. E também, como Djoko, sem perder um set – a final feminina foi outro passeio sem sal. A que lhe deu mais trabalho foi a venezuelana/espanhola Muguruza, em dois TB, que é uma poltrona de forte, ou seja, joga de igual com Azarenka, Serena etc.

 
O Aberto de Miami acabou sem um Buum. Acontece. Não houve uma correria pelos ingressos porque não haveria grandes finais. Muitos lugares vazios, o que não é normal para o evento.

 
O tênis, como qualquer esporte, precisa de grandes nomes, grandes talentos, grandes personalidades, grandes palcos. Mas, como qualquer esporte, precisa mais ainda de grandes rivalidades, que é o que motiva o grande publico acompanhar um esporte.

 
Mas, existe ainda uma pauta a ser escrita sobre o Aberto de Miami, que pode ser mais interessante para os meus leitores. Mas fica para o próximo Post.

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sexta-feira, 1 de abril de 2016 Tênis Feminino | 13:53

A idade da loba

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Existe uma mudança de guarda no tênis feminino? Sim, não, não ainda, todas são respostas corretas, por mais incongruente que possa ser ter elas todas na mesma frase. Em uma análise mais fina vemos que são as moças da idade da consolidação da experiência e a técnica que estão se impondo. É a a idade da loba – e dos lobos, já vale também para o tênis masculino – de 27 anos. Já não são inexperientes, aprenderam e consolidaram suas técnicas, fizeram as pazes com suas deficiências, acertaram seus emocionais e estão prontas e famintas para novos sucessos.

 

Na chave feminina, Serena e a irmã Venus se foram, apesar de que Serena ainda é a principal força feminina, enquanto Venus finge que ainda é uma tenista profissional. Sharapova, se não derem a ela uma colher de chá, o que não duvido, mas sinto que assim possa ser, será carta fora do baralho já que é quase uma balzaca e não sei quanto tempo ficaria suspensa.

 

E quem chega à final de Miami? Kuznetsova, uma batalhadora , essa sim uma balzaca, que nunca teve uma segunda agenda a não ser jogar tênis. A moça tem verdadeiro desprezo pela marketing sensual que se consolidou no tênis feminino desde o surgimento de Anna Kournikova e faz questão de ser o inverso. Mas é uma verdadeira tenista, sempre beliscando quando surge a oportunidade (já foi #2, tem 2 GS e 16 títulos) – e em Miami ela surgiu novamente.

 

E aí chegamos às moças-lobas. A outra finalista será a consolidada Azarenka, que este ano chega aos 27 anos, a idade que a(o) tenista normalmente chega a sua plenitude. Esta temporada voltou de contusão e é a favorita ao título – terá que passar pela Kuznetsova, o que não será fácil. Mas sempre tenho pensamentos ruins quando veja aquele queixo quadrado e o tamanho que adquiriu através dos anos.

 

Ainda me divirto horrores com a Radwanska (27 anos) suas gambitas finas, seu tênis limitado, sua cabeça pensante e sua constante luta pela vitória. Em Miami conheci uma nova tenista, a suíça de pais hungaros Timea Bacsinszky, que adora socar a bola e, aos 26 anos se aproxima da idade da leoa entrando entre as Top10.
Valem a menção duas outras que não chegaram lá desta vez, mas são tenistas que continuarão deixando suas marcas: Simona Halep, tremenda lutadora, focada, rapidíssima e com ótima esquerda, que aos 24 anos ainda tem muita lenha para queimar. E Angelike Kerber, que na passagem dos 27 para os 28 conseguiu levar sua carreira para outro patamar ao vencer o Aberto da Austrália e virar #3 do mundo.

 

O tênis feminino atravessa sua fase mais prolífica, com ótimas tenistas surgindo e se consolidando, através de um tênis incisivo, extremamente profissional, baseado em uma preparação física e técnica tanta qualidade quanto a dos homens e que levaram o espetáculo do tênis feminino, guardado as devidas proporções circunstancias, a uma profundidade depredicados tão amplo quanto o tênis profissional masculino.

 

A maneira como as mulheres-tenistas, e aí falo de um universo mais amplo do que no passado mesmo recente, se apresentam, se dedicam e competem sustentam seus pleitos e reivindicações por igualdades de direitos e prêmios. Só fica mesmo faltando a questão dos Grand Slams, onde os homens têm que jogar cinco sets e as mulheres jogam três, talvez o principal, e ultimo, argumento dos tenistas-homens.

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quarta-feira, 30 de março de 2016 Sem categoria | 13:03

Espírito Samurai

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Grigor Dimitrov tem todos os apetrechos para ser #1 do mundo. Oopss, menos o que mais conta, que é a parte emocional, ou psicológica como alguns chamam. O cara saca muito, tem ótima direita, de qualquer lugar da quadra, linda e excelente esquerda, com top, slice, dentro e fora da quadra e, pra completar, sabe volear. Mas na hora da onça beber água falta aquela coisa que os grandes tem e o resto se desespera com a falta. Pois é. Isso dentro da quadra, porque fora o rapaz tem o que elas gostam. Já passou pela Serena, a Maria e agora está com a Eugenia. Será que é bom para os voleios?

 

 

Monfils é uma incógnita. Já escrevi sobre ele mais de uma vez, inclusive uma ocasião que acompanhei um treino dele no centro de treinamento em Paris nos idos de 2008. Ele mudou, pra melhor, o que é um bom sinal. Afinal não é mais um garoto das favelas de Paris e este ano completa 30 anos.

 

 

É um excelente tenista, mas demorou muuuito para sair daquele síndrome de só empurrar bolinhas para o outro lado. Agora começou também a atacar, além de jogar muito bem, como poucos, três a quatro passos atrás da linha de fundo, correndo atrás de tudo que seja amarela.

 

 

Seu saque melhorou muito e sua direita também. Para vencer um Masters 1000 tem que também combater uma certa propensão em viajar durante a partida e fingir que não se importa. Se controlar seus piores instintos tem tênis para ganhar. Mas a primeira briga é com ele mesmo – ontem teve ótima vitória sobre Dimitrov em uma partida deliciosa de assistir. Enfrenta o japa Nishikori, que corre atrás de tudo também, mas tem o salutar espirito samurai de ir para o ataque.

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Sem categoria | 12:43

Uma a mais

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Gilles Simon é um tenista que recebe menos crédito do que merece. Bateu Marin Cilic em uma batalha de golpes e vontade. Extremamente leve, rápido, regular, tranquilo sob pressão ele sempre faz o adversário bater uma bola a mais, até que essa uma seja fora ou na rede. Ele precisa estar em situação desesperadora para ir para um ataque total. Com a cara do Stan Laurel, come pelas beiradas. Está nas quartas contra David Goffin, outro tenista sólido que melhorou muito nos meses recentes.

 
Murray é o #2 do mundo, mas é um cara desesperador. Entre os que se desesperam com ele estão os oponentes, que são também obrigados a bater uma bola a mais, os fãs, que tem uma certa dificuldade para torcer para um tenista talentoso, mas com características emocionais controversas e os coitados que trabalham com ele, especialmente os técnicos, que tem que aguentar uma pessoa na borderline.

 
Não me perguntem detalhes, mas na partida contra Dimitrov sua mulher e sua técnica?, Amelie Mauresmo saíram do box e não voltaram mais. Talvez tenham achado mais proveitoso ir tomar conta de seus respectivos pimpolhos. O coitado que ficou por lá, no lugar de Jonas Bjorkman que já foi dispensado, ficou o 3o set inteiro ouvindo MalaMurray dar-lhe duras e ataques histéricos como se fosse culpa dele, aprendiz de técnico, que o escocês estivesse atirando o jogo no lixo. Enfim, não é a primeira vez nem será a última.

 
Muito mais espirituosa é a mãe dele, Judie, que postou no twitter: “Meu filho #1 é #2 e meu filho #2 é #1.

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segunda-feira, 28 de março de 2016 Masters 1000, Roger Federer, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 13:03

Administrando

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Cheguei na quadra 2 o jogo estava começando. Dei uma panorama na quadra e me surpreendi. De um lado a dupla do brasileiro Marcelo Melo e seu parceiro croata Ivan Dodig. Do outro “A Besta” Mirny e seu parceiro Treat Huey, um baixinho filipino-americano que tem mais pinta de ser um boleiro mais velho do que um tenista profissional. O jeito dele simplesmente não bate com o resto dos tenistas, especialmente tendo a “Besta” Mirny de 1.96cm como parceiro.

 
Mas foi só o cara começar a jogar para meu queixo ir caindo. Mãos rápidas, pulso forte, pancadas dos dois lados e um estilingue para sacar. Ele deve ter dado mais de 10 aces no Dodig no centro da quadra. Isso porque o croata já sabia que iria lá e assim mesmo a bola passava por ele como um F1.

 
Nas devoluções o cara acelera dos dois lados e sabe bem onde meter as bolas. Na rede é um abílio. Esteve alguns patamares acima de seus colegas de quadra no quesito. E quem se atreveu a desafia-lo no quadradinho se deu mal. Bem mal.

 
Além disso, tem ótimo posicionamento, cruzando como saci junto à rede. Ali, novamente, levou Dodig à loucura. Cruzava muito, esticando seu braço para um voleio de forehand. Ali também o Dodig sabia que o cara iria e não conseguiu fazer muito – essa bola acabou sendo crucial no resultado final.

 
A “Besta” já tem 38 anos, nao tem mais o mesmo vigor físico de quando fez a memorável partida contra Gustavo Kuerten em 2001, no US Open, onde liderava por 2×0 e o catarina “encontrou” uma maneira de virar o jogo que levou os brasileiros presentes ao delírio. Mesmo assim, ainda se vira nas duplas, apesar que era o elo frágil da dupla, que não conseguiu ser explorado pelos adversários.

 
Talvez porque Dodig não estava 100% fisicamente, com a perna direita enrijecida na altura da coxa. Talvez porque a dupla de Melo não conseguiu tirar proveito dos melhores resultados que têm dentro do bolso. Talvez porque, em momento crucial no 2o set, Dodig acertou uma bolada na nuca do parceiro que o nocauteou. Talvez porque o tal de Huey estava em dia inspirado e foi, de longe, o melhor em quadra, dando um verdadeiro show de habilidades e de como se joga uma dupla bem jogada no estilo antigo.

 
De qualquer jeito, o felipino e o bielorusso estão na 3a rodada e Marcelo, que esteve focado e compenetrado, sabendo da importância da partida, já que agora não é mais o 1o do mundo – perde a posição para o parceiro de Bruno Soares, Jamie Murray, que também já estão fora do torneio, por meros 5 pontos, algo que evitaria com a vitória ontem.

 
No fim do jogo fiquei pensando porque não ouço falar mais do tal filipino/americano. Descobri que já ganhou sete títulos nas duplas, com quatro parceiros diferentes. É daqueles que muda bastante de parceiro. O porque não sei.

 
Mas, com certeza, se soubesse administrar melhor a carreira poderia ter ainda melhor resultados. Poderia perguntar umas dicas no assunto para Marcelo e Bruno, que têm sido ótimos no quesito. Isso prova que o circuito de duplas é extremamente competitivo e é necessário saber administrar fora das quadras também – a escolha, e manutenção, do parceiro um quesito fundamental!

 
Huey desistiu das simples ainda jovem – foi tenista universitário – porque achou que seria medíocre como singlista e poderia se dar melhor como duplista; um denominador comum nas carreiras dos duplistas.

 
De qualquer maneira fica a lembrança. Se algum dia os leitores tiverem a oportunidade de assistir o rapaz jogar vão ver como se joga bem duplas sem ter a pinta de quem o faz. Um tenista muito rápido, com ótimas mãos, muita habilidade, que sabe tanto bater como tratar uma bolinha carinhosamente. Uma avis rara que merece ser vista porque é um animal em extinção.

 
Ontem tivemos dois jogos ótimos. A vitória de Gilles Simon sobre Marin Cilic, onde a paciência e regularidade mais uma vez se sobrepôs sobre o ataque, em um conflito sempre interessante de assistir, e a surpreendente vitória do francês de 22 anos, Lucas Pouille, tenista talentoso, com bons golpes de ambos os lados, voleios melhores do que o padrão atual, em um saque que incomoda sobre o operário David Ferrer. Um all around que está crescendo no circuito e que ainda vai dar o que falar. Talvez não seja um Federer, mas, aos poucos vai conseguir vitórias como a de ontem, melhorar seu ranking e, se souber administrar, deixar de ser uma surpresa e passar a ser um dos cachorrões.

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