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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015 Rafael Nadal, Rio Open, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 17:20

Imagino

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Fico imaginando qual será o impacto em Rafael Nadal por conta de sua derrota, prematura, na semifinal e justamente pelas maos do MalaFognini. O espanhol voltou às quadras capengando, ao contrário de seus outros retornos, sempre por conta de suas múltiplas contusoes, sempre resultado direto do estilo Nadal de jogar. Imagino que seu foco agora seja, para variar, o circuito europeu sobre a terra, porque pelo tênis que está jogando nao será nas quadras duras da Califórnia ou da Florida que irá se dar bem. Só espero que sua derrota nao tenha nenhum impacto em sua aparente decisao de voltar ao Rio Open em 2016. Se tudo der certo ele vira ao Brasil duas vezes no ano que vem; a segunda na Olimpíada. Lembrando, esta jogada em quadra dura. A respeito, o piso foi escolhido pela FIT e nao pela CBT ou COB. A FIT alegou, para a decisao, o calendário internacional – os Jogos terminam imediatamente antes do US Open. Sendo assim, Rafa deverá jogar novamente, imagino, o Rio Open no saibro e as Olimpiadas no piso duro.

Atentaram ao “imagino”? Isso porque existe uma grande duvida sobre o Rio Open para 2016. É a velha questao de ter mais de uma opçao. Ele seguirá sendo jogado no Jockey Club ou passara para a Barra, onde está sendo erguido o complexo do tênis dos Jogos Olímpicos?

Ao contrário do que vem sendo dito, nao há uma decisao feita sobre o assunto. Pelo menos oficial. Rumores dizem que seria na Barra porque o COI exige que seja feito um evento no local para o tal “soft opening”, para testar tudo. Sim, essa exigência existe, mas ela nao exige que o evento seja o Brasil Open.

A decisao é uma faca de dois gumes. A continuaçao do evento no Jockey Club tem que ser a favorita de praticamente todos. O clube quer o evento, porque só tem a ganhar, especialmente pelos benefícios de infra estrutura e o privilégio de receber tal evento em casa. Falando por mim, como fa do tênis, difícil imaginar um local mais aprazível para o torneio. O cenário é maravilhoso, já o descrevi anteriormente, e localizaçao privilegiada; ao lado de Ipanema, Leblon, Lagoa e Jardim Botânico. Eu adoro, e a cada ediçao o pessoal vai afinando a máquina, deixando o evento mais gostoso e aprimorando a hospitalidade ao publico. Só ouço boas coisas a respeito.

Por outro lado temos o tal conflito que aflige a organizaçao. Eles sabem que o local atual é um diferencial enorme, sempre para o positivo, com o público e os jogadores. No entanto, a montagem custa uma bela grana – e isso mexe no balanço financeiro. Na Barra, eles terao à disposiçao toda a infra que será utilizada nos Jogos Olímpicos e, provavelmente, depois dos Jogos. Imagino que só o custo de montar a Quadra Central atual seja maior do que o de cacifar os melhores do mundo. Fora todos os custos de levantar uma estrutura tal qual a disponibilizada no Jockey. Na Barra esses custos seriam cortados fortemente.

Há muitas outras consideraçoes, que já deviam estar tirando o sono da organizaçao antes mesmo desta ediçao. Se o torneio for para a Barra, a organizaçao terá que negociar uma nova data, já que a atual está inserida no circuito latino-americano, necessariamente jogado sobre o saibro. Talvez logo após o tal circuito e logo antes de Indian Wells. Com isso talvez percam Nadal e o bando de saibristas que por aqui tem aparecido. Mas devem ganhar outros que queiram se preparar para o breve circuito de quadras duras de Indian Wells e Miami. Mas isso é longe de ser simples e fácil, até porque nao existe muito espaço no tempo.

Tao importante, e determinante nas decisoes, será o destino da IMX. Até 2016 é possível que água corra debaixo dessa ponte. O Rio Open é um ativo forte de seu portfólio e imagino que seu futuro esteja assegurado, de uma maneira ou de outra, em um local ou outro. De qualquer maneira, a imagem do Cristo Redentor, no topo do Corcovado, se elevando por detrás das arquibancadas é algo que está fotografado da melhor maneira na minha memória emocional.

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sábado, 21 de fevereiro de 2015 Rafael Nadal, Rio Open, Tênis Masculino | 12:20

Satisfeito

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Quem queria ver Rafael Nadal, assistiu Fognini bater o argentino Delbonis, naquele que foi a melhor partida do torneio e me lembrou do épico do ano passado, entre Nadal e Andujar. Por conta desse, e outros jogos que alongaram, a programaçao se atrasou e Rafa entrou em quadra mais de 1h da manha (saiu era 3.25h!).

Mas o publico nao pode falar um ai do atraso, por conta do espetáculo oferecido pelos dois tenistas que antecederam a estrela máxima. Se as arquibancadas estavam frustradas, ficaram também totalmente envolvidas pela qualidade e dramaticidade do confronto, que foi decidido na bacia das almas, no TB do 3o set, com 3.12h de jogo e só definido no nono match point. À parte do drama, os dois jogaram muito tenis, apresentado em dois estilos contrastantes; Delboni é um canhoto agressivo, que joga em cima da linha de fundo, bate reto no backhand e com pesado top no forehand para angular e reto para definir. Como é bem alto, bate de cima para baixo e seu back cruzado e curto, que ele tem muita confiança, é uma das melhores bolas do circuito. Ele sofre na rede e no saque, um dos mais estranho e que, na hora da onça beber água o abandonou, por conta de uma deficiencia técnica que ele consegue camuflar quando o momento nao é crucial.

Já Fognini é um contra atacador, cedendo a quadra e se posicionando de 3 a 4 metros para contra atacar, pelo menos no jogo de ontem. E que talento. Faz tudo bem parecendo ser fácil. Só o saque, talvez por conta do tamanho, nao está no mesmo padrao, especialmente quando saca no lado da vantagem. O resto ele tem para dar e vender. O publico acaba torcendo pra ele, por conta de ser um bagaceiro e ter uma atitude de desdem e irritadiça que mexe com as arquibancadas. Mas tem, pelo menos em quadra, um caráter duvidoso, nao hesitando em dar uma de gerson e levar vantagem pra cima do oponente de formas que derrubam qualquer ética.

Ontem quebrou o saque do argentino, para fazer 5×4 e entao fechar o primeiro set, “garfando” uma bola no seu fundo e que o juiz, bananao, nao teve coragem de contrariar – ele marcou descaradamente fora uma bola que foi na linha e já saiu para sentar e ameaçando o bananao. Quando Delbonis virou de lado, e viu que foi boa, reclamou barbaridades e o juizao se recusou a descer e mostrar a bola. Mais à frente, quando Delbonis virou e forçou o TB do 3o set, Fognini raquetou uma bola pra cima do argentino – e o acertou na perna. Este reclamou com o juiz, que fez que nao viu, reclamou com o supervisor, que fez que nao ouviu. Todos uns bananas com medo de afrontar o italiano que já sabe que de tanto “causar” acua aqueles que teriam que colocar ordem no pedaço. A confusao só nao foi maior porque Delbonis nao tem nem um pouco da milonga argentino, nao mostrando nenhum sinal exterior de emoçao durante todos os dramas da partida.

Mesmo os bananoes e o malamór nao tiraram o brilho do jogo, muito por contrário. Foi um jogo que deu um prazer enorme de assistir. Tanto é que quando terminou, levantei e fui para o hotem tomar um banho e dormir, por que nao tinha o menos sentido em ver outra partida de tênis naquela noite.

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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015 Rafael Nadal, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 12:21

Falso equilíbrio

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Tenho visto o Marco “Bocao” Barbosa, atual técnico da Bia Maia, que está conseguindo, sem mágias e invencionices, melhorar o tênis da Bia Maia, que é nossa maior esperança de bons resultados no tênis feminino. A hipotese nao é de hoje, mas ainda está para se tornar uma firme realidade. Os bons resultados no Rio Open sao bons indicadores. A moça tem talentos, habilidades e um bom tamanho; agora tem um ótimo técnico ao seu lado, algo que faz enorme diferença na balança das possibilidades.

Os caras continuam sem o sorvete para meu milk-shake, o que é uma tremenda sacanagem e desapontamento. O garçon me sugere substituir por uma tigela de açaí. Açaí eu comia, tirando do pé, na verdade catando do chao, lá no sítio. Aqui no Rio, lá no Jockey, eu quero milk-shake de chocolate. Tem gente que é do açaí, eu sou do milk shake! Minhas dietas e health food eu administro, e bem, em outras áreas. Tem assuntos culinários que têm mais a ver com o emocional do que com a nutriçao.

Nadal é Nadal, e fim de história. O espanhol nao está jogando nem uma pequena parte do que joga. Mas e pra ganhar dele? Aí sao outros quinhentos, bem caros quando você está do outro lado da rede. Ontem, o jovem espanhol que o enfrentou entrou bem briefado pelo técnico – o veterano Duarte, que trabalhou com o Corretja. É interessante assistir esses jogos porque se enxerga como os “colegas”, que conhecem bem a fera, enxergam a tática para enfrenta-lo.

O jogo foi equilibrado, especialmente no 1o set. Mas como já havia sido com Bellucci, o equilíbrio foi só até o Animal “entrar” no jogo. Mas diferença ficou clara em um game em particular. No 2×2 o Busta quebrou a fera e foi sacar para confirmar a quebra. Esse foi o game do jogo. Àquela altura Nadal estava jogando batatinhas, deixando a maior parte das bolas muito curtas, enquanto o adversário se esbaldava. Naquele game nao jogou tao melhor ainda, mas o oponente foi apresentado à famosa “garra nadal”. Rafa sabia que tinha que voltar ao set naquele game, pra nao deixar o inimigo acreditar e crescer. Muitas vantagens depois, de ambos os lados, Nadal conseguiu a quebra e colocou o trem nos trilhos. Entao, foi só um questao de games.

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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015 Rio Open, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 12:37

Feijao melhor do que Rola

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O Rio continua lindo. E o Rio Open também. Este ano deram algumas incrementadas. Nao dá para descrever tudo agora, por isso será aos poucos. A primeira se percebe logo na entrada. Esta era paralela à avenida, agora é paralela à raia de grama do Jockey. Nao sei se está em época de treinos e corridas, mas se passar uns cavalos correndo por ali vai ser um barato. Também unificaram a linguagem de todas as lojas e comidas do longo corredor das conveniências. Ficou mais clean, elegante e confortável. Por conta de como o publico se posicionava e se comportava no ano passado, fizeram mudanças nas alamedas internas e até colocaram uma mini arquibancada na principal quadra de treino; a Quadra Nadal.

O Lounge Corcovado, para o qual se precisa de um crachá especial, também ganhou um design mais clean que facilita as andanças e o atendimento. É lá que os patrocinadores e convidados fazem seu network e onde se encontra o quem é quem do tênis etc. É um ótimo lugar para refrescar a cabeça, após fritá-la no inclemente sol que faz no Rio. O ar condicionado de lá faz maravilhas pelo nosso humor. Acompanhado de um refri ou uma cerva nos abre as portas do paraíso.

A sala de imprensa também ganhou um upgrade. Foi para um lugar mais nobre e é super profissional, liderada por alguém que tem know-how, a antiga RP de Gustavo Kuerten, Diana Gabany.

Dá para ver que existem outras melhoras, que irei mencionando com os dias.

Uma coisa que senti falta, e nada tem a ver com a organizaçao do evento, foi o sorvete no bar do Jockey, um lugar super charmoso ao lado da quadra 1. Ali é o meu ponto favorito para ver a banda passar. Fui direto pra lá, sentei com meu amigo Fabrizio Fasano e pedi o milk shake de chocolate, que é dos deuses. Fiquei na vontade. Acabaram com o sorvete durante o carnaval e ainda nao repuseram. Vou tentar hoje de novo.

Peguei meu ingresso e fui assistir o confronto do Blaz Rola com o Joao Feijao. Quem queria Rola ficou na vontade e quem se satisfaz com Feijao se lambuzou. Pra mim ficou de bom tamanho.

É um prazer assistir um tenista florescendo. O Feijao é um outro cara. Parece que encontrou seu caminho mágico e agora, quando precisa, vai lá, grita Shazam e sai socando o adversário.

Ontem foi um barato. No primeiro set foi demolidor. Nao deu espaço nem tempo para o Rola pensar. No segundo, até porque nao é de ferro, abriu um pouco as pernas e o Rola cresceu. O set foi uma incógnita até o tie break, que me lembrou o TB entre Nadal e Andujar no ano passado. O ápice foi no match point, quando o brasileiro decidiu surpreender, sacando e voleando no revés, algo que nao tinha feito uma vez sequer. Fez tao bem que acabou se surprendendo mais do que o outro. Teve um voleio fácil na sua direita, notou que o Rola foi, no embalo, pra direita e mudou o voleio para a paralela – ele seria mais confortável na cruzada. A bola saiu muito e dois pontos depois estava no 3o set.

O jogo deu uma tremenda caída, com uma parte do publico indo embora. Azar deles. Nao sabem que o jogo só acaba quando termina?

Por conta da caída, Feijao acabou sendo quebrado prematuramente e deixou o Rola socar um 4×2. E, quando o Rola pensou que iria crescer de vez, a adversidade só serviu para jogar água no Feijao, que procedeu entao a afogar, surpreendentemente, o adversário. Jogo de tênis, só se ganha, entre outras coisas, nao se largando o osso até o fim.

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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015 Rafael Nadal, Rio Open, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 11:01

Adversário intimo

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A expectativa para o jogo Rafa Nadal x Bellucci era grande. Afinal, reunia os dois maiores favoritos das arquibancadas, para o azar de todos os envolvidos, de organizadores a fas. O Animal Nadal, ídolo máximo do torneio e o nome maior do nosso tênis pós era Kuerten. No fim, foi uma decepçao.

Nadal esteve mal, bem abaixo de seu padrao, como insistia Maria Esther na transmissao, por razao óbvia; a falta de jogos. Muitos erros nao forçados e ausência de velocidade e força nas pernas, sua marca registrada. Sendo sua primeira partida no saibro após um longo tempo, era a oportunidade perfeita para Bellucci fazer uma apresentaçao que lhe daria a consagraçao aos olhos da torcida, algo que Dacio Campos , com proprieda e sutilmente, ressaltou antes e depois do jogo. A oportunidade ficou na imperfeiçao do “Se”.

O primeiro set foi um festival de erros e quebras de serviço de ambas as partes. E já que nos quesitos negativos estavam irmanados, restou a Nadal cacifar nas suas maiores qualidades e levar o set, mesmo no aperto.

No segundo set, Bellucci jogou ainda abaixo do padrao anterior, enquanto que Nadal pegou o embalo e melhorou a mao com o passar dos games e a realização, sempre um alívio bem vindo, que o adversário nao subiria ao padrao exigido pela ocasiao.

Thomaz saiu na 1a rodada – uma frustraçao, para ele e para nós, porque poderia pegar um embalo e ir mais longe, pois vem jogando razoavelmente bem. Enquanto isso, Nadal colocou mais uma moedinha no seu cofrinho de Confiatrix.

A curiosidade veio por conta da entrevista da SporTV ainda em quadra. Nos torneios mundo afora é muito raro as TVs, e os organizadores, entrevistarem o perdedor em quadra, uma falta de sensibilidade só menor do que a ânsia de um em sumir e do outro pela reportagem. Que eu lembre só em Wimbledon fazem perguntas ao perdedor, e na final, assim mesmo feitas pela Sue Baker, uma tenista de longa história e com a necessária sensibilidade que o momento exige. Nos outros eventos, quando muito, oferecem um microfone ao vice-campeao para ele dizer o que bem entende.

A jornalista da SporTV que entrevistou Bellucci, no que é conhecido como uma entrevista “hot”, porque o atleta ainda está pegando fogo internamente e nao digeriu nem um pouco a decepçao e frustraçao da derrota, chegou com os pés no peito do rapaz com a pergunta que nao quer calar, e que provavelmente lhe foi pautada por alguém que acompanha a carreira do Thomaz com mais acuidade.

Jornalisticamente, a pergunta – algo na linha de como Thomas alterna bons e maus momentos, com os maus geralmente aparecendo em momentos cruciais e lhe causando derrotas até inesperadas – é relevante e seria interessante se Thomaz em alguma momento a explorasse e respondesse com transparencia. Mas, para isso, teria que ser em um cenário correto e ideal; nunca no calor da derrota, com o cara ainda querendo quebrar uma raquete na própria cabeça, ou na de quem se oferecer, por conta da frustraçao.

Thomaz manteve a compostura e driblou a pergunta, divagando sobre alamedas outras no melhor estilo político. Ficou o cutucao, mas nao veio a resposta. A jornalista teve, enfim, o bom senso de agradecer e nao insistir no ponto em questao e nenhum outro. Quiçá algum dia Thomaz possa explorar publicamente sobre essas profundezas emocionais que o afligem – ontem ele insistiu que nao foi esse o caso (uma negaçao que a psicologia explica), mas nao elaborou do porque o jogo “acabou” após o 4×4 ainda no 1o set.

Talvez, e mais provável, será algo que ele, quando muito, explorará no confinamento de sua privacidade e com pessoas com quem tenha intimidade e confiança, o que nao seria nenhuma surpresa e nada pelo qual se pudesse critica-lo. Afinal se trata de assunto da maior intimidade emocional. Nós até podemos conjeturar a respeito, mas ele nao tem nenhuma obrigaçao de falar a respeito em publico para saciar nossas vontades e demandas.

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terça-feira, 17 de fevereiro de 2015 Rio Open, Sem categoria, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 21:12

Feijao com arroz

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Desde a semana passada que vejo o Joao Feijao jogando o seu melhor tênis. Perigoso sempre foi. Grande saque, bons golpes do fundo, mao pesada, fortíssimo. Tantas qualidades podem te levar longe no circuito.

Faltava a regularidade – o feijao com arroz com qualidade. Ela veio e com ela as vitórias e com elas a confiança. Agora o limite está aberto e muito nas maos do rapaz.

Hoje ele deu uma verdadeira surra em um argentino que o tinha como fregues e de quem nunca havia tirado um set, em 4 ou 5 partidas.

Ganhou de maneira tao tranquila que parecia estar em outra dimensao técnica. O próprio adversário sentiu a barra e se encolheu – nao mostrou a menor disposição em comprar uma briga que considerou, com boa razao, perdida.

Feijao já foi à semifinal em Sao Paulo e tem boas chances de progredir no Rio. Sem dúvidas ganha muito com isso; no ranking, prêmios e confiança. E melhor, pelo menos para nós, ganha o tênis brasileiro. Nao se esqueçam, no começo de março tem Copa Davis, contra a Argentina.

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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015 Rafael Nadal, Rio Open | 14:09

Sansao.

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Eu havia lido que Rafa Nadal fora convidado para desfilar em uma escola de samba – a Viradouro. Enquanto dava minhas braçadas na piscina comecei a pensar como teria sido a negociaçao dos organizadores, com ele e com a escola, e como seria essa participaçao. Será que os nadadores ficam meio xarapos de tanto dialogo interno e contar ladrilho? Ou será que o ruim mesmo, emocionalmente, é ter break points e nao conseguir cacifar, sem contar as bolas que saem menos de um dedo, como poderiam ter entrado e nos feito feliz?

Quanto ao Nadal, será que iriam coloca-lo como destaque e engaiola-lo no topo de um carro, ou deixariam ele solto no asfalto? Será que tinha sido difícil convence-lo a encarar o samba no pé, naquela que é uma das maiores zonas organizadas do planeta, ou ele mesmo tinha tomado a iniciativa sem saber direito aonde estava se metendo? Afinal, o cara é um cú-de-ferro e tem um tio que é uma fera que odeia qualquer coisa que tire o foco de seu sobrinho do caminho da vitória. Convenhamos, sambar na avenida, ficar horas em pé, fora o dreno emocional, nao iria acrescentar nada ao seu tênis.

Quando vi Domingo que a chuva caia na avenida pensei com minhas raquetes se o espanhol iria encarar a avenida ou se ficaria no conforto maluco do camarote. Será que a possibilidade ficou combinada antes?

Por isso, quando abri a internet, porque desfile de escola de samba eu nao assisto, fiquei maravilhado e surpreso com a foto do Animal e um de seus patos favoritos, o laborioso operário David Ferrer com sorrisos do tamanho da Baia da Guanabara e os cabelos ensopados da chuva – e dane-se! Eu mesmo deve ter sorrido em ver tamanha alegria. Os rostos de ambos reluzia e explodia, transparecendo o entusiasmo que tao raramente sentimos, e demonstramos, em nossas vidas. Nunca vi o Nadal com tamanha felicidade estampada no rosto. Achei o máximo.

Nao assisti, nem sei como foi a farra de ambos; aliás, Gustavo Kuerten também entrou no cordao. Só sei que algumas de minhas dúvidas foram respondidas mais tarde quando li a coluna do meu amigo Sylvio Bastos -
http://www.foxsports.com.br/blogs/view/189271-um-nadal-diferente. Sylvio divaga e elabora se o espanhol nao está em nova fase – mais light – da carreira, aonde até uma farra no asfalto carioca tem espaço. Sylvio pergunta se Nadal está agora se dando ao luxo de se afastar, mesmo que pouco, de seus métodos, rituais e, digo eu, das amarras mentais e emocionais que possibilitaram que ele se transformasse no tenista mais forte emocionalmente da história. E, lembremos, Rafael Nadal sem essas amarras estará tao exposto e fragilizado como Sansao seus suas mechas.

Será? Nao sei. O tempo próximo irá dizer. Mas se existe lugar para isso começar, seguramente a Avenida Sapucaí é um deles.

Rio Open 2015 - Nadal no desfila das escolas de Samba

 

 

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Brasil Open, Tênis Brasileiro | 11:12

Argentino e Uruguaio

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Sempre gostei do Pablo Cuevas. Tenista sem excesso de brilho, nao busca ofuscar adversários ou seu próprio tênis com firulas ou frescuras. Mistura de argentino e uruguaio, traz para a quadra o melhor do tênis competitivo, nao largando o osso jamais, sempre vendendo a derrota caro e buscando o melhor resultado. Por detrás dessas características, um estilo clássico e uma das esquerdas com uma mao mais bonitas e eficientes do circuito – ali ninguém faz festa.

Como tem uma pegada bem fechada, típicas de esquerdas com suas características técnicas, nao é dono de uma grande direita, pois mantem a pegada “martelo” mas melhorou bem a sua com os anos. Talvez nao seja tao perigoso nas duras, mas no saibro, com sua esquerda cruzada funda, e alta quando quer, e a paralela com controle, é um osso duro de roer – já assisti grandes partidas suas.

Nao dá para esquecer que é um bom duplista – inclusive por conta de certas habilidades, já que nao é nada “engessado”, novamente no saibro – e novamente por conta de seu ótimo revés do fundo de quadra, tendo entre seus quatro títulos o de Roland Garros em 2008.

Nas simples, Sao Paulo foi seu 3o título após os dois primeiros em 2014, quando tinha 28 anos. É um tenista que chega ao seu melhor tênis após os 27 anos, característica do circuito sobre a qual já escrevi aqui. Para mim, um técnico que acredita no trabalho e na persistência como instrumentos para conquistar a excelência, Cuevas é belo exemplo para muito cabeça de bagre que se acomoda com o destino e seus limites.

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Brasil Open, Tênis Brasileiro | 11:11

Argentino e Uruguaio

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Sempre gostei do Pablo Cuevas. Tenista sem excesso de brilho, nao busca ofuscar adversários ou seu próprio tênis com firulas ou frescuras. Mistura de argentino e uruguaio, traz para a quadra o melhor do tênis competitivo, nao largando o osso jamais, sempre vendendo a derrota caro e buscando o melhor resultado. Por detrás dessas características, um estilo clássico e uma das esquerdas com uma mao mais bonitas e eficientes do circuito – ali ninguém faz festa.

Como tem uma pegada bem fechada, típicas de esquerdas com suas características técnicas, nao é dono de uma grande direita, pois mantem a pegada “martelo” mas melhorou bem a sua com os anos. Talvez nao seja tao perigoso nas duras, mas no saibro, com sua esquerda cruzada funda, e alta quando quer, e a paralela com controle, é um osso duro de roer – já assisti grandes partidas suas.

Nao dá para esquecer que é um bom duplista – inclusive por conta de certas habilidades, já que nao é nada “engessado”, novamente no saibro – e novamente por conta de seu ótimo revés do fundo de quadra, tendo entre seus quatro títulos o de Roland Garros em 2008.

Nas simples, Sao Paulo foi seu 3o título após os dois primeiros em 2014, quando tinha 28 anos. É um tenista que chega ao seu melhor tênis após os 27 anos, característica do circuito sobre a qual já escrevi aqui. Para mim, um técnico que acredita no trabalho e na persistência como instrumentos para conquistar a excelência, Cuevas é belo exemplo para muito cabeça de bagre que se acomoda com o destino e seus limites.

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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015 Copa Davis, Tênis Brasileiro | 15:36

Cenário e pavio.

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Após a bela vitória do Feijao Souza sobre o eslovaco Klizan, tenho mesmo que escrever sobre o fato. Mas, antes disso, até como contraponto, uma palavra sobre a derrota de Tommy Robredo para Nicolas Almagro. Almagro nao ganhava dois jogos seguidos desde abril passado – esteve contundido o o semestre. Talvez por isso tenha vindo ao Brasil Open, que deve lhe trazer ótimas lembranças – o cara ganhou três de seus doze títulos no Brasil.

Mas quem me surpreendeu foi o Robredo. Esse é um tenista que associo à luta, suor e lágrimas. O cara adora correr, tem um tênis limitado, mas ótima cabeça e um coraçao é grande. Imagino que aos 32 anos deve estar contemplando a aposentadoria – ele fala sobre ela há tempos. Agora, o tênis que ele apresentou no Ibirapuera foi uma Vergonha para seus fas – notem o V maiúsculo. O rapaz está visivelmente destreinado para jogar no padrao ATP e fazer valer o fato de ser o 2o cabeça do torneio. Alias, nao sei o por detrás isso, só sei que desde Outubro ele só participou do Australian Open, onde jogou cinco games e desistiu. Entao é claro que está fora de forma e, provavelmente, voltando de contusao. Minha cabecinha ficou pensando quanto deram pra ele de garantia – entre Sao Paulo e Rio – para vir passar o carnaval por aqui.

O Feijao entrou em quadra com sangue nos olhos. Bom pra ele, azar do Klizan. Aliás, a noite teria sido ainda mais interessante – e o jogo deles foi ótimo – se Bellucci tivesse confirmado o serviço no 5×3. Lembrando, o atual técnico de Thomaz é o desafeto do Feijao e capitao do time da Davis que, até onde sei, nao foi divulgado, apesar de que o zumzumzum é que ele está de volta ao time. Ressalte-se que nao sei nada oficial sobre o assunto, mas, pela proximidade, começa em 6 de março, os tenistas mesmo já devem saber se estao ou nao no time. E, suponho, pelo bem do time, as arestas tenham sido aparadas e bola pra frente que atrás têm gente.

A vitória dele ontem foi na garra, algo que nem sempre ele traz pra mesa com a consistência que a carreira exige. Ele quis mais do que o outro. E bola ele tem pra incomodar. Mas, como todos estao carecas de saber, ter bola só nao faz uma carreira. Precisa bem mais do que isso; vontade, determinaçao, coragem, consistência, e podem estender a lista.

Como a vitória do Klizan tinha impacto indireto no assunto Copa Davis (o eslovaco bateu o Bellucci) entende-se a motivaçao extra. Agora, precisamos ver se o que ele apresentou se estende para o resto do evento ou se tem pavio curto. Porém, a partida de hoje tem ainda mais impacto no assunto Davis, já que ele enfrenta o argentino Leonardo Mayer, que deve ser titular no confronto contra o Brasil. Um ótimo cenário para ele manter a inspiração e mandar sua mensagem. E uma pedida melhor ainda para a torcida comparecer e dar uma força para o brasileiro, que adora a força que vem das arquibancadas. E que nao gosta? Alguém falou algo aí?

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